Close the last door
6 Capitulo 6 - Cadeiradinha de amor não doi
Notas iniciais
E eu ouvi essa explicação chegando em tarde em casa, tinha corrido como um furacão ate a escada que levava ao andar de baixo para aborda-lo em uma surpresa nada feliz, no entanto ouvi uma segunda voz, risadas femininas, me senti totalmente desarmado e corri de volta para o meu quarto tão rápido quanto fui para a escada.
O Cross conseguia ser infinitas vezes mais cruel se fosse para continuar sendo o bonzão perto de uma mulher com quem iria dormir... e isso sempre me irritou, roubando meu dinheiro, me fazendo passar a noite no relento para usar o único quarto, me usando de capacho para dar agrados a mulher, e nunca nem recebi um pedido de desculpas. Se alguma organização de defesa a criança e adolescente soubesse de todos esses abusos Cross já teria um mandado de afastamento de mim.
Mas eu estava decidido a simplesmente não ir no treino e reclamar com Komui para ele me tirar da aula.
Ou foi o que eu planejava. No final da aula, quando eu era o ultimo que restava; pois Lenalee saiu mais cedo; Lavi nem ao menos veio e Kanda nunca ousou me esperar ;e estava guardando o restante do meu material eu tinha visto alguém me olhando pela porta, o rosto me era familiar, e seu sorriso debochado não me parecia bom.
Quando ele percebeu que eu já o olhava saiu do caminho e do meu campo de visão. Um arrepio atravessou minha espinha e meu sentido aguçado já previa o que viria pela frente. Estava transtornado e hesitante, coloquei a alça da bolsa atravessada no corpo e rezei veementemente para que as câmeras estivessem funcionando.
Assim que sai da sala não vi nada com que me preocupar, ou seja, tinha visto absolutamente nada. Mas não conseguia abaixar a guarda, me mantinha preparado para correr por absolutamente qualquer coisa. Quando já estava na metade do corredor o mesmo cara que estava na porta apareceu, no final no corredor bloqueando a passagem acompanhado de outro cara, com o mesmo sorriso de deboche. E só ai eu reconheci ele, era um dos caras da gangue estúpida da Road.
Dei meia volta, não me preocupando em nada em disfarçar a cara de desprezo , mas assim que me virei, previsivelmente, tinha mais três caras parados bem mais próximos do que os outros dois. Eles abriram espaço e um mais forte do que todos passou, com a Road agarrada a seu ombro como um filhote de mico leão dourado.
– olá Allensinho, já recebeu o seu salário essa semana??- eu não sabia como, mas ela ficou sabendo que eu trabalhava, e desde então vem frequentemente quando estou sozinho exigindo esse dinheiro. E então ela disse – não leve para o lado pessoal, eu gosto de você – e começou a rir – mas hoje você não foge .
Eu comecei a correr, realmente não sei porque tinha começado a correr, porque se eu tivesse tempo de pensar, ia ver que realmente não fazia sentido correr, estava cercado afinal. Os caras no final do corredor nem andaram, mas começaram a gargalhar pensando em como eu era estúpido.
Mas eu nunca fui mais estúpido desde que traficantes de pessoas tentaram me sequestrar na china por ser albino. Então , ofegante e com as pernas bambeando pela adrenalina, eu entrei em uma sala de aula que estava com a porta arreganhada. Não sei por que eu fugia, não tinha como fugir, se eu só entregasse o dinheiro seria melhor, definitivamente apanharia menos. Mas nisso eu fui estúpido.
Quando entrei na sala tive uns minutos de silencio, ate que dois caras entraram calmamente na sala. Eles começaram a rir quando eu corri desesperado para o final dela e fugi para trás de carteiras e cadeiras. Quando eles se aproximaram, eu impulsivamente empurrei as carteiras e cadeiras neles e corri para outro canto na sala.
A Road foi a próxima a entrar na sala dessa vez fora do ombro do gorila, e não parecia feliz, estava surtando de raiva por estarem demorando tanto para me surrar e pegar meu dinheiro.
–o que vocês estão fazendo?? Seus retardados!! Custa tanto pegar esse merda assim ao ponto de eu ter de interferir???- e bufou, pegou uma cadeira e lançou em mim, ela acertou em cheio e eu me amaldiçoei por ter me tornado tão sedentário, ter faltado o treino de hoje e por ser estúpido e não ter dado o dinheiro de uma vez.
A força sobre-humana daquela magricela me fez bater a cabeça, isso me deixou tonto e cai no chão. Eu não consigo me lembrar direito do resto que aconteceu, mas me lembro de ela ter me chutado muitas vezes, de ouvir sua risada, de ver pela janela a noite chegando, vozes de muitas pessoas junto de uma luz excruciante fritando meus olhos, uma pessoa de cabelos longos e negros, acho que uma garota, cortando a multidão e por fim acordar na minha casa a noite.
Meu corpo não estava nem um pouco dolorido, e comecei a me perguntar se não foi um sonho, ou premonição , mas não foi, eu tirei a blusa de frente para o espelho e tinha vários roxos pelo corpo, o mais escuro deles aonde a cadeira aparentemente me acertou. Esse é o ruim de ser muito branco, qualquer coisinha te deixa roxo, as vezes nem era muita coisa e já estava La , ate mesmo esverdeado, e ate mesmo os últimos roxos que a gangue da Road deixou em mim ainda estavam La.
Foi ai que , possuído por uma cólera, eu decidi que pelo menos seria capaz de me defender na próxima vez, e passei a ir nos treinos.
O treino seria na quinta, depois de amanha, eu nunca fui nenhum coitado, então fui mesmo cheio de roxos.
O Lavi e a Lenalee já sabiam quando eu cheguei na escola no dia seguinte, porque de repente o assunto tinha virado o albino desacordado na sala de aula. E isso explicou porque todos me olhavam mais torto do que o comum. A Lenalee ficou tão preocupada que em um momento ficou chato, e o Lavi surtou ao ponto de querer ir atrás da Road ou virar meu guarda-costas.
Mas quando eu disse que ia fazer as aulas de taekwondo eles começaram a rir e disseram e uníssono “ ahhhhh, então o Kanda vai ser seu guarda-costas “
Na quinta eu me apresentei para o mestre, eu me lembrava do que aprendi, e entrei em formação com meu Dobok e faixa amarela. Era um senhor simpático e meio careca. Ele me apresentou para todos no inicio da aula e toda hora desviava meu olhar para o Kanda, o único faixa vermelha. Nos começamos correndo, pulando e correndo cruzando as pernas para melhorar os reflexos. E eu já estava querendo pedir água antes mesmo da corrida terminar.
Depois ele anunciou que era para fazer duplas para o alongamento, e sorriu para o Kanda dizendo que agora ele tinha um parceiro. Todos foram para a parede com as duplas, inclusive eu e o Kanda. Passado poucos minutos o mestre foi para a frente de todos e mostrou como seria feito o alongamento junto de um outro aluno. Esse aluno levantou a perna e o mestre a segurou , erguendo-a mais ate o aluno indicar que era o Maximo que aguentava e o mestre disse que era para manter assim um tempo. E então o aluno desceu a perna, ficou de lado e a ergueu novamente , o mestre a segurou e disse que era para fazer o mesmo, e com cada uma das pernas. E então todos começaram e ele foi supervisionar.
Kanda, que estava na minha frente, começou a se aproximar e eu, por reflexo, a me afastar. Ate que senti o baque da parede nas minhas costas. Kanda me olhava em expectativa, e eu já ouvia meu coração batendo acelerado.
Quando comecei a erguer a perna em um chute reto, Kanda a agarrou de uma vez e a apoiou em um dos ombros e segurou meu joelho para que eu não o flexionasse, e de imediato senti a dor do sedentarismo me atingir, me forcei tanto contra a parede que pensava que a qualquer momento me fundiria a ela, e não consegui evitar um gemido de desconforto e dor. Apenas quando olhei para Kanda e vi que ele me encarava que tomei consciência de ficar constrangido e desviei o olhar, totalmente vermelho.
Eu não conseguia contar, e o tempo não parecia passar, só depois de uma eternidade ele desceu a minha perna, e eu não agradeci, era a vez da outra, a mesma dor, a mesma perna bamba, o mesmo constrangimento. E ele não se abalava, mantinha a mesma expressão.
Nem mesmo quando foi sua vez de alongar a perna e eu tinha que ergue-la acima da cabeça ele mudou a expressão.
Após o alongamento treinamos os chutes, bases, lutamos e etc. fizemos os cumprimentos finais e fomos dispensados.
Domingo Cross me fez acordar cedo para ir comprar suas porcarias e bebidas no centro. Eu fui apenas porque sabia que tinha duas, não uma, DUAS, mulheres no seu quarto, não queria passar por esse constrangimento logo de manha.
Estava um engarrafamento infernal, e o ônibus estava parado a uns bons minutos, estava quase dormindo com a cabeça apoiada na janela do ônibus quando vi Kanda saindo de um hospital, eu realmente não acreditei ser Kanda, mas quando ele virou o rosto para olhar os dois lados da rua eu vi claramente seu rosto, que tinha uma expressão um pouco diferente do normal, fisgada na dor. Só pude pensar “ espero que ele esteja bem” .
Na segunda, quase a primeira vez em dias, tivemos uma reunião normal como antes. Sentamos, conversamos, comemos e etc. Lavi ficava embromando dando em cima de mim e do Kanda, não arriscava a Lenalee, pois não sabia quando Komui estava ouvindo e não queria levar uma outra ocorrência por mau comportamento por causa disso.
Kanda lançava restos de frutas no Lavi e ate pedras hora ou outra. Só restava para mim e a Lena rir, e Lavi se encolher de dor.
E ai me caiu uma duvida. “ Kanda já riu conosco alguma vez?” e eu obviamente tinha que expor essa duvida.
– ah... eu nunca vi Kanda rir com a gente ou é só impressão minha? – todos, inclusive Kanda me olharam em silencio – acho que nem mesmo sorrir... – a vez do parque não contava, ele não estava olhando pra mim, acho que ele nem sabe que eu vi.
Lavi estava prestes a falar alguma coisa, mas o sinal o silenciou, e Kanda continuou me encarando.
Eu sempre tive muitas duvidas sobre o porque Cross mudar mais de cidade/estado/pais do que de roupas intimas. Mas com o tempo os questionamentos simplesmente cessaram, simplesmente não tinha porque, era assim porque sim, é como a lei da inércia, você vai manter o movimento se não sofrer nenhuma interferência alheia, Cross vai continuar a se mudar se não sofrer nenhuma interferência, e ele nunca sofria.
Por tanto nunca ficamos duas vezes na mesma cidade, isso é como uma regra, mas toda regra tem uma exceção, e a desta é exatamente essa cidade.
Quando eu era bem pequeno, assim que Cross assumiu minha guarda, essa foi a primeira cidade para onde nos mudamos, não me lembro perfeitamente de tudo. Ficamos menos de um mês; Cross sempre via, na maioria das vezes, uma mulher loira bem jovem ; ele dava aulas em uma escola ,com certeza essa em que estudo e só. Aparentemente essa mulher loira sempre foi a preferida dele entre todas.
E eu realmente nunca senti como se tivesse um lar, minha vida sempre foi na estrada, desde que vivia com Mana, meu pai adotivo e único pai. Então nunca senti como se tivesse um lar em algum lugar, viajar com Cross apenas se tornou mais frequente do que as viagens com Mana.
E isso só fez aumentar minha dificuldade em fazer amigos, com pouca frequência eu fazia amizades, e nunca eram amizades tão fortes como as que estou fazendo aqui, com Lenalee , Lavi e Kanda. Isso de forma alguma é um problema.
O problema é que você pode pensar: “ nossa, como deve ser legal viajar para todo lado assim “. Seria muito legal se eu tivesse alguém – alem do Cross — , e esse é o problema, não ter ninguém, porque quando você arranja alguém, nunca esquece, se torna inevitável se lembrar dessa pessoa quando você pensa por onde já passou.
E é por isso que quando me lembrava do tempo que passei nos países baixos, que foi o melhor tempo que já passei na Europa, me lembrava de Link.
Howard Link foi um sujeitinho de longos cabelos loiros que conheci quando fui para Netherland, ate hoje não sei dizer se ele tinha algum tipo de toc ou se era apenas certinho ao extremo, o maior extremistas dos extremistas em fazer tudo correto. E eu não sei se foi por isso que gostei dele de forma especial ou se foi pelo mesmo motivo que terminamos. Só sei que foi um ótimo namoro, e um dos meus primeiros com alguém do mesmo sexo. Custava passar um dia sem lembrar de sua pessoa e dos tempos que passamos juntos.
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