Circulo de Fogo - E.N.D

21 Over the Love - Especial Sterek


Notas iniciais
Como hoje faz um mês que eu dei inicio a fic CdF, decidi dá a vocês, esse shot alternativo. E HOJE TAMBÉM COMPLETAMOS OS 100 ACOMPANHAMENTOS! Aproveitem, o show é todo para vocês! Mas saibam desde já, este é um alternativo, ou seja, não tem ligação com o universo de CdF.

Circulo de Fogo — Especial : Over the Love, When you nothing lose.

Por que acordar, se erguer, quando nesse momento a morte parece tão aconchegante?

Abri meus olhos devagar, embriagado pela rajada de luz atingido meu rosto, já vermelho pela exposição ao sol, e senti meu corpo formigando, tentei me mover e senti uma fisgada em meu ombro direito, passei a mão sobre e senti apenas a ponta da baioneta que havia atravessado meu corpo.

Senti meu sangue escorrendo a cada centímetro de aço que era removido, e no fim, a carne viva e exposta de meus ferimentos. A todo o momento eu ouvia tiros, bombas e granadas, o cenário ao meu redor era exatamente o que parecia.

O inferno.

Arranquei um pano de minha gandola e improvisei uma estopa, rastejei na lama tingida de vermelho pelo sangue de incontáveis cadáveres dos soldados em meu lento trajeto a uma vala no pé do morro.

Depois de muito esforço, finalmente cheguei ao barranco, provavelmente um lugar seguro, tirei de minha pistola Glock uma bala, e com a ajuda de uma faca abri a cápsula e despejei a pólvora em meu ferimento no ombro que ainda sangrava, eu sabia que corria o risco de adquirir uma grave infecção, mas eu também não estava a fim de morrer com hemorragia.

– Preciso achar o Derek — murmurei — ele não deve estar longe daqui.

Procurei em meus bolsos o radio de emergência e não encontrei, deve ter caído durante a minha desesperada fuga de sobrevivência.

Encostei entre as raízes e tentei raciocinar.

Quem sou eu? Me chamo Stiles, sou um sargento das forças de apoio ROCK VII batalhão. Mas não sou um soldado, um guerreiro, sou apenas um médico ferido em combate, Derek, meu parceiro estava ferido em algum lugar, eu apenas sabia que precisava achá-lo, afinal, tudo o que eu tinha era uma pistola, dois pentes de bala, alguns suprimentos e uma faca, e não era o melhor do mundo em sobrevivência na selva.

Tentei me lembrar onde estava e como chegara ali.

Havia chego a Rakhine, uma cidade localizada a oeste do país Mianmar, que se encontra em um caos étnico de uma disputa inter-religiosa entre muçulmanos e Budistas, a nossa base localizava-se na mata fechava, onde achávamos que era mais seguro.

Eu e Derek estávamos brincando, conversando como sempre fazíamos no ultimo mês que ficamos confinados ali, já nos conhecíamos há quarto anos e foi uma surpresa ter encontrado ele no meio da guerra. Derek era do esquadrão de combate e dávamos apoio uns aos outros, e apesar se sua incrível habilidade de se machucar, cortar e se contundir nas mais simples tarefas, nos divertíamos, apesar daquilo tudo, passávamos um bom tempo juntos, ele de 1.83m, forte, de olhos verdes até parecia o lanterna verde, e eu, menor, 1.77m, cabelos escuros e olhos castanhos, não era tão forte quanto Derek, mas tinha minhas aparências, eu parecia mais pai dele, coibindo (tentando) os seus excessos.

O tempo estava nublado aquele dia, o clima era agradável, o sol não estava tão forte, mas ainda assim fazia muito calor graças à umidade do ar, eu tinha terminado de fazer um curativo na testa de Derek, que horas ria e horas fazia careta quando eu passava um anticéptico para limpar o corte.

Nesses quatro anos de amizade, passamos por alguns apuros, dois anos antes tínhamos sido enviados para a Síria, e quase moremos em uma invasão dos rebeldes, por poucos sobrevivemos, e mais uma vez, estávamos juntos. Ele era uma das poucas pessoas que eu gostava, apesar de sua forte personalidade, ele era muito doce e gentil comigo.

Aquele dia estava silencioso, o que significava provavelmente que estava tudo bem, mas quando se está no Inferno, o silencio é sinal de desespero, muito desespero. Não demorou muito até ouvirmos a primeira explosão, pegamos nossos equipamentos e subimos as pressas, alguns extremistas armados com todos os tipos de armas estavam tentando invadir o QG, uma chuva de granadas caia do céu enquanto tentávamos nos proteger, eu atirava contra um grupo que vinha descendo a ladeira enquanto Derek atirava na outra direção, os outros soldados logo chegaram e demos início a um banho de sangue, soldados e rebeldes caiam a cada segundo, até que uma explosão, e das bem grandes nos pegou de surpresa, ela tinha vindo de dentro da base, o que era impossível que algum deles já tivesse invadido, mas não tivemos tempo para raciocinar sobre isso, fomos arremessados, tiros ainda vinham de todas as direções, Derek e eu acabamos nos separando, ele foi dar cobertura aos outros soldados que estavam em formação, e eu fui prestar os socorros aos que encontrava ferido, era para aquilo que eu estava ali.

Rapidamente começou a chover o que atrapalhou e muito nossos trabalhos, a lama subia rapidamente e se misturava ao sangue que estava em todos os lugares, estava tentando reanimar um soldado com um tiro no peito, em vão, ele morreu em meus braços e suas ultimas palavras foram para eu dizer a sua família que ele os amava, e me deu uma foto que estava no seu bolso, eu assenti com a cabeça, e quando ele relaxou, fechei os seus olhos e pus a fotografia em meu bolso do peito, foi quando senti algo gelado em meu corpo, e a ponta saindo do outro lado, um mulçumano me perfurou com uma baioneta, eu mal tive tempo de me virar e acertá–lo com um tiro no rosto, antes de me jogar no chão, ofegante, sentindo meu corpo pesar, e meu rosto se afundar no lamaçal, e finalmente desmaiar.

Agora eu me recordava o que tinha acontecido, tentei me recompor, ainda um pouco zonzo, me levantei e fui andando em direção a estrada, onde eu tinha visto Derek pela ultima vez, eu me desesperava sempre que via um soldado morto em meu caminho, rezava para que nenhum deles pertencesse a meu querido amigo, olhava em seus rostos, ou o que sobrava deles, arrancava de seus pescoços as identificações, afim de, levá–las de volta, já que aquele lugar agora pertencia aos rebeldes.

Começou então outro tiroteio próximo de onde eu estava, o som das explosões e gritos eram bem claros em minha audição.

Disparei a correr me esgueirando entre as árvores tentando não ser localizado pelos desgraçados, mirei em alguns que achava, e atirava neles quanto tinha certeza que mataria, surpreendi alguns que cercavam um grupo de soldados, e com minha distração conseguimos virar o jogo, logo em seguida comecei a tratar meus companheiros que não estavam em um bom estado, a explosão de uma granada próxima faz muitos estragos, logo estaria tudo bem, mas agora precisava procurar meu amigo, perguntei se algum deles tinha visto Derek, mas eles não souberam, até que um cabo chamado Isaac disse que havia o visto ir em direção ao interior da floresta a trás de um grupo de extremistas.

– Mais que grande Idiota! – gritei – Ele não tem amor a própria vida? Correr atrás dos rebeldes?

Aquele não era nosso trabalho ali, mas eu o entendia, os desgraçados invadiram nossa base, mataram nossos companheiros de armas, Derek deveria está possuído pela raiva.

Preparei minha mochila e fui à direção apontada, ignorando os avisos dos outros sobre eu ser emboscado a qualquer momento, a chuva tinha cessado, mas o calor era quase insuportável, os insetos não paravam de tentar me devorar, não sei quanto tempo se passou, mas enquanto eu corria, aconteceu exatamente o que eu temia, fui emboscado no meio da mata, alguém se jogou sobre mim, eu achava que morreria ali, senti uma lamina gelada encostar em meu pescoço, mas uma voz me encheu de alegria.

Derek?

– Sabia que eu poderia ter te matado? — Falou tirando a faca de mim e se afastando.

–Sim, sei do que você é capaz. – disse sorrindo, mas rapidamente mudei minha feição para preocupação. Enquanto ele se levantava eu ouvi um gemido, e sangue escorrendo de seu abdômen e de sua testa.

–Não se mecha – falei me aproximando minhas mãos de seu corpo – vou cuidar desses cortes.

– Eu estou...

– Não! Esse é o meu trabalho Der, apenas obedeça. – disse sentado ele no chão e removendo sua gandola e sua camisa.

Me espantei com o ferimento, tinha cerca de 15 centímetros e sangrava, rapidamente inicieis os primeiros socorros.

– Como você conseguiu fazer um corte desses? – perguntei olhando para ele com preocupação.

– Você nem faz ideia! – Disse com um meio sorriso.

– Talvez eu faça – respondi – Você veio para a mata morrer e nem se preocupou comigo – falei enquanto apertava um pano com álcool no ferimento.

– Ai Stiles, essa porra está doendo! – Resmungou.

– Mas é claro seu idiota, é um corte bem feio e preciso limpar ele antes de fazer o curativo.

Ele levantou sua mão e visualizou meu ombro também enfaixado.

– O que foi isso? – perguntou cerrando os olhos.

– Levei uma facada, nada de mais.

–Nada de mais?! Você poderia ter morrido!

– Agora você se preocupa? Olha quem fala! Um idiota que tenta me matar no meio da mata com um corte desses no corpo! Você não sobreviveria à próxima hora.

– Eu sabia que você viria para cuidar de mim – Disse interrompendo meu trabalho e me abraçando – Obrigado, e sim, eu me preocupo com você.

Abaixei a cabeça dando um sorriso, retribui o abraço, queria ficar assim por um bom tempo, mas quando ele gemeu baixinho próximo ao meu ouvido eu percebi que tinha um trabalho a terminar, logo o pus mais uma vez encostado em uma árvore e voltei ao meu trabalho.

– Claro que eu viria atrás de você! Quem é que cuidaria desse bebezão idiota? – falei soltando um sorriso frouxo.

– Quem mais faria isso?! – disse me olhando nos olhos.

Fiquei por alguns segundos preso nos olhos dele, tinha razão, quem mais faria isso? Éramos dois homens sozinhos, sem família, sem paixões, mulheres ou filhos, tínhamos apenas um ao outro.

Quando eu terminei os tratamentos básicos, ajudei ele a se levantar, teria que levá–lo para a base a fim de tratar as feridas mais profundas.

Mais tiros ecoaram floresta adentro, vinham da direção do grupo que eu encontrei a pouco, levantei Derek com cuidado e com ainda mais cuidado nos envolvemos na mata mais uma vez.

Ao chegar à base, não encontramos nada além de vários cadáveres de rebeldes e o cadáver de dois soldados.

– Eles foram emboscados de novo.

– Sim – Respondi – essa área foi completamente tomada.

–Temos que chegar ao outro posto avançado, talvez eles não conseguiram invadi–la.

– Quanto tempo até chegar lá? – Perguntei.

– Com sorte, talvez dois dias, já que os veículos estão inutilizados e o solo daqui está lamacento.

Me sentei nos destroços do que deveria ser uma casa e comecei a contar os suprimentos, se realmente durasse dois dias, tudo estaria bem, bastava juntar e racionar a nossa água e comida, depois de alguns minutos adentramos na mata.

Caminhamos por horas sem parar, eu já estava exausto e Derek não estava muito diferente, o calor tropical da densa floresta, quase não ventava, animais a todo o momento apareciam, e alguns bem perigosos, aranhas venenosas que poderiam facilmente se esconder nas coisas e picar qualquer um de nós a qualquer momento, cobras perigosas, mosquitos, besouros e outras centenas de animais que poderiam nos matar ali, fora o risco de se encontrar com rebeldes, já estava anoitecendo, e os perigos apenas aumentando, paramos poucas vezes apenas para verificar os ferimentos.

–Temos que achar um bolsão de Calor Derek, se não morreremos congelados na mata durante a madrugada.

– O que é isso? Bolsão de calor? – perguntou enquanto dava um único gole no cantil de água.

– São determinados locais que mantém a temperatura elevada na floresta, é complicado explicar – Disse enfaixando seu ombro – Apenas precisamos encontrar.

– Bom, então é melhor andarmos logo – Respondeu.

Achar um local para se abrigar não foi difícil, a floresta era bem densa, e a falta de vento dificultava o calor escapar, entramos em uma pequena caverna, em silencio, não sabíamos se ela estava ocupada ou se tinha alguma armadilha, que era comum na floresta, checamos e ela estava livre, limpa, não pudemos fazer uma fogueira, queríamos passar despercebidos, nos aconchegamos da forma que dava no interior na pequena caverna, tínhamos um pequeno cobertor onde nos enrolamos da forma que pudemos, mas ainda assim a temperatura que não parava de cair, comemos um pouco da ração humana que carregávamos, e algumas frutas que achamos na floresta.

– Es–s–s... Esta ficando muito frio Stiles, vamos acabar morrendo aqui.

– Eu estou percebendo, mas lá fora esta muito pior, e não podemos acender uma fogueira.

– Eu sei, temos que nos aquecer, venha, se sente ao meu lado, temos que ficar juntos.

– Juntos? Como assim?

– Não se faça de burro Stiles, você sabe, temos que nos aquecer, ou você tem uma ideia melhor?

Fiquei em silencio, apenas me levantei e me sentei ao seu lado, ele pegou nossos cobertores e tentou cobrir nos dois, mas ainda eram muito pequenos.

Ele me surpreendeu quando passou o braço pelo meu pescoço e juntou nossos corpos.

– Assim ficaremos mais aquecidos — disse enquanto esfregava as mãos.

– Sim, bom, já está funcionando — Falei enquanto apoiava minha cabeça em seu peito.

Faríamos de tudo para sobreviver, até dormir abraçados se preciso fosse, o que não era problema, éramos amigos há anos, tínhamos certo grau de intimidade, e a situação pedia esse tipo de união.

Tentamos dormir, mas acho que nenhum de nós conseguia, o medo de ser surpreendido por algum rebelde impedia que pegássemos no sono, então ficamos conversando. Derek me contava algumas piadas e me fazia rir, o que era preciso àquela hora desesperadora, um pouco de diversão não faria mal, em outras horas ficávamos em silencio, apenas curtindo a sensação, a respiração, e o calor, realmente, estava muito quente depois de 4 horas abraçado, suor escorria da minha testa, mas eu realmente não queria sair dali, eu estava seguro, e Derek me passava essa situação, há muito tempo ele era meu melhor amigo, e acho que se sobrevivêssemos a tudo aquilo, seriamos amigos pelo resto da vida, afinal, ambos devíamos a vida um ao outro.

Olhamos o mapa que ele tinha, usei minha lanterna pequena para iluminar minimamente a caverna, faltavam cerca de 45 quilômetros, e apesar de parecer muito, nosso rígido treino nos preparava para essas situações, por sorte, demoraríamos pouco mais de 18 horas para chegar lá.

Não tinha me dado conta que tinha adormecido, abri os olhos levemente vendo Derek me olhando de perto, abriu um sorriso quando me viu acordar, passou sua mão em meus cabelos curtos.

– Que bom que tenha descansado bem Stiles, você estava precisando.

– Acho que eu estava exausto, e você? Vai ficar bem?

– Sim, eu dei um pequeno cochilo também, me sinto melhor.

Vi em seus olhos um pouco de tristeza, ele não estava melhor, certamente ainda sentia muita dor pelo corte profundo no abdômen, meu ombro ainda latejava muito e poderíamos pegar uma seria infecção a qualquer momento.

Eu me sentia mal o vendo dessa forma, eu não queria ver ele sentir dor, se pudesse, eu mesmo tomaria todas elas para mim, mas acho que ele as tomaria de volta. Comemos um pouco mais da nossa ração, e um gole de água apenas, não tínhamos achado um rio ainda, e conseguimos pouca água da chuva.

Caminhamos por mais ou menos duas horas até termos contato com mais rebeldes, nos escondemos atrás de uma árvore grande, rezando para todos os deuses para que eles não nos vissem, totalmente em vão, nos vimos em outro tiroteio, mas dessa vez era diferente, esses rebeldes erravam muitos tiros e foi fácil abatê–los, fácil demais, quando nos aproximamos dos cinco cadáveres à frente nos entendemos o porquê, e nos desesperamos vendo que havíamos matado cinco crianças, pequenos inocentes que eram usados nessa guerra, pobres e frágeis crianças.

Derek ao ver aquilo caiu no chão, sentado, pondo as duas mãos no rosto, chorando forte, eu também não me senti bem, uma dor aguda atingiu meu peito e me pus a chorar do seu lado, o fato de matar crianças era demais para nós dois, um peso se abateu sobre nós, nos olhávamos em silêncio, até que Derek o quebrou, se levantou e me estendeu a mão.

–Vamos Stiles, não podemos ficar todo o tempo aqui, temos um longo caminho, e apesar de estar me sentindo um monstro nesse momento, deixarei para lamentar por isso depois, quando estivermos bem, você e eu.

– Sim – eu disse aceitando suas mãos – temos um longo caminho.

Fui na frente, guiando e abrindo o caminho, mas o silencio dos passos de Derek me fez para, quando olhei para trás, ele estava encostado em uma árvore, com uma enorme cara de dor, imediatamente corri em sua direção e tirei sua camiseta, o ferimento em seu abdômen estava com um aspecto roxo, muito sangue coagulado, e ainda sangrava, pouco, mas ainda sujava toda a estopa.

Imediatamente retirei suas ataduras, eu precisava desinfetar aquilo, mesmo que pouco, talvez nos desse um pouco mais de tempo que não tínhamos.

– Isso vai doer – — falei.

–O que... Haaaaa!

Ele gritou de dor quando despejei meu ultimo frasco de álcool em seu ferimento, pus a mão em sua boca para bloquear a seu som, ele acabou mordendo a minha mão, e machucou, mas não me importei, queria apenas que ele ficasse bem.

– Me desculpe por isso Derek – disse tirando a minha mão de sua boca.

Ele olhou para mim por uns instantes ainda incapaz de falar, acenou com a cabeça, estendeu um braço e me puxou para um abraço.

Após alguns instantes, Derek toma fôlego e volta a respirar normalmente.

– Obrigado Stiles, mas você precisava tanto quando eu — Disse apontando para meu ombro.

Ele tinha razão, meu ombro ainda estava com pólvora, e latejava com muita força, mas eu ainda era capaz de me mover, e não pensei duas vezes em usá–lo noutra pessoa.

– Vou ficar bem – falei sorrindo. – Bom, precisamos ir não é mesmo, mas só se você puder.

– Estou melhor, graças a você, não podemos perder tempo, então vamos indo.

Adentramos mais ainda na floresta, percorremos talvez 15 ou 20 quilômetros, paramos algumas vezes apenas para tomar um fôlego e ter certeza que podíamos continuar, mas dessa vez, andávamos lado a lado, para não deixar o outro para trás.

No meio do caminho eu cometi o triste erro de pisar em uma armadilha, aquela floresta era repleta delas, desde bombas manuais feitas de madeira a granadas amarradas em fios, quando eu acionei uma delas, uma "rede" de madeira se levantou sobre nós, e uma grande estaca veio em minha direção, e antes que eu pudesse reagir, Derek se jogou em minha frente, me empurrou e recebeu a pancada, que imediatamente eu ouvi seu osso estalar, aquele golpe certamente havia quebrado seu braço.

– Seu idiota! Por que fez isso?! – Gritei me aproximando dele.

Ele estava deitado no chão segurando o ombro, próximo ao local da pancada, estava ofegando e gemendo, lágrimas corriam de seus olhos.

Rapidamente me pus em improvisar algo para imobilizar seu membro, peguei alguns galhos e usei meu sinto tapa fazer uma tipóia, era bem grosseira, mas serviria.

Enquanto ele gemia no chão eu me desesperava, tentava a todo custo acalmá–lo, mas naquela situação parecia impossível, a dor era causticante.

– Vou ter que colocar de volta no lugar Derek – Disse enquanto enxugava minhas lágrimas.

– Sim – ele conseguiu gemer.

Rapidamente apoiei uma perna abaixo do seu braço, e com as duas mãos fui puxando, e de uma só vez, puxei, ouvindo um “Creck” e um grito de dor e o corpo dele amolecer, John acabara de desmaiar.

Vendo ele naquela situação eu me pus atrás dele, levantei seu corpo e apoiei no meu, passei meus dois braços pela sua cintura, abraçando-o por trás, sentados encostados a uma árvore.

Depois de cerca de quinze minutos, ouvi um pequeno gemido vindo de Derek, que estava acordando.

– Ah! Que dor.

– A dor diminuiu?

– Um nem pouco, Stiles.

– Consegue andar?

– Acho que sim, mas de toda forma, precisamos ir, não podemos passar mais uma noite nessa floresta.

Assenti com a cabeça e o ajudei a levantar, passei meu braço sobre o seu, e fomos floresta à dentro.

Bastou alguns minutos para ouvirmos passos na floresta, talvez os gritos e a armadilha armada tenham chamado a atenção de mais rebeldes, e nossa única chance de sobrevivência, Derek, estava inutilizado, seu braço direito estava quebrado e apesar de também ser treinado, eu não estava à altura dele.

– É o seguinte Stiles, eu digo aonde disparar, você atira. – Diz – Simples, eu não tenho precisão atirando com a mão esquerda, então vamos ter que trabalhar juntos, não podemos desperdiçar nenhuma bala sequer.

Acento com a cabeça, e a cada ordem, um tiro, um cadáver no chão. Ele falava “20 graus para a esquerda”– e um disparo–“45 graus para direita”– e mais um disparo, cada ordem recebida era bem executada, e juntos eliminamos outros sete rebeldes, dessa vez não eram crianças, mas o peso na consciência não diminuía por esse fato, afinal matar pessoas não era um trabalho tranquilo, e sempre rendia noites e mais noites de pesadelos.

Estávamos já exaustos, com os tornozelos inchados o rosto queimado, algumas bolhas já apareciam nos lábios e as picadas de mosquitos já se tornavam bolhas, e isso somada à dor dos nossos ferimentos, eu comecei a achar que não sairíamos dali vivos, mas tive que expulsar esse pensamento, de alguma forma, Derek que estava muito mais machucado do que eu, ainda não tinha desistido, e eu faria aquilo por nos dois, sempre que eu olhava para ele, ele me sorria, e aquilo me dava esperanças, um motivo para continuar, nem mesmo que eu desse minha vida, eu salvaria a dele.

Agora estávamos mais policiados, cada passo era dado com cuidado para evitar mais armadilhas, e nossa munição estava acabando, não aguentaríamos outro encontro com guerrilheiros, tudo o que tínhamos agora eram suas pistolas apenas com um pente cada, duas facas e uma corda, nosso cantil com água quase vazio e mais alguns gramas de ração, estávamos em grandes apuros, em poucas horas as nossas reservas se esgotariam.

Felizmente o caminho até a base foi tranquilo, já conseguíamos ver os muros da instalação, isso nos deu uma injeção de animo, riamos um para o outro como crianças, e por alguns minutos ignoramos nossas dores.

Demoramos 7 horas até chegarmos a base, que parecia intacta, nossa situação de chegada era deplorável, parecia que tínhamos saído diretamente do inferno, cortes no rosto e no corpo, cortes profundos e Derek com o braço quebrado, reencontramos alguns soldados que estava na nossa base durante o ataque, e finalmente pude tratar os ferimentos de Derek de forma correta, me preocupei com os meus apenas quando vi que ele estava bem melhor, e com a ajuda de outros médicos o tratamento foi rápido, nossos ferimentos foram desinfetados e costurado, eu e John ficamos na enfermaria, no subsolo da Base, fizemos um banquete que naquele momento se resumia em macarrão com salsicha e um copo de suco, depois de passar dias se alimentando de ração, aquilo era como ambrósia para nós dois, ficamos conversando com alguns soldados na enfermaria, eles queriam saber como tínhamos conseguido sobreviver naquela floresta por aqueles dias, ficamos rindo enquanto contávamos nossa aventura, escondemos apenas a parte que havíamos matado crianças, não estávamos prontos para falar sobre aquilo.

Tínhamos finalmente relaxado, estávamos seguros, pelo menos era o que parecia até ouvirmos a primeira explosão.

Um dejavu tomou conta de minha mente.

Da mesma forma, há três dias quando fomos atacados, aquela explosão era a mesma dessa, de dentro, interna, não havia como os rebeldes entrarem ali, então a única explicação era traição, alguém, algum soldado nos traíra, assim que o alarme soou uma massa de soldados começou o tiroteio, os rebeldes começaram a nos atacar! Aquilo era impossível, será que aquilo nunca acabaria? Ficaríamos condenados daquela forma? Não podíamos ir a combate, estávamos inutilizáveis, nos recuperando dos últimos dias na floresta, tanto eu quanto Derek estávamos atordoados, quando outra explosão escureceu tudo, ela foi logo no andar de cima, fazendo parte do teto ceder, e dessa vez, eu tive que me jogar contra Derek, ele mal conseguia se mexer, no impulso eu o empurrei, deixando o alicerce cair sobre mim.

Derek gritava desesperadamente o meu nome em meio à cortina de fumaça que se formou, me achou sentado no chão com parte do corpo preso nos escombros, se ajoelhou perto de mim e tentou levantar o bloco de concreto.

– Vamos Stiles, temos que sair daqui agora.

– Não posso Derek, estou preso, não sinto uma parte do meu corpo e minha perna esta presa sobre a coluna – Falei com uma voz calma – você tem que sair daqui Derek, agora.

– Você esta louco? Sair daqui sem você? Depois de tudo o que passamos, eu não saio daqui.

– Vamos acabar morrendo Derek, e eu quero que você sobreviva! – Gritei.

– Sobreviver? Eu não sobreviveria um minuto sequer lá fora sem você! Entendeu! Não suportaria, como você acha que suportei tudo o que passamos? Sem você comigo eu não teria passado nem da primeira hora!

Não pude conter as lágrimas que agora jorravam do meu rosto, ele se aproximou de mim, sentou-se do meu lado, pegou minhas mãos e apertou.

– Ficaremos juntos! Se for para morrermos, que seja juntos também! — Disse enquanto chorava.

– Juntos?

– Sim, juntos, como tem que ser, como dois bons soldados!

– Eu queria ter aproveitado mais a vida Derek, com você, longe desse Inferno.

– Sim, mas agora estamos aqui, juntos no Inferno, então vamos aproveitar o tempo que nos resta!

– Sim, vamos – me aconcheguei da forma que pude nos braços dele, e juntos chorávamos. Mesmo naquele momento Derek me sorria, e seu sorriso me confortava, eu não conheci outro e jamais conheceria outra pessoa que estaria disposto a morrer comigo.

– Você fez meus dias aqui serem suportáveis, sabia? – Disse Derek apertando o abraço.

Aquelas palavras me fizeram esquecer toda a dor daquele momento, todo o sofrimento, não tínhamos mais muito tempo de vida, mas essas palavras fizeram todos os dias valerem à pena.

Derek, um amigo, o melhor deles, um irmão, o mais amável deles, eu não poderia querer outra companhia em meu leito de morte.

Derek segurou meu rosto, colou nossas testas em e olhou nos olhos, seus profundos olhos verdes em contraste com os meus olhos castanhos, aqueles doces olhos foi a ultima visão que tive antes de tudo escurecer, antes da ultima explosão, e no ultimo segundo, senti o fim chegar para nós dois.

Pelo menos eu achava que era o fim.

Acordo na cama de uma unidade de saúde intensiva do exército, cercado de aparelhos, meu corpo completamente enfaixado, tudo o que eu conseguia mover, eram os olhos.

Segundos, minutos, horas, dias, semanas...

Anos.

Minhas pernas e braços quebrados já estavam recuperados, mesmo eu tendo ficado um pouco manco, sobraram algumas cicatrizes apenas, nunca mais fui um soldado, era impossível pra mim depois do acidente.

Os militares me disseram que eu fui achado depois de dois dias soterrado, eu só sobrevivi por causa de soldado que usou o próprio corpo para sustentar a terra e me manter a salvo.

A minha recuperação foi lenta e dolorosa, meses de fisioterapia e remédios, psicólogos e grupos de apoio.

Ninguém sabia o que tinha acontecido com Derek Hale.

Eu nunca mais tive notícias dele, mas isso não me impedia de procurar por ele, tentei todos os contatos possíveis para ter alguma notícia do que teria acontecido com Derek.

Será que ele tinha morrido?

Eu não sabia... Pelo menos, não até hoje.

Sete anos depois aqui estou eu, sentado em uma praça no litoral da Califórnia, o por do sol deixava a água dourada, banhistas se divertiam no mar, surfistas, pessoas com seus cães, era uma típica tarde normal, como em todos os dias.

Mas hoje, algo diferente tinha acontecido.

Uma carta que eu recebi a algumas semanas, com poucas informações, apenas três palavras estavam escritas com uma letra que eu distinguiria entre milhões.

"Espere por mim."

Desde então, eu tenho vindo nesse lugar, no lugar onde nos conhecemos, no lugar aonde trocamos as primeiras palavras, onde trocamos os primeiros olhares a doze anos atrás.

Eu não sabia bem o porquê, mas eu sentia que era naquele lugar que ele queria que eu o esperasse, na mesma hora.

Então todos os dias eu ia até lá, via o por do sol na expectativa de um sinal.

Qualquer sinal que me provasse que eu não estava errado, louco ou fantasioso.

Qualquer coisa que me desse esperança.

Qualquer coisa.

– Então você veio. – Ouço uma voz atrás de mim.

Respiro fundo tentando conter as lágrimas que queriam brotar em meus olhos.

– Eu esperaria o tempo que fosse – Respondo sem olhar para ele.

Ouço seus passos lentos em minha direção.

Um homem forte, não tanto quanto antigamente, barba um pouco grande, cabelos lisos e escuros cobrindo a testa, uma cicatriz cortando o canto da testa até a orelha.

E os mesmos olhos verdes.

Viro a cabeça devagar em sua direção, miro em seus olhos por alguns segundos, ele me sorri frouxo e se apóia do meu lado, encostando sua muleta no banco de mármore branco.

– Eu esperaria por você pelo resto da minha vida, Derek Hale.

– Por quê?

– Porque eu te amo.

Notas finais
Gostaram? Comentem! Vai que eu faço outras surpresas dessas? Quem sabe com um belo Lemon na próxima? UEHUHEUHUEHUHE