Notas iniciais
Olá, queridinhos, mais um capítulo pra vcs ~

Com esforço e apesar da chuva incessante, Fox conseguiu voar até Boieiro ainda naquela mesma noite. Enquanto descia, pôde ver uma multidão de gatos a esperando, obra de Osíris com certeza. Pousou devagar no centro da cidade, tão abandonada quanto Carina, enquanto os felinos se reuniam ao seu redor.

Deu fracos passos enquanto sua visão ficava turva, e quando surgiram os primeiros raios de sol ela desmaiou, mas antes de ficar inconsciente, sentiu várias superfícies macias amortecerem sua queda.

~*~

— Mestra, você está bem? — perguntou Lena para a imagem holográfica de Marin. O dia havia raiado fazia pouco tempo, os jovens estavam entre várias árvores, a fogueira que acenderam antes de dormir ainda crepitava, e todos estavam reunidos ao redor de Caleb, que segurava a lâmina de orbe de onde a imagem da mestra era projetada.

— Claro, claro. — respondeu ela com uma expressão cansada.

— MENTIRA!— berrou uma voz masculina ao fundo da imagem.

— Posso ter um pouco de silêncio por favor?— pediu ela bufando e ao fundo puderam ouvir uma risada de Seth. — Bem... Tenho algumas coisas para contar a vocês.

— Nós também temos alguma notícias. — disse Caleb.

Depois de ambos os lados compartilharem os acontecimentos e descobertas, Marin tinha uma expressão preocupada e os jovens de apreensão.

— Vocês podem estar indo para uma armadilha.— comentou a de cabelos prateados. — Vou enviar Luna, ela pode ajudar, especialmente se vocês precisarem fugir. Mas como ela vai ter que ser discreta pode ser que demore um pouco mais do que levaria para chegar até vocês.

— Certo, mestra.

— E a audiência com Theo, como foi? — indagou Drica.

— Eu ainda estava meio tonta, mas ele vai fazer o que puder. Disse que irá aumentar a segurança nas cidades e mandar pedidos de ajuda para reinos próximos e para os elfos. — relatou com o olhar baixo. — Preciso ir agora, tomem cuidado e evitem fazer besteira. — aconselhou antes de sua imagem sumir.

Hunter ficou de pé se espreguiçando e dando um longo bocejo. Os outros começaram a se aprontar, calçar-se e guardar nas bolsas o que havia sido tirado delas.

— Vamos esperar Luna chegar? — indagou Derek.

— Acho que seria o mais seguro a se fazer. — comentou Drica, mas Caleb franziu os lábios e fez que não com a cabeça.

— Ela pode demorar. — falou o líder, prendendo sua espada na cintura. — Estamos perto de Canopus, em pouco tempo chegamos lá, esperar demais pode estragar a missão.

— Pode ser perigoso. — argumentou Mia pondo sua capa.

— Estamos em seis, podemos lidar com qualquer coisa, relaxem.

Sem maiores discussões, todos terminaram de se aprontar e puxaram seus capuzes para esconder o rosto antes de caminharem de volta para a estrada, e quando iam, Mia com um aceno de sua mão, jogou um punhado de areia na fogueira para extingui-la.

~*~

Li estava do lado de fora da mansão, jogava grandes pedaços de carne para Apolo e Luna enquanto Damon pastava um pouco afastado dali. Logo, Marin e Seth apareceram trazendo vários equipamentos e alguma bagagens.

Seth prendeu uma grande sela no dragão, feita sob medida, enquanto Marin fazia carinho no pescoço do animal. Nos compartimentos da sela colocara três odres cheio de água, quatro orbes repletas de magia e alguns unguentos. Amarraram também uma escada de corda na lateral direita.

— Vá até os garotos, eles podem precisar de você, tenha cuidado. — sussurrou Marin segurando o rosto de Luna. — Evite ser vista, tente ficar entre núvens. — em resposta, o dragão soltou fumaça pelas narinas. Poderia ser apenas sua imaginação, mas a mestra achava que o animal tinha adquirido um olhar cada vez mais triste depois da morte de Carter.

Luna andou para longe, procurando espaço. Esticou suas asas como se quisesse que fossem banhadas pela luz do Sol, e com um impulso das fortes patas traseiras, alçou voo.

~*~

Fox abriu lentamente os olhos, sua cabeça latejava de dor. Estava deitada de lado, o único incenso que ainda estava com ela queimava a poucos centímetros de seu rosto, seus cinco cigarros, seu colar e o "isqueiro" ao lado. Virou-se para cima e percebeu que o lugar era uma espécie de toca, cavada na terra. Sentando-se, viu que usava apenas suas roupas íntimas, alguém havia colocado talas em suas pernas e algumas ervas onde na noite anterior, a quimera em forma de cobra a havia mordido.

Tirou as talas, mordeu o incenso até a parte que ainda queimava, extinguindo o fogo e respirou toda a fumaça que preenchia o ambiente. Sentindo-se mais disposta, ficou de pé levemente agachada devido a altura do teto da toca e foi para fora. Uma pedra que ela moveu facilmente era a porta e do lado de fora, Osíris estava deitado no chão.

— Bom dia. — falou ele se espreguiçando.

— O que aconteceu com minhas roupas? — perguntou ela sem rodeios.

— Sujas de sangue, rasgadas... Achamos melhor nos livrarmos dela, mas relaxe, já estão procurando na cidade algo que caiba em você. — só então a de cabelos opacos percebeu que estava do lado de fora da cidade, apenas alguns metros na verdade.

— Tá. E água, comida, essas coisas?

— Ali tem um riacho. — o felino fez um sinal com a cabeça indicando a direção. — Tem uma macieira do lado, lave-se e etc. É melhor partirmos assim que possível. Não sei quanto tempo temos até que nos alcancem.

Com um suspiro, Fox foi até o riacho e fez o que lhe foi pedido. Quando voltou, comendo duas maçãs ao mesmo tempo, viu alguma peças de roupa se movendo na direção de Osíris, e quando o alcançaram, gatos saíram de dentro delas. Nenhuma fazia realmente o seu estilo, mas escolheu um short de tecido e uma blusa de linho.

— O que significa, "ben uyun, hadi"? — indagou Osíris enquanto a mulher se vestia.

— Onde ouviu isso? — seu rosto ficou sério.

— Você sussurrava essas palavras quando estava desmaiada. — esclareceu lambendo uma pata e depois a esfregando na cabeça. — O que quer dizer?

— É o feitiço pra chamar uma quimera. "Me obedeça, venha."

— Oh... Isso não é bom. Sabe quem está tentado chamar você?

— Provavelmente alguém com aqueles caras. — disse sentando-se no chão, terminando suas maçãs. — Eu ainda devia estar sob efeito dos cigarros, mas mesmo assim ouvi o chamado. Quer dizer que alguém poderoso estava bem perto.

Terminada sua refeição, ficou de pé e foi em direção á toca, pegar seus insignificantes pertences, mas hesitou ao tocar na pedra. Olhou para as árvores e enquanto observava e ouvia, um rosnado se formou em seus lábios. Seus músculos ficaram tensos e antes que os gatos percebessem, tudo acima de sua cintura se tornou o corpo de um leopardo.

Fox ficou de quatro, ainda rosnando para as árvores, os gatos se afastaram prevendo o que viria a seguir, e então aconteceu. Uma figura peluda pulou das árvores, agarrando a mulher leopardo, a mesma quimera da noite anterior, novamente na forma de lobo.

Os dois rolaram pelo chão, rosnando, arranhando e mordendo. Era uma luta mais feroz do que a anterior, mais selvagem, animalesca. O inimigo empurrou Fox com as patas de trás, a arremessando contra uma árvore e rapidamente indo até ela e segurando suas patas. O lobo latiu no rosto da inimiga antes de ela mesma o empurrar e em seguida arranhá-lo rapidamente, o que o fez ganir e dar alguns passos para trás.

A mulher voltou para sua forma humana e agora encarava a criatura com um olhar penetrante e ameaçador. O lobo se tornou um leão, que pulou em cima de Fox, mas esta desviou habilmente, e o que se seguiu parecia um sanguinário jogo de pique. O leão tentava alcançá-la, mas ela sempre desviava e dava um chute alto em seu rosto, parecia mais irritá-lo do que machucar na verdade.

Com fúria em seus olhos, o leão tentou uma investida diferente, dessa vez indo de baixo para depois saltar, mas a outra o segurou pela juba e o jogou contra o chão, não rápido o suficiente para que ele a agarrasse de novo. Fox pôde sentir as grandes garras se fincando em seu corpo enquanto ouvia Osíris e os outros gatos sibilando. Não perderia para aquele cara, não importava quem fosse, ela não morreria assim.

Abrindo a boca, Fox cuspiu fogo. Seu rosto estava tomado por escamas e ela cuspiu fogo contra o inimigo, este a largou imediatamente e cambaleou para trás enquanto assumia corpo de urso ainda com a cabeça de leão. Ambos se encararam enquanto as escamas desapareciam do rosto da mulher, o urso-leão rugiu e correu em sua direção, mas ela não se moveu. A criatura viu o rosto de sua vítima extremamente perto de seus dentes, mas á poucos centímetros de abocanhá-la, ele foi parado.

Olhando para seu peito viu o braço de Fox, mais longo, verde e com serras. Ela deu um passo á frente até fazer sua lâmina natural atravessá-lo, para depois puxar o braço já normal. A cabeça de leão se tornou de urso e a forma da criatura oscilou em várias até voltar para a primeira, a de lobo, e cair no chão.

— Você... — gaguejou Osíris chegando perto. — Não é possível... Cuspir fogo como dragão, braço de louva-à-deus... Quimeras não podem se transformar em animais mágicos ou insetos! — o felino estava perplexo.

— Não?! — disse a mulher o olhando ironicamente. — Que pena. — andou até a quimera ensaguentada e observou enquanto voltava a forma humana. Assim como na outra noite, percebeu que era um homem, mas ao ver seu rosto, se surpreendeu.- VICTOR? — ela se ajoelhou e levantou a cabeça do rapaz ofegante.

— Mas... Você... — até o gato branco demonstrou surpresa. Victor abriu os olhos embaçados, aos poucos ficando límpidos até que ele pudesse ver Fox nitidamente.

— Angie... — ele falou sorrindo. — Você acabou comigo. — tentou dar uma risada, mas esta se transformou em uma tosse. O rosto da mulher se enchia de lágrimas enquanto o olhava.

— Me desculpa. — pediu olhando para o grande buraco no tronco de Victor. Aquele ferimento doeu em si mesma ao ver Victor, apenas de calças, com aquele grande rombo no peito e o sangue manchando sua pele cor de café.

— Sabe que isso não vai me matar. — falou ele. — Mas você tem que sair, eles vão chegar logo e tem poções... Vão me curar e mandar atrás de você de novo. — ele parecia sofrer ao dizer isso.

— Como te pegaram? — indagou ela enquanto o arrastava até o riacho, onde tirou sua blusa de linho, para limpar as feridas de Victor e fazer um curativo improvisado no ferimento maior. Ele não respondeu por algum tempo, apenas ofegava e soltava pequenos gemidos.

— Depois que deixei vocês... Me emboscaram e... O chamado foi tão forte... Eu sequer fumei algum dos cigarros que você me deu... Eu te disse, eu sou fraco.

— Já disse pra não falar assim. — ela o arrastou até a toca e o deitou onde pouco antes ela estivera. Usando seu isqueiro, reacendeu o incenso. — Você vai ficar aqui, não vão mais te usar, nem te encontrar. — ele riu.

— Sério? Não sou você, Angie, não consigo resistir tanto. Para de se importar comigo, eles sabem pra onde você vai, sai logo daqui. — a última parte ele falou fazendo uma careta, um misto de dor e tristeza.

— Olha pra mim. — ela disse segurando seu rosto entre as mãos. — Eu não vou desistir de você! Nunca! Lembra quando a gente prometeu? Faz alguns séculos, mas ainda tá valendo então para de sentir pena de si mesmo.

— Lembro... — respondeu com um sorriso. — Lembro que a gente tava pensando em ter um filho nessa época, eu quase te convenci... — a mulher ficou com uma expressão chocada. — Mas ai aqueles caras, Solaris e Lune... Levaram você de mim... — Fox não sabia como reagir, não gostava de lembrar daquele passado distante, não gostava de lembrar de quase nada do que já havia vivido, especialmente momentos felizes como aquele que o rapaz falava. — Foi uma pena... Você teria sido uma boa mãe... — e desmaiou.

Fox limpou as lágrimas que voltaram a se acumular em seus olhos, colocou seu colar no pescoço e no bolso do short que ainda usava, dois dos cigarros que sobraram. Os outros três, deixou ao lado de Victor.

— Cuidem dele. — falou para os gatos que estavam ali. — Quando ele acordar, desenrolem o cigarro, façam ele comer o que tem dentro. — era uma técnica arriscada, ela sabia, mastigar aquela mistura não era nada recomendado, mas assim os efeitos em Victor seriam maiores, ele consguiria resistir o bastante, não conseguiriam encontrá-lo. Se queriam a ela, não ligariam para uma quimera desaparecida, ele poderia fugir.

— Angelina... — ouvir Victor murmurar durante o sono, enquanto saía da toca.

— Angelina? — indagou Osíris enquanto a quimera colocava um vestido que os gatos trouxeram e ainda estava ali fora.

Ela não respondeu, apenas pôs o gato em seu ombro e começou a correr, antes de alçar voo novamente na forma de corvo. Suas emoções queriam que ficasse, cuidasse de Victor e depois tentasse fugir com ele, mas sabia que isso não funcionaria. Seriam pegos mais cedo ou mais tarde, sua melhor chance era ajudar os Guerreiros e acabar com toda essa insanidade que estava acontecendo.

Notas finais
Opiniões pliiiiis, me alimento de reviews, vcs sabem!