Civil War
18 Epílogo
Notas iniciais
Respirei fundo mais uma vez.
Eu estava diante de uma encruzilhada e quase suando frio com a possível decisão que eu tomaria agora.
É uma boa ideia? Provavelmente não.
Natasha e Wanda me encaravam com certa expectativa e divertimento.
Claro que elas estavam se divertindo as minhas custas, essas duas palhaças.
Respirei fundo mais uma vez, encarando meu reflexo no espelho do banheiro.
Meu cabelo é tão bonitinho do jeito que está e eu não queria mudá-lo de jeito nenhum.
Romanoff suspirou.
—Melinda, se você não se sentir bem com isso não precisa fazer. —
—É aí que você se engana, Natasha. Eu preciso fazer isso. Quase descobriram a gente semana passada enquanto fazíamos as compras e foi por minha culpa. — disse.
—Não. Foi porque, mais uma vez, não ouvimos você e decidimos arriscar usando apenas óculos escuro e boné. — ela falou. — Você mesma falou mil vezes que isso não é disfarce. —
—É porque não é. Adam ia fazer compras comigo de óculos escuro e boné quando estava de ressaca, eu ia de óculos escuro e boné assistir o jogo do Warriors ou do Cavs. — citei alguns exemplos. — Óculos escuro e boné são coisas que as pessoas usam no dia a dia, não são exatamente disfarces. —
—Eu devia saber o que é Cavs? — Wanda franziu as sobrancelhas.
—É uma equipe de basquete de Ohio, o Cleveland Cavaliers. — expliquei. — O ponto aqui é que eu amo meu cabelo demais. Eu sou a versão feminina do Thor que não deixa ninguém tocar no meu cabelo. —
—Acha que se ele estivesse aqui, fugindo com a gente, ele mudaria o corte? — Nat indagou, pensativa.
—Pior que eu nem sei, mas eu daria tudo para ver ele de cabelo curto. Será que se eu pedir com jeitinho rola? — pressionei os lábios, tentando imaginar uma versão do Thor com cabelo curto.
—Talvez se rolar uma aposta e o Thor perder. — Wanda deu de ombros.
—Talvez. — murmurei, já com as engrenagens trabalhando em uma aposta para o Grandão quando ele retornasse.
—Enfim, se o que te assusta mais é cortar o cabelo, Melinda, você não precisa se preocupar. Acho que só uma mudança na coloração basta. —
—Vocês trouxeram seis opções de tinta. Loiro, ruivo, vermelho, castanho, preto e azul. — encarei as caixas das tintas de cabelo. — Eu sou um pouco indecisa. Como vou saber qual fica melhor? Porque o ponto aqui não é só o disfarce, e sim, ficar bonita disfarçada. —
—É claro que esse é o ponto crucial. — Nat revirou os olhos. — Eu acho que esse azul ficaria bem em você. —
—Achei que o ponto também fosse não chamar muita atenção. — Maximoff comentou confusa.
—E é, mas esse azul não é um azul claro ou marinho. É um azul petróleo, quase preto. — explicou Romanoff. — Acredito que combina com a Melinda. E como saímos mais a noite para comprar comida, não vai chamar tanta atenção. —
—Vai ficar bem em mim mesmo, você tem certeza? — questionei arqueando a sobrancelha.
—E tem como alguma coisa ficar ruim em você? — as duas falaram juntas. Sorri.
—As duas me elogiando juntas. Aquele ménage rola agora? Podemos aproveitar que Steve e Sam não estão em casa. — mordi o lábio sensualmente.
—Quantas vezes vamos falar que não vai rolar nenhum ménage entre nós três, Melinda? — Romanoff falou, fazendo Wanda concordar com ela. Revirei os olhos.
—Mas como vocês são caretas. Um ménage entre amigas, sem estragar a amizade não mata ninguém. — peguei a caixa da coloração azul e entreguei a Natasha. — Vai, pinta logo antes que eu desista. —
Me sentei na tampa do vaso sanitário, observando a ruiva começar a preparar a tinta.
—Tenho que lembrar de comprar uma peruca do mesmo tamanho e cor do meu cabelo. — suspirei.
—Por quê? —
—Para quando eu for atrás do Ross. Se eu for com o cabelo azul ele vai começar a procurar por mim de cabelo azul. E isso é a última coisa que eu quero, facilitar as coisas para ele. — expliquei para Wanda. — Ross precisa continuar a caça a uma mulher de 20 anos, 1,60cm, olhos verdes, pele clara e cabelo ruivo. —
—Você já sabe como encontrar ele? Ou o que vai fazer com ele? — Nat indagou, me olhando de relance.
—Eu tenho algumas ideias do que fazer com ele. Nenhuma é letal, não se preocupe. E quanto a procurar o Ross, eu sei exatamente onde ele está. — disse, retirando meu celular do bolso.
—Não me diga que além do Ryan te dar um celular novo, ter instalado um programa que evita que qualquer pessoa rastreie o aparelho, criado um perfil fake no twitter para você que é impossível de rastrearem o IP e feito sei lá mais o que, ele ainda criou um programa que rastreia o Secretário de Estado? — Natasha tinha a sobrancelha arqueada.
—E não se esqueça que se caso eu perder o celular, basta apertar o botão vermelho do controle que ele me deu e todos os arquivos automaticamente apagam e vão para a nuvem do Ryan. Eu sei, meu amigo é um gênio da computação. — sorri, exibida. — Mas respondendo sua pergunta, sim, ele criou um programa que monitora o Bigodinho. Nesse exato momento ele está almoçando em algum restaurante chique de Washington. —
Após a notícia de que a Valente, a Feiticeira Escarlate e o Falcão terem fugido da prisão com a ajuda do Capitão América e a Viúva Negra vazar para a imprensa, Ryan começou a me procurar pelas câmeras de segurança de todo o mundo (privilégios de ser o filho de Joseph Buchanan e um ótimo hacker).
Natasha tinha me ensinado a evitar câmeras enquanto treinávamos antes mesmo da missão em Lagos acontecer e quando começamos a fugir ela repassou algumas táticas de fuga e como se portar enquanto fugimos para todos nós. Só que eu acabei vacilando um dia e uma câmera me filmou por um breve momento.
Felizmente foi o Ryan que me encontrou.
E quando ele me achou que não acreditava em tudo que passava na TV sobre mim e os outros, que sabia que a explosão em Lagos não foi culpa minha e nem de Wanda, que se eu dissesse que o céu era vermelho ele acreditaria em mim.
E como um bom amigo, disse que iria me ajudar no que eu e os outros precisasse. Dinheiro, possíveis locais para nos escondermos, qualquer ajuda na internet, essas coisas.
—Isso não vai pegar mal para você, Melinda? — Wanda perguntou preocupada. — Sei lá, caso eles descubram? —
—Não, Wandinha. Caso eles descubram, Ryan recebe um alerta no celular dele e ele mesmo resolve. — elas me encararam. — O que? Vocês podiam ter tudo isso se quisessem, Ryan ofereceu, mas vocês: "não, nós agradecemos, Ryan, mas não precisamos". — imitei a voz do Capitão. — Quero saber quando um de vocês ficarem em perigo, precisarem de ajuda e não tiver como avisar a algum de nós. —
—Nós não vamos nos separar, Melinda, então isso não pode acontecer. — Natasha falou, colocando as luvas de plástico. — E mesmo que fôssemos, eu sei me virar muito bem no mundo da informática. — sorriu arrogante.
—Eu sei, mas você não me deu um celular que não pode ser rastreado. — sorri de volta.
—É, mas o Ryan não te ensinou como sobreviver sendo uma procurada pelo Governo. — retrucou.
—É, você tem um ponto. —
—Eu tenho vários pontos, amor. — ela piscou para mim. — Agora troquem de lugar. —
Wanda e eu trocamos de lugar. Eu me sentei na cadeira que ela trouxe para o banheiro e ela se sentou na tampa do vaso sanitário.
—Só tome cuidado com essa sua perseguição ao Ross, ok? E não hesite em pedir ajuda a qualquer um de nós. — abri a boca para contestar, mas ela me interrompeu. — E sem aquilo de: "não quero que ele fique mais ainda no pé de vocês por um lance meu." Nós somos um time. Já falamos sobre isso. —
Ela prendeu boa parte do meu cabelo com um broche, deixando a parte de trás solta.
—Acho que essa é a hora que eu me despeço do meu cabelinho. — suspirei.
—Se você choramingar mais um pouco eu corto ele na nuca. — arregalei os olhos, mas fiquei calada.
E então Romanoff sorriu, começando a pintar meu cabelo.
***
Tombei minha cabeça para o lado, encarando meu reflexo no espelho.
Ergui a cabeça, passando minha mão pelo cabelo agora na cor azul quase preto. Joguei o cabelo para um lado, depois para o outro.
Eu não tenho dúvidas de que eu fiquei maravilhosa com esse tom de azul, mas ainda sinto falta do tom ruivo.
—E aí? Decidiu se gostou ou não? — a voz de Natasha me fez despertar e olhá-la pelo reflexo do espelho.
Eu estava entre ela e Wanda e nós três aparecíamos no espelho, assim como nós três mudamos a cor do cabelo.
Wanda tinha abandonado o castanho e adotado o tom ruivo. Natasha, assim como eu, deixou o ruivo de lado e abraçou a mudança total: cortou o cabelo rente a nuca e descoloriu todo, adotando um tom loiro platinado.
—Desde da minha época de emo, essa foi a mudança mais radical que eu já fiz na vida. — falei. — E o pior é que eu gostei. —
—Espere. Você teve uma fase emo? —
—Todo mundo já teve uma fase emo, Romanoff. — sorri.
—Eu nunca tive. — ela deu de ombros. — A próxima mudança será um corte novo. —
—Nem se você prometesse um show exclusivo do Bon Jovi. — falei, depois de soltar uma risada. Ouvi a porta do bunker ranger ao ser aberta. — Os meninos chegaram. —
—Eles demoraram. Será que teve algum problema? — Wanda questionou.
Me concentrei nos dois, tentando ouvir alguma coisa.
—Não, eles só se perderam no meio da floresta. — respondi após ouvir algumas reclamações de Sam.
—Sério? — Nat arqueou a sobrancelha incrédula.
—Sim. — comecei a rir. — Ao que parece, Steve virou no pinheiro errado, Sam tentou achar o caminho certo, mas eles só se perderam mais ainda. Foi o que eu entendi com as reclamações deles. —
—Vamos ajudar a guardar as compras. — Nat falou.
—Depois de uma foto, né. — disse, puxando o celular do bolso.
—Eu nunca vou perdoar o Ryan por ter te dado um telefone com uma câmera tão boa. — ela murmurou.
Tiramos a foto e logo após checar se a foto tinha ficado boa, a Viúva saiu do banheiro.
—Gostou mesmo do cabelo? — Wanda questionou, começando a sair do cômodo.
A acompanhei.
—Nova vida, novo estilo. — suspirei. — O maior medo de mudar o cabelo é porque toda real mudança começa assim. Um cor de cabelo nova, estilo de roupa nova... —
—Personalidade nova? — Wanda parou no corredor, me encarando.
—Talvez. — pressionei os lábios. — Tenho medo de agora que sou uma fugitiva, mudar tanto que se caso pudermos voltar as nossas antigas vidas, eu não consiga me encaixar mais, sabe? — meu olhar foi parar no chão.
—Ser caçada por alguém muda você, querendo ou não. — falou. — Mas saiba que se você decidir voltar, nem que seja para uma visita rápida aos seus familiares e amigos, não vai ser uma cor de cabelo diferente que fará com que eles não te vejam como a mesma Melinda Hunters que eles conheceram. — Wanda sorriu.
—Obrigada, Bruxinha. Estou mais tranquila. — sorri de volta. — Agora vamos. Hoje é meu dia e o do Sam de fazer o jantar e eu não quero ter que ouvir o Garibaldo reclamar que deixei ele na cozinha sozinho. —
Voltamos a caminhar até a cozinha.
Steve, Sam e Nat estavam conversando algo sobre as barreiras de campo de energia ao redor do bunker quando Wanda e eu entramos na cozinha.
O pacote de arroz que estava nas mãos de Sam voltou a cair em cima da mesa. Os olhos dele estavam arregalados em total surpresa. Steve também estava surpreso, mas, diferente de Sam, não deixou a caixa de ovos em suas mãos cair.
Ainda bem. Imagina a lambança.
—Puta merda. —
Soltei uma risada.
—Olha a língua, Passarinho. Papai Steve não gosta desse linguajar na nossa casa. — cruzei os braços.
—Seu cabelo está bonito, Melinda. — o Capitão falou, piscando os olhos.
—Obrigada, papá Steve. — sorri.
—O seu também ficou bonito, Wanda. — a ruiva sorriu para o Picolé.
—Eu esperava uma mudança radical da Nat porque ela não é muito apegada ao cabelo dela, é verdade. Agora da sua parte, Melinda? Um dia eu sugeri para você cortar as pontas e você só faltou me comer com farofa! — falou, causando uma risada entre nós. — E agora você aparece com o cabelo todo pintado de preto? Quando eu vi aquelas tintas todinha achei que você fosse fazer luzes, vai saber! —
—Para sua informação, Samuel, isso é azul. — caminhei até ele, pegando o arroz que ele tinha largado com a surpresa e guardando no armário. — E eu sei que diferente da Natasha, eu sou uma pessoa totalmente apegada ao meu cabelo, ou era, mas depois de uma pressão da loirinha ali eu resolvi mudar. —
—Me chama de loirinha de novo e você vai precisar do seu fator de cura avançado para fazer seu osso do joelho voltar ao lugar. — Romanoff ameaçou séria.
—Papá, a mamá está me ameaçando. — apontei para Natasha que só revirou os olhos.
—E comenta do cabelo da Wanda, ela também mudou a cor. — disse, retirando as compras da sacola e começando a guardar no armário.
—Wanda, seu cabelo está um arraso. Essa cor combinou com você. — observei ela agradecer a Sam e finalizar com um sorriso. — E, Melinda, você não precisa guardar as compras no armário. Nós só vamos retirar o que vamos usar no jantar. —
Parei minha mão no ar com a caixa de cereais a caminho do armário.
—Como assim? Achei que fôssemos passar mais uma semana aqui no bunker. — falei, virando na direção deles.
—E nós íamos, mas Steve e Sam avistou um grupo de adolescentes acampando próximo ao campo de energia que instalamos. — Nat explicou.
—Foi por isso que acabamos nos perdendo, e não porque eu peguei o caminho errado. — Steve se explicou.
—Picolé, se você se perdeu, você automaticamente pegou o caminho errado. — falei. — Bom, agradeçam a mim por ter arranjado um dispositivo de invisibilidade para o Quinjet, caso contrário estaríamos ferrados se eles tivessem visto o jato. —
Voltei a guardar as coisas na sacola, mas parei ao sentir os olhares dos quatro em cima de mim. Ergui a cabeça, encarando eles.
—O que? —
—Você arranjou o dispositivo de invisibilidade? — a sobrancelha de Steve estava arqueada e eu estava vendo uma pitada de julgamento em seu olhar.
Desde que eu apareci com o dispositivo de invisibilidade para instalar no Quinjet, nenhum deles, nem mesmo a Wanda, tinha acreditado na minha história de que o Coulson tinha me encontrado enquanto fazia a feira e me dado o dispositivo para nos ajudar a fugir.
Suspirei, resolvendo contar a verdade logo.
—Ok, ok. — ergui as mãos. — Eu furtei o dispositivo de invisibilidade do Fitz, mas em minha defesa estava largado lá no laboratório da SHIELD e tinha mais três junto com ele. Fora que a Daisy pode ter visto quando eu coloquei um dos dispositivos na minha bolsa, mas ela não falou nada. Só que ninguém me parou para questionar ou me revistar, ou seja, a SHIELD, e o Fitz principalmente, levou esse pequeno furto como um empréstimo. — falei, gesticulando.
—Eu sabia. — Natasha falou balançando a cabeça. — O Coulson jamais teria se dado ao trabalho de ter procurar para te entregar o dispositivo com a intenção de nos ajudar. Não com a SHIELD passando por todos aqueles problemas. — ela cruzou os braços.
—Ei, o Pinguim gosta de mim e gosta mais ainda do Steve. Ele poderia muito bem ter feito isso. — cruzei os braços de volta.
—Eu ainda não estou acreditando no que você fez. —
—Ei, Steve, relaxa, ok? Você falando assim parece até que cometi um assassinato. E veja pelo lado bom, eu poderia ter deixado o dispositivo instalado no meu carro, em vez disso, preferi pegá-lo de volta e instalar no Quinjet para facilitar nossas vidas. — sorri.
—O que eu não consigo acreditar é que ela realmente instalou o dispositivo de invisibilidade no carro dela. Tipo, o que diabos você tem na cabeça? — Sam indagou.
—Vai dizer que um carro invisível não é legal? — arqueei a sobrancelha. — Mas relaxem, ok? O dispositivo foi a única coisa que eu peguei da SHIELD. Eu queria pegar uma arma alienígena muito legal que eu vi lá, mas o Tyler não deixou. — dei de ombros, fazendo um coque no meu cabelo.
—Eu desisto. — Romanoff jogou as mãos para o alto, saindo da cozinha.
—Qual é, Romanoff! Eu só estou fazendo jus ao nome de criminosa que recebi. — falei alto suficiente para ela ouvir.
—Você roubou... furtou! — corrigiu rapidamente ao ver o olhar feio que eu direcionei a ele. — Você furtou o dispositivo antes mesmo do Tratado entrar na história. —
—Cala a bola, Garibaldo. — resmunguei. — Se vocês acharem melhor eu devolvo o dispositivo. — fiz minha melhor cara de inocente, mas lá no fundo sabia que não precisava.
O dispositivo de invisibilidade nos ajuda e muito na hora de mudar de esconderijo.
—Não dá para voltar atrás, né? — Steve suspirou. Sorri. — Só não roube mais nada. — fechei a cara. — Furte. — abri um sorriso de novo.
—Muito bem, assistente. O que você acha de fazer ravioli de carne ao molho? — perguntei a Sam, retirando os ingredientes que iríamos usar da sacola.
—Já falei que eu não sou seu assistente, Melinda. — Wilson resmungou. — Mas ravioli parece bom. —
—Eu sei. Você poderia ir preparando o molho, assistente. Eu cuido da massa. — provoquei.
—Eu te odeio. —
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