Closed
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Lily se revirou na cama uma última vez, por fim desistindo de ter alguns minutos roubados depois da noite em claro. Era pouco depois das 3 da manhã quando ela tinha conseguido pegar no sono e o despertador que Dorcas, sua colega de quarto, insistia em manter na cômoda que as duas dividiam marcava 6h15min.
Três horas. Lily suspirou. Como ela ia apresentar um trabalho que valia metade da nota do período tendo dormido 3 horas? McGonagall ia devora-la viva.
A garota levantou, automaticamente esticando a mão para pegar o celular. Apertou o botão lateral esperando a tela acender, mas nada aconteceu. Ela franziu as sobrancelhas apertando mais forte e o celular deu sinal de vida apenas para informar que estava sem bateria.
Lily bufou. O celular tinha descarregado. Provavelmente após ela colocar no spotify para tentar pegar no sono durante a madrugada.
Agora ela tinha duas horas para carregar o aparelho, se arrumar e sair se quisesse chegar a tempo de apresentar o trabalho. O problema era que seu carregador tinha sido destruído na semana anterior – cortesia da gata de Alice, sua outra colega da república – e aquela hora as meninas já tinham saído para a faculdade e os carregadores tinham ido juntos.
Sua única salvação naquele momento era Marlene. Se a morena ainda estivesse em casa poderia pegar o carregador e dá alguma carga ao telefone para que ele aguentasse até chegar à universidade.
Lily saiu do quarto indo na direção da porta do apartamento, sem se incomodar com o pijama ou com o estado do seu cabelo. Era literalmente do outro lado do corredor.
Ela encarou o porta-chaves franzindo a testa. Geralmente deixavam as chaves ali. A de Alice e a de Dorcas tinham sumido, isso era esperado, mas onde estava a sua?
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6h45min
Meia hora procurando sua chave e então aquilo. Lily já estava levemente desesperada quando decidiu tomar um copo de água para se acalmar e encontrou o bilhete pregado na geladeira:
“Lily, peguei sua chave emprestada. Esqueci a minha na casa da Lene ontem a noite. Pega a minha com ela que to atrasada. Amor, Doe.”
Ela até pegaria a chave com Marlene, mas como diabos Dorcas esperava que ela saísse do apartamento se a porta estava trancada?
Lily não podia ser injusta, já tinham feito aquilo. Dorcas esquecia de tudo na casa da namorada, inclusive a chave, mas Lily sempre podia ligar para Marlene trazer a chave de volta e as meninas sempre deixavam a porta destrancada para que a ruiva pudesse sair... ela não da fazia ideia do que tinha acontecido, mas aquele certamente não era seu dia.
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7h03min.
A ruiva achava sabia o que era desespero antes, mas aquilo transcendia e muito. Ela estava presa. Pela hora Marlene já havia saído e ela estava presa até que alguém a tirasse dali. Ia perder a apresentação do trabalho. Ia perder a matéria da sua professora favorita. McGonagall não ia só devora-la viva, ia reprova-la.
Lily ofegou começando a andar de um lado para o outro. Marlene trabalhava até as 17h. Lily respirou fundo tentando forçar o ar para seus pulmões. Alice praticamente morava na casa de Frank, seu noivo, então se ela voltasse para a república seria a noite. A ruiva inspirou profundamente, soltando em seguida e repetiu algumas vezes enquanto os pensamentos continuavam. Dorcas tinha uma disciplina optativa a tarde, então ela provavelmente só chegaria as 15h30min. Era quem chegaria primeiro.
Ela estava presa ali até de tarde.
Lily voltou a ofegar alto levando a mão até os cabelos emaranhados, os olhos enchendo de lágrimas.
— Alguém me tira daqui! – a ruiva gritou esmurrando a porta – Eu quero sair! Me tira daqui!
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7h30min
— Por favor, me tira daqui – ela murmurou, a garganta levemente dolorida. Não aguentava mais gritar.
A garota deslizou pela porta enterrando a cabeça nos braços e suspirando em desistência.
Cher, a gata de Alice, miou próximo. Lily ergueu os olhos ao sentir o pelo branco roçar em sua perna e pegou a gata nos braços acariciando atrás de suas orelhas, recebendo um ronronar em resposta.
— É muita cara de pau – Lily disse sem parar o carinho – você me coloca nessa confusão e ainda vem me pedir carinho.
A gata miou, como se dissesse que não tinha nada haver com aquilo... ou talvez quisesse que a garota coçasse seu queixo. A ruiva optou pela primeira opção.
— Claro que foi você – ela disse encarando a bichana – se você não tivesse detonado meu carregador eu podia ligar pra alguém vim abrir essa porta – outro miado – tá eu sei, se eu não tivesse descarregado o celular também ia ter o mesmo efeito.
Mais um miado. Lily achou melhor coçar o queixo da gata, por via das dúvidas.
— Acho que está certa, Cher – balançou a cabeça concordando – eu só estou procurando alguém pra culpar... você é uma ótima ouvinte, sabia?
A gata ronronou fazendo Lily dá um leve sorriso que morreu no momento em seguida. Ela mais sentiu que ouviu as batidas na porta atrás de suas costas.
— Evans? – uma voz veio do outro lado – Está tudo bem?
— Potter?! – ela deu um pulo largando Cher que reclamou se afastando um pouco – Potter é você?
— Sim – Lily nunca tinha ficado tão feliz em ouvir aquela voz – Está tudo bem aí? – ele repetiu.
— Não, eu tô presa aqui – ela falou – pelo amor de Deus me tira daqui Potter.
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7h36min
James não fazia ideia do que fazer. Não era como se soubesse arrombar fechaduras e não tinha o número das vizinhas do lado – e a ruiva não parecia saber de cor também.
Ele já tinha ligado pra Marlene, mas a morena não atendia e as ideias dele estavam se esgotando.
— Evans – ele chamou escorado a porta branca – eu tô aceitando sugestões.
— Se eu tivesse alguma já tinha testado – ele a ouviu bufar do outro lado.
Depois de 10 anos como vizinhos, James conseguia visualizar perfeitamente a ruiva irritada. Era como um espetáculo, um vulcão em erupção, uma das coisas que o garoto mais gostava de assistir apesar do perigo para quem fosse o alvo da sua irritação – que, o moreno admitia, geralmente era ele.
Os dois eram vizinhos desde que tinham 13 anos e Lily se mudou com a mãe e a irmã mais velha para o apartamento que hoje dividia com as amigas. Os pais de James tinham se mudado, seus amigos tinham chegado, e o mesmo tinha acontecido com a garota – James quase se ajoelhou e agradeceu a todos os deuses existentes quando Petúnia Evans anunciou que ia morar com o noivo-morsa dela – mas os dois tinham ficado ali, com suas implicâncias e estranha amizade.
— Potter – a voz da garota veio após um período de silêncio – você sabe como chamar um chaveiro?
— Pedir que você tivesse um número seria demais, né? – ela não respondeu, mas James sabia que ela continha um sorriso – vou na portaria. Flint deve ter algum.
— Supondo que achemos ele na portaria – Lily falou.
Ele deu de ombros.
— Não custa tentar
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7h40min
— Voltei – o moreno anunciou atraindo a atenção de Lily de volta para a porta. Cher parecia te-la perdoado e ela acariciava a gata novamente
— Alguma sorte? – ela perguntou já sabendo a resposta.
— Nada – James respondeu fazendo-a suspirar em derrota.
— E agora? – perguntou a ruiva.
Lily não chegaria a tempo para a aula, mas isso não queria dizer que ela estava feliz com a ideia de ficar presa ali até de tarde, mesmo que a presença do moreno do outro lado da porta a mantivesse mais tranquila.
Sua relação com o Potter tinha tido várias fases durante aqueles dez anos que se conheciam.
Ele tinha passado de um desconhecido a um inimigo declarado quando entrou em guerra com seu ex-amigo Snape, e então a um simples conhecido quando Snape se mostrou um babaca preconceituoso.
Eles chegaram aos 15 e durante dois anos o Potter virara um garoto irritante que a chamava para sair dia sim dia não. Depois, quando entraram em Hogwarts Uni, Marlene virara uma ponte entre os dois e tinham se tornados amigos – uma amizade estranha, cheia de competitividade e troca de farpas leves, mas ainda assim, amigos. E ela estava feliz que ele estivesse ali.
— Evans? Quais as chances de eu consegui chegar aí dentro pela varanda?
Ela piscou.
— Então? – ele insistiu.
— Eu não faço a mínima ideia.
— Vamos descobrir então – apesar da porta entre eles, Lily tinha podia visualizar perfeitamente o sorriso maroto que surgia no rosto do garoto.
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