Civil War
4 Aposta
Notas iniciais
—Os níveis de endofirna no corpo dela estão bastante altos para uma pessoa normal que acabou de fazer uma corrida de duas horas. – Tony comentou analisando uma tela que continha um holograma do meu corpo.
Assim que chegamos ao laboratório do Tony ele pediu para Sexta-Feira fazer uma análise de mim e logo um holograma do meu organismo apareceu.
Eu amo tecnologia. A verdade é essa.
—Só que eu não sou normal, Cabeça de Lata. – retruquei mexendo em algumas coisinhas espalhadas pelo laboratório dele.
—Exatamente. E pare já de mexer nas minhas coisas. – Tony deu um tapa na minha mão, fazendo-me soltar o que quer fosse que eu tinha segurado. – Nosso corpo produz endofirna quando praticamos alguma atividade física, gerando, assim, a sensação de bem estar e plenitude. –
—Eu sei. Endofirna é um analgésico natural que ajuda a aliviar a dor e ainda regula nossas emoções. – respondi cruzando os braços. – Muito top a endofirna. –
—Eu tenho uma teoria do porquê você conseguiu correr tão rápido, mas apenas com base nesse holograma não dá para ter certeza. – Stark informou olhando para a tela. – Uma amostra de sangue ajudaria bastante. – ele murmurou, me olhando sobre o ombro.
—Sem chances. – neguei. – A não ser que você tenha inventado um novo método de tirar sangue sem envolver agulhas eu não irei... – ele me interrompeu.
—Como diabos você tem medo de agulhas hospitalares e não tem medo de agulhas para tatuagem? – franzi as sobrancelhas.
—Como você sabe que eu fiz uma tatuagem? Eu não mostrei a ninguém. –
—Sério? Isso é importante? – Natasha questionou cruzando os braços.
—Essa sua roupa de corrida não está escondendo ela muito bem. – Tony respondeu minha pergunta, ignorando Romanoff. – Estou vendo um pedaço da sua tatuagem daqui. – ele me encarou. – O que você fez? Uma cobra para combinar com você? –
—Nossa, Stark, como você é engraçado. – revirei os olhos.
—É sério. O que você fez? – suspirei.
Segurei a barra do meu top e levantei um pouco, o suficiente para mostrar a tatuagem sob meus seios.(1)
—É. Você tem bom gosto para tatuagens. – Stark pegou alguns objetos. Baixei meu top. – Vamos? –
—O que você vai fazer Tony? – Steve indagou.
—Eu não irei fazer nada além de analisar. Agora eu não posso dizer o mesmo da Pirralha aqui. – O bilionário respondeu me entregando uma cinta de frequência cardíaca. – Coloca isso. –
—Você quer que eu corra? – encarei Tony. – Essa é a sua ideia, Cabeça de Lata? –
—Quer que eu pegue uma seringa e uma agulha para tirar seu sangue? – ele arqueou a sobrancelha.
Bufei, colocando a cinta um pouco abaixo dos meus seios.
—Pronto. Já está conectado com o bluetooth. – Stark falou olhando seu tablet. Ele pegou outra coisa e me entregou. – É um ponto de comunicação. Assim vamos poder falar com você enquanto corre. – assenti colocando o ponto no ouvido.
—Mais alguma coisa? – perguntei. – Talvez você poderia me dar uma xícara de café. O que acha? –
—Vamos logo, Pirralha. – ele me empurrou na direção da saída do laboratório.
—Estou me sentindo um rato de laboratório de novo. – resmunguei cruzando os braços.
—Isso é importante para sabermos se tem algo de errado com você ou não, Melinda. – Steve falou fazendo-me suspirar.
—Eu sei, Picolé. Mas a sensação que esses testes trazem é muito ruim. – murmurei apressando um pouco os passos e deixando eles para trás.
***
—Você apenas vai correr, Pirralha. O mais rápido que puder. – Stark informou olhando para seu tablet.
—Certo. Quantas voltas? – indaguei me alongando.
—O suficiente para poder concluir minhas... –
—Paranóias? – interrompi. Ele me encarou.
—Só corra, Pirralha. – soltei uma risada. – Quando eu disser já. –
—Já!—
Comecei a correr, mas então parei ao me tocar que não tinha sido Tony que havia falado.
Virei-me na direção da entrada do Complexo. Sam ria como se aquilo fosse a maior piada do mundo.
—Eu devia bater em você, ave desgraçada. – encarei Sam com um olhar mortal.
—Desculpe, mas você tem que admitir que foi engraçado. – ele se aproximou dos demais.
—Engraçado vai ser quando eu fizer você flutuar e te soltar lá de cima. – cruzei os braços.
—Certo. Já chega dessa briguinha de vocês. Os dois podem se resolver em um quarto depois. – arqueei a sobrancelha para Tony.
—O que vocês estão aprontando? – o Piu-Piu questionou cruzando os braços.
—Melinda, ao que parece, está desenvolvendo uma nova habilidade. – Natasha respondeu. – Só que para que a gente tenha certeza disso ela precisa correr. –
—Eu já estaria na segunda volta se o Piu-Piu aqui não tivesse bancado o engraçadão. – apontei para Sam.
—Vamos, Pirralha. De novo. – Tony instruiu.
—Se ninguém mais me interromper. – encarei Wilson que ergueu as mãos.
—No três, ok? – Steve falou. Assenti. – Um, dois... –
E então eu sai correndo que nem uma desembestada ao redor dos prédios.
—Eu falei no três. – ouvi a voz de Steve pelo ponto de comunicação.
—Desculpa, mas eu não confio no Sam. – respondi.
—Eu não ia fazer nada. –
—Ah, claro. Você acha que eu nasci ontem, Calopsita? – escutei alguns ruídos de como se fosse alguém segurando a risada.
No entanto, logo o som da gargalhada de Tony preencheu meus ouvidos. Outras risadas vieram junto com a dele.
—Calopsita. Como eu não tinha pensado nisso? – Stark questionou ainda rindo.
—Se você quiser, Cabeça de Lata, tenho outros apelidos. – falei soltando uma risada lembrando de algumas sugestões. – Podíamos chamar ele também de Woodstock ou Garibaldo. –
—Quem? – foi Sam quem questionou. – Se for para me colocar apelidos, Melinda, que seja algum que eu conheça. –
—Woodstock. O melhor... – Tony me interrompeu.
—Nós sabemos quem é Woodstock. Quem é o outro? –
—Ah. Garibaldo, o grande pássaro amarelo da Vila Sésamo. –
Como eles não falaram nada, sugeri que ainda não sabiam quem era.
—Vila Sésamo. – Tony murmurou. – É uma série derivada de Sesame Street. –
—Você está pesquisando sobre o tal pássaro? Eu achei que você estava focado na Melinda. –
—Relaxa, Capitão. Eu sou multitarefas. – Tony respondeu.
Continuei correndo e logo estava de volta a entrada do Complexo. Acenei para eles, sem parar de correr.
—Uau. – ouvi Sam murmurar. – Ela é rápida. – sorri.
—A que velocidade ela está correndo? – Natasha indagou.
—52km/h. – Stark respondeu causando murmúrios de surpresa entre os presentes.
—52km/h? Sério? Não dá para arredondar para 55? – questionei frustrada.
—Você não se contenta com nada, não é mesmo? –
—Se quer atingir 55km/h, Melinda, corra mais rápido. – Natasha falou em tom de ordem.
—Não gosto desse tom de voz, Romanoff. A não ser que seja na cama. – informei, correndo mais rápido.
—Mas você me obedeceu rapidinho, que estou vendo. – o tom agora era de convencimento.
—Talvez porque você vá me recompensar depois, não? – sorri.
—Não. – meu sorriso aumentou.
—Sua resposta veio rápido demais. –
—Vão para um quarto vocês duas. – Tony resmungou.
—Eu quero, mas a Nat que me rejeita. – falei me aproximando novamente do local onde eles estavam.
—Ela conseguiu atingir os 55km/h. – Stark informou.
—Ei! Eu senti um tom de surpresa na sua voz, Cabeça de Lata. –
Quanto mais me aproximava, podia ver os olhares surpresos. Visão, Wanda e Rhodes caminhavam até o grupinho.
—O que vocês estão fazendo? – Rhodes indagou.
—Acabei de ultrapassar o recorde do Usain Bolt. – respondi passando por eles. – Eu poderia entrar para o livro de recordes, não? –
—Se você fosse uma pessoa normal, sim. – Sam respondeu.
—Estraga prazeres. – resmunguei. – Hey, Capitão, o que acha de apostar uma corrida comigo? –
—Se eu fosse você retirava esse convite enquanto tem tempo. – Wilson falou rindo.
—Fica na sua, Woodstock. Então, Capitão? O que me diz? – sorri, tentando correr mais rápido.
—Desafio aceito. – meu sorriso aumentou.
Aumentei o ritmo da corrida e logo eu estava perto deles.
Ao estar perto o suficiente, eu diminui o ritmo. Só que eu acabei tropeçando no meu próprio pé e caindo.
Rolei no chão, parando de joelhos, rindo.
—Uma vez desastrada, sempre desastrada. – Wanda falou sorrindo.
—Quer desistir da corrida, Melinda? – Steve questionou.
—Não. Você pensa que eu sou o que, Picolé? – levantei limpando a terra do meu corpo. – Eu nunca desisto de uma aposta. – me aproximei deles.
—Tudo bem. Vamos então. – ele começou a caminhar, mas eu parei ele.
—O que acha de tornarmos isso mais interessante? – sugeri, sorrindo com malícia.
—Não vou dormir com você, Melinda. – arqueei a sobrancelha.
—Eu não estava pensando em sexo, por incrível que pareça. – esclareci. – E por mais que eu queira, Amy me mataria. Enfim, vamos apostar valendo algo material. O que acha? –
—Apostar valendo algo que não é sexo com o Picolé? Agora estou com medo de você, Pirralha. – Tony falou causando-me um sorriso.
—O que você quer apostar? –
—Antes de tudo eu queria saber quem apostaria em você. – olhei para os demais. – Então? Façam suas apostas. – eles arquearam a sobrancelha.
—Certo. – o Piu-Piu murmurou. – Eu aposto no Steve. Desculpa, Melinda, mas eu acho que você ainda não o viu correndo, certo? –
—Alguém mais? – questionei.
—A Pirralha conseguiu correr a 55km/h. Desculpa, Picolé, mas estou com ela. – Tony falou causando-me um sorriso.
—Estou com o Stark. Eu aposto na Melinda. – dei uma piscadela para Wanda.
—Eu vou apostar no Steve. – abri a boca incrédula.
—Nat! Eu achei que você ficaria do meu lado. – reclamei.
—Talvez na próxima. – semicerrei os olhos na direção dela.
—Certo. Rhodes e Visão. Só faltam vocês dois. –
O Coronel encarou o andróide. Depois de trocarem alguns olhares que, com certeza, tinha um significado, Rhodes me encarou.
—Nós somos oito. Tirando o Capitão e você, sobram seis. Então Visão e eu vamos balancear a aposta. – arqueei a sobrancelha para o Coronel. – Assim você não acha que tem algum tipo de favoritismo aqui. –
—Vocês acham mesmo que eu ficaria com raiva por o Steve ter mais apostadores que eu? – Visão assentiu. Soltei uma risada. – Talvez eu ficasse se fosse em relação a outra coisa, mas isso? Com isso, eu ficaria feliz já que o número de perdedores seria maior. Mas ok. Qual de vocês está comigo? –
—Visão está com você. Eu estou com o Steve. – assenti.
—Então, Melinda, você quer apostar uma corrida valendo o que? –
—Uma tatuagem. – respondi o Capitão.
—O que? – todos indagaram.
—Uma tatuagem, ora essa. – repeti como se fosse algo normal. E era. – O que tem de errado? –
—É uma tatuagem, Melinda. Não é algo que sai com água e sabão. – Nat cruzou os braços.
—Tem umas de chiclete que sai sim com água e sabão. – dei de ombros. – Eu sei, Nat. A que está entre meus seios é a prova disso. – então um alerta surgiu em minha cabeça. – E antes que vocês pensem em voltar atrás, não podem. Aposta é aposta. –
—Mas eu ainda não aceitei. –
—Aceitou sim, ok? – apontei o dedo para Steve. – Não venha querer me enrolar e salvar essa sua linda pele de ter um desenho escolhido por mim gravado nela, certo? –
—Espera. Você vai escolher o desenho? – Rhodes perguntou com as sobrancelhas arqueadas.
—Sim. Eu posso pedir para o Theo escolher, se vocês preferirem. Aposto que virá algo com relação a dragões e coisas do tipo. – soltei uma risada.
—E você tem alguma ideia de que tatuagem você quer? –
—Tem algumas na minha cabeça, Calopsita. – respondi dando as costas para eles e me preparando para correr.
—E se eu ganhar? – Steve ficou do meu lado.
—Você escolhe a tatuagem que eu e os que apostaram em mim vamos fazer. – o encarei. – Feito? – estendi minha mão.
—Feito. – o Capitão apertou minha mão.
—Melinda, acho bom você ganhar essa corrida ou eu te mato. – Wanda falou atraindo minha atenção para ela.
—Só aceito se for uma morte de amor e carinho. – pisquei para ela. – Relaxa, bebê. Eu nunca perco em uma aposta. –
—Para tudo se tem uma primeira vez. – Natasha sorriu.
—Certo. – Tony tomou a palavra. – Duas voltas. Quem der as duas voltas e chegar primeiro, vence. –
—Duas? Por que não apenas uma volta? – Rhodes perguntou. – Já está querendo roubar, Tony? –
—Vocês quem estão com medo de perderem. – Stark respirou fundo. – No três. –
Um...
—Sem trapaças, Melinda. – Steve murmurou.
Dois...
—Assim você me ofende. – murmurei de volta.
Três!
E então o Capitão e eu começamos a correr.
***
—Não estou acreditando que perdemos essa aposta. – soltei uma risada.
—Eu disse que eu nunca perdia uma aposta. – falei fuçando meu celular.
Eu estava procurando uma tatuagem que combinasse com todos eles.
No início, eu tinha pensado em cada um ter uma tatuagem diferente, mas isso seria uma puta sacanagem.
—Eu ainda acho que você trapaceou. – Sam comentou. Revirei os olhos.
—Eu posso trapacear algumas várias vezes, mas dessa vez eu fui honesta, ok, Garibaldo? –
—Ela está falando a verdade. Melinda não trapaceou. – Steve afirmou sentando-se no sofá. – Acontece que com toda essa história da aposta, Tony acabou não falando se a teoria dele sobre a Melinda estava certa ou não. –
Todos encararam o bilionário.
—Ah, sim! Eu estava certo. Obrigado, de nada. – ele voltou a encarar meu celular. – O que acha dessa, Pirralha? Aposto que combina direitinho com o Picolé. – Tony apontou para uma foto.
—A tatuagem de um morcego? Você sabe que é em homenagem ao Batman, não sabe? – encarei Tony.
—Por isso mesmo que combina com o Capitão. – ele sorriu. Revirei os olhos.
—Sem chances, Cabeça de Lata. Todos aqui sabem que Steve não gosta do Morcego. – murmurei deslizando a tela. – E não venha querer mudar de assunto. – voltei a encarar o bilionário. – Qual sua teoria? – ele suspirou, se afastando.
—Minha teoria consistia em você produzir energia cinética com mais rapidez e eficiência que as pessoas normais. Como seus amigos, por exemplo. –
—Pessoas normais como você? – arqueei a sobrancelha. Ele fez um gesto de dispensa com a mão.
—Não me compare com a maioria das pessoas. Enfim, eu acho que você pode produzir os tipos de energia sem nenhuma dificuldade, sabe? –
—Tipos de energia? Como a elétrica, térmica e até mesmo a energia nuclear? – a expectativa estava começando a tomar conta de mim.
—Sim, mas em relação a térmica e, principalmente, a nuclear, não será algo fácil. – ele respondeu. – É bastante complicado produzir esse tipo de energia, entende? – assenti, pressionando os lábios com uma ideia na minha cabeça.
—É uma baita de uma habilidade. – Sam comentou.
—Certo. Se eu conseguir produzir energia elétrica significa que eu não vou mais precisar andar com um carregador na bolsa? –
—É sério? Eu acabo de dizer que você pode produzir qualquer tipo de energia e você me fala sobre carregar seu celular com suas mãos? – Stark me encarou.
—Surgiu algum vilão até agora? Não. Então se eu não posso usar essa produção de energia em alguém, eu irei usar para meu próprio bem. – cruzei os braços.
—O tatuador chegou, chefe. – a voz de Sexta-Feira soou pela sala.
—Merda. E eu nem achei a tatuagem ainda. – me desesperei deslizando a tela.
—Se você quiser, pode deixar para amanhã, Melinda. –
—Tentando fugir, Capitão? – o olhei de soslaio.
—Pelo menos eu tentei. – Steve ergueu os braços rindo.
—Oi, antes de tudo eu queria dizer que sou um grande fã de todos vocês. É uma honra poder... – interrompi o tatuador, indo até ele.
—Oi, Karl. Sinto em interromper sua amostra gratuita de admiração pelos Vingadores, mas eu preciso de ajuda. – parei na frente dele.
—Sempre mal educada. – Natasha falou.
—Eu não faço a mínima ideia de qual desenho escolher. Eu tinha alguns na cabeça, mas agora eu vejo que não faz sentido eles terem meus pensamentos gravados no corpinho deles. – falei gesticulando. – Você precisa me ajudar. –
Karl riu. Ele já estava acostumado com minhas falas apressadas.
—Parece que eu tenho a solução para seu problema. – ele abriu sua bolsa, tirando seu caderno de desenhos.
—Engraçado. Ele não tem várias tatuagens espalhadas pelo corpo. – ouvi Tony pensar alto.
—Ah, sim. Acontece que eu amo tatuagens, mas não ao ponto de cobrir todo meu corpo com elas. – Karl respondeu. – Não que eu tenha algo contra com quem gosta de ser coberto por desenhos. –
—Karl, minha tatuagem. – lembrei.
—Ah, claro. Então, quando você me ligou dizendo que os Vingadores queriam fazer uma tatuagem, eu pensei em alguns desenhos que melhor representasse todos vocês. –
—Todos vocês? – Wanda indagou confusa.
—Oh. Esqueci de informar. – bati na minha testa, girando nos calcanhares. – Eu pensei melhor e acho que todos nós devemos ter uma tatuagem. O que acham? Todas igualzinhas. – sorri.
—E você pretendia nos contar que decidiu sozinha que queria marcar nossos corpos para o resto da vida sem a nossa permissão? – Tony questionou.
—Claro que ia. Quando o Karl chegasse e olha só ele aqui. – apontei para o tatuador. – Relaxa, gente. Nem dói. – dei de ombros, virando-me na direção de Karl novamente.
—Melinda, você não pode pensar por todos nós, ok? Certo, a parte do Steve e os outros foi uma aposta, mas decidir que todos devem fazer uma tatuagem sem nos consultar antes? – eu teria respondido Wanda, mas estava muito ocupada encarando o desenho de Karl.
—Como diabos eu não pensei nisso? – resmunguei pegando o caderno. – Karlito, ela é linda. –
—Obrigado. Eu realmente estava em dúvida se vocês iriam gostar ou não. – ele sorriu.
—Melinda, será que você poderia virar e... – me virei na direção dos Vingadores.
—O que acham? – mostrei o desenho. – É perfeita. Simplesmente perfeita. – sorri.
—É o símbolo dos Vingadores? – Steve indagou. Assenti.
—Pensem bem. É uma tatuagem nossa, com o nosso símbolo. – falei, entregando o caderno a Karl. – Não levem isso como uma aposta perdida ou como mais uma das minhas ideias sem cabimento. Pensem nessa tatuagem como se fosse uma forma de mostrar que independente do que aconteça, nós ainda seremos os Vingadores. – sorri. – Que mesmo se o mundo ficar contra nós, ainda vamos ter uns aos outros. –
Eles me encaravam em silêncio. Pelos olhares de alguns eu notava certa surpresa com meu pequeno discurso. Até eu estava surpresa com as escolhas das minhas palavras.
—Vão ficar bancando o Dunga, é? – bufei, cruzando os braços.
—Eu só acho injusto o fato de que o Visão será o único que não fará a tatuagem. – Rhodes comentou sorrindo.
—Quem disse que ele ficará sem? O Visão conseguiu projetar o traje de batalha dele. – lembrei. – Com certeza ele consegue projetar essa tatuagem. –
—Acho que vale a tentativa. – o andróide sorriu.
—Todos de acordo? – encarei o restante.
—Certo. – Natasha falou. – Estamos de acordo desde que você seja a primeira a fazer a tatuagem. – abri um sorriso.
—Fechado. – olhei meu corpo. – Onde vocês acham que é o melhor lugar? –
***
—Ficou uma gracinha. – falei olhando a tatuagem feita em meu antebraço direito.(2)
—Já estou sentindo o arrependimento chegando. – ouvi Rhodes murmurar.
—Relaxa, Rhodey. É só uma tatuagem. Sem arrependimentos. – tranquilizei.
—Acontece que eu sou um Coronel, Melinda. – revirei os olhos.
—Misericórdia. Relaxa, ok? Existe maquiagem para esconder tatuagem. – sorri. – Eu te ensino depois. Agora vamos tirar uma foto e mandar para o papai Clint. –
—É uma droga o fato de vocês já estarem com a tatuagem curada enquanto a gente vai ter que passar um tempo com esse plástico no braço. – Sam resmungou. – Maldito fator de cura avançado. –
Wanda, Steve, Natasha e eu sorrimos.
—Um dia vocês conseguem. – Natasha falou sorrindo.
—Vamos logo tirar essa foto. – falei pegando meu celular. – Eu mando para o Clint e depois posto no Twitter. Vamos. –
—Você e sua obsessão pelo Twitter. – Tony levantou vindo até mim. – Vamos logo com isso e assim a Pirralha pode nos deixar em paz. – arqueei a sobrancelha.
Os outros se aproximaram. Até Visão, que conseguiu projetar a tatuagem em seu braço.
Tirei a foto da tatuagem e depois uma com o Karl, afinal ele merecia o devido crédito.
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