Cinzel, Angel, Rigel.
1 Prólogo - Caelum
Eu estava deitada com a cabeça encostada no travesseiro macio e os olhos fixos nas flores que descansavam com seus corpos cortados em uma jarra transparente com água. As pétalas, algumas vermelhas, outras azuis, aos poucos se enegreciam e caíam no piso branco, flutuando para debaixo da maca.
— Você possui amnésia — disse calmamente alguém atrás de mim. Apenas olhei para as flores, com medo de me virar para a médica, com medo de que meus pensamentos se confirmassem verdadeiros e eu visse que ela não se passava de um rosto borrado e distorcido atrás de mim. — Os relatos que tivemos também indicam alucinações, além da perda de memória… É um transtorno muito raro.
“Muito raro”, repeti aquelas palavras mentalmente, apenas mexendo levemente os lábios. Fechei os olhos e quando voltei a abri-los, eu estava em outro lugar.
Eu usava roupas brancas e estava descalça. O chão também era claro e macio, assim como as paredes da mesma cor que se erguiam por todos os lados.
Sentei-me em um canto e abracei meus pés junto ao corpo.
— Muito raro — sussurrei, sem fazer a mínima ideia de quem eu era.
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