Notas iniciais
Olá, pessoinhas do meu coração. Quem é vivo sempre aparece, né meixmo? Sinto muito pelo chá de sumiço, mas acabou rolando uns problemas por aqui. Eu tinha todos os capítulos para finalizar Civil War nas notas do meu celular e alguns para começar Infinity War, mas acabei formatando meu celular e esqueci de salvar os capítulos. Acabou que depois disso eu fiquei com um bloqueio criativo e não consegui refazer os capítulos. Porém estou voltando aos poucos e posso deixar esse capítulo como pedido de desculpas. Boa leitura e não queiram comer meu fígado pela demora.

Eu tive um pesadelo horrível.

Sonhei que eu estava envolvida em mais uma explosão, mas dessa vez Wanda estava comigo e não conseguimos salvar todas as pessoas. O Governo decidiu tomar as rédeas das decisões dos Vingadores e isso gerou discussões entre os times.

No segundo seguinte eu estava no meio de outra explosão que, dessa vez, a culpa não era minha, mas, como das outras vezes, pessoas morreram. E então estávamos em um aeroporto na Alemanha lutando contra o grupo que ficou do lado do Governo — o que caralhos eu estava fazendo na Alemanha?

Com o tempo minha cabeça só ficava mais e mais confusa. O Soldado Invernal estava lá no meio de tudo junto com um cara que podia ficar gigante e outra que eu tinha certeza que já vi em algum lugar.

E a última coisa que eu me lembro foi do Rhodes despencando do céu.

Rhodey.

Minha cabeça começou a doer assim que abri os olhos com tudo. Eu teria levantado de supetão com o susto de ter o Rhodey caindo daquela altura toda, mas algo me impediu.

Aos poucos meus olhos foram se acostumando com a claridade e eu pude ter noção de onde eu estava.

Era um quarto com uma cama de solteiro presa na parede, um banquinho de metal no canto e um vaso sanitário de metal no outro canto do quarto. E então eu me dei conta de que aquilo não era um quarto e sim uma cela.

As grades grossas a minha frente só confirmava isso.

Não foi um pesadelo. Tudo aquilo aconteceu. Inclusive a queda de uns 15 mil pés do Coronel.

Respirei fundo tentando manter o controle.

Nada de demonstrar que você está completamente desesperada, Melinda. Mostre que mesmo presa, você ainda tem o controle de tudo.

Mesmo que isso seja uma grande mentira. Eu estou com medo de estar nesse buraco sozinha, por mais que eu queira que Sam e os outros tenham conseguido fugir.

Tentei usar meus braços para me sentar na cama, mas aí veio uma surpresa: eles estavam presos em uma camisa de força.

Será que estou em um manicômio? Se sim, seria mais fácil para escapar?

Fiz um esforço para me sentar sem usar as mãos e assim que consegui dei mais uma boa olhada no meu novo quarto.

Ele era deprimente

Poderiam ao menos ter jogado uma corzinha diferente desse branco e cinza.

Quando tentei olhar para meu corpo me veio outra surpresa: tinha um dispositivo no meu pescoço. É, o Governo não é tão idiota ao ponto de deixar uma Vingadora com seus poderes pelo visto.

Ergui minhas pernas, notando sapatos de pano nos meus pés. Fiz uma careta com essa coisa ridícula. Minhas botas são mil vezes melhor e mais estilosas que isso.

Fazendo mais um esforço eu levantei da cama, ficando em pé e quase caindo com meu peso. Céus, quanto tempo eu fiquei apagada?

Assim que minhas pernas se firmaram, caminhei até as grades só reparando agora que tinha um vidro me separando das grades. Franzi as sobrancelhas tentando entender como funcionava para alguém entrar na sala.

Balancei a cabeça, deixando para tentar achar uma brecha para fugir para depois, e tentei ver o máximo que podia.

Pelo visto eu estava em uma área de conjunto de celas para prisioneiros, porém as celas que eu podia ver estavam vazias. E claro, tinham câmeras para todos os lados.

Avistei a grande porta de aço que deveria ser automática e funcionar ou com um cartão ou com alguém que controlava o painel de controles da prisão. Ao lado da grande porta tinha uma placa com a letra L e o número 8.

Eu espero realmente que a letra não signifique a quantidade de andares desses lugar e o número a quantidade de alas.

Respirei fundo me preparando para falar pela primeira vez desde que acordei e checar se eu estava mesmo sozinha do Lado Sombrio da Força.

—Ado, ado, ado. Quem não falar é viado. — minha voz quase não saiu.

—Melinda? Você está bem? —

—Sammy? — minha voz falhou. Eu estava feliz por não estar ali sozinha, mas lá no fundo eu desejava que ele, junto com os outros, tivessem conseguido fugir com o Capitão e o Bucky.

—Oi, eu estou aqui. Está tudo bem, você não está sozinha. — sorri, pressionando os lábios logo em seguida.

—Eu estou bem. — respondi. — Só um pouco confusa com o que aconteceu depois que eu apaguei, mas estou bem. E os outros? — indaguei com receio.

Eu amo o Sam, mas realmente espero que só nós dois tenhamos sido pegos.

—E aí, Melinda. — fechei os olhos, praguejando em silêncio.

—Clint? —

—É, ruiva, estamos no mesmo barco. O Lang e a Wanda também estão aqui. —

—Droga. — resmunguei. — Onde estamos? —

—Em uma prisão de segurança máxima no meio do Oceano. — soltei uma risada nasalada com a resposta de Sam.

—Caralho. Realmente estão nos tratando como criminosos. Não vou negar que eu esperava que o Governo fosse legal ao ponto de nos deixar em prisão domiciliar. — suspirei. — O que aconteceu? —

—Do que você se lembra? — foi Scott que perguntou.

—De tudo. De Lagos, do Tratado, Viena, o aeroporto. Minha cabeça só fica confusa depois daquele barulho todo. Gente, foi tão alto que parecia que tinha uns 500 Thor com 500 Mjolnir martelando na minha cabeça. — expliquei.

—E não é para menos. — ouvi um suspiro de Sam. — Sua audição é tão sensível com barulhos muito altos que os seus tímpanos romperam, Melinda. Agradeça por ter um fator de cura realmente avançado ou nunca mais você ia conseguir ouvir nada. —

Eu fiquei calada por um tempo, processando a informação. E no fim aoenas respirei fundo e tentei afastar o pensamento de como seria minha vida se eu não pudesse ouvir nem um a de qualquer pessoa.

—É, nunca agradeci tanto meus poderes como hoje, mas e o Rhodey? Eu vi ele caindo. — falei. — E eu tentei evitar que ele caísse, eu juro que tentei, Sam, mas ele não tinha energia. Eu estava toda perdida ainda por causa do barulho, mas ainda sim eu levantei para criar um escudo ao redor dele e suspendê-lo no ar, mas eu aí apaguei. Por favor, gente, me digam que ele está bem. Me digam que o Tony, ou qualquer outra pessoa, conseguiu pegar ele ou que o Rhodey saiu daquela queda apenas com alguns arranhões. Por favor. — supliquei.

—Adoraríamos poder te dizer isso, Melinda. — Clint respondeu. — Mas a real é que não sabemos como ele está. —

—Como assim? Do que você está falando? —

—Ross nos negou qualquer informação sobre o estado do Rhodes. Disse que não devemos ter qualquer contato com o mundo exterior. — Sam explicou. — O pouco que eu sei é o que o Tony falou. Iam levar o Rhodes para o Departamento Médico de Columbia, mas isso já faz três dias e não nos disseram mais nada. —

—Espera. Três dias? Eu fiquei apagada por três dias? — questionei incrédula.

—Relaxa, Melinda, você não foi a única. — a voz de Scott se fez presente. E então eu entendi do que ele estava falando.

—Mano, você estava enorme. Foi uma distração realmente incrível. — falei, esquecendo o fato de que fiquei inconsciente por uns três dias inteiros e focando na parte legal. — Tem ideia do quão foda é fazer isso? Você pode diminuir e aumentar de tamanho! Deve ser massa poder fazer isso. —

—E é, ruim é só o cansaço que fica depois, mas algumas vezes vale a pena. Se eu tivesse um banquete a minha disposição, recuperaria minhas forças rapidinho. —

—Concordo. Eu mataria por uma pizza gigante de frango com catupiry e uma coca cola. — falei, soltando um suspiro. — Ross já desceu alguma vez para falar com os prisioneiros? —

—Só quando nos jogaram aqui. —

Dei alguns passos para trás, encarando a câmera.

—Sr. Bigodinho, poderia, por obséquio, dar um pulinho aqui? Acredito que precisamos bater um papo. — falei, finalizando com um sorriso.

—O que você está fazendo? — aquela era a voz da Wanda. Baixinha e visivelmente quebrada.

—Wanda, amor! — voltei a me aproximar do vidro. — Você está bem? Eles te machucaram? —

—Não, Melinda, eles não me machucaram. O que você estava fazendo? —

—Chamando o cara que manda aqui para conversar, ué. — dei de ombros.

—Desista. Ele não vai vir. — Clint falou.

—Ah, mas ele vai sim. Nem que eu tenha que ficar cantando Um Elefante Incomoda Muita Gente até ele pisar aqui, mas ele vem. — voltei a encarar a câmera. — Bora, Secrechato! Não vê que eu quero falar com vossa senhoria? É falta de educação deixar uma dama falando sozinha. A propósito, eu dei uma boa olhada no meu quarto e notei o vaso sanitário aqui e estou pensando que você deve ser muito burro ao achar que eu vou fazer minhas necessidades aqui com essa ruma de câmeras me espionando. Isso é invasão de privacidade. —

—Eles só virão se você tiver algo a oferecer, Melinda. — Scott falou. — Uma troca de informações, por exemplo. —

—Credo, Smilinguido, você fala como se soubesse como funciona as coisas numa prisão. —

—É. — franzi as sobrancelhas.

—Você já foi preso, Scotty? —

—Em minha defesa, faz alguns anos, ok? — falou e eu sorri de leve. — E de certa forma não me arrependo. A VistaCorp estava roubando dos clientes e eu só devolvi o dinheiro deles. —

—Ah, meu Deus! Você foi o empregado que furtou a VistaCorp! — falei, o sorriso aumentando nos meus lábios. — Aquilo foi incrível, sabia? Poucas pessoas teriam coragem de fazer o que você fez. E a justiça dos EUA é uma merda por ter prendido você. —

—Segundo eles, eu devia ter denunciado invés de resolver por mim mesmo. — falou. — E obrigado por falar que foi um furto, todo mundo associa como roubo, mas... —

—Roubo envolve ameaça. Relaxa, eu sei as regras básicas da língua. —

—É bom saber que você está se adaptando bem com seus colegas de cela. — a voz de Ross se fez presente e só então me dei conta que ele estava no espaço vazio que as celas circundava.

—Você é tão covarde que não consegue vir aqui desacompanhado? — falei, observando os três agentes atrás dele com cacetetes. — Cara, nós estamos presos. O que acha que faríamos? Usaríamos nossos poderes de telecinese para te enforcar com a gravata? A propósito, obrigada pelo colar novo, acredito que ele combina com um vestido novo que comprei semana passada. — sorri.

—Aposto que a primeira coisa que tentou fazer foi usar seus poderes para fugir daqui. —

—Diferente de você, eu sou inteligente, querido. Sei que vocês jamais me deixariam com meus poderes. A primeira coisa que eu fiz foi olhar meus sapatos. Sinceramente, Ross, não tinha uns melhorzinho não? Isso daqui não combina comigo. —

—Diferente do que você está acostumada em toda sua vida, aqui não terá as coisas de bandeja. Como seu colega de cela falou... —

—Scott, o nome dele é Scott. Comece a nos tratar pelo nome, Sr. Bigodinho. Não queira bancar o superior aqui. —

—Onde o Capitão está, Melinda? — arqueei a sobrancelha. — Se nos disser onde o Capitão está, nós tiramos a camisa de força. —

—Dizer a localização do Capitão só para ficar com meus braços livres? Não, eu quero mais. —

—Seus braços ficam livres e você terá permissão para ir a um banheiro reservado algemada e acompanhada de 10 agentes. — sorri.

—Qual é, senhor Secretário. Você pode fazer melhor do que isso. —

—Por que não diz logo que quer ser solta? Isso é o que eu posso oferecer no momento, Hunters. — revirei os olhos.

—Eu sei que você não trocaria a minha liberdade por uma possível localização do Capitão, porém, senhor Secretário, você está me pedindo para trair um companheiro de equipe e eu não vou fazer isso só por um passe livre para um banheiro reservado. Se quer que eu traia eles, precisa me dar algo que realmente valha a pena uma traição. Todos sabemos que ninguém gosta de X9. —

—Melinda, o que você está fazendo? — ignorei a pergunta do Falcão, não desviando meus olhos do cara do bigode ridículo.

—E então? — sorri.

—Você nos dar a localização do Capitão Rogers e se for verdade, você poderá fazer uma visita semestral para sua família. —

Meu sorriso se desmanchou.

—Não está falando sério. —

—Não, Melinda, ele não está! Acha mesmo que esse cara vai deixar você visitar sua família sem nenhum problema? —

—Sim, criança, eu estou falando sério, mas saiba que isso só será possível se a localização do Rogers estiver correta. — Ross falou, fazendo-me dar as costas para ele e ir para o meio da minha cela, ponderando.

—Você me dá a sua palavra? E que nessas visitas o Tyler estará presente? —

Samuel começou a aumentar o tom de voz, falando repetidamente para não dar ouvidos a Ross, que eu não poderia trair eles desse jeito.

—Sim, Melinda, você tem a minha palavra de que as visitas acontecerão e com o Sr. Pierce presente. — o tom de voz do Ross era suave, diferente de quando entrou aqui. — Você só precisa me dar a localização do Capitão Rogers. —

Soltei um suspiro alto suficiente para ele escutar e então virei na direção dele novamente, me aproximando.

—Antes da briga no aeroporto nós estudamos estratégias e possíveis locais de encontro para caso alguma coisa desse errado. Tem alguns aqui nos EUA. O mais próximo fica próximo a New York para facilitar nossa ida, mas o Steve não é tão burro ao ponto de ir para esse esconderijo. — falei. — Então, o ponto de encontro mais provável para ele estar é o que fica em Los Angeles, Califórnia. —

—E em qual parte de Los Angeles o esconderijo fica? —

—Onde você acha que fica? DOA Recording Studios. — as sobrancelhas franzidas de Ross demonstrando total confusão me fizeram rir, mas eu engoli a risada e manti minha expressão neutra.

—Como? —

—DOA Recording Studios, é a principal entrada do Submundo. — expliquei, mas isso só fez ele ficar mais confuso ainda. Suspirei. — Ah, meu pai. Como você é burro. Em outras palavras, a DOA Recording Studios é a principal entrada para o Inferno. —

A cara do Ross ficou mais engraçada ainda.

Seu rosto ficou vermelho de raiva e notei seus punhos cerrando enquanto eu ria que nem uma louca.

—Você realmente só pode ser um completo idiota. Acha mesmo que eu iria trair o Capitão só por uma visita semestral a minha família quando eu sei que jamais aconteceria? Pelo amor da Rihanna! Assim você ofende a Natasha e todo treinamento que ela fez comigo. —

—Você acha que está no controle de tudo, não é, Valente? Pois saiba que quem está no controle sou eu. É você e seus amigos quem estão trancados em uma cela em uma prisão de segurança no meio do Oceano. E logo o Capitão Rogers e a Romanoff estarão aqui, dividindo o espaço com vocês. —

Evitei que minhas sobrancelhas se franzissem diante daquela informação. Como assim o Capitão Rogers e a Romanoff? O que a Natasha fez para estar na mira do Governo?

Ross continuava falando sobre como ele estava no controle de tudo enquanto eu matutava sobre o que Nat teria feito. Até que algo que o bigodinho falou chamou minha atenção.

—O que? — murmurei. — Do que você me chamou? —

—O que? Não foi com esse nome que você assinou o Tratado? Mérida Walker. — ele pareceu se deliciar ao falar meu antigo nome e ver que aquilo me abalou um pouco.

Eu não tinha chegado nessa parte do treinamento com a Natasha. Não tínhamos visitado meu passado então eu não faço a mínima ideia de como não deixar as baboseiras que as pessoas falam sobre aquele bendito dia me afetarem.

—Agora sabe o que eu acho engraçado? Você, só nesta semana, esteve envolvida em duas explosões. Sim, a culpa não foi sua, mas, ainda sim, eu acho curioso o fato de que nessas duas explosões você não conseguiu salvar todo mundo. — manti o olhar firme no dele. — Eu lembro do dia que fui apresentar o Tratado para os Vingadores e você contou que queimou a mão tentando provar que poderia sim salvar aquelas pessoas. —

—E? Grande merda tudo isso que você falou. Não é nada que eu não saiba. — rebati.

—O que eu acho que você não sabe, Mérida, é que você não estava só tentando provar para si mesma que podia ter salvado aquelas pessoas, mas que se você poderia salvar elas, poderia também salvar o seu pai, não é? —

Meu olhar vacilou por um segundo.

—Ah, sim. Richard Walker, um renomado e brilhante cientista que morreu tão precocemente. Chega a ser irônico que ele, um homem que mexia diretamente com o reator que explodiu, tenha morrido com a grande explosão de energia e você, uma frágil garotinha de seis anos que estava no laboratório naquele dia meramente por acaso, tenha absorvido toda a energia do reator quando o mesmo explodiu. — falou firme, dando um passo a frente e ficando mais perto das grades. Suas mãos estavam atrás do corpo e a postura ereta dele me dava nos nervos. — Eu adoraria saber o que você tinha de tão especial para ser a única sobrevivente daquela fatídica explosão. — e lá estava o sorriso cínico sendo escondido por aquele bigode ridículo.

—Você não tem ideia das merdas que está falando. — disse, sentindo minha voz falhar.

—Não? Eu acredito, Mérida, que tem algo que você não nos contou naquela coletiva de imprensa ano passado. Algo sobre você e aposto que tem a ver com o motivo de você ter sido a única a sobreviver naquele dia. —

Minha respiração levemente estava ofegante, minha cabeça estava começando a doer e algo no meu peito queimava. E então, no segundo seguinte, as luzes da área onde estávamos apagaram e acenderam rápido.

Olhei para o teto, confusa.

—O que foi isso? —

—Senhor, alguma coisa impulsionou a rápida queda na energia. —

Voltei o olhar para Ross que tinha a mão no rádio que estava em seu ouvido, claramente se comunicando com alguém do painel de controles.

O dispositivo no meu pescoço não deveria impedir que eu pudesse ouvir coisas que pessoas normais não conseguiriam ouvir?

O olhar de Ross voltou para mim.

—Foi ela. —

—Como é? — murmurei confusa.

—O dispositivo não está inibindo os poderes dela, está servindo como uma fonte de energia. —

Minhas sobrancelhas franziram enquanto eu tentava checar se o que Ross disse procedia. Foi aí que eu entendi porque meu peito queimava.

Meus poderes estavam ali prontinhos para serem usados.

Voltei a encarar o Secretário quando ouvi ele falar algo sobre 500mg de sedativo.

O pânico se fez presente só de pensar naquele cara enfiando uma agulha no meu braço. Ou pior, no meu pescoço!

No entanto, ao invés de um dos agentes saírem para pegar o sedativo ou algum outro agente entrar com uma seringa, algo dentro da minha cela fez liberar uma fumaça branca.

Entendendo agora o motivo do vidro antes das grades, fiz meus poderes se direcionarem para minhas mãos enquanto fingia que o sedativo estava funcionando.

Senti minhas mãos esquentarem consideravelmente e cai de joelhos, começando a fazer força para me soltar das amarras. Eu estava sentindo a camisa de força ficar mais folgada e quando eu finalmente consegui me soltar, a cela já estava toda preenchida pela fumaça.

Com os olhos brilhando, levantei e caminhei até a grande janela de vidro erguendo minha mão em direção ao painel de controles da cela.

E manipulando a energia do mesmo, fiz a cela se abrir.

—Mas o que, o que está acontecendo? — o bigodinho questionou confuso.

—Senhor, a cela dela abriu. Cuidado. — o carinha do rádio alertou, mas não adiantou muito.

Sabendo exatamente onde Ross estava graças aos meus olhos brilhando, meti um soco no meio do seu rosto, levando-o ao chão.

—Ela me acertou! Peguem-na! — Ross gritou, se afastando ainda no chão e com a mão no nariz que sangrava.

Sorri, vendo os três agentes partirem para cima.

Acertei a garganta do primeiro agente com a mão, fazendo-o recuar com a mão na mesma e logo depois o acertei com o chute, o mandando para o chão.

O segundo tentou me acertar com o cacetete, mas bloqueei o ataque com meu antebraço, acertando uma joelhada no estômago dele e assim que ele se curvou outra joelhada, só que dessa vez no rosto.

O terceiro era um pouco maior que os outros dois. E sendo mais rápida que com os outros, eu chutei seu joelho, dando um soco no rosto dele quando ele curvou um pouco para frente e então eu dei um pulo, girando a acertando um chute no meio dos seus peitos.

Parei em pé com os punhos erguidos enquanto o terceiro agente caía.

Sorri, vendo o olhar incrédulo de Ross.

Levei minha mão até o dispositivo, absorvendo a energia dele até o mesmo desligar, o tirando do meu pescoço logo em seguida.

—Essa é a parte que você corre. — disse, jogando a coleira no chão.

A porta se abriu e mais agentes apareceram, dessa vez armados, mas suas armas eram não letais.

Fiz um escudo surgir na porta, não os deixando passar e ergui minha mão na direção do painel de controles da cela de Sam, fazendo ela se abrir.

—Eu não acredito que você achou que eu ia dedurar o Capitão. — falei, direcionando minha mão para a cela de Clint. — E eu nem sei o porquê do chilique porque nós não montamos possíveis estratégias para fugas. —

—Vai que vocês tivessem tramado isso juntos. Tudo bem? — falou se aproximando.

—Estou ótima. Agora vamos libertar nossos amiguinhos. — sorri.

Porém, antes que eu pudesse abrir a cela de Clint um barulho alto começou.

Cambaleei, mas ainda manti o escudo na porta.

—De onde está vindo isso? — gritei, olhando ao redor desesperada.

Eu precisava fazer aquilo parar ou o pequeno plano de fuga improvisado iria por algo abaixo.

—Parece que está vindo de todos os cantos. — Sam me encarou. — Melinda, precisa parar. —

—Eu não posso. — gritei, erguendo minha outra mão na direção da porta. O escudo estava quase se desfazendo. — Preciso tirar a gente daqui! — meus joelhos cederam.

Senti Sam se ajoelhar ao meu lado, segurando meus braços de leve.

—O que mais queremos além da nossa liberdade, é que você não morra tentando nos salvar. Precisa parar. —

—Sammy, eu não posso... — senti as lágrimas começarem a cair.

O barulho estava ficando cada vez mais alto.

—Melinda, seu ouvido já está sangrando por causa do barulho e seu nariz por causa do esforço. Desfaz o escudo agora! — Wanda gritou da sua cela.

E antes que eu pudesse pensar no que fazer, o filha da puta que controlava aquele barulho desgraçado aumentou o volume me obrigando a tampar meus ouvidos enquanto gritava gradativamente.

Senti Sam me abraçar e sua mão cobrir a minha sobre meu ouvido enquanto ele gritava mandando Ross parar com todo esse barulho.

Mas o barulho não parou.

Ele continuou até meus olhos se fecharem e eu apagar.

Notas finais
Então? Gostaram? Não gostaram? Comentem! Peço desculpas novamente e digo que farei o possível pra não ficar mais de meses sem postar um capítulo novo. Para finalizar Civil War faltam mais um capítulo e o epílogo, e então logo depois entramos de cabeça em Infinity War. Espero que vocês não tenham me abandonado e que comentem o capítulo pois me faria feliz. Desculpa de novo pela demora e bon revoar!