- Eu já disse que você esta enganado. – o moreno exclamou nervoso.

- Eu não acredito. Eu vi como você estava se divertindo com aquela garota. – o menor gritava enfurecido.

- A gente só estava conversando. Hayato, por mais que eu esteja feliz que você tenha ciúme de mim, isso esta indo longe demais. – o moreno estava cansado daquela briga, no momento eles estavam na casa de Gokudera, esse tinha enlouquecido quando o viu conversando com uma aluna nova.

- Eu tenho cara de estúpido? O idiota aqui é você e aquela estúpida garota, não tente me fazer passar papel de bobo Yamamoto, ou eu vou explodi-lo. – o rapaz de cabelo prateado falava o que vinha na cabeça, o bolo que se formou no estômago quando viu o moreno conversando com a novata ainda não desaparecera, ele não media mais suas palavras.

- Você não está pensando direito Hayato. Eu vou embora, quando você se acalmar a gente conversa. – o moreno via o descontrole do outro, por isso achou melhor ir embora para que o outro esfriasse a cabeça.

- Pare Yamamoto – o moreno não deu ouvido, pegou sua bolsa onde estava seu taco (que Reborn deu) e a katana, em forma de shinai já que não estava em suas mãos.

- Conversamos depois Hayato, tchau. – o maior tinha plena consciência que seu chaveiro, com a copia da chave do apartamento, ainda estava no bolso da calça, ele iria só andar por aí até achar seguro voltar, do jeito que as coisas estavam ele não duvidaria se Gokudera resolvesse explodi-lo.

- Ei. Eu disse para parar. – a voz morreu atrás da porta, Gokudera não iria atrás de Yamamoto, e o moreno sabia, mas também sabia que logo o braço direito do Jyuudaime se acalmaria e sua razão voltaria, mesmo assim, Yamamoto não pôde evitar sentir o medo que o invadia toda vez que brigava com seu amado, Gokudera era uma pessoa difícil de lhe dar, era orgulhoso e sempre tinha respostas ferinas para quase todas as situações, e apesar de amá-lo exatamente como era, Yamamoto gostaria que Gokudera não perdesse o controle por uma simples conversa.

Já fora do prédio onde se localizava o apartamento do Guardião da Tempestade, Yamamoto caminhou até o parque que tinha ali perto, decidiu ficar lá até ser seguro voltar, chegando ao parque encostou sua bolsa ao lado do balanço e sentou-se, era naquele momento que a insegurança tomava conta de Yamamoto, ele e Hayato começaram a namorar a alguns meses, é claro que com o temperamento explosivo do menor eles acabavam brigando, apesar de ser uma briga unilateral, a pior briga entre eles tinha sido a duas semanas quando uma garota resolveu se confessar para o moreno, mesmo ele tendo rejeitado, o menor começou uma briga, e depois de dois dias sendo evitado Yamamoto conseguiu pôr tudo em pratos limpos, mas parece que o menor não falou tudo o que tinha para falar ainda. Yamamoto soltou um longo suspiro.

- Ah, Yamamoto-senpai, o que faz aqui?

Levantando a cabeça o moreno viu a garota responsável pela explosão de Hayato. Yuuki era uma aluna transferida, entrara na escola naquele ano e era a nova tesoureira do clube de baisebal, e era justamente sobre isso que eles conversavam quando Gokudera os viu, naquele dia, mais cedo.

- Yuuki-san, o que faz aqui?

- Eu fui fazer umas compras, moro aqui perto. E o senpai?

- Ah, eu... Só estava andando por aí.

Ele via a sacola de supermercado com ela, e se achou estúpido por ter perguntado, estava com a cabeça nas nuvens. Yuuki era de fato uma garota muito bonita, seus cabelos eram longos, negros e encaracolados, seus olhos eram azuis como o céu e tinha um corpo atlético que chamaria a atenção de qualquer ser do sexo masculino, menos a dele.

- Senpai parece triste. Aconteceu algo?

O moreno a olhou espantado, a garota tinha uma expressão gentil no rosto enquanto sentava-se no balanço ao lado dele.

- Mais ou menos.

- O problema do senpai envolve outra pessoa não é? Não se preocupe eu não contarei nada a ninguém.

- Eu... Briguei com alguém muito importante para mim. – escolheu as palavras com cuidado.

- Imaginei que fosse algo parecido. E porque vocês brigaram?

- Por ciúme.

- Oh, o que aconteceu?

- Bem...

- Desculpe, essa foi uma pergunta indiscreta. Vocês já se resolveram?

- Não. – até ele percebia a tristeza em sua voz. – eu tentei, mas não me deu nem chance de explicar.

- Mas se vocês ainda não se resolveram porque você esta aqui ao invés de resolvendo o assunto?

- Eu achei melhor esperar até que nós dois esfriássemos a cabeça.

- Bom, é melhor que tomar uma decisão de cabeça quente, mas você não acha que já esta na hora de voltar?

- Não tenho certeza.

- Eu acho melhor você ir logo.

- Porque diz isso?

- Porque se fosse comigo, depois de me acalmar, eu ficaria como você. Insegura, com medo que acabasse tudo.

O rapaz ficou em silencio, ele não pensara nisso. Sempre que ele voltava Gokudera já estava mais calmo, mas e se depois de se acalmar ele também ficasse com medo? Será que Hayato ficava com medo que ele não voltasse assim como ele ficava com medo que Hayato não o aceitasse de volta? Em um pulo Yamamoto levantou-se do balanço e pegou sua bolsa.

- Eu tenho que ir, obrigada Yuuki-san, você abriu meus olhos.

- Bobagem, só se apresse e vá fazer as pazes com quem você ama.

- Sim, até outro dia Yuuki-san

- Até, senpai.

Depois de se despedir, Yamamoto se pôs a correr de volta para o apartamento de Gokudera, nem se importou com o peso da bolsa em seu ombro, ele resolveria tudo de uma vez. Sem paciência para esperar o elevador, correu para as escadas, subindo de dois em dois degraus, quando chegou ao terceiro andar estava ofegando, não tinha reduzido a velocidade da corrida em momento algum, tirando a chave do bolso Yamamoto abriu a porta devagar, entrando no apartamento ele percebeu que o namorado não estava na sala, trancou a porta e deixou sua bolsa no mesmo lugar que sempre colocava quando estava naquele apartamento, adentrou naquele lugar, já tão conhecido, viu de relance um relógio e percebeu que passara muito tempo fora, ouviu um barulho abafado vindo do quarto e dirigiu-se até lá, Gokudera estava lá, andando de um lado para o outro e quando o viu, pulou em cima dele, mas, para a surpresa de Yamamoto, não para esganá-lo e sim para abraçá-lo.

- Hayato... – surpreso o moreno não reagiu imediatamente.

- Cale a boca e me escute. – o menor escondeu o rosto na curva entre o pescoço e o ombro do outro, para que este não visse seu rosto completamente ruborizado. – preste atenção por que eu não vou repetir.

- Certo. – mesmo hesitante o maior obedeceu, prestando atenção no que o outro ia falar.

- Eu sinto muito. Eu agi como um estúpido, você não tem culpa se aquela garota se apaixonou por você, até porque eu aposto que ela não é a única. Eu agi ilogicamente ao ver você se dando bem com aquela garota mais cedo, foi estúpido e infantil, prometo não reagir mais assim, apesar de não poder prometer não ficar com ciúme. Porque eu te amo Takeshi.

Yamamoto ficou quieto, absolvendo o que acabara de ouvir. Era a primeira vez que Hayato dizia para ele com todas as letras que o amava. O que ele sentia nesse momento foi uma sensação indescritível, todo seu corpo reagiu à voz do rapaz e ao ouvir aquelas palavras que queria ouvir a tanto tempo uma corrente elétrica passou por seu corpo, segundos depois, ao mesmo tempo em que Hayato apertava ainda mais o abraço, Yamamoto passou seus braços pela cintura do namorado, um largo sorriso estava eu seu rosto.

- né, Hayato. Você não pode falar esse tipo de coisa e não esperar uma reação.

Sua voz não passou de um sussurro, mas todo o corpo de Gokudera reagiu àquela voz. Yamamoto não falou mais nada, sua boca estava ocupada distribuindo beijos pelo pescoço do rapaz em seus braços, um suspiro de deleite escapou pelos lábios do rapaz de cabelo prateado.

- Mas é exatamente uma reação que eu quero.

Afrouxando um pouco o abraço, Hayato acomodou seus braços por sobre o ombro de Takeshi, o beijando. O beijo foi intenso e durante o beijo eles se moveram em direção a cama, já deitados, com Takeshi sobre Hayato, eles se separam para respirar, o Guardião da Chuva aproximou-se mais, colando os corpos, levou sua boca ao ouvido do menor e deu uma leve mordida no lóbulo.

- Eu também te amo Hayato, e vou continuar amando mesmo daqui a dez ou vinte anos.

Notas finais
Aceito Reviews.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!