Close To You
17 Me desculpe?
Notas iniciais
Ainda no mesmo dia, Erza Scarlet estava na biblioteca do colégio, estudando na mesa mais distante das outras, próxima à uma grande estante de livros enormes e páginas amareladas.
Construiu uma pequena fortaleza feita com seus livros didáticos em seu redor e parecia estar lentamente deslizando para baixo da mesa, como se estivesse se escondendo de alguém. E certamente, estava. Esse alguém era a bibliotecária, uma velha baixinha e gorda que usava óculos de aro de tartaruga. Ai era seu nome. Parecia uma ironia, visto que "Ai" significa "amor" em japonês. E definitivamente, naquela senhora não havia "amor" algum. Estava sempre com a cara emburrada e passando pelos corredores da biblioteca para se certificar de que ninguém estava infringindo as regras dali. Tais regras estavam coladas na porta de vidro, impressas em letras minúsculas.
REGRAS DA BIBLIOTECA
1- É proibido falar alto.
2- É proibido entrar com bolsas e sacolas.
3- É proibido usar os computadores da biblioteca para fins não acadêmicos.
4- É proibido entrar com comidas ou bebidas.
5- É proibido o uso de aparelhos eletrônicos.
6- É proibido namorar na biblioteca.
E o motivo para querer se esconder de Ai era que a ruiva estava desobedecendo (pela primeira vez na vida) à regra número cinco: é proibido o uso de aparelhos eletrônicos. Erza estava com seu celular ligado entre as pernas, aberto no Whatsapp. Mais especificamente, prestes a enviar uma mensagem para Jellal Fernandes, seu... amigo colorido? Ficante? Pré-namorado? "Peguete", como sua melhor amiga gostava de dizer? De qualquer forma, aquela não era a questão!
A mensagem dizia apenas uma palavra. Desculpe. Uma palavra simples, mas para algumas pessoas, complicadíssima de ser dita ou até mesmo escrita. Na maioria das vezes, por orgulho. Ah, o orgulho é realmente algo dos infernos. Um sentimento que torna as coisas mais fáceis, complicadas.
A ruiva estava perdida em pensamentos enquanto seus dedos, trêmulos, hesitavam em apertar o botão "enviar". Ela sabia que havia sido uma idiota por ter tratado Jellal mal a manhã inteira por causa de um ataque de ciúmes bobo. Um ciúme que mal tinha sentido, já que não era a namorada dele nem nada. Mesmo consciente disso, odiava lembrar-se do momento em que o azulado pousara a mão delicadamente sobre a cabeça de Ultear Milkovich e sorrira.
Ah, a regra da biblioteca número quatro também estava sendo quebrada. É proibido entrar com comidas ou bebidas. A presidente do grêmio estudantil se sentia uma delinquente por estar comendo uma pequena barra de chocolate em um local de estudo. E também um pouco chateada, pois estava de TPM e não era uma barra de chocolate que amenizaria sua desgraça e sofrimento naquele período infernal. Bolo de morango era o único remédio, mas era impossível esconder um prato de bolo no meio dos seios. Sim, tudo para poder comer uma besteira.
De tão distraída, a garota não percebeu que na biblioteca vazia, alguém havia entrado e lentamente andado em sua direção. Contornou a mesa e se pôs atrás dela. Apoiando o queixo em seu ombro, disse:
— Me dá um pedaço ou eu vou contar pra velha.
Erza soltou um gritinho agudo e praticamente deu um pulo na cadeira.
— Jellal! O que...
— Shh! — exclamou, cobrindo a boca dela com a mão. Não adiantou de nada, já que Ai se levantou do balcão e lentamente andou na direção da fortaleza de livros em cima da afastada mesinha. Esperava ter que confiscar algo ou enviar dois alunos para a diretoria, mas viu apenas um garoto em pé conversando com uma garota. Sem celulares, comidas, bebidas e nem nada que infringisse as normas.
— Então, eu queria que você me falasse qual é a lição de Biologia. — disse Jellal, para despistar aquela velha chata logo.
— Ah sim, aqui... — respondeu Erza casualmente.
— Scarlet? — interrompeu Ai, a fuzilando através dos óculos de aro de tartaruga. — A senhorita poderia não berrar toda a vez que seu amigo vier te perguntar sobre dever de casa?
— D-Desculpe, dona Ai.
A idosa bufou e deu as costas para voltar ao balcão. Estava, acima de tudo, decepcionada por não ter nada que pudesse ferrar com um dos dois. Ferrar alunos era seu joguinho favorito.
— Céus, como você é fácil de assustar. — disse Jellal, se sentando na cadeira ao lado dela.
— V-Você chegou por trás. — a ruiva tirou o chocolate debaixo do caderno e o celular entre as pernas por baixo da saia sem olhá-lo. Estava envergonhada. — O que... você quer?
— Nada, ué. — foi a vez dele ficar envergonhado. Não queria deixar claro que o fato de ter sido tratado mal naquela manhã o tinha feito ficar consideravelmente chateado. Tentou agir do modo mais descontraído possível. — Só queria confirmar se você anda de TPM.
Erza corou.
— D-D...
— Hum?
— D-D...
Vamos lá, vamos lá, pensou ela. Não pode ser tão difícil.
— D-Desc... D... Desculpe! — finalmente conseguiu dizer, um pouco alto demais. Parecia que um peso tinha sido tirado de suas costas após simplesmente ter deixado a palavra sair de sua boca.
Jellal franziu a testa.
— "Desculpe?"
— É. — Erza desviava o olhar, ainda com as bochechas vermelhas. Sabia que, muito provavelmente, teria que explicar o motivo de estar se desculpando.
O azulado entendia rapidamente as coisas, mas adorava se fingir que não sabia de nada. Então, muito inocentemente, perguntou:
— Por quê você está se desculpando?
Ah, maldita pergunta. Ele realmente queria obrigá-la a se explicar. Queria ouvir da boca dela que foi um erro ter sido grossa com ele, porque talvez o fizesse se sentir melhor. Não demonstrava, mas estava meio para baixo.
— E-Eu fui uma... uma idiota! Estou irritada por causa disso que você falou, mesmo. E...
E ponto. Jellal não precisava saber que a ruiva estava fervendo de ciúmes dele com Ultear. Não, não precisava!
— Você é ciumenta. — completou ele, rindo mais de si mesmo por não ter percebido antes. O incidente na Educação Física a havia incomodado.
— Ora, s-seu... — começou ela, sentindo o rosto esquentar. Foi interrompida por um beijo intensamente apaixonado. Quando afastaram os lábios um do outro, Erza queria brigar com ele. O que diabos aconteceria se a bibliotecária visse os dois aos beijos ali? Receberiam uma visita grátis à sala do diretor.
E sentindo raiva misturada com paixão, o puxou para outro beijo, só que bem mais demorado. Ambos ficaram bem escondidos atrás da pilha de livros, ninguém poderia vê-los a não ser que estivesse bem perto.
Mirajane Strauss era uma aluna da sala 2-A e irmã de Lisanna Strauss. Assim como a irmã mais nova, possuía olhos azuis brilhantes e cabelos bem claros. Estes caíam-lhe até seus quadris. A albina gostava de ser a ajudante da biblioteca. Estava sempre limpando as prateleiras do fundo, cheias de livros velhos e com camadas de pó. Então, foi inevitável não ver o lindo casalzinho se beijando ali.
Como era uma garota muito romântica, ficou olhando bem para eles, fantasiando como seria se ela também tivesse um namorado. Como eram lindos aqueles dois! Definitivamente, não poderia ficar ali parada apenas assistindo.
— Ahn... — disse ela, cutucando Erza. Mirajane apesar de fofa, era bem sem noção às vezes.
A ruiva tomou um susto e sem querer, acabou mordendo o lábio do azulado com força. Virou a cabeça para encarar a ajudante, nervosa. Eles tinham sido vistos!
— M-Mirajane?
— Eu posso falar uma coisa? — disse a albina, sorridente.
O casal engoliu em seco, temendo o que viria a seguir.
— Vocês são muito shippáveis.
E saiu andando, voltando a limpar as prateleiras cheias de pó. Assim, na maior boa.
Jellal e Erza se entreolharam.
— Ela disse shippáveis? — o azulado engoliu um pouco de sangue que havia saído de seus lábios.
— Isso quer dizer que... — a ruiva enterrou o rosto completamente vermelho nas mãos. Sabia muito o que aquele termo queria dizer, já que era fã de livros e fanfics destes. — Ela... shippa a gente!
— Ah. — Jellal também tinha alguma noção do que shippar significava, então ficou meio sem jeito.
— Am... J-Jellal, eu te mordi. Machucou? — perguntou ela, quase o chamando de "amor". Isso era coisa de namorado e namorada, não? E já que eles não tinham esse tipo de relação oficialmente...
— Idiota. — respondeu, lhe dando um selinho. E depois, perguntou se talvez não seria melhor que eles fossem à algum lugar onde pudessem ficar mais à vontade. Como a guarita do ginásio, por exemplo.
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