Claudio & Lucy: Um conto de irmãos
1 Capítulo 1: O Recomeço
Notas iniciais
ps: aceito sugestões nos comentários de cada capitulo.
27 de setembro 1990 Artyon, Russia.
Anie Maeve estremece às dores do parto, naquela manhã nascia uma menina, de olhos claros como o céu num dia frio, cabelos amendoados e pele branca mas não chorou. Claudio que ajudara no parto segura sua irmã pela primeira vez e já se enche de amor.
— Lucy é a luz que eu precisava. Diz Maeve com a voz cansada.
Claudio: Posso ver o brilho de sua aura mas não posso ouvi-la
Maeve: Na gravidez conversei muito com ela, deve ter nascido consciente de que devemos ficar em silêncio
Claudio: Espero que seja isso
Maeve: Não a nada o que se preocupar...- Interrompida pelo estrondo da porta congela petrificada. Entra na sala rangindo os dentes e rosnando um ser de olhos vermelhos e muito alto.
Maeve: *gritando* Corra Claudio, corra até não poder mais, corra com ela e não volte por favor! CORRA!
Ele não teve tempo para pensar, o medo o guiou pelas ruas vazias e em uma súbita adrenalina quando se deu conta, estava a muitas cidades de distância. A neve branca sem pegadas da Russia era como um labirinto para um coração assustado, olhando para baixo avista a ponta de um caule, quando pode finalmente encarar o mundo a sua frente já estava muito denso em uma floresta desconhecida.
Além de seu coração acelerado escuta uma carroça vindo por trás, antes de virar sente uma mão em seus ombros seguido de uma voz que diz:
—Ei muido! Você parece desaurido, esta tudo bem?
Claudio: Se-senhora desculpe, eu não sei. Preferiu não se explicar para preservar a si e a irmã, sem um passado não teria riscos.
—Venha comigo nesse caso. Disse entendendo as mãos guardadas por uma luva de couro com bordados delicados nas mangas.
Claudio arredio pelo desconhecido não tinha como cuidar de sua irmã sozinho, por isso aceitou. Subiram na carroça e viajam por longos minutos de silêncio e ventania. Já era noite quando as luzes no caminho começaram a aparecer
Desconhecida: Bem Vindos a minha casa, acolho crianças como vocês, esse é o orfanato Lirius e eu a Dama Lilian Covis de Yeva. Seu sorriso encheu os olhos de Claudio, não podia imaginar tanta sorte!
A passos largos adentraram no casarão, pintado em tons terrosos, feito de madeira e tijolos, com lareiras e grandes janelas, cercado por um muro baixo e decorado com plantas congeladas. As crianças daquele lugar não tinham uniforme mas suas roupas eram clássicas e coloridas, meninas em vestidos e rapazes de terno. Claudio teve esperança.
Dama Lilian Covis de Yeva: Não se acanhe, me acompanhe ao escritório para criarmos sua ficha.
Diferente do resto da casa era uma sala vermelha e dourada, cheia de acolchoados.
Dama Lilian: Você ainda não se apresentou ''derrelitozinho''.
Claudio: Desculpe, eu sou Claudio de Mae...Riska (inventou) e essa é minha irmã Lucy.
Dama Lilian: Pequena demais. Uma graça...
Claudio: tenho 5 anos e ela nasceu a pouco
Dama Lilian: Interessante, algo mais para colocar na ficha, como onde nasceram?
Claudio: Não senhora.
Ele sabia, sabia de tudo mas tinha medo de dizer e ser encontrado, apesar da pouca idade já tinha consciência do mundo ao seu redor.
Dama Lilian: Ela costuma ser agitada?
Claudio: Até agora nada! Nem um choro!
Dama Lilian tomou a criança de seus braços e deu uns tapinhas nas costas, mas ela não chorou — Talvez ela seja silenciosa como muda mesmo. Disse de forma seca.
Claudio não tinha pensado dessa forma.
Dama Lilian: Então é isso, assine aqui e aqui, se não souber escrever manche seu dedo na tinta e coloque aqui, assim vocês estarão cadastrados na casa, e seguros, claro, não precisarão mais vagar por ai...hehe.
Ele assinou.
A dama os guiou cada um a um quarto e acordo com seu gene. Claudio finalmente pôde relaxar e adormeceu.
Quando acordou os garotos ao redor queriam conhece-lo, saber se tinha poderes, se sabia correr, nadar, seu nome, de onde veio, como foi parar ali. Cheios de perguntas cervam-no. Claudio contou de sua irmã e de sua afinidade com a neve e a água mas que não tinha como saber de sua irmã, disse também que corria bem rápido e sabia cantar.
No outro quarto o zelador Tonks conhece Lucy e oferece uma mamadeira á ela, seria seu cuidador, sem uma ama de leite. A cozinheira Maria arruma roupas para ela e ajeita o berço.
—Claudio Maeriska, não é mesmo miudinho? Diz Lilian adentrando no quarto. Venha comigo para o dejejum, café da manhã, sabe? — Preciso que saiba de umas regrinhas daqui...
A caminho do refeitório continuou — Primeiro, você assinou um contrato e como todo contrato existem cláusulas e acordos e como você leu, espero que tenha lido..você sabe ler, não sabe? ...
Claudio sentiu um frio na barriga.
—...Sua estadia aqui não é gratuita, irá trabalhar para pagar cada hora neste lugar, como sua irmã é nova será dobrado..- MAS EU NÃO SABIA, tenho de ir!! Claudio interrompe ofegante.
Lilian: Insolente, não grite comigo! *Lilian o pressiona contra parede* Esta é a minha casa! você assinou o contrato! dormiu a primeira noite como descrito (disse em tom debochado) JÁ esta me devendo pela estadia, pague e vá ou fique e me respeite!!
O primeiro tapa ecoou em seu rosto o som de seu destino.
Claudio sentou a mesa imerso em pensamentos. Lilian bate na mesa com força para o acordar.
— Agora é na mesa, pois é sua primeira vez, preste atenção as regras! * Lilian diz fixando seus olhos agora roxos*
Regras rispidamente ridículas, tudo se resumia a trabalho escravo e aparências. Claudio selou seu destino como uma criança inocente. O que o amanhã pode guardar?
Fale com o autor