Circus

5 Fantasma


Notas iniciais
Oh não, eu não morri e espero que vocês também não tenham morrido. Esse capítulo não está enorme como eu gostaria, acho que ele é mais como um chamado de "Hey pessoas, a Black, sabe ela? Enfim, ela ta viva!" Bem bem bem, boa leitura.

Medo, essa era a sensação que se alastrava por todo o icór nas veias de Perséfone, ela tremia de medo. Talvez a morena também tremesse de frio, mas principalmente de medo, medo de Hades, medo do mundo inferior, medo dos quadros na parede e medo de seu destino incerto. Medo, uma sensação tão aterradora que podia afligir até o mais valente dos coração.

Segurando as mãos firmes na frente do corpo, Perséfone seguia os passos de Hades, ela se perguntava como ele conseguia enxergar o caminho no escuro, mas ele devia conhecer o Mundo Inferior como a palma da mão, de uma maneira tão intima que nenhum outro deus poderia.

Não deixaria de admitir que se sentirá curiosa quando, exatamente a meia noite, Hades bateu em sua porta chamando-a para uma caminhada noturna, o que nas palavras dele seria ótimo para deixar tudo em pratos limpos, mas que para Perséfone seria mais como uma oportunidade dele matá-la. Em seu íntimo, ela rezava para que Thanatos ou até mesmo, Hipnos os acompanhasse nesse pequeno tour pelo decadente inferno. Afinal, Hades não iria “dar um sumiço” nela com algumas testemunhas por perto, não é?

Após estar devidamente aquecida, com botas e um belo par de luvas cinza, a filha de Deméter engoliu o medo que tinha e muito lentamente abriu a porta de seu quarto. O castelo de Hades parecia mais fantasmagórico agora do que nunca, com a chama das velas projetando sombras negras e disformes nas paredes de pedra. Um arrepio lhe perpassou o corpo, fazendo com que os pelos de seus braços se arrepiassem e o medo ressurgisse novamente, em uma intensidade muito maior que a anterior.

Não seja medrosa, menina tola! O máximo que ele pode fazer é privá-la de sua liberdade. Oh, espere, seu tio já fez isso.

Tentando não dar atenção a sua irônica consciência, Perséfone seguiu o caminho até as escadarias, o breve percurso de seu quarto até um dos patamares do castelo, o qual habilmente ela conseguia se lembrar. Tudo estava tão quieto e frio, que parecia como se a própria morte tivesse se alastrado por aquele local. Era irônico dizer isso, pois ela se encontrava nesse exato momento no lugar onde a morte era Deus, a lei e o soberano. Hades era o senhor do inferno e consequentemente de tudo que ali se encontrava.

Até mesmo seu senhor.

Divagando entre seus pensamentos, Perséfone mal notará que já estava próxima ao local que Hades havia combinado para se encontrarem. Mas, ao invés de seu carrancudo anfitrião, não era ninguém menos que Thanatos que estava ali. Ela sentiu um sorriso espontâneo despontar por seus lábios e acelerou os passos, como se desejasse rodear o pescoço dele com os braços e esquecer de todos os seus medos, com o rosto enterrado na curva daquele pescoço.

E Perséfone de fato teria feito isso, se a expressão de Thanatos não a tivesse feito parar poucos centímetros dele. Todo o ar jovial e até mesmo divertido dele tinha desaparecido, como se de uma hora para a outra, ele tivesse perdido uma parte muito importante de si mesmo. Sua pessoa subitamente sentiu a vontade de confortá-lo, mais do que nunca agora e a deusa teria feito isso, se ele não tivesse se portando de modo tão frio.

— Ele disse para encontrá-lo lá fora. — Como se pesasse dizer aquilo, Thanatos proferiu tal palavras e já ia lhe dando as costas, quando subitamente parou e completou. — Não faça nada de estúpido hoje, Deusa. E pela sua vida, não demonstre seu medo.

Aquelas palavras pareciam marcadas a ferro em sua mente, rapidamente Perséfone se viu sozinha novamente, com nada menos que suas pernas trêmulas e mais angustia que nunca em seu pequeno corpo. Engolindo a seco, ela se dirigiu para as pesadas portas de carvalho negro do castelo e saiu para a noite.

O céu não estava tão diferente do que ela se lembrava, aquele mesmo cinza mórbido do dia, só estava mais escuro na noite. A lua, ou o que ela achava que era a lua, estava encoberta por alguma espécie de fumaça escura, onde tudo que ela tinha para guiar-se era o instinto. Seu coração batia descompassado dentro de seu peito, esperando pelo pior a qualquer momento, será que isso era só mais uma artimanha de Hades para dar-lhe uma lição? Ela já não tinha sofrido o suficiente estando sobre seus domínios?

O frio lhe assolava as bochechas, queimando-as pouco a pouco e fazendo com que ela abraçasse seu franzino corpo. Por Zeus, onde estava Hades? Dando lugar a irritação, seu medo parecia escorrer de seus ossos, sendo guardado para quando algo acionasse novamente o gatilho e Perséfone se colocasse a tremer como uma criança, o que de fato todos acreditavam que era.

Como se por mágica, ela finalmente pode ver uma figura escura, maculando o branco da neve que se estendia por todo o inferno, aquele ser parado quase que imóvel só poderia ser Hades. Se aproximando cada vez mais, a Deusa até o chamou, só para ser confrontada por um significativo nada, o vento ainda retumbava por seus ouvidos e nem mesmo os gritos dos campos de punição podiam ser ouvidos.

Subitamente a figura foi ao chão, e ela, como a boba que era correu de encontro aquela pessoa estirada no chão. Percebeu que a maneira que se aproximava, que aquele alguém não poderia ser Hades, era muito pequeno para isso. Sentia seus pés afundando na neve fofa e os dedos do pé ficando cada vez mais gelados, ela se ajoelhou alguns centímetros próximos do corpo e com um farfalhar dos tecidos, apartou a pesada capa negra que o cobria.

Foi quase impossível sufocar o grito de pavor que queria rasgar por sua garganta, deitada imóvel naquela neve fria, não estava ninguém menos que Despina, sua meia-irmã. Com os cabelos tão escuros quando o de Perséfone e os olhos verde-água arregalados, sua face estava congelada em uma expressão de puro terror e havia um buraco onde antes ficava seu coração.

Perséfone sentiu o medo retornar com força, bem como as lágrimas que agora nublavam a sua visão. Por Zeus, alguém havia matado sua irmã, uma imortal! Como isso era sequer possível? Tomando alguma distância daquele corpo gélido, a morena se arrastou pela neve, enquanto sua mente dava saltos e mais saltos. Porém nada a fez congelar mais do que um breve sussurro, como uma caricia íntima sobre sua orelha e Perséfone reconheceria aquela voz em qualquer lugar, ainda mais no inferno.

Hades.

— Isso minha pequena Deusa, é o que acontece com aqueles que me desafiam. Bem-vinda ao inferno, Perséfone.

Notas finais
Eu gosto da perspectiva de um Hades malvado e vingativo. Acho que deveria ter sido assim nos livros de PJO e não um alguém influenciável ao extremo tanto pela mulher ou quanto pelos filhos, por favor, onde estão os vilões que todo mundo ama não? ps: Prometo não sumir por um ano mais e sim, Despina faz realmente parte da mitologia grega, bem como o fato de Zeus ter estuprado Perséfone na forma de uma cobra. Mas, isso é assunto de outro capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.