Cinzas de Prata
9 Capítulo 8 - Velha ameaça
Notas iniciais
Ashley acordou cedo no dia seguinte. Rochelle descansou bem da batalha do dia anterior, e está bem animada, já que contribuiu com a primeira insígnia.
— Vamos gente que o dia vai ser longo! – declarou a treinadora – vamos ver se chegaremos a Caverna da União hoje.
Depois dos preparativos, o grupo foi em direção a Rota 32, mas mal sabem eles que estão sendo espionados por uma furtiva criatura...
Alfred estava na frente removendo os obstáculos, e Francisca e Rochelle andavam cada um de um lado da Ashley. Mas a criatura vai se aproximando pacientemente do grupo. Ela volta sua atenção para Francisca e vai preparando o ataque.
Francisca sente um cheiro estranho se aproximando deles e resolveu virar a cabeça para traz para ver de onde vem o cheiro, mas só para ter a visão de um Ekans que está preste a lançar seu bote.
— AAAARG... – gritou a Chikorita, que deu um salto instintivo e foi capaz de desviar do bote.
— Francisca o que ho... MINHA NOSSA UM EKANS! – nisso a Ashely também se assustou ao ver a serpente.
Rochelle tomou a linha de frente e segurou o pescoço de Ekans quando esse ia desferir um segundo bote. Ela pressionou a cobra no chão e esta começou a se debater.
Pensando rápido, Ashley jogou uma pokebola em Ekans. Ela se chacoalhou várias vezes até que a luz do botão acendeu, indicando que capturou o Ekans.
— Nooossaaa! Essa passou perto! – suspirou Francisca.
— Que perigo! E era um Pokemon venenoso! Bastante perigoso para você, Francisca! – Ashley ainda não se recuperou do susto – realmente não devemos subestimar os Pokemon selvagens. Agora eu vou conhecer esse indivíduo, peço que Francisca e Alfred entrem em suas pokebolas e Rochelle fique comigo e preste atenção nessa Ekans.
Francisca e Alfred deixam Ashley e Rochelle a sois com a pokebola do recém capturado. A treinadora solta a Ekans de seu confinamento. O Pokemon venenoso é um macho.
— Então foi você que me capturou sua maldita! Cadê aquela Chikorita, ela iria ser minha refeição de hoje! Se acha que vou arriscar minha pele nessas lutinhas que vocês humanos fazem, está muito enganada. Deixe-me ir, senão você vai saber o quão potente é meu veneno.
— Bem... não quero te obrigar a batalhar comigo – a garota tentava conversar em um tom calmo – o que você quer? Eu te ajudo no que puder...
— Ei Ashley, deixe esse cara comigo! – interrompeu Rochelle – escuta aqui meu rapaz, tem sorte de está com uma treinadora integra e acolhedora como a Ashley. Com isso você tem um leque de possibilidades. Você pode batalhar ao nosso lado. Tem seus riscos sim, mas acredite, não é diferente de quando se é selvagem. Se batalhar ao nosso lado, pelo menos temos a Ashley e os companheiros de equipe para te proteger, e com isso você ficará mais forte como jamais imaginou. A segunda alternativa seria ir para o laboratório do professor. Lá você terá que conviver com outros Pokemon sem atacá-los e deixar que o professor faça pesquisas em ti. Mas a vantagem que sempre terá comida e abrigo ao seu dispor, terá uma vida mansa.
Rochelle fez uma pausa para respirar fundo – mas se nem isso te agradar, saiba que a porta da rua é serventia da casa. Se não quiser ficar conosco, é só falar que destruiremos sua pokebola e estará livre de nós. Mas se quiser nos atacar... — os dedos da Geodude estralam – ai já não posso mais garantir sua integridade física... – a última frase foi dita em um tom calmo, mas ameaçador que intimidou o Pokemon cobra.
O Ekans ponderou no que pode fazer – nesse laboratório terei alimento à vontade mesmo?
— Isso mesmo! – a treinadora confirmou.
— Então me deixe lá mesmo! Só não me incomode! Só pra constar, meu nome é Repitile.
— Ok, então volte para pokebola que vou até o centro Pokémon mais próximo para te enviar para lá, combinado?
Nisso Repitile foi para pokebola e Ashley se dirigiu ao centro Pokémon de Violet para transferir o Ekans para o Professor Elm.
Depois disso, finalmente coloca Francisca e Alfred para fora da Pokebola.
— Ei Ashley, o que aconteceu com aquele Ekans – indaga Francisca.
— Eu o mandei para o Professor Elm. Você sabe que nem todo Pokemon está disposto a lutar.
Depois de lidar com o Ekans, o grupo retornou para a rota 32. Batalhas contra treinadores e Pokemon selvagem foram travadas, até que chegaram à noitinha em um centro Pokemon que fica próximo à caverna União. Ashley resolve passar a noite lá.
Enquanto seus Pokemon são examinados, o celular da treinadora toca. Era uma ligação do Professor Carvalho.
“Como vai Ashley?” perguntava o professor no outro lado da linha.
— Tudo bem Professor! – respondia a garota.
“Você está se divertindo em sua nova jornada?”
— Queria que tudo estivesse dando certo, mas dá pra ir levando... já tenho uma insígnia.
“Que bom! Mesmo que possam aparecer problemas em seu caminho, tente fazer seu melhor para lidar com eles.” O Professor tenta encorajá-la “Onde você está agora?”
— Estou no centro Pokemon próximo a Caverna União.
“Ótimo! Se pretende ir para a cidade de Azalea, de uma passada na casa de Kurt, um velho amigo meu que produz pokebolas artesanais. Pode ser que ele produza umas que podem ser bem úteis para você. Diga a ele que mandei lhe cumprimentos.”
— Ok, pode deixar professor! – Ashley ficou um pouco curiosa para ver como é feita uma pokebola artesanal.
“Muito bem! Bom, tenho que desligar! Se cuide Ashley e até mais” nisso o professor desliga.
— Até mais professor – Ashley se despede e desliga o seu celular.
No dia seguinte, a garota sai do centro Pokemon. Perto daí, havia um pescador que vendia varas de pescar e Ashley resolve comprar uma. Próximo a caverna, um rapaz aborda ela.
— Bom dia mocinha. Tenho em mãos uma iguaria que é irresistível a qualquer um e difícil de conseguir. Está interessada em um rabo de Slowpoke?
— O QUE ISSO, TÁ MALUCO DE VENDER ISSO! – a treinadora ficou bem enraivecida – NÃO SABE QUE É ILEGAL VENDER ISSO!
— Pra quê essa ignorância? – vendo como a garota ficou alterada, o rapaz resolve sair rapidamente da frente dela.
Depois da fuga do rapaz, Ashley entra na caverna resmungando.
— Como é que pode? Vender rabo de Slowpoke na cara dura! Será que vai achar bom alguém lhe cortar sua mão para vendê-la?
A garota prosseguia nas passagens da caverna até que se ouvia alguns sons de várias asas batendo.
— Não acredito que esse lugar está repleto de Zubat... – suspira a treinadora.
Mas um dos Zubat acaba aterrissando na cabeça dela.
— Aaaiii... a garota sentiu o impacto.
— Mina filha, você que está na nossa rota de vôo! – falava uma voz fina vinda do Zubat – Droga! Perdi-me do resto!
— Não tem como ir atrás dos outros? Precisa de ajuda? – questionava Ashley.
— Bem... quer saber? Só estava junto desse grupo para me proteger e procurar comida com mais facilidade. Você é treinadora, não é? Sinto que tem Pokemon que não são de caverna próximos a você. Posso ir com você?
A garota ponderou, embora não fosse chegada em Zubats, queria saber como seria se treinasse um para valer. Talvez um Crobat fosse útil futuramente.
— Se quer ir com a gente pode vir! – Ashley respondeu – preciso de um combatente ágil, as duas Pokemon de minha equipe são lentas como uma Ferroseed.
— Ferroseed?! Pegou pesado garota – queixou-se Rochelle.
— Você também é fêmea? – questionou Francisca.
— Sou sim! Sou conhecida como Rouge – a morcego se apresenta.
— Então bem-vinda Rouge – a garota joga a pokebola e a Zubat é capturada.
O grupo ainda continua sua travessia na caverna, enfrentando treinadores e Pokemon selvagens. Entre os treinadores havia montanheses, e quando Ashley era desafiada por um deles, após a batalha, Rochelle perguntava para eles se conhece um montanhês chamado Gilbert.
— Rochelle, quem era esse Gilbert que você tanto questiona – Ashley ficou curiosa em relação a esse nome.
— É o nome do treinador do meu namorado, o Rocky – responde a Rochelle, suspirando – Gilbert é um montanhês que nem aqueles caras, achei que um deles pudesse conhecê-lo.
Rochelle resolveu parar de pensar em Rocky por enquanto. Ela estava começando sua própria jornada. Não quer que lembranças do passado interfiram em suas atuais vivências. Mas, mesmo assim ela não pôde esquecê-lo: “Mas espero encontrá-lo um dia... talvez eu também tenha histórias para contar para ele”
Chegaram à rota 33 no fim da tarde. Estava chovendo. Ashley percorria a rota com somente a Francisca fora de sua pokebola. Mas no meio do caminho ela viu de longe, dois homens usando roupas escuras próximos a um poço.
— Não pode ser... será que são eles? – a garota engoliu seco, sentiu um arrepio na espinha. Fez menção de se aproximar para confirmar suas suspeitas, mas se lembrou de inúmeros conselhos que recebera para não se envolver com criminosos.
Mas a chuva dificultava a identificar aqueles que estavam a sua frente e momentos depois, eles não estavam no local. Então Ashley resolveu sair daí e apressou o passo para Azalea.
Chegando a cidade, uma coisa que lhe chamou a atenção é que haviam muitos Slowpokes espalhados pelas ruas da cidade. Mas o que lhe deixou estarrecida era que muitos deles estavam com a cauda amputada. “Que judiação com esses bichos, quem faria uma coisa dessas” Ela ficava com pena deles.
Ashley foi para o centro Pokemon para os cuidados de seus companheiros. Mas dentro dele, tinha um senhor de idade que não parava de reclamar.
— Quando é que vão tomar uma providência em relação a isso? Cada vez mais aparece mais Slowpokes com a cauda amputada. Devemos e nos juntar e deter logo esses Rockets.
Rockets... Ashley gelou ao ouvir esse nome. “Então eram realmente eles.”
— O senhor sabe que os Rockets não existem mais senhor Kurt – falava uma enfermeira que tentava acalmá-lo – além disso, a policia e até mesmo o líder do ginásio estão investigando sobre isso.
— Mas o que eles estão fazendo então? Malditos, e tudo para ganhar dinheiro com uma estúpida iguaria que já é proibida por lei! – o velho não parava de reclamar.
— Vovô, o senhor está ai! – entrou uma garotinha no centro Pokemon e puxou a mão do velho — vamos para casa, é como a moça disse, já tem gente cuidado disso.
Resmungando, o Kurt finalmente deixa o centro acompanhado de sua neta.
Enquanto aguarda o tratamento de seus Pokemon, a Ashely questiona para enfermeira – esse é o Kurt, o homem que faz as pokebolas.
— Sim, ele faz vários tipos de pokebolas a partir de apricorns – responde a enfermeira – ultimamente anda nervoso por causa do caso dos Slowpokes. Nós tentamos tratá-los no que pudermos, mas não podemos deixar a demanda dos treinadores da cidade sem atendimento. Esses maltratos que ocorrem a eles precisam cessar logo.
Após seus Pokemon estarem recuperados, Ashley sai do centro, mas avista novamente o Kurt, que dessa vez caminhava em direção a saída para a rota 33. Sua neta estava tentado impedi-lo.
— Vovô, vamos para casa! Isso não faz bem para o senhor!
— Menina, você não pode me impedir, alguém tem que deter esse Rockets e... arg... – de repente o velho se contorcia de dor – minha coluna...
Nisso Ashley se aproxima deles.
— Quer ajuda?
— Sim! — respondeu a menina – me ajude a levar o velho teimoso para casa.
Ashley ergue o senhor e coloca o braço dele sobre o seu ombro. E cuidadosamente o leva para casa dele. Chegando lá ela o coloca no sofá.
— Agradeço minha filha – o velho agradece – pelo visto meu corpo não me responde como antes.
Enquanto a neta prepara os remédios, Ashley e o velho conversavam.
— Então o senhor é o Seu Kurt? O Professor Carvalho me falou de você.
— Sou eu sim.
— O senhor faz pokebolas de modo artesanal.
— Sim, e faço com apricorns.
— Eu tenho até alguns apricorns – Ashley lhe mostra alguns desses frutos – o suco deles é muito bom.
— Sim, mas a casca, que muitas vezes seria descartada, é muito boa para fazer pokebola, muito melhor do que esses materiais sintéticos daquelas pokebolas importadas de Kalos.
— Sei... – a garota ficou maravilhada com a explicação.
— Bom, se quiser posso lhe fazer uma, mas me arranje apricorn para fazê-las – Kurt oferece seus serviços a Ashley – e se quiser pode passar a noite aqui.
— Obrigada! Agora, o que está acontecendo com os Slowpokes dessa cidade.
— Que bom que perguntou – o velho começa a relatar sobre esse incidente – esses Slowpokes são de uma pequena caverna próxima daqui. Faz cerca de um mês que começaram a vir a essa cidade, muitos deles com cauda amputada. Uma organização que deveria ter sido extinta começou a atuar novamente. Esses ratos sempre se envolvem em negócios ilegais relacionados Pokemon. Você sabia que a cauda dos Slowpokes é um dos pratos mais requisitados e caros em restaurantes. Esses bastardos cortam a cauda deles e podem gerar bastante dinheiro importando em diversas regiões pelo mundo.
Ashley ouve essa explicação, horrorizada pelas ações da Equipe Rocket – mas isso é ridículo! Tirar a cauda deles só para vendê-lo como iguaria.
— E o pior de tudo, é que eles se aproveitam pelo fato dos Slowpokes serem lentos e demorarem para sentirem dor, mas isso pode ser mais prejudicial a eles do que você imagina! Os Slowpokes usam a cauda para pescar seu alimento, sem ela, eles já não podem mais viver por conta própria. Muitos invadiram a cidade de Azalea em busca de alimento e proteção. Felizmente, pelo menos os cidadãos daqui não deixam faltar comida para eles. Mas isso basicamente acaba com a vida deles! Não são mortos na hora, mas podem morrer aos poucos devido a fome. E sem falar dos riscos de infecção devido à exposição do ferimento e do corte ser feito sem assepsia.
Ashley está pasma pelo que acabou de ouvir. Essa crueldade é bem típica dos Rockets.
— Você já ouviu falar da chacina da rota 20 que ocorreu a oito anos a trás?
— Acho que sim... – Ashley gelou ao ouvir sobre esse incidente. Um dos Pokemon dela lhe contou que vivenciara essa tragédia.
— Nesse incidente, centenas de Staryus e Starmies foram assassinadas para extração do núcleo delas, que como você sabe, vale um bom dinheiro no mercado negro para fabricação de jóias e ornamentos. Agora reflita comigo, é justo tomar várias vidas inocentes por motivos furteis como ostentação de jóias e artefatos? O mesmo falo em relação aos Slowpokes, que tem a vida comprometida apenas por um alimento mais requintado. Como se não tivesse outros tipos de alimento a sua disposição. É por isso que enquanto existirem humanos com fins vis e egoístas, sempre vai ter organizações como a Equipe Rocket para saciar as ambições e vontades destes que se dizem homens da alta sociedade. E são sempre os Pokemons inocentes que pagam por isso.
— Pois é... o líder pode ser derrubado, mas como o senhor Walker disso, sempre que tiver gente egoísta, grupos de bandidos podem aparecer – afirma Ashley suspirando – mas mesmo assim, temos que confiar na polícia, eles são perigosos demais para se enfrentar sozinho.
À noite, deitada no sofá da casa de Kurt, Ashley não deixava de pensar na conversa que teve com ele. Enquanto caia no sono, lembranças terríveis do Ginásio de Veridian chegavam em sua mente... Garnet coberto de sangue... uma criatura com armadura estranha... ela sendo erguida por uma força psíquica...
Nesse momento, a garota se lembrava que, logo após desse incidente, teve uma conversa séria com Garnet...
(Flashback)
— Garnet... você viu que acabou de fazer? – a garota estava com uma expressão severa.
Garnet não falava nada. Evitava que seu núcleo ficasse sobre o olhar de Ashley.
— Garnet, você quase matou um homem! Talvez ele acabe morrendo mesmo a qualquer momento!
“Se ele não morrer, que pelo menos fique preso ao leito pelo resto de sua vida! Talvez isso seja melhor, ai ele sofre mais.”
— GARNET! – Ashley fica intrigada com a falta de remorso do Starmie.
“Por que está ficando tão alterada? Por acaso foi pelo fato de eu ter ferido um humano? Também matei vários Pokemon! Será que isso também não te deixa brava comigo?”
— Isso não é pelo fato de ser humano ou Pokemon, Garnet! Você de repente ficou tão violento... Você não é assim! O que houve com você! – Ashley estava ficando transtornada e leva a mão à cabeça. Garnet, apesar de não se enturmar com o resto do time, sempre foi um Pokemon calmo, dedicado e obediente. A garota nunca pensou que ele iria agir de forma tão extrema.
“Você sabe o que houve comigo, não sabe?” o tom da voz telepática do Starmie começa a ficar mais alto. “Você ouviu que eu disse para eles! Esse homem liderou uma chacina contra os meus semelhantes. Um monte de pessoas ficaram na caça aos meus parentes. Meus progenitores... meus irmãos... até mesmo amigos e conhecidos, todos pereceram sob a ordem desse homem. Fui um dos poucos que conseguiu escapar, mas todos os que me foram caros foram massacrados pela equipe dele.”
Ashley se chocou ao ouvir a história de Garnet. Realmente o que Giovanne fez aos familiares dele não tem perdão. A garota não conseguia dizer se a estrela-do-mar está com raiva ou triste... pode até está chorando. Ela ficou sem saber o que dizer ao Starmie.
“Mas tarde, através de conversas com outros Pokemon, soube que eles fizeram isso para vender nossos núcleos e que eles serviam como peças decorativas. Eles tiraram várias vidas apenas por motivos tão fúteis, acha justo? Dava para entender se for alimentação ou se fôssemos ameaça para eles, mas... por dinheiro e ostentação...” O núcleo de Garnet brilhava forte por conta das emoções que sentia “E o pior é que existem leis impostas pelos humanos que proíbe caças assim. Mas pelo visto não servem de nada, pelo menos esse homem não tinha sido punido ainda. Por isso eu acredito que move uma boa parte da humanidade é esse tal do dinheiro, é acumular coisas, custe o que custar. E por isso, nos trata como meros objetos”
Ainda calada, Ashley percebe que Garnet tem razão em não confiar na justiça dos homens. E também sabe que Pokemon da linha evolutiva de Staryu podem ser tratados como coisas sem sentimentos. Não é pelo fato de não terem face e não se expressarem convencionalmente é que esses Pokemon deixam de ter sensações, inteligência e afetividade.
“Ashley, assim que você me capturou, eu soube que você tinha enfrentado a Equipe Rocket. Desde então venho esperando uma oportunidade para entrar em seu time principal. Ai você me chamou para participar da batalha contra a Sabrina. Desde então eu fazia tudo para te obedecer, treinava para ficar forte, pois no fundo eu sabia que você iria se encontrar com Giovanne. Vi isso como oportunidade de tomar minha vingança. Desculpe-me se eu te usei...”
— Garnet, sei que Giovanne merecia uma punição bem severa pelo que fez, mas não posso dizer que você fez certo ao fazer isso! – Ashley se agachou e segurou Garnet para que seu núcleo ficasse de frente com a face dela – Fazendo isso pode trazer conseqüências catastróficas para mim, para nossos companheiros e para você principalmente. O que realmente me preocupa é pelo acaso de vier uma retaliação para cima da gente. Como aquela criatura que o Giovanne invocou antes de você finalizá-lo.
Com isso Garnet começa a ponderar sobre o que fez ser certo ou não. Acabou se lembrando do pavor que teve ao ver Ashley a mercê dessa criatura desconhecida.
“E o pior, é que senti uma energia muito forte nessa criatura, é a primeira vez que sentia uma energia tão imensa como essa.”
— Mas ainda bem que ninguém testemunhou o que você fez a Giovanne, você nem chegou a tocar nele. Talvez dá para nós dizer que foi a criatura – propunha Ashley – mas não faça mais isso, por favor! Isso me deixou assustada! E me fale se tiver alguma coisa te atormentando! Seja sincero comigo.
Nisso Ashley coloca a mão em um dos braços de Garnet em um gesto de apoio e o Starmie encosta o seu núcleo no ombro da garota. “Ashley, obrigado por me entender! Você é um dos poucos humanos em quem confio.”
— Pois afinal de conta, somos amigos, não é? – respondeu a garota.
O núcleo do Starmie ficou com brilho de cor magenta, indicando que ficou encabulado com a declaração.
Passaram-se alguns instantes de silêncio.
“Ashley, tenho mau pressentimento em relação a essa criatura”
— Nós vamos lidar com isso juntos! – apesar de está assustada em relação a essa criatura, Ashley queria passar confiança em Garnet.
(Fim do Flashback)
O dia nem amanheceu e Ashley se levantou do sofá e começou a arrumar suas coisas. Mas reparou que a neta de Kurt andava preocupada pela casa.
— Viu meu avô hoje? – pergunta a garotinha.
— Não vi não! – Ashley respondeu.
— Será que está tentando ir ao poço de novo, esse velho teimoso.
— Vou dar uma olhada! – Então a treinadora saiu em busca de Kurt. Francisca foi atrás dela e os outros Pokemon permaneciam em suas pokebolas.
Estava chovendo, e quando a garota se aproximou do poço, viu o Kurt discutindo com os dois rapazes de preto do dia anterior. Dessa vez deu para ver que eles realmente estavam usando o uniforme da Equipe Rocket.
— Se não for embora agora velho, nós teremos que dar um jeito em você! — dizia um deles.
— E agora? Kurt está em perigo! Vai fazer algo Ashley? – questionava Francisca.
Ashley havia prometido a diversas pessoas e a si mesma que não lutaria mais contra organizações criminosas. Mas não podia deixar o Kurt em apuros. “O que vou fazer agora?”
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Rouge
Espécie: Zubat
Nível: 6
Gênero: Fêmea
Natureza: Ingênua (Naive)
"Fica temperamental fácil"
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