Civil War
2 Porão
Notas iniciais
—Melinda! Será que dá para você sair desse quarto? – Michelle bateu na porta do meu quarto pela quinta vez. – É comum a noiva se atrasar e não a madrinha. Melinda! –
—Já estou saindo! – gritei olhando ao redor do quarto. – Mas que merda. – praguejei. – Já chegaram todos? Os Vingadores, eu quero dizer. – caminhei até meu guarda-roupa.
Onde diabos eu guardei a maldita caixa com a surpresa do Adam?
—Sim. Acabaram de chegar. Até a Chris já está pronta, Melinda. Pelo amor de Deus! –
—Como assim até a Chris já está pronta? Aquela vaca se arrumou sem mim? – questionei incrédula, deixando de procurar a caixa.
—Ela falou que queria se arrumar sozinha. E mesmo que ela não quisesse, ela ainda se arrumaria sem você já que nem sair do seu quarto você saiu ainda. – revirei os olhos.
—Relaxe, dona Michelle. Ainda temos uma hora e meia. – respondi, voltando a olhar ao redor do quarto.
—Uma hora e meia para chegar em Dallas! Você tem menos de cinco minutos ou eu... –
—Achei!— gritei correndo até o outro lado do quarto e pegando a caixa que estava no chão, debaixo da poltrona.
Eu havia esquecido que tinha escondido ali longe dos olhos e mãos do Will.
Parei em frente ao espelho, observando-me pela última vez.
Meu "vestido" de madrinha — que eu mesma escolhi porque não curti muito a escolha de Chris — era preto e, na verdade, era um conjunto.(1)
Um cropped com um decote um tanto generoso e com um tecido transparente cobrindo um pouco os seios e uma saia longa cintura alta com uma fenda na perna direita que ia até minha coxa.
Nos meus pés tinha um par de salto alto fino também preto com tiras que iam até meu tornozelo. No cabelo, apenas fiz um penteado simples que consistia em metade do cabelo preso.
Peguei minha bolsa de mão e fui até a porta, abrindo-a e encarando uma Michelle nenhum pouco feliz com meu atraso.
—Eu sai em menos de dois minutos. – beijei a bochecha dela. – E a noiva traíra? Está lá em baixo? –
—Ainda está no quarto do Adam. Ela quer falar com você. Amélia e Bianca estão com ela dando os últimos retoques. –
—Espera. Ela disse que queria se arrumar sozinha, mas está deixando a Bianca e a Amy ajudá-la com os últimos detalhes? – questionei. – E ela não me chamou? –
—Melinda, apenas vá até a Christina e escute o que ela tem para falar a você. – Michelle inspirou profundamente. – Apenas seja rápida. Por favor. – revirei os olhos.
—Ok, ok. – virei o corredor a esquerda e parei em frente ao quarto do Adam, batendo na porta. – Chris, bebê. Sou eu. E olha que eu estou muito puta por saber que você já se arrumou e nem me chamou para te ajudar. Que raios de amiga é essa, hein? –
A porta foi aberta, mas não era Chris. Era Bianca, a prima dela e, consequentemente, a madrinha. Eca.
—Talvez porque você estava mais preocupada em se arrumar e... que vestido é esse? O vestido das madrinhas não é esse. – sorri.
—Acha mesmo que eu iria usar um vestido igual o seu? Ah, me poupe. – empurrei ela para o lado, entrando no quarto e deixando a caixa com a surpresa do Adam e minha bolsa em cima da cômoda. – Christina, acho bom você ter uma boa explicação por ter me excluído de um momento tão importante quanto esse... ei. Não foi esse vestido que você escolheu. – franzi as sobrancelhas, encarando a noiva.
—Não, não foi. – concordou sorrindo.
—Então porque diabos você... espera. Esse modelo não me é estranho. – me aproximei dela. – Foi outro vestido que você experimentou? –
O sorriso de Chris se escancarou mais ainda. Ela pegou um papel que estava sobre a cama e estendeu na minha direção.
O peguei, olhando-o. Franzi as sobrancelhas, momentaneamente.
Então, meus olhos se arregalaram.
—Ei! Eu desenhei esse vestido!(2) — falei, erguendo o olhar para a mulher na minha frente. – Quando nós éramos crianças. Você estava me contando como seria seu casamento dos sonhos e então me pediu para desenhar alguns modelos de vestidos já que eu desenhava muito bem. –
—E quando você terminou, quase três semanas depois, me mostrou e eu falei que iria guardar para usá-lo no meu casamento. – Christina completou.
Olhei do modelo do vestido no papel para o vestido no corpo de Chris. Estavam idênticos.
As mangas compridas de seda transparente, a renda nos ombros, nas costas e no busto, o decote, a cintura marcada, a saia solta que continha um bordado na barra e que arrastava no chão.
—Chris, eu... – tentei falar algo, erguendo o olhar para Christina.
—Você disse que eu não deixei você me ajudar a me arrumar. Foi porque eu quis fazer uma surpresa. – explicou, sorrindo. – Eu provei sim outro vestido com você, para que não soubesse de nada até o dia do casamento. –
—Você conseguiu me enganar direitinho, hein. – pressionei os lábios. Eu estava tentando segurar as lágrimas. – Eu não achei que você usaria ele. –
—E desperdiçar todo seu talento? Nunca. – soltei uma risada. – Sei que eu privei você de participar de um momento importante na nossa amizade, mas você ainda pode me ajudar a finalizar seu grande trabalho. Então, – ela pegou algo sobre a cama. – poderia fazer as honras? –
Assenti, pegando as luvas das mãos dela e colocando-as.
Sorri ao ver que eram as luvas que eu também tinha desenhado.
Eram de renda, iam até os cotovelos e ficavam presas no dedo médio. Uma gracinha.
—Pronto. – segurei as mãos dela. – Você está linda. – sorri.
—Você também está. – ela retribuiu o sorriso. – Amei seus brincos de Pokébolas. Tem haver com aquela promessa que você e Adam fizeram, certo? –
—Exato. –
—Já retoquei minha maquiagem, então podemos ir. – ouvi a voz de Amélia vindo do banheiro e então ela apareceu.
Seu vestido vermelho escarlate a deixava mais linda ainda, um batom mais claro assim como a maquiagem e o cabelo preso em um coque com uma tiara de flores finalizando o penteado.
—Se eu fosse o Picolé, não deixaria você perto de mim por mais que dois segundos. – sorri com malícia.
—Você não perde uma, né, Lindinha? – Amy riu. – Vamos? Aposto que estamos atrasadas. –
—Culpa da Melinda. – Chris, Amélia e Bianca falaram juntas.
—Deviam ter ido na frente então. – cruzei os braços. – Eu posso voar. Podia muito bem ir sozinha e ainda chegar primeiro que vocês. –
—Isso se você não se perdesse no meio do caminho. – Amy retrucou.
Estirei a língua para ela.
—Certo. Vamos. –
Saímos do quarto de Adam depois que eu peguei a caixa e minha bolsa e Chris pegou o buquê.
Bianca desceu a escada primeiro.
—Sem nervosismo, ok, Christina? – ela assentiu, respirando fundo.
—Não me sinto confortável em ter que ir até Dallas no Quinjet. –
—O Sam irá pilotar. Não se preocupe, ele é um ótimo piloto. – Amélia falou, tranquilizando-a.
—Ou você pode dizer que quer que eu pilote. Pedido de noiva. Ninguém recusaria. – sorri.
—Eu prefiro o Falcão. – desfiz meu sorriso.
—É bom que o Quinjet caia então. – resmunguei.
—Melinda! – ambas me repreenderam.
—Vamos logo, Rivera. – falei indo até a escada.
Amy parou ao meu lado, me encarando. A encarei de volta, observando-a passar seu braço pelo meu.
—Você está linda. –
—Eu sei, bebê. – respondi, sorrindo. – Você também está um chuchuzinho. – ela sorriu.
Lentamente descemos a escada, atraindo os olhares dos Vingadores, da minha mãe e do Theo.
—Uau. Por acaso vocês também irão casar e nós não sabemos de nada? – Wanda brincou.
—Só se for para casar com você, amor. – sorri.
—Tia Mel, você está mais bonita ainda. – Theo falou, se aproximando. Me agachei para ficar do tamanho dele.
—Estou mesmo, não é? – ele balançou a cabeça positivamente. – Você também está lindo de terno. – Theo sorriu.
E então Chris apareceu. Descendo a escada de forma deslumbrante e encantadora.
—Vai lá buscar sua mãe, vai. – sussurrei para o garotinho que saiu correndo até a escada e estendeu a mão para a mãe.
Levantei, rindo.
—É, a garota está realmente bonita. – ouvi Sam falar.
—Agradeça a mim. Aliás, o vestido é meu. – falei, exibindo-me.
—Sério? –
—Sim, Nat. Eu desenhei. – sorri. – Quando criança, devo acrescentar. –
—Lembrem-me de não ficar perto da Pirralha para não ouvir ela se auto enaltecer por causa desse vestido. – Tony falou, entediado. – Já podemos ir? –
***
Depois de uma hora e alguns longos minutos voando no Quinjet, finalmente — ou não — tínhamos chegado na fazenda de Vitória.
Meu visível desconforto por estar nesse lugar também havia chegado.
O Quinjet tinha sido estacionado nos fundos da fazenda. Assim, não correria o risco de alguém mexer nele e ficaria mais fácil para Chris entrar na fazenda sem ser vista por qualquer pessoa a não ser pelos garçons.
Minha mãe saiu na frente junto com Amélia para ver se o caminho estava, de fato, livre para Chris chegar em um dos quartos de hóspedes.
A noiva saiu logo depois acompanhada da sua madrinha e Theo.
Aos poucos, os Vingadores foram saindo e indo até o local onde seria realizado a cerimônia e todo aquele blablabla do padre.
Os únicos que não vieram foram o Clint, que estava com o Nathaniel doente; Thor, que não tinha um mísero celular para manter contato; e Bruce, que não dá as caras desde o ano passado.
—Temerosa do que pode acontecer em relação a Vitória? –
—Sim. – respondi. – Vitória irá aprontar algumas coisa, Steve. Eu sei. – o encarei.
—Se ela fizer qualquer coisa com você, iremos impedi-la. Não vou deixar ela machucar você, Melinda. – ele pousou sua mão em meu ombro.
—Meu medo não é ela me machucar, mas sim, machucar vocês. Nat, Wanda, Tony... todos vocês. –
O Capitão ficou calado por um tempo, me encarando. Até que respirou fundo, ficando de frente para mim e segurando minhas mãos.
—Façamos assim, ok? Esquecemos da Vitória que odeia heróis por hoje e focamos apenas na Vitória que cedeu sua fazenda para realizar o casamento do neto porque deseja fazê-lo feliz, deseja ficar mais próxima dele. – sorriu.
Suas mãos soltaram as minhas. Pude notar que Steve deixou algo na minha mão direita.
—É um ponto de comunicação menor do que usamos nas missões. Ninguém o verá a não ser que se aproxime o bastante de você e caso seu cabelo não esteja cobrindo sua orelha. Só você e eu estaremos usando isso. A qualquer sinal de perigo não hesite em pedir por ajuda. Nós iremos atrás de você, Melinda. – explicou.
—Desde que vocês façam o mesmo se ela apontar a faca de manteiga para vocês. – sorri. – Obrigada, Capicolé. – coloquei o ponto de comunicação no ouvido.
—Agora vá entregar a surpresa do seu irmão. – arregalei os olhos.
—Meu Deus. O Adam! – voltei para o interior do Quinjet, peguei a caixa e sai correndo em direção a fazenda.
Entrei na propriedade de Vitória, passando pela cozinha e caminhando até a escada que dava ao andar de cima.
—Mãe. Onde está o Adam? – questionei.
—Melinda! Eu estava mesmo atrás de você. – ela veio até mim. – Segunda porta a direita. O Adam está esperando você. Rápido. Estamos atrasados. – assenti, passando por ela e indo até o quarto que a mesma falou.
—Maninho? – bati na porta.
—Melinda? – Adam abriu a porta. – Até que fim! Achei que você não chegaria nunca! –
—Acho bom falar direito antes que eu jogue isso – ergui a caixa, balançando levemente. – janela a fora. – empurrei ele para o lado, entrando no quarto e deixando a caixa sobre a cama. – Então? Como você está? –
—Bem. –
—Está mentindo. Daqui estou vendo o suor descendo pela sua testa. – cruzei os braços. Os ombros dele caíram.
—Tem razão. Estou mentindo. – começou a caminhar pelo quarto. – Melinda, estou nervoso. Está começando a bater a dúvida, sabe? –
—Dúvida sobre o casamento? – ele assentiu.
—Sim. Talvez você esteja certa. Casar com 20 anos é loucura. –
—Adam. – chamei.
—Ok, nós temos um filho. Um lindo filho que já tem um ano e alguns meses. Mas, ainda assim, é loucura! – continuou a falar.
—Adam. – o chamei novamente.
—Eu vou... eu vou falar para Chris que é melhor a gente não casar agora. Talvez devêssemos esperar mais alguns anos. – ele falando parecia uma metralhadora de tão rápido que saia as palavras da sua boca.
—Adam. – chamei mais uma vez, já começando a perder a paciência.
—E se nós casarmos e nos separarmos depois? Como o psicológico do Theo irá ficar? Oh, meu Deus. Eu tenho que cancelar esse casamen... – não deixei ele terminar a frase. Antes que isso acontecesse, eu dei um tapa na cara dele. – Obrigado. Eu estava precisando. – falou, massageando o rosto.
—Mais calmo? – Adam assentiu. – Ainda com a ideia na cabeça de cancelar o casamento? – ele negou. – Ótimo. –
Ergui minhas mãos na direção da gravata dele, desatando o nó e retirando a mesma.
—O que você está fazendo? – indagou.
—Essa gravata não está boa. – respondi.
—Como não? Melinda, pelo amor de Deus. Eu só trouxe essa gravata. – Adam deu indícios de apavoramento.
—Ainda bem que eu trouxe uma então. – falei, retirando a tampa da caixa e pegando a gravata.
—Ah, não. – murmurou. – Você não fez isso. –
—Fiz sim. – sorri.
—Melinda, eu te amo! – exclamou, abrindo um enorme sorriso e me abraçando com força.
—Eu sei, eu sei. – soltei uma risada. – Agora me solte antes que a gente se atrase mais ainda e Michelle coma nosso couro. –
Adam fez o que eu pedi e se separou. Passei a gravata pelo pescoço dele, fazendo o nó.
—Eu não sabia se iria funcionar. Estava rezando para que funcionasse. – murmurei.
—E você querendo usar o lençol para fazer de tapete até o altar. – Adam debochou.
—Usar ele para fazer uma gravata foi muito melhor. – respondi, endireitando a dita cuja e virando Adam na direção do espelho. – Então? –
—Ficou maravilhoso. – ele virou na minha direção. – Obrigado, maninha. – sorriu.
—Não achou que eu te deixaria na mão, achou? – ergui a sobrancelha.
—Sinceramente? – abri a boca inconformada. – Ei. Seus brincos são Pokébolas? – Adam questionou colocando meu cabelo atrás da orelha. – Que incrível. –
—Eu não deixaria você cumprir aquela promessa sozinho. – dei de ombros. – O que me lembra que tem outra coisa. Uma para mim e outra para você. – virei-me na direção da caixa, pegando o lenço. – Isso eu comprei. –
—Um lenço do Pokémon? – assenti, erguendo meu braço. – Você é a melhor irmã do mundo. –
—Não vamos decepcionar os irmãos Hunters versão criança. – ele sorriu, terminando de amarrar o lenço preto que continha minis Pikachu e Pokébolas no meu pulso.
—E a outra coisa para mim? –
—Na verdade, não é exatamente para você. – peguei a caixa, estendendo na direção dele. – É para o Theo. Eu não cortei todo o lençol. Apenas o suficiente para fazer a gravata. – retirei o lençol, mostrando a ele. – Eu fiz a bainha e nem parece que mexi com ele. –
—Você quer que eu passe o lençol para o Theo. – assenti. – Está vendo? Eu estava certo quando disse que você era bastante esperta. – sorrimos.
Adam pegou o lençol, guardando de volta na caixa e deixando-a na cama, me abraçando logo em seguida.
—Eu amo você, Melinda. Obrigado por tudo. – sussurrou.
—Eu quem agradeço, maninho. – sussurrei de volta.
Ao quebrar o abraço, sequei algumas lágrimas que caíram e peguei o terno dele, ajudando-o a vestir.
—Sim! Eu quase ia esquecendo. Você irá entrar comigo. –
—O que? – franzi as sobrancelhas.
—Você irá comigo até o altar. Além de irmã você também é minha madrinha. – explicou. – A propósito, gostei do vestido. –
—Obrigada, eu mesma quem escolhi. Mas e a mãe? Ela entraria com você. E tem o Tyler. Ele é seu padrinho e eu entraria com ele. –
—Entraria, mas eu quero entrar com você. Quero você vá comigo até o altar, Melinda. A mãe entrará com o Tyler. Eu falei com os dois e eles concordaram. – respirei fundo.
—Ok. Se é tão importante para você, que assim seja. – sorri. – Eu adoraria levar você até o altar, maninho. O lugar onde você irá ficar preso a uma única mulher. –
***
A cerimônia acontecia já fazia um bom tempo e eu não estava aguentando mais toda aquela falação.
Esse padre conseguia enrolar mais que político. Impressionante.
As entradas foram simplesmente maravilhosas.
Primeiro o noivo, logo depois os padrinhos e madrinhas, então vem o pajem, que foi meu sobrinho lindo e maravilhoso, com as alianças presas em uma almofada e, finalmente, a noiva.
Todos ficaram de queixos caídos quando viram a Chris. Impressionados tanto com a noiva como também com o vestido.
Vestido esse que eu quem fiz. A-rá!
Foi então que o padre abriu a boca para dar início ao casamento e até agora não calou a boca.
Fala mais que o homem da cobra. Tá amarrado.
—Amor, sua cara não está demonstrando interesse na fala do padre. – Tyler sussurrou em meu ouvido. – Parece até que você está em um funeral em vez de um casamento. –
—Um funeral deve ser mais divertido que isso. Esse homem não pode partir para o "Eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva"? – resmunguei baixinho.
—Talvez ele possa, mas essa decisão não cabe a nós. – revirei os olhos, bufando.
—O que acha de falarmos sobre o vestido da Chris? – sugeriu.
—Eu quem fiz, você já sabe. Eu te disse. – respondi.
—Sim, você me disse, mas eu não disse o quanto ele era bonito. – sorriu.
—Você disse, sim. –
—Certo. Mas eu não disse que você tinha muito talento. –
—Sim, disse. –
—Ok. Talvez eu não tenha dito que você fez um ótimo trabalho ao... –
—Você também já disse isso. – sorri, encarando-o. – Falou também que se meu lance de heroína não desse certo eu poderia tentar o ramo de estilista. –
—Só se não desse certo, mas vai dar certo. Você poderia bancar a estilista quando resolvesse fazer que nem o Clint e se aposentar. – deu de ombros.
—É, eu poderia. – concordei.
Tyler sorriu, passando seu braço ao redor do meu pescoço e beijando minha têmpora.
—Eu, Adam Hunters, aceito você, Christina Lockwood, para amar-te e respeitar-te. Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte nos separe. – Adam falou com o olhar cravado no de Chris que sorria enquanto ele colocava a aliança no dedo dela.
—Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separa. Eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva. – o padre finalizou.
—Finalmente. – resmunguei.
Após o beijo de Chris e Adam, uma revirada de olhos de Will e um Theo escondendo o rosto no pescoço de Michael, palmas ecoaram pelo local onde estávamos.
Adam pegou o Theo no colo, ofereceu o braço a Chris, que aceitou feliz da vida, e a família de comercial de margarina saíram em direção ao local onde aconteceria a festa.
—É essa a única parte que eu gosto de um casamento. – encarei Tyler. – Vamos? –
—Vamos. –
Segurei a mão de Tyler e saímos correndo atrás de Chris, Adam e Theo.
—Quem chegar por último é a mulher do padre! – gritei, soltando uma risada.
As crianças correram logo em seguida enquanto os adultos, totalmente sem graça, saíram caminhando normalmente.
Povo chato.
Quando todos se acomodaram no espaço, Isaac, primo de Chris e também dj, deixou tocar uma música lenta.
Adam pegou a mão de Chris e ambos caminharam até o meio do círculo feito pelos convidados. E então, os recém casados começaram a dançar ao som de 10,000 Emerald Pools, do BØRNS.
Observavam Chris e Adam dançando com trocas de olhares intensas e sorrisos bobos. E olhando ambos, eu sabia que eles foram feitos um para o outro.
Chris fazia bem para o Adam, assim como ele fazia bem para ela.
—"Still, all I need is you"— Tyler sussurrou em meu ouvido, me abraçando por trás.
—"You're all I need to breathe"— completei, sorrindo.
—"All I need is you!"— ele finalizou, apertando mais seus braços ao redor do meu corpo. – Vamos dançar? –
—Dançar? – soltei uma risada.
—Sim. – abri a boca para negar o convite, mas antes que eu fizesse isso ele segurou minha mão e me levou até a pista de dança improvisada. – E eu não aceito não como resposta. –
Tyler pousou suas duas mãos na minha cintura enquanto as minhas foram para seu pescoço. Assim, começamos a dançar conforme a música.
Aos poucos, mais pessoas entraram no embalo e vieram para a pista de dança.
—Eu já falei que você fica lindo de terno? Ainda mais se for em um terno preto. – Tyler sorriu.
—Você disse que eu estava muito gostoso na frente do padre. Por isso ele nos olhou estranho. – sorri. – Mas lindo, não. –
—Então, Tyler Pierce, você está muito lindo de terno. –
—Obrigado, srta. Hunters. Você também está linda com esse vestido. Sexy e um pouco vulgar. Exatamente seu estilo. – abri um sorriso agradecido. Ele me fez girar em torno de mim mesma.
—Fazer o que? Eu não consigo ser simples. – dei de ombros.
Alguém limpou a garganta atrás de Tyler.
—Eu posso dançar com a minha irmã, Tyler? – Adam falou com um tom sério, mas um olhar brincalhão.
—Eu diria que ela é toda sua, mas se eu disser isso ficarei sem a Melinda e eu odiaria que isso acontecesse. – Tyler deu minha mão a Adam. – Mas sim, eu permito ela dançar com você por uns míseros minutos. –
Observei Tyler chamar Wanda para dançar enquanto as mãos de Adam se posicionavam em minha cintura.
—Como você está, maninho? –
—Me sentindo o homem mais feliz do mundo. Não sei como demorei tanto tempo para pedir a Chris em casamento. – respondeu com um sorriso bobo no rosto.
—Talvez porque você era um completo idiota antes do Theo surgir em sua vida. – falei.
—Sim, talvez. Aliás, Chris amou a gravata. E eu amei o vestido dela. A deixou mais linda ainda. – Adam soltou um suspiro apaixonado.
—É isso que o amor faz com as pessoas. As deixam tolas. – revirei os olhos.
—Tolas, mas felizes. – retrucou.
—Acho que vou vomitar. – resmunguei, fazendo-o rir.
—Talvez o que falte na sua vida é um pouco de amor. –
—Ou uma boa vodka. Eu vou até o bar. – disse parando de dançar.
Adam voltou a dançar com a mulher da sua vida enquanto eu caminhava até o balcão de bebidas que veio com uma linda bartender.
—Boa noite. O que vai querer? – me sentei em uma das banquetas.
—Estava em dúvida de vodka ou caipirinha. Então eu pensei melhor e decidi que ter você comigo iria me fazer muito mais feliz. – sorri, apoiando-me sobre o balcão.
—Não temos caipirinha e eu não quero você. Ou seja, terá que se contentar com vodka. – ela respondeu indiferente colocando um copo com vodka na minha frente.
—Tudo bem. Eu fico com a vodka desde que você me deixe te levar para casa no final da noite. Então, o que me diz – olhei para o nome dela gravado na plaquinha presa na camisa. – Lana. – encarei o rosto dela. Seus olhos estavam com uma pitada de surpresa. – Engraçado. Eu amo esse nome, sabia? Talvez por causa da Lana Del Rey. Ela é muito o amor da minha vida. – bebi a vodka que tinha no meu copo.
A bartender me encarou por alguns segundos, analisando-me. Então ela encheu meu copo novamente e me deu as costas.
—Uh, levei gelo. – soltei uma risada. – O que acha de deixar o gelo no meu copo e irmos logo para o que interessa, hum? –
—Não acredito que você está dando em cima da bartender. – Sam apareceu do meu lado. – Ah, não. Eu acredito, sim. Estamos falando de você, não é mesmo? –
—Olha, não vem querer me atrapalhar, Piu-Piu. Eu estou em uma missão. – resmunguei.
—Em uma missão de levar a bartender para a cama? – arqueou a sobrancelha.
—Sim. Então, a não ser que você queira um replay daquela noite na festa dos Vingadores eu peço que se retire. – fiz gestos com a mão, o enxotando daqui.
Antes que Sam se levantasse, mais uma música lenta começou a tocar. E as pessoas? Continuaram a dançar sem se preocupar.
—Ah, não. Eu não vim até essa merda de fazenda para ficar ouvindo músicas de casais água com açúcar. – resmunguei bebendo a vodka que tinha no meu copo e levantando, indo até Isaac. – Sei que isso é um casamento, mas precisa mesmo tocar essas músicas melosas? –
—Tem alguma sugestão, ruiva? – questionou.
Exibi um sorriso, falando a minha sugestão de música e caminhando até a pista de dança.
Chris e Adam ainda dançavam, só que agora com Theo no colo do pai. Fui até eles.
—Sinto em ter que interromper esse momento família feliz, mas Chris nós temos uma música para dançar. –
—O que? –
A batida de Anaconda, da Nicki Minaj, começou, fazendo Chris balançar a cabeça negativamente.
—Não! Eu não vou dançar. – negou.
—Adam, a não ser que você também queira dançar, eu o convido para se afastar. –
Meu irmão soltou uma risada e se afastou com Theo ainda no colo.
—Melinda, eu não acho que seja uma boa ideia. Nós dançávamos de short, nunca de vestido. Ainda mais vestidos assim. – apontou para o próprio corpo.
—A gente consegue, bebê. Basta não fazer aqueles movimentos estilo Nicki Minaj. – falei, posicionando ela no lugar correto. – Pronta? –
—Não. –
—Isaac, repete. – gritei, vendo o primo de Chris fazer um legal com o polegar e repetir a música.
Chris e eu começamos a dançar conforme tínhamos ensaiado assim que a música tinha sido lançado.(3)
Alguns passos ficaram limitados por conta dos vestidos e a quantidade de pano neles. Isso sem contar os saltos enormes nos nossos pés.
Cair e quebrar alguns ossos não era problema para mim, agora para Chris eu não podia dizer o mesmo.
Os convidados se divertiam nos vendo dançar, outros até filmavam. Alguns arriscavam até uns passos mais fáceis.
Um pouco mais da metade da música, Chris e eu paramos de dançar. Fomos aplaudidas, óbvio, com direito a alguns assobios e gritos.
Ela me abraçou, rindo.
—Eu odeio você por sempre me fazer passar vergonha. – falou em meu ouvido.
—Também amo você. –
***
A festa já rolava há um bom tempo. E não tocou mais música romântica até agora. Ponto para mim.
Alguns discursos já rolaram como dos pais dos recém casados e alguns amigos — como eu, Charlie e Tyler.
Até Tony fez um discurso. Discurso esse estilo Tony Stark com uma pitada de sarcasmo, claro.
Sentada no bar, novamente, eu observava Lana trabalhar. E não, ela ainda não me deu bola.
—Você não desiste, não é? – Tony indagou, sentando ao meu lado.
—Ela é muito linda, Cabeça de Lata. E gostosa. – bebi um pouco do coquetel que ela tinha preparado. – Fora que eu não consigo pensar em outra coisa a não ser nela na minha cama com esse uniforme de bartender. –
—Você tem quase a mentalidade de um homem, Melinda. – Natasha apareceu do meu lado. – O que me impressiona é o fato de você ser feminista agindo dessa forma com ela. –
—Ei. Eu não estou assediando ela. Lana disse não e eu aceitei o fora. Eu só estou bebendo e a observando trabalhar. – virei o resto da bebida goela abaixo. – E eu mandei uma cantada bem fofinha, na minha opinião. – dei de ombros.
—Sua definição de fofo é bem diferente da definição comum. – ela rebateu, fazendo-me sorrir.
—Eu quero pegar alguém nessa festa, Romanoff. Pelo amor de Deus. – exasperei. – Eu passei esses três últimos dias sem um mísero selinho! Tudo culpa desse casamento. – bufei.
—Quer pegar alguém? Que tal ela? – apontou com a cabeça para uma mulher a minha esquerda. – Eu notei que ela não para de te encarar desde New York. –
—A Bianca? Ah, não! Sai para lá com esse encosto. – neguei com a cabeça. – Da Bianca eu só quero distância. E se ela não para de me encarar desde New York, é porque nós duas não nos damos bem. Desde criança. Então, Romanoff, não. –
Como Lana estava ocupada em atender outras pessoas e não encheu meu copo, eu peguei o copo de Tony que reclamou.
—Alguém tem que te ensinar boas maneiras, sabia? –
—Esse alguém não é você. – sorri.
—Qual seu rolo com a prima da noivinha bonitinha? – Stark questionou.
—Bom, ela nunca foi com a minha cara e nem eu fui com a dela. Então nossa rixa piorou quando eu peguei a namorada dela na época. –
—Você pegou a namorada dela? – ele arqueou a sobrancelha.
—Ei. Não me olhe com esse olhar acusador. Elas tinham terminado naquela época e há tempo a Kate dava em cima de mim. – me defendi. – Vai ver ela quis me usar para fazer ciúmes na Bianca já que ela sabia que nós não nos dávamos bem. – dei de ombros. – E se foi isso, não liguei e peguei a Kate mesmo assim. A garota era quase uma cópia da Demi Lovato. E eu tenho uma queda por morenas. –
Como se fosse algo automático, meu olhar caiu sobre Lana que parecia ter ouvido essa última parte da conversa.
A bartender se aproximou com uma garrafa de vodka na mão e com a intenção de encher meu copo.
—Não precisa. Deixa a garrafa. – pedi. Lana me entregou a garrafa e se afastou, indo atender outras pessoas. – Acontece que depois da pegação entre mim e Kate, passou alguns dias e as duas tentaram reatar. Só que Bianca não quis quando soube que eu tinha beijado a mesma boca que ela beijava. –
—Rancorosa, não? –
—A noiva vai jogar o buquê! – uma mulher passou gritando enquanto corria para perto do palco.
Chris estava em cima do palco, rindo. As mulheres, a maioria afobadas pelo famigerado buquê e a superstição ridícula por trás dele, se amontoaram atrás de Chris.
Virei-me na direção daquela papagaiada, virando a garrafa de vodka.
—Você não vai pegar o buquê, Pirralha? – Tony falou brincalhão. – Caso você pegue, não precisa casar agora. Basta ter a garantia de que não ficaria para a titia. –
—Vai para o inferno, Tony. – resmunguei. – Eu tenho pavor da palavra casamento quando é direcionada para mim. –
—Então acho bom pensar rápido, porque o buquê está vindo na sua direção. – Natasha falou com um sorriso divertido no rosto.
Olhei para o buquê no ar vindo na minha direção.
Sem pensar duas vezes, ergui meu braço na direção dele, fazendo um jato de energia acertá-lo e transformá-lo em pedacinhos.
Disfarçadamente, coloquei meu braço atrás da cabeça, coçando-a.
Tática essa que não funcionou muito bem já que as pessoas me encaravam, uns rindo, outros nenhum pouco satisfeitos.
—Prático. – Tony falou, bebendo da sua bebida.
—Se sua intenção era chamar atenção conseguiu. – Natasha completou criticamente, claro.
—Eu vou dar uma volta. Para todos os efeitos, não fui eu. – informei, levantando e me afastando da festa.
Sai caminhando pela fazenda, sem rumo e com uma garrafa de vodka na mão.
Quando me dei conta, estava em frente ao balanço que meu avô tinha feito para Adam e eu.
Sorri, sentando-me no balanço.
As lembranças das tardes de férias que passávamos aqui invadiram minha cabeça. A família ainda completa e reunida.
Meu avô e meu pai ainda vivos, Vitória sem me odiar, eu sem poderes.
Fechei os olhos, deixando os diversos sentimentos me invadirem, assim como a saudade.
—Espero que esteja imaginando o desgosto que seu avô sentiria ao saber o que a neta é hoje. – a voz de Vitória soou não muito longe.
Ao abrir os olhos, notei a presença dela há alguns metros de mim.
—Na verdade, eu estava imaginando o quanto o vô é diferente de você. – falei. – Não sei se você lembra, mas o vô e eu adorávamos falar sobre o Capitão América. O grande herói dos EUA. – sorri. – Herói esse que está presente na festa de casamento do seu neto. Você o viu, não viu? – alfinetei.
—Sim. Eu tive o desprazer de ver não apenas ele, mas o circo todo de aberrações. – respondeu seca. – Circo esse que você trouxe para minha fazenda. –
—Será que eu preciso lembrar que foi você que cedeu a sua fazenda para realizar o casamento do Adam? – levantei do balanço. – E que mesmo depois dele dizer que os Vingadores estariam presentes você permaneceu com essa ideia sem cabimento na cabeça? –
—Eu queria o meu neto próximo de mim. Eu queria o Theo próximo de mim. – falou aumentando o tom de voz. – Porque graças a você e suas mentiras, o Adam mal olha na minha cara. –
—Minhas mentiras? Você causou o acidente do Alec e negou ajuda! E ainda tem a audácia de dizer que foi mentira minha? –
—Você causou o acidente daquele garoto, Mérida. Seus "poderes" causaram a desgraça na vida dele. –
—Não fala esse nome. – disse entredentes, apertando meus dedos em torno da garrafa.
—Por quê? Por que te lembra do que você fez? Te lembra que foi você quem matou seu pai? –
Segurando o impulso de avançar em cima de Vitória, eu apertei mais ainda a garrafa. Tanto que ela quebrou.
—O que foi, minha neta? Resistindo aos seus impulsos de assassina? – ela indagou cinicamente.
—Sai daqui. –
—Ou o que? Você irá fazer o mesmo que fez com o Richard? Irá me matar, Mérida? –
Trincando o maxilar e cerrando os punhos, eu caminhei até Vitória. Porém, antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, Vitória prendeu algo no meu pulso.
Estanquei no lugar, observando o troço no meu braço.
—O que é isso? – perguntei, tentando removê-lo.
—É um dispositivo que impede que você utilize seus poderes. – a encarei. Os olhos arregalados.
Rezando para que o que ela falou fosse mentira, ergui meu braço em direção à uma árvore tentando acertá-la com um jato de energia.
No entanto, nada aconteceu.
—Funciona. – ela sussurrou. – Impressionante. – um sorriso cresceu em seu rosto.
—Posso não ter meus poderes, mas ainda consigo... – dei um passo na direção dela, sentindo minhas pernas fraquejarem e meu corpo cair. – O que... o que você está fazendo comigo? –
—Essa linda pulserinha vai sugando seus poderes, minha neta. E, consequentemente, sua energia. – Vitória se abaixou um pouco, passou meu braço sobre seus ombros e me levantou. – Pelo que eu sei, seus poderes envolvem energia e é bom garantir que você não usará nenhuma fonte para driblar esse pequeno obstáculo. – tocou no dispositivo preso no meu braço.
—Você acha que fazer o que der na telha comigo fará o Adam se aproximar de você novamente? – falei, observando o caminho que ela fazia. Íamos em direção à casa.
—Eu não faço isso apenas para trazer o Adam de volta para perto de mim. – respondeu. – Faço isso mais pelo Theo. Eu quero meu bisneto longe de você ou qualquer tipo de perigo. – soltei uma risada.
—Ah, claro. Você mata ou faz sabe-se lá o que com a tia dele e o Theo fica um amorzinho com você. – ironizei.
—Mesmo que o Theo não fale comigo ou algo do tipo, já estarei satisfeita em saber que você não poderá manipulá-lo. –
Em vez de ir até a entrada da casa, Vitória virou um pouco a esquerda e parou em frente a entrada que dava para o porão.
As portas já estavam abertas como se só esperassem por mim.
—E acredite, o Theo irá me agradecer. Ele pode não entender no início, mas irá me agradecer. –
Antes que eu pudesse rebater sua fala sem cabimento, Vitória me jogou para dentro do porão.
Meu corpo saiu rolando pela pequena escada, atingindo o chão com uma força suficiente para a dor tomar conta.
Observando Vitória fechando as portas do porão, lentamente levei minha mão até a orelha, acionando o ponto de comunicação que Steve tinha me dado.
—Steve?— sussurrei. – Picolé?—
—Melinda? O que foi? Está tudo bem? – sua resposta veio quase que automaticamente.
—Vitória. Sem poderes. Porão. Ajuda.— sussurrei, rezando para que ele tenha compreendido.
—Estamos a caminho. – a voz de Steve soou séria.
Vitória virou-se, descendo as escadas.
—Chamando seus amigos para te ajudar? – ela se aproximou. – E nem me avisou, querida? Estou decepcionada. –
—Vai para o inferno. – resmunguei.
Vitória sorriu, levando sua mão na direção da sua orelha. Segurei seu pulso antes que ela retirasse o ponto de comunicação da minha orelha.
Contudo, a maldita pulseira parecia sugar cada vez mais as minhas energias.
Sendo assim, foi fácil para Vitória se soltar e retirar o ponto do meu ouvido.
—Deixe eles virem. Seria mal educado não abrir a porta para convidados tão ilustres, não? – Vitória soltou o ponto de comunicação no chão, pisando em cima logo em seguida. – Fora que eu tenho brinquedinhos para todos. – disse indo até uma caixa em um canto mais afastado do porão.
—O que você está fazendo? – sussurrei.
—Sabe esse dispositivo que tem no seu braço? Eu tenho um instalado nesse porão. Muito maior, muito mais eficiente. – explicou despreocupadamente. – Ou seja, basta seus amigos passarem míseros segundos aqui nesse porão e então nada de poderes. – ela virou na minha direção com um sorriso satisfeito no rosto.
—Não. Eles não tem... nada haver com isso. – murmurei, tentando levantar. – Sua rixa... é comigo. Não com eles. –
—Minha rixa é apenas com você? – vociferou. – Meu problema é com todos esses malditos heróis que há no mundo. E se depender de mim, irei eliminar todos vocês. – Vitória segurou meu braço, me arrastando até a parede do porão.
—Então... boa sorte... em encontrar uma fonte da juventude. Você irá precisar. – soltei uma risada.
—Será que você continuará com esse espírito debochado quando seus amigos chegarem aqui e ficarem sem poderes? – ela se afastou, pegando uma arma.
—Não! – gritei, desesperada. – Não. Não os machuque. –
—Shhh.—
Um barulho na porta atraiu minha atenção e a de Vitória, que apontou a arma na direção da dita cuja.
Reuni forças para gritar:
—Não! Vão embora! – gritei. – É uma armadilha! Vão embora! –
Meu corpo pendeu para o lado com a coronhada que Vitória deu na minha cabeça. O golpe foi forte o suficiente para me deixar zonza.
A porta foi aberta, Steve entrou acompanhado de Tony e Natasha. Os três pararam ao ver a arma apontada na direção de Steve.
—Sabemos que não gosta da Melinda, mas isso não é motivo para matá-la. – Steve falou calmamente.
—É, vovó. Eu não gosto do Justin Bieber e nem por isso apontei uma arma para a cara dele. Então por que você não abaixa isso daí e nós esquecemos nossa diferenças? – Tony falou sarcasticamente.
—Já vi por que ela gosta tanto de vocês. São igualzinhos a ela. Bancam os dissimulados, acham que podem resolver tudo sem se preocupar com as consequências que aquele ato pode trazer e a todo custo querem pagar de engraçadão. –
—Para uma velha de 60 anos ela até que usa umas palavras de adolescente. Você ouviu, Picolé? Ela falou engraçadão. – Tony olhou para Steve, apontando para Vitória e rindo.
—Sabe, eu não me senti incluída nesses quesitos que ela falou sobre sermos parecidos com a Melinda. – Natasha comentou. – Você não gosta de mim, Hunters? –
Vitória trincou o maxilar. Pelo que eu lembrava, ela odiava que debochassem da cara dela.
—Não. – sussurrei, erguendo meu tronco. – Não faz nada com eles. – pedi, vendo que o dedo dela estava pressionando o gatilho da arma.
—Eu não irei fazer nada. Deixarei que aconteça com eles o mesmo que está acontecendo com você. – sorriu, me olhando de soslaio.
Voltando o olhar para a pequena parte do grupo de heróis ali presente, notei que Steve e Natasha tinham as sobrancelhas franzidas.
—O que ela quis dizer, Pirralha? – Tony questionou.
—Tony, precisa tirá-los daqui. Agora! – falei exasperada.
—O que está acontecendo? – ele indagou confuso e preocupado.
Steve e Natasha estavam se apoiando nas paredes do porão.
—É um dispositivo. Ele... inibe meus poderes... e deve estar fazendo o mesmo com o Steve e a Nat. Saiam daqui. – expliquei, alternando o olhar entre o bilionário e os outros dois que se apoiavam em algo para não cair. – Por favor. Saiam. –
—Me desculpe, Pirralha, mas eu não vou ficar vendo essa velha apontar uma arma para a gente e não fazer nada. – Stark resmungou, erguendo a mão com uma pequena parte da sua armadura na direção de Vitória. No entanto, nada aconteceu. – Sexta-Feira? –
—Você não achou que eu deixaria eles sem poderes e você com seus brinquedinhos, achou? – Vitória soltou uma risada. – Suas armaduras não funcionam aqui, Stark. E nem sua ajudante, a Sexta-Feira. – Tony oscilou o olhar na minha direção. – Agora, pegue essas algemas que estão no seu lado e prenda seus amigos. –
—Tony... –
—E que fique bem claro que ao menor sinal de ato heróico, eu aperto o gatilho. O poderoso Capitão América não parece mais tão poderoso assim, não é mesmo? Estou começando a achar que uma bala no lugar certo, o mataria rapidinho. – a fala de Vitória me fez encarar Steve e Natasha novamente.
Ambos estavam mais fracos que antes, o que mostrava a veracidade da fala de Vitória. O dispositivo instalado no porão tinha uma eficiência maior que a pulseira no meu pulso.
Tony parou. As algemas nas mãos, o olhar perdido.
Oh, não. Ele vai fazer algo.
—Não... Tony, não. – sussurrei.
Stark não me ouviu. Ele segurou uma das algemas com mais força e estava prestes a arremessá-la na direção de Vitória.
No entanto, antes que isso ocorresse, algo atingiu a cabeça de Tony.
O bilionário caiu, desnorteado.
Foi então que um rugido de dor preencheu o porão.
Steve caiu no chão com a mão sobre o ombro.
—Esse foi de raspão, Stark. O próximo não será. – falou séria. – Então, espertinho, acho bom fazer o que eu mando. –
—Lana. – arregalei os olhos ao ouvir a voz de Vitória chamar pela bartender.
Lana se aproximou, o olhar sério, o rosto sem expressão alguma.
Foi ela quem acertou Tony com o cabo de uma arma.
—Por que não ajuda os Vingadores a ficarem confortáveis? –
A bartender caminhou até Natasha.
A Viúva Negra, reunindo a pouca força que lhe restava, tentou acertar Lana com alguns golpes, mas a bartender foi mais rápida e acertou um soco no rosto de Nat.
—Não! – gritei, tentando levantar. Vitória me empurrou de volta para o chão.
—Quieta. – rosnou.
Observei Lana erguer uma Natasha zonza do chão e levá-la até a parede, jogando-a no chão frio.
Pegou uma das algemas e passou pelo cano da tubulação, prendendo as mãos de Nat sobre a cabeça.
Logo depois ela fez o mesmo com Steve e Tony.
—E eu achando que você era a ovelha negra da família, Pirralha. – Tony murmurou após ter um dos seus braços presos.
—Sinto em... decepcioná-lo, Cabeça de Lata. – murmurei sorrindo. Lana prendeu o outro braço dele.
—Pronto, Vitória. – falou séria, se afastando.
—Ainda quer ela na sua cama com esse uniforme de bartender? – indagou irônico.
—Eu disse ao Adam... que ter o buffet contratado por Vitória... daria problema. – respondi, soltando um suspiro.
—Como você deixou ser pega por uma velhota? – Stark questionou.
—A velhota aí estava... me enchendo o saco e eu baixei a guarda. Apenas por... um mísero segundo. – esclareci.
—Foi o suficiente para ela colocar esse troço no seu braço. – me encarou com um olhar acusador. Revirei os olhos.
—Onde... onde você conseguiu... esse dispositivo? – perguntei, encarando Vitória.
—Cortem uma cabeça... –
—Ah, não. – Tony e eu resmungamos.
—E duas nascem no lugar. – Vitória completou.
—Você está de sacanagem com a nossa cara, não é? Você diz que odeia heróis e se aliou a uma organização alemã que era dedicada a conquistar o mundo? – Tony soltou uma risada carregada de escárnio.
—Eu não gosto da HYDRA. Não gosto de nada que tenha relação com super poderes ou algo do tipo. – Vitória explicou, deixando a arma em uma mesa ali perto. – Eu abomino qualquer coisa relacionado a super pessoas. Acontece que depois de saber que a minha querida netinha pertencia a esse grupo de super pessoas, eu tinha que procurar coisas que pudessem me proteger. –
—E você encontrou a HYDRA... a organização que queria... explodir New York em... 1945 apenas para o... Caveira Vermelha assumir o controle... do mundo. – falei com dificuldade.
—Sim. Não foi muito difícil de encontrá-los. Contei a eles que eu tinha um membro da família que havia adquirido poderes e que precisava de algo para me defender. – ela veio até mim, se agachando. – Devia me agradecer, querida. Quando eles souberam que eu não queria você, pediram que eu desse você a eles. Segundo o Barão Strucker, é mais fácil trabalhar o instinto assassino em crianças, elas aprendem rápidos. –
—E você... não me deu de bandeja para ele... porque queria ter o prazer... de me matar. – deduzi.
—Exatamente. – ela sorriu, retirando a pulseira do meu pulso. – Aliás, se eu não queria que você matasse mais pessoas com seus poderes, por que eu entregaria você para a HYDRA já que a intenção dela era usar seus poderes para matar pessoas? – Vitória levantou, afastando-se.
—Ela tirou sua pulseira. Usa seus poderes. Rápido, Pirralha. – Tony sussurrou.
—Ela não pode. A pulseira era apenas uma versão menor do dispositivo que está instalado no porão. – Lana respondeu. – Ele impediu que a Melinda usasse os poderes dela para que Vitória pudesse trazer ela até o porão. –
—Onde o dispositivo sugaria todo o poder dela mais rápido. – Tony completou.
—Sim. – Vitória concordou. – Lana é muito inteligente. Ela quem desenvolveu esse dispositivo com a ajuda de um artefato. E até agora, não deu problema. –
—Arte... fato? – murmurei confusa. – O cetro... de Loki? –
—Pelo visto você não é tão burra quanto imaginei. –
Eu tentei rebater a fala de Vitória, mas ficava cada vez mais difícil processar qualquer coisa. Acho que se me perguntassem minha idade, eu não conseguiria responder de primeira.
—Pirralha? Ei. –
—Tony... eu não estou... conseguindo... –
A porta do porão foi aberta.
Tentando reunir a pouco força que me restava, eu manti os olhos abertos. Contudo, não passava de um grande borrão.
—Melinda? – aquela era a voz do Adam. Ou seria do Tyler? – Vó? – era o Adam.
Me concentrei na cena que acontecia alguns poucos metros de mim.
Vitória tinha a arma apontada para mim, Adam estava parado próximo a escada, o olhar incrédulo com o que via.
Junto com ele estavam Wanda, Visão e Tyler. Eu também poderia jurar que Sam estava ali, mas ao piscar, ele tinha sumido.
Lana tinha duas armas nas mãos. Essas armas estavam apontadas para Steve e Tony.
—Não. – murmurei. – Saiam... –
—Visão, Wanda, vocês tem que sair daqui. Agora. – Tony falou. A voz exaltada. – Saiam daqui! –
Entretanto, parecia tarde de mais. Visão estava parado no lugar, como se suas funções tivessem sido desligadas. Já Wanda, só estava de pé ainda por causa de Tyler.
—O que está acontecendo? Vó, o que você está fazendo? – Adam indagou.
—Protegendo o futuro do Will e do Theo. Eu não irei deixar eles viverem em um mundo com heróis egocêntricos que acham que podem decidir por nós. Eu não posso permitir isso. –
—Você acha que matando os Vingadores irá fazer do mundo um lugar melhor? – ele tornou a questionar. – Se você matá-los, não terá ninguém para defender nosso mundo. Você acha que a polícia local ou as forças armadas conseguirá deter um exército alienígena? –
—Olha, Adam, não é querendo atrapalhar seu discurso nem nada, mas acho bom se apressar e pedir para a velha aí desligar o dispositivo. A Melinda está morrendo. Assim como o Steve e a Natasha. – era a voz do Tony. Era engraçado como eu poderia jurar que era a voz do Bruce.
—Dispositivo? – Tyler questionou.
—Ele impede que eu use minha armadura. Da mesma forma que impede que o soro do super soldado surte efeito no Capitão e que a Melinda utilize os poderes dela. – Stark explicou. – E está acontecendo a mesma coisa com a Wanda e o Visão. –
—Por que a Melinda parece mais fraca que o Capitão e a Viúva? –
—Porque o dispositivo suga qualquer fonte dos poderes deles. – foi Lana quem respondeu. – Os poderes da Melinda envolvem energia. Vocês devem saber que nosso corpo produz energia, não? A energia é obtida dos nutrientes dos alimentos, como a glicose, as proteínas e os carboidratos. E pelo que eu observei, Melinda comeu bastante no casamento, mas a energia que esses alimentos produziram nela está sendo absorvida pelo dispositivo. Porque a energia que o corpo da Melinda produz é muito diferente da energia que meu corpo produz, por exemplo. Ou seja, a energia dela é uma grande fonte de poder. –
—E está sendo absorvida pelo dispositivo. – Adam murmurou.
—Sim, está. Agora sabe o que é engraçado? No organismo de uma pessoa a energia produzida pelos nutrientes são distribuídos pelo corpo. Em uma pessoa normal, 19% da energia vai para o cérebro. – Lana voltou a explicar. Agora com um tom mais divertido. – As sinapses, que é a comunicação entre os neurônios, consomem a maior parte da energia. Como tem pouco glicogênio de reserva, o cérebro pode sofrer danos graves quando falta glicose, mesmo que por um breve intervalo de tempo. –
—Só que o organismo da Melinda é totalmente diferente de uma pessoa normal. – Tony falou. – Ele é capaz de produzir muito mais energia porque é o que dá mais poder a ela. Então, a distribuição de energia pelo corpo também é diferente. O cérebro dela não utiliza apenas 19% da energia, usa muito mais. O que significa que a capacidade do cérebro dela de sobreviver sem energia é muito maior que um cérebro de um humano comum. Mas a Melinda já está há um bom tempo tendo os poderes sugados. –
—Desliga isso, Vitória. Agora. – a voz de Adam era autoritária.
—Não. Não quando estou tão perto de acabar com tudo isso. –
Eu tentei continuar prestando atenção na discussão que se seguiu. Só que tudo que a Lana e o Tony falaram estava começando a fazer sentindo.
Ficava cada vez mais difícil manter os olhos abertos ou prestar atenção nas falas deles.
E a única coisa que eu queria era dormir.
Senti meu corpo escorregar lentamente para o lado, até minha cabeça atingir o chão.
A dor dilacerante me fez fechar os olhos com força, soltando um gemido de dor.
Senti algumas tapas de leve em meu rosto, fazendo-me despertar nem que fosse um pouco.
—Melinda? Melinda, acorda. – pisquei os olhos, tentando focar em quem tinha apoiado minha cabeça em suas pernas e agora tentava me deixar acordada. – Hey. Amor? –
—Tyler? – sussurrei, focando o olhar no garoto a minha frente.
—Sim. Fica acordada, ok? Vai ficar tudo bem. – sua voz parecia ficar cada vez mais distante.
—Eu não... não consigo. – suspirei, fechando os olhos.
—Não. Não dorme. Fica comigo. Eu estou aqui com você. Vai ficar tudo bem. –
—Mãe, o que você pensa que está fazendo? Você ficou maluca? –
Lentamente virei o rosto de onde achava que vinha a voz. Era Michelle. Atrás dela, estava Sam.
—Mãe? – sussurrei, os olhos pesando ainda mais.
—Não, não, não. Não durma. – Tyler pediu novamente.
Mais gritos, mais falas desesparadas, mais explicações. E então uma voz.
A voz do Will.
O garotinho parecia tão forte, tão determinado.
Uma pena que meus olhos fecharam no exato momento em que ele começou a falar.
***
Me sentei de supetão, abrindo os olhos tão rápido que minha vista ardeu um pouco.
—Misericórdia. – murmurei. – Alguém me diz que eu não morri. –
—Você não morreu, mas chegou perto. – Natasha respondeu. A encarei.
Ela parecia bem. Muito melhor do que antes, na verdade. Steve também parecia bem. Assim como Wanda e Visão.
—O que aconteceu? – indaguei. – Eu perdi a volta da 1D? –
—Aconteceu que o seu irmão salvou a gente. – Steve respondeu, pousando a mão no ombro de Will.
—Esse Pirralho salvou a gente, foi? – encarei William, que sorria. – E qual poder você usou? –
—O poder da persua... persua... – ele virou na direção de Tony. – Como é a palavra mesmo? –
—O poder da persuasão e da chantagem. – Stark respondeu.
—Chantagem? –
—Eu disse que se a vovó não desligasse o dispositivo eu nunca mais falaria com ela. Aí o Adam falou que nunca mais deixaria o Theo ficar perto dela ou chamá-la de avó. – explicou olhando para o chão. – Disse que se o Theo perguntasse sobre a vovó só contaria da Janet. –
—Chantagear os outros está no sangue dos Hunters. – soltei uma risada. Will ficou cabisbaixo. – Ei. O que foi? –
—Ela machucou o Capitão, Mel. Machucou os Vingadores. – ele levantou a cabeça. Seus olhos estavam marejados. – A vovó quase matou você. –
—Hey. Está tudo bem. Estamos bem. Eu estou viva. –
—Mas você quase morreu. Se não fosse a Viúva usando aqueles negócios de choque em você... –
—Você usou aqueles disquinhos em mim? – encarei Natasha.
—Você não abria os olhos então te dei uma recarga. – explicou, cruzando os braços.
—Vem cá, Will. – chamei ele para sentar no meu colo. – Olha para mim. – pedi, vendo aqueles olhinhos encontrarem os meus. – A Vitória não foi a primeira e nem será a última pessoa a tentar nos matar. E, bom, o mundo sempre terá pessoas que não gostam de heróis. Há as que gostam e as que não gostam. As que não gostam é porque tem medo. Medo de que vamos machucá-los já que temos mais poder que eles. –
—Mas você não machucaria ela, não é? –
—Não. Por mais que eu não goste de Vitória, eu não a machucaria. Por causa de você, do Adam e da mãe. Ela é importante para vocês e vocês são importantes para mim. – sorri, segurando o rosto dele entre minhas mãos. – Agora pare de chorar e vamos atrás de comida. – limpei o rosto dele. – Parece que minhas energias foram sugadas. – soltei uma risada, levantando do chão com Will.
—Eu não acredito que você quase morreu e está fazendo piada com o que poderia ter te matado. – Natasha balançou a cabeça.
—Você achou que eu iria ficar me lamentando? Ora, Romanoff, parece até que nem me conhece. – sorri, cruzando os braços. – Cadê o restante do povo? –
—Na sala. – Will respondeu. – A mamãe levou a vovó para conversar. Adam e o Falcão foram com ela. –
—E quanto a bartender bonitinha? –
—Ela pediu para ficar sozinha. Rhodes está cuidando dela. – Steve respondeu.
—Disse algo sobre o motivo de atacar a gente? –
—Ela só falou uma palavra. – Tony explicou, me encarando.
Uma única passou pela minha cabeça.
—Sokovia.— murmurei. Ele assentiu. – Ok. – suspirei. – Hora de conversar com a vovó do mal. –
—Melinda, talvez seja melhor você... –
—Eu não vou bater nela se é o que está pensando, Wanda. – tranquilizei. – Eu só irei jogar na cara dela que Melinda Hunters sobreviveu a mais uma das suas várias tentativas de me matar. – sorri, passando por eles e saindo do porão. – Ué. Cadê a festa? O som alto? Os convidados? As bebidas? Comidas? Cadê? –
—Depois disso tudo, Chris falou que o Theo estava vomitando e não tinha como continuar com a festa. – Tyler respondeu se aproximando. – Os convidados foram embora. Reclamando, claro, mas foram embora. Como você está? –
—Estou ótima, bebê. – sorri.
—Você quase me matou de susto. – falou sério. – Quando eu falar para você "não durma", não é para você simplesmente fechar os olhos. –
—Eu estou viva. –
—Está graças a Natasha. – ele ergueu suas mãos, retirando dois discos do tamanho de uma moeda presos em meu colo.
—Eu não acredito que a Nat usou isso em mim como se fosse um desfibrilador. – resmunguei.
—Foi isso que salvou a sua vida. Devia agradecer. – ela falou, passando por mim e Tyler com um sorriso exibido.
—Você não poderia ter usado isso na Vitória e na Lana? Se fosse eu, assim que tivesse entrado no porão teria atacado e fim da história. – a segui.
—Que tal falarmos sobre como a Vitória, uma idosa de 60 anos, pegou você, uma garota de 19 anos com poderes. –
—Primeiramente: ela tem 54 anos e não 60. – Natasha me encarou com uma expressão séria. – Sim, Vitória teve minha mãe com 16 anos. Agora sabe o que é engraçado? Parece que todos dessa família estão fadados a terem filhos na casa dos 15 anos. Vitória engravidou com 16, minha mãe engravidou do Adam com 18, Adam engravidou a Chris com 19. – soltei um suspiro. – E depois me perguntam por que não quero ter filho. Enfim, e segundamente... –
—Essa palavra não existe, Melinda. –
—É claro que existe. Acabei de falar. – dei de ombros. – Vitória me pegou desprevenida. Eu me distraí por um milésimo de segundo. –
—Temos que trabalhar seu foco então? Se a sua distração com Vitória quase matou você e o resto do time, imagina quando você estiver em uma missão importante? – abri a boca indignada.
—Eu já falei que odeio quando eu comento sobre algo qualquer e você vem com lição de moral? – cruzei os braços.
—Não na minha cara. – ela me olhou de soslaio e eu poderia jurar que tinha visto um sorriso de como quem está se divertindo as minhas custas.
Natasha abriu a porta da casa de Vitória. Passamos pelo hall de entrada e antes mesmo que pudéssemos chegar na sala, Michael nos parou.
—Melinda, vamos conversar lá fora. –
—O que? – murmurei encarando Natasha que com o olhar disse que não tinha nada a ver com isso.
—Lá fora. Vamos. – ele começou a me empurrar de leve.
—Mas pai... – tentei argumentar, porém ele me interrompeu:
—Sem mas. –
Já fora da casa, Michael fechou a porta. Ao virar na minha direção, encontrou uma Melinda de braços cruzados e cara amarrada.
—Por que eu não posso entrar? Por acaso tem outro dispositivo que inibe meus poderes e vocês ainda não acharam? Porque se tiver, é melhor chamar a Nat para fora também. –
—Não é isso, querida. – arqueei a sobrancelha. – É a sua mãe. Michelle se decepcionou muito hoje com Vitória. – ele suspirou. – Acho que a última coisa que ela quer é ver você... –
—Debochando da situação? – Michael assentiu. – Mas o que vocês querem que eu faça? Simplesmente aceite que ela tentou me matar e não faça nada? –
—Não. Todos sabemos que o que Vitória fez com você e os Vingadores não tem explicação, mas não faça sua mãe se sentir pior do que ela já está, Melinda. Por favor. – mordi o interior da minha bochecha, assentindo.
—Ok. Certo. – suspirei. – E o que vai acontecer com Vitória e Lana? Espero que as duas sejam presas ou eu vou resolver do meu jeito. – o encarei séria. – Elas não mexeram apenas comigo, mexeram com os Vingadores também. Vitória atirou no Steve. E para mim não importa se foi de raspão ou não. –
—Eu sei, Melinda. A Vitória e a srta. Snow serão presas... –
—A vovó vai ser presa? – virei-me, observando Will.
—Pirralho, eu não mandei você ficar com a Wanda? – indaguei.
—Não. Você não me mandou ficar com ninguém. – ele encarou Michael. – A vovó vai ser presa, pai? –
—Will, você sabe que a sua avó fez algo ruim. Ela machucou a Melinda e os amigos dela. – Michael explicou.
—Sim, eu sei, pai. Mas ela vai para uma prisão? Daquelas que passam na TV? –
—É para lá que vão as pessoas que fazem algo errado, Pirralho. – respondi, atraindo a atenção dele para mim.
—A vovó não poderia ficar aqui na fazenda, Mel? – questionou. Seus olhos estavam marejados novamente. – Por favor. – desviei meu olhar do dele.
—William, a Vitória precisa pagar pelo que ela fez. E o que sua avó fez foi algo horrível. –
—Eu sei, pai. Só que e se ela ficasse presa aqui na fazenda? – sugeriu. – A vovó já está velha, pai. –
—Will... –
—Tudo bem, Pirralho. – concordei. – Ela fica aqui na fazenda. – William me encarou. – No entanto, ela não poderá sair. Nunca. Nem no dia de Ação de Graças, ou no seu aniversário, ou para ir ao mercado. Nunca. –
—Tudo bem. – ele aceitou, balançando a cabeça positivamente.
—Michael, você pode deixar dois ou três agentes para vigiar ela? – encarei o agente, que assentiu.
—Claro. –
—Ela também ficará sem TV, Internet e telefone, William. – acrescentei.
—Certo. – Will sorriu. – Obrigado, Mel. – ele me abraçou.
—Eu só quero que saiba que estou fazendo isso por você. Por mim, ela ficaria em uma cela e eu jogaria a chave fora. – esclareci, abraçando-o de volta.
—Eu sei. Eu amo você, Mel. – murmurou.
—Também amo você, Pirralho. –
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