Clamor
2 Intempérie
Notas iniciais
Draco já não conseguia reconhecer a imagem que o encarava do espelho a sua frente, a imagem escondida de todos sob camadas de Glamour... A pele macilenta e as olheiras profundas... uma versão miserável de si. De quem um dia ele foi, o garoto estúpido que acreditou que o mundo estaria aos seus pés, mas agora via-se de joelhos no chão imundo, o rosto sujo pela mistura de lágrimas e poeira, a garganta ardendo pelo esforço do vômito que deixava sua boca com um gosto azedo.
Apesar da distância, ainda conseguia escutar com clareza a sinfonia de gritos e a risada maníaca de sua tia. Não os gritos do garoto trouxa que o fizeram amaldiçoar.
“Nos mostre o que pode fazer, Draquinho”, sua tia cantarolava, tão loucamente como apenas Bellatrix Lestrange conseguia.
Ele não conseguiu lançar um Avada.
Ela o puniu por sua incompetência... e também puniu seus pais.
Mas logo depois ela os deixava sozinhos, presos na dor, nos tremores incontroláveis.
Era nesse momento que Draco se arrastava pelo chão e expulsava de seu corpo todo peso que sentia concentrar-se em seu estômago. E sua mente tentava encontrar forças para confiar na promessa de seu pai... No final, eles sobreviveriam.
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