Circo Mágico
2 Punição Exemplar
Notas iniciais
Boa leitura!
Capítulo 2 – Punição Exemplar
Hans estava impaciente, caminhando de cá para lá até onde as correntes que o prendiam permitiam que fosse. Já havia chegado o dia em que iria retornar para sua casa e família, e Louise ainda não havia chegado. Permitia que seus olhos vagassem da abertura pequena da porta de ferro até a rachadura presente no teto, esperando que ela fosse aparecer repentinamente através de um ou outro.
Não tinha certeza se já havia dado o horário que combinaram ou não, pois independentemente de para onde olhasse tudo o que conseguia enxergar era o completo breu que o acolhia por todo este tempo preso.
Preocupação e angústia eram visíveis em sua face alva, embora não pudesse fazer nada a respeito para diminuir as dúvidas que inundavam seu interior em ondas; não até que ela chegasse e pudesse ver que ela estava bem.
Por alguns instantes, permaneceu imóvel –– como um dos seres mágicos que estava paraplégico e agonizando em algum lugar por perto –– e imerso em pensamentos negativos e fortes emoções.
Poderia Louise ter sido pega no caminho que traçava até lá diariamente? Estaria viva ou algum guarda teria a encontrado e a levado até o dono daquele circo de horrores, com o intuito de ser castigada ou até mesmo ser morta?
Pela primeira vez em muito tempo, ajoelhou-se no chão frio e úmido e rezou para que os deuses salvassem-na e a fizessem chegar em segurança até ele. Desejava do fundo de seu coração que sua voz alcançasse as divindades escondidas na constelação brilhante e infinita de estrelas.
E, acreditando que seu pedido fora realizado, levantou-se e fitou a porta, que se abria aos poucos, permitindo que a luz do exterior banhasse parte do cativeiro em que mantinham seres viventes privados de respeito e honra.
Podia ouvir as fortes pulsações que se irradiavam pelo seu corpo, enquanto seu coração batia descompassadamente. Aquele era o momento pelo qual ambos ansiaram tanto nos últimos dias, meses... Faltava tão pouco!
Logo seria livre e poderia ver seus amigos, a floresta que o abrigava e seus pais novamente.
Faltava pouco para ser livre e se vingar daquelas pessoas horríveis que os tratavam com tanta frieza. Pouco para poder viver mais uma vez, aproveitando cada segundo como se este fosse divino.
Entretanto, quando a porta se abriu, seus orbes se esbugalharam em espanto. Ali estava a mudança de seu destino.
Os orbes impacientes do homem miravam a criatura mágica a sua frente com um misto de curiosidade e aprovação, enquanto tragava seu cigarro com a calma habitual que possuía. Não era do seu feitio recorrer a um elfo para saciar suas necessidades masculinas, mas a beleza da criatura à sua frente fê-lo mudar de ideia em questão de segundos. Ou talvez fosse até menos.
Já tinha perdido a noção de tempo ao puxar a jovem elfo para perto de si e fazê-la se ajoelhar. Tirara o cigarro da boca e o amassara no chão, enquanto dirigia um sorriso malicioso para ela.
–– Não me olhe deste jeito, querida, não lhe farei mal.
E embora o homem articulasse com doçura e tranquilidade –– vez por outra alisando as madeixas claras da moça com suas mãos ––, ela o fitava com repulsa e desgosto, tentando mover-se para longe daquelas mãos calejadas. Era visível que ela não confiaria ou tentaria se aproximar dele por vontade própria; não era louca. E, ele sorriu largamente, mais uma vez.
–– Aqui não tens escolha, minha querida.
–– Não é você quem dita o que devo fazer ou não. –– rebateu ela, destemida.
Com um sorriso zombeteiro, o homem a fitou e gesticulou um “sim” com sua cabeça. E movendo-se em direção à janela de seu escritório, respondeu a jovem com animação:
–– Estás muito errada, querida. Este mundo fui eu quem criou e somente eu posso o destruir. Eu sou Deus, o onipotente; e você é apenas mais uma peça descartável neste mundo que segue minhas vontades.
–– Eu adorarei ver o dia em que você será punido pelo que faz. –– vociferava entredentes como um animal raivoso próximo de seu limite.
Ao ouvi-la verbalizar aquilo com tanta firmeza e comoção, riu como nunca havia feito antes. A presença daquele ser o remetia à imagem do elfo que havia sido instalado no subsolo por alguns meses. Ele era belo, sagaz e corajoso, pois sempre tentava arranjar um meio de escapar, mesmo que isto lhe custasse alguns ossos e hemorragias. Fora um verdadeiro tolo. E ela estava sendo tão tola quanto ele.
–– Você acha mesmo que as autoridades desconhecem meu negócio? Nada disto permanece nas escuras. Na verdade, muitos que deveriam fechar meu circo o frequentam quase todas as noites. E compram criaturas imundas como você para se satisfizer como bem entenderem. –– dando de ombros, tornou a fixar seus olhos nos dela. Acendeu outro cigarro. –– Desde que me paguem, não me importo.
Ela parecia chocada ao escutar a afirmação daquele senhor, sentindo os pelos de seu corpo esguio se eriçar.
–– Sabe, houve um caso de um elfo, antes de você vir, que tentou fugir com uma moça das redondezas. Foi, certamente, o caso de amor mais trágico que já conheci.
Mesmo que não quisesse demonstrar interesse naquele novo tópico de conversa –– e tivesse medo da resposta que obteria ––, não conseguiu segurar a curiosidade e questionou:
–– E o que aconteceu com ele?
Aparentando estar satisfeito com a pergunta dela, amassou o cigarro no cinzeiro próximo a si. Sentou-se em cima da mesa, preparando-se para contar o que seria a maior história de horror daquele lugar.
–– Ele morreu, é claro. –– respondeu com tanta indiferença, que ela sentiu o tal frio na espinha. –– A mulher que costumava o visitar todas as noites deixava-se ser estuprada pelos meus guardas para poder entrar e ajudar o elfo, acredita? É óbvio que eu sempre soube dessas visitas regulares; só não interferi antes porque queria saber no que isto iria dar. Tem coisa melhor do que ver alguém como ela se submeter e perder a própria dignidade?
–– Você é doente – sussurrou ela, sentindo seu interior se contorcer e comprimir diante de tanta malícia presente naquele homem humano.
Ignorando o comentário que lhe fora direcionado, prosseguiu a narrar os acontecimentos de dias atrás:
–– Enfim, ele se apegou a ela e vice-versa, embora duvide que ele algum dia soube que ela era violada diariamente. Acho que essa relação durou cerca de dois meses ou menos. E daí começaram a planejar uma forma de libertá-lo do subsolo no inverno, quando o horário de patrulha dos guardas é menos intenso. O licantropo descobriu tudo e me contou, em troca de mais comida e brinquedinhos sexuais.
Os orbes cinza como as nuvens de um dia nublado pareciam ter adquirido vida ao contar-lhe aqueles fatos repulsivos. Havia algo em tudo aquilo que possuía humor, porém a mulher não encontrava o que poderia ser, se tudo o que conseguia sentir era pavor e repugnância por ambos: o homem em sua frente e o licantropo.
Percebendo a careta que a moça reproduzia, resolveu continuar a história e prestar mais atenção nas pequenas curvas que tomavam seu rosto, mostrando a aversão que ela sentia.
–– Arquitetei um modo de capturar a mulher e a matamos com uma bala certeira no meio da testa, antes que pudesse se encontrar com o rapaz mais tarde. Tive um pouco de dificuldades em controlar meus homens, enquanto eles tentavam transar com o cadáver dela. –– suspirou de forma teatral.
–– O q-que?
–– Isso mesmo que você ouviu: tentaram comê-la mesmo estando morta.
–– Como alguém como você consegue dizer isso com tanta naturalidade? –– sua voz saiu mais trêmula do que gostaria, demonstrando uma fraqueza que preferia ter mantido oculta.
–– Essa é a vida, querida. Ou você nunca se aventurou a conhecer a maldade do mundo? –– respondeu, agora sem animação. –– Deixe-me terminar este maravilhoso relato: assim que me livrei do corpo dela, fui atrás do elfo. Quando ia executá-lo com estas mãos divinas, ele suplicou pela vida dela. Imagine os gritos e lágrimas que ele derramou em vão antes de eu silenciá-lo, aplicando punição exemplar na frente dos outros seres mágicos que se encontravam ali. Não podia deixar que eles pensassem que poderiam fazer o que quisessem, certo? Foi totalmente necessário.
–– Você está enganado. Podia tê-lo deixado vivo e ter poupado a garota!
–– Acha mesmo? Se eu fizesse isso, ela somente seria um estorvo, tentando denunciar meu circo. Teria de calá-la, uma hora ou outra.
Pressentindo que não conseguiria escapar facilmente depois do que absorvera sobre o que ele lhe contara, procurou a faca que se encontrava escondida dentro de sua calça rasgada. Tocou levemente o local, sentindo a lâmina sob seus dedos, implorando para ser enfincada na garganta daquele monstro à sua frente. Queria sentir as veias se rompendo quando o matasse de forma lenta e dolorosa, fazendo-o sentir a mesma dor que todos aqueles que sofriam sob seu domínio.
–– Oh, o que tens aí? –– ele se aproximou dela, observando-a tremer ao ouvir sua voz.
O homem de madeixas negras a segurou pelo braço com uma das mãos, enquanto abaixava o tecido até as coxas da moça. Retirou a faca com um sorriso no rosto, vendo os orbes esmeraldas abaixo de si se arregalarem.
–– Só lhe darei este aviso, querida, apenas uma vez: nunca tente nada contra mim e nem sonhe em fugir. Farei da sua vida um inferno, começando por agora.
E contendo um grito dela, tapou sua boca com sua mão direita, enquanto terminava de rasgar o tecido que restara da calça. Mesmo que ela continuasse a se debater e gritar, sua voz era abafada e não era ouvida por ninguém fora da sala. E nem o mais forte de seus chutes foi capaz de tirá-lo de cima de si.
Por fim, ele conseguiu se livrar de todos aqueles tecidos que o impediam de ter contato direto com a pele quente e aveludada da mulher. Tocou-a em lugares inimagináveis e a silenciou aos poucos, transformando-a em uma massa convulsiva repetidamente.
Aquilo era o poder divino.
Notas finais
Seus comentários são muito importantes para eu saber no que devo melhorar, então, por favor, não deixem de deixar um.
Obrigada por ler! (:
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