Clash Of Clans:O começo de uma nova era-Interativa
9 Será que é amor?
Notas iniciais
P.O.V. Tainá
Estava deitada na cama, bastante pensativa. A essa hora Stevan já teria recebido o papel com as modificações feitas, e com certeza estaria me agradecendo por isso. Os Rivers são barra pesada, poderiam machucar ele a qualquer momento, e eu não quero que nada de ruim aconteça com meu...amigo.
Ouvi alguém batendo na porta, que rapidamente gritou:
— Rainha Tainá, Stevan te aguarda na sala de reuniões.
— Tudo bem. — eu respondi confusa.
O Stevan tem permissão para subir no meu quarto, não sei por que ele estava me esperando na sala de reuniões. Mesmo assim, coloquei minha armadura e desci para vê-lo. A porta da sala estava fechada e assim que abri, vi ele em uma cadeira do fundo e com a luz totalmente apagada. Entrei devagar e acendi a luz, olhando para a cara fechada dele.
— Stevan? — perguntei assustada — O que está acontecendo? Por que não subiu no meu quarto? — completei enquanto o silêncio reinou por alguns segundos.
— Este assunto não poderia ser tratado no seu quarto. — ele disse friamente sem olhar para mim.
— Que assunto? — eu perguntei sentando na minha cadeira.
— Você sabe muito bem! — ele disse ainda mais frio — Porque me colocou do seu lado, na guerra contra os Rivers?
— É uma guerra pesada, eu não quero que você saia ferido, muito menos morto. — eu falei preocupada.
— Eu não sou seu bebezinho! — ele grita levantando da cadeira — Se eu tiver que morrer, assim será!
— Não! — eu gritei de volta despejando uma lágrima em meu rosto — Você não vai ter que morrer!
— Eu vou defender meus amigos, não vou deixar eles sozinhos na primeira leva. — ele disse com um tom mais baixo.
— Você não entendeu ainda? — eu disse com o olho totalmente aguado — Eu não quero perder você, eu não posso perder você!
— Eu não vou mudar minha ideia. Nem que eu seja preso depois, por desacato a autoridade. Vou lutar na primeira leva! — ele grita com o rosto vermelho de raiva.
— Stevan...— eu disse chorando ainda mais alto — Você nunca falou assim comigo.
Levantei da cadeira e deitei no chão, enquanto ele me olhava furioso. Peguei uma flecha da minha aljava e apontei para o meu coração.
— Se você for morrer, vou estar te esperando. — eu murmurei com o rosto totalmente molhado, ainda despejando lágrimas.
Ele correu em minha direção e bateu a espada na minha flecha, jogando ela para longe.
— Você ficou louca?! — ele disse ofegante, guardando a espada na sua capa.
— Não. — eu falei baixinho — Só se for você.
— Você é a rainha! Não deve morrer por causa de um amigo seu! E quem garante que vou morrer?! Sou bom o bastante para sobreviver. Estou vivo até hoje. — ele berra, bufando.
Eu não consegui responder, só tentei respirar profundamente. Sentei no chão com as costas apoiadas na parede.
— Esse não é o Stevan que eu conheço. — falei, limpando as lágrimas.
— Eu sei. — ele fala ofegante, olhando para meus olhos — O Stevan de verdade...nunca te faria chorar.
Ele derrama uma lágrima que cai diretamente na minha armadura e cria uma pequena poça. Eu olho atentamente para a poça, e sinto ele acariciar meu cabelo, sentando do meu lado.
Ficamos alguns minutos em silêncio, e eu encostei meu rosto vagarosamente em seu ombro, tentando ver a reação dele. Ele continuou mudo, nem se moveu do lugar, e eu fechei os olhos para tentar controlar o choro.
— Stevan. — eu o chamo quebrando o silêncio — Vou te colocar na primeira leva. — murmurei.
— Eu não queria brigar. — ele sussurra, ainda imóvel — Ainda mais com a rainha.
— Eu quero um tempo para ficar sozinha. — eu falei, tristonha — Mas quanto a guerra, também me mudarei de posição.
— Para onde? — ele pergunta, preocupado.
— Na frente dos bárbaros. — eu respondo, tirando minha cabeça do seu ombro.
— Agora quem não quer sou eu. — ele murmura, olhando para mim — Você vai ficar frágil, deve ficar protegida.
— Não fiz muito pelo meu povo. Está na hora de mostrar minha lealdade a ele. — eu disse, pensativa — E eu sou a rainha. Não contrarie minhas ordens.
— Arg. — ele protestou, bufando — Pare de querer me proteger! Parece até amor...
Eu fiquei um momento paralisada com as últimas palavras dele...
— É...é amor. Só que amor de amigo. — eu falei corando um pouco — E não é só por você. É pelo povo. — eu falo limpando o resto de lágrimas que havia.
Na minha mente, era mais por Stevan do que pelo povo. Não que eu odiasse o povo, eu amo os kethorianos. Mas eu não podia perder meu “amigo de todas as horas”.
— Agora, se me der licença, eu vou para o meu quarto. — murmurei, me levantando do chão, com as pernas trêmulas.
— Está bem. — ele confirmou tirando sua espada e vendo pela lâmina o reflexo dos seus olhos lotados de lágrimas.
Eu arrisquei dar um passo mas tropecei e quase caí.
— Tem certeza que você está bem? — Stevan pergunta segurando minhas pernas.
— Estou ótima. — respondo evitando olhar para ele.
Continuei a andar em direção a porta, com a perna um pouco bamba. Meus pés formigavam, só queria deitar logo, e enfiar minha cara no travesseiro.
— Tainá, entre nós...está tudo bem? — ele pergunta enquanto eu abro a porta.
— Não sei. Não dá para esquecer o que aconteceu aqui. Quero um pouco de solidão agora. — eu disse, com uma dor no coração.
Ele ficou mudo e de cabeça baixa, e eu saí da sala de reuniões em direção ao meu quarto.
P.O.V. Viserys
Estava com Órion na praça, conversando para passar o tempo. Ele falava da Korina, que era linda, habilidosa, animada, corajosa, sorridente...mas ela não estava nem aí. Odiava quando ele falava do corpo dela, enfim, não deu em nada.
— E você? Gostou da Natsume? — Órion pergunta com um sorriso.
— Gostar, eu gostei. Mas ela é diferente. — eu falo relembrando a cenas passadas — Primeiro, ela chega falando que tem muitos na cola dela, depois, ela fala que não quer ser só mais uma que eu pego.
— Está reparando que ela só falou para te provocar. É obvio que ela não é que nem você. Ela quer um namorado, não um galinha. — ele explicou, dando um gole em sua bebida.
— Eu falei pra ela que era galinha. Só que ela continuou provocando. — eu disse, com uma cara pervertida — Logo quando ela chegou, abaixou só para eu ver o decote dela! Com certeza ela já sabia que eu era galinha, se não nem mostraria seu decote.
— Isso é verdade. Lembra naquele dia no bar, que você saiu com a valquíria?
— Lembro. — confirmei com a cabeça.
— Ela estava lá, junto com a Korina.
— Então ela me viu com a Rachel? Está explicado. — eu disse dando um suspiro — Não vai dar, amigo. Ela beija bem, é bonita, engraçada, mas não concorda com meu estilo de vida. E eu não concordo com o dela.
— Espera aí, como você pode discordar de um estilo de vida que você nunca teve? — estranhou Órion.
— No início eu já vivi esse negócio de namoro, mais não dá certo, parece que você enjoa da pessoa.
— Então...parte para outra. — ele disse me oferecendo a bebida.
— Só que tem alguma coisa nela que mexeu comigo. Sei lá, talvez o jeito que ela e beijou... — eu respondo dando um gole e sentindo a garganta arder — Se alguém te pegar bebendo isso, Órion...
— Ah, uma vez ou outra, não faz mal. — ele fala com um sorriso.
— E aonde você compra? — eu pergunto curioso.
— Na minha casa tem um barril de cerveja, meu pai adora, quando chega final de semana, ele sempre toma com os amigos. — ele diz aumentando o sorriso — Enfim, voltando ao assunto, eu tenho certeza que tem alguma coisa escondida em você, que você nem descobriu. Talvez um sentimento, uma atração diferente.
— Pode ser que tenha... — eu respondo, pensativo.
P.O.V. Natsume
Terminei de ler a revista e deitei na cama, pensando no meu dia com o Viserys.
“Por mais que ele não tenha feito nada para me deixar com raiva, eu fiquei. Acho que ele vai ser galinha para sempre, e nada vai mudar isso. Embora eu queira esquecer ele, está difícil... porque quando ele me beijou, eu senti algo diferente, que eu nunca tinha sentido antes. No início, eu queria ficar com ele por causa da sua beleza, agora, eu percebi que não vale a pena. A beleza interior conta muito mais...e no fundo, bem lá no fundo, eu percebi um homem romântico e sentimental. É difícil, mas deu para perceber, o jeito que ele acariciou meu cabelo, o jeito que ele me beijou, o jeito atrapalhado que ele falou comigo.
Ele simplesmente não abriu seu coração, não mostrou seus sentimentos... e é isso que eu vou fazer, vou mostrar pra ele o que eu estou sentindo, que não é nada normal.”
Me levantei e dessa vez resolvi procurar Viserys do jeito que eu estava, de armadura, com minha capa roxa. Se ele sentir a mesma atração que estou sentindo, ele vai gostar de mim de qualquer jeito, não importa a roupa, o cabelo...só importa o "amor",se é que isso que estou sentindo é "amor".
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