Close To You
15 Amores e amores.
Notas iniciais
Na manhã seguinte, Levy acordou exatamente trinta minutos antes do despertador tocar. Para não acordar sua colega de quarto, andou na ponta dos pés até o banheiro. Após lavar o rosto e vestir o uniforme, abriu o pequeno armário e retirou dali uma bolsinha rosa-choque. Era um estojo de maquiagem que não parecia ter fim; rímel, lápis, base, pó, blush, delineador, primer, sombra, batom, gloss e tudo o que você pode imaginar.
A pequena nunca se maquiava; no mínimo, um pouco de rímel aqui e ali. Mas naquele dia, resolveu que teria que ir linda para a aula, já que estava disposta a fazer de tudo para chamar a atenção de sua amada Erza. Além disso, não usaria óculos; depois de muito tempo, colocou as lentes de contato.
Depois do rosto, começou a pensar no cabelo. Como poderia arrumá-lo? Não tinha muitas opções de penteado, já que seu cabelo era curto… Depois de muito olhar-se no espelho, resolveu prender sua franja toda para trás usando um laço cor-de-rosa.
Terminando a produção, mal conseguia se reconhecer. Estava tão… diferente? Aquela coisa de se maquiar e arrumar o cabelo dava trabalho, mas os resultados valiam a pena.
Quando saiu do banheiro para tomar o café da manhã, deu de cara com Lisanna, que a olhou como se fosse uma estranha.
— Quem é você e por quê diabos está no meu quarto? — perguntou a albina, batendo nela com uma Hello Kitty de pelúcia. Quando acabava de acordar, Lisanna ficava completamente desnorteada.
— Liss, sou eu! A Levy! — gritou a baixinha, se defendendo da Hello Kitty. Não podia deixar seu cabelo ficar um fiozinho fora do lugar!
— Ah, tá. Bom dia, Levy. — a albina voltou a agarrar a pelúcia e esfregou os olhos, parecendo uma criancinha. Lisanna Strauss era considerada a maior “piranha” da escola e agia como tal perto das pessoas. Mas na verdade, era muito gentil e adorava coisas fofas que fossem pelúcia, de preferência. Era um pouco difícil para quem só a via de longe acreditar nisso…
— Você está bem, Liss? — Levy se preocupou ao prestar atenção no rosto da amiga. Parecia tão abatida…
— Estou sim. — mentiu. Na verdade, estava se sentindo péssima desde o dia anterior. Cansaço, tontura e uma dor de cabeça que realmente a incomodava.
A azulada tocou em sua testa e arregalou os olhos ao notar que ela estava quente. Obrigou-a a deitar e colocar o termômetro; a febre era de trinta e sete graus e meio. Não muito alta, mas poderia piorar se não ficasse de repouso.
— Eu estou bem para ir! — protestou ela, enquanto um pano molhado era posto em sua testa.
— Descanse por hoje, Liss. Você não parece bem.
A albina corou e fez biquinho, o que fez Levy rir. — Qualquer coisa, me envie uma mensagem e eu venho à jato! Vruuum!
Lisanna riu também e assentiu com a cabeça. Adorava sua melhor amiga; era a única pessoa que a fazia sorrir verdadeiramente e que a ouvia falar de seus problemas. E não eram poucos…
Depois de comer alguma coisa e levar chá e biscoitinhos para a amiga, a baixinha despediu-se e antes de sair, foi elogiada por ela.
— Você está muito linda, Levy.
Aquilo a deixou confiante! E era apenas um dos vários elogios que ouviria durante o dia.
Se sentindo um pouco constrangida com tantos olhares curiosos, suspirou ao entrar na sala e vê-la.
Erza Dianne Scarlet (quase ninguém tinha conhecimento do “Dianne” em seu nome, mas é claro que Levy não poderia deixar de saber), o grande amor de sua vida. A linda e maravilhosa presidente do grêmio estudantil, a ruiva mais perfeita do mundo inteiro. Ah, só de pensar em se aproximar dela suas pernas tremiam. Erza, Erza, Erza…
A fantasia cor-de-rosa acabou quando Jellal aproximou-se da ruiva e mesmo que por apenas um momento, sorriram um para o outro. Sem implicância, sem gritaria, sem nada! O que diabos ela havia perdido?
— Bom dia, Levyzinha. — cumprimentou a presidente Scarlet. “Levyzinha” era o melhor apelido de todos…
— Presidente… — murmurou, corada. — Eu poderia falar com você no final da aula?
— Claro… — Erza ficou séria de repente e cruzou os braços. — Eu estava pensando mesmo em te chamar para uma conversa… sobre o incidente da semana passada.
A pequena assentiu com a cabeça e foi sentar em seu lugar. Arrancou um pedacinho de uma folha do caderno e escreveu em uma letra miúda, com sua caneta rosa glitter:
Hoje ao final da aula eu e ela vamos ter uma “conversa”. Deseje-me sorte!
E entregou na mesa de Gajeel, que após ler o bilhete, forçou um sorriso. Mas na realidade, queria mesmo era rasgar aquilo em pedacinhos, colocar álcool em cima e acender um fósforo. E mesmo que não gostasse de admitir, queria chorar por amar aquela baixinha de cabelos azuis tão intensamente e não receber um terço disso como retorno. Mas é claro que não choraria, pois devido à muitos acontecimentos em sua vida, prometera a si mesmo não derramar lágrimas por ninguém.
Se sentindo profundamente irritado, pegou os fones de ouvido na mochila e colocou para tocar, no volume máximo, um rock bem pesado. Ouvir rock era a única coisa que incrivelmente o acalmava.
A aula começara, mas ele ficou apenas sentindo a canção e viajando para uma realidade alternativa. Até que os fones foram bruscamente arrancados de si. E em seguida, a voz mais irritante do planeta disse:
— Redfox, quer ouvir música lá fora? — Erza, a última pessoa do mundo da qual queria ter que olhar na cara. Se não fosse por ela, talvez seu amor fosse correspondido. E só de pensar nisso já o fazia querer apertar o pescoço daquela ruiva desgraçada até a morte.
Bufou e guardou o MP3. Mas ainda assim, passou a manhã toda distante dali. Já Erza e Jellal ficaram apenas trocando olhares apaixonados sem que ninguém notasse…
Quando o sinal da última aula tocou e os alunos foram dispensados, Levy e a presidente continuaram na sala e por fim ficaram sozinhas. O coração da azulada batia tão forte que parecia que ia saltar pela boca.
Depois do discurso sobre como o fumo fazia mal à saúde e a mentira de Levy que “estava só querendo experimentar”, chegou a vez dela de dizer o que queria para chamar a ruiva para uma conversa em particular.
Demorou um pouco, mas reuniu coragem do fundo de seu peito e disse:
— Presidente, eu estou apaixonada por você!
Como esperado, a presidente Scarlet ficou muda. Franzia a testa, não acreditando no que acabara de ouvir.
— O quê? Levy, você… — sua fala foi interrompida com um beijo, que não foi correspondido. Mas ainda assim, a azulada achou incrível ter seus lábios juntos aos dela. Em seguida, olhou para o chão e corou.
— E eu estou disposta a fazer qualquer coisa para ganhar seu coração.
Um silêncio que parecia ter a duração de uma eternidade começou a constrangir as duas. A cabeça de Erza estava trabalhando à mil, tentando encontrar as palavras certas para dizer que jamais sentiu atração por uma garota.
Admirada pela coragem da pequena, lhe deu um beijinho na bochecha como recompensa pela ousadia de conseguir expressar seus sentimentos amorosos, sem enrolações. A ruiva jamais conseguiria se confessar assim.
— Me desculpe, Levy. Não acho que isso será possível.
— M-Mas… Eu prometo, eu te prometo que vou fazer tudo para que você seja feliz! Cuidar de você, é tudo o que eu mais quero… Eu amo você, Erza! — gritou, sentindo as lágrimas vindo à tona.
Erza a olhou com pena e balançou a cabeça negativamente.
E sentindo o coração apertar, deixou que a baixinha saísse correndo dali. Se sentia mal por ter que rejeitá-la, mas era preciso. Não pensava em ter relações românticas com garotas e também, seu coração já pertencia à um... certo idiota de cabelos azuis.
(...)
De tarde, Rogue pegou seus livros didáticos e andou em direção à porta.
— Aonde você vai? — perguntou Sting, distraidamente mexendo no celular.
— N-Na biblioteca. — respondeu ele, falando tão baixo que parecia estar sussurrando. — Semana que vem começam os testes... S-Sabe...
— Ah, é mesmo! — o loiro guardou o aparelho no bolso e levantou da cama. — Nem tinha me ligado nisso. Posso estudar com você lá?
O tímido assistente do grêmio estudantil corou totalmente. — C-Claro que pode.
— Legal. Um minuto, que eu vou pegar minhas coisas aqui.
Depois de Sting tirar seu material da mochila, os dois foram até a biblioteca, conversando. Claro que Rogue não falava quase nada de tanta vergonha que sentia. Passar a tarde estudando com o garoto pelo qual era apaixonado parecia um sonho!
Os dois se encontraram com Erza no corredor e o loiro a cumprimentou, todo animado e também parecendo um pouco nervoso.
— Olá, p-presidente. Como vai?
— Estou bem, obrigada. — a ruiva sorriu e deu uma piscadela discreta para seu assistente. Sting notou, mas não entendeu muito bem. De qualquer forma, não importava. Só de ter dito um olá para ela o fazia realmente feliz.
Se sentindo um pouco desanimada, Erza caminhou até a antiga sala do grêmio estudantil que agora era um depósito de arquivos. Gostava daquele lugar, assim como Jellal gostava da "guarita" do ginásio. Era um pouco escuro e apertado, a fazia se sentir bem. Para relaxar, manteve os olhos fechados e respirou fundo.
Não notou quando a porta abriu lentamente e depois foi fechada. Também não percebeu que tinha alguém ali com ela... Então, tomou um susto quando uma mão cobriu sua boca. Assustada, tentou se debater e gritar, mas não conseguia.
— Tem gente passando por aqui perto. — sussurrou o sequestrador, estuprador, fã fanático, serial killer ou qualquer outra coisa que a ruiva tenha imaginado de ruim. Mas aquela não era a voz de um sequestrador, estuprador, fã fanático e muito menos serial killer. Era uma voz um tanto familiar...
— Jellal! — gritou, e sua boca foi tapada novamente.
— Shhhhh! — sibilou ele.
— Desculpa. — murmurou ela. — Mas... o que você está fazendo aqui?!
Apesar de não ter muita luz ali, dava para ver que o rosto de Jellal estava todo vermelho. Ele não respondeu, mas a resposta era óbvia. Erza riu.
— Você estava me seguindo? — sussurrou, tentando não rir dele. Estava tão bonitinho com vergonha daquele jeito!
— Talvez. — disse, finalmente. — Eu só estava curioso.
— Curioso? — a ruiva franziu a testa.
— Eu vi a Levy sair da sala chorando. — ele deu de ombros. — Supus que você tivesse brigado com ela.
Erza suspirou e contou sobre a confissão de amor que recebeu. Jellal arregalou os olhos ao saber que Levy era homossexual. Ela não aparentava gostar de garotas e todo o mundo falava que tinha um caso com Gajeel, afinal, andavam sempre tão grudados.
— ...e meu coração já pertence à uma pessoa. — terminou, olhando diretamente em seus olhos, envergonhada. Corada, subiu na ponta dos pés para beijá-lo. Ele segurou sua cintura e ambos se encolheram no canto mais escuro da sala para... namorar? Talvez essa não fosse a palavra certa, já que não eram oficialmente um casal. Mas do que isso importava?
Algumas horas depois, era dia do treino de basquete. Como o dia estava agradável, seria na quadra aberta. Erza estava assistindo ao jogo dos garotos, tendo que aturar algumas fãs do time que davam gritinhos histéricos à cada movimento. Mas principalmente, fãs dos gêmeos Fernandes.
Bom, há sempre aquelas admiradoras mais tímidas. Que apenas observam de longe, sorrindo ou elogiando vez ou outra. Mas também existem as admiradoras ultra secretas.
Olhando através da janela de uma das salas de aula que ficavam de frente para a quadra, estava Ultear Milkovich. Prima de Gray Fullbuster, tinha um cabelo escuro e comprido, no qual adorava enfeitar com grampos de florzinha. Era pequena, quieta e uma das pessoas mais tímidas da Academia Fairy Tail. Só perdendo para, talvez, Rogue Cheney.
Ultear usava uma câmera profissional para registrar cada ação de seu amor platônico, Jellal Fernandes. Junto com ela, estava sempre sua melhor amiga, Meredy Maguilty. Não que esta fosse interessada também em Jellal ou qualquer outro garoto, só a acompanhava e às vezes, recebia a tarefa de tirar fotos do azulado quando a pequena apaixonada não podia.
Seu amado Fernandes tirou a camisa e jogou para as garotas da arquibancada, revelando seu corpo perfeito. A stalker quase deixou a câmera cair no chão e começou a sentir muito calor.
— M-Meredy, acho que estou passando mal... — Ultear corou e pegou um leque da mochila. — Fotografe mais enquanto eu me recupero, por favor...
A garota de cabelos cor-de-rosa suspirou e começou a tirar as fotos. Tais fotografias seriam impressas e iriam para o Álbum do Amor. Tratava-se de um caderno de capa branca escrito, em vermelho "álbum do amor". Lá, haviam muitas fotos do azulado desde o fim do ano passado. Na maioria das vezes, em situações completamente banais. As legendas embaixo das fotos eram do tipo: Jellal-sama mascando chiclete, Jellal-sama passando bilhetinho, Jellal-sama mexendo no cabelo, etc. Ultear amava todas as fotos que estavam naquele caderno, mas principalmente as de quando ele estava treinando basquete. E as dele sem camisa a faziam se sentir uma pervertida!
— Ohhh, ele é tão lindo...
Meredy revirou os olhos sem que a amiga percebesse. Não conseguia entender o que ela via naquele garoto. Ele era tão... normal? Assim como todos os meninos da escola. Em sua opinião, não possuíam nenhum diferencial.
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