Cinzas de Prata
6 Capítulo 5 – Arrependimentos
Notas iniciais
— HOONEET!!! – a garota simplesmente não acreditava no que acabou de ocorre.
—Não.. não pode ser... como uma coisa dessas pôde acontecer? – Ashley levava as mãos na cabeça e chorava. Estava arrasada com a situação. Ficou vários minutos encarando o que restou de Honet. Nem em sua primeira jornada ocorrera algo assim, perder um Pokemon de uma forma tão banal.
Francisca corria em direção de sua treinadora. Ficou assustada ao vê-la de joelhos e chorando.
— Ashley, o que houve com você?
A garota estava estática e não respondeu. Mas Francisca se aproximou e percebeu o que houve com a Honet e de repente ficou apavorada.
— Honet... não diga que é a Honet que...
—DROOGA!! COMO SOU INCOMPETENTE! TREINADORA EXPERIENTE UMA OVA! – Ashley começou a gritar em desespero e arrependimento – POR QUE EU TIVE DE VOLTAR EM SER TREINADORA? PARA MAIS CRIATURAS MORREREM EM MINHAS MÃOS?
— ASHLEY POR QUE ESTÁ DIZENDO ISSO AGORA? – Francisca não estava gostando do rumo da conversa – O QUE ACONTECEU COM A HONET NÃO FOI CULPA SU...
— CALA BOCA! – Ashley gritou para sua Pokemon – CALA A BOCA! EU NUNCA DEVERIA TER ACEITADO EM VOLTAR A TREINAR! – ela se derrubava em prantos – NUNCA DEVERIA TER DADO OUVIDOS A VOCÊ... “snif... snif” QUER SER A PRÓXIMA A MORRER? É ISSO?
A garota se deu conta que acabou de dizer o que mais temia nesse momento. Tremeu em pensar que poderia perder Francisca a qualquer momento. Desesperada, decidiu em cortar os laços com ela antes que uma tragédia aconteça.
— SUMA DA MINHA FRENTE! NÃO SE APROXIME DE MIM NUNCA MAIS!
— Mas Ashley... – a pequena também começou a chorar.
—SUMA DA MINHA FRENTE, TROÇO! – nisso a garota começou a correr sem rumo para se distanciar de Francisca.
Por vários minutos ela corria através da rota. Não parava de chorar. As tragédias que ocorreram em sua primeira jornada voltaram a atormentar sua cabeça. Ela se lembrou do primeiro Pokemon que recebera em sua vida. Uma Pikachu chamado Sasha. E de como a perdeu durante o seu segundo desafio ao ginásio.
Ela continuou correndo, mas não percebeu que entrara em uma caverna. Só percebeu quando viu que o local estava muito escuro. Sua visibilidade estava praticamente nula. Ashley ficou desorientada dentro da caverna e acabou tropeçando. Quando se levantou, sentiu uma dor forte no joelho e levou a mão nele. Percebeu pela umidade do sangue que havia uma ferida nele. Ela procurou um local para se sentar. Movia-se com dificuldade pelo chão e, com o tato, encontrou uma rocha onde pôde se sentar.
A garota ficou sentada na rocha por um tempo chorando. Estava tentando se acalmar e decidi no que fazer daí para frente. Mas percebeu que seria muito difícil de sair dessa caverna. Ela não enxergava nada e seu joelho estava machucado. Foi ai que percebeu que a pedra onde estava sentada começou a se mexer.
— Ai... que coisa... o quê está fazendo em cima de mim? – Ashley ouviu uma voz.
Daí a pedra se mexeu mais intensamente e a treinadora, assustada, se moveu para o chão.
— Quem está ai? É um humano não é? Diga-me se é confortável ficar em cima de mim? – Bem provável que a voz vinha da “rocha” da onde Ashley estava sentada.
— Você é um Pokemon não é? Desculpe-me por estar em cima de você! Não tava enxergando nada aqui.
— Então o que você está fazendo aqui? – indagou a criatura desconhecida.
—Não sei nem como vim parar aqui... estava tão atordoada... mas tenho que sair daqui! Francisca está sozinha na rota! Como sou irresponsável – de repente Ashley se lembra que abandonou Francisca na rota e que perigos poderiam ocorrer com ela estando sozinha.
Ela começou a se mover, mas sentiu seu joelho doer e dificultar seu andar.
— Arg...
—Está ferida?
— Isso não importa! Tenho que sair daqui.
—Então deixa que eu te ajudo! Essa caverna é como se fosse meu quintal – nisso ela sentiu uma mão áspera segurando a sua mão.
A criatura tinha baixa estatura e guiava Ashley pela caverna. A garota tinha que andar agachada, seu joelho continuava a doer, mas ela aguentava para sair logo daí.
— Ashleeey... Ashleeey... – ouvia-se gritos ao longe, eram de Francisca.
— Francisca é você? – a garota queria ver logo como sua Pokemon estava.
— Estamos quase na saída – dizia o pequeno guia.
Mal saiu da caverna e Francisca correu ao encontro de Ashley.
—Ashleeeey! Tava preocupada com você... me deixou sozinha...
—Desculpe... não deveria ter te deixado sozinha... viu só como sou uma treinadora ruim... – apesar de ver a Francisca bem, a garota ainda não queria se reaproximar da Chikorita.
— Ashley quem está ai com você? – Francisca viu que tinha um Geodude ao lado de Ashley.
— Pra trás! Não quero problemas com sua treinadora e muito menos com você – o Geodude ficou assustado pelo fato da companheira da humana que ajudou era um Pokemon de Grama.
— Não o ataque Francisca! Graças a esse rapaz que conseguir chegar ai e... arg... – Ashley se lembrou do joelho.
— Precisa cuidar desse machucado! Pelo visto levou um tombo feio! Sente em algum canto, só tome cuidado para não se sentar em um outro Geodude... – orientava o Pokemon de pedra – e eu sou uma fêmea.
Nisso a garota se sentou e abriu a mochila em busca de gazes e remédios para os tratamentos iniciais.
— O bichinha, logo ai tem uma pequena fonte de água, traz um pouco para lavar o ferimento, mas não coloque água perto de mim por favor – Geodude se dirigia a Francisca.
Rapidamente Francisca foi recolher água. Pegou um bocado em sua folha de sua cabeça e jogou no joelho de sua treinadora. A garota passou um anticéptico e enfaixou o ferimento. Francisca lança seu aroma para acalmar os ânimos de sua treinadora.
— Agora o que eu faço? – Ashley fica sem saber como vai lidar com a sua situação e a de Francisca – não sei se realmente sou capaz de continuar essa jornada.
— Mas Ashley, sei que está triste por causa de Honet, mas... prometo que vou ter cuidado, sei que isso não vai acontecer de novo! – Francisca implorava para que Ashley não desistisse agora.
— Como você me garante isso? – refutou a garota.
— Não quero ser intrometida, mas o que houve com vocês? – a Geodude se interessou pelo que ocorre com as duas.
— Perdi minha Weedle para um Pidgey! – a garota relatava melancolicamente – ela tinha me pedido para cuidar dela, mas não o fiz. Comecei fazer essa jornada faz poucos dias e já deixei que um de meus parceiros morresse.
— Mas pelo menos o passarinho que a comeu teve que merecia, também acabou morrendo envenenado! Honet vingou a própria morte! – acrescentou Francisca.
— Deve ser um Pidgey jovem que acabou de aprender a caçar – relata a Geodude – se fosse um experiente, deixaria a cabeça e o seguimento final sem devorar.
— Parem de falar disso! Por favor... – Ashley não estava gostando do rumo da conversa.
— Mas você quer desistir logo na primeira perda. Não seria melhor aproveitar esse fato para se precaver para que isso não ocorra mais? – Indagava a Pokemon de pedra.
— Ai é que tá... essa não é minha primeira perda, eu tinha feito uma jornada Pokemon em Kanto. Enquanto eu reunia minhas insígnias, eu perdi dois Pokemon. Friamente essa seria a média que ocorre com a maioria dos treinadores. Meu pai já foi um campeão na liga Pokemon por muitos anos. Até que ele perdeu para um jovem treinador chamado Red.
— Seu pai foi campeão? – Francisca se surpreendeu – você que vingar seu pai.
— Nada disso, meu pai não ficou nem um pouco frustrado com a derrota. Ele me disse que tá na hora da nova geração assumir e ficou feliz por ter mais tempo com a família. E assim foi por dois anos até uma leucemia tirar a vida dele quando eu tinha dez anos.
— Seu pai não está mais com você? Sinto muito... – Francisca soava melancólica.
— Mesmo em seu leito de morte, meu pai estava bastante tranqüilo, como tivesse cumprido com seu dever no mundo – Ashley falava em um tom triste – eu o via como herói, mas com o tempo eu estava admirando o Red também, a força dele, o laço que ele tinha com os Pokemon. Era como se eu quisesse substituir minha referência masculina que eu tinha com meu pai com o dele. Queria muito enfrentá-lo e conversar com ele, aprender algo mais com o Red. Eu estava tão perto... eu tinha as insígnias, eu poderia ir para Liga a qualquer momento, só estava me preparando junto com os meus companheiros.
— E ai... – a Geodude se mostrava bem interessada na história.
— Bem, durante minha jornada, acabei me envolvendo com uma organização criminosa, a Equipe Rocket, eu fui uma dos responsáveis pela sua debandada na cidade de Saffron. Mas o líder deles não só ainda estava solto como também controlava o ginásio de Veridian. Naquele local, descobri que um de meus Pokemon foi bastante prejudicado pelas ações passadas da Equipe Rocket e queria se vingar de Giovanne, o seu líder. Mas isso culminou em uma tragédia no ginásio e, em um ato de desespero, Giovanne libertou uma criatura muito poderosa. Mas como ele não tinha controle sobre ela, essa coisa acabou fugindo. Só que depois de um tempo essa criatura veio em meu encalço e... – a garota ficou com a voz esganada — todos os seis Pokemon que estavam comigo acabaram perecendo... e depois de um tempo, soube que o Red veio para deter essa criatura, mas desde então, nunca mais se teve notícias nem da criatura e nem do Red.
— Vixe, então você passou por maus bocados... – a Geodude estava comovida.
— Mas aquela tragédia não foi culpa sua, seus amigos estavam te protegendo contra uma criatura poderosa demais, mas foi ela que foi atrás de você não é? Você não tava preparada para isso – a Pokemon terrestre começava argumentar.
— E o professor disse que o Red pode está vivo, você não quer se encontrar com ele? – perguntou a Francisca.
— Mas para eu chegar até ele tenho que passa por uma perigosa jornada.
— Mas acho que se você tem um objetivo e tem uma oportunidade de realizá-lo, por menor que fosse, acho que você deveria tentar, para não passar anos se arrependendo depois – a Geodude também tenta convencer Ashley a continuar.
— Não acho que eu possa me arrepender se eu desistir – refutou a treinadora.
— Ai que tu se engana... – Geodude começa a falar sobre si – sabe, eu tinha um namorado, Geodude também, chamado Rocky, um dia, ele foi capturado por um treinador, mas o humano que o pegou parecia gente fina e deixava o Rocky se encontrar comigo. Ele então me contava sobre sua jornada, lugares que ele passava, as batalhas que ele participava e as marmotas de seus companheiros. Ele evoluiu para um Graveler, mas sempre que podia ia me visitar. E foi assim por dois anos. Mas um dia ele simplesmente não apareceu mais para me visitar...
— Ei... — interrompeu a Chikorita – você não podia ir com ele não.
— Bem, existem regras em capturas de Pokemon querida! – a Geodude corrigia a Francisca – não pode capturar mais de um Pokémon oriundo de uma mesma área e dois Pokémon da mesma linha evolutiva seria desvantajoso em batalhas. Mas ai, ele nunca mais apareceu. Eu continuei a esperar, por dias, semanas, meses... sempre evitava me deixar capturar na esperança de me encontrar com ele um dia, e nisso se passou dez anos.
— Vixe, DEZ ANOS!!! – Francisca ficou boquiaberta.
— Exatamente! E até hoje não sei o que aconteceu com ele! Pode ter morrido, ter ido para longe, ou... se eu descobrir que ele fez isso... – a Geodude de repente ficou com uma cara de zangada.
— Só sei que perdi dez anos de minha vida esperando por um macho que não me deu mais notícias. E hoje me arrependo por isso, por minha vida ter ficado parada nesse tempo. Se você não ao menos tentar saber o que ocorreu com esse tal de Red, pode está certa que um dia se arrependerá. Pode não ser logo mas, quando ocorre, isso vai te incomodar pelo resto da vida.
Ashley ouvia calmamente os relatos daquela Geodude. Ela tinha razão. Ashley sentia uma necessidade de chegar, de uma forma, até Red, mas dúvidas ainda pairavam em seu coração.
— Se quiser posso até me juntar a você- dizia a Geodude confiante.
— Agora você quer ser capturada? – se surpreendeu Ashley.
—É como te falei, perdi tempo demais parada, preciso conhecer esse mundo que Rocky me contava em suas histórias. E, além disso, com essa rota cheio de insetos e pássaros, posso ser bem útil e proteger a plantinha contra diversas desvantagem que ela possa ter.
— Já tá querendo contar vantagem – bufou a Francisca – depois não venha se esconder em minha aba se for enfrentar contra Pokémon aquáticos.
— Ora, o quê que isso plantinha? Não é pra isso que servem os companheiros de equipe? Para cobrir as fraquezas de um e outro? – argumentava a Pokémon terrestre.
— Verdade que você que ir com a gente? – questionou Ashley.
— Sim, e além disso, mesmo que a possibilidade seja pequena, talvez eu possa descobrir o que aconteceu com o Rocky! – a Geodude falava com muita motivação.
— Vamos Ashley! A Geodude vai nos ajudar! – animava a Chikorita – você tem que acreditar em nós, e em você mesma.
— Ai ai... já vi que tem Pokémon que nasceram só pra não me deixarem em paz! – declarou Ashley – Ok pedrinha, pode vir comigo, você tem nome?
— Me chame de Rochelle!
Com isso Ashley joga uma pokebola e Rochelle entra nela. A treinadora conseguiu uma importante aliada e amiga.
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Rochelle
Espécie: Geodude
Lv 4
Sexo: Fêmea
Capturada na Dark Cave
Natureza: Preguiçosa (Lax)
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