Close To You
5 Um diário.
Notas iniciais
— Erza, venha aqui. Eu quero ver como você ficou.
— M-Mestre… e-eu estou com vergonha… — Erza estava corada.
— É uma ordem. — disse Jellal, em tom autoritário. Ele mandava por aqui.
— S-Sim, mestre... — respondeu ela, se olhando no espelho do banheiro mais uma vez antes de sair. Se sentia constrangida e completamente ridícula com aquela maldita roupa que ele havia a obrigado a vestir.
— Uau. — exclamou, sorrindo maliciosamente. A ruiva olhou para o chão, nervosa. — Agora, venha sentar no meu colo.
Erza obedeceu, temendo a próxima ordem. Jellal a trouxe para mais perto de si.
— Agora... rebole, gostosa. — sussurrou em seu ouvido com a voz rouca, fazendo-a se sentir arrepiada. Corou ainda mais. Ela não tinha escolha.
Ele gemia em seu ouvindo, fazendo com que ficasse afoita, enquanto suas mãos passeavam por suas coxas torneadas. Ela sentia tanta vergonha, mas estava gostando daquilo, de um jeito estranho, do qual não sabia dizer se era bom ou ruim.
— Mais rápido, gatinha. — disse Jellal, sugando o lóbulo de sua orelha. Obedeceu e gemeu baixo quando sentiu um certo volume contra seu traseiro, aquilo a estava deixando extremamente excitada também. Ouvir os tímidos gemidos dela e vê-la se entregando lentamente era como estar no paraíso, um sonho do qual ele não queria acordar.
Jellal acordou de seu sonho maravilhoso com a luz do sol vinda da janela batendo em sua cara.
— Ahn? Que isso? — disse ele, ainda meio demente.
— Ah, desculpe, irmão. — respondeu Mystogan, envergonhado. — Não quis acordar você...
— Então por que porras você abriu a cortina? — Jellal tinha um humor excelente quando acordava, saía sempre sorrindo para as pessoas, dando bom dia, cantando e dançando sobre como a vida é bela e tal. Ao contrário.
— D-Desculpa, eu achei que seria bom pra entrar uma luz aqui e...
— Fecha esse negócio. — disse, enterrando a cara no travesseiro. Estava mais irritado do que de costume, justamente por ter sido interrompido no sonho em sua melhor parte. Fechou os olhos novamente na esperança de conseguir voltar ao sonho.
— Desculpe, Jellal! — Mystogan vivia se desculpando com o irmão. Na verdade, era assim com todo mundo. — Até mais.
— Aonde você vai? — perguntou Jellal, tentando fingir que na realidade não ligava. De verdade? Jellal se preocupava mais com Mystogan do que qualquer outro. De certa forma, se sentia às vezes seu irmão mais velho e na obrigação de tomar conta dele, o que era estranho, já que as pessoas diziam o contrário. Claro, Jellal era sinônimo de encrenca, sempre. Por ser muito orgulhoso, demonstrava amor do seu próprio jeito.
— Vou tomar café e depois ir na sala de jogos com o pessoal. — respondeu, já saindo. — Você pode aparecer lá depois se quiser também.
— Vai então... — disse Jellal, já adormecendo de novo. Não estava com a mínima vontade de levantar ou de fazer qualquer outra coisa, apenas dormir. Mas é claro, ele chamaria Erza – até então, sua maid pessoal – à tarde, quando todos estariam na piscina.
(...)
Erza e Lucy tomavam café da manhã no refeitório do hotel. Erza gostava de torradas com geléia de morango e um café preto forte com duas colheres de açúcar, por favor. Era assim todas as manhãs. Lucy já havia a perguntado milhares de vezes se ela não enjoava nunca de comer aquilo todos os dias, mas a resposta era a sempre a mesma: “sei lá, acho que me acostumei”
— Jellal ainda não deu sinal de vida... — disse a ruiva, franzindo a testa. — Que estranho. Deve estar dormindo, provavelmente... vai acordar depois das duas horas.
— Ainda bem. — resmungou Lucy. — Assim você se diverte um pouco com a gente. Vamos todos na sala de jogos depois do café.
Erza assentiu com a cabeça enquanto mastigava um pedaço da torrada.
— Olha quem está ali... — disse a loira, dando um sorriso malicioso. Ao se virar para ver, a ruiva corou imediatamente. Era Mystogan sentado em uma mesa um pouco longe junto com Gray e Natsu, bebendo chá de camomila.
— L-Lucy, f-fala b-baixo... A-Awn... ele é tãão lindinho! — disse Erza, com a voz extremamente fina. Ela ficava toda mudada quando se tratava de Mystogan.
— Hm... sim... — enquanto isso, Lucy estava admirando Natsu. Os garotos perceberam que elas os estavam olhando e acenaram dando bom dia. O suficiente para fazer Lucy e Erza quase saírem dali pulando, saltitando e dando gritinhos histéricos.
— Bom dia, meninos. — disse Lisanna, a rapariga albina. — Posso me sentar com vocês?
Mystogan ficou vermelho na hora, assim como os outros dois. Natsu foi o primeiro a dizer, puxando a cadeira para ela.
— Claro.
— Grrrrrrrr... — Lucy espumava de raiva enquanto apertava o suco de caixinha, já vazando. Erza lançava aquele olhar do capiroto para Lisanna, desejando poder atirá-la da janela e a assistir cair enquanto comia pipoca. Aquelas duas definitivamente não eram discretas, então a albina percebeu quando elas estavam olhando e acenou em provocação. Discórdia.
Erza levantou da cadeira bruscamente, o que assustou as pessoas que estavam ao redor.
— Erza! — disse Lucy, também assustada, o que a fez esquecer de sua raiva.
— Eu vou... dar um murro... na cara dela...
— Erza, calma, ok? H-Hã... lembre-se que você... v-você... é a presidente do grêmio estudantil! Isso!
— Merda... — a ruiva sentou-se de volta.
— Bom dia! — disse Levy, praticamente gritando e como sempre, chegando por trás. O que apenas estressou as duas ainda mais.
— Levy... — disse Lucy, tremendo de raiva. — Você... poderia... parar... com... essa... mania... idiota... de... SEMPRE CHEGAR POR TRÁS DAS PESSOAS, PORRA? ISSO IRRITA, NÃO TÁ VENDO QUE A ERZA TAVA COMENDO? ELA PODIA TER SE ENGASGADO E MORRIDO, PENSOU NISSO? ELA IA MORRER E A CULPA SERIA TODA SUA E...
— D-Desculpa... — disse a baixinha, já com lágrimas rolando pela face. — D-Desculpa, e-eu não queria... BUÁÁÁÁÁÁ!
— Levy, espera... — Erza tentou falar, mas Levy já estava saindo do refeitório. — Ai, Lucy...
— Eu não deveria ter falado aquilo, né?
— Agora ela vai ficar o dia inteiro fazendo mimimi... e eu... estou... sem... paciência... AAAAAAAAAAAAAAARGH! — a ruiva deu um grito que até quem estava lá fora conseguiu ouvir.
— Hã... a presidente anda meio estressada ultimamente. — comentou Mystogan.
— Sempre assim. — Lisanna balançou a cabeça, como se não tivesse nada a ver com isso.
— Já é tão normal. — disse Gray, dando uma risadinha.
(...)
A sala de jogos era enorme. Pessoas – muitas pessoas – conversando alto enquanto jogavam sinuca, hóquei de mesa, pingue pongue, Guitar Hero, cantando desafinadamente no karaokê e muito mais. Um lugar cheio de gente e com muito barulho, o verdadeiro terror de Erza, mas principalmente de Mystogan, que estava encolhido em um canto. Lucy e Natsu se xingavam enquanto competiam no hóquei de mesa, Juvia cantava uma música de amor no karaokê dedicada especialmente para o seu "Gray-sama", Levy estava assistindo Gajeel jogar Guitar Hero e Erza e Mystogan parados, sem fazer nada. Aquela sem dúvida era uma ótima chance para a ruiva, que foi até seu encontro.
— Myst? — chamou ela, corada.
— Oi, presidente. — respondeu, com aquele sorriso tímido e maravilhoso que era capaz de abalar estruturas.
— Hã, você está bem? Quero dizer... ah, e-e não precisa me chamar de presidente...
— Sim sim... você sabe, eu não gosto de muita gente junta.
— Eu também não, você também sabe. — Erza estava se achando a garota mais idiota do mundo. Aquela frase tinha ficado horrível. — Mas... bem... já que estamos aqui, por que não vamos nos divertir?
— Olha, eu acho uma boa ideia. — Mystogan deu aquele sorriso de matar de novo. A ruiva o amava e o odiava, será que ele não tinha noção do quanto era capaz de afetar com aquela beleza majestosa e sorriso encantador? Não, certamente não tinha...
Primeiro, foram no hóquei de mesa (depois de enfrentar uma fila gigante), depis no pingue pongue, karaokê em dupla, Just Dance 4, asa delta e um barco que balançava descontroladamente. Erza não gostou muito do último devido ao seu pequeno problema com transportes e essas coisas. Quando se deram conta, já era quase meio dia.
— Uau! — exclamou Mystogan. — Parece que passamos tempo demais aqui.
— Pois é, né... — Erza corou ainda mais.
— Foi muito divertido! Deveríamos fazer isso mais vezes. — o azulado sorriu.
A ruiva sentia que estava prestes a ter um ataque cardíaco. Quase desmaiou quando ele a convidou para sentar com ele no almoço, enquanto Natsu estava no meio de Lucy e Lisanna, as duas brigando por ele, como sempre.
— Você vai na piscina hoje? — perguntou Mystogan.
— Claro! — respondeu Erza com entusiasmo, até lembrar-se da praga: Jellal. Ele a chamaria quando todos estivessem na piscina, disso ela tinha certeza. — B-Bom, na verdade... é... talvez eu vá.
— Entendo. — ele parecia um pouco decepcionado. — Ah, oi Jellal!
— E aí? — disse Jellal, já se sentando ao lado de Erza como se fosse o maioral.
— Senti sua falta, irmão. Você nem apareceu pra jogar com a gente. Foi muito legal.
— Eu estava dormindo. — respondeu Jellal, afirmando o óbvio. — Hmm, Mystogan? — disse, com um sorriso malicioso.
— O que?
— Ficou brincando com a Erza a manhã inteira, foi? Por isso deve ter sido divertido...
Os dois ficaram tão vermelhos quanto um tomate maduro. A ruiva ficou sem coragem de dizer uma palavra. Sua vontade de espancar Jellal já era maior do que tudo.
— Q-Que? J-Jellal, n-não seja tão...
— Ai, vocês dois. — disse, rindo. — Era só brincadeira.
— Brincadeira idiota. — murmurou Erza, se encolheu ao ver Jellal a encarando com aquele olhar de "eu vou contar". Mas o que estava acontecendo? Ela nunca se deixava intimidar por ele, e agora aquele maldito estava...
— Jellal, você vai na piscina hoje com a gente?
— Não. Estou com muito sono.
— Mas...
— E você, Erzinha? — Jellal enroscou o braço em seu pescoço. — Você vai?
— H-Hã...
— MYSTOGAN, VEM AQUI VER ISSO! — berrou Natsu, rindo sem parar junto com Gray e os outros garotos.
— Já volto. — disse Mystogan. Assim que ele estava longe, Jellal sussurrou no ouvido de Erza:
— Eu quero você às duas. Sem atrasos. E não, você não vai na piscina.
— M-Mas...
— Não desobedeça o mestre.
— Eu te odeio muito, sabia? — disse a ruiva, fervendo de raiva.
— E hoje... você terá uma tarefa muito especial.
Ela tinha uma mente muito fértil e disse sem pensar, quase gritando.
— S-Se você me estuprar saiba que eu... — baixou o tom de voz novamente. — E-Eu...
Ele não pôde conter o riso.
— Você é idiota ou o quê? Que viagem.
— Para de rir, seu...
— As vezes, eles conseguem ser tão idiotas. — disse Mystogan, sentando-se de volta.
— O que era, Mystogan? — perguntou o gêmeo.
— Uma foto... da Lisanna. — o azulado corou.
— Opa, vou ir lá conferir. — disse Jellal, já levantando. Aquilo, por alguma razão irritou Erza profundamente, mas ela não tentou impedi-lo. Teria um tempo, mesmo que curto, só com Mystogan.
(...)
Uma hora e cinquenta e cinco da tarde.
— Você vai ficar aí mesmo, Jellal? — perguntou Mystogan, abrindo a porta para sair.
— Aham. Tchau, divirta-se. — respondeu, agarrando o travesseiro.
— Ahn... tchau.
Ao ouvir a porta bater, Jellal levantou num pulo e começou a espalhar roupas e outras coisas pelo quarto todo. Como combinado, duas horas em ponto e Erza estava na porta. Ela deu um berro e quase teve um colapso nervoso ao ver aquela bagunça toda.
— JELLAL!!! Q-Que bagunça é...
— Vista-se e vá arrumar. — disse, entregando a sacola vermelha. — Sem fazer barulho porque eu quero dormir.
— I-Isso não é uma roupa de policial... é?
— Policial? Claro que não, é a mesma roupa que você usou ontem.
— A-Ah bom...
— Hum, mas até que você me deu uma ideia.
— NEM PENSE NISSO! — em seguida, suspirou aliviada por ser a roupa de maid comum. Digamos que ela havia tido um sonho noite passada... um pouco pervertido, talvez.
— Jellal-sama, você está preso em nome da lei. — disse ela, o algemando na cama.
— Qual será a minha punição?
— Você vai ver agora... — sussurrou ela em seu ouvido.
(...)
Enquanto isso, na piscina...
— Pessoal, o que vocês acham da gente tirar fotos todos juntos debaixo d'àgua? — sugeriu Lisanna.
— Acho uma boa ideia. — disse Gray. A maioria concordou.
— E você por acaso tem a câmera a prova d'àgua, gênio? — disse Lucy, com as mãos nos quadris.
— Hã... não...
Levy suspirou. — Mas eu queria tirar as fotos na água...
— Ei, acho que eu trouxe a minha câmera. — disse Mystogan. — Deixei lá no quarto.
— Você pode ir buscar, Myst-san? — a albina aproximou seu rosto do dele, fazendo-o corar.
— C-Claro.
(...)
Enquanto dobrava uma camiseta vermelha de Jellal, Erza fervia de raiva. Já estava a meia hora tentando arrumar tudo, com a maior certeza de que ele havia feito aquela bagunça toda em apenas cinco minutos enquanto ela levaria uma hora para ajeitar. Pensou em como seria se estivesse na piscina se divertindo com todos, e conversando com Mystogan. Então, uma chama se acendeu. "Eu posso achar algo que o incrimine, então eu viro o jogo!" pensou. "Haha, eu sou um gênio".
Procurou nos armários, gavetas e até debaixo da cama, mas não encontrou nada. E claro, não podia fazer barulho pois Jellal não podia acordar. Então resolveu mexer na mala dele. Havia um monte de roupas emboladas que ele nem ia usar, um livro, fones de ouvido, revistas inapropriadas... mas algo lhe chamou a atenção: um caderno vermelho e pequeno de brochura. A ruiva abriu em uma página aleatória e percebeu que... aquilo era um diário?
— O que diabos... — Jellal a surpreendeu por trás. — Você está fazendo?
Erza levantou em um pulo, pressionando o caderno contra seu peito.
— Você não vai mais poder me obrigar a ser sua escrava! — disse ela, um pouco fora de si. — QUEM TEM O PODER AGORA SOU EU, JELLAL!
Ela correu em direção à porta, mas ele foi mais rápido e pulou em cima dela.
— DEVOLVA! — berrou ele, aproximando o rosto um pouco perto demais, talvez. Na verdade, muito perto, fazendo-a ficar sem reação. O azulado ficou sem jeito ao ver a situação em que se encontrava. Ele estava em cima dela, vestida naquela roupa... que lhe caía tão bem, em sua opinião. E seus rostos estavam tão próximos... E talvez eles tivessem se beijado se não fosse por...
— Erza? — disse Mystogan, parecendo chocado. — O que vocês dois estão fazendo?
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