Classic Constant

5 Da Glória à Ruína


Notas iniciais
A cada leitura que fazem do meu capítulo eu fico mais feliz e inspirado a escrever mais, por isso esse é tão intenso! Quero agradecer a Primadonna, Kimmy, e todos aqueles que estão acompanhando e comentando as minhas histórias, de coração. Ótima leitura!

DA GLÓRIA À RUÍNA

Lá estava Lisa, em cima de uma torre com pouco menos de 2m de altura, avistando a população inquieta e discursando sob aquele dia ensolarado. Como sempre, cuidando de toda a burocracia e sendo uma ótima profissional.

– Estou diante de todos vocês e é para não esconder o jogo. François, vosso rei, apostava sempre na relação de fidelidade entre o reino... Bem, o que eu posso dizer é que o alarme era falso. — Discursava a assistente com orgulho – E ele ainda vai apostar nisso por muito tempo.

Naquele momento a multidão foi às alturas, a felicidade era notável, mas Lisa não pôde deixar de notar que um indivíduo encapuzado em meio a toda comemoração mostrou-se indiferente. E isso a intrigou.

– Isso não é tudo. – Esperta e calculista, a assistente não perdeu a oportunidade – Quero informa-lhes que o parlamento concedeu mais tempo no mandato provisório, não sei bem se há puras intenções nisso, mas a princesa poderá ser criteriosa na escolha do seu marido e na melhor preparação para assumir o trono. Por enquanto, a situação do rei continua instável. – Ela ergueu a mão e continuou — Ordeno-lhes que retornem para as suas casas e sigam com os engenhos, esta área aqui será reservada para os funcionários do castelo e familiares. Bom trabalho!

A população retornou sob a orientação dos guardas, mas o ser encapuzado continuou estático encarando Lisa, que não disfarçou a sua atenção. Nas redondezas um pouco distantes do reino, o cavalo de Vladimir reduzia aos poucos a sua velocidade.

– Espera... O que está acontecendo? Nós não temos tempo! – A princesa resmungava.

– Derek deve estar cansado. Você sabe quantos quilômetros ele percorreu atrás de ti? – Vladimir ironizou.

– Derek? Agora até o cavalo tem nome?

– Opa! Não fala assim que ele fica sentido. Eu o tenho desde pequeno, é meu bichinho.

– Ah, mas tem que ser muito nobre mesmo... Primeiro salva a donzela em perigo, agora tem afeição pelos animais, o que você é? A branca de neve?

– Já lhe disseram que você é meio atrevida? – Ele sorri.

– Claro que já. Já lhe disseram que você é...

– Bonito? – Ele a interrompe – Já sim.

Ela fica envergonhada e desenlaça as mãos do tronco dele. O cavalo para e Vladimir desce.

– Vem. – O esbelto rapaz dirigiu-se a princesa — Derek precisa descansar e beber água.

– Olha, eu fui atacada, estou seminua, exausta e meu pai está em apuros, não me julgue por não querer perder tempo.

– Claire, para! – Ele põe a mão nos lábios dela – Eu entendo o seu lado, mas temos duas escolhas aqui, ou continuamos à pé e só chegamos amanhã, ou esperamos ele se recuperar, porque dessa forma não chegaremos nem na metade do caminho.

A loura assente e tira a mão dele de seus lábios. Com bastante relutância ela desce do cavalo e deita na grama.

– Muito bem... Fica aí com o Derek que eu vou atrás de algum riacho aqui próximo para trazer água. Tudo bem para você? – Vladimir interroga.

Algo muito curioso à respeito da princesa que ninguém sabia, exceto ela e Henri, era que a mesma tinha muito medo de ficar sozinha. Foi um trauma desenvolvido pela noite em que, aos quinze anos, ela esperou a sua mãe retornar para o seu quarto para contar-lhe uma história antes de dormir como comumente fazia, mas a mãe dela, Betânia, estava sofrendo as consequências do ataque ao reino.

– Mas... É que... – Claire não sabia como dizer, ela não era do tipo que gostava de demonstrar fraquezas, apenas o Bobo da corte sabia por terem crescido juntos.

– Algum problema?

– É que você esqueceu o pote...

– Ah, claro! – Vladimir mais uma vez sorriu – O que seria dos homens sem as garotas? Eu volto em cinco minutinhos.

Claire visava as nuvens e só conseguia pensar no pai, ela ainda não sabia o estado de saúde dele, mas tinha razões o suficiente para se preocupar com Marcos Light. O cavalo de Vladimir se aproximou dela e cheirou o seu rosto.

– Nem vem! Eu não curto animais.

Ele a lambeu e ela levantou apressadamente.

– Ok, isso foi muito nojento! – Claire o olhou nos olhos, deu o braço a torcer e sorriu – Eu posso fazer uma exceção por você, Derek, afinal, quem resiste a mim? Mas eu ainda preciso trocar essa roupa!

Lisa encontrou Henri animando um grupo de crianças com pompons e confetes.

– Henri, você pode me dar um segundinho?

– Deixa eu ver se eu tenho no meu bolso.

As crianças riram e Lisa entrou na brincadeira.

– Ah, é? Que tal você ver se você tem um segundão?

Nenhuma das crianças riram, e o bobo a encarou, pela primeira vez, sem graça.

– Não? – Ela se constrangeu — É... Não tenho jeito para isso. Vem aqui, seu bobo!

– Tchau, criancetes! Não larguem os estudos.

Lisa e Henri se dirigiram para o cantinho do cômodo.

– Henri, a Claire ainda não deu sinal de vida, o que está acontecendo? Eu sei que você sabe de algo.

– Não sei de nada, no máximo eu falo com Billy.

– Billy? Onde ele está? Temos uma coletiva mais tarde com o sindicato constitucional e ele não dá notícias!

– Eu não sei, nossa. Eu, nossa, não sei!

– Para de idiotice. Nós precisamos encontra-lo, e rápido!

– Ok, ele deve ter ido buscar notícias de François. Procura lá, moça idosa!

– Não, procure você e diga a ele que precisamos encontrar a princesa o mais rápido possível, o sindicato não vai gostar de saber que ela sumiu. Isso já pode ser classificado como sequestro! François também não sabe, tem noção do que isso causaria? As tropas teriam que tomar alguma providência, e no fim seria apenas mais uma falcatrua dela. Arruinaria a imagem do reino!

– Não seja descrente de Claire, ela é muito mais do que um poço de irresponsabilidade. E por falar em poço, lá vou eu mergulhar em busca de Billy!

– Isso não faz sentido. Enfim, cuide disso... Eu tenho assuntos a serem tratados com uma pessoa.

– Uh! Sombrio! — Cantarola o Bobo.

No interior do quarto estava o rei deitado na maca voltado por curandeiros, uns faziam massagem cardíaca, e outros aplicavam medicação. Enquanto isso, Marcos ornamentava como aplicaria o golpe – pouco se sabia a respeito deste homem, exceto que era amante rotineiro da princesa e ameaçador, bastante ameaçador. Não se sabia a causa e nem a finalidade, mas a intenção claramente não era boa.

– Você não vai ajudar? – Um curandeiro se pronuncia.

– Vou sim, não me amole. Estou analisando quais as substâncias que aplicaremos através do soro. Acho que ele precisa da essência da erva dorsal!

– A erva dorsal?! – Todos os curandeiros dirigiram o olhar a Marcos – Mas não dizem que ela é nociva ao homem?

– É um mito. Eu fiz pesquisa de campo em cima dela, a verdade é que suas propriedades curativas são eficazes, e como são fáceis de encontrar, criaram o mito para o comércio de remédios mais caros e com o mesmo efeito continuar. É uma questão mercantilista.

– Eu sou o curandeiro-chefe daqui e não vou permitir que um membro desconhecido, com todo o respeito, compareça e arrisque a vida do rei. Perdoe-me, Marcos, não é pessoal, mas é do rei que estamos falando... Isso vai além dos nossos conceitos profissionais. Nós não cometemos erros!

Todos os médicos bateram continência e gritaram: “Nós não cometemos erros!”, então retornaram rapidamente ao trabalho.

– O estado dele está instável há muito tempo, ele está vivendo sob o efeito de medicações e massagem cardíaca, sabe o que é isso? – Marcos demonstrou preocupação, por mais insincera que fosse – Dr. Drummer, não é? Me dá um minuto do seu tempo, acompanhe-me aqui.

Naquele momento Marcos se dirigiu para fora da sala e chamou Drummer que deixou a ordem de que os médicos segurassem a situação por alguns minutinhos. No corredor, Marcos não poupou palavras.

– Eu sei que você tem razões para não confiar na minha proposta, mas e o trabalho em equipe? Nós somos curandeiros!

– Trabalho em equipe são para equipes formadas, Marcos. Você me apareceu agora e sem nenhum credenciamento.

– Você não vai mesmo ceder, não é? – O senhor Light olha para baixo e pergunta já estressado.

– Não, não vou. – Drummer responde com firmeza.

– É uma pena.

O doutor se vira para retornar à sala e é surpreendido por uma mata-leão (movimento físico que entrelaça o pescoço do indivíduo o enforcando) de Marcos que vai, aos poucos, sentando no chão e levando o médico à morte. Henri assistiu tudo de longe e ficou apavorado, pôs a mão sobre a própria boca para não gritar e voltou correndo sem saber o que fazer. Marcos escondeu o corpo do curandeiro-chefe no guarda-roupa do mesmo quarto onde estava Billy e retornou à sala de François.

– Onde está o Dr. Drummer? – Um dos curandeiros interroga.

– Parece que o mordomo também não está muito saudável, ele foi auxiliá-lo e pediu para que eu o substituísse. Então, entreguem-me a erva dorsal. Temos que chegar a algum lugar com esse tratamento!

Em meio à floresta, já num crepúsculo, estava Claire acariciando Derek e sentindo muito frio uma vez que se encontrava vestida apenas numa camisa branca que a cobria até em cima do joelho. Foi então que ela se lembrou do seu diadema contido na bolsa ao lado do cavalo e abriu-a para pegar, mas um documento caiu assim que ela tocou. A princesa recolheu e leu com atenção, era uma ordem de realistamento à tropa cavaleira do reino de Vladimir.

– O que é isso? – Vladimir aparece com o pote de água na mão e algumas frutas.

– Diga-me você! – Ela ergue o arquivo para ele – Você não era o príncipe do seu reino? – Intrigou-se.

– Eu posso explicar. – O cavaleiro coloca o pote de água e as frutas na grama – Eu não sou um príncipe tão nobre assim.

– Jura? – A princesa cruza os braços e levanta ironicamente a sobrancelha — Adoraria saber a sua história.

Derek dirige-se ao pote d’água e as frutas começando a saciar-se.

– Eu fui um príncipe forçado, apenas por ser filho do rei, não por compromissos. Como você. Mas meu reino é uma vila, quase que um povoado, por isso seu pai ofereceu ao parlamento a minha disponibilidade para o casamento contigo, ele tinha o interesse de unir as regiões e buscar alguém simples para você caso você não encontrasse, para prevenir aquele clichê golpe de “casamento para tomar o trono”. Pelo menos foi o que o meu pai disse. Acontece que meu velhote e o seu são muito amigos, e François, em mais uma forma de gentileza, quis ajudar o povoado a se desenvolver.

– Você está fugindo do assunto... Não quero saber o porquê de você ter sido o escolhido, quero saber como você viraria rei se as tropas estão te obrigando a voltar a se alistar.

– Porque o meu lugar é como cavaleiro. É como sempre digo, sou cavaleiro acima de príncipe, é a minha prioridade.

– E então? O que está fazendo aqui?

– Eu não ia aceitar o trono, não abdicaria da tropa por nada, mas então você me apareceu...

Ele se aproxima do cavalo, pega o diadema e dirige-se a ela meio confuso. Coloca o acessório nela e passa a mão pelo teu rosto. A princesa permaneceu estática.

– Eu tinha todo um planejamento na vida para seguir, ia me tornar um ótimo cavaleiro e ia levar honra e proteção ao meu povo, mas agora eu vou dar um jeito de não ser obrigado a me realistar. De repente as minhas prioridades mudaram... – Ele sussurra sorridente, conforme o usual.

– Parece que o Derek já está bem, podemos seguir em frente? – Claire retira as mãos dele de seu rosto e monta no cavalo.

– Ué, agora ele tem nome? – Ele ri.

– Ele não é um animal qualquer, ele também me admira. Ele é o meu bichinho! – Claire sorri sarcasticamente.

Lisa seguiu a pessoa com o capuz até um pouco antes da floresta onde de longe, ela se escondeu atrás de uma rocha e observou o indivíduo de costas tirar o capuz deixando cair longos cabelos cacheados, Lisa deduziu que fosse uma mulher.

Quando menos esperava, dois capangas apareceram abordando a assistente do rei e a levou até a mulher de cabelos cacheados.

– Ora, ora! Olha só o que temos aqui... Uma intrusa!

– Eu vim aqui para conversar! Eu nunca te vi no Reino e quero saber qual o seu interesse no estado de François! Como você conseguiu entrar?! – Lisa gritava enquanto forçava para tentar se soltar dos dois capangas que a seguravam.

– Mas é claro que você veio conversar, querida... Ou você acha que eu não sabia que eu estava sendo seguida? Meu nome é Boêmia, suponho que saiba... Eu lembro muito bem de você naquela noite.

– Boêmia? Você?! – Lisa, surpresa, aquietou-se – Você é a irmã da Betânia? Eu pensei que você estava morta! Não pode ser... Você é a tia da Claire!

– Eu não poderia estar mais viva. – Boêmia ri maleficamente – Estou planejando um reencontro com a minha princesinha, mas ainda não é a hora, e você me reconheceu antes do esperado. De repente você pode ser um perigo para mim.

Lisa gritou pedindo por misericórdia enquanto chorava desesperada, mas Boêmia se aproximou dela friamente, e com uma facada em seu coração, um último suspiro a calou.

Notas finais
Gostou? Então deixa a sua opinião aqui embaixo, ajude um autor a seguir em frente! Até o próximo capítulo, e não se esqueçam: O entretenimento de vocês é a minha obrigação!