Civil War
15 Aeroporto
Notas iniciais
—Não devia ficar assim tão perto dele. — Sam alertou pela segunda vez.
—Mas é porque ele é tão bonito, Piu-Piu. Olha esse rostinho! — apontei com a outra mão livre. — Até sujo de sangue é bonito. —
—Você está falando do Soldado Invernal, lembre-se disso. — cruzou os braços.
Nós estávamos em uma oficina que aparentemente parecia abandonada.
Se isso era invasão? Nós não ligávamos muito, já estávamos sendo tratados como criminosos mesmo.
Tínhamos ocupado uma das salas e colocado o Sargento sentado, prendendo seu braço de metal sob várias tralhas.
Nunca se sabe como ele vai reagir quando acordar.
Senti o rosto dele se mexer levemente. Soltei o rosto do mesmo, mas não recuei.
Bucky ergueu a cabeça, um pouco desnorteado. O canto esquerdo da sua testa assim como a bochecha sangravam, o cabelo estava levemente bagunçado.
Sam, que estava parado em pé próximo a porta da sala, os braços cruzados e a expressão séria, saiu para chamar Steve que estava checando as portas, vendo se o pessoal da CIA estavam perto de nos encontrar.
O som de um helicóptero no ar rodava pelo bairro.
—Olá, Dory. Tudo joinha? — sorri.
O Capitão e o Falcão estavam de volta a sala. Me afastei, deixando que eles se encarassem.
—Steve. — a voz de Bucky não passou de um sussurro.
—Com qual Bucky estou falando? — o Capitão perguntou sério.
—O nome da sua mãe era Sarah. — falou, sem apresentar muito esforço para lembrar de tal informação. — Você colocava jornais nos calçados. — uma risada escapou dos seus lábios.
—Não leria isso num museu. — falou.
—E do nada deveríamos ficar despreocupados? — Sam rebateu.
—O que foi que eu fiz? — indagou Bucky.
—O suficiente. — Rogers respondeu.
—Eu sabia que ia acontecer. Tudo que a HYDRA colocou em mim ainda está aqui. — Bucky baixou a cabeça. — Ele só precisava dizer aquelas palavras. —
—Quem era ele? — questionei.
—Eu não sei. —
—Pessoas morreram. A bomba, a armação. O médico fez aquilo para passar 10 minutos com você. Eu quero uma resposta melhor do que eu não sei. — o Capitão falou firme novamente.
—Ele queria saber sobre a Sibéria. — franziu as sobrancelhas. — Onde eu ficava. Queria saber exatamente onde era. —
—Por que ele queria saber isso? —
Encarei o Capitão antes de voltar a cabeça na direção do Sargento surpresa com a resposta dele.
—Porque eu não sou o único Soldado Invernal. —
—Eita, porra. Agora a vaca foi pro brejo. — falei.
***
—Quem eram eles? — Steve indagou com os braços cruzados.
—O maior esquadrão de elite. Mais fortes que qualquer um da história da HYDRA. — Bucky respondeu.
O braço dele, a essa altura, já estava solto. E eu estava limpando os ferimentos dele com água e um pedaço da minha camisa sem nenhum problema e ouvindo a história com atenção.
—E isso foi antes do soro? — indaguei, vendo-o assentir.
—Todos eles ficaram iguais a você? — Sam perguntou do outro lado da sala.
—Piores. —
—Poderia controlá-los? — Steve indagou.
—Talvez. —
—Ele disse que queria ver um império cair. — Steve murmurou.
—Com esses caras ele conseguiria. Eles falam 30 línguas. Podem se esconder em plena vista, se infiltrar, assassinar, desestabilizar. Podem tomar um país inteiro em uma única noite sem ninguém se dar conta. —
Bucky falou, fazendo-me arquear a sobrancelha.
—Se eles não fossem tão ruins assim eu os contrataria para tirar o Presidente do poder. —
—Melinda. — o tom de repreensão na voz de Steve era evidente.
—Estou brincando, Picolé. — terminei de limpar a bochecha de Bucky. — Mentira. — sussurrei para o Sargento que deu um sorriso pequeno.
Sam caminhou até Steve.
—Seria melhor ter feito isso antes. —
—Se ligarmos para o Tony... — o Capitão tentou falar.
—Ele não ia acreditar. — Sam cortou o amigo rápido.
—Caso acredite. —
—Quem garante que o Tratado deixaria ele ajudar? — cruzou os braços.
—Estamos sozinhos? —
—Talvez não. Eu conheço um cara. —
Girei no banco na direção do Passarinho.
—Não está falando daquele cara que eu acha que você está falando, está? — sorri.
—Estou sim. — ele sorriu também.
—Que cara? — Steve indagou confuso.
—O Homem-Formiga, é claro! — meu sorriso aumentou. — Ano passado ele tentou invadir a base dos Vingadores e o Falcão foi impedi-lo. Acabou que ele não conseguiu deter a formiguinha e o cara entrou na base e levou algum dispositivo que não fazemos ideia do que foi. —
—Melinda! Não era para falar assim. —
—Sua versão é chata, Garibaldo. — dei de ombros.
—Como a Melinda sabe disso e eu não soube de nada? —
—Ninguém esconde nada de mim, Capicolé, você sabe. — sorri.
Girei na direção de Bucky que ouvia tudo com atenção.
Sam e Steve começaram a conversar sobre o Homem-Formiga e como o Capitão América, o líder dos Vingadores, não soube dessa pequena invasão.
—Você realmente é mais bonito pessoalmente. Eu ficaria feliz de ser assassinada por um cara tão bonito como você. — ele franziu as sobrancelhas. — Piada com assunto sério. Desculpa, Dory. — pedi séria.
—Quem é Dory? —
—Você não sabe quem é Dory? — perguntei horrorizada. — Além de querer saber mais sobre você e o Capitão, o que você andou fazendo nesses dois anos? — coloquei as mãos na cintura.
—Eu... —
—Dory é uma peixinha azul da animação da Disney Procurando Nemo. É um filme muito bom. Quando tudo isso terminar, vamos assistir e maratonar alguns filmes para você entender as referências. Eu, você e o Steve. — Bucky arqueou a sobrancelha. — Enfim, ela tem perda de memória recente então não costuma lembrar das coisas. Pensando bem, talvez você se sinta mal por esse apelido. Se quiser que eu pare, eu paro. — falei, gesticulando.
—Eu gostei. — ele sorriu. — Pode me chamar assim, desde que deixe eu te chamar de Mérida. — arregalei os olhos.
—Como você... — gaguejei.
—Eu estava apagado, mas não surdo. Eu ouvi alguma coisa ou outra. — deu de ombros. — Captei a parte em que você contou para o Steve que assinou o Tratado como Mérida Walker. —
—Mas minha assinatura não vale. Eu deixei de ser Mérida Walker há muito tempo. — baixei o olhar.
—Ainda sim, ela faz parte de você. E é um belo nome. — estendeu a mão de metal. — Prazer, Mérida. — sorriu.
—O prazer é todo meu, Dory. — sorri, apertando sua mão sem pensar duas vezes. — Eu sempre quis conhecer você. O Sargento James Buchanan Barnes e o único cara ainda vivo que conheceu o Steve antes do soro. — soltei sua mão. — Ele era desse jeito? Eu li alguns relatórios, alguns sem permissão, claro, mas eles não contavam muito como o Picolé era antes. Eu acho ele sério demais, as vezes ele relaxa, mas tem outras que o Steve leva as coisas com tanta seriedade que... —
—Precisamos ir. — o Capitão interrompeu, fazendo Bucky e eu encará-lo. — Vocês terão tempo suficiente para fofocar sobre mim a caminho do aeroporto. —
—Vai para uma luta sem seu escudo? E você sem suas asas? — perguntei.
—Não. Vou falar com a Sharon e pedir que ela leve nossos trajes para um ponto de encontro longe da CIA. —
—E ela vai fazer isso, Cap? Trair a CIA para devolver os trajes dos criminosos mais procurados? — não deixei ele responder. Semicerrei os olhos em sua direção, levantando e cruzando os braços. — Qual é o lance de vocês? Por acaso a Amy conhece essa Sharon? —
—Não viaja, Melinda. — ele disse sério. —Eu vou sair e arranjar um telefone. Preciso fazer duas ligações. —
Apalpei meu bolso traseiro da calça, retirando meu celular com a película trincada.
—Pega. Usa e descarta. — entreguei a ele.
—Você estava com o celular esse tempo todo? — Sam indagou. Assenti. — O Tony poderia ter nos rastreado. —
—Não, não podia. Você lembra que o Ryan é hacker, né? Ele criou um programa que impede que rastreem meu celular. — expliquei. — No entanto, assim que o Steve usar o telefone vai precisar descartá-lo. Ryan é muito inteligente, mas o Tony também é e o QI dele é um pouquinho, só um pouquinho, maior que o do Ryan. Se o Tony estiver tentando rastrear meu celular, ele vai conseguir invadir o programa do Ryan assim que o Steve fizer a segunda ligação e desativá-lo. Terá que ser rápido, Capitão. — cruzei os braços.
—Obrigado, Melinda. — sorri.
***
Steve parou o carro metros atrás do carro da agente Carter, saindo do mesmo logo em seguida e caminhando até ela.
Estávamos em um fusca azul.
Acabou que quando Steve saiu para fazer as ligações ele voltou com um carro emprestado, segundo ele.
Esse carro era um fusquinha azul.
Agora imaginem o Capitão América, o Falcão e o Soldado Invernal em um fusquinha.
Três cavalos em um carro minúsculo.
Isso gerou muitas risadas da minha pessoa, é claro.
Nunca agradeci tanto por ter 1,60cm de altura.
—Chega o banco para frente. — Bucky pediu a Sam com a cara fechada.
—Não. — o Falcão respondeu com a mesma expressão.
Soltei uma risada, encarando Sharon e Steve.
—Amo as interações de vocês. — murmurei.
Apertei subi o botão do banco do motorista, empurrando ele para frente e dando mais liberdade para minhas pernas. Bucky pareceu em dúvida se devia se aproximar e sentar no meio do banco traseiro.
—Pode chegar mais, colega. Eu não mordo. — sorri.
—Ela morde sim. — Sam respondeu com um sorriso.
—Você gostou que eu sei, Garibaldo. — pisquei para ele.
Bucky afastou mais para o meio do banco transeiro.
—Vocês já... —
—Se já transamos? Sim, assim que nos conhecemos. Rolou mais algumas vezes, mas ele quis parar para evitar se apaixonar por mim. — dei de ombros, sorrindo convencida.
—Seje menas, Melinda. — Sam riu.
—Acho que você não entendeu o conceito de um carro de fuga. — Sharon comentou atraindo minha atenção.
—Bem discreto. — o Capitão respondeu.
—Ótimo, porque essas coisas chamam bastante atenção. — ela abriu o porta-malas do seu carro.
—Fico te devendo. —
—Estou fazendo uma lista. — ela olhou na direção do fusquinha azul. — Ele meio que tentou me matar, então... —
—Dory tentou me matar também e nem por isso estou choramingando. — resmunguei.
—Desculpa. Eu vou colocar isso na lista também. Vão vir atrás de você. — Steve falou encarando os equipamentos.
—Eu sei. — ela assentiu.
—Obrigado, Sharon. —
E então meu sexto sentindo apitou.
—Epa! Eu conheço esse olhar. É o olhar de quem vai trocar saliva! — falei, me atrapalhando um pouco ao abrir a porta do motorista e sair do carro.
—Melinda, o que você... — Sam tentou falar, mas eu já estava em pé ao lado do carro apoiada no capô.
—Hey, Capitão! — soltei uma risada, quando eles recuaram, me encarando. — Lamento interromper esse papo super produtivo aí, mas temos que ir ou vamos perder o vôo. É o vôo "tenho namorada e não devo trai-la" e está marcado para o horário "traia a Amy e não vai ter escudo que te proteja da surra que eu vou te dar". — sorri. — E então? —
Sharon suspirou e então voltou para seu carro, mas não deu a partida.
Caminhei até Steve séria.
—Ia mesmo beijá-la? E a Amy? Não acho que ela teve aquela conversa com você ainda. Eu pedi que ela só contasse após o velório da Peggy e... —
—Eu não ia beijar a Sharon. — defendeu-se, pegando seu escudo.
O encarei com a famosa cara do "me engana que eu gosto".
—E de que conversa você está falando? —
Ops.
Peguei a mochila com asas de Sam.
—Eu não posso me meter, Picolé. É algo entre vocês. — falei.
—Amélia não está grávida, está? —
—O que? Não! — falei incrédula. — Se bem que os filhos de vocês seriam lindos. Vocês poderiam, por favor, terem filhos e povoar esse mundo com esses genes da beleza que ambos tem? —
—Você está viajando demais, Melinda. — ele balançou a cabeça, pegando seu traje e o de Sam. Peguei o traje de Bucky, fechando o porta malas.
—Nananinanão. — entrei na frente de Steve que estava indo até Sharon. — Eu despacho ela, vai guardar essas coisas. — falei, vendo-o arquear a sobrancelha.
No entanto, o Capitão não falou nada e voltou para o fusquinha.
Caminhei até Sharon que estava sentada no banco do motorista e baixou o vidro com a cara fechada.
—Meu santo também não bateu com o seu, sinto muito. — falei no automático. — Obrigada por estar nos ajudando. E sim, eu sei que você está fazendo tudo isso mais pelo Steve do que pelo resto de nós. — me adiantei quando notei ela abrindo a boca. — Se eu te constrangi antes, desculpa, mas o Steve namora minha amiga e por mais que ele estivesse a fim de te beijar, eu não poderia permitir que ele traísse ela na minha frente. —
—Eu entendo. — falou, me encarando nos olhos.
—E olha, você é bem mais que um macho para formar par romântico com você, bebê. Obrigada por nos ajudar e bon revoar. — sorri.
Acenei, mesmo com o traje do Bucky na mão e me afastei, voltando para oveículo de fuga.
***
Steve parou o fusquinha no estacionamento do aeroporto duas vagas depois de uma van branca.
Ele e Sam foram os primeiros a sair do carro. Bucky e eu saímos logo depois.
Observei Wanda e Clint saltarem da van, causando-me um sorriso.
Corri na direção do outro passarinho.
—Legolas! — sorri, o abraçando.
—Melinda! — ele riu, me abraçando de volta. — Também senti saudades. —
—Mentiroso. — me afastei. — Se tivesse sentido mesmo, teria nos feito uma visita nesse último ano. Nem que fosse no Natal. — Clint sorriu.
Fui até Wanda, a abraçando também.
—Como você está, bebê? — perguntei.
—Bem, e você? —
—Você está aqui e eu tenho um novo amigo. — apontei para Bucky. — Eu estou bem. —
—Capitão. —
Me virei, vendo Clint estender a mão para Steve.
—Se eu tivesse outra opção não teria chamado você. — Rogers falou, apertando a mão do Legolas.
—Que isso. Está me fazendo um favor. Eu tinha uma dívida. — indicou Wanda com a cabeça.
—Obrigado por ficar do meu lado. — o Capitão agora falava com a bruxinha.
—Era hora de me levantar e agir. — Wanda respondeu com os braços cruzados.
—Fora que ela tinha um bom motivo para vir para seu lado. Eu, é claro. — sorri, abrindo os braços.
—E o outro recruta? —
—Ele tava ansioso para vir. A viagem deu uma canseira nele. — Barton foi até a van, abrindo a porta e revelando um homem dormindo nos bancos. Sam assentiu para Steve. — Mas ele está bem. —
O barulho da porta abrindo o assustou.
—Que fuso horário é esse, hein? — indagou saindo do veículo.
—Vai lá. — Clint indicou o Capicolé.
O homem caminhou até Steve com um brilho de admiração nos olhos.
—Capitão América. — ele estendeu a mão para Steve.
—Sr. Lang. — Steve apertou a mão dele.
—É uma honra. — falou, o sorriso bobo nos lábios enquanto ele balançava a mão de Steve para cima e para baixo. — Estou apertando sua mão por muito tempo, não é? — o Picolé assentiu. — O Capitão América! — olhou para trás, encontrando Wanda e eu. — Eu conheço vocês também. Vocês são ótimas. —
Nos encaramos e então acabamos sorrindo.
Seu olhar voltou para Steve e sem conseguir formular uma frase, apertou os bíceps do Capitão soltando-os logo depois.
—Caramba. Olha, eu queria falar que eu sei que você conhece várias super pessoas então obrigado por me pensar. — Scott apontou para Sam, sorrindo. — E aí, cara. —
—Zé Pequeno. — acenou com a cabeça.
—Olha, sobre aquele dia... — começou sem graça.
—Foi um ótimo teste, mas não vai rolar de novo. — Sammy riu.
—Te contaram o que vamos enfrentar? — Steve indagou.
—Alguma coisa a ver com assassinos psicopatas? — sugeriu.
—Estamos fora da lei dessa vez. Se vier, será um homem procurado. — Scott assentiu.
—Tudo bem, vai. Isso é normal para mim. —
—Temos que ir embora. — Bucky falou apoiado no fusca.
—O helicóptero está pronto. — Clint informou.
Algo em alemão soou pelas caixas de som do aeroporto.
—Estão evacuando o aeroporto. — traduzi.
—Stark. — Steve falou.
—Stark? — Scott indagou confuso.
Será que o coitado andou vendo o noticiário esses dias?
—Está na hora. — o Capitão falou.
***
Steve e eu corríamos até o helicóptero parado na pista de decolagem do aeroporto. Não estávamos correndo a todo vapor, sabíamos que o helicóptero era um alvo muito fácil e que Tony chegaria até nós através dele.
Enquanto nos aproximávamos, dispositivos são atirados contra o helicóptero, desligando todas suas funções e o deixando inútil para vôo.
Paramos no caminho e no exato momento o Homem de Ferro e o Máquina de Combate pousam com suas respectivas armaduras.
—Uau! É muito estranho quando cruzando com as pessoas no aeroporto. Não acha isso estranho? — Tony indagou, abrindo seu capacete.
—Muito estranho. — Rhodey concordou.
—Escuta, Tony, aquele médico, o psiquiatra, ele está por trás disso tudo. — o Capitão explicou.
Um vulto veio do lado direito de Steve, atraindo nossa atenção, e logo tomou forma. A forma do Pantera Negra.
—Capitão. Valente. —
—Alteza. — Steve e eu falamos em uníssono.
—Ross deu 36 horas para levar vocês. Isso foi 24 horas atrás. Dá uma forcinha vai. — Stark falou caminhando por trás de Rhodes.
—Está atrás do homem errado. — Steve foi taxativo.
—Seu argumento está distorcido. Seu velho amigo de guerra matou inocentes ontem. —
—E existem mais cinco super soldados iguais a ele. — falei, atraindo a atenção de Tony para mim.
—Você não cansa de trapacear, não é, Pirralha? — falou. — Manipulando as pessoas em Viena, assinando como Mérida Walker. Achei que quisesse apagar essa parte da sua vida. —
—Sabe que eu odeio o que aconteceu naquele dia, Tony, mas o fato de eu ter assinado como Mérida não significa que ignorei o que aconteceu. — disse, cruzando os braços. — Eu não assinei o Tratado porque não achei que era a coisa certa a se fazer e olha só, de alguma forma eu estava certa. Onde que eu aceitaria lutar contra meus antigos companheiros de batalha? Somos seus amigos e vocês nem estão tentando dar uma chance para nos explicarmos. —
—Não podemos deixar o médico chegar primeiro, Tony, não dá. — Steve falou, balançando a cabeça.
—Steve. Melinda. — Natasha chamou, fazendo o Capitão e eu virarmos. — Vocês sabem o que vai acontecer aqui. Querem mesmo resolver essa situação lutando? —
Steve não respondeu, quem dirá eu.
A real é que eu ainda tinha uma ponta de esperança que eles simplesmente sentassem nos chão e nos deixasse contar o que sabíamos.
—'Tá legal. Perdi a paciência. — Tony levou as mãos até a boca. — Pirralho! —
Uma sombra saltou sobre o nós.
O som de algo molhado e grudento soou e logo o escudo de Steve não estava com ele e tanto suas mãos como as minhas estavam presas com a coisa grudenta.
Parado sobre um veículo de carga estava um ser com traje vermelho e azul na famosa pose de super herói e segurando o escudo do Capitão.
Mesmo de máscara, soube que ele estava semicerrando os olhos, o que era muito estranho.
—Mandou bem, garoto. — Tony elogiou.
Franzi as sobrancelhas, tentando lembrar de onde eu reconhecia aquele aspirante a herói.
O tal garoto deixou a pose de lado.
—Valeu. A aterrissagem podia ter sido melhor, a roupa é nova. Mas não tem problema, sr. Stark, ela é perfeita. Obrigado, 'tá? — minhas sobrancelhas franziram mais ainda.
Eu acho que conheço essa voz de algum lugar.
—Ok, ok. — Tony fez um gesto de dispensa.
—Ca-capitão. Sou seu fã, hein, sou o Homem-Aranha. — acenou. — Oi, Valente, também sou seu fã. — abri a boca, surpresa e incrédula.
—Ah, meu Deus! É você! Você é o Homem-Aranha, o amigo da vizinhança! — falei, erguendo as mãos presas na direção dele. — Você recebeu um upgrade de uniforme? Está incrível! — sorri.
—Você gostou? O sr. Stark quem fez para mim. Está incrível mesmo, não é? — a empolgação era evidente em sua voz.
Assim como a suspeita do dono dessa voz em minha cabeça.
—Eu sabia! Você é aquele garoto do Queens! — soltei uma risada quando ele arregalou os olhos, confirmando minha suspeita. — Quem diria. Se não fosse pela sua voz eu nem teria desconfiado! —
—Eu não sei do que você está falando, Valente. — Peter falou engrossando a voz.
—Depois vocês jogam conversa fora. — Tony falou um pouquinho impaciente.
—Oi, galera. — o aranha acenou, a voz normal.
Eu ainda mantinha meu sorriso no rosto.
—Bem melhor. — Stark falou levemente aliviado.
—Andou ocupado. — Steve falou.
—Você tem sido um completo idiota. — Tony voltou sua atenção para o Capitão. — Envolvendo o Clint, resgatando a Wanda de um lugar do qual ela nem queria sair, um lugar seguro. Estou tentando... — sua voz elevou um pouco, desviando minha atenção de Peter para ele. Stark se controlou. — Estou tentando impedir que você desmantele os Vingadores. —
—Você fez isso quando assinou. — Steve falou sério.
—Já que é assim. — murmurou. — Vocês vão entregar o Barnes e vão vir conosco agora, porque somos nós. Ou vai vir um esquadrão do comando de operações sem a menor delicadeza. — Tony disse, suavizando a expressão um pouco. — Colabora. —
—Encontramos. — a voz de Sam soou pelo comunicador. — O Quinjet dele está no hangar 5 na pista norte. —
Steve ergueu os braços e eu comecei a esquentar minhas mãos sem soltar as rajadas de energia.
Uma flecha voou na direção das mãos de Steve, cortando a teia do Homem-Aranha. A teia que prendia minhas mãos já tinham derretido e agora eu estava em alerta ao lado do Capitão.
Tony colocou seu capacete, virando na direção em que a flecha veio.
—Agora, Lang. — o Capitão mandou.
—Peraí, gente. Tem alguma coisa... —
Antes que o Homem-Aranha pudesse terminar a frase, Scott cresceu e deu um chute nele, mandando-o para fora do veículo e ficando do tamanho normal ao lado de Steve.
—Mas o que, o que que foi isso? — Rhodes indagou confuso.
—Acredito que isso seja seu, Capitão América. — devolveu o escudo ao dono.
—Ah, que maravilha. — Tony resmungou levantando vôo. — Tem dois no estacionamento. Um deles é a Maximoff. Deixa ela comigo. — Tony falou voando.
—Estou vendo dois no terminal. Wilson e Barnes. — Rhodes informou também já no ar.
—Barnes é meu. — T'Challa falou correndo na direção do Sargento.
Steve jogou o escudo em Rhodes e quando o pegou de volta correu até o Pantera.
Rhodey tentou ir na direção de Sam e Bucky, projetei um escudo na sua frente, o impedido.
—Saia, Melinda. —
—Me obrigue, Coronel. — sorri, movimentando minha mão e, usando a energia da sua armadura, o jogando para o outro lado.
Scott estava lutando com Natasha e eu senti uma pontada de pena dele por ter ido justamente para cima dela.
Observei T'Challa conseguindo passar por Steve e tentando correr na direção de Bucky.
Levantei vôo e quando passei sobre ele, pousei em sua frente.
—Olá, Baguera. — sorri. — Ai, eu sempre quis usar esse apelido com alguém. —
T'Challa pareceu não gostar do novo apelido porque partiu para cima de mim.
Interceptei seus golpes, tentando encontrar alguma brecha para atacar.
Eu sei que panteras costumam ser rápidas e fortes, mas a força e rapidez desse cara era demais.
Abri a porta para que a energia crescesse em meu peito, sentindo-me mais alerta. Acertei um soco no rosto dele e um chute na lateral do corpo dele.
T'Challa se recuperou dos golpes rapidamente, partindo para cima novamente e devolvendo os golpes.
Meus golpes não pareciam surtir muito efeito nele. Era quase como se o traje dele fosse um escudo.
E então eu lembrei de Steve ter comentado algo sobre o traje do Pantera Negra ser feito de vibranium.
—Maravilha. — resmunguei quando ele me jogou para o lado e eu acertei uma parede.
Quando T'Challa começou a correr em direção a Bucky de novo, movimentei meus dedos e o tirei do chão, jogando-o para algum lugar longe daquele aeroporto.
Levantei, olhando o redor.
—Aí, Capitão, joga nisso aqui. —
Scott entrega algo a Steve e arremessa um disco na direção de Rhodes.
O Capitão fez o que Lang pediu e jogou a miniatura de sei lá o que no disco.
Então a miniatura fica do tamanho de um caminhão pipa e acaba explodindo.
A carcaça caiu sobre o Máquina de Combate.
—Ih, caramba. Pensei que fosse um caminhão pipa. —
Não consegui segurar a risada que estava presa em minha garganta.
Steve me encarou e então os dois vieram correndo em minha direção.
Entendendo o recado, também comecei a correr, mas em direção ao hangar cinco, onde estava localizado o Quinjet.
A equipe foi se encontrando próximo ao hangar, mas antes que pudéssemos sequer chegar perto, uma rajada de energia não pertencente a esse mundo e consequentemente não pertencente a meu corpinho, corta o caminho poucos metros a nossa frente.
Visão está no alto, voando bem pleno.
—Capitão Rogers. — entonou. — Eu sei que acredita que o que está fazendo é o certo, mas belo bem coletivo, vocês devem se render agora. —
A equipe do Tony se reagrupou na nossa frente.
Comecei a contar as pessoas em silêncio.
6 contra 7.
Resisti ao impulso de cruzar os braços e reclamar que alguém do nosso lado ficaria sem ter alguém só para ele bater.
—O que vamos fazer, Capitão? — Sam indagou.
—Vamos lutar. — respondeu firme, começando a caminhar em direção a eles.
O seguimos.
Tony e seu time fizeram o mesmo e logo estávamos todos correndo.
***
O aeroporto tinha se tornado um verdadeiro campo de batalha.
Eram flechas voando, teias sendo lançadas, rajadas de energia saindo tanto das minhas mãos como nas de Tony e Rhodey, barulho de garras batendo contra o escudo de Steve, dos bastões de Romanoff e de golpes sendo desferidos.
Eu costumava me divertir enquanto lutava, mas eu não estava conseguindo. Não nessa luta.
Não em uma luta contra uma parte dos Vingadores.
—Eu não matei seu pai. — a voz de Bucky se fez audível quando eu joguei um carrinho na direção de Tony.
Olhei na direção dele, o encontrando em combate contra o Baguera.
—Então por que você fugiu? —
Projetei um escudo ao meu redor quando Stark disparou seus raios propulsores na minha direção.
Sorri sem humor, erguendo minha mão e fechando ela um pouco.
Os propulsores que mantinham Tony no ar falharam, mas antes que ele atingisse o chão eu usei a própria energia que eu absorvi da armadura e acertei nele, jogando-o para longe.
Ouvi o som das garras de T'Challa sendo expostas, fazendo-me girar e criar um escudo entre ele e Bucky.
O Pantera me encarou.
—Hasta la vista, baby. — murmurei, movimentando minha mão para o lado.
O Sargento me encarou.
Pisquei para ele, correndo para o lado oposto do dele.
Só para dar de cara com Natasha.
—Oi. — murmurei.
—Você mentiu para mim. — falou. — Eu perguntei se você estava com dúvida de assinar o Tratado e você mentiu. —
—Eu não queria deixar você sozinha. —
—Mesmo assim, Melinda, você podia ter confiado em mim e ter me falado que não estava confortável com a situação. —
—Eu não estou confortável com essa luta. — murmurei, cruzando os braços. — Mas não posso parar agora. Não com aquele médico ainda na ativa. Desculpa, Nat. —
—Me desculpe também. —
Romanoff segurou seus bastões com mais firmeza e avançou na minha direção.
Bloqueei seu primeiro golpe. E o segundo, e o terceiro, e o quarto.
Então ela acertou um chute nas minhas pernas.
Cai de bunda no chão.
Quando ela avançou novamente, eu acertei um chute em sua barriga, me levantando e erguendo os punhos.
A luta foi um pouco mais agressiva do que nos nossos treinos. Mesmo que ambas estamos tentando não matar a outra, a luta permanecia séria.
Em um dado momento, Natasha acabou me imobilizando.
—Foi mal aí, colega. — falei com um pouco de dificuldade.
Reunindo parte da minha força, joguei minha cabeça para trás, acertando a cabeça dela e fazendo-a me soltar.
Como ela tinha recuado, eu dei alguns passos para trás e então corri na direção dela, pegando impulso na sua coxa e dando a famosa chave de xota.
Natasha e eu caímos no chão, me levantei rapidamente erguendo os pulsos.
Quando vi que Romanoff ia se levantar, ergui minha mão na sua direção. Eu só ia mandá-la para o outro lado da pista, mas Tony deduziu que eu faria algo pior e me acertou com um raio propulsor, me mandando para longe.
Ergui minha mão na direção dele e liberei um jato de energia no mesmo tempo que ele. Isso fez com que os dois jatos de energia se encontrasse e gerasse uma pequena explosão de energia, jogando todos para longe.
Me ergui primeiro, acertando Tony com um jato.
—Chupa essa manga. — murmurei soltando uma risada curta.
—Temos que ir. Aquele cara deve estar na Sibéria já. — a voz de Dory soou pelo comunicador.
—Temos que arrumar os voadores. Eu cuido do Visão e você do jato. — Steve falou.
—Não. — Sam disse rápido enquanto voava escapando de Rhodes. — Vocês dois pegam o jato. Vocês dois. O resto de nós não vai sair daqui. —
—Por mais que eu odeie admitir, para vencermos essa alguns de nós vamos ter que perder. — observei Clint atirar algumas flechas no Coronel.
—Essa não é a luta de verdade Steve. — falei, projetando um escudo para Clint que quase foi atingindo por um dos raios propulsores de Tony.
—Está legal. — Steve suspirou. — Qual é o plano? —
—Precisamos de uma distração. Alguma coisa grande. — Sam respondeu.
—Eu posso fazer alguns raios surgirem. Talvez eles pensem que seja o Thor chegando. — falei, mas logo balancei a cabeça. — Não, péssima ideia. Próxima? —
—Eu tenho uma coisa meio grande, mas não dá para sustentar por muito tempo. — Scott falou atiçando a curiosidade de todos. — Ao meu sinal, corram sem parar. E se eu me partir ao meio, não voltem por mim. — franzi as sobrancelhas.
Se partir ao meio?
—Ele vai se partir ao meio? — Bucky fez a perguntar que rondava minha cabeça.
—Tem certeza, Scott? — Steve questionou.
—Eu faço isso direto. Quer dizer, eu fiz uma vez, no laboratório. E depois desmaiei. — Scott respondeu. — Eu sou o cara. Eu sou o cara. Eu sou o cara. — Scott ficou repetindo e, pela respiração, soube que ele corria. — Eu sou o cara! —
Segui o olhar na direção em que a voz vinha. E mesmo semicerrando os olhos, não consegui distinguir o Scott no meio da perseguição de Rhodes pelo Sam.
No segundo seguinte, Scott começou a cresce, crescer, crescer e crescer.
Ele acabou ficando gigante. Maior até mesmo que os prédios do aeroporto.
—Puta merda! — solteiro surpresa, rindo logo em seguida.
—Caraca! — Peter soltou surpreso e incrédulo.
Uma risada empolgada escapou dos seus lábios enquanto ele segurava o Rhodes pelas pernas.
—Acho que esse é o sinal. — falou Steve.
Todos encaravam o Scott gigante impressionados e incrédulos.
—Mandou bem, Zé Pequeno! — Sam falou sorrindo.
Scott jogou Rhodes longe. Sam foi para cima de Tony.
Então Scott começou a fazer o seu papel: distrair todos.
Até o Visão entrou na jogada.
Rhodes começou a atirar no Scott, Peter tentava prendê-lo com suas teias e Clint luta com T'Challa.
Nenhum sinal da Nat. Espero que eu não tenha machucado ela.
Voei, começando a ajudar Scott afinal team Tony em peso estava em cima dele. Ok, esse era o objetivo, mas isso não significa que ele tenha que lidar com todos eles sozinho.
Criei escudos quando necessário, atirei jatos de energia quando precisei.
Não usei a energia que o corpo deles produziam para atirá-los para o outro lado com medo de que eles vissem o Steve e Bucky correndo em direção ao Quinjet.
Isso acaba acontecendo de um jeito ou de outro.
Rhodes acaba vendo eles e tenta impedi-los, mas Wanda começa a arremessar os carrinhos de transporte de malas nele.
Visão acertou Scott no peito, o desequilibrando e isso acabou permitindo que ele visse o Capitão e o Soldado quase alcançando o Quinjet.
T'Challa também conseguiu escapar de Clint e agora corria em direção a dupla de amigos de 1900 e bolinhas.
T'Challa ou Visão?
—Droga. — resmunguei, voando na direção de Visão.
Tentei acertar um soco nele. Minha mão atravessou. Toda vez que eu desferia um golpe, ele atravessava. E isso me deixava frustrada e com raiva porque eu nunca tinha vencido uma luta com o Visão.
E eu odiava perder.
Foi então que ele segurou meu tornozelo quando tentei chutar seus documentos e me jogou para o lado.
Acabei perdendo o equilíbrio do vôo e atingi o chão com uma força que não me causou tanta dor. Agradeci ao meu uniforme e meus poderes, de certa forma.
—Alguma coisa voou dentro de mim! — Lang falou surpreso.
—Merda, merda, merda. —
Visão acertou a torre de comunição ao lado do hangar com a jóia em sua testa, fazendo a torre desmoronar e ela teria tampado a entrada do hangar se Wanda e eu não tivéssemos usado nossos escudos para segurá-la.
Isso me lembrou Lagos, mas fiquei repetindo para mim mesma que o que aconteceu lá não iria se repetir.
Era uma torre desmoronando e não um homem bomba explodindo.
Steve olhou para trás, mas como o homem inteligente que é, continuou correndo com o amigo.
Senti uma aproximação atrás de mim, mas como Steve e Bucky ainda não tinham passado, não pude dar a devida atenção.
Foi então que de soslaio vi Rhodes exibir uma das suas armas e a usou.
A arma era na verdade um ampliador sônico que gerava um barulho tão alto e tão incômodo.
Tampei meus ouvidos com força enquanto gritava de dor.
Meus joelhos cederam com meu peso e eu cai no chão enquanto ainda gritava e tampava meus ouvidos.
Eu não conseguia me concentrar em mais nada, só no barulho que parecia nunca mais acabar.
Ficava se repetindo e parecia não ter mais fim.
O chão deu uma leve tremida, mas eu não conseguia distinguir se era fruto da minha imaginação ou se foi algo relativamente pesado caindo.
Minutos depois e eu não tinha controle sobre meus sentindos.
Eu estava surda, eu tinha a total certeza disso.
Eu não conseguia ouvir os disparos que o jato fez contra os destroços da torre para ele poder passar, não comseguia ouvir o barulho da armadura de Rhodes e Tony seguindo o Quinjet.
Não conseguia ouvir nada.
Quando olhei meus dedos, vi que meu ouvido sangravam. Comecei a me desesperar.
Tentei levantar do chão, mas eu não conseguia. Pelo menos não tão rápido quanto eu costumava conseguir.
E erguendo o olhar eu vi o Visão acertar o reator no meio da armadura de Rhodes e o Máquina de Combate começar a despencar.
—Rhodey. — sussurrei, mas nem minha própria voz eu consegui ouvir.
Ergui a mão, quase sem força, na direção do Coronel tentando usar a energia da armadura para tentar impedir que ele caísse no chão com tudo.
Mas não funcionou.
E quando eu tentei ficar de pé para projetar um escudo ao redor dele e suspendê-lo no ar, meu corpo simplesmente não aguentou o esforço e despencou para o lado.
Senti minha cabeça acertar o chão com tudo e então tudo escureceu.
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