Notas iniciais
nota importante!!!! AH O CAPS FOI INSPIRADO NESSA MUSICA E VEJAM O VIDEO SE VCS TIVEREM DUVIDAS SOBRE A APARÊNCIA DO TERÇO DO HYOGA (dei uma modificada nele para esse caps baseado nessa cena do filme que está no video. Quem não quiser ver o video inteiro, é no 2:01 que o terço aparece. Obrigado pela compreensão) https://www.youtube.com/watch?v=mYLh6akt20M é sempre bom avisar, no mais ENJOY

Milo se encaminhava para o quarto de hotel que Camus se encontrava, estava com algumas coisas na cabeça, a operação em andamento tirava um pouco do seu jeito debochado e ele se mantinha sério e focado. Máscara havia lhe deixado como cobertura do advogado, principalmente depois da tentativa de assassinato da qual o francês foi vítima. Todavia o advogado o havia contatado e informado que Radamanthys o achara e dessa forma precisaria refazer todo o sistema de segurança do ruivo, o jeito seria levá-lo para Mansão, era mais seguro.

Quando Milo entrou no quarto foi surpreendido como poucas vezes em seus trinta e quatro anos. Num minuto a porta estava aberta e no outro tinha uma arma apontada para a sua cabeça.

— Preciso saber se posso confiar em você. Estou desesperado e só você pode me ajudar.

***

— Natássia e eu nos envolvemos por acaso, eu acabava de chegar à Grécia e era muito jovem, Radamanthys era quase um tutor para mim e prometera a meus pais que cuidaria de mim. Eu devo muito coisa a ele. Natássia era muito solitária e sofria muito com a indiferença de Radamanthys, ela não conseguia engravidar e ele a culpava por isso – Camus serviu o uísque para si e para Milo, agora ambos estavam na pequena saleta do quarto um de frente para o outro, a arma ainda nas mãos do francês, mas Milo não entraria em uma luta corporal com Camus de novo. Entrou para tentar desarmá-lo e pela primeira vez na vida não conseguira. Estava chocado na verdade com o fato de Camus Chateaubriand ser um exímio lutador. As provas disso estavam no seu rosto machucado, no braço que doía de forma atroz e na dificuldade para respirar. Devia ter uma costela quebrada – Já fiz parte do exército na França, saí porque meu pai queria que eu fosse advogado. – explicou Camus ao ver Milo segurar o flanco esquerdo e fazer uma careta – Especialista em combate desarmado e luta corporal. Mas voltando a minha história, não vou dizer que amei Natássia, mas o fato dela ter me dado um filho mexeu um pouco comigo.

— Então o filho do Juiz...

— Wyvern permitiu que ela tivesse a criança desde que eu não interferisse, foi quando descobrimos que ele era estéril. Um filho na família tradicional dele era importante, escândalos não. O Juiz ameaçou me afastar do menino se eu fizesse algo e Natássia também pediu que eu não exigisse a paternidade do menino... Confesso que me sinto covarde por ter aceitado um acordo assim.

— Dinheiro. – Milo disse tomando o uísque de um gole – Quem era você? Perto de Radamanthys e Natássia que tinham tanto prestígio quanto dinheiro? A ricaça vadia e do corno estéril? Não duvido nada eles terem usado você para fazer o filho! Era preferível ficar ali próximo do menino de qualquer jeito ou ficar de jeito nenhum.

Palavras duras, mas totalmente verdadeiras e Camus tinha mais para admirar naquele grego sedutor além da beleza, a franqueza.

— Sabe que não vai adiantar muito me contar essas coisas não é? O Padrone não costuma deixar pontas soltas e você sabe que o Wyvern está em nossas mãos graças ao menino.

— Eu sei Milo! Mas e quando isso acabar?! – Camus esfregou o rosto angustiado – O que está acontecendo com e ele agora? Ele é meu filho... É tão jovem e ingênuo, como será que está reagindo a essas coisas?!

— Você sabia que ele é viciado em cocaína Camus?

— Quê?

— Nós o monitoramos há um tempo, o vício não é recente. Camus o garoto não passa um dia sem usar.

Camus ficou tão transtornado com aquela nova informação que nem percebera que por aquele momento deixou de ser "francês" para ser "Camus". O ruivo levantou a cabeça para fitar o grego aturdido até que sua mente processasse o que acabara de ouvir.

— Não pode ser verdade Milo. – disse e seu olhar castanho estava marejado, sentia um peso enorme no coração. Milo não brincaria com aquilo.

— Temos tudo gravado, um dos nossos também está na escola. É bem comum eles comprarem lá, a maioria dos alunos usa normalmente.

Milo ficou estarrecido ao ver Camus afundar o rosto nas mãos e chorar, os soluços sacudiam os ombros largos de forma dolorosa de ver. O francês não conseguia controlar o desespero por saber que o filho passava por um problema tão grave e que ele estava impedido de estar ao lado dele. Maldito Radamanthys! Como ele fora deixar isso acontecer?!

Sentiu os dedos de Milo em suas mãos e em seguida recebeu toda a força daquele olhar de supernova em seu rosto transtornado.

— Milo é meu filho! Por favor, eu preciso vê-lo. – pediu, era humilhante, mas o faria quantas vezes fosse preciso.

— Não posso Camus. – Milo mordeu o lábio, aquela comoção de Camus estava destruindo-o também. Ver o advogado sempre centrado e frio desabar na sua frente era desconcertante. E logo para Milo que sempre almejou ver Mr. Iceberg perder a fleuma, porém não de forma tão dolorosa.

***

Shun passava a corrente de aros pequenos entre os dedos atento as notícias dos telões, vendo a recepção da confissão de Minos na imprensa, a própria prisão do promotor público corrupto e da caça ao Juiz da Suprema Corte, Radamanthys de Wyvern. Máscara ficaria feliz de ver que tudo saia conforme os planos. Queria poder vê-lo. Todavia O Padrone estava proibido de receber visitas além do seu advogado. Contava os dias para que tudo aquilo acabasse e ele pudesse ter o homem que amava de volta, era tudo que ansiava.

Ikki entrou no escritório do pai e viu Shun jogado na poltrona de couro de Mask, o rapaz vestido com uma camisa verde e suspensório, parecia um anjo inocente. Apertou o ombro do irmão ao se posicionar ao lado dele. Sabia que estava sendo duro para Shun ver Máscara preso e aquela remota possibilidade de ir para o presídio por vários anos. Ainda mais naquele momento em que eles finalmente davam vazão aquele amor intenso e um tanto insano que um tinha pelo outro, Máscara relutou por um bom tempo desde que percebeu o interesse de Shun, que contava dezesseis anos na época. Só ficaram definitivamente juntos quando o menino completou a maioridade há dois anos.

— Mais uns dias Shun, só mais uns dias.

— Eu sei nii-san. E o Hyoga Ikki? – Shun voltou seus olhos para o irmão – Quanto tempo ele ficará aqui? O Juiz está queimado, não seria melhor...

— Não. Ele deve ficar até sair a sentença do Mask e a captura do Juiz, você sabe. – não agradava a Ikki também permanecer com o garoto ali naquela maneira, mas não podia vacilar agora – Tem que ser como o Mask disse que seria.

— E se ele morrer Ikki? – a pergunta foi feita em um sussurro. Apesar de tudo Shun se compadecia da situação do russo, tinham quase a mesma idade, Hyoga apenas três anos mais jovem e talvez os mesmos sonhos e anseios, se Shun tivesse tido a mesma vida que o garoto tivera. O japonesinho sabia que por trás daquela fachada arrogante e aparentemente inabalável, Hyoga era carente de afeto e um sonhador frágil.

— Será um risco que teremos de correr.

Shun mordeu o lábio ante a frieza do irmão, acreditava que Ikki iria até as últimas consequências nos planos de Mascherani, era o espelho de seu pai. Shun se sentia ainda pior por isso, por ter de envolver Hyoga em meio a tudo aquilo.

Ikki decidiu ir ver o russo à menção dele pelo irmão, já havia se passado alguns dias e o garoto parecera entender que se ficasse quieto logo tudo se resolveria. Shina e Pandora estavam responsáveis por ele, eram as mais dóceis da família mesmo que Shina fosse um tanto sádica. A ordem do Padrone era manter o garoto dopado, Afrodite separava as doses para o rapaz usar deixando-o no limiar entre a euforia e a lucidez. Apenas como um modo de deixá-lo calmo e quieto.

Chegou ao pátio e respirou fundo o cheiro de noite para tentar esvaziar a mente da culpa que lhe revolvia por dentro. Também sentia culpa por manipular aquele garoto assim, não estava nada satisfeito com aquilo, mas obedecia porque Máscara era seu pai e devia tudo a ele. Havia algo que mexia em si quando colocava os olhos naquele garoto, um sentimento estranho para si que era melhor não alimentar. Hyoga parecia frágil demais, não seria sensato transformá-lo em um submisso.

Nem deveria estar pensando naquilo.

— Tenso demais chefe. Que tal uma massagem? – Pandora se aproximou de Ikki massageando os ombros do moreno – Uma sessão rápida?

— Não tenho cabeça para uma sessão hoje Pan, seria mais doloroso que o necessário. – Ikki acariciou as mãos pequenas de alabastro – Sinto muito.

— Então porque não apenas sexo? Para relaxar Ikki! – a mulher o olhou esperançosa e Ikki apenas a olhou com uma expressão dura, minando a motivação da alemã. Pandora sabia que Ikki não fazia sexo convencional, para o Amamiya sexo era um ritual ao qual ele se dedicava por horas e não gostava de ser interrompido. Quando estava em meio a uma operação grande como a que estavam agora, era impossível se dedicar tanto assim, estava apenas focado no trabalho.

— Foi ver o garoto? – Ikki indagou se afastando de Pandora, que não escondeu o descontentamento pela evasão do moreno à sua proposta.

— Shina vai vê-lo assim que acabar o que estiver fazendo. Provavelmente ela e Kanon estão aliviando um pouco a tensão, ao contrário de nós. Sabem se divertir com qualquer coisa.

— Cobranças? – Ikki a olhou de esguelha com um meio sorriso de troça nos lábios carnudos – Achei que tinha sido claro com você. Shina e Kanon são um casal, nós não. Vou ter que desenhar?

— Um dia eu vou cansar dessa merda Ikki.

— Você é livre para fazer o que quiser Pandora, só é submissa nos jogos, fora deles é uma mulher com livre arbítrio. – Ikki começou a caminhar em direção ao pavilhão menor da Mansão – Vá até Aiolos e verifique se as entregas de hoje foram feitas, Aiolia e Aldebaran estão fazendo a cobrança. Por favor.

Não se virou para ver se Pandora faria o que pediu, mas sabia que ela não o desobedeceria. A Mansão como chamava a propriedade da Família, era um conjunto de complexos onde havia de tudo. Uma casa luxuosa que abrigava todos os membros, quadras de esporte, garagem para vários carros e motos, academia e até um ambulatório.

No pequeno quarto em que confinou o rapaz russo, encontrou o loirinho em espasmos leves e desacordado, verificou as pupilas e estavam dilatadas. Mediu a pulsação e constatou que ele estava com uma arritmia, se não o levasse para o ambulatório ele teria um ataque cardíaco em breve. Praguejando pegou o rapaz no colo e correu para fora gritando com os seguranças e logo se formou um alvoroço. Ikki chegou rápido a enfermaria e Afrodite e Shaka estavam lá para receber o rapaz em crise.

***

Shun encontrou o irmão no corredor em frente da enfermaria, encostado à parede esperando notícias. O mais jovem veio correndo assim que soube.

— Como ele está? – Shun sentia-se muito culpado, não aprovara aquilo desde o começo e achava as recomendações de Máscara um exagero. Desconfiava que Hyoga não tivesse controle sobre o vício, nunca teve e já começava a fase das doses cada vez maiores.

— Não sei. Shaka e Afrodite estão lá dentro, acho que foi uma overdose. Mas não entendo porque as doses são separadas por mim, Shina me garantiu que ele usa assim que ela dá pra ele, não há onde ele estocar! Como ele pode ter conseguido uma dose alta para usar?

— Ele deve ter dado um jeito... – algo passou pela mente de Shun e ele correu para o quarto onde o russo estava antes, Ikki o seguiu.

Depois de revirar a cama Shun achou o crucifixo que Hyoga sempre usava no pescoço jogado na cama.

— Eu sempre o vi usar e uma vez no colégio... Mas não pensei que...

Era uma peça um tanto antiquada, mas muito bela. Um rosário de contas de diamante com um crucifixo um pouco mais grosso do que o usual. A ponta estava separada do resto e revelava uma pequenina escova que se encaixava no tubo oco do resto do crucifixo. Shun levou ao nariz e constatou que havia droga ali.

— Ele estava guardando parte das doses! Cacete! – Ikki praguejou.

— Meu deus... – murmurou Shun com o crucifixo nas mãos abismado que aquele objeto tão inocente tivesse aquela finalidade.

Voltaram ao ambulatório, Milo vinha pelo corredor quase correndo. Acabara de chegar com o ruivo e soubera do ocorrido. Depois de deixar Camus em uma ala longe de tudo, veio correndo ao ambulatório ver como estava o garoto. Prometera ao francês que não deixaria o loiro morrer e que se machucasse, não entendia porque prometera, mas o fez. Talvez fosse o choque de ver Mr. Iceberg derreter daquela forma a sua frente ou o sabor dos lábios de coração que finalmente teve a chance de provar. "Estava enlouquecendo." pensava consigo.

— Por Atena não me diz que ele morreu! – Milo segurou Ikki pelos ombros assustando Shun e ele pelo seu rompante.

— Vivo está, vamos ver se ele é forte o suficiente. – foi Shaka que respondeu tirando a máscara cirúrgica – Foi por pouco.

— O que aconteceu porra?! Eu dei doses exatas para mantê-lo apenas dopado, Ikki. – Afrodite tinha uma expressão irritada – Quase perdemos o moleque!

— Mascherani vai querer a sua pele. – Shaka retrucou plácido. O indiano era o mais novo membro da família desde que Aiolia salvara o loiro de ser morto por ter acidentalmente descoberto um esquema de tráfico de órgãos no hospital em que fazia residência há seis anos.

— Dite me diz que ele vai ficar bem, por favor. – Shun quis saber, mas Milo também estava desesperado para saber.

— Vamos esperar as próximas horas e monitorar a evolução do quadro. – Shaka informou e Afrodite assentiu.

— Vou cuidar do garoto Shunny, não fique preocupado sim. – Afrodite abraçou Shun com carinho. O sueco era o amante de Máscara antes de Shun e ainda o foi por um tempo, o sueco cuidou de Shun desde pequeno e o amava como um irmão mais novo. Todos naquela família se amavam, Mascherani era o elo que unia aqueles homens e mulheres que passaram por sua vida de uma forma ou outra. Afrodite era um prostituto de luxo que Mascherani tomou para si e por dez anos foram felizes, viram os outros membros da Família chegar. Agora o que restara entre os dois era uma amizade fortalecida, Mascherani ajudara Afrodite a voltar a estudar, se formar em química e agora o sueco trabalhava na Família e para a Família.

— Gente eu descobri uma coisa e preciso conversar com vocês sobre isso. – Milo olhou a todos com apreensão. – Mas eu acho que vou precisar de atendimento médico primeiro.

— Quem foi que te bateu? – Afrodite arregalou os olhos ao olhar mais atentamente para o amigo escorpião, todos pareciam surpresos também.

***

Uma hora depois Ikki escutava o relato de Milo já medicado e devidamente enfaixado, junto aos outros também. A Família se reunia para decidir tudo, depois da aprovação da maioria. Alguns estavam consternados com a revelação do grego.

— Eu sondei o Juiz, precisava saber se o cara gostava mesmo do garoto... Ele está tão desesperado quanto o Camus.

— Ui quanto Camus! – ironizou Aiolia – Desde quando "Camus" deixou de ser "Francês"?

— Eu nem quero me estressar então melhor calar essa boca bichano. Temos assuntos mais urgentes aqui! O que vamos fazer agora?

— Deixar tudo como está. – Ikki disse sem se abalar para espanto de todos – Nós já sabíamos do acordo entre Wyvern e Chateaubriand. Investiguei a fundo a vida do Juiz e sei de muitas coisas a respeito dele, inclusive os motivos que o levaram a emitir uma ordem de restrição contra Camus para impedir o francês de ver o menino.

— Por isso eu achava que o ruivo e o Hyoga eram amantes. – Shun indagou pensativo – Mas então... Qual o objetivo? Porque pegar o garoto Ikki?!

— Porque assim teremos Radamanthys. E Camus vai fazer tudo que exigirmos se mantivermos o garoto. – Aldebaran foi quem concluiu, mas havia certo amargor na voz do Touro. Compreender os métodos de Máscara não o alegrava – É cruel demais até para o Mask. Ele é só um menino! Um garoto com graves problemas e veja o que fizemos a ele?

— Nós seguimos com as ordens Aldebaran, não questionamos. – sentenciou Ikki mordaz e o gigante brasileiro cerrou os punhos se levantando e saindo porta afora, estava furioso.

Mas não demorou a voltar, entrando no escritório novamente esbaforido.

— A delegacia foi invadida! Eles explodiram a entrada e houve um tiroteio.

***

Máscara sentiu a tensão no ambiente, mas permaneceu calmo recostado na parede onde a cama de ferro de sua cela ficava. Observou os guardas irem e voltarem pelo corredor, algo inusitado e isso lhe deu a dica.

"Covarde filio de puttana" pensou cuspindo no chão. Tinha de admitir que falhara ao imaginar estar lidando com um homem e não um verme, esperava que Hades seguisse as regras e agisse conforme. Agora pagaria por sua ingenuidade.

— Kan!! – gritou sem se importar em manter as aparências, o gêmeo apressou em atender o chamado do "Padrone" – Leve isso para mio filio. – estendeu para o moreno de longos cabelos negros um livro pequeno – Digli di seguire questas parole (*Diga-lhe para seguir estas palavras). Io senhor dá, io senhor tira! Diga exatamente assim Kanon... Ao meu piccoli. – puxou o grego para junto dele na grade – Ao meu piccoli diga que não desista, que viva por nós dois. Que eu o amo.

Kanon arregalou os olhos, não teve tempo de falar nada, pois os tiros e o barulho da explosão tiraram-lhe o foco. O tiroteio deu início, mas os invasores eram muitos e a explosão matou vários policiais logo de primeira. Havia um caos.

Máscara levará quatro tiros e não reagiu, seu último pensamento foi para Shun seu pequeno. "Eu lhe salvarei mi amore", pensou Máscara antes de tudo ficar escuro.

***

Ikki atravessou as portas do necrotério da cidade vestido elegantemente em um terno negro bem cortado e óculos escuros, estava fortemente escoltado. Três seguranças além de Aldebaran e Aiolia o acompanhavam. Seu semblante era impassível embora os olhos índigos debaixo dos óculos escuros estivessem sem brilho.

O médico legista um tanto assustado ergueu o lençol para que o filho reconhecesse o corpo, Ikki apenas assentiu. Aldebaran e Aiolia baixaram as cabeças em sinal de respeito o último que teriam para o “Padrone". O Amamiya mais velho curvou-se a maneira oriental e em seguida com um gesto pediu ao legista para lhe dar os papéis de liberação. O médico e mais dois policiais encaminharam todos para a outra sala tratar a liberação do corpo.

Ikki forçou-se a ficar ali respondendo algumas perguntas e sendo cortês, desde a madrugada estavam trabalhando frenéticos por conta do atentado. Por sorte os gêmeos estavam a salvo, Kanon fora ferido e estava internado, Saga estava em uma operação fora da delegacia e só por isso se salvou. No hospital havia um forte sistema de segurança engrossado pelos homens da Família, para que Kanon não fosse morto.

Além de tudo havia a preocupação com Shun e Hyoga. O japonesinho sumiu assim que recebeu a noticia, Milo e Afrodite estavam a procura dele e até o momento não o encontraram. Hyoga permanecia no ambulatório e a última notícia que tivera dele era que Camus estava tentando vê-lo.

A verdade é que não sabia o que fazer com os Chateaubriand. Radamanthys conseguira escapar e sabe-se lá onde estava escondido, mas pouco importava agora! Ele não poderia ir muito longe sem muito dinheiro e todos os bens da família estavam bloqueados, inclusive os bens dos Romanov. Tudo seria devidamente liberado assim que a policia internacional e o Ministério Público comprovasse que a fortuna dos Romanov era limpa.

Seu objetivo agora era achar Hades. Ele agora como um covarde, morreria como um! Assim que achasse o irmão, Ikki caçaria Hades pessoalmente.

Horas depois Ikki permitiu que o serviço funerário levasse o corpo do pai adotivo para prepará-lo para o funeral, que seria na Mansão. Passou horas na polícia esclarecendo dúvidas e dando seu depoimento, Camus estava ao seu lado depois de finalmente conseguir a promessa de ver o filho.

Tudo esclarecido e limpo, a polícia não podia indiciar ninguém da família por nada. Os crimes de Máscara morreram com ele e sua Família estava dentro da lei, sua fortuna conseguida de forma limpa. Aiolos fizera um trabalho impecável camuflando tudo.

Saíram da delegacia para a noite fria de Atenas e Ikki puxou mais o sobretudo sobre o corpo até entrar no carro sedã com Camus, o francês permitiu afrouxar a gravata e respirar fundo.

— Como prometido Chateaubriand. Vamos para a Mansão ver o seu filho.

***

Hades estava exultante! Morto, Máscara da Morte estava morto e nada agora o impediria de destruir aquela gangue medíocre. Recomeçaria o seu esquema, tinha dinheiro e influência para isso.

Gargalhou de satisfação. Claro que ainda havia alguns percalços, no entanto isso não o preocupava. O Padrone estava finalmente morto, em breve toda a sua odiosa família.

Deixou o corpo relaxar na poltrona de sua biblioteca na sua propriedade em Capri. Ninguém sabia da existência daquele lugar além de Aiacos, esperaria a poeira baixar ali longe de Atenas e só então voltaria aos trabalhos, também era o tempo que Aiacos recrutaria mais homens. Sua preocupação era Minos, não conseguira trazê-lo consigo, o promotor estava preso e mesmo que estivesse no hospital ainda, sairia de lá direto para o presídio.

O vento fez a cortina de a janela balançar e Hades por um segundo se desviou para olhar e então sentiu o metal frio percorrer seu pescoço e morder a pele, em seguida o aperto que bloqueava a passagem de ar. Levou as mãos às correntes que ficava cada vez mais apertadas, a dificuldade de respirar aumentando.

— Você matou como um covarde então deve morrer como um. – ouviu uma voz doce e melodiosa em seu ouvido, Hades se debatia, mas o aperto era firme – O jogo não é para homens fracos.

Uma ultima torção e o corpo do magnata tombou para frente sobre a mesa de mogno. Os olhos verdes fitavam aquele corpo sem vida sem demonstrar nada. Shun ainda se certificou que o outro estava morto e só então puxou as correntes do corpo de Hades, para sair pela janela da mesma forma que entrou.