Clockwork Souls
6 Capítulo 6
Capítulo 6
Ma Lin não estava nem um pouco feliz. Tudo estava indo de mal a pior, inclusive os negócios. Depois da tentativa de envenenamento do rei (que não fora orquestrada por ele, é claro) ele sabia que as coisas iam se tornar mais difíceis, principalmente para ele que era o líder dos saqueadores da Montanha Sollaria ou o monte de lixo, como era conhecida na capital.
A Montanha Sollaria era quase um segundo vilarejo que ficava nas redondezas de planalto da nevoa, e na verdade nem montanha era. Ela ficou conhecida assim porque quem não conseguia ter algum tipo de sucesso em planalto da nevoa era obrigado a sair do vilarejo da "realeza do campo" e como planalto não é um lugar fácil de viver, muita gente se viu obrigada a ir ao Monte de Lixo. Sim, Monte de Lixo. Porque bem, como ninguém tinha nada além de lixo quando chegava a Sollaria não restava outra escolha além de construir barracos e casebres. A aparência tanto de perto quanto de longe realmente lembrava "um monte de lixo".
Para sobreviver no Monte de Lixo você precisava ser realmente esperto, Ma Lin foi para lá quando fugiu do orfanato de planalto da nevoa aos 14 anos. Ele se juntou aos saqueadores de Sollaria e foi subindo aos poucos na liderança. Hoje aos 32 anos é um dos mais temidos saqueadores da região, até do país eu diria. Uma das coisas mais curiosas sobre os saqueadores do monte de lixo é que quase nunca se envolveram com o exército real, quase nunca foram pegos cometendo crimes, e bem, quando foram, eles deram um jeito.
Agora com a tentativa de envenenamento do rei ele sabia que alguém os notaria, ele sabia que haveria problemas. Na verdade, já havia! Aquele capitão pretensioso e metidinho que ele ouvira falar – e já havia visto duas vezes – o dava nos nervos. Sinceramente, Erik Tunke precisava ficar longe dele e do monte de lixo ou haveriam prejuízos para os dois lados, e bem, Ma Lin sabia que sem vida apenas Erik sairia.
Ele estava em seu enorme barraco feito de lixo. O maior barraco de todo monte. Era feito de lixo, mas nada faltava lá, era um lugar escuro, cheio de mesas e peças para construção de armas e autómatos. Era sujo e fedido, nada convidativo e muito assustador. Não era um lugar agradável de se viver.
A cabeça de Ma Lin estava extremamente agitada. Outro envenenamento e dessa vez nas ruas de planalto da névoa. Sr. Loth havia morrido, logo dois dias antes do descarregamento das novas peças para as armas dos salteadores e ainda havia o novo remate de jovens a serem entregues ao bordel "Inferno, tudo culpa daquele merdinha do exército. Alguém está tentando chamar a atenção dele". Ma Lin não sabia se o filho de Loth seria tão amigável quanto o próprio Sr. Loth. Ah, mas ele já tinha mandado dois de seus homens buscarem o garoto. As coisas seriam resolvidas por bem ou por mal, ele estava realmente sem paciência.
Ma Lin esperaria apenas mais dez minutos antes dele mesmo ir atrás do garoto, os inúteis levaram quase uma hora e meia. Era quase cinco da manhã quando trouxeram-no até o monte. O rapaz tinha um cabelo incrivelmente loiro "como quase todas maricas dessa realeza imunda" pensou Ma Lin e os olhos eram de um verde brilhante e realmente assustados aparentemente. Era bonito, isso não podia ser negado. Os saqueadores que haviam ido buscar o garoto Loth eram Rolf e Ralf, dois gêmeos extremamente grandes e fortes, mas em compensação eram extremamente burros. Os dois eram idênticos, pele morena, olhos castanhos e cabelos curtos, Ma Lin diferenciava-os chamando Rolf de esquerda e Ralf de direito
– Por que demoraram tanto? Estavam construindo o garoto? — perguntou Ma com um tom nada agradável.
– Desculpe Ma, é que o filho do velho Loth estava na funerária, como saberíamos disso? — respondeu o Rolf, o esquerda.
– Eu não te pago pra saber nada ou me fazer perguntas, eu te pago pra me obedecer. — respondeu Ma sabendo que falava uma mentira. A maioria dos membros dos saqueadores não recebia um vinx, mas ninguém inteligente o bastante pra apontar isso, o máximo que Rolf, Ralf e todos os outros recebiam eram algumas refeições e um passa tempo da pobreza que era o monte.
– Desculpa o mano chefe ele não quis te atacar... mas a gente trouxe o garoto, chefe — disse Ralf em um tom apreensivo.
– Tudo bem- respondeu Ma — tirem a fita da boca dele.
Rolf tirou a fita da boca do garoto.
– VOCÊ SABE QUEM EU SOU, BANDIDO ESTÚPIDO? — começou a gritar o garoto — EU SOU O HERDEIRO DE...
O garoto foi calado pelo soco que Ma deu com seu punho direito. O soco foi extremamente forte, calou o garoto e ainda tirou um pouco de sangue. Ma ficou mais calmo, violência o deixava calmo.
– Em primeiro lugar: Eu sei muito bem quem é você, Pierre. Segundo: Se tem alguém estúpido aqui, esse alguém é você. Até os inúteis que estão cuidando de você sabem quando respeitar alguém, mas acredito que você não saiba quem eu sou então relevarei desta vez. Meu nome é Ma Lin, eu sou o lider do saqueadores do monte e não estou de bom humor. você deve ter ouvido falar de mim.
Pierre conseguiu só encarar com olhos assustados e sangue em seu rosto. Não tinha o que responder. Na verdade queria pedir desculpas, mas não tinha coragem, aquele lugar era realmente aterrorizante e ele não sabia o que o sujeito, que provavelmente era estrangeiro queria, então se ele queria sair de lá com vida era melhor tomar cuidado.
– Tudo bem então — responde Ma, mais para ele que para o garoto — se você não tem mais essa ardente vontade de gritar podemos conversar. Eu e seu pai tínhamos... negócios, eu diria. Uma mão lava a outra sabe? Eu disponibilizava algumas garotas para ele e ele me conseguia alguns vinxes... ele me trazia algumas peças ou coisas importadas e eu dava alguns vinxes para ele... a minha dúvida é: eu e você poderemos continuar os negócios? sempre trouxe vantagens para mim e para o sr Loth, e com certeza trará para você garoto.
Pierre ficou totalmente sem resposta. Ele sabia que o pai não era 100% honesto, mas não tinha ideia de que o negócio era tão sujo. Pierre nem queria saber para ser sincero, no final do dia ele doaria toda a fortuna para os pobres e poderia ser livre das amarras do dinheiro e seguir seu sonho de ser cantor e viver um dia de cada vez, ele não queria se envolver com isso. Mas ele era um garoto de bom coração, ele sabia que depois de descobrir isso ele não conseguiria nem doar o dinheiro aos pobres, dinheiro sujo não é bom para ninguém. Ele precisaria entregar tudo ao exército e deixar que eles tomassem conta.
– Vai ficar calado moleque? — Ma parecia estar ficando irritado — qual vai ser? Ah e eu tenho outra pequena dúvida. Quem envenenou teu pai? Foi tu pelo dinheiro?
Essa pergunta foi a gota d'água para Pierre. Apesar de todos os pesares, ele amava o pai e sabia que o pai o amava também. Alguém pensar aquilo era no mínimo ofensivo.
– Você é doente? Eu amava meu pai do dinheiro dele o máximo que eu quero é distância. Eu nunca vou tocar nessa porcaria e irei entregar tudo ao exército. Se você não me soltar e deixar eu ir agora, você pode ter certeza que quando estiver falando com rei sobre a desonestidade de meu pai citarei seu nome com todo prazer.
Pierre não sabia, mas Ma nunca aceitava ser ameaçado por ninguém. Aquela pequena audácia de Pierre iria custar caro e ele era o único que não tinha consciência disso.
– Oh — conseguiu expressar Ma — Então você não quer o dinheiro do seu falecido pai?
– Nem um tostão, agora me deixe ir.
Ma deixaria Pierre ir, mas antes ele teve algumas ideias de como cobrar o preço da liberdade.
– Eu fiquei sabendo que você canta e toca alaúde não é verdade?
– Sim — Pierre respondeu secamente — agora me deixe ir.
– Só quero te fazer algumas perguntas e você vai poder voltar para sua linda e perfeita vida de menininho rico e mimado de sempre. Você vai entregar o dinheiro do seu pai ao exército para investigação, correto? Não vai ficar com um centavo ou propriedade?
– Não sei — Pierre pensou que se Ma Lin acreditasse que não haveria ameaça de ser acusado de algo deixaria-o livre e tentaria arrumar outra pessoa para lavar as mãos imundas dele — talvez eu apenas o esqueça e dê aos pobres, mas não pretendo ficar com nada.
– Olha só que coincidência — Ma abriu um sorriso — Eu sou um pobre. você poderia doar tudo para mim, não é?
– Por que eu faria isso? Para que você cometa mais crimes? Me deixe em paz, eu juro que não contarei nada ao exército se você me deixar em paz.
– Ah, mas não vai contar mesmo. Ralf traga Condor aqui, rápido — Ralf que estava mais quieto que as paredes porque havia notado o mal humor de Ma, saiu correndo que nem uma flecha.
Condor era o contador com cara de pássaro dos saqueadores do monte. Ele fazia contratos com mercenários e outros tipos de negócios, mas basicamente ele só estava no bando porque havia se tornado quando jovem tabelião oficial do reino de Campelle depois de 3 anos da universidade da capital. Sendo tabelião ele podia autenticar qualquer documento dos negócios que Ma Lin fazia.
Condor entrou rápido e em silêncio. Ele era baixo, pequeno e careca. estava com roupas maltrapilhas e usava óculos redondos.
– Meu querido condor — saudou Ma — preciso que você faça um documento novo para mim. O jovem e bondoso pierre está passando toda herança de seu querido pai para que eu cuide bem dela.
Pierre ficou estarrecido. Não esperava que Ma Lin realmente acreditasse nisso. Não havia chance disso acontecer.
– Não, eu não vou passar nada para você — respondeu Pierre em um tom firme.
Os olhos de Ma Lin brilharam "ah, isso vai ser divertido" pensou.
– Você vai sim, ah se vai, e vai porque quer. O negócio é seguinte: ou você assina e segue com sua vida tocando seu alaude ou não assina e sai do monte sem suas lindas mãozinhas. Qual vai ser sua escolha?
– Você é doente? Insano? Eu sei que você não faria isso, agora me deixe...
Pela segunda vez naquela conversa Ma Lin não deixará Pierre terminar sua frase. Ma Lin foi extremamente rápido, tão rápido que Pierre mal entendeu o que havia acontecido. Mas deixe que eu irei lhe explicar. Ma tirou uma de suas pequenas facas da bota e arrancou o dedo mindinho do jovem. Assim, em um piscar de olhos. Sangue começou a sair do buraco deixado pelo corte, mas Ma foi extremamente rápido pegando o maçarico cauterizando a ferida antes mesmo de dar uma chance para Pierre reagir.
Quando o grito de Pierre saiu a mão de Rolf já estava em sua boca diminuindo o som. Lágrimas escorreram de seus olhos. A dor era realmente intensa e ardente. Pierre nunca imaginou que tal dor realmente existia nesse mundo.
Depois de alguns minutos o documento estava pronto e Pierre apenas chorava em silêncio e aceitava que teria que assinar o documento. Ele queria as mãos, o dinheiro não importava, ele iria denunciar Ma ao exército assim que saísse daquele lugar nojento.
– Vai assinar? — perguntou Ma oferecendo a caneta.
Pierre não respondeu, apenas pegou a caneta.
– Um gato comeu a sua língua?
– Não — respondeu Pierre terminando de assinar e entregando a caneta.
– Então ele vai. — foi o que respondeu Ma antes de fazer um sinal com as mãos para seus companheiros de bando.
Ralf e Rolf jogaram a cara de Pierre em uma mesa enquanto ele tentava se livrar e gritava. O que estava acontecendo? Ele tinha dado tudo que Ma queria, esse não era o trato?
– Antes de você ir preciso ter certeza que não vai falar mais que deve em suas canções ou ao exército.
Ma pegou a faca que estava no fogo e puxou a língua de Pierre.
Pierre sentiu mais dor por perder a voz e suas canções do que a dor que realmente sentir ao sua língua ser arrancada.
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