Clãs Sombrios: o Despertar de Piedoso
2 Escola Perigosa
Finalmente! Depois de quatro meses de férias, iria voltar à escola durante o dia, o que seria impossível se eu não tivesse meu cordão de prata especial. Ainda bem que estava na moda usar cordão de prata. Então, ninguém estranharia me ver usando um, porém eu odiava o uniforme da escola: uma camisa branca, calça jeans e tênis. Que coisa mais sem-graça. Odiava, apesar de combinar com meus cabelos que eram da mesma cor meus olhos humanos. Era meu último ano na escola e quase não ia para lá, porém algo naquele lugar me animava. Então continuei a freqüentar, mesmo após de transformado.
* * * * *
Entrando na sala, segui para o meu lugar, a última carteira da última fileira, perto de meus amigos: à minha frente ficava a Thaty, uma garota baixinha, gordinha e japonesa, tinha longos cabelos escuros, com olhos da mesma cor que os cabelos. Desde que estudava naquela escola até aquele dia a cadeira ao meu lado era vazia. Ao lado de Thaty, sentava o Pequeno. Ele era um garoto baixinho e branco, descendente de alemão, porém tinha olhos e cabelos castanho-escuros. Na frente dele, sentava o K, um garoto de estatura média e encorpado, cabelos curtos e encaracolados, que dava destaque aos cabelos levantados, graças à magia do gel, do Pequeno. Do lado de K sentava Luke. Era da altura de K, porém mais magro. Seus cabelos eram curtos como os de K, mas eram lisos.
Eles estavam conversando, como sempre. Eu segui para o meu lugar e sentei-me. Estava muito cansado, pois o dia sempre drenava minhas energias. Logo o professor entrou na sala e disse em alto e bom tom:
- Ramon, nem pense em dormir na minha aula!
Como eu odiava aquele professor! Acho que nem sei o nome dele. Sei que é alguma coisa com F, eu acho. Também odiava o fato de ele me chamar pelo verdadeiro nome Algum dia, eu irei te matar. Algum dia. Espere, seu merda! Far-te-ei chorar como um bebê! – pensei comigo mesmo puto da vida com ele.
Todos se sentaram e o professor anunciou:
- Hoje, teremos uma nova aluna. Por favor, entre, Roberta.
Ela era linda. Tinha cabelos longos e tingidos de vermelho, olhos castanhos. Era baixinha, com uma pele branca como a neve e o corpo escultural. O professor falou para ela sentar atrás do Pequeno e ela andou até seu lugar designado. Cada passo dela era tão gracioso como um passo de dança. No fundo, senti medo, pois senti que algo nela era perigoso, algo que não compreendi no início.
- Sedutora demais – disse para mim mesmo.
- Obrigada – estava tão perdido em meus pensamentos que nem vi ela parar ao meu lado.
Sua voz era doce, aveludada. Ela devia me achar um babaca!
Sentou-se e a aula transcorreu sem nada de diferente. Dormi e fui retirado de sala, o que é normal. Quando chegou a hora do intervalo, fui para um canto separado do resto da multidão e, por surpresa, Roberta estava lá. Aproximei-me, juntando o máximo de coragem que podia naquele curto período de tempo para falar com ela, nunca havia me sentido tão nervoso na vida.
- Oi... Roberta, não é? Nossa! É seu nome verdadeiro?
Que pergunta mais idiota eu fiz! E, para completar, gaguejei. Poxa! Nunca tinha feito isso antes. Ela simplesmente deu uma leve risada, colocou o dedo indicador na frente da boca em sinal de segredo e piscou para mim.
- Aham. Só não espalha
Minha cabeça girou. Não entendi aquilo e nem tive tempo para isso, pois o Pequeno chegou dando uma tapa nas minhas costas e começou a falar com ela, tentando dar em cima dela. Nessa mesma hora, a Thaty também chegou e juntou-se à conversa. Ela tinha ficado tão popular tão rápido e todos queriam ficar com ela. Bem, pelo que percebi, todos literalmente.
A escola era integral, com dormitórios. Então, tirando alguns ricos que podiam “andar” até lá, tínhamos de dormir lá durante o período de aulas. Só voltaria para casa agora nas próximas férias ou em algum feriado. Estava de noite e, depois de um dia todo tendo que aguentar as aulas e todos dando em cima da aluna nova, precisava, definitivamente, me alimentar. Andei pelos dormitórios, procurando por algum aluno. Lá não havia muitas opções. Às vezes tinha que me alimentar de “comida de pobre”, o que eu odiava. O gosto de gordura de fast-food era horrível. Vi uma garota da minha sala andando em direção ao dormitório masculino, a Aline. Ela devia estar indo se encontrar com alguém para “se divertir”.
- Oi – disse, aparecendo atrás dela, graças à minha supervelocidade.
Ela virou-se assustada. Devia ter pensado que eu era algum monitor ou algo do tipo. Não estava com tempo para tentar seduzi-la, por isso tive de usar meu poder de hipnotismo – os poderes, diferente dos dons, podem ser desenvolvidos por qualquer vampiro. Ainda bem que a mente dela era fraca, apesar de ela ser inteligente. Ela era branca, meio alta para uma garota, cabelos pretos e olhos castanho-escuros.
Ela apagou e tive que carregá-la até um lugar da escola coberto de mato, onde ninguém poderia nos ver. Ela esta abrindo os olhos quando, sem cerimônia, mordi o pescoço dela. Não era um dos melhores, mas também não era ruim. Ela soltava alguns gemidos de prazer e esfregava-se em meu corpo, como se tentasse fundir-se a mim. Pequeno detalhe: quando um vampiro suga o sangue de um humano, ele pode perceber o estado físico e mental da vítima, ler os pensamentos mais expostos e causar uma sensação de prazer neles. Era como fazer sexo, o que acontecia muitas vezes, porém não estava com tempo para isso, sem falar que ela não fazia o meu tipo.
Fui interrompido por uma sensação de ser observado. Quando virei-me para ver, não havia ninguém, mas o risco agora era maior. Estávamos lá há muito tempo e a camisola que ela usava já estava quase fora dela. Fechei o ferimento com meu dom, apesar de poder fechá-lo com um beijo de vampiro, que tem o efeito de fechar a ferida causada pela mordida, apagando os nossos rastros e aparentando um simples chupão.
Usando os poderes de vampiro básicos, movimentei-me rapidamente, levando-a em meus braços, pulando até seu quarto, no quinto andar do dormitório feminino, e coloquei-a sobre a cama. Ela acharia que tudo não passou de um sonho. Sua colega de quarto, que eu não conhecia, também estava apagada. Pensei em mordê-la também, mas, novamente, senti que alguém estava me observando. Então, saí de lá o mais rápido possível.
Ainda bem que para criar um inferior um vampiro deve dar seu sangue para o humano atacado. Caso contrário, seria muito chato poder alimentar-se apenas uma vez deles, e uma vez mordidos, os humanos ficam marcados, podendo rastreá-los a qualquer lugar que forem. Se eles morrerem em menos de vinte e quatro horas após a mordida e não terem recebido sangue de vampiro, eles viram ghrous, monstros muito inferiores, piores que os zumbis. Porém, para que eles não se transformem, a parte humana deve morrer completamente. O jeito mais fácil é quebrando o pescoço dele, fazendo-os se reconstruírem facilmente com a maldição dos vampiros. Quando isso acontecesse, ele seria um vampiro ou um ghrou. Caso passasse muito tempo após o recebimento do sangue, um mês em média, ele voltaria a ser um humano normal, porque, uma vez que ele receba o sangue dos vampiros, ele começa a mudar. Caso não morra, ele volta ao normal.
Quando estava voltando, ouvi um barulho com a audição aguçada dos vampiros. Pareciam pequenos gritos, misturados com gemidos. Fui até eles e deparei-me com algo, no mínimo, interessante: era Roberta. Ela estava alimentando-se de um garoto. Provavelmente ele era o cara com quem Aline iria se encontrar. Os dois estavam, bem, jogando Pacman, se é que me entende, ferozmente e os olhos de Roberta brilhavam num tom de vermelho iguais aos meus. Nesse tempo, ela já havia me percebido, mas não se importou. Em seu pulso esquerdo, sua marca negra mostrava uma serpente. Ela era um membro do clã das serpentes, ou seja, uma feiticeira vampira.
Ela só o soltou quando ele estava pálido, à beira da morte e corri até lá. Precisava fazer algo à respeito. Ajoelhei-me na tentativa de sentir seu pulso.
- Desista! Ele vai morrer – disse ela parada, olhando-me de pé e a alguns passos de distância.
- Se não dermos sangue a ele, será muito pior, pois ele vai virar um ghrou e isso é muito perigoso...
- Se é esse o problema, eu resolvo rapidamente – Aproximou-se e colocou a mão sobre seu peito, invocando seu dom e fazendo o corpo queimar por completo. O que restou foram apenas cinzas em minhas mãos – Problema resolvido! – disse alegre.
- Quem és tu e como podes ser tão cruel?
- Sou Sedutora, do clã das serpentes, mas isso tu já deves ter notado. Cruel? Fui piedosa em poupar-lhe a vida do sofrimento de ser um ghrou!
Tive de me acalmar. O pior era que ela estava certa.
- Por que estás aqui? Gloriosa a mandou?
- Até parece! Aquela vadiazinha desgraçada! Só porque é uma primordial, se acha melhor que nós, os puros.
- Ok, não foi ela. Mas, então, por que está numa escola humana? Vampiros odeiam lugares assim!
- Tem razão. Realmente, aqui é repugnante, mas existe alguma força mística por aqui e vim averiguar.
- Hum... Talvez seja K ou Luke...
- Não. Eles têm auras sagradas, porém não é o motivo de minha presença. É algo maligno, perverso.
- Boa sorte na procura. Apenas peço que não crie confusão aqui. Este é meu território.
- De acordo. Não discutirei com um inferior jovem e ainda ligado à vida humana.
- Como você...
Nem deu tempo de falar. Virou-se e foi embora. Só então percebi que ela ainda não havia colocado roupas. Estava tão distraído com o cheiro de sangue e de carne queimada que nem notei esse detalhe tão pequeno, ou nem tão pequeno assim, pois tanto traseiro quanto frontal, eram bem avantajados. Ela daria uma ótima cria.
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