Ciumes no trabalho
1 Parte 1
Notas iniciais
Eu amo romanogers eles são um dos meus casais favoritos.
Espero que gostem e comentem para eu saber se devo continuar com esta fic ou não.
—Tens olhos no alvo?
A voz de Steve suou baixo através do comunicador no ouvido:
—Negativo. Mas tenho olhos em você.- Natasha resistiu ao impulso de rolar os seus próprios olhos, alguém podia notar. Ela praticamente podia sentir os olhos dele sobre ela do outro lado da sala, forte e inabalável, acompanhando cada movimento dela. Ela praticamente podia imaginá-los, intensos e azuis como o céu. E ela podia praticamente senti-lo mover-se atrás dela no segundo andar, as mãos deslizando ao longo do corrimão de pedra polida. Ela praticamente podia senti-lo.- E deixa-me dizer-te. A visão é magnífica.
Um pequeno sorriso apareceu nos seus lábios, porém voltou-se para a festa. O evento em que estavam era elegante e snobe, cheio de pessoas bastante influentes na Europa. Infelizmente, essas pessoas influentes tendem a ser influentes noutro tipo de negócios. O crime e a corrupção estavam em todo o lado aqui entre os políticos torcidas, empresários comprometidos, e os criminosos disfarçados da elite da sociedade. Estes eram do tipo que usavam os seus ganhos ilícitos para viver luxuosamente, traficantes de drogas, terroristas e tiranos, todos disfarçados como benfeitores, filantropos e seres humanos decentes. Ela não se deixava enganar, afinal já tinha visto e convivido com este tipo de pessoas demasiadas vezes. As pessoas nesta sala com os seus smokings e vestidos caros, tresandando de dinheiro, poder e arrogância com cada sorriso malicioso e presunçoso, elas eram perigosas.
E um deles era particularmente ruim. Mark Allard era o anfitrião deste evento, um grande baile em homenagem à sua extremamente generosa doação para a Opera Nationale aqui em Paris na noite da sua abertura. Seria mais charmoso se ela não soubesse, graças à informação da SHIELD que todo esse dinheiro era lavado. Ele era um banqueiro de alguns dos piores do mundo, um corretor da bolsa com poderosos aliados em todo o mundo, e suas decisões muitas vezes definiam o mercado e sempre rendiam aos seus "clientes" dinheiro. Fury estava esperando há meses para prender e acabar com o negócio de Allard; o homem era muito inteligente e protegido por algumas pessoas muito cruéis desesperadas para manter os seus segredos ocultos. Quando a notícia deste evento tinha alcançado a SHIELD, Fury agiu imediatamente e enviou os seus melhores agentes para se infiltrar no círculo íntimo de Allard e reunir algumas provas essenciais.
E foi assim que o Capitão América e a Viúva Negra tinham vindo parar aqui. Sitwell organizou tudo para que os seus nomes aparecessem na lista de convidados do evento (bem, nomes falsos é claro). O evento tinha apenas participantes legítimos, como outros doadores, atrizes, socialites e estrelas da ópera, logo não tinha sido muito difícil encontrar uma razão plausível para eles estarem lá, ou para os seus “personagens” estarem. Eles não tinham chegado juntos, e na maioria das vezes, tinham estado separados até o momento (qualquer outra coisa seria suspeito para o que eles precisavam fazer). Em termos de objetivos da missão, esta era, na verdade, bastante simples. O braço direito de Allard era o verdadeiro alvo; ele era o único com acesso às suas contas através de um computador que ia com ele para todo o lado (e que era biometricamente protegido). Isso significava que este homem poderia expor demonstrações financeiras, crimes, se eles conseguissem alcançá-lo. Isso, por sua vez, iria dar tudo o que era necessário para a SHIELD e Interpol tomarem conta de Allard. O braço direito dele era francês e o seu sobrenome era Savatier, mas a SHIELD tinha surpreendentemente muito pouca informação sobre ele. Ele era uma espécie de recluso, trabalhando dentro da empresa de Allard, e estava se mostrando extremamente difícil de controlar. Sem dúvida, isso foi de propósito; se as pessoas não pudessem identificá-lo, a sua posição (e poder) era mais seguro. Mas havia rumores que ele estaria aqui esta noite, provavelmente para facilitar quaisquer negócios que Allard estaria fazendo com seus convidados menos respeitáveis.
O plano era repugnantemente simples. Eles se infiltrariam na festa. Natasha iria fazer o que ela fazia melhor, passar despercebida e misturar-se entre os convidados, recolhendo informação, fazendo um esforço para flertar e encantar esse homem para conseguir o que queria e depois sairia como se nunca lá estivesse estado. Era claro que Steve não gostava deste tipo de missão e abordagem, o que fazia com que ela brincasse com ele sobre os seus ciúmes. Para ela, isso era o que ela tinha sido treinado para fazer, manipular um homem até conseguir o que queria antes de jogá-lo de lado e desaparecer como uma sombra. O típico modus operandi dela tinha ganho um ângulo totalmente diferente para ela agora que Steve estava assistindo, e ela se sentiu ao mesmo tempo poderosa e um pouco envergonhada. Lá no fundo ela não poderia fazer o que ela habitualmente fazia. Não quando ela amava Steve Rogers. Tudo mudou quando eles começaram a namorar e agora ter de usar sexo como um meio para um fim... Bem, ela não iria, não conseguia mais faze-lo. Talvez ela estivesse a perder qualidades como espia mas para dizer a verdade ela já não se importava.
Isto significava que, quando ela encontrasse Savatier, ela ia usar a cabeça e suas artimanhas para obter a impressão digital e leitura de retina que necessitava (e para entrar em seu quarto de hotel) sem comprometer muito o seu senso moral. O seu senso moral era mais flexível do que o de Steve, mas mesmo assim havia limites que não podia e não iria atravessar agora, como dormir com um alvo. Ela sabia que poderia acabar a missão sem ter de o fazer. Havia outras maneiras de obter o que ela precisava. Enquanto ela estava acedendo ao computador, Steve iria vigiar as coisas no salão de baile, certificar-se que as rotas de fuga eram claras, manter o controle sobre os homens de Allard e os seguranças do hotel. Ele, assim como ela, também estava tentando obter informações sobre Savatier, assim era ele, conversando facilmente com as pessoas a seu redor enquanto tomava um gole de champanhe e parecia ridiculamente sexy no seu smoking. Ele estava com barba (e era difícil de negar o quão sexy ele ficava com uma. Ela nunca se tinha importado muito com os homens com barba, mas isso tinha sido antes de ter visto Steve Rogers com uma, ela não ia deixá-lo cortá-la tão facilmente). Ela nunca deixaria de se surpreender com o quão longe ele tinha vindo desde os seus primeiros dias experimentais com a SHIELD quando ele estava sempre nervoso e estranho. Ela sabia que tinha desempenhado um papel importante nisso, afinal tinha sido ela a introduzi-lo ao presente, ensinando-lhe tudo sobre história, tecnologia, espionagem moderna e cultura pop. Mais do que isso, ela o ajudou a encontrar paz de certa forma, primeiro como amiga e, depois, como amante. Ele estava mais confiante agora, muito mais eficiente em missões como esta, onde subtileza e subterfúgios eram as armas de eleição. Em suma, ela tinha mandado bem no processo de ensinar o soldado a ser um espião.
Surpreendentemente, ele era bom no que fazia, pelo menos, o suficiente para ser razoável. Capitão América disfarçado. Ela nunca teria pensado que isso iria resultar (ela e toda a SHIELD). Quando eles começaram a trabalhar juntos pela primeira vez, como parceiros, ela temia que seria impossível. Ele era mais adequado como uma arma ou escudo, o tipo de pessoa que iria chutar o traseiro dos criminosos e tornar-se comandante da equipa STRIKE. Isso era o que ele tinha feito durante a Segunda Guerra Mundial, comandado a sua unidade por toda a Europa destruindo a HYDRA. As suas habilidades como comandante eram lendárias. Um agente da STRIKE não tinha sido o que Fury tinha imaginado para ele, porém, um ano depois, o Capitão América era o seu braço direito em operações secretas, além dela é claro. Ele ajudava-a em situações como esta, apesar de comandante e confiante no campo de batalha, esta era a área de especialização de Natasha, e ele sabia disso. E ele não era um impedimento que ela pensava que seria, mesmo que não estivesse tão confortável com isso quanto ela, ele estava chegando lá.
E ela ainda podia sentir os olhos dele sobre ela. Vigiando. Analisando. Memorizando.
—Esse vestido é maravilhoso. Mas acho que você ficaria bem melhor sem ele.
Ela não ia corar (Só ele podia fazer isso com ela). Ela sabia que ele estava assistindo, então balançou os quadris sugestivamente, a fenda que corria um dos lados do tecido preto, revelou a sua coxa quase até o quadril. Seu vestido brilhou novamente quando ela se virou lentamente, dando um sorriso sedutor por cima do ombro. Ela viu Steve mover-se desconfortavelmente.
-Você está tentando me matar?- Veio a baixa lamentação em seu ouvido.
—Só depois de sairmos daqui- ela murmurou de volta.- Olhos no alvo.
—Eles estão. Esse é que é o problema.
—O objetivo da missão, idiota. Temos um trabalho a fazer. Para de pensar com o Capitão Júnior.
—Então para de me provocar.
Natasha sorriu para si mesma, terminando seu champanhe: -Eu estou indo tentar obter mais algumas informações sobre nosso o nosso alvo.- declarou enquanto um garçom passou por ela, e colocou o copo vazio na bandeja de prata antes de pegar um cheio. -Alguém aqui tem de saber algo, como primeiro nome dele.
—Eu me contentava com a aparência dele- Steve respondeu. Depois de olhar discretamente a multidão ao seu redor para ver se alguém estava olhando para ela, ela olhou por cima do ombro novamente. Os ombros largos ele estavam relaxados agora, e ele estava encostado à grade. Droga, ele parecia sexy num smoking, que fazia um trabalho decente em esconder a maior parte dos músculos de Steve, mas acentuava a largura de seus ombros. Na posição em que ele estava, ela tinha uma bela vista da sua bunda. Pare de encarar. -Isso seria um começo.
Ele afastou-se e ela o perdeu de vista. De volta à missão.
Cerca de dez minutos mais tarde, ela tinha informações. Um dos homens mais corpulentos já embriagado afirmou que Savatier e Allard viriam para baixo em breve para "socializar" com os seus hóspedes. Perfeito. Quando isso acontecesse, ela podia finalizar a missão. O quarteto de cordas estava se preparando para começar uma canção, mas eles estavam claramente à espera dos anfitriões chegarem.
—Vem até aqui abaixo- ela calmamente ordenou através do comm-link.
—Hã?
—Vem até aqui e dança comigo. Vai parecer menos suspeito do que ficar a olhar, e nós vamos ser capazes de dar uma boa olhada.- Ela podia ouvir sua hesitação.
—Eu não sei dançar.
Obviamente havia mais que ela precisava ensiná-lo. Era tarde demais agora: -Não importa.
Novamente, ela praticamente podia sentir o suspiro dele: -Entendido.
Alguns momentos depois, o chefe do Conselho de Administração da ópera parou diante da multidão, vestido com um smoking antiquado, e congratulou todos no evento. Ele continuou longamente sobre a próxima temporada, sobre a importância da doação da ópera, sobre a grande generosidade e filantropia de seus maiores patrocinadores. Sua fala monótona deu tempo suficiente para Steve fazer o seu caminho para baixo.. Ele estava tão perto que ela podia observar todos os seus movimentos pelo canto do olho. Seus sentidos estavam em sintonia com ele de uma maneira que nunca tinham estado com qualquer outra pessoa, por isso, quando ele chegou à pista de dança e serpenteava o seu caminho através da multidão para chegar a ela (ainda a uma distância respeitável atrás dela, é claro), o seu coração já tinha ritmo acelerado. Steve Rogers podia fazê-lo com nada, um sorriso, um olhar ou com um simples toque.
Não demorou muito para o velho terminar o seu discurso. Natasha tentou manter-se calma, mas era difícil com os olhos de Steve nos dela, tão perto mas tão longe. Esperando por esta dança boba era uma tortura, e a dança não tinha nada a ver com o sucesso de sua missão. Sim, pode ser util para conseguir uma olhada em Savatier, girando ao redor da pista de dança com todo mundo, mas não era necessário. Verdade seja dita, ela só ansiava por um pouco de proximidade, para tê-lo ali com ela. Toda a noite tinha sido uma mistura de provocações de duplos sentidos, olhares desejosos e pensamentos inadequados. Flertando, desejando e silenciosamente lamentando terem de completar esta missão, em vez de rasgar o vestido caro e livrar Steve daquele smoking e ter um tempo muito bem aproveitado. Natasha sorriu para si mesma. Assim que eles tivessem Savatier na mira, ela entraria e eles estariam livres da missão.
Finalmente, finalmente, os músicos começaram a tocar. Era uma valsa simples (ela pensou Steve poderia pelo menos lidar com isso). O chefe do Conselho de Administração apontou para o salão e os convidados começaram a dançar. Natasha fez o show de esperar um momento, olhando em volta como uma menina à procura de um parceiro. Alguém bateu em seu ombro. Foi ficando cada vez mais difícil resistir a essa vontade de sorrir.
—Posso ter esta dança, senhorita?
Ela virou-se, dando-lhe o seu sorriso mais inocente e querido, como se eles não tivessem qualquer tipo de intimidade: -Claro.
Steve pegou a sua mão e levou-a para o salão de baile. Ele podia não saber como dançar, mas estava fazendo um trabalho admirável em escondê-lo. Sua mão foi para as suas costas, logo abaixo de onde o corte do vestido era, e ele agarrou a sua outra mão. Ele era suficientemente bom para seguir a batida.
—Não é tão difícil- declarou ele depois de um momento, sorrindo. Ela podia sentir que ele estava tenso, porém, os seus olhos percorriam a multidão.
—Não sejas assim tão óbvio- ela repreendeu levemente.
Steve voltou o seu olhar para ela com um grunhido suave, irritado quando ele a tentou girar na pista de dança, ladeado por dezenas de outros casais. As mulheres usavam vestidos luxuosos, e os homens se moviam com nada além de confiança. Steve manteve-se em linha reta e tentou liderar: -Nós precisamos fazer um movimento sobre esse cara- disse ele suavemente.
O vestido de Natasha movia-se suavemente enquanto se moviam pelo chão. Com os saltos que usava, ela estava mais alta, mas ainda assim mais baixa do que ele. Ela podia ver por cima do ombro, embora.
—Paciência, meu querido.
—As operações da STRIKE são mais fáceis- resmungou.
—Talvez.- Incapaz de se conter, ela chegou mais perto dele. Os olhos deles arregalaram-se e ele corou. -Não tão divertido, apesar de tudo.
—Para de me provocar- ordenou novamente, embora a expressão em seu rosto dizia exatamente o contrário. – Estiveste nisso toda a noite.
—Era suposto estares a liderar a dança.
—E quando é que tu me deixas liderar-te?
—Com os Vingadores. E, geralmente, no campo de batalha.
—Além disso?
—Esse é o teu território.- Natasha sorriu sedutoramente. Ela realmente precisava trabalhar em sua autocontenção porque antes que se apercebesse, já estava na ponta dos pés a sussurrar em seu ouvido: -Este é o meu.- Ele ficou claramente afetado e ela se perguntou qual seria o castigo de Fury se ela abandonasse a missão agora mesmo e encontrasse o banheiro mais próximo, e divertirem-se um pouco. Valeria a pena, seja qual for o castigo.
Ela estava prestes a provocá-lo ainda mais quando ele a girou de novo, mas ela avistou Allard descendo as escadas do salão. Ela o reconheceu instantaneamente a partir das informações da missão. Ele tinha um séquito inteiro de homens em ternos escuros, seus guarda-costas. Nenhum deles parecia ser um típico braço direito. Eles eram apenas músculos, nada mais. Havia também uma mulher com ele, vestida com um vestido azul safira modesto, bonito, mas não muito revelador. Ela tinha cabelo loiro apanhados num coque em cima de sua cabeça e olhos azuis impressionantes. Magra e de pernas compridas, ela era graciosa, bonita de uma forma simples. A sua maquilhagem estava impecável. Seu rosto era decididamente impassível, seus olhos escuros e sem humor. A acompanhante de Allard, talvez? Não havia nenhuma menção de Allard ter um relacionamento com alguém no dossier que a SHIELD tinha feito sobre ele. A mulher não estava perto o suficiente de Allard para ser a sua namorada ou para ser qualquer outro tipo de "companheira" (Allard certamente tinha o poder, os meios, e que o dinheiro para obter qualquer mulher que ele quisesse). Além disso, a linguagem corporal dela não era a correta para esse tipo de coisa. Ela estendeu a mão, sorrindo um sorriso que não alcançou seus olhos, e sacudiu as mãos do grupo de homens aos quais Allard foi apresentá-la. Isto eram negócios, não prazer.
Merda. Natasha olhou para longe antes que fosse pega olhando: -Nós temos um problema.
Steve empalideceu ligeiramente com seu anúncio: -O quê?
—O braço direito de Allard não é um homem.
—Hã?
Natasha suspirou cansada, agarrando-o com firmeza e virando-os de modo a que ele estivesse de frente para a cena do outro lado do salão. A testa dele franzida em confusão: -Eu não entendo.
—Aquela deve ser Savatier.
—Não.- Ele desviou o olhar por um momento, girando Natasha com habilidade surpreendente antes de olhar para trás. Ela percebeu que ele tinha feito isso para se aproximar e obter uma vista melhor. Ele franziu a testa, examinando a mulher de vestido azul. -Droga. Tens razão.- Agora ele suspirou com frustração espalhada em seu rosto. Eles dançaram um momento, cambaleando com a descoberta de que o seu plano não iria funcionar. Com Savatier sendo uma mulher, tudo se tornava uma situação muito diferente. -O que é que fazemos?
A mente de Natasha começou a trabalhar ao máximo, todos os vestígios do bom humor de antes ido em um piscar de olhos de profissionalismo. Ela olhou ao redor, mantendo um olho em Allard e Savatier. Outros homens estavam a ir cumprimentá-los, homens que ela reconheceu como traficantes de drogas procurados pela SHIELD. Quanto mais envolvidos em seus assuntos de negócios, mais difícil seria fazer algo (se havia mais alguma coisa que eles poderiam fazer).
—Abortar?- Perguntou Steve.
—Não.- Ela sabia o que teriam de fazer porém admitir para si mesma era outra coisa. Mas não havia outra maneira, tinha de ser ele a completar a missão: -Tens que ser tu a fazê-lo.
Steve recuou alguns passos e ela queria bater nele por ser tão óbvio, mas isso seria ainda mais. Previsivelmente, ele engasgou-se, deixando as suas emoções aparecerem no seu rosto. Choque. Dúvida. E, finalmente horror: -Não.- Claro que ele iria dizer isso. -De jeito nenhum. Eu não posso. Eu não sou — Quer dizer, ela não é... Quero dizer, isso não é... Não!
Ela se aproximou dele novamente, desta vez mais para o confortar do que para qualquer outra coisa. A música aumentou, as cordas mais profundas e poderosas, e ela tomou o rosto dele entre as mãos.
—Sim. É a única opção. Tens que o fazer.
—Só podes estar louca.- Ele voltou, com a voz baixa num sussurro tenso. –Eu, eu, eu não posso. Não posso. Eu não consigo fazer uma mulher... tu sabes.
—Deitar tudo cá para fora?
—Eu ia dizer, deixar-me seduzi-la.
Aquilo era a coisa mais patética que ela já tinha ouvido: -As pessoas não deixam que tu as seduzas. Não é como se fosses até eles e lhes perguntasses se podes. Tu vais e seduzes. Tu seduziste-me!
—Isso é diferente. E se bem me lembro, foi ao contrário!
—E isso importa?
—Sim! Sim, importa!
Ela não podia dizer se eles realmente estavam discutindo, como se estivessem tendo algum tipo de drama doméstico durante a missão, ou se ela só estava a provoca-lo e ele estava demasiado perturbado para colocar um fim a isso. De qualquer maneira, ela sabia que aquilo precisava de acabar. Eles tinham um trabalho a fazer.
Mas ela não acabou afinal aquilo era fofo. Além disso, era provavelmente a oportunidade duma vida. Steve estava sempre a corar; isso era certo. Mesmo mencionar sexo perto dele fazia com que ele ficasse extremamente vermelho. Ele já não era virgem há meses (ela podia comprovar isso), mas ele ainda corava como um. Era adorável, adorável demais para resistir, mesmo no trabalho.
—Então, basicamente, estás a dizer que eu não conto.
—Mas é claro que contas. És a única que conta! Eu amo-te. E essa é uma das muitas razões pelas quais eu não posso fazer isto.
—Não precisas de... (e agora sim ela rolou os olhos) ir até ao fim. Só precisas de chegar perto o suficiente para entrar no quarto dela, conseguir uma impressão digital, a digitalização da retina e chegar ao computador. Plantas a escuta. Sais. E está feito.
—Mas era suposto seres tu! Eu sou um péssimo mentiroso. Tu mesma o disseste. Ela vai ver através de mim imediatamente. Eu não fui talhado para isso. Eu vou descuidar-me e ela vai descobrir o que estamos aqui a fazer e trazer cada guarda no local para cima de nós. Nós teríamos sorte de sairmos vivos desta operação.
—Para!- Basta com a provocação. Ele estava realmente confuso sobre isso, e ela amava-o demais para deixá-lo estar assim tão chateado. Ele acalmou-se olhando para ela. A dança estava chegando ao fim e eles precisavam tomar uma decisão rapidamente. -Se não podes fazer isto, tudo bem. Eu compreendo, tu não foste treinado para isto.- Ela disse com absoluta sinceridade. Ele parecia duvidoso, apesar disso, apesar de tudo. Ela não queria que ele fizesse isso, sentir-se mal ou ser forçado a fazer isto por culpa. Ainda assim, não havia como negar alguns fatos básicos. -Mas se não o fizeres, precisamos de abortar. A SHIELD pode perder a sua chance de colocar o Allard atrás das grades. Esta foi a única oportunidade em meses para chegar perto dele.
Realmente ela não tinha a intenção de puxar os botões dele, mesmo que ela soubesse exatamente como o manipular. Apelando para o seu senso de moralidade e dever sempre trabalhou. Ele era o Capitão América e ela sabia que ele faria qualquer coisa ver os bandidos presos e as pessoas inocentes protegidas. Allard não era um diabo, mas sem ele, células terroristas, armas e traficantes de drogas e regimes do mal em todo o mundo não poderiam operar. Era uma chance única para fazer o bem e ela sabia que Steve não ia recusar.
—Bem. O que é que eu faço?
A valsa terminou e em todos os lugares convidados se levantaram e aplaudiram. O chefe do Conselho de Administração foi conversar com Allard, provavelmente preparando-se para apresentá-lo. Ela agarrou a mão de Steve firmemente durante um momento. -Vá para o banheiro dos homens no corredor noroeste. Eu te encontro lá em alguns minutos- Ela não se virou para ver se ele tinha ouvido o seu sussurro pois sentiu-o a ir embora enquanto batia palmas.
Natasha esperou um momento, observando Savatier, tentando reunir o máximo de informações que pôde através das suas expressões e linguagem corporal, a fim de conseguir ajudar Steve. Quem quer que ela fosse, era fria, muito severa, muito profissional. Ela sorria mas nunca chegava aos olhos. Ela estava orgulhosa, inflexível, elevando-se mesmo com os parceiros de negócios da Allard. A única vez que ela realmente sorriu foi quando ela estava fazendo exatamente isso, colocando os homens no seu lugar com um olhar afiado ou uma frase curta, rebaixando-os. Ela gostava de poder; isso era óbvio. Ela gostava de controlo, gostava de dominar. Teoricamente isso era bom, mas ao virar-se para ir ter com Steve, Natasha teve a nítida impressão de que estava enviando o seu namorado para uma teia de aranha. O universo era mesmo irônico.
Ela pegou sua bolsa e começou a andar. Ela chamava à atenção por onde quer que fosse com a forma como estava vestida, com o vestido e as joias e os seus brilhantes, cachos vermelhos, mas ninguém era corajoso o suficiente para fazer mais do que ficar de boca aberta para ela. Ela andava com a cabeça erguida, os olhos para a frente e um olhar frio que gritava "não estou interessada". Ela não se incomodou em bater quando chegou à casa de banho.
Não havia ninguém lá, exceto Steve. Ela não hesitou em puxar Steve para uma tenda: — Se alguém entrar, estamos a ter um tempo de qualidade juntos.- E agora sim ela o beijou, ela quis fazê-lo durante toda a noite, e ela não podia lutar mais contra isso. Ele gemeu em sua boca, e ela finalmente se afastou para deixá-lo respirar. -Eu já te tinha falado que PDA deixa as pessoas desconfortáveis.
—Tu não estás ajudar. Não é que alguma coisa possa, acho.
—Tens a certeza que queres fazer isso? Não precisas.
—Não.- ele disse olhando para o teto.
Ela sorriu, beijando a garganta dele: Considera isto um treinamento durante uma missão.
Ele grunhiu uma risada, e ela não podia deixar de beijá-lo novamente. Desta vez não era tão cheio de desejo ou paixão mas sim de amor. Reconfortante mesmo, por mais estranho que fosse. Então, ele soltou um suspiro curto, tentando recompor-se, antes de abrir os olhos.
—Sim, tenho certeza.- Ele levantou uma sobrancelha, o canto da boca, transformando-se em uma sugestão de um sorriso. Ele passou a mão pelo cabelo. -Vai ser divertido, certo?
Toda vez que ela pensou que não poderia amá-lo mais, ele fazia questão de a surpreender. – Mas é claro.
—Ok.
—Eu tenho algumas coisas que te podem ajudar.- Declarou antes de agarrar a sua bolsa e abri-la, revelando todos os dispositivos que os técnicos da SHIELD lhe deram para a missão -Vais precisar deles.
Ele franziu a testa em confusão enquanto inspecionava o conteúdo de sua pequena bolsa.
—O que é tudo isso?
—Isso...- Ela puxou um frasco de vidro, fino e cilíndrico, que continha um líquido de cor de blush. Parecia perfume. -Isto é o que nós, no mundo da espionagem chamamos um acelerador. É uma mistura extremamente potente, extremamente intoxicante, extremamente experimental de feromonas, afrodisíacos, e outras substâncias para deixar alguém totalmente relaxado e manipulável. Uma pitada disto e ela vai estar babando por ti.
Steve parecia claramente confuso e um pouco horrorizado. -Espera. Todas as vezes que tu… -Ele não especificou o quê, mas era óbvio que ele estava falando sobre as suas seduções anteriores. Ele pegou o frasco de perfume e examinou-o mais de perto. – Estavas a usar isto?
—Nem sempre. É arriscado porque pode afetar-te tanto quanto a ela, mas não deve ser um problema para ti, com o soro. E não dura muito tempo. Dez, quinze minutos no máximo. Ainda assim, eu não deixava isto solto perto de ninguém. É melhor esperares para quando estiverem os dois sozinhos, porque qualquer outra pessoa que inspira isto pode ser atraído para você, e considerando o quão sexy tu já és… És capaz de ter todas as mulheres do evento lutando por um pedaço.
Ele balançou a cabeça, não divertido e claramente incomodado com as imagens. –Quem é que pulverizo, ela ou eu?
—Tu.- Natasha sorriu maliciosamente. – Tens que pensar bem no que vais fazer. Ela ainda vai estar consciente, o suficiente para saber claramente o que está acontecendo. Ela só vai decidir de repente que tu és a coisa mais hot que ela já viu e, provavelmente, jogar-se para cima de ti. Ou exigir que tu o faças. -Steve estava cada vez mais corado. Natasha tentou não se divertir. -Também é útil para quando achares que já foi longe demais ou queres uma saída. Se colocares no momento certo, ela pode acordar pensando que só tinha bebido muito ou algo do género.
—Duvido- Steve respondeu. Francamente, Natasha também, não sabia nada sobre Savatier além do que tinha aprendido nos poucos minutos que passara estudando-a, mas a mulher não parecia o tipo de deixar uma festa para uma diversão, brincadeira anônima. -Bem. O quê mais?
—Coloque isso no olho. Natasha tirou uma pequena caixa de sua bolsa. No interior, imerso em uma pequena piscina de solução salina, foi o que parecia ser uma lente de contato. -Cuidadosamente. High-tech scanner de retina. Ele vai gravar a retina dela e, em seguida, projetá-la sobre o seu próprio olho. Ela precisa de olhar nos seus olhos, mas o teu olho precisa de estar a oito centímetros do dela.
Steve suspirou novamente: -Então, de perto e pessoal.
Ele se virou, piscando rapidamente como a lente já no olho. -E quanto a impressão digital?
—Vai ter de ser à moda antiga. A escuta- Esta foi a última coisa que ela lhe entregou. Era pequena, não maior que uma moeda, mas extremamente poderosa. Desenhado pela Stark Industries, poderia invadir qualquer sistema de computador que estava por perto, copiar informações confidenciais, e transmiti-lo diretamente para SHIELD. – Precisa de ser plantada perto do computador. Coloca-a em algum lugar menos óbvio, se puderes. Os técnicos me disseram que só precisa de alguns minutos.
—Depois de desbloquear o sistema com os dados biológicos.
—Certo.
—Por que não apenas deixá-la inconsciente?
—Porque o scanner de retina precisa do olho ativo e focando a fim de obter uma impressão precisa. E... Ela precisa dizer o nome dela para ativar o protocolo de início de sessão.
Steve olhou para ela como se tivesse brotado uma cabeça adicional. -O quê, como se já não fosse difícil?
Natasha deu de ombros, sorrindo, impotente.
—Ela vai estar extremamente aberta à persuasão, em certo sentido, mas vai ser mais fácil de fazer isso se você, hum... agir como ela quer.
—Nós nem sequer sabíamos que ela era uma ela até cinco minutos atrás! Como diabos você sabe o que ela quer?
Natasha silenciou-o antes que ele atraísse atenção indesejada. Eles estavam sozinhos aqui, mas a vida como espiã havia-lhe ensinado há muito tempo a nunca assumir que ninguém estava olhando. -A sua linguagem corporal. Não que todas as mulheres no poder amem o poder, mas algumas fazem. E eu acho que ela é dessas. Então, o que precisas fazer é agir de forma…- Ela fez uma careta, tentando encontrar uma palavra que não faria isso parece tão ruim. –Obediente?
—Oh meu deus.
—Submisso.
—Eu não sou assim. Eu não posso fazer isso!
—É por isso que é chamado de espionagem. Precisas mentir, agir e enganar as pessoas para elas pensarem que és algo que não és. Basta agir como estás agindo agora. Perturbado. Nervoso. Ela vai aproveitar-se disso, especialmente com a tua aparência. Confia em mim.- Horror foi subitamente substituído por pânico, e ele fez uma careta. Natasha sentiu a necessidade de o lembrar: -Não tens que fazer isto, mas se quiseres salvar esta operação, precisas de fazer com que ela ache que vai ser um momento divertido, tudo o que ela está procurando, então é assim que ela vai-te dar uma chance, e então paras tudo quando tiveres o que foste buscar. Entendeste?
Ele sorriu meio constrangido mas transformando-o em seguida num atrevido. As pessoas ficariam surpresas se soubessem que o Capitão América poderia ser atrevido quando lhe convinha. E ela gostava de ser provavelmente a única a saber disso.
—Sim senhora?
Ela sorriu de volta.
—Agora estás a entender tudo.
Ele respirou profundamente, agitando os braços e rolando seu pescoço e ombros como se ele estivesse se preparando para uma luta. -Devia ter ficado no exército. Bem. Eu bati no Hitler mais de duzentas vezes. Eu posso fazer isto.
Ela concordou acenando com a cabeça, tentando parecer mais convicta do que estava. Não que ela não achasse que ele ia tentar, dar tudo, na verdade, o problema era o facto de ele ser quem ele era. Além dos shows e dos filmes que tinha feito como parte da máquina de propaganda da Segunda Guerra Mundial (e ela tinha que ser honesta: eram terríveis), ele tinha zero experiência tentando ser alguém diferente de Steve Rogers. Steve Rogers era um certinho, coração de manteiga. Steve Rogers era um poço de moralidade, integridade e honestidade. Steve Rogers era o Capitão América.
Mas se ele não fizesse isto, a única possibilidade que restava era abortar. E ela odiava sair de uma missão derrotada, particularmente quando havia uma chance de sucesso.
—Eu vou estar sempre na escuta e tentar ajudar-te.- ela prometeu.
—Vais ter que guardar as nossas rotas de fuga- comandou ele- Se isto correr mal vamos ter de sair rapidamente.
Ela assentiu com a cabeça. Ele colocou o tubo de "perfume" em suas calças, colocou a escuta no bolso da sua jaqueta, piscou um monte de vezes para se habituar à lente no olho, e endireitou o smoking.
—Pronto.
Ela abriu a casa de banho e ele saiu, uma imagem de confiança. E ela não podia evitar provoca-lo mais uma vez, e deu-lhe um amasso na bunda.
—Vai-te a eles, tigre.
Ele olhou para ela por cima do ombro, e ela sorriu e acenou. Depois que ele foi embora, porém, ela respirou fundo e enquanto checava a sua imagem ao espelho, rezou para que tudo corresse bem e que ele fosse capaz de lidar com o problema.
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Só quando já estava no salão de baile é que lhe ocorreu que não só tinha ela enviado Steve para uma situação para a qual ele não tinha sido treinado, como teria que ouvi-lo e até mesmo o treina-lo para seduzir uma mulher. E, ela percebeu com uma pontada de ciúme desagradável, que ia ter que ouvir outra mulher colocando as patas no seu homem. Isso era ainda pior.
Notas finais
Kisses Alex
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