Close the last door

4 Capitulo 4 - Tão delicado quanto o meu sorvete derretido


Notas iniciais
tá, eu sei que sumi e mesmo dizendo que não tinha rotina para escrever foi um exagero. mas tenho boas noticias, vocês não sabem mas eu desenho tambem ( tambem queria cantar bem, mas né... não nasci virada pra lua) e recentemente ganhei uma mesa digitalizadora ( para os leigos é o que todos usam para fazer esses desenhos bonitos que voce ve no google, e como a capa da historia ) e eu tambem fiz um devianart, sabe o que isso significa?? vou fazer altos desenho gay ( WOOOOOOOOOOW ) incluindo a nova capa dessa historia. ate agora nao tenho nenhum yaoi no meu perfil do devian, mas em pouco tempo vai mudar, entao quem tem interesse deem uma olhada http://rhunme.deviantart.com/ ( nome lindo, eu sei )

Passei alguns dias das minhas férias olhando a ficha de inscrição, eu deixava em cima do meu criado mudo, então ignorar era meio complicado. “ ajudar o Kanda, né... ? “ Era a única coisa que eu conseguia pensar enquanto olhava os campos em brancos que deveriam ser preenchidos com as minhas informações. “Ele não parece precisar de ajuda ... “ dizia isso mentalmente para mim mesmo como desculpa para jogar isso no criado mudo e virar na cama.

Uma parte de mim sabia que eu acabaria aceitando dar essa ajuda, e a outra lutava para não permitir isso, era vergonhoso de mais. Em meio a esses devaneios o Cross entrou no meu quarto — na maior falta de educação se quer saber, nem bateu na porta. — .

– Que sorte a sua de eu não te pegar se masturbando. — o Cross disse zombadeiro.

– Se essa é a sua intenção entrando dessa forma no meu quarto pare de uma vez. Você não faz ideia de como é chato. — ele apenas riu, mas então prestou atenção em algo a mais.

– O que é essa folha na sua Mão , sempre que te via estava olhando pra ela.

– É só uma ficha de inscrição. O que você quer agora? — disse em uma desesperada tentativa de mudar de assunto.

–só entrega essas coisas para mim, o endereço esta na etiqueta do urso.- ele disse jogando em mim um urso grande branco de pelúcia com um laço vermelho de bolinhas.

Eu levantei de cara feia coloquei o agasalho que estava pendurado na minha cadeira e peguei a caixa de bombons na Mão dele. O celular com o fone já estavam no bolso da minha bermuda e a chave no bolso do agasalho. Passei olhando para o Cross que não movia um milímetro para fora do meu quarto e ainda retrucava o olhar.

Enquanto andava tentava com toda a minha paciência desenrolar o fone de ouvido com uma única Mão, estava chegando a algum lugar, devagar mas estava. No final ele tinha o fone preso e um nó, e eu usei assim mesmo. Andava olhando para os lados procurando as placas para achar a rua Passos Brancos, e no meio do caminho vi uma sorveteria bem meiga, deveria ser nova, porque nem me lembrava dela.

Assim que achei a rua a casa não foi difícil, era a segunda, numero 201, tinha um jardim bonito e uma arvore de ipê amarelo. Quando mais tarde descobri que aquela era a casa da Cloud não consegui acreditar. Mas de qualquer forma eu tinha deixado as coisas na parte de dentro do jardim, perto do portão e toquei a campainha- nem queria saber quem era a nova paquera do mestre-

E também não queria voltar pra casa, eu acabaria em uma tentativa frustrada de me distrair na internet e acabaria de volta pra cama olhando aquela ficha. Então enquanto andava fui surpreendido por um braço — direto no meu pescoço ele acabou tirando um dos fones. -

–Allen, não esta me ouvindo chamar??

– hã? Lavi?..o que..

– eu estava prestes a te ligar, que sorte.- ele sorriu

– me ligar para?

– pra tomar sorvete, oras.- disse como se fosse obvio- vamos, é por minha conta.

Fui arrastado ate o balcão, mas não foi de má vontade, agradecia mentalmente ao Lavi, eu realmente não queria voltar pra casa. O Cross não se importaria mesmo, se eu ficasse sem avisar. Na verdade ele só daria falta na hora que precisasse de alguma coisa.

No balcão eu montei um sorvete de três sabores e tudo que eu tinha direito e o Lavi pagou como prometeu, ainda bem, porque sai sem a carteira. Se o mestre me visse com a carteira com certeza ia ligar pedindo por alguma bebida ou cigarros.

Mas ai o Lavi começou a agir de forma estranha, me fez sentar em uma cadeira de uma mesa no canto e ficou atrás de mim. Quando ia perguntar o que ele sentia pra fazer uma merda sem explicação dessas eu ouvi a porta do banheiro abrindo e uma voz familiar, mas não vi quem era, o Lavi estava me tampando afinal.

–Caolho estúpido, continua assim e também vai virar perneta. — O Lavi sorriu pra mim e então se virou indo ate o Kanda ( claro que só podia ser o Kanda ) também o arrastando ate a mesa, no acento a minha frente. E só ai me dei conta de que tinha um copo de uma garrafinha de água com gás ali. E o Lavi se sentou na lateral, impedindo o Kanda de sair.

Kanda ficou paralisado por alguns segundos, olhando pra mim, e eu não entendia nada.

– que merda é essa caolho? O que ele ta fazendo aqui?

– eu chamei o Allen para tomar sorvete também, afinal, somos todos amigos...não é, Yuu...?

Lavi sorriu e Kanda voltou a olhar daquele jeito para mim. Foram alguns segundos em silencio bem incômodos. E ai Lavi começou a falar.

– Nooooosa, acabei de me lembrar que tenho algo pra fazer... — era obvio que ele estava fingindo isso.- poxa, eu vou indo na frente...ate mais ver Allen.

E ele se levantou sorrindo pra mim e andou ate a saída, mas antes parou na metade de chamou o Kanda.

–Yuu... — e quando o Kanda olhou ele sorriu de forma incentivadora pra ele.

Kanda se estressou na hora e se segurou para não lançar o copo no Lavi.Mas assim que ele saiu da loja ele se acalmou um pouco e olhou pra mim. Que na melhor das hipótese estava sorrindo sem graça.

Ele ia falar alguma coisa, buscou o ar, mas hesitou e desviou o olhar. E tentou mais uma vez, mas fechou a boca. E então olhou para o meu sorvete derretendo, se acomodou no estofado do banco e olhou firme nos meus olhos.

– O caolho acha que devemos ser amigos...

Nesse momento eu entendi o que o Komui quis dizer com no fundo ele é uma boa pessoa. O Kanda não é tão assustador assim. Eu não sorri nem nada do tipo, depois de muito tempo com as companhias do meu mestre eu aprendi que o melhor a se fazer quando alguém esta falando de algo do qual você não tem certeza é calar a boca e esperar falar mais alguma coisa ( ou ate mesmo falar de algo que não mostre a sua opinião e nem mude o rumo da conversa, mas isso é complicado).

Mas o Kanda não falou mais nada, então achei que esse método teria que ficar para trás e eu teria que mostrar minha opinião. Mas assim que eu ia falar o Kanda pegou sua garrafa de água e levantou-se. Eu continuei parado de frente para o meu sorvete derretendo. Mas antes de ir ele olhou fundo nos meus olhos e se foi.

Pensei sobre isso e quando eu vi que ele parou ao lado da porta da loja era certeza que ele queria que eu o acompanhasse — ou pelo menos torcia para que fosse isso, já que estava indo ate a porta — .

Quando cheguei do lado de fora ele deu meia volta e seguiu em frente, e eu fui atrás. Inicialmente ele estava andando muito rápido e tive que dar umas corridinhas para alcança-lo mas aos poucos ele foi diminuindo a velocidade ate que estávamos lado a lado, andando em rumo para algo que aparentemente era lugar nenhum.

Não era lugar nenhum, quando já estava escurecendo chegamos a um parque, não o conhecia, mas não seria difícil voltar para casa já que só andamos em linha reta. Kanda parecia estar surpreso pelo parque também, eu ate tive alguns segundos de visão do que parecia ser ele surpreso.

Ele ficava muito mais bonito com qualquer expressão que não fosse aquela cara de bunda de sempre. Se bem que a cara de bunda dava a ele um certo mistério que me atraia e fascinava. Eu pensava isso desde o dia que o conheci, e não me sentia exatamente ‘‘errado‘‘ por pensar isso. Quando ele ‘‘voltou ao normal“ eu disse:

– não é só o Lavi, a Lena e o Komui também.

–tsc — ele disse sentando-se em um banco, e eu o segui.

– e.... eu também...

Ele me olhou surpreso, meio sem entender.

– você também o que?

–... também acho que deveríamos ser amigos, Kanda.

Ele ficou um tempo em silencio.

– ... não somos?

– nós somos?!?? — disse exaltado. Como ele podia pensar que fossemos amigos quando ele me tratava daquela forma? Mas ele sempre pensou que fossemos amigos, e eu fiquei meio bobo com isso.

Já era de noite, as luzes do parque que ficavam perto do nosso banco estavam vandalizadas, e mais algumas adiante também. Então via pouca coisa. Mas o vento soprou e as nuvens se abriram, saindo de cima da lua cheia. A luz dela aos poucos foi se espalhando e eu consegui enxergar o rosto do Kanda.

Ele estava sorrindo.

Do jeito Kanda, mas sorria, puxando mais um canto dos lábios, deixando tudo sarcástico.

Aquele sentimento de interesse que eu tive no mesmo dia da casa da Lena voltou, tinha interesse pela parte do Kanda que eu não conhecia justamente por ser o Kanda. Por ele não mostrar ela a mim e nem a ninguém. Então eu sentia uma imensa vontade de conhecer. Essa vontade de conhecer deixou minhas pernas bambas, meu coração batendo dolorosamente acelerado. Só mais tarde eu percebi que eu estava ‘‘afim‘‘dele.

Ficamos naquele banco por mais algum tempo. Não conversamos nem nada, não sabíamos dos gostos um do outro e muito menos coragem para perguntar, quer dizer, eu não tinha a coragem, o Kanda só não tinha vontade. Não me foi dito nada, mas eu acho que para ele, só aquilo foi o bastante para aquele dia.

Então o mestre me ligou e eu voltei. Eu dei um tchau e boa noite para o Kanda, ele continuou na mesma posição no banco e só levantou a Mão como se isso bastasse para se despedir.

Notas finais
eu dou boas vindas a todos os leitores novos :3 ♥ ( espero que voces nao tenham desistido no primeiro cap... )