Notas iniciais
{Oie,
Que demora a minha não? Mas cá está a terceira shortfic também conhecida como letra "C" ou "maior clichê da vida da Becky". Ué, "c" de "clichê" *ri*
Não se preocupem, a história não é igual a do filme, apenas esse começo que é bem parecido.
Espero que gostem e que deixem comentários/recaditos e que favoritem, pois assim ajuda a divulgar a fanfic.
Enjoy}

“Are you hurting?

I lock my door

I'm closed for love”

Era uma vez uma doce menina de cabelos claros como a aurora do dia, lábios vermelhos como morangos de campina e olhos azuis como o céu claro. Está menina vivia com seu pai e sua mãe, em uma pequena fazenda em um pequeno reino. O reino era governado por um rei, que há pouco perdera sua rainha, fazendo com que este depositasse toda a esperança do futuro de sua nação sobre os pequenos ombros do jovem príncipe. Mas isto iremos ver mais para frente da história.

Voltando para a doce menina, seu nome era Athena e ela tendia a ver o melhor em tudo. Desde os dias de calor insuportáveis até os dias de chuva friolentos. Ela sabia que tudo no mundo era questão de ponto de vista. E Athena sempre tinha o melhor ponto de vista sobre tudo.

Seu pai era um mercador, viajava para todos os cantos do reino e além dele, devido a isso, Athena ficava muito tempo sem vê-lo, convivendo muito com sua mãe, Métis. Mas independente do tempo que seu pai, Zeus, passasse fora, Athena sabia que no final ele sempre voltava.

Eles eram felizes, como poucas pessoas realmente são. Porém, nunca parece que o universo tolera essa alta cota de felicidade.

Certa tarde, após seu pai voltar de uma longa viagem, a mãe de Athena dera sinais de uma grave doença. Métis, em meio ao seu desespero por deixar a filha sozinha, chamou-a para uma longa conversa em seu quarto, horas antes de perecer.

— Me prometa que você vai cuidar bem desde local, Athena — pediu a mãe, acariciando os cabelos do seu bem mais precioso. — Prometa-me que vai ser boa e gentil, prometa-me que vai acreditar, Athena, prometa-me que vai ter fé.

A pequena garota, com lágrimas nos olhos, apenas conseguiu assentir.

— Seja corajosa, minha menina — Métis falou, a voz embargada pelas lágrimas que não queria soltar na frente da sua filha. — O mundo não é bom conosco mas você precisa ser gentil com o mundo. — Os olhos azuis e sérios daquela bela mulher brilhavam enquanto ela falava. Métis se sentia cada segundo mais fraca, mas simplesmente não conseguia soltar a filha. — Eu irei partir, meu amor, muito em breve e preciso saber se você pode me perdoar por isso.

— Uma pessoa totalmente diferente seria se não lhe perdoasse, mãe. — A menina conseguiu falar, demonstrando sua inteligencia embora tão nova. — Sei que sofres aqui, papai me disse, então se vai ficar melhor em ir, não fique com medo do que eu irei pensar. Eu sei que se você pudesse não iria embora, então vá com o meu perdão e saiba que eu pensarei sempre em você.

Tanto a garota como sua mãe não conseguiram conter suas lágrimas, a menina chorando pelo que dizia e por saber que sua mãe iria embora, a mulher pela tristeza de nunca poder ver sua filha crescer, pois sabia que ela iria virar uma bela e sabia moça algum dia.

— Eu nunca lhe abandonarei totalmente, filha. Meu espirito, minha presença, eu estarei sempre zelando por você, nunca se esqueça disso. — Métis sentiu seus olhos pesarem, ela sentia que estava na hora. — Agora me dê um abraço forte, para eu poder ir embora em seus braços minha filha.

Athena agarrou forte o corpo fragil da mãe, como se caso ela segurasse forte o bastante a mulher não partiria. Zeus, como pai e marido, observou a cena distante até não se conter e correr para abraçar as duas mulheres da sua vida.

E naquela tarde ensolarada de Junho, Métis se foi, deixando para trás uma filha brilhante e um marido inconsolável.

[...]

Anos se passaram, a dor virou saudades e lembranças boas. Athena cresceu cada dia mais bela e esperta. Desde pequena sabia fazer todos os afazeres da casa, lavar, cozinhar, passar, limpar, embora nunca lhe fosse pedido para fazer, ela fazia por vontade, amando poder ajudar os criados, quando a menina completou 10 anos, ela já sabia falar e cantar em inglês, alemão e italiano, além da sua língua materna, o francês, aos 14 aprendeu a montar e a lutar com uma espada, ato que não era muito recomendado para mulheres naquela época, e, é claro, desde sempre ela lia muito, primeiro acabando com a biblioteca de sua casa, depois com a da cidade e por fim com a do reino. Era, em todos os sentido, uma garota prodígio.

— Athena — chamou seu pai, alguns dias depois de ter chegado de viagem. — Vamos caminhar comigo, querida, preciso falar-te algo.

Athena, com um singelo sorriso de quem se sente feliz por fazer qualquer coisa, caminhou com seu pai por sua modesta propriedade. Alguns chamariam de pequena, mas para Athena o lugar era enorme, com lindos campos verdes ao sul, hortas com todo tipo de legume e vegetais ao norte, além é claro das frutas de chão e dos pomares, um pequeno lago à oeste e a grande casa ao leste, com um pé direito altíssimo e janelas grandes feitas de cristal.

— O que deseja falar-me, querido pai? — a menina perguntou, arrumando seu vestido branco que descia até seus pés com uma leve batida. — É algo importante?

— Oh sim, doce menina, é sim — respondeu seu pai, um pequeno sorriso em seus lábios. — Lembra-se quando viajei para as terras do norte e conheci o chefe dos tecelões, Cronos?

— Oh sim, o senhor que me mandou aquele tão belo vestido — Athena lembrou-se da ocasião. O vestido era azul e simples, mas Athena o tratava como se fosse ouro, usando-o somente em acontecimentos especias. — O que há com ele?

— Ficou doente e faleceu. — A voz de seu pai ficou triste, lamentando o ocorrido. Athena, embora não conhecesse o homem sentiu-se mal imediatamente, lembrando-se que aquele homem tinha duas filhas da sua idade.

— Oh, pobrezinho... — Chorou a menina, aquele tipo de choro sem lágrimas apenas chorado com a voz. — Não era este o senhor que tinha duas filhas da minha idade, papai?

— Sim, querida — Seu pai engoliu em seco, fazendo Athena notar o nervosismo. — Além das duas filhas, o senhor deixou uma pobre mulher viúva, ainda na flor da idade... — o homem se constrangeu, como se não soubesse como falar com a filha, mas a garota entendeu. Afinal, ela era muito esperta.

— Papai, se temes me falar algo não deveria — sorriu gentil. — Se isso lhe faz feliz então é minha felicidade também.

— Fala sério, minha menina? — Questionou seu pai, com um sorriso esperançosos no rosto. — Não se importaria de ter uma madrasta e duas irmãs postiças?

— Ora, que mal faria? — A menina devolveu a pergunta. — Estava mesmo na hora de começarmos mais um capítulo de nossas vidas. E quem sabe essas mulheres não darão vida para essa casa?

Zeus riu, abraçando sua filha com felicidade e orgulho. Por um momento pensou em voltar atrás na sua decisão, ele não precisava de outras mulheres em sua casa para ter vida, apenas Athena bastava. Mas rapidamente retirou isso de sua mente, Athena precisava de uma mãe. E aquilo iria bastar.

[...]

Hera Bolleux chegou no dia seguinte, com suas duas filhas, Afrodite e Deméter. A primeira impressão que Athena teve das três moças não foi as melhores, mas ela lembrou-se que estava julgando por suas aparências e que não deveria fazer isso. Sua mãe lhe disse para ser gentil mesmo quando o mundo não era. E ela deveria levar aquilo ao pé da letra.

Afrodite possuía longos cabelos castanhos escuros e incríveis olhos azuis. Usava um vestido longo e pomposo cor de rosa e parecia ser a encarnação da beleza na terra, aos olhos de Athena. Ao passo que Deméter vestia verde, com cabelos castanhos claros e olhos dourados, está parecia mais leve no quesito beleza e futilidade, mas no momento que abriu a boca se provou pior que a fútil Afrodite, questionando sobre a decoração da casa e os animais, agindo como se fosse a dona de tudo e xingando os criados.

No mesmo passo, Hera se mostrava uma dama refinada, vestia vestidos elegantes e caros e sorria com algo que Athena denominava como falsa simpatia. Ela elogiou os cabelos da menina, sem deixar de puxá-los levemente, falou sobre seus lindos olhos azuis afundando seu dedo um pouco demais na pálpebra da menina, admirou a decoração antes de mandar os criados guardarem tudo no sótão. Zeus nada fazia, pois sua filha sustentava um sorriso calmo no rosto e a madrasta lhe lançava sorrisos simpáticos mais ou menos a cada cinco segundos, antes de dizer: “Oh, como esse quadro é lindo, pode levar para o sótão, só temporariamente querido, para não estragar na mudança...”.

Durante longos cinco dias, a madrasta fazia festas exageradas à noite e ela e suas filhas só apareciam após o meio dia nos dias seguintes. Athena dormia cedo, tentando ignorar as risadas do andar de baixo, e acordava ainda mais cedo no dia seguinte, para ajudar Ártemis, a filha de um dos criados com as tarefas domesticas. Tirava leite da vaca, dava comida às galinhas, pegava ovos, recolhia a roupa, etc., e tudo isso antes das nove da manhã. Ártemis havia se acostumado com o jeito espontâneo da menina, assim como os demais criados, desistindo há muito de fazê-la não ajudá-los. Athena simplesmente não aceitava todo mundo trabalhando enquanto estava parada.

Após o almoço, onde ela colocava a louça na mesa, ajudava a servir e retirava, Athena gostava de passar um tempo na biblioteca ou jogando papo fora com Ártemis enquanto checavam os animais. Porém naquele dia algo diferente aconteceu.

— ... Então eu convidei o Lorde Husfton para vir está noite — a madrasta informava para seu pai, com um sorriso grande em seu rosto. — Será uma linda reunião, por favor, fique conosco hoje querido!

Zeus parecia desatento, comendo em silêncio e apenas balançando a cabeça para que a mulher prosseguisse, mas Hera aguardou ele falar algo, olhando-o com seus grandes olhos castanhos amadeirados com uma interrogativa, esperando a resposta para a suplica dela.

— Ah claro, sim, sim... — Zeus falou, olhando nervoso para uma Athena que sorria educadamente da cena. Seu pai era um perdido mesmo. — Ahn, Athena, você viu que Roger está pronto para ser montado?

— Claro papai — respondeu a menina, sem notar o olhar de ódio que sua madrasta lhe dirigiu quando percebeu que o marido parecia preferir falar com a filha do que com ela. — Eu e Ártemis passearemos com ele hoje, não se preocupe.

Zeus continuou no assunto, conversando com Athena como se ela fosse a única da sala. Nem ele, nem sua doce filha perceberam os olhares irados da madrasta ou o jeito como suas duas filhas os encaravam, como se não fossem capaz de entender o que eles estavam falando.

— Querido, eu... — Hera tentou, mas Zeus não parou o que estava dizendo, rindo da piada que Athena havia acabado de fazer. — Zeus? — Chamou novamente a mulher dos belos olhos castanhos. — Amor? — E novamente ignorada. Hera encarou Athena com um ódio que seria papável para qualquer um, menos para aqueles dois. Eles eram puros, aprenderam com Métis a não sentir energias negativas. Com um ataque de raiva, Hera deixou cair a linda porcelana no chão, fazendo com que os dois conversadores olhassem para ela, com uma expressão interrogativa. — Oh! Mil perdões, eu não pretendia...

Athena levantou-se e se ajoelhou ao lado da madrasta, recolhendo os cacos com um pequeno sorriso nos lábios.

— Essas coisas acontecem, não é mesmo? — Perguntou, gentileza emanando dela até nos fios dos seus cachos dourados. — São só pratos, não devemos chorar por pratos quebrados.

A madrasta a fitou com um misto de raiva e curiosidade. Não uma boa curiosidade, e sim um modo de tirar de proveito da situação.

— Com certeza — sorriu no final, como se nada tivesse acontecido.

Os dias foram passando e a madrasta começou a se aproveitar da bondade de Athena, pedindo-lhe para ajudar a fazer coisas cada vez mais sem nexo, como arrumar seus cabelos e ajudar suas duas filhas a se vestir.

Deméter achava aquilo magnifico, fazendo de proposito várias vezes para tirar proveito da situação. Mandando-a amarrar seus sapatos ou ajeitar sua tiara. A única que relutava em fazer aquilo era Afrodite, embora está mesma as vezes era cruel com a meia irmã.

Zeus nada notara, e certo dia chegou com a notícia que iria partir em mais uma viagem, fazendo Athena cair em lágrimas.

— Por favor, volte logo — pediu a menina, com a bondade e a saudade de alguém com pouco mais de 15 anos. — Por favor...

— Eu irei voltar, filha — prometeu-lhe Zeus, abraçando-a com força. — Apenas algumas semanas, em breve voltarei. — Zeus cheirava o cabelo dourado da garota, tentando memorizar cada detalhe dela como sempre fazia antes de sair em viagem. — Enquanto eu estiver fora, seja boa com sua madrasta e suas irmãs emprestadas. Elas podem não estar se adaptando muito bem a vida no campo e preciso que você seja boa com elas, promete Athena?

— Pela minha mãe e pelo senhor faço qualquer coisa, pai — respondeu a menina, secando rapidamente as lágrimas que insistiam em cair.

— Essa é a minha menina — sorriu feliz Zeus, beijando-lhe a testa antes de sair para sua viagem. Gritando que amava-a, deixando a madrasta de Athena ainda mais irritada.

Mal sabiam ele que Zeus nunca mais colocaria os pés naquele lugar, nunca mais veria os olhos brilhantes e azuis como o céu de sua filha e nunca mais iria senti-la dentro de seus braços.

[...]

A notícia chegou diferente da morte de sua mãe.

Aquilo fora em um lindo dia, ensolarado que dava pena de morrer nele. Mas a notícia que seu pai não resistira a uma séria doença chegou em uma quase noite chuvosa.

Athena foi quem abriu a porta, pronta para encontrar mais uma das cartas que seu pai mandava diariamente. Mas no lugar do mensageiro estava um dos ajudantes do seu pai, assim que a viu retirou o chapéu, os olhos vermelhos pelo choro recente.

— Dionísio? — Athena chamou, olhando para o ajudante rechonchudo de seu pai com olhos arregalados. Ela era esperta demais para não saber onde aquilo iria acabar. — O que há de errado com o meu pai?

Athena não sentiu a madrasta e as duas irmãs se aproximando da porta, mas viu quando os olhos de Dionísio as encarou, um misto de pena e dor.

— Ele não foi forte o suficiente, querida — respondeu o senhor. — Ele pegou uma doença durante a viagem e acabou... Bem, acabou perecendo. — Athena o fitou, como se as palavras simplesmente não entrassem na sua cabeça. — No final ele só queria poder voltar para você e para a casa onde viveu seus melhores anos... Ele só queria poder ir embora junto com a sua mãe...

Athena ouviu a madrasta pela primeira vez, enquanto tentava assimilar tudo.

— Estamos acabadas! — A mulher falou, os olhos castanhos arregalados. — Como iremos sobreviver à isso?

Athena queria socá-la na face, mas rapidamente se xingou por ter desejado aquilo. Não era nem um pouco educado da parte dela. Por fim, a madrasta e suas filhas saíram da sala, com um ar de choro, que Athena sabia bem não ser por seu pai e sim por terem perdido sua fonte de renda.

— Obrigada — falou, ao se virar para o fazendeiro. As lágrimas finalmente atingindo seus olhos. O choque da notícia passando e tornando-se uma realidade dura. — Tenho certeza que fez tudo que poderia.

Ao fechar a porta, Athena permitiu-se chorar.

Ela ajoelhou-se no chão e chorou por horas, mais tempo do que chorou quando sua mãe morreu. Naquela época seu pai estava do seu lado. Agora não havia ninguém. Ninguém sobrara, ela estava sozinha.

[...]

— Vamos querida – Ártemis amaciou a voz, passando os dedos pelos braços gelados de Athena. — Vamos colocá-la na cama.

Athena deixou-se afundar nos cabelos vermelhos e espessos de Ártemis. Deixando a garota confortá-la uma última vez.

— Você precisa ficar forte, Athena — sussurrou Héstia, irmã de Ártemis. — Você vai ter que sair dessa, querida.

As duas ruivas lhe colocaram na cama, zelando seu sono por uma última vez. Todas sabiam que não restava muito tempo junto, mal sabiam o que a madrasta iria fazer agora. Com certeza mandaria os pais de Héstia e Ártemis, como todos os outros criados embora, e mesmo que não desejassem deixar Athena, não havia muito a ser feito.

E como pensavam, aconteceu. A madrasta mandou embora todos os criados, fazendo com que Athena assumisse todas as tarefas da casa. Em menos de um mês a loura já morava no sótão e era tratada como uma criada em todos os sentidos. Seus únicos amigos restantes eram os animais e seu consolo era as lembranças de que de seus pais e a esperança de que um dia tudo poderia mudar.

E é nesse cenário tão caótico e triste que começamos a contar a verdadeira história.

[...]

Athena cresceu e sua dor cresceu com ela. A moça tinha seus 17 anos, e com o tempo o trabalho lhe tirou um pouco de sua beleza. Seus antigos lábios vermelhos e carnudos agora estavam mais rosados e quebrados, seus lindos cachos dourados agora viviam prendidos e sujos por um pano que usava para evitar incômodos com o cabelo. Mas a principal mudança foram seus olhos. Seus lindos olhos azuis cor de céu perderam a cor, de uma forma tão grande e dolorosa que agora se encontravam cinzas como nuvens de tempestades.

Seus olhos refletiam o que havia acontecido por fora. Ela estava fechada.

Fechada para o amor.

Notas finais
{Espero que tenham gostado.
As coisas melhoram daqui pra frente.
Não esqueçam o recadito, ok?
Volto amanhã com mais}