Clichês

4 Algo mais simples que isso.


Notas iniciais
Olá! Como vão? Espero que bem hueuhehue, então, ai esta o quarto capítulo, desculpem a demora mas pelo menos ai esta ^^ Boa leitura.--

“-...parecia que alguma coisa o estava fazendo afastar-se da realidade.”

Depois que Natsu saiu, liguei para meus familiares e amigos feliz ano novo.

Escrevi uma carta para minha mãe (sim, eu continuo com essa mania) e então fiz algo para comer e terminei meu dia com um bom sono.

Na manhã seguinte acordei cansada, sentia-me tão inútil... Parecia que eu não tinha feito nada que prestasse...

Ainda estava de folga no trabalho... Ainda estava longe das pessoas que eu amava, ainda estou tão longe de tudo o que eu não queria e tão perto de tudo o que me faz... Sentir doente.

Faculdade, pessoas nem um pouco agradáveis, professores exigentes, colegas estranhos, e velhos amigos com histórias tristes.

Tomei um banho quente, fiquei de molho em baixo do chuveiro deixando a água caindo ouvindo “Still” da Daughter.

Era extremamente depressivo, mas me fazia sentir-me bem, adoro drama, minha nossa, é incrível como as pessoas podem ser tão azaradas nessa vida, como as coisas lhe são tiradas assim tão... Facilmente, como as coisas são frágeis e muito mais simples do que imaginamos... Parece que quando coisas ruins acontecem elas acontecem mesmo, não é de mentirinha é real e você sente, mas quando as coisas estão maravilhosas nem parece que estamos realmente acordados...

Por isso me pergunto ás vezes se a felicidade não é apenas uma ilusão criada por nós mesmos para amenizar a dura realidade, e que as pessoas se suicidam porque não conseguem mais ter esses momentos (reais ou não)...

Acho bom eu parar com esses devaneios hoje, quem sabe eu me demita desse trabalho de orientadora naquela escola...

Talvez seja hora de voltar á faculdade, mudar o curso, fazer algo que eu realmente goste, conhecer mais pessoas, sair deste buraco.

Desliguei o chuveiro, me sequei, troquei de música que agora era “Youth gone wild” acredito que seja Sid Row...

Aumentei o som, e deixei a música agitada tomar conta do quarto, vesti uma meia calça, jeans escuro, botas, mangas cumpridas cinza, um moletom preto lenço cinza e um casaco militar por cima. Sequei os cabelos louros e coloquei uma touca.

Antes de sair desliguei o som, mas um trecho da música me chamara atenção.

“Boss screaming in my ear about who i’m supposed to be”

Lembrei de meu pai… O chefe que gritava comigo… Por ser diferente de quem ele queria que eu fosse…

Livrei-me de lembranças desnecessárias e saí.

Eu precisava fazer algo... Mudar algo, estava apodrecendo já.

Peguei meu celular liguei para Levy para irmos à praça principal, juntas, como não fazíamos a um bom tempo.

Dirigi-me para a grande praça onde ontem meu coração fora brutalmente esmagado, felizmente não dói tanto assim agora.

Sentei-me num banco qualquer e dei uma olhada em volta, por incrível que pareça não tinha muita sujeira, apenas algumas latas de cerveja aqui e ali, butucas de cigarro pelo chão e era praticamente isso.

A praça estava demasiadamente vazia, uns três garis faziam seu trabalho e algumas pessoas que provavelmente começaram com novas metas de perder peso, corriam pelo percurso da praça.

Era legal isso, essa coisa das pessoas começarem uma meta, uma nova expectativa, era possível ver o quão determinados estavam aqueles que corriam, o suor era evidente em seus rostos, e o brilho de determinação era notável em seus olhos, agora eu me perguntava quanto tempo essa determinação duraria.

Nós seres humanos temos a péssima mania de não terminar as coisas, começamos animados e nem mesmo chegamos ao fim... Lamentável... Apenas desejo boa sorte aqueles que querem chegar ao final e parabéns aos que chegam.

Avistei de longe uma azulada correndo em minha direção.

–Lucy! –disse e pulou nos meus braços.

–Quanto tempo, ai minha nossa, nem acredito que estou aqui agora. — disse enquanto me abraçava.

Ela estava feliz, e não acreditava na própria felicidade, talvez minha teoria esteja se tornando um pouco mais sólida.

–Fazem uns 9 meses que não nos vemos... 9 meses é muito tempo eu poderia ter tido um filho nesse tempo.- disse ela me largando e rindo da própria piada.

–Há pois é.- respondi rindo junto dela.

–Mas, no entanto, como vão as coisas?- perguntou assim que começamos a caminhar pela praça.

–Sei lá... Está tudo um tanto confuso...Não sei bem o que fazer da minha vida, mas pretendo descobrir isso logo.

–Sei bem como é, muitas vezes temos que passar por estes momentos para pensar melhor no que estamos fazendo e mudar o que está ruim para torna-lo melhor.- disse ela mexendo na bolsa puxando um maço de cigarros.

–Se importa?-perguntou.

Olhei para aqueles cigarros em sua mão e Levy e cigarros não combinavam nem um pouco.

Ela notou minha surpresa e riu encabulada.

–É eu sei... Irônia a garota que vivia implicando com os rapazes por fumarem...-disse a azulada guardando-os de volta na bolça.

–Obrigada.- foi o que consegui dizer.

Depois de um tempo no parque e de conversa fiada, decidimos comer alguma coisa e compramos muffins de blueberry e chocolate quente.

Falamos sobre algumas coisas do passado que acabaram tornando os bolinhos azedos, então falamos sobre nosso presente e sobre o que gostaríamos de fazer futuramente por que era isso que realmente importava, o passado que fique pra trás.

Levy contou-me como iam as coisas com Gajeel, ela disse que ele estava se tornando distante, parecia que alguma coisa o estava fazendo afastar-se da realidade.

Disse-me que estava no meio do ano se formaria em letras, disse que estava morrendo por dentro, sentia um vazio estranho mas fazia o possível para descobrir a cura.

Também disse que nos últimos tempos tem pensado muito em casamento, filhos, algo mais sério que apenas um namoro.

–Bem, fique feliz por ter um namorado.- eu disse dando os últimos goles no meu chocolate quente jogando o copo fora.

–Acredite Lucy, não é tudo aquilo que imaginávamos quando mais novas. Depois que a magia acaba não é algo tão bom assim...- disse encarando o muffin quase intocado.

–Se a magia acabou então o amor também...- disse colocando a mão em seu ombro.

–Eu ainda o amo, mas é quase uma questão de tempo...- disse e então ela respirou fundo e me abraçou.

–O que eu faço Lucy?- disse entre algumas lágrimas que caíram de seus olhos.

Afaguei suas costas, e apertei-a entre meus braços, quando estava mais calma soltei-a e então voltamos a caminhar.

–Sabe Levy, acho que deveria conversar com ele, seja fria, direta mas, ainda sim paciente e o mais calma possível ao conversar sobre isso, acredite, não adianta ser sentimental nessas horas.- disse encarando-a.

–Certo.- disse ela fungando e passando a manga do casaco no nariz.

Sorri e assim fomos levando até almoçarmos e depois de uma despedida cada uma foi para suas respectivas casas.

Cheguei, coloquei um colchão na sala, fiz um chá de laranja com hortelã sem açúcar e me larguei no colchão e coloquei um filme qualquer que pudesse prender minha atenção por um tempo.

Novamente me deixei levar, numa imensidão de pensamentos aleatórios, memórias guardadas, acontecimentos recentes e alguns futuros próximos, pensei também no quão ridícula eu estava parecendo, encarando a televisão como se eu realmente estivesse interessada mas na realidade, estava vidrada, com pensamentos roubando minha verdadeira intensão. Descansar.

Depois desse tempo inteiro vegetando, comecei a ficar realmente depressiva, estava caindo na imensidão do nada, o tédio parecia adorar sugar toda minha força de vontade, parecia querer comer todas as minhas esperanças de fazer alguma coisa realmente útil.

Levantei e comecei a circular pela casa, entrando em qualquer cômodo, até mesmo no banheiro, talvez um gnomo com um portal mágico que me levaria para minha verdadeira vida de guerreira matadora de dragões ao lado de um mendigo bêbado legal, apareceria por lá.

Continuei a procura do meu gnomo e então passando pelo corredor que levava ao meu quarto tropecei no tapete e bati com a cabeça num quadro que caiu no meu pé, a dor fora excruciante.

–Maldito gnomo que não aparece e me leva embora logo!- gritei dizendo a primeira coisa que me veio à cabeça.

Juntei o quadro que derrubei e nele tinha uma foto velha, nela estava eu, minha mãe e meu pai. Logo atrás estava nossa casa de lago, eu vestia uma blusa que era quase maior que eu, nela tinha um patinho e uma mancha escrota, meus cabelos estavam bagunçados e eram curtos na época, minha mãe sorria e segurava minha mão, ela vestia um simples vestido verde e meu pai... Bem, ele era o meu pai, com a cara de pai que ele tem... E vestindo roupas de pai... Se bem que posso chama-lo ainda de pai.

Senti tanta saudade daquela casa de lago, o conforto que ela me trazia era tão bom que as memórias já me traziam imenso conforto.

A saudade era tanta que comecei a chorar. Me deitei no chão segurando aquele quadro e fechei os olhos me deixando levar por memórias quentinhas e que me faziam sentir bem.

“ -Mãe, olha só!-gritei indo ao encontro de minha mãe.

–Lucy! Sua perna está sangrando! Menina do céu!.- veio correndo até mim.

–Como você fez isso?- perguntou pegando água oxigenada e curativos.

–Eu estava subindo em uma árvore e escorreguei, mas mamãe olha só, meu machucado parece que sorri!- disse sorrindo ao tocar no machucado que parecia uma carinha sorridente.

–Ai minha filha, só você mesmo.- disse rindo terminando o curativo.

Beijou minha testa e voltou a ler um de seus livros.”

Sorri com a lembrança, e com muitas outras que se seguiram depois dessa.

–Preciso voltar pra lá.- disse levantando rapidamente, correndo para meu quarto, peguei uma mochila qualquer, taquei algumas poucas mudas de roupa e dinheiro. Depois corri para a cozinha coloquei garrafas de água, barras de cereais e algumas outras porcarias e joguei-as na mochila.

Pensei mais um pouco e então lembrei de um fato muito interessante.

Não tenho carro, moto, nem bicicleta, e então como é que eu vou chegar lá?

Larguei tudo e sai de casa novamente e voltei a vagar entre rostos desconhecidos e liguei para Natsu.

–Vamos fazer alguma coisa hoje? Se não fizermos nada de divertido eu morro. To falando sério.

–Calma garota. –riu ele.

–Onde você está?- perguntou.

–Perto da ponte do parque principal.

–Já estou indo ai então.- disse ele e desligou.

Tirei a touca e a mordi forçando um grito.

–Acho que estou enlouquecendo.- disse me apoiando nas grades da ponte e fiquei encarando a água parada pensando em me jogar mas, ai lembrei que viver era mais fácil que descobrir o que tem depois da vida. Acho que viver não é tão assustador quanto o que vem depois dela.

Fiquei um tempo ali parada olhando pra água quando alguém tocou meu ombro.

Virei-me e dei de cara com Natsu.

–Não aguenta ficar sem mim né?- disse debochado.

–Cala boca.- disse empurrando-o de leve.

–O que tem de tão interessante na água que você nem me ouviu te chamar¿- perguntou olhando para onde eu olhava.

–Meus pensamentos.- disse me desencostando da grade.

–E ai quer fazer o que?- perguntou, ele vestia um sobretudo preto, jeans e tênis. Os cabelos apareciam pouco por causa da touca de lã.

–Vamos ao fliperama, a um bar sei lá, eu até bebo se der na telha.

–A coisa está tão ruim assim?

–Nem faz ideia.- ri de leve e então nos colocamos a caminhar.

Fomos até o fliperama, Lost in Woods.

Aquele lugar cheirava a pipoca e salgadinhos de queijo, mas era um lugar legal.

Colocamos créditos no cartão do fliperama e começamos a jogar.

Ficamos circulando pra lá e pra cá sem conversar muito apenas fingíamos que estávamos rindo, depois de ficar chato aquela coisa toda de ir pra lá e pra cá atrás de jogos para distrair, saímos lado a lado, sem palavras apenas cabeças baixas.

Olhei para Natsu e então percebi que ele me olhou logo depois, e então olhei para ele de novo e esbarrei meu ombro no seu. Ele fez o mesmo no meu e assim fomos nos empurrando até eu olhar para ele, fundo naqueles olhos ônix e eu não sei bem o que aconteceu mas me aproximei e o beijei.

No meio da rua, em frente a uma loja de doces, eu o beijei.

Eu havia beijado Natsu Dragneel.

Nossos lábios se encostaram por um certo tempo e então me separei e ruborizei mas ele riu e voltou a me beijar, dessa vez, foi de verdade.

Fora um doce beijo, tão doce quanto o cheiro ao nosso redor.

E foi saboroso, tão doce, que aflorou algo muito maior em mim naquele ato, naquele roçar de lábios algo que eu nunca sentira antes.

“Pode parecer estranho, mas eu nunca tenho certeza do que realmente quero.”

Notas finais
É isso aí, espero que tenham gostado. Bem... É só isso mesmo euheehuehue