Circus
1 Capítulo 1
— Bem vindos ao Circo Scalanor, um lugar onde vocês irão se divertir, dar ótimas gargalhadas e admirar cada espetáculo.
Circos naquela época estavam em alta, as pessoas tinham curiosidade em ver coisas totalmente fora do normal, ficavam fascinadas com algumas coisas que humanos considerados “aberrações” pudessem fazer e ser. Aberrações, era isso que todos falavam ao se referir ao seu circo, mas Seiya não via seus companheiros como aberrações, os via como seres únicos, especiais, tinham peculiaridades que ninguém mais tinha, e por isso gostava tanto deles, não iguais a ninguém, eram simples flores em um vasto campo que apenas havia capim.
Seiya fora criado apenas por seu pai, já que a vida de sua mãe havia sido tragada por um acidente, ele ainda era um bebê, e seu pai tinha ficado arrasado quando aquilo aconteceu, mas teve que ser forte por seu filho. A morte de sua mãe não culminou em nenhuma tristeza, mas ainda sim sentia falta de amor materno, mas ainda tinha seu pai que o ajudou a superar. Pela sua jornada do crescimento, seu pai o ensinava a ser bondoso, e nunca se questionar nada a ninguém pois algumas pessoas tinham algumas opiniões bastantes erradas sobre determinadas pessoas e sempre disse para seguir seu coração.
Ao se tornar um adulto, tendo juntado muito dinheiro ao longo do tempo, conseguiu comprar um circo falido, o dono dizia que não conseguia mais enxergar magias naqueles espetáculos e decidiu parar de vez para se dedicar apenas a família, Seiya não acreditava nas palavras do homem, ficou incrédulo, nunca quis ouvir algo do tipo novamente, e quando o dono passou o papel que dizia que Seiya era oficialmente do dono do circo, o coração do castanho se encheu de felicidade e sentiu que agora tinha o mundo aos seus pés.
No momento, Seiya recebia seus convidados na entrada do Circo, sempre com um sorriso no rosto, um smoking vermelho intenso que parecia brilhar, uma cartola e um bastão na mão, contagiava a todos com sua felicidade, e fazia as pessoas sorrirem ao contar como seu circo era maravilhoso.
Quando viu que já estava quase nada hora, olhou para dentro da tenda e viu que estava lotado, todos vieram ver o espetáculo que era Scalanor, o circo que estava sucesso aos poucos, Seiya correu até a parte de trás do circo, entrando pela porta e saiu andando até as cortinas que separava os camarins dos artistas e o povo ansioso pelo espetáculo, respirou fundo, fazer aquilo o ainda fazia se sentir nervoso, mas já estava naquilo há algum tempo e tinha perdido um pouco do nervosismo, viu as luzes se apagarem, aquela era sua hora, saiu de trás da cortina, andou até o centro e sentiu um holofote o cegar bem no rosto, preparou o gogó e falou:
— Senhoras, Senhores, crianças e criaturas fantásticas, hoje sou seu guia e vocês irão se aventurar nesse belíssimo espetáculo que eu e meus amigos preparamos especialmente pra vocês, estão preparados?
Assim que terminou todos soltaram gritos de animação e isso já serviu como resposta.
— Então vamos ao que interessa – Assim que terminou de falar, as luzes apagaram novamente e foi direto para trás das cortinas, enquanto a primeira atração corria para seu posto.
Todos aguardavam ansiosos, as luzes continuavam apagadas, dando um ar de mistério, viram tochas em meio àquela escuridão e esperaram mais, até que um feixe de fogo se fez presente, assustando a todos, e mais outro pode ser visto e de repente virava uma grande visão, o fogo dançava livremente pelo local, até parar bruscamente e as luzes se acenderem e revelarem um rapaz com cabelos ruivos parecendo fogo, calça apertada e sem camisa, revelando os vários músculos tonificados e sua pele bronzeada estava pintada em vários tons de vermelhos, de repente um cartaz e solto, revelando a identidade do mesmo.
“Souma, o homem em chamas”
Souma continuou com seu espetáculo, soltando vários fogos, passando as tochas em seus braço e peito revelando a incrível resistência ao fogo que sua pele tinha, e por último juntou as duas tochas perto de sua boca e soltou mais uma vez uma bufada que vez os fogos ficarem incandescentes e começou a rodas em seu próprio eixo, formando um redemoinho de fogo, fascinando a todos. Ao acabar, apagou as tochas, se curvou e foi ovacionado pelo público e se retirou do local, dando lugar ao próximo show, novamente as luzes foram apagadas.
Ouviram sons de tralhas sendo arrastadas pelo local, e assim que pararam de ouvir, as luzes se acenderam, revelando uma banda, com 5 integrantes, todos peculiares, e ao olharam para o lado do cartaz de Souma, souberam quem era a banda.
“As gêmeas e as aberrações”
Havia um desenho de cada um dos integrantes e acima de suas cabeças.
As gêmeas eram Paradox e Integra, duas cabeças no mesmo corpo, eram vocalistas da bunda, em seguida, Ryuho, um rapaz com a pele coberta de escamas, era chamado de dragão nascente, estava no piano, Fudou, o homem com olhos um de cada cor estava no violão, Kiki um rapaz franzino e sem sobrancelha, apenas duas pintas no lugar delas, estava na bateria e o último integrante era Shiryu, estava com uma faixa nos olhos e iria tocar um violoncelo, todos ficaram instigados, como ele poderia tocar com aquela venda nos olhos, mas param de se questionar assim que ouviram a melodia que era tocada por ele, o que foi acompanhada pelo piano de Ryuho e o violão de Fudou, completando a bateria e assim puderam ouvir a voz das gêmeas, e todos fizeram silêncio para escutar aquela bela voz que as duas tinham, pareciam anjos celestiais cantando para Deus, e a melodia ao fundo combinava ainda mais a suas vozes, estavam tocando uma música muito famosa na época, todos ficaram fascinados que nem se quer perceberam quando o espetáculo, já que estavam sendo envolvidos pela incrível voz das gêmeas.
Os espetáculos seguiram normalmente, na sequencia foram Éden, conhecido como o homem dos raios, impressionou todo ao fazer faíscas de seus dedos e por aguentar grandes cargas elétricas, em seguida Haruto como magico e Yuna era sua assistente, realizaram vários truques, inclusive o qual Haruto cortava Yuna ao meio, levando o público a loucura, depois Harbinger, o cara mais forte do mundo, carregou pesos que uma pessoa normal não conseguiria levantar, impressionando a todos, e por último veio Shun com o que parecia ser uma flauta transversal, e ficou parado no centro, as pessoas se perguntavam o que ele faria, levou o instrumento e começou a soprar, saindo um som suave, acalmando a todos, dois homens vieram por trás com dois portes enormes, e assim que os abriram uma nuvem de borboletas se dispersou pelo ar, o som de flauta ficou mais intenso e as borboletas e agruparam, e assim que suavizou de novo elas voaram em fila por toda a tenda, pousando pelas pessoas, e quando Shun mudava alguma nota, elas respondiam como se tivessem sido treinadas, e formaram desenhos no ar, o público ficou boquiaberto, nunca tinham visto coisa tão impressionante, e ao mudar novamente o tom, as borboletas pararam no ar e voaram até os potes em que estavam, sendo tapados pelos ajudantes, assim que terminou de tocar, Shun exibiu um sorriso angelical e esticou o braço pra cima, sendo aplaudido de pé por todos que estavam ali, aquele era o ato final, dando encerramento ao primeiro show de três que iriam fazer ao longo da semana.
Seiya estava na entrada da tenda, vendo o pessoal todo ir embora com um sorriso no rosto e relembrando momentos marcantes do espetáculo. Era pra isso que Seiya vivia, ver sorrisos alegres no rosto das pessoas, amava a felicidade e fazia questão de fazer os outros senti-las.
Assim que todos saíram, reuniu a todos, com uma cara séria, fazendo todos ficarem preocupados, mas logo a desfazendo, colocando um sorriso no rosto e gritando em alto e bom som:
— PARABENS A TODOOOSSS!!!! TODOS FORAM OTIMOS, AMO TODOS VOCÊS – Se preocuparam à toa, seu chefe era louco, e ainda pulou em cada um dando um abraço em cada um.
— Agora vamos todos comer, devem estar com fome – Todos soltaram gritos de alegria, a hora de comer era a preferida de todos.
Longe dali, havia um rapaz que caminhava pela rua sem rumo, em seu rosto estava estampado a tristeza, não tinha pra onde ir, de roupa só tinha as que vestia, estava morando na ruas há alguns dias, estava a ponto de desistir, até que um papel voa até seus pés, sem muito interesse, o pegou e viu o cartaz que em grandes letras dizia “Circo Scalanor, Venha você também” e naquele momento seus olhos brilharam, aquilo parecia obra do destino, guardou o papel no bolso, e se acomodou no papelão que usava como cama, de manhã cedo iria ao circo para saber o que seu futuro lhe reservava.
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