Cinzas de Prata
23 Capítulo 22 – Deixado para trás
Notas iniciais
Ao norte da Rota 48, se situa a Zona do Safari. Há um enorme portão que dá acesso a uma grande reserva onde pessoas poderão passear e observar os Pokémon no seu habitat natural, com pouca interferência humana.
Entretanto, ainda são permitidas tentativas de capturas, mas de modo bem mais controlado do que as capturas convencionais. São fornecidas uma quantidade certa de Pokebolas Safari, e cada visitante só pode sair com o primeiro Pokémon que capturar. Se gastar todas as pokebolas ou o tempo limite se esgotar, e não conseguir capturar nenhum, poderá tentar de novo mediante a um pagamento. E batalhas não são permitidas, o treinador não deve levar seus Pokémon. Somente em casos de emergência que treinadores especializados vão até o visitante e usam seus Pokémon para protegê-lo contra os selvagens.
Assim, Ashley se dirige ao Safari. O professor Elm havia pedido que ela capturasse um Pokémon para o laboratório. Ela recebeu trinta Pokebolas Safari e os funcionários a levaram para dentro da reserva.
A garota ficou maravilhada com a visão da paisagem. É uma vasta planície que se situa no meio de chapadas e morros que formam diversos cannons. O solo pode variar nesse terreno, desde arenoso, de formação de granitos até zonas pantanosas. E também a cobertura vegetal pode variar, desde áreas de gramíneas rasas até exuberantes florestas.
Assim ela vai caminhando pela imensidão da reserva, observando as manadas de diversas espécies de Pokémon passando por aí. Essa visão lhe dava paz, as várias criaturas vivendo tranquilamente naquele lugar tão livremente. Sua mente vai divagando em relação em como os Pokémon poderiam viver melhor, soltos na natureza ou convivendo com os humanos? Pelo menos nesse lugar, eles parecem está muito bem em suas vidas selvagens.
Ela vai andando sem pressa, não se decidindo qual Pokémon seria capturado. A garota andava por um terreno seco e com pouca vegetação. Estava anoitecendo e seu tempo de estadia estava acabando. Ainda lhe restavam dez Pokébolas quando ela jogou em um Fearow que voava por aí. Então a pokébola emitiu um sinal de captura. Depois de pouco minutos, um jipe dirigido por um funcionário da reserva veio buscá-la para levar a garota de volta para a recepção. Ela manda o Pokémon voador para o Elm, que irá abrigá-lo e realizar estudos com ele. Após isso, ela acampa próximo à entrada da reserva para descansar desse dia agitado.
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Em algum lugar na Rota 40, uma criatura quadrupede azulada vai caminhando na superfície do mar. Ele vai andando observando vários orbes vermelhas brilhando pelo mar, provenientes de Tentacool e Staryu. No seu caminho, ele encontra alguns pedregulhos e redemoinhos que dificulta o acesso de um certo arquipélago. Mas isso não intimida Suicune que salta por essas pedras, evitando ao máximo os redemoinhos. Assim ele chega a uma das Ilhas do Redemoinho. Esse lugar é basicamente formado por uma praia e uma caverna que dá acesso às passagens subterrâneas.
O aquático resolve se deitar nas areias dessa praia mesmo, próximo à entrada da caverna. Ele sabe que é um lugar de difícil acesso para Pokémon, e principalmente, para humanos. Por isso, ele escolheu esse lugar para descansar. Ele já estava pegando no sono quando uma voz telepática ecoa em sua mente.
“Quem é que está invadindo o meu território?”
“Lugia, é você?” respondeu Suicune com telepatia “Eu sou Suicune! Só estou aqui em busca de um lugar reservado para descansar! Eu peço permissão para poder repousar aqui por essa noite!”
“Ah! É você Suicune?” reconheceu o dono da voz telepática “Ah quanto tempo!”
“Estive adormecido na torre de onde me originei! Mas agora eu voltei para ativa juntamente com os meus irmãos!”
“Onde eles estão?”
“Eles estão vagando por aí!” o aquático fala sobre Entei e Raikou. “Eles gostam de correr por aí para conhecer o mundo! Eu também estou fazendo o mesmo, porém gosto de ficar observando os humanos!”
“Suicune, você não deve confiar nesses humanos!” avisa Lugia “Eles queriam nos perseguir e nos prender para fins sódicos!”
“Mas Lugia! Você sabe que nem todos os humanos são assim! Lembre-se que fomos salvos por alguns deles há alguns anos atrás! Especialmente por um jovem conhecido como Red, que se entende muito bem com seus aliados Pokémon. E tal de Lance também, com aqueles Dragonites!” se recorda Suicune.
“Realmente não devo me esquecer da nobreza daqueles dois! Porém te peço para que não se aproxime muito deles! Boa parte deles não são confiáveis!”
“Se bem que recentemente, eu venho observando uma humana fêmea que tem uma presença semelhante ao de Red!” relata o aquático. “Mas também me lembrei de um bem escandaloso querendo me perseguir. Sei que devo ter cuidado com eles, mas não deixam de serem uma espécie fascinante!”
“Espero que saiba o que está fazendo!” fala Lugia.
“Deve ser por isso que você mal sai dessa caverna!” aponta o aquático “Só que agora eu estou vendo muitos Staryu brilhando pelo mar! É como se eles tivessem enviando uma mensagem!”
“Essas criaturas misteriosas conhecidas como Staryu também são referenciadas como os Enviados do Céus!” explica Lugia “é dito que seus ancestrais caíram nesse mundo há milhares de anos atrás! Elas devem estar enviando uma espécie de mensagem para seu mundo de origem!”
“Que tipo de mensagem que eles mandam?” Suicune pergunta curioso.
“Eu não sei! Na verdade, nem as Staryu do presente sabem o que realmente esses sinais significam! Não sabem ou não querem nos contar! Só é dito que, dependendo da mensagem, pode ser determinado o destino do mundo em que vivemos!”
“Hum, interessante!” Suicune fica pensativo. “Há muitas coisas interessantes nesse mundo! Tanto Pokémon quanto humano! Eu quero conhecer melhor esse mundo!”
“Só tome cuidado!” alerta Lugia.
“E bem que você deveria dar umas saidinhas de vez enquanto!” diz o aquático enquanto boceja e estica as patas dianteiras, se preparando para dormir.
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Dia seguinte, Ashley acorda bem disposta para mais um dia de treinos. Agora ela e seus Pokémon irão realizar o caminho de volta para Cianwood. Eles treinam pelas Rotas 48 e 47 e enfrentam os treinadores que encontram no caminho sem maiores problemas.
No meio da tarde, entretanto, enquanto estavam treinando na zona marítima da Rota 47, Shion, que tinha enfrentado diversos Pokémon aquáticos começou a perder a lã restante de seu corpo, que também vai se alongando. Sua pele fica amarelada e sua barriga fica branca. Ele se transformou em um Ampharos.
Assim que chegaram no portão que dá acesso a Cianwood, ela mostrou a nova evolução do elétrico para o restante do time.
— Shion, você está lindo! – diz Francisca maravilhada. O carneiro reagiu com um sorriso envergonhado e face corada.
— E... obrigado... – sussurrou Shion.
— Mas esse é um verdadeiro come-quieto! – declarou André – você parece tão retraído, mas é bem competente no treino, entrou no time dia desses e já tá na forma final!
— Eu faço meu melhor! – disse Shion – mas não sei se serei tão bom quanto você...
— Não seja bobo! Talvez você possa ter me superado... – o Butterfree fala com certo receio. Ele reconhece que não é mais tão poderoso em comparação ao restante do time.
Assim continuaram e finalmente chegaram em Cianwood. Mas próxima à farmácia há um tumultuo:
— VOLTA AQUI LADRÃO!
Silvestre estava correndo com um saco de remédios juntamente com seus Pokémon, Cinder, Buster, Raver e uma Sneasel que ele havia capturado recentemente. O ruivo acaba se esbarrando em Ashley.
— ARG! VOCÊ NO MEU CAMINHO DE NOVO! – grita o rapaz.
— Silvestre! O que andou aprontando? – questiona a garota se recuperando do impacto.
— E aí Rouge? – Raver se aproxima da Crobat e a cumprimenta piscando o olho.
— Er... Raver... – a morcego rapidamente vira o rosto e fica com a face corada.
— Ei! Vocês andam de conversinha? – Silvestre fica desconfiado com a interação do Golbat dele com a Crobat de Asheley.
— E se eu tiver mesmo? Tem algo contra? – desafia Raver.
— Ora seu... – Silvestre ficou irritado com a ousadia do morcego. Porém ele se lembrou que deveria fugir o mais rápido possível.
— Cinder! Cortina de fumaça!
O Quilava lançou uma fumaça negra pela boca, tirando a visão de Ashley e seus companheiros e causando irritação na garganta. Em questão de segundos, o ruivo havia fugido com seus Pokémon.
— Esse moleque não toma jeito! – bufa Ashley aborrecida.
— Ei, que história é essa de “conversinha” com aquele Golbat? – Rochelle estranha a familiaridade que o Raver tinha com Rouge.
— O que você quer dizer com isso? – Rouge fica hesitante – o que... que... tenho haver com esse cara?
— Rouge! Você não precisa mais esconder isso da gente! – declara Ashley – sei que você anda se encontrado com o Raver!
— Ashley? Não pode ser... – a morcego fica constrangida – como... como você sabe? André... foi você que contou?
O Butterfree fica meio receoso, porém resolveu admitir logo – sim, eu contei à Ashley sobre o Raver no dia seguinte do seu “encontrozinho” com ele!
— Por que fez isso? – Rouge se decepciona com a atitude do colega – eu confiei em você em guardar esse segredo!
— E deixar você ser enrolada por esse filho da puta? – disse o inseto mais enérgico – pensei na sua segurança! Eu acabei contado para Ashley e combinamos que ficaríamos de olho em você para que não se meta em nenhuma encrenca com esse Golbat!
— Rouge, não queríamos que você se sinta traída ou coisa do tipo! – argumenta Ashley – mas seria bem melhor se você tivesse nos contado! Eu não ficaria brava com você, só não quero que se envolva com alguém que pode te meter em encrenca!
— Só que o Raver não é mau! – explica a Crobat – não sei se eu devo me relacionar com ele. Só que eu gosto dele... ele até aceitou em não nos atacar naquela torre em ruínas enquanto a Ashley e o Silvestre estavam perdidos.
— Isso é verdade! – confirma o Butterfree.
— Mas não devemos nos esquecer do incidente lá naquela fazenda! – lembrou a garota – nós íamos ser acusadas injustamente por causa de um ataque a uma das Miltank de lá. Sorte que perceberam logo que não foi você. Mas acho que o Raver possa estar por trás desses ataques.
— O Raver nunca faria isso! – disse Rouge incrédula.
— Você se encontrou com ele naquele dia?
— Er... sim... – a morcego respondeu hesitante.
— Rouge, eu não acho que Raver seja essencialmente mau. Só que ele está sobre má influência do Silvestre. Acabamos de ver que ele fugindo com mercadoria roubada, não foi? O que o Raver faz é reflexo das atitudes do Silvestre.
— Mais ou menos como ocorre com o Cinder! – aponta Francisca.
— Tudo bem... – Rouge respira fundo – talvez não seja bom que eu ande com o Raver. Mas ainda não vou perdoar o André ter me enredado para você! Ele traiu minha confiança!
— Querida! Nem vem com birra! – o Butterfree levantou a voz – pra começo de conversa, que estava traindo a confiança de nós é você morceguinha! Você fica por aí de lero com um macho que mal viu e acha que eu sou errado?
— Mas você me prometeu que não ia...
— Mas nada! – André interrompe o argumento de Rouge – fiz isso pensando no seu bem! Fiz isso para que se alguma coisa de ruim acontecer com você, nós poderíamos te ajudar. Porém se não percebe isso, então foda-se! Não conte comigo mais pra nada!
André saiu voando se afastando dos outros.
— André! – chama a garota.
— Vixe! Dessa vez você ferrou bonito com as coisas Rouge! – aponta Caninana.
— Cala a boca! – Rouge estava chorando e voou para pousar em uma rocha a alguns metros de distância.
— Ashley, converse com a Rouge! – sugere Rochelle – eu vou falar com o André!
— Certo! – a garota estava constrangida devido ao conflito que seus Pokémon tiveram. Ela foi com Francisca e Caninana falar com a Rouge. Rochelle e Shion vão se encarregar do André.
Então ela se aproxima lentamente da morcego, que estava pousada na rocha soluçando. Ela senta próxima à pedra, a princípio ficava só parada, esperando que a Crobat queira conversar com ela.
— Você deve tá brava comigo, não é? – Rouge resolve encarar sua treinadora.
— Estou não! – nega a garota – mas estou meio preocupada com você.
— É errado gostar do Raver? – questiona a Crobat.
— Não é errado gostar de ninguém! – responde a garota – mas nós devemos ter cuidado com os nossos sentimentos. Não sei se posso te aconselhar sobre isso pois eu acho que nunca me apaixonei por um garoto. Porém não quero que você acabe sofrendo por causa disso.
— Rouge! Acho que o problema é o Silvestre mesmo! – fala Francisca – ele pegou o Cinder e também deve tá ferrando com a vida de Raver também! Se um dia formos fortes suficiente, pegaremos esse ruivo de jeito, e talvez libertaremos os Pokémon deles.
— Francisca! – repreende Ashley – não me diga que quer que eu banque a justiceira?
— Pelo menos o Silvestre nós devemos detê-lo! – argumenta a Meganium – sei que deveremos estar preparadas para ele, já que ele pode se tornar um empecilho para nós. Mas acho que nós já estamos mais fortes que eles. Não viu que os Pokémon do Silvestre ainda não estão na forma final.
— Ai ai ai! – suspirou Ashley – se for um confronto inevitável com ele, nós iremos dar o nosso melhor para detê-lo de uma vez por todas. Mas sem chance de nós saímos atrás dele.
— Então é possível que eu me aproxime de Raver? – Rouge ficou esperançosa.
— Não vou te prometer nada! – determinou a garota – mas se eu ver que é seguro e tranquilo para você, não vou impedir que você se relacione com quem quiser.
— Obrigada Ashley! – Rouge enxuga as lágrimas com as asas.
Enquanto isso, Rochelle e Shion vão até a praia. Lá André estava pousado próximo aos rochedos.
— Ei André! O que você fez foi certo! – argumenta Rochelle – só acho que deveria ter sido mais honesto com a Rouge.
— E essa morcego é honesta por acaso? Querendo esconder suas andanças com desconhecidos? – contrapôs o Butterfree.
— Ela só ficou brava porque você prometeu uma coisa e fez outra! Apesar de saber que a Rouge não é inocente nessa história! O ideal é ela ter nos contado!
— Ei André! Você... gosta da Rouge? – pergunta Shion timidamente.
Rochelle pôs a mão na boca pela pergunta ousada.
— Ha há há hi hi há há! – André começa a gargalhar descontroladamente – da onde tirou isso moleque? Eu? Gostar da Rouge? Há há! De uma Crobat! De uma Pokémon que, em circunstâncias normais, seria minha predadora. Conte outra vai!
— Me desculpe... eu pensei que...
— Tudo bem! Tudo bem! – André interrompe a fala do elétrico – só não quero que fique inventando esses absurdos.
— Então vamos até Ashley! – propõe Rochelle.
— Que seja! – após André dizer isso, eles vão em direção à treinadora.
“Mas oh moleque perspicaz esse carneiro!” pensa o Butterfree.
Assim, os três Pokémon resolvem se juntar a Ashley, que estava cochichando para Rouge:
— Então Rouge, o que você tem a dizer pro André?
— Me desculpe André! – Rouge disse mansamente – você só queria falar a verdade pra Ashley, não é? E me desculpe por eu ter mentindo para vocês todos! Eu não vou mais fazer isso!
— Ainda bem que você resolveu entender! – disse o Butterfree ressabiado – desculpas aceitas então!
— Obrigada André! – a voadora finalmente abriu um sorriso.
— Tudo bem! – suspirou o Butterfree. Não dá para ficar bravo com ela. Rouge tem seu jeito inocente e um sorriso radiante. André só lamenta que ele não pode manifestar seus sentimentos para ela.
Finalmente seus companheiros se entenderam, então Ashley propôs ao time:
— Acho que podemos finalmente enfrentar o líder dessa cidade! Eu soube que ele é especializado em Pokémon lutadores.
— Será minha vez de brilhar? – pergunta Francisca radiante.
— Não sei... – Ashley foi franca – Rouge e André possuem bastante vantagem contra os lutadores graças a suas combinações de tipo!
— Então pode deixar comigo! — André viu uma boa oportunidade de participar das batalhas. No fundo o Butterfree sabe que é questão de tempo ser deixado para trás pelo restante do time. Quase todos eles já estão na última forma. E Rochelle ainda pode evoluir. Porém ele sente que com sua força já não pode acompanhar os demais. Talvez essa seja sua última oportunidade de participar de uma batalha importante.
Ashley acabou avistando um fotógrafo e teve uma ideia. Foi rapidamente até ele juntamente com seus Pokémon.
— Moço, pode tirar uma foto minha com meus Pokémon?
— Claro querida! – ele prepara a câmera enquanto Ashley e sua equipe se posicionam para a foto.
A maior, Caninana ficava atrás de todos. No lado esquerdo de Ashley ficava Rochelle com a Rouge pousada na terrestre. Na direita ficava a Francisca e Shion ao seu lado. André, que é o menor, ficou pousado no chão na frente da garota.
— Digam xis!
Em instantes ele tira a foto. Em poucos minutos ele a revela e entrega para a garota.
— Obrigada senhor! Ficou maravilhosa!
— Fico feliz em ajudá-la! – respondeu o fotógrafo.
Então ela foi para o Centro Pokémon junto com seus amigos para descansarem para batalha do dia seguinte. A garota guardou a foto com muito carinho em um álbum que comprara em Goldenrod.
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