Notas iniciais
Aproveitem!

Musiquinha que me ajudou a inspirar: http://www.youtube.com/watch?v=OD1wUHJG5cM

Contei para Matt toda a história sobre a exclusão que eu vinha sofrendo dos últimos anos para cá e como Meg e eu voltamos a ser amigas.

— Ela que pediu desculpas?

— Acho que a iniciativa veio um pouco de cada uma – respondi me ajeitando no banco do carro.

Matt me olhou por mais alguns instantes e depois debruçou em cima do volante e ficou cantarolando alguma melodia de alguma musica que eu não consegui reconhecer.

— Meg foi forçada – eu disse de repente.

Matt parou sua música e se levantou olhando fixamente pra mim.

— Clarisse a forçou a fazer aquilo – eu continuei, — Clarisse era de família importante, não sei por que ela estava estudando em uma escola pública. Talvez ela tivesse poucos neurônios para acompanhar uma escola particular – soltei um sorriso, mas as lágrimas já estavam posicionadas em minhas pálpebras.

Matt percebeu que eu ia chorar e se aproximou de mim envolvendo seus braços em meu corpo. A sensação era boa. Apesar de estarmos cheio de casacos devido ao frio, eu podia sentir o calor da pele dele ultrapassando todas aquelas camadas de fibras e algodão.

— E a culpa toda foi minha. Meg tinha meus melhores segredos, e de algum jeito Clarisse descobriu e começou a usá-los contra mim. E como só Meg sabia tudo aquilo sobre mim, acabei culpando ela por tudo – a essa altura eu já não controlava as lágrimas e elas escorriam freneticamente e eu duvidei que Matt poderia conter todas, mas ele dava o máximo de si.

— Não foi sua culpa Mel, ela estava sendo ameaçada não é?

— Justamente por isso Matt, eu fui egoísta e não pude ver que ela sofria com isso também. E agora estamos nós aqui, em plena 5 da manhã na porta da casa dela para fazer um quase sequestro. Dessa vez eu quero saber tudo antes de tirar conclusões sobre alguma situação ou sobre alguém.

Matt me soltou de seus braços e segurou meu rosto com uma das mãos e com a outra secou o restante das lágrimas que sobravam.

Parei de chorar e fitei aqueles olhos azuis perfeitos. Algo tomou conta do meu corpo e fez com que eu tivesse vontade de chegar mais perto de Matt. Aquele cabelo preto, que apesar da manhã escura, brilhava. Seus lábios perfeitamente desenhados e de uma cor pêssego.

Esperei alguns segundos na esperança que ele se aproximasse de mim, mas sem sucesso. Eu não posso fazer isso, pensei frustrada. Se eu tomasse a iniciativa ia parecer que eu quero algo... Bom, eu não quero algo com Matt. Mas e esse perfume? Aproximei-me dele, passei minha mão no seu cabelo e prendi meus dedos entre os fios na altura da nuca. Já estava tão perto que podia sentir sua respiração em meu rosto.

Me assustei com um baque surdo de porta e me afastei dele na hora. Era Meg saindo de sua casa pouco menos de quinze metros à frente de nós.

— Merda — Matt disse dando um soco no volante e apertando a buzina sem querer.

Puxei-o pela blusa e o deitei no banco e me deitei por cima depois e o adverti:

— Tu ta louco? Vai estragar o disfarce.

— Ai Mel, você está me esmagando – disse ele como se estivesse sem fôlego algum.

— Cala boca aborto mal sucedido, por sua culpa quase a perdemos – disse enquanto ia me levantando e me preparando para o quase sequestro.

— Foi você que me distraiu tentando me beij...

Dei um soco em Matt – dessa vez não foi involuntário, eu queria bater nele mesmo – e acertei sua bochecha na altura das maçãs.

— Porra Mel, mais um nocaute? – disse ele esfregando a mão sobre a área atingida.

— Você que começou, aborto mal sucedido. Anda, acelera essa carroça se não vamos perde-la.

— Não chama meu car...

— Anda logo! – gritei irritada.

Matt me olhou com uma cara de indignação e cruzou os braços emburrado.

— Pois eu não saio do lugar!

Rolei os olhos e o sangue subia mais a cada segundo. Todo meu plano tinha acabo de ir por água abaixo por causa de um garoto mimado e egocêntrico.

— Sai do volante – ordenei.

— Ta de brincadeira né Melzinha?

— Não estou de brincadeira não aborto mal sucedido. Sai do volante por que eu não planejei um sequestro pra ser estragado por um garoto chato e mimado como você.

— Eu não vou te dar o carro na sua mão, mas nem morto.

Cerrei meus punhos e voei em cima dele:

— Tem certeza que nem morto Mattsuel Evans? Eu planejo seqüestros, fazer um assassinato parecer um acidente não é nada difícil.

Apesar das minhas palavras ameaçadoras e meus punhos que tiram sangue Matt era muito mais forte e mais alto que eu. Ele me empurrou para o banco de trás caindo sobre mim e segurou meus punhos com as mãos e o resto do meu corpo ele conteve apenas sentando sobre mim.

— Me solta Matt! – ordenei relutando.

— Cala boca Mel! – Matt gritou. Ele gritou comigo?, pensei. Como Matt poderia fazer isso? Senti meu lábio inferior tremer. Não é possível, eu estava com medo?

— Como eu poderia ter me apaixonado por alguém como você? – ele continuou agora com uma voz suave, — Uma garota briguenta, fria, egocêntrica, mal educada, chata, mimada...

— Tantos adjetivos doces assim eu fico constrangida Matt...

— Estou falando sério babaca!

— Matt, a gente vai perder Meg, e se isso acontecer eu vou...

— Vai o que Mel? Me torturar, fazer eu beber meu próprio sangue, depois me matar, drenar o sangue que resta no meu corpo, me cortar em pedaços, dar para cachorros comerem, matar os cachorros, cortar eles em pedaços, colocar fogo e jogar as cinzas no mar morto?

Fiquei alguns segundos calada e então vi uma lágrima brotando daquela imensidão azul, vulgo olhos do Matt, e eu estremeci. Ele soltou meus pulsos e tapou o rosto com as duas mãos e se sentou ao meu lado.

Puxei as mãos de Matt livrando seu rosto e suas orbitas azuis tinham coloração avermelhada que as envolviam. Enxuguei suas lágrimas com a manga da minha blusa e segurei seu rosto entre as minhas duas mãos e colei meus lábios no dele. Fechei meus olhos e quando abri os de Matt estavam arregalados. Sorri gentilmente pra ele e pulei para o branco da frente e disse enquanto passava o cinto sobre o corpo:

— Vamos logo, se eu perder a Meg de vista juro que coloco seu plano psicopata em prática.

Procuramos Meg pelos dois quarteirões seguintes e já estava desistindo quando Matt a avistou:

— Ali na frente, indo para o ponto de ônibus!

Olhei para onde ele apontava e vi Meg andando de cabeça baixa. Ela usava uma roupa diferente, parecia uma espécie de uniforme. Matt guiou o carro até a rua e quando estávamos há poucos metros ele desacelerou e eu fiquei pronta para o ataque.

Me certifiquei de que não haveria ninguém por perto e saltei do carro. Matt abriu a porta de trás e eu praticamente empurrei Meg lá dentro. Ela deu um grito mas eu abafei a boca dela com a sua bolsa, fechei a porta e Matt arrancou o carro.

— Calma Meg, sou eu! – disse acalmando-a.

— O que significa isso Mel, você me sequestrou?

— Sequestro é uma palavra muito feia Meg, prefiro usar a expressão te peguei emprestado e só devolvo com recompensa.

Meg soltou um sorriso mas depois ficou com a mesma cara tristonha. Ela se sentou e olhou pra Matt e ficou surpresa:

— E por acaso Matt é um de seus capangas?

— Quase isso – disse olhando para ele pelo espelho retrovisor.

— Ele pode dirigir?

— Tecnicamente sim – respondi.

— Mas você não odiava Matt Evans? Eu não estou entend...

Abafei sua fala com a bolsa novamente e pulei para o banco da frente esbarrando meu cotovelo na bochecha de Matt bem onde eu havia dado um soco.

— Ai! – ele gritou.

— Desculpe, eu não devia ter te acertado com muita força.

— Você bateu nele? – Meg me olhou assustada. Não respondi então ela se virou pra Matt, — Ela te bateu?

— É mais fácil perguntar quando ela não me bate.

Rolei os olhos frustrada e comecei a pensar em como tirar as coisas de Meg. Olhei pelo retrovisor para o banco de trás e ela fitava as próprias mãos.

Matt nos levou para o lugar indicado. Uma rua perto da praia onde ele estacionou o carro em meio á alguns arbustos. Á essa altura o sol já nascia e o dia ia esquentando. Ele desligou o aquecedor e se esborrachou no banco. Joguei uma nota de vinte no colo dele e pedi:

— Trás café da manhã pra a gente.

Matt me olhou furioso e eu sorri gentilmente e ele saiu do carro. Pulei para o banco de trás e olhei para Meg. Ele tinha uma aparência triste e seus olhos tinham olheiras fundas. Passei meus dedos sobre elas e ela olhou para mim com as lágrimas fugindo de seus olhos. Abracei-a, e depois de alguns minutos questionei-a:

— Meg, me conta tudo.

Nesse momento me lembrei do dia em que Meg me chamou para conversar e me perguntou para eu contar sobre tudo que estava acontecendo e eu menti pra ela. Isso me deu uma dor no coração o que me fez refletir sobre como eu sou com as pessoas. Eu geralmente exijo tanto delas, mas eu não faço nem metade do que deveria.

Meg sentou-se sobre as pernas e secando as lágrimas olhou pra mim e disse:

— É o meu pai Mel.

Meg nunca me disse sobre seu pai, achei que ele estava morto ou que ela simplesmente não o conhecia, mas agora a situação era diferente.

— Ele apareceu esses dias na minha casa. Fazia tanto tempo que eu não o via. Ele abandonou a mim e minha mãe quando ele descobriu que ela estava grávida do meu irmão. Ele estava morando em uma cidade no interior com uma moça nova que ele namorava e eu acho que tinha uma filha com ela. Durante todo esse tempo ele nunca deu sinal de vida para nós. Nunca ligou para saber se estávamos bem e desde que se mudou de casa nunca mandou um tostão furado para mim e pro meu irmão.

Observei Meg e ouvi cada palavra que saía da boca dela. Como ela confiava tanto em mim? Por que eu não confiava nela tão cegamente da mesma maneira?

— Eu não ligo pro dinheiro dele – ela continuou- Não quero nada material vindo dele. De todo amor que eu tinha ele o fez virar ódio. Mas eu temo por minha mãe. Apesar de tudo, ela ainda o ama e sofre com isso. Desde quando ele mudou que ela toma calmante e remédios fortes para depressão. Há alguns anos isso tinha melhorado um pouco e ela estava trabalhando normalmente, mas há duas semanas, quando meu pai veio em casa e a ameaçou exigindo que ela saísse da casa pois era dele, ela está fora de si, parou de trabalhar, eu não sei o que fazer Mel!

Ela não sabia o que fazer e eu não sabia o que dizer, ótima amiga você não? Respirei fundo e questionei:

— Então é por isso que você não está indo para a escola?

— Um pouco. Agora estou trabalhando para sustentar a casa. Minha mãe está de cama há dois dias e voltou a tomar seus remédios. Eu saio de casa todos os dias com medo de voltar e não encontrá-la viva.

Ela parou de falar e voltou a chorar novamente. Abracei-a mais uma vez e então tive a coragem de dizer:

— Sabe Meg, eu te admiro.

Ela secou as lágrimas e me olhou intrigada.

— É, eu sou a pior amiga que alguém pode ter. Uma garota briguenta, fria, egocêntrica, mal educada, chata, mimada... e tantos outros adjetivos que caem perfeitamente em mim. E você confia em mim pra dizer tudo isso e...

Ela me abraçou e disse:

— Mel, eu só estou aqui, firme e forte por sua causa. Mesmo depois de tudo que já aconteceu com nós duas, estamos aqui não é mesmo? E por muito mais tempo. Eu sei que você confia em mim, mas cada um tem seu tempo e divide o que consegue né?

Assenti com um sorriso e alguns segundos depois a porta do carro se abriu. Era Matt com um saco cheio de croissants e três copos de chocolate quente.

Comemos e conversamos relembrando alguns momentos que passamos juntas, e Matt nos observava sorridente.

Meg indicou a Matt onde estava trabalhando e ela me passou seu numero novo de celular – já que o outro ela perdeu. Despedi-me dela e Matt me levou para casa.

Quando paramos na rua já era sete da manhã.

— Obrigada. — disse abrindo a porta do carro.

Matt me puxou para perto e me abraçou. Ele afastou minha franja e me deu um beijo suave na testa.

— De nada. – disse ele sorrindo, — Te pego hoje as sete.

— Do que você está falando? – perguntei confusa.

— Sua parte do plano, esqueceu?

Pois é. Eu tinha me esquecido. Tinha um encontro com Matt Evans.

— Tenho memória seletiva. Só decoro o que é importante. – Saí do carro e dou de cara com alguém que não seria legal encontrar uma hora dessas.

Notas finais
Olá galera! Gostaram do capitulo? como sempre não dá pra revisar, mas se tiver algum erro, me avisem por mensagem/review.

Aqui vamos aos agradecimentos: thatianarocha, Echo, Ichigo Puddi, JSchiatti, Pamisa Chan, gigi, Tris Prior, Days Cullen, Sweet Girl, Lyon, Priix Grama, Zodiac Ane e Sayiracampr0! Valeu lindos (as) por comentarem no capitulo anterior.

Beijo, e até a próxima.