City Of Evil
20 The True
Notas iniciais
Preciso me dedicar a bateria de vestibulares que está por vir então só poderei postar uma vez por semana. Sei que é horrível, eu também não estou satisfeita com isso mas é necessário.
Bom, falando do de hoje... Ele está meio cansativo, mas é como uma ponte para acontecimentos futuros.
Beeijos e boa leitura.
Saímos do quarto e vimos o mesmo grupo dessa vez queimando ervas pelos cantos da casa. Eles param quando notam a nossa presença, fazendo sinais da cruz e gritando. Meus olhos se enchem de lágrimas de novo e sinto que vou chorar mais uma merda de vez. Os pés falham quando tento dar mais um passo a frente e seguro-me no corrimão recebendo o apoio de Brian que coloca minha mochila sobre seus ombros, a única mala com uma mão e com a outra segura minha cintura. Abaixo minha cabeça e descemos as escadas juntos.
- QUEM É ESSE HOMEM ARIEL? – A ignoro passando ao seu lado — EU ESTOU FALANDO COM VOCÊ. – Segura meu braço e o puxa me distanciando de Brian.
- Ele é o meu namorado e estou dormindo com ele. – Seu tom de pele vai de rosado pra extremamente branco. — É isso aí, a mocinha que você diz ter criado com tanto amor não é mais virgem e já deu pra um monte de gente! Homem... – Aproximo meu rosto do dela sorrindo ironica. – E mulher.
Minha visão vira bruscamente e sinto a bochecha arder junto com um forte gosto de ferro na língua. Levo a mão na boca e em seguida olho para meus dedos manchados de sangue.
Quando volto a minha mãe vejo que ela olha assustada para Phillip. Sim, foi ele quem me acertou com um tapa. Olho para Syn em seguida que franze a testa e cerra os dentes.
– Ya fucking bastard. – Levo uns segundos para processar o que ele disse e então percebo que sua mão fechou-se em um punho.
Minha real vontade é simplesmente deixar Brian arrebentar a cara de Phillip até não poder ser reconhecido na autópsia, mas ao invés disso quando ele levanta o braço o seguro com a força e coragem que me restam impedindo mais um eminente desastre.
- Não vale a pena.
Brian me olha com ódio e segura minha mão nos tirando dessa maldita casa.
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- Me desculpe por ter que te trazer para o estúdio, a casa está uma bagunça pra te deixar lá e temos que resolver algumas coisas sobre o novo disco então...
- Ah, tudo bem... Bom na verdade sou eu quem deve pedir desculpas por fazer você sair de algo importante por uma coisa idiota. – Disse da maneira mais natural possível dando o sorriso mais falso de toda minha inútil existência.
- Hey. – Ele segura meu queixo com as pontas dos dedos. – Não adianta bancar a durona comigo, eu já sei distinguir quando você está mentindo garota.
Claro que sabe... Você tem o incrível dom de me decodificar.
- Ok, confesso. – Jogo as mãos para cima me rendendo. – Combinamos fazer uma coisa que não rolasse sentimento e na primeira oportunidade, consegui foder tudo. – Ri. – Estou ficando muito boa nisso. – Eu sei, essa não é toda a verdade.
Ele ri.
– Primeiro, foi você quem quis algo “sem sentimento”. – Fez aspas com os dedos. – Segundo, não foi idiota. Sabe que pode me ligar a hora que quiser pra pedir o que quiser. – Segura minha mão e beija sua parte superior.
Droga, meu nariz voltou a queimar. Engole o choro Red, ENGOLE O CHORO.
- Mesmo se for pra pedir um grande pote de sorvete de pistache no meio da noite? – Sorrio.
- Se eu poder comer junto, claro. – Retribui o sorriso e me beija.
Ouço as risadas exageradas dos garotos e saio rápido do confortável sofá ao lado do Brian para uma cadeira do outro lado da sala.
Jimmy abre a porta primeiro e nos olha desconfiado.
– QUE PORRA É ESSA? Synyster Gates e Red Sereia no mesmo cômodo sem gritos, vidros quebrados ou sangue pelo chão??
- HAHA – Rio irônica. – Por que sujaria minhas lindas mãos com um traste como o Haner?
- Desculpa, eu não entendi. Acho que com “lindas mãos” ela quis dizer “cascos de caminhoneira”. – Rebate.
- Agora sim o clima legal de sempre. – Jimmy ri e pula no sofá para beijar Brian.
- Aah que momento lindo. – Arin aparece e cumprimenta Gates que o puxa para um cascudo fazendo-o cair em cima dos dois.
- Já tá me trocando por esse desnutrido não é Brian? – Zacky coloca as mãos na cintura e bate o pé no chão como uma namorada ciumenta.
- Eu nunca trocaria meu bolotinha, esse aqui é só pra passar um tempo. – Manda um beijo pelo ar.
- Você me disse o mesmo sobre o Zacky. – Entra Matt dando um soco em seu braço e sentando no braço do sofá. – E agora me trocou por ele.
- Oi Gates. – Johnny dá um rápido aceno e vem me cumprimentar. – Oi Reeeed. – Senta em meu colo e me abraça forte.
- GNOMEU!! – Retribuo o abraço caloroso e apertado de Johnny. – TÁ VENDO SEUS PUTOS? ELE O ÚNICO QUE VEM ME ABRAÇAR.
Todos fazem um sonoro “TADIIIIINHA” e chegam rápido até mim me enchendo de abraços e beijos coletivos. Menos Brian é claro, que só ri do outro canto da sala e dá uma piscadela.
- Uau, o que vocês estavam fazendo garotos? – Pergunto para Jimmy e Arin que estão cobertos de suor e vermelhos.
- Treinando. – Responde Jimmy tomando um folego repentino. – PUTA QUE PARIU. – Passa um dos braços em volta do ombro de Arin. — Você tinha que ter visto Red. Ele conseguiu em 5 minutos um solo que demorei mais de 3 horas. O garoto tem futuro.
Arin não consegue falar nada, fica apenas rindo como bobo junto com seus grandes olhos brilhantes. Provavelmente jamais imaginou algo parecido vindo de seu maior ídolo.
- AAAAAH Não acredito que vamos meter o pé na estrada de novo. Achei que ficaríamos mais um tempinho parados. – Brian joga a cabeça para trás bufando.
- Você se deixar morre de preguiça não é Haner? – Implico e ele mostra a língua. – Achou que a vida de músico seria como?
- Mulheres, cervejas e rock. – Responde Matthew contando nos dedos. – Muitas mulheres. – Levanta as mãos para bater na dos outros caras.
- HEY, você namora minha melhor amiga. — Jogo uma almofada em Matt e ele joga de volta.
- Ah é, desculpa. – Faz careta arrependido.
- Não se desculpe Shadão, quem disse que anaconda presa não rasteja? – Provoca Brian levantando.
Fecho um dos olhos mirando no palhaço do Haner e jogo a almofada com toda força que tenho. Ele abaixa e minha arma acaba batendo no nariz do empresário da banda que acabara de entrar.
Coloco as mãos na boca envergonhada.
– Desculpa Larry. – Me encolho quase escorregando pra baixo do sofá.
- Tudo bem, adoro sentir gosto de sangue domingo a tarde. – Responde dramático e entrega envelopes amarelos nas mãos de cada um dos garotos. – Vocês queriam saber porque marquei uma reunião domingo então... Aqui o local e a data dos próximos shows. Vai ser corrido mas precisamos dar conta ok? Tem várias rádios que querem entrevistas, MTV, e lançamos outra promoção, só que dessa vez vai ser por cidade.
- TUDO ISSO EM UM MÊS??
- Cala a boca Brian, terão garotas gostosas gritando por nós e rasgando nossas roupas... – Jimmy coloca as mão atrás da cabeça. – Que ruim cara, que ruim.
- Eu vejo garotas esfaqueadas e cobertas de sangue – Eu rio, mas paro quando vejo que todos me olham. – O que? É brincadeira galera. – Rimos. – Mentira, eu realmente posso fazer isso.
Taylor entra desesperada na sala jogando a bolsa em um lugar qualquer, no caso o colo de johnny.
- Red, porque você me ligou 8 vezes de manhã?
- Ah, precisava falar contigo, mas não era nada importante. – Minto.
- E o que era? – Abraça Matt e ele vira para um beijo.
Hesito em falar na frente dos caras até porque, eles podem ser bem tolerantes mas o que vão pensar quando souberem que sou traficante? Olho para Brian e ele faz um sim com a cabeça me encorajando.
– Eu meio que fui expulsa de casa. – Todos me olham espantados. Larry faz uma careta e sai da sala.
- Mas porque Red? – Pergunta Arin me levantando e fazendo sentar em seu colo no sofá ao nosso lado.
Abaixo minha cabeça.
- Minha mãe encontrou meus remédios proibidos.
- Que tipos de remédio? — Matt me encara.
- Do tipo Anfetamina. – Minha voz saiu baixa e rouca.
Eles se entreolham por alguns segundos e caem na gargalhada. Olho para eles totalmente atônita. Como conseguem rir depois que descobrem que tem uma amiga drogada? O som daquelas risadas acaba me embalando e começo a rir também.
- Eu já roubei um posto de gasolina e meus pais não fizeram isso. – Ri Zacky.
- Com certeza por causa dos salgadinhos. – Johnny sussurra em meu ouvido mas Zacky escuta e mostra o par de dedos do meio para nós.
- Não acredito que foi por causa disso pirralha. Vocês deveriam ver como tinha gente lá quase exorcizando ela.
- E o que você foi fazer lá hein Brian? – Pergunta Jimmy desconfiado.
- A culpa é de vocês. Liguei várias vezes no celular de todos e ninguém atendeu. Aí tive que fazer o sacrifício de pedir ajuda pra essa entidade aí.
- AAAIN AAAAAMIGA – Grita Taylor e corre para meu lado acariciando meus cabelos desajeitadamente. – Desculpa fazer você passar pelo inferno que deve ser pedir ajuda ao Synyster.
Brian sorri sarcástico e imita uma faca passando em sua garganta com os dedos.
- Achei que já tinha parado com isso Red. – Arin me aperta.
- Juro que parei. Agora só vendo. – Dou de ombros.
Os garotos voltaram a rir mais alto ainda. Com certeza a risada deles pode ser ouvida por várias milhas de distância.
- ESSA É A MINHA GAROTA. – Grita Jimmy me pegando no colo e jogando para cima. COMO DIABOS ELE ME AGUENTA???
- Hey, você trabalha só com isso ou consegue descolar uma erva pra gente? – Pergunta Matt dando aquele sorriso com covinhas que faz qualquer uma derreter.
— Vai sair o mesmo preço Shadows. Sem desconto pra amigos. – Ri. – Sabe... Às vezes me pergunto o que acontece com Zacky depois que ele fuma maconha. Comida na casa não existe mais, certo?
- HAHA – Ri irônico enquanto todos zombam dele. – Vocês tem inveja de mim isso sim... Porque as gatas adoram uma gordurinha quente pra se aquecer a noite.
- Então coitado do Arin. – Provoca Brian.
- Pelo menos eu não ando com as pernas abertas de tanto NÉ Brian. – Rimos descontrolados.
- AAAAH, ENTÃO ISSO QUER DIZER QUE VOCÊ VAI MORAR COMIGO. – Grita Taylor enquanto me levantava e abraça. – Que lindo, que liiiindo.
- NÃÃÃÃO, ELA VAI MORAR COM A GENTE. – Grita Jimmy me puxando pra perto de si.
- Tá gente, calma. – Ri enquanto eles me disputam. – Grandão vou morar com ela, não posso ficar dando trabalho pra vocês.
- Não vai ser trabalho nenhum Red e aliás, vai ser ótimo ter outra pessoa pra eles fazerem de mascote.
- Johnny, você sempre será o mascote. – Diz Matt. – Mas ele está certo Red, vai ser ótimo ter você morando conosco.
- Ogro, eu agradeço o convite mas não posso aceitar. – Faço bico. – Me desculpe.
- HÁ HÁ, perderam. – Blonde dá pulinhos. — Então vamos Red, temos muitas coisas pra colocar no lugar. – Vira para Matt. — Te vejo mais tarde amor. – Dá um selinho nele e me puxa (lê-se arrasta) para fora.
- ESPEERA MÃE, eu quero ficar mais um pouco. – Seguro-me na porta com a mão livre. – AAAH OK. – Solto me rendendo.– Até mais tarde garotos.
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Por mais que entenda todos os motivos que fizeram com que minha mãe ficasse brava e me tirasse de casa, o ódio me consome só de imaginar as merdas que passei pra ela poder estar viva. Não consigo contar nos dedos quantas vezes balas passaram de raspão por meu corpo, facas desviadas, emboscadas da polícia e o pior de tudo, o sangue que passou pelas minhas mãos ao fazer o que tinha que fazer.
- Heeey. – Brian estrala os dedos na frente dos meus olhos tirando-me de meus pensamentos. – Está chapada agora? – Pula a parte de trás do sofá para sentar comigo.
– Não, estava só pensando. – Rio pelo nariz e apoio minha cabeça em seu ombro.
- Você tem cara de drogada quando pensa. – Bato em seu braço. – Sério, que você usava tudo bem mas traficar pra ajudar em casa? Vocês não parecem o tipo de família que precisa disso.
- E não precisávamos, mas o dinheiro acabou e tive que pagar o tratamento dela, sem contar as contas normais.
Brian passa o braço em volta do meu corpo abraçando.
- É bem corajoso da sua parte Red.
- E burrice. – Ri. – Cadê os garotos? – Ele responde ficando vesgo e mostrando a língua. Foi o que bastou para entender que foram ficar bêbados – Mas vocês vão viajar daqui uns dias, dormir cedo e ficar sóbrio não é uma regra?
Ri alto jogando a cabeça para trás.
– E desde quando seguimos regras Ariel? É mais fácil a antiga formação do Guns voltar. — Rimos
- Então... Você abriga uma drogada sem teto, só por essa noite? – Faço o contorno de suas tatuagens com o dedo. Por que eu sempre fico envergonhada quando falo ou pergunto algo assim a ele?
Ri voltando a me olhar.
– Já disse que pode ficar aqui o tempo que precisar. – Levanta meu queixo e me beija. – Tem certeza que não quer pedir mais um tempo de folga?
- Yeep. Preciso voltar para a Rota 67, tem muita papelada me esperando. Eric é muito desorganizado.
- Hm... Eric... Sei não... – Levanta a sobrancelha. Eu já disse que ele fica muito sexy fazendo isso? Fica. — Ele me parece muito suspeito. Fica te ligando, mandando e-mails...
- Que lindo, você tá com ciúmes. – O interrompo e aperto sua bochecha.
- Estou mesmo. – Vira o rosto. — Não quero que ele fique de olho na minha namorada.
OPA, GASP GASP, ENGASGUEI. COMO É QUE É??
Incrível. Nunca achei que essas duas palavrinhas “minha namorada” me deixariam tão alta, principalmente saídas pela boca dele. Na verdade eu jamais achei que nós chegaríamos onde estamos. Bom, talvez... Quando era mais nova... Mas isso não vem ao caso. Preciso saber se não é invenção minha, preciso ouvir mais uma vez.
- Fala de novo. – Fecho os olhos sorrindo.
- O que?
- Minha namorada.
Ri e aproxima os lábios de meu ouvido me fazendo arrepiar ao quente toque.
– Minha namorada, minha e só minha namorada.
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