Climb My Sugar Walls
3 Capítulo 3 - Euforia Parte 1
Notas iniciais
Ally
Em algum ponto da vida Ally ouviu dizer que barulho demais podia levar á um certo nível de desespero.
E até outro ponto da vida ela achou que isso era algum tipo de estatística falsa ou algo relacionado á síndrome do pânico, e era absurdo para alguém que estudava em um internato londrino ter medo de barulho e bagunça mas agora...ela via que não.
O saguão estava mergulhado no caos.
Um bando de surfistas adolescentes enfiados em roupas justas se movimentava ao som das músicas eletrônicas, com copos de bebidas nas mãos e se jogando na piscina. Enquanto isso, no palco, um senhor atarracado encarava o microfone absolutamente perdido, enquanto funcionários nervosos corriam de um lado para o outro; mas ali, na base do palco, Austin Moon carregando uma guitarra parecia o mais desesperado de todos.
Ally não soube o santo que baixou nela, mas foi até ele com passos apressados.
– Austin! – sibilou, chamando a atenção do garoto que se virou para ela.
E, wow. Alguém deveria proibi-lo de usar regatas; ela gostava do jeito como ele bagunçara o cabelo dessa vez, e as jeans justas com o tênis branco o deixava com um ar de bad boy.
Infinitos “não, não, não, não...” giravam em sua mente ao ter a concretização de um fato que talvez já tivesse percebido antes: Austin era lindo. O problema era que ele não era só lindo – isso Ally já havia reconhecido antes – o problema era que Ally o achava lindo e isso talvez soasse tão errado pelo fato de ele ter “ENCRENCA” tatuado na testa.
– Você! – ele apontou, as sobrancelhas unidas.
Austin
Wow, Ally era...gata.
E não gata do tipo Alexa, que tinha curvas espetaculares, a pele bronzeada e olhos estonteantes.
Ally era, de alguma forma, de uma beleza ainda mais exótica, com a pele cremosa e clara, um sorriso confiante e olhos tímidos, que faziam um contraste bonito com o seu cabelo escuro. E aquilo de certa forma irritava Austin, porque ela parecia completamente alheia ao quanto seu vestido no estilo tubinho aberto nas costas parecia sexy ao olhar dos garotos presentes, e de como o batom realçava o vermelho de seus lábios e os deixava atrativos.
Passado o segundo em que o garoto não conseguiu desviar os olhos dela, a raiva que estava sentindo um segundo atrás o consumiu:
– ONDE ESTÁ A SUA AMIGUINHA? – ele berrou, se arrependendo imediatamente, porque Ally se encolheu de susto e depois voltou a observá-lo com impaciência no olhar. Ela parecia exatamente o tipo de pessoa que não se devia irritar.
– E porque interessaria a você onde a Trish está? – ela tomou um tom desafiador e Austin foi forçado a engolir toda a sua raiva ácida.
Ele apoiou as mão na têmpora e pareceu pensativo:
– Eu não sei. – falou ele, sarcástico. – Talvez porque METADE DO MALDITO HOTEL ESTÁ PROCURANDO POR ELA, para fazer esse discurso estúpido, sem o qual EU não posso me apresentar e, em conseqüência, estou perdendo um tempo precioso em que eu poderia estar com a minha boca na boca de todas essas gostosas!
Ally revirou os olhos e bateu com seu salto fino no chão.
– Olha então isso faz dois de nós! A Trish não estava no quarto quando eu saí e não responde as minhas mensagens. – ela checou o celular com nervosismo.
Austin pigarreou, decidindo ser um pouco mais educado. Afinal, não era culpa de Ally a Trish ter sumido, e ele havia se sentido um pouco aflito ao gritar com ela.
– O Dez foi procurar ela, e até agora não voltou. – ele engoliu em seco, tentando afastar mais uma onda de culpa. A verdade era que o próprio Austin mandara o Dez atrás da Trish por simplesmente não suportá-lo mais quicando ao seu lado e se perguntando onde a garota estaria.
Austin não saberia dizer se o amigo havia tomado energéticos demais ou se o cérebro de Dez funcionava em uma freqüência diferente, porque o fato era que por alguma razão Dez ficava nervoso demais com o nervosismo de outras pessoas. E isso era surpreendente, porque Dez na maioria das vezes se mostrava totalmente aleatório ao mundo e parecia viver num paralelo.
Ally mordeu o lábio, resignada. Ela não deveria fazer isso com as pessoas.
– Será que você... não iria comigo procurar a Trish? E o seu amigo esquisito também. – ela pediu.
Austin suspirou fundo e deu uma olhada no palco, ignorando que Ally tivesse chamado o Dez de esquisito. Ele não negaria um pedido como aquele, não feito...daquela maneira. Então, cochichou com Louis, que arrumava o resto da sua bateria no palco, que voltaria logo, entregou a ele sua guitarra e correu atrás de Ally.
– Onde eles podem estar? – gritou Austin, enquanto eles corriam á toda pelo saguão.
– Acho melhor a gente procurar no meu quarto primeiro, ai! – gemeu Ally.
– O que foi dessa vez? – retrucou Austin, impaciente, enquanto eles paravam em frente ao elevador e o garoto o socava com o punho.
– Sabe, não é nada confortável ter que correr de salto. – ela revirou os olhos.
– Você quer que eu te carregue agora? – Austin riu anasalado.
– Não toque em mim. – foi a resposta que obteve. Ally parecia uma mescla louca de nervosismo e preocupação, e não parava de bater o bico do salto contra o piso. – Ai, esse elevador não chega nunca!
– As pessoas devem estar descendo aos montes para a festa... – ele parou. – O elevador de serviço! Vem comigo.
Austin entrelaçou a mão de Ally na sua e pensou ter sentido um espasmo involuntário percorrer sua espinha. Seria quase um filme romântico se ela não tivesse se desvencilhado dos dedos dele rapidamente e devolvido-lhe um olhar feroz:
– Eu posso ir sozinha. – disse.
– É uma pena. – ele sorriu, e disparou em direção ao corredor onde o tal elevador ficava.
O único e maior problema do elevador de serviço era: ele não fora feito para mais do que um faxineiro e seu pequeno balde com produtos de limpeza e esponjas. O resultado foi que assim que Austin entrou no elevador, não bastando o baque surdo de suas costas contra a parede de metal, Ally foi prensada diretamente contra o seu peitoral assim que as portas se fecharam.
Austin não era adepto á filosofia dos filmes pornô, mas a cena ali era certamente sexy: ele, totalmente esmagado contra o elevador e com ela ali, seus seios se pressionando contra o peitoral malhado dele, a respiração ligeiramente falha ao que as mãos dele que apararam a queda continuavam em seus quadris e os narizes a meio centímetro de distância.
O perfume dela preencheu o ambiente e ele pode ouvir seu coração descompassado ao que a respiração quente dela se condensou contra a sua face e ele lutava com todas as forças para não descer o olhar... o andar parecia não chegar nunca...
As sobrancelhas de Ally se ergueram de abrupto e ela sorriu, estalando a língua no céu da boca e aproximando os lábios do pescoço de Austin que já não sabia mais como se mover. Então, os dentes dela roçaram o lóbulo de sua orelha e ele parou de respirar.
– Chegamos. – ela sussurrou, provocante e dominadora...e saiu pelas portas do elevador, deixando Austin completamente sem reação ali dentro.
Quando os dois irromperam pelo quarto encontraram Trish, completamente arrumada e com uma caixa de lenços de papel ao seu lado, e, talvez o mais estranho de toda a cena: Dez a consolando.
Ao perceber a presença deles ali, o ruivo se levantou de abrupto e correu até Austin e Ally, abraçando ambos pelo pescoço:
– Graças a Deus vocês chegaram! Eu já estava ficando completamente insano! – sussurrou o garoto, e depois, para Ally:
– Faça alguma coisa. – e indicou Trish com o pescoço.
Ally foi até a amiga com Austin em seu encalço, sentou-se ao lado dela e disse:
– O que houve? – perguntou.
Trish apenas balançou a cabeça negativamente, cobrindo o rosto com as mãos ao deitar a cabeça no ombro de Ally. Wow. Isso devia significar alguma coisa.
– Eu não posso fazer isso. – ela soluçou. Soluçou. As coisas estavam ruins.
– Isso o quê? – o Austin perguntou.
– O discurso! – ela parecia nem se incomodar com Austin ali. – É muita pressão eu...eu não consigo nem m-mesmo manter uma p-planta viva por mais de uma semana, c-como esperam que eu prenda a atenção de todas ess-as p-pessoas?
A argumentação de Trish não fazia o menor sentido mas Dez assentiu, observando quieto do outro lado da sala.
– Ah mas você vai minha filha porque eu- Ai! – Ally silenciou o Austin com um poderoso chute nas canelas e uma careta de reprovação, ao que o garoto passou apenas a se dividir entre a tentativa de acariciar os cabelos de Trish ou só...observá-la.
– Trish, quem tem pavor de palco aqui sou eu, e não você! – Trish riu anasalado ás palavras de Ally. – Vamos, o seu pai está contando com você. Eu estou, o Austin está, todo mundo está. Você bateu o recorde do Guinness de mais empregos perdidos em um dia só. Você vai ser brilhante.
– Tá bom eu vou. – e antes que eles pudessem respirar, Trish já havia secado os olhos e já estava na porta do quarto, parecendo nova em folha. Dez olhou para Ally, perplexo:
– VOCÊ TÁ BRINCANDO, NÉ? EU ESTOU AQUI HÁ UMA HORA TENTANDO FAZER ELA PARAR DE CHORAR! – ele parecia estarrecido. Se adiantou até Ally e apoiou as duas mãos nos ombros dela, antes de dizer:
– Sua amiga. Ela precisa de um namorado. Devíamos investir nisso.
– Devíamos. – Ally riu, enquanto Dez seguia Trish para fora do quarto, que parecia ter tomado uma injeção de bom humor e corria pelo corredor dizendo que havia um discurso brilhante a ser feito.
Então ela e Austin foram deixados sozinhos. Um momento constrangedor se seguiu e Ally levantou, murmurando algo ininteligível e seguido aos tropeços para a porta.
Mas Austin foi mais rápido; de um salto, ele se interpôs entre a garota e a porta, fechando-a com estrondo e encurralando Ally ali, prensada contra a porta e com um braço seu de cada lado.
Austin encaixou seu corpo exatamente sob o dela com cuidado, enquanto, mais uma vez, ele sentia sua respiração falhar.
– O que... – ela pigarreou e ele riu baixo. Estava totalmente desarmada. – O que você está fazendo?
– É só um aviso, Dawson. – ele sorriu de canto e baixou o tom de voz. – Não brinque comigo.
E dessa vez quem saiu foi o garoto, com um sorriso contínuo estampado no rosto cheio de satisfação. Afinal, a Dama de Ferro tinha um ponto fraco.
Enquanto Austin tomava o elevador, Ally continuou prensada contra a parede, tentando por ordem nas batidas do seu próprio coração.
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