Climb My Sugar Walls
5 Capítulo 5 - I'm Mr. Oh my god that Austin is totally out of his mind
Notas iniciais
Se ás vezes as pessoas ficavam felizes de acordar de pesadelos e perceberem que estavam seguros em suas camas, Austin as invejava profundamente.
As costas de Austin doíam absurdamente contra a cabeceira da cama, e as células dormentes e doloridas de seu corpo identificaram um calor junto ao seu peitoral. Ela como se seus ossos houvessem virado lascas pontudas de madeira o sangue que corria, uma linha incendiária de fogo. Tudo doía. Tudo. E nem no delicioso limbo que flutuava – antes de ser rudemente desperto pela voz estridente – estava imune à dor e ao cansaço de seu corpo completamente esgotado. Uma voz muito alta gritou seu nome, despertando a latência de sua cabeça, e fazendo com que ele se sobressaltasse absurdamente.
Ele havia esquecido de como se abria os olhos, mas o susto fez com que ele se esforçasse e suas pálpebras se arregalassem, suspirando trêmulo.
O quarto estava escuro – apesar da mínima fresta de luz que adentrava a janela ferir seus olhos – mas Austin pode facilmente reconhecer a silhueta de Ally. Ele engoliu em seco, ou tão seco quanto sua garganta rascante e enjoada lhe permitia, e só um pensamento rondou sua cabeça:
Oh, merda.
– Ally... – disse a voz manhosa de Alexa á direita de Austin, beirando o calmo. – Eu posso explicar?
Austin arregalou os olhos para Ally, cuja expressão ela ilegível. Ela estava em uma linha tênue entre o magoada e o furiosa.
– A-Ally! – ele soltou em uma voz rouca, e viu as juntas de Ally na maçaneta embranquecerem. – Eu s-sinto muito! Eu n-ã...ão sei como isso f-
– Ah você sente muito?! Sente muito! Que bom que sente muito por foder na MINHA cama com uma piranha qualquer! – Ally gritou, e depois se virou para Alexa, parecendo horrorizada. – Desculpe a ofensa.
– Não ofendeu. – Alexa sorriu. Cada palavra de Ally feria não só a cabeça latejante de Austin, que realmente queria poder explicar que não fazia idéia do que tinha rolado na noite passada, mas também sua ressaca moral.
Ele era um ser humano horrível. Uma música eletrônica tocou em algum lugar do quarto, e Austin desejou tapar os ouvidos e chorar ao que isso atravessou seu cérebro como uma faca.
– Meu Deus Austin! – Trish urrou, escancarando a porta e entrando no quarto, furiosa, com dois celulares tocando na mão, e inexplicavelmente um pote de arroz debaixo do braço. – Seus amigos retardados não param de ligar pro meu celular e pro da Ally, e o seu também está tocando pelo visto Alexa!
Ally arregalou os olhos pelo quanto Trish estava tratando aquela situação com uma casualidade assustadora, quase como se não visse Austin e Alexa nus em sua própria cama. Talvez ela tivesse apenas agindo com uma indiferença porque realmente aquilo não interessava a ela, e Ally também devesse fazer o mesmo.
Ela jogou com violência os dois celulares no peitoral de Austin, mas parecia muito menos irritada quando se largou no sofá e deixou todos os celulares esgoelando nas mãos de Austin.
– Alô? – Austin atendeu um deles, confuso.
– Austin! – Aiden bocejou do outro lado, rouco. – Desculpe te ligar tanto mas o Dez ta pirando e mandando mensagens em caps lock no Facebook como um louco para todo mundo porque você desapareceu ontem.
– Eu não-
– Austin. – Aiden se irritou. – Atende a porcaria do celular da Trish antes que eu dê um murro no Dez!
– Como ele conseguiu meu número? – Trish gritou do sofá mais para o indignada do que chocada, mas Austin a ignorou enquanto Ally, atônita, o observava atender o outro celular.
– Alô doçura! – disse Austin, esperando que o bom humor o salvasse da crucificação que viria a seguir.
– MEU DEUS AUSTIN! – Dez praticamente urrou no telefone. – Louis! Pode parar de ligar pro celular da Ally!
Austin pôde ouvir a voz de Louis resmungar no fundo.
– Aiden só um minuto. – disse Austin para o outro celular, e ouviu Aiden grunhir preguiçosamente em resposta. – Dez, que merda...
– Que merda????? – Dez berrou. – Que merda???? Ouviu essa Louis, ele ta perguntando que merda! Que merda digo eu Moon, você sumiu no meio da festa e não mandou nenhuma mensagem dizendo nada como sempre faz pra avisar que tava comendo alguém. Eu e Louis estamos mortos de ressaca e ele inclusive desmaiou no colchão aqui do lado, acho que dormiu... e ainda por cima nem apareceu no quarto essa manhã, você vai perder o treino da tarde se não correr você por acaso ficou maluco?
– Dez, respira! – Austin riu.
– Não me manda respirar! – Dez respondeu, puto. – Isso é absurdo você vai arruinar o campeonato! São as regionais, uma oportunidade insana para você e você ta tentando foder o universo! Foder o universo, Austin!
Ally deu um sorrisinho ao se lembrar de Trish e seus planos astrais paralelos. Austin, totalmente confuso, insistiu debilmente:
– Dez o treino da tarde é ás 14h e ainda são nove e me-
– É sério Austin, o que você fez dessa vez?
– Ele está falando sozinho, certo? – disse Aiden, no outro telefone, rindo.
– Está.
– Está o que Austin, você está afim de arruinar o campeonato? Espera, Isso foi o Aiden no viva-voz? Aqui, deixa eu falar com ele.
Austin colocou os dois celulares no viva-voz, ainda tendo todos os olhares voltados para a confusão que seus amigos estavam aprontando.
– AIDEN! – o Dez gritou.
– O que foi? – Aiden se lamentou. Se Austin fosse apostar, diria que o amigo também estava morrendo de ressaca.
Dez inspirou fundo.
– Me responde no Facebook.
– O quê? Olha francamente vocês dois, vão pra puta que pariu eu estou morrendo aqui e você me pede pra colocar no viva-voz só pro Aiden te responder no Facebook?
– Fiquem quietos aí... – gemeu Aiden.
– Austin pelo amor de Deus não faz isso mais. Wow, cara, é um alívio falar com você...eu e o Aiden ficamos desesperados, estamos perdidos aqui sem você e o Louis...bom, o Louis acabou de peidar no colchão, acho que isso significa que ele te ama também...
– Ele é sempre insano desse jeito? – Ally perguntou, provavelmente se esquecendo que estava no viva-voz.
– A Ally está aí? Oi Ally! Então, vamos almoçar todo mundo junto hoje? Isso, legal, ei Louis nós vamos almoçar daqui a pouc-
E desligou.
Dez nunca dizia tchau ou algo do gênero, ele sempre desligava no meio do assunto, quando desse na telha.
– Ele desligou, certo? Hum...ok, eu também vou desligar. A gente se vê no almoço.
– Aiden, nã-
Mas Aiden já havia largado o celular. Ele ergueu os olhos, atônito, preocupado e envergonhado. Envergonhado. Ele nunca ficava envergonhado, mas por algum motivo agora estava, e seu abdome queimava de culpa. Ele não se arrependia das bebidas, da mesa russa, ou de Alexa. Ele se arrependia de ter feito isso no quarto de Ally, e tinha medo – de alguma forma bastante estranha – que isso chegasse a magoá-la. Alexa se levantou da cama vestindo um blusão, e se virou para Trish.
– Tem alguém no corredor?
– Nesse horário? Impossível. Só alguns funcionários limpando vômito. – a cabeça de Austin girou.
– Ótimo, eu vou descer para o meu quarto. – ela disse, serena, como se ela e Austin não houvessem sido pegos seminus na cama de uma outra pessoa, e deixou o quarto.
Trish olhou-a intrigada e em seguida se levantou também, largando o pote de arroz na cômoda ao lado da cama, com nojo.
– O que é isso? – Austin perguntou, abrindo o pote e vendo a quantidade de arroz. Seu corpo estava tão absurdamente esgotado que ate esse movimento lhe custou uma quantidade grande de energia.
– Isso, Mr. Shameless – disse Trish, como se fosse óbvio. – É o seu celular que eu achei no fundo da piscina.
O estômago de Austin despencou. Essa não...
Não era difícil perceber que o celular era seu, já que ele havia mandado incrustar pedras no formato de seu sobrenome ao redor da maçã da Apple Inc. Com uma fisgada nos olhos, ele se lembrou de estar andando ao lado de Alexa, ainda tentando mandar uma mensagem para Dez; o celular escapava de suas mãos a cada tentativa de desbloqueio, e depois de pegá-lo uma última vez (apenas pra dar uns tapas contra a tela para que o celular parasse de fugir dele) ele se lembra de estar irritado e jogá-lo na água da piscina.
– E... e porque ele está num pote de arroz? – ele perguntou, a voz quebrando, com o pote em mãos.
Trish sentiu um pouco de pena, encarando sua expressão chateada.
– Eu li na internet que se ficasse no arroz por dois dias, voltaria a funcionar. O arroz suga a água, ao que parece. – ela disse, sem jeito. – Acho que vocês precisam conversar.
Trish suspirou e saiu, fechando a porta ás suas costas e largando Austin em um silêncio triste com Ally, que parecia dividida entre uma mágoa densa e a raiva, que entalavam sua garganta em um bolo de palavras.
– Acho que você me deve algumas explicações. – ela disse. Austin deu um suspiro trêmulo e cansado, ele queria deitar e dormir abraçando algo quente. De alguma forma, seus pensamentos passaram pela ideia de que talvez o corpo de Ally fosse quente, e que talvez aquecesse o seu á essa altura gélido de medo.
O quê? Não, isso era absurdo. Ally Dawson? Impossível. Ele preferiu associar esse pensamento ao quão nervoso ficava sob os grandes olhos castanhos da garota, e sobre o quanto não queria vê-los estampados de decepção. Ela não merecia conhecer uma parte tão ruim dele.
– Ally, eu sinto muito, de verdade. Eu sou a pior pessoa do mundo, eu estou fedendo à vômito e melado, e eu não queria que você visse isso. – sua voz soava grave e triste. Ele estava arrependido de verdade, e nem ao menos entendia porque. – Você não merece aturar essas minhas cagadas, eu estou arrependido de verdade, é que eu estava fora de mim ontem á noite e não vi onde Alexa estava me levando. Eu só estava tentando provar um ponto ridículo e vazio, e prometo lavar todos esses lençóis que devem estar fedendo á tequila e porra manualmente. Desculpa, de verdade.
Durante um momento, ele pensou ter visto uma faísca de compreensão no olhar de Ally. Mas ela se transformou rapidamente em raiva. Ally não saberia dizer porque estava tão furiosa, mas uma massa constante de um sentimento estranho a cutucava; de repente não era uma questão de Austin e Alexa foderem em sua cama. Era uma questão de Austin e Alexa foderem.
– Eu não sei o que se passa na sua cabeça Moon, mas eu já estou farta de tipos como o seu! Narcisistas, egoístas e manipuladores, que têm o rei na barriga e não moveria o mindinho por outra pessoa enquanto espera que os outros movam montanhas por você! Sai logo da minha cama, eu não quero esse seu cheiro aí nem que você tivesse tomado um banho.
– Ei, espera aí Dawson! – Austin agora sentia o choque e uma onda borbulhante de raiva pela sua garganta. – Você não é ninguém pra falar isso de mim, você nem ao menos me conhece, então acho melhor calar essa boca senão...
– Senão o quê? Vai jogar o seu pote de arroz em mim? – Ally riu em desafio. – Sai logo dos meus lençóis.
Austin franziu as sobrancelhas de uma maneira ameaçadora; ugh, ela o tirava do sério. Ele estava pedindo desculpas e estava sendo sincero, qual o problema em simplesmente acreditar? Em um impulso ele se pos de pé.
– Você quer que eu saia? ÓTIMO, EU SAÍ. – ele abriu os braços orgulhoso, largando o pote com o celular no chão, simplesmente porque havia se prostrado de pé, usando apenas boxers brancas. Ally engoliu seco.
O contraste entre sua pele cremosa e ligeiramente bronzeada com as boxers brancas e o abdome definido que ele conseguira por anos de surfe pesado e academia prendiam seu olhar como se cada partícula de seu corpo fosse entrar em combustão. Ela passou a língua pelos lábios secos e Austin sorriu ao ver o efeito causado.
Ele baixou o tom de voz, e se adiantou até ela, que inutilmente apoiou as duas mãos em seu peito:
– Vá colocar uma camisa. – disse, usando o resto de firmeza que havia em sua voz. Austin sorriu de canto. Ele se sentia melado pela bebida que havia encharcado sua camisa e cabelos, sujo e suado, mas ainda desprendia um cheiro engraçado de detergente de maçã.
– É isso que você quer que eu faça? É isso, Dawson, de verdade? – ele sussurrou com a voz ainda mais rouca. Ally recuou, e recuou, até sentir a parede maciça contra suas costas; sua respiração ofegante estava entrecortada.
– Você não está reclamando de mim e Alexa em sua cama. – ele disse, lentamente, e ela se assustou com a facilidade que o loiro tinha em lê-la. Justo ela! – Você está chateada porque queria estar em seu lugar.
– Nem em um milhão de anos! – ela rosnou, visivelmente ofendida. Quem aquele garoto pensava que ela era? Ela empurrou-o e tentou ir em direção á porta, chutando o pote de arroz longe e derramando seu conteúdo.
Austin agarrou seu pulso com firmeza e a puxou de volta.
– Você também deve explicações, eu acho. – sorriu ele.
– Eu não devo nada pra você! – ela retorquiu.
– Você não veio para o seu quarto ontem, então não pode reclamar de mim. Me diz Ally, quem foi o Encantado que resgatou a ogra da torre?
– Isso não interessa a você, Moon, me deixa ir! – ela sentia cada célula de seu corpo trêmula ao toque dele. Três vezes maldito seja, Austin Moon, por ser tão irresistível.
Dawson fazia o possível para manter sua voz firme.
– Ele por acaso te pegou assim?
Com uma força bruta e ao mesmo tempo carinhosa, Austin puxou o corpo de Ally contra o seu, fazendo com que ela se chocasse contra seu peitoral. O coração de Ally pulou uma batida ao ter contato com aquela pele macia e quente ao toque.
– Não. – ela sorriu, desafiadora. – Ele fez melhor.
– Oh, e ele fez isso? – Austin prensou ela contra a parede, seus corpos separados apenas pela camada de roupas de Ally, ao que seu batimento só fazia acelerar mais e mais.
– Bom, Moon, mas ainda deixa a desejar. – ela riu.
Austin sorriu de volta.
– Aposto que ele não fez isso.
Em um gesto rápido ele arrastou os lábios pelo pescoço de Ally, deixando ali um rastro de sua respiração descompassada e quente. Quando chegou ao lóbulo, uma mordiscada leve fez Dawson tremer em seu colo, mas o que ele fez em seguida arrancou Ally do solo e a transportou para um plano astral paralelo, como Trish diria.
Com uma risadinha baixa, Austin complementou:
– Agora me diz se ele conseguiu superar isso.
E Austin a beijou.
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