Clarice

36 Capítulo 36


NA CASA DE CLARICE

Clarice dormia profundamente, sem sonhos, sem choros, ou angústia. Um sono leve e tranquilo, como se estivesse tudo bem em sua vida, ou em sua volta. Com um semblante tranquilo que sua mãe Dona Hélba observava atentamente parada na porta do quarto de sua filha. Cogitava a possibilidade de deixá-la dormindo um pouco mais, faltando assim a aula, mas sabia que esse não era o certo. Fugir da situação, era apenas o que iria acontecer. Algo que ela não deveria fazer já que não tinha feito nada de errado, e deveria enfrentar de frente toda a situação.

Andando em passos lentos, ao se aproximar da cama de sua filha, acariciou os cabelos dela, e tocou sua bochecha, tentando despertá-la de forma carinhosa. O que funcionou, e aos poucos os seus olhos se abriram, e um sorriso se formou no rosto de Clarice.

— Oi mãe — Clarice dizia com um sorriso no rosto, levantando devagar e se espreguiçando — Bom dia!

Sua mãe a observava pensando o que deveria dizer, ponderando por um tempo:

— Como você está se sentindo hoje? — a questionou, o que fez Clarice parar no meio do quarto já que estava indo em direção ao seu armário pegar o seu uniforme escolar.

Algo que a deixou confusa por um tempo, até os seus pensamentos a fazerem lembrar de tudo o que aconteceu no dia anterior. Seu término. As lágrimas. Por ter contado e dormido lado a lado com a sua mãe em sua cama.

Por alguns instantes tinha esquecido disso. Uma das razões que a fez acordar com um sorriso no rosto, pelo carinho que sentiu antes de abrir os olhos. O sentimento que estava sendo transbordado por sua mãe para ela.

Mas de certa maneira, o coração não doía como antes, e os seus pensamentos não estavam tão confusos, mesmo que não entendesse a mudança repentina de Guilherme, sabia que deveria respeitar a decisão dele. Mesmo com o coração doendo ainda, pois gostava muito dele, não queria guardar mágoa dele, ou enchê-lo com questionamentos sobre o término.

Decidindo responder a sua mãe com sinceridade:

— Eu ainda sinto muito triste.. mas.. eu tenho que respeitar a decisão dele de não querer mais ser o meu namorado.. mesmo que doa bastante — ela dizia olhando para o chão, o que fez com que sua mãe se aproximasse dela e abraçasse.

— Filha, meu amor.. eu tenho certeza que logo não irá mais doer de forma que te machuque apenas por lembrar. — disse a abraçando fortemente.

As duas ficaram assim por um tempo, até que ambas foram fazer as coisas, Clarice se arrumando para ir a escola, e sua mãe terminando de fazer o café da manhã. Um momento que logo depois aproveitaram juntas.

NA CASA DE FERNANDA

Fernanda estando já arrumada para ir a escola, indo em direção a cozinha para tomar o café da manhã com os seus pais, se deparou com Guilherme sentado ao lado de seu pai na mesa da cozinha. O que a fez ficar surpresa com aquela situação, pois ele não tinha avisado que iria em sua casa, algo que ele percebeu e sorriu como uma resposta que ela não entendia o que poderia significar, mas aceitando de bom grado.

— Oi Gui.. veio tomar o café na minha casa, é? — ela o questionou sorrindo e se sentando de frente para ele.

— Eu vim te chamar para irmos para escola juntos, e o seu pai me chamou para tomar café da manhã com vocês — disse sorrindo.

— A.. — sendo a única coisa que conseguiu dizer, sorrindo novamente.

— A Guilherme, a Clarinha chegou a ir na sua casa ontem? — a mãe de Fernanda o questionou lembrando que Clarice tinha perguntado onde ele morava, mas não chegou a ver se ela tinha chamado ele ou não. Decidindo que era melhor o questionar sobre.

O que fez Guilherme ficar sem graça por ela ter mencionado Clarice. E Fernanda ficou surpresa, pois sua mãe apenas tinha falado que ela tinha ido lhe procurar. Então em que momento Clarice foi na casa de Guilherme, algo que ela começou a se questionar.

— Bom, ela foi sim — sendo a única coisa que Guilherme conseguiu responder como resposta, o que deixou Fernanda mais curiosa.

— A que bom! — disse a mãe de Fernanda com um sorriso no rosto, voltando a conversar com o seu marido.

Fernanda e Guilherme se olharam rapidamente, mas não foi algo que durou muito pois o pai de Fernanda começou a questionar os dois como andava os estudos. O que se tornou uma conversa agradável. Já que não era a primeira vez que Guilherme frequentava sua casa. E seus pais gostavam muito dele.

— Terminei! — dizia Fernanda se levantando após terminar o seu lanche.

— Então vamos? — dizia Guilherme se levantando também para irem à escola juntos.

— Vocês querem uma carona? — o pai de Fernanda perguntou para ambos, mas com um semblante que denunciava que ele queria que eles negassem o convite.

— Não, muito obrigada! — respondeu Fernanda sorrindo com a atitude do seu pai, que sorriu em resposta. — Tchau pai! Tchau mãe! — dizia indo em direção a porta junto com Guilherme.

— Obrigado pelo café da manhã. Tenham um bom dia! — Guilherme os agradecia com um sorriso no rosto seguindo Fernanda até a porta.

Os dois se olhando e sorrindo de forma nada secreta. Quando estavam um pouco afastados da casa de ambos. Guilherme entrelaçou os seus dedos com os de Fernanda, que aceitou de bom grado. Nenhum dos dois dizendo nada. Apenas aproveitando a situação.

O que foi por uns momentos quando Fernanda se lembrou que tinha esquecido o celular em casa.

— Droga! — apenas expressou com raiva parando de andar.

— O que foi? — Guilherme a questionou parando de andar também.

— Esqueci o meu celular em casa. — ela disse ponderando se valia a pena voltar em casa apenas para pegar o celular.

— Você esqueceu dele desde cedo, porque te enviei uma mensagem e te liguei e só dava caixa postal — ele disse sorrindo — Por isso fui na sua porta te chamar.

— E se eu estivesse apenas te ignorando? — ela o provocou.

— Então eu apenas iria para escola sozinho — ele disse com um semblante triste com tal possibilidade.

— E não iria me questionar por estar te ignorando do nada? — ela disse se aproximando mais dele.

— Eu não! — ele disse se aproximando dela também.

— Parece até que não se importa — disse baixinho, agora com o rosto quase perto o suficiente dele.

— Eu me importo, e muito! — Guilherme disse beijando-a logo em seguida. Um beijo que durou muito tempo.

Um beijo que estava sendo visto por alguém que não conseguia acreditar no que os seus olhos estavam enxergando.

Com o celular ainda em mãos, mostrando que estava ligando para sua melhor amiga. Amiga essa que ela amava profundamente, e que estava naquele momento beijando o seu ex-namorado. Alguém que tinha terminado no dia anterior.

Não conseguindo acreditar. Apenas começou a chorar, saindo correndo em direção a sua casa. Mas parando no meio do caminho, quando se lembrou que tinha acabado de contar para sua mãe que estava bem. E não podia voltar para casa naquele estado.

Mas também não poderia ir para escola daquele jeito, optando por voltar para casa.

Chorando e estando muito confusa. Sua mãe tomou um susto quando ela entrou dentro de casa com lágrimas nos olhos, correndo em direção ao seu quarto.

— O que houve, Clarice? — sua mãe a questionava.

— Mãe!! — Clarice não conseguia responder sem soluçar e chorar.

— Me conta, o que aconteceu? — sua mãe dizia a abraçando fortemente.

— Eu vi a Fernanda e o Guilherme juntos.. — ela dizia chorando — Estavam se beijando e se abraçando na rua.

— Minha filha.. — sua mãe ficou sem reação com o que ouviu e não sabia o que lhe dizer, apenas a abraçou mais forte.

Um momento que durou por um longo tempo.