Cinzas de Prata

20 Capítulo 19 - Conflito


Notas iniciais
E aí! Como vão? Realmente peço desculpas para demorar a postar esse capítulo! Ás vezes dá o broqueio criativo e tem as coisas da vida offline. Mas vamos ao que interessa, não é? Ashley confronta com seu passado. Mas consegue superar a provação com a ajuda de seus amigos e conquista a Insígnea da Nevoa. E chega mais uma companheira para entrar na equipe. Mas dessa vez, parece que ela não será bem-vinda ao time... Boa leitura!

Na manhã seguinte, depois de realizar o desjejum, a garota prepara o café da manhã de seus Pokémon no centro Pokémon de Ecruteak. Ela prepara as tigelas com frutas e ração. Então solta os seus companheiros e dá uma tigela para cada um.

Eles estavam comendo tranquilamente, mas quanto Francisca olhou para Nazaré, a raiva toma conta da Bayleef. Ainda não acreditava que aquela Raticate, a assassina de Alfred, acabou entrando no time. Então ela se aproximou da roedora e ficou por um tempo a encarando com desdém.

Nazaré estava tão concentrada na refeição que demorou um momento para perceber que Francisca estava a encarado. Ela engole e tenta falar de forma simpática:

— Pois não?

— É muita cara de pau você tá aqui comendo conosco depois do que fez ontem! – disse a vegetal carrancuda.

— Eu realmente sinto muito pelo que ocorreu com aquele macho, mas se sua treinadora me aceitou então...

— MAS EU NÃO TE ACEITO! – Francisca bate na tigela de Nazaré com a folha da cabeça, espalhando a comida dela pelo saguão.

— FRANCISCA O QUE É ISSO? – assim que ouviu a pancada e a comida se espalhando, Ashley corre para ver o que está acontecendo.

— PORQUE ESSA ROEDORA TINHA QUE COMER COM A GENTE! – esbravejava Francisca.

Os outros também voltaram sua atenção para a confusão que a Bayleef estava fazendo.

— Francisca, por que fez isso? – Rochelle vinha para tentar apaziguar os ânimos.

— Parece que essa plantinha não me quer por perto! – disse Nazaré meio constrangida, e recolhia a comida que estava espalha.

— QUEM MANDOU VOCÊ CATAR ESSA COMIDA?! – com sua folha, Francisca derruba novamente o alimento de Nazaré.

— Oh oooh oooh! Calma ai bichinha! Não sabe que é feio desperdiçar comida? – repreendia André.

— Francisca, eu não estou te reconhecendo! Você não é de fazer pirraça desse jeito! – Ashley também dava o seu sermão.

— Eu é que não te reconheço Ashley! Como pode você aceitar de boa aquela que matou o Alfred! – a vegetal começou a soluçar – você não se importa com o Alfred? É isso?

— É lógico que me importo com ele? – a garota se sente constrangida – mas não é ficando com raiva da Nazaré é que vai trazê-lo de volta! Você sabe disso.

— Quer saber! Não estou mais com fome! – com raiva, Francisca se afasta dos demais e vai para um canto bem escondido do saguão, onde ela se deita e fica amoada.

Ashley então limpa a sujeira que a Bayleef fez com seu acesso de raiva.

— Nazaré, por favor, perdoe a Francisca! – pedia a garota meio sem jeito – eu já vou preparar uma refeição fresquinha para você.

— Mestra por favor eu...

— Não me chame de Mestra!

— Er... Ashley, não precisa se incomodar com isso! Posso comer a comida que está espalhada mesmo! Nunca tive uma refeição tão farta antes! Mas é como o Butterfree disse, é feio desperdiçar comida!

Assim, os outros concluíram suas refeições, mas ficaram abismados com o acesso de raiva de Francisca. Ashley recolheu as tigelas e foi lavá-las em um tanque que fica do lado de fora. Depois disso, ela resolveu chamar por seus companheiros, mas Francisca não estava no saguão.

— Francisca! Cadê você?! – chamava Ashley.

A garota e os Pokémon olharam para todos os lados do Centro Pokémon, mas nenhum sinal dela. A garota começa a se desesperar. Ela foi para a porta e viu algumas pegadas no chão. Ficou apavorada ao saber que Francisca acabou fugindo.

— Não! Por favor não!

— Ashley, não diga que a plantinha fugiu? – Rochelle se aproximava.

— Pelo visto sim! – confirma a garota – vendo pelas pegadas ela foi para o leste.

Ashley e os resolveram procurar pela cidade. Rouge e André observavam por cima.

Enquanto isso, Francisca andava pela Rota 42, que ficava a leste da cidade de Ecruteak. Esse lugar possui várias formações rochosas ao norte e densas florestas ao sul. Logo ela parou diante de um lago e ficou pensando na briga que teve com Ashley.

“Por que? Por que ela acabou capturando aquela rata? Por que escolheu ficar com alguém que matou o Alfred? Será que ela não se importa com a gente?”

Era a primeira vez que duvidava de sua treinadora. Para a Bayleef, isso lhe pareceu como se fosse uma traição por parte de Ashley, pois ao invés de se vingar da Raticate, ela a deixa entrar no time deles. É como se aceitasse um inimigo na família.

Com raiva e decepção, Francisca fica andando em voltas próxima ao lago por alguns minutos. Mas ela reparou que têm uma caverna na colina e acabou entrando nela. No interior, a Bayleef se surpreende pela extensão do lugar. Ela escuta barulho de água escorrendo. Ela se guia pelo barulho e encontra uma cachoeira dentro da caverna, que se desemboca em um lago. Ela fica admirada pelo forte barulho da água, pelas gotículas que caem sobre si e pelo cheiro de terra molhada.

— Isso me lembra da vez que a Ashley fugiu após a morte de Honet! – se lembra Francisca – ela acabou se escondendo em uma caverna, agora sou eu que me escondi em uma e... pera aí, eu não deveria estar pensando nessa bruaca agora! – Francisca ainda não queria perdoar a Ashley pelo que ela fez a pouco.

Então ela ficou explorando a gruta por algum tempo, porém ela acabou chamando a atenção de Zubat que viviam nessa caverna. Detectando a presença estranha, mas com uma boa fragrância, os morcegos não perderam tempo em avançar na Pokémon vegetal. Assim que ouviu o batimento de diversas asas, a Bayleef percebeu que tinha que correr para sair viva daí. Para sorte dela, encontrou uma saída e conseguiu escapar da caverna. Assim que chegou ao lado de fora, ela se encostou nas rochas e viu os morcegos voando em massa para frente. Mas em um ambiente claro, eles não conseguiam se orientar direito, e logo, entraram na caverna novamente.

Vendo que o perigo passou, ela se encosta na parede de pedra da montanha e fica alguns minutos parada respirando ofegante, esperando recuperar sua energia. Ela olhou em volta, mas para sua decepção, ela estava em uma porção de terra firme rodeada pelo lago.

— E agora, terei que voltar para a caverna?

Sem escolha, a Bayleef entra novamente na gruta, tomando um caminho posterior a daquela entrada. Ela andava bem lentamente para não ser perseguida pelos Zubat. Não demorou muito para encontrar uma saída. Mas foi bem a tempo pois já se ouvia batidas de asas novamente.

Chegando à saída, Francisca corria o mais rápido possível para se afastar da caverna. Ela se adentrou em uma área de campina com gramado alto. Porém na pressa, ela acabou se esbarrando em algo e acaba caindo no meio do mato. Parece que tropeçou em algo felpudo.

— Aaaiiiii! – escuta-se um grito.

— Arg! Que está ai? – Francisca se levanta para ver o que aconteceu. Ela logo viu um objeto feito de uma espécie de lã amarela. Essa coisa se mexeu, e logo se via saindo dela pequenas patas de cor azul marinho e uma cabeça da mesma cor com largos chifres listrados em amarelo e preto. E também havia uma cauda com a mesmas cores dos chifres com uma esfera dourada na ponta. Essa criatura agitava as patinhas que estavam do lado de cima, tentando desesperadamente voltar a posição normal.

— Por favor! Por favor! Não me faça mal! Não me coma!

— Não sou de comer outros Pokémon! – Francisca empurra a criatura, que é um carneiro, fazendo ela voltar a ficar de pé – me desculpe por eu ter caído em você! Que tipo de Pokémon é você?

— Eu sou um Mareep! – ele disse timidamente – e quem é você? Eu nunca vi um Pokémon da sua espécie por essas bandas.

— Meu nome é Francisca e eu sou uma Bayleef! – responde a vegetal com orgulho, sua folha dá uma leve balançada.

— Nossa moça... você é tão... tão...

— Sou o que? – Francisca estava radiante, esperando um elogio por parte do carneiro.

— É tão verde...

“É isso que chama a atenção dele?” ela ficou decepcionada pela declaração dele, não conseguia disfarçar o aborrecimento em sua face.

— O que você está fazendo aqui?

— Eu só estou andando por ai! – respondeu a Bayleef. Ela então resolveu continuar com suas andanças.

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Ashley e os outros corriam para fora da cidade, desesperados em encontrar a Francisca.

— O povo a viu indo para a Rota 42! — informa Rouge.

— Espero que ela não esteja muito longe daqui! – a garota estava aflita.

— Mas pelo visto a Nazaré começou bem! A Chica nem foi com a cara dela! – falou a Caninana.

— Caninana, não é hora para essas coisas! – repreendia Rochelle.

— Mas afinal de contas, por que ela matou o Alfred! – a Gyarados ignora o aviso e continua a questionar a Raticate.

— Deixem-me lhes contar uma pequena história! – prosseguia Nazaré – na área de onde eu vim está havendo uma grande inimizade entre dois grupos de Rattatas e Raticates. Está havendo uma disputa séria de território. Por isso, aqueles que encontrarem um do grupo adversário, devem sumariamente assassiná-lo. E quem não cumprir essa ordem, será considerado traidor e será executado pelos líderes do grupo. Acabei matando aquele Rattata pois ele não tinha o cheiro dos integrantes do nosso grupo. Por um momento achei que ela um dos inimigos. Só percebi que ele não tinha nada com isso quando a garota chegou chorando por ele.

— Isso é para ver como são pesadas as tretas de um Pokémon selvagem! – pondera Rochelle – acho que Francisca está com raiva de você pois ela sempre viveu ao lado de humanos, ela nunca vivenciou uma vida como selvagem.

— Tipo, ela não sabe como é viver o tempo todo sob o risco de caçar ou ser caçado, não é? – complementa Caninana.

Vendo esses comentários, Ashley percebeu que deveria ter considerado as opiniões dos outros em relação à Nazaré. Deveria ter preparado melhor os outros para o ingresso dela à equipe. Precisava ter uma conversa séria com Francisca depois que encontrá-la.

Eles chegaram ao lago, rodeado por morros e floresta.

— Ei Ashley! Do outro lado do lago há uma saída de caverna! – avisa Rouge.

— Aqui também tem uma abertura! – reparou a garota – não tem nenhum outro lugar para onde ela possa ter ido, talvez a encontremos na caverna.

Rapidamente elas entraram na gruta. Passaram pela queda d’água. Mas chegava uma horda de Zubat voando de encontro para eles. Rochelle joga rochas nos morcegos e os espanta de perto deles.

Mas a Geodude começa a ficar maior repentinamente. Surgem um par de pernas e um segundo par de braços, que repousam próximos ao seu áspero e rugoso corpo. Ela evoluiu para uma Graveler.

— Não podemos perder tempo com essas pestes! – declara a recém evoluída Pokémon.

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Francisca prosseguia em sua caminhada. Mas ela sabia que era seguida por alguém faz algum tempo. Aquele carneirinho tentava seguir e observar sorrateiramente.

— O que você quer? – perguntava a Bayleef aborrecida.

— É que, eu queria lhe dizer que você não pode ir por esse caminho! – ele dizia suavemente.

— Vou para onde eu quiser! – bufou Francisca – por que eu não devo ir mais adiante?

— É que, de uns tempos pra cá chegou uns humanos com roupas negras com um símbolo vermelho nelas. E desde a chegada deles, eu venho sentindo umas ondas esquisitas neste lugar.

— Ondas esquisitas? – estranhava Francisca – eu não vejo nada!

— Não dá para ver com os olhos! Eu sou capaz de sentir ondas elétricas e as eletromagnéticas! – continuava o Mareep – mas mesmo que os outros não consiga percebê-las, eu sinto que elas possam está fazendo mal aos Pokémon dessa área. Vejo muitas queixas de dores de cabeça. E alguns deles ficam até mais agressivos.

Os dois estavam próximos a um pequeno lago. Havia uma porção de bolhas se formando. Parece que a algo que está à espreita e percebeu a presença dos dois Pokémon.

— Ai! Essa correria todo me deu sede! – ofegava Francisca – vou só no laguinho beber água!

A Bayleef foi a beirada e esticou seu pescoço para a água. Estava bebendo com gosto. Mas de repente, um Pokémon aquático emergiu do lago. Era um peixe redondo, azul e amarelo e possui vários espinhos pelo seu corpo. Era um Qwilfish, e encarava a vegetal com fúria.

— Francisca! Cuidado! – avisa o Mareep.

Ela rapidamente dispara suas Folhas Mágicas no Pokémon aquático. Mas isso não é o suficiente para abater o peixe e ele contra-ataca com Punhalada Venenosa, se lançado sobre a Bayleef e a perfurando seu tórax com seus espinhos. Ela sente uma dor intensa. O golpe foi bem efetivo.

— Gasp... como esse desgraçado aguentou um golpe meu... – Francisca achava que venceria facilmente o aquático, mas ela não se deu conta que, por o Qwilfish ser venenoso poderia ter certa resistência a movimentos vegetais e também iria retaliar com um ataque venenoso.

Vendo que Francisca estava em situação alarmante, o pequeno carneiro desferiu um Choque do Trovão no peixe. Sentindo a corrente elétrica em seu corpo, o peixe voltou sua atenção para o carneiro e se lançou para ataca-lo também. Mas folhas teleguiadas o atingiram derrubando de vez o Qwilfish, que afundou no lago. Ofegante, Francisca havia deferido uma leva de Folhas Mágicas para finalizar com aquático. Mas ela começa a se sentir mal.

— Francisca! O que houve? – pergunta o elétrico preocupado.

— Acho que é o veneno... – disse a Bayleef quase sem folego.

O carneiro se desespera. Não queria ver alguém que conheceu a pouco morrer bem na sua frente. Ele olhava em sua volta para ver o que poderia fazer. Mas repentinamente, apareceu mais um Pokémon diante deles. Dessa vez era um quadrupede de pelagem azul e uma longa crina roxa. O Mareep se apavora. Nunca tinha visto um Pokémon como esse. E ele parecia ser bem mais forte do que aquele Qwilfish.

O Pokémon se aproximava lentamente. O Mareep se tremia e fechou os olhos, esperando pelo pior. Mas escutou o barulho de coisas lançada perto deles. O carneiro abriu os olhos e viu que era uma Fruta Pecha, que é bastante efetiva contra envenenamentos e uma Fruta Sitrus, que recupera a vitalidade dos Pokémon. E também viu que a criatura havia sumido. Sem entender o que está acontecendo, ele rapidamente entrega as frutas para a Francisca. A Bayleef lentamente come a frutas, e pouco a pouco, vai recuperando as forças.

— Obrigada por me ajudar! – agradecia Francisca.

— Que isso! – disse o carneiro encabulado – mas é como eu te disse, muitos Pokémon daqui estão atacando do nada por conta dessas ondas!

— Então os responsáveis por isso são uns homens de roupas pretas com um símbolo no peito? – pergunta a Bayleef

— Não sei exatamente, mas acho que pode ser sim! – responde o carneiro.

— Se for uns caras maus que estou pensando, isso pode ser uma treta brava! – Francisca suspeita que os Rockets podem estar por trás desses acontecimentos.

— Mas afinal de contas, por que você está por aqui? – indaga o Mareep.

— É que eu estou fugindo da minha treinadora... – ela responde com certo receio.

— Por que? Ela fez algum mal para você?

— Não... Sim... quer dizer, não exatamente – Francisca não sabia como explicar a situação – ela sempre se mostrou uma boa treinadora. Ela trata a mim e aos meus companheiros super bem. Mas um de nossos amigos foi morto por uma Raticate, e ao invés de vingar o nosso companheiro, ela resolve acolher essa rata para a nossa equipe. Ela quer que a assassina do Alfred seja a nossa companheira.

— Pelo menos ela parece ser uma boa pessoa. Ela perdoou até uma que matou um dos seus! – deduziu o carneiro.

— Não é bondade demais perdoar alguém que matou um de nossos companheiros? – contesta Francisca.

— Mas é assim que a natureza funciona. Têm muitos Pokémon que matam para conseguir alimento e proteger seus territórios. Aquele Qwilfish iria nos matar sem dó nem piedade. Quando se está na vida selvagem, é uma luta diária para não ser morto – explana o elétrico.

— Então é por isso que os selvagens são meios ariscos? – Francisca se lembra que foi atacada por um Ekans faz algum tempo atrás, mas que o mesmo foi capturado e atualmente vive tranquilo no laboratório – será que os Pokémon se juntam aos humanos para sair dessa vida tão cruel?

Mas eles avistam uma Crobat sobrevoando sobre eles. Era a Rouge que estava procurando pela Francisca.

— A ENCONTREI! – avisa a morcego.

Não demora muito para que a Ashley e os outros cheguem ao local. A garota estava bem abalada e se emociona ao ver a Bayleef:

— Francisca... estávamos preocupados...

— Ashley... – a vegetal responde meio encabulada.

— Você nos deu um susto danado! – comentava uma Graveler.

— Quem é você? – ela estranhava essa Pokémon terrestre – é você Rochelle?

— Sim, fiquei tão preocupada que acabei ganhando rachaduras a mais! E também braços e pernas! – brinca Rochelle.

— Francisca você se machucou? – Ashley repara que há um ferimento no tórax de Francisca.

— Foi nada! – a Bayleef respondia ainda com desdém – foi só um aquático que me atacou, mas já dei cabo nele.

— Mas você já tava bem mal por conta desse ataque. Se não fosse pelas frutas que aquele bicho tinha deixado, você poderia tá nas últimas! – responde um Mareep.

Ashley fica bem abismada por causa que Francisca acabou pondo sua vida em risco. Mas se surpreendeu pela presença do Mareep – e quem é você?

— Ele deu uma ajudinha contra aquele Qwilfish! – responde Francisca.

— Obrigada querido – a garota agradecia, e logo se voltou para a Bayleef – Francisca, sei que fui meio precipitada em colocar a Nazaré no time, mas você tem que entender que muitas vezes os Pokémon selvagens têm que matar para sobreviverem na natureza. Mas a partir do momento que nós o capturamos, eles podem ser amigáveis com os outros como qualquer Pokémon treinado, desde que nós os tratemos com respeito e dignidade.

— Eu ainda não entendo muito desse negócio de vida selvagem, mas pelo que vivenciei hoje, realmente não deve ser fácil! – Francisca começa a se conformar com o ponto de vista da treinadora.

— E você deve desculpas à Nazaré!

A Raticate estava escondida atrás de Rochelle o tempo todo e timidamente se coloca diante de Francisca.

— Nazaré, me desculpe pelo que ocorreu na manhã – fala Francisca com condolência – não que nós pudéssemos ser amigas pois ainda não te perdoo pelo que fez ao Alfred! Mas pelo menos vou te aceitar no time, tá bom?

— Certo Francisca, obrigada por me aceitar! – responde a Raticate humildemente.

— Pelo menos tivemos algum progresso! – suspira Ashley.

— Mas Ashley, acho que os Rockets podem estar por perto! – avisa a Bayleef – o carneirinho me disse que uns caras de preto estão zanzando por aí...

— Os Rockets? – Ashley acabou de se lembrar de um detalhe importante e deu uma olhada no mapa – Mahogany fica próximo daqui, e o Walker nos avisou para não nos aproximar dessa cidade! – um arrepio passou pela espinha de Ashley – nós nem deveríamos estar aqui! Mahogany fica logo aí.

Mas enquanto ela apontava a direção da cidade, um Dragonite pousou diante deles. A garota ficou surpresa e assustada. Ela nunca tinha visto esse Pokémon antes. A criatura em forma de dragão era alaranjada, com pouco mais de dois metros de altura. Ele era meio “gordinho” e tinha uma expressão séria, apesar de seu rosto não parecer assustador. Ashley temia que ele fosse um Pokémon dos Rockets e estava dando passos para trás com finalidade de fugir.

— Se acalme moça! – disse o dragão de modo manso – não estou aqui para lutar! Só queria pedir que não continue daqui!

— Realmente não podemos ir para Mahogany, não é? – Ashley ficou um pouco aliviada ao saber que o Dragonite aparentemente não era um inimigo.

— Estamos tentando resolver umas coisas nessa cidade! Quando tudo estiver acabado vocês podem voltar para cá! Mas por enquanto é melhor vocês saírem daqui!

— Ei! Isso tem haver com as ondas esquisitas que o carneirinho diz ser capaz de detectar? – pergunta Francisca.

— Não posso dizer os detalhes! – respondeu o dragão – o que posso dizer é que vocês devem sair daqui! É para segurança de vocês! Então se me dão licença! Eu estou indo! – assim o Dragonite bateu as asas e voou em direção a Mahogany.

— Vamos fazer o que o Dragonite disse, vamos sair daqui! – Ashley dava volta e meia e se dirigiu na direção oposta do dragão.

— Mas antes de irmos, podemos chamar esse Mareep? – solicita Francisca segurando o Pokémon elétrico, que ficou meio envergonhado por esse repentino pedido – ele me ajudou contra aquele aquático que me atacou!

Ashley analisou o carneiro que estava junto com a Francisca – você gostaria de ir com a gente?

— Posso mesmo? – ele disse meio relutante – sempre tive curiosidade em saber como é viver com os humanos! E Francisca me disse que você é uma boa pessoa.

— Er... mais ou menos... – disse a Bayleef hesitante, não querendo demonstrar que deixou de estar brava com sua treinadora.

— Então vem com a gente? – propõe Ashley – e tem nome?

— Venho sim! E eu não tenho um nome! – responde o Mareep.

— Então seu nome será Shion! – a garota lança a pokebola e capitula o carneiro. E então eles prosseguem com retorno a Ecruteak

— Até que esse Pokémon dragão é bem educadinho! – comenta Rouge.

— É, mas ele é um Pokémon raríssimo de se encontrar e é uma espécie bastante poderosa! – explica a garota – ainda bem que ele não quis lutar com a gente! Não temos nenhuma chance contra ele do jeito que estamos agora!

Eles chegaram próximos a carvena.

— E lá vamos nós nos enfiar no meio desses Zubat de novo! – comenta Rochelle.

— Se pudéssemos atravessar esse lago seria muito mais rápido! – disse a Rouge.

Mas um outro Pokémon aparece diante deles. Era o mesmo Pokémon azul que deu alimento para a Francisca.

— Suicune? – Ashley o reconhece – ele estava segurando um disco na boca. Ele coloca o objeto no chão e corre rapidamente para longe deles.

— Acho que eu o vi agora pouco! – comenta Francisca – ele até me deu umas frutas!

— O que é isso que ele deixou no chão – ainda surpresa pela ligeira presença de Suicune, Ashley pega o disco do chão – isso parece ser uma HM. É que ensina a “Surfar”! – ela lia as inscrições no disco.

— Se é um movimento aquático, pode me ensinar agora! – fala Caninana.

— Isso é bem útil para navegarmos em ambientes aquáticos! – nisso, ela ensina o movimento à Gyarados e em seguida, Caninana vai para a água. A garota chama os outros de volta a pokebola e monta no lombo da Pokémon.

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Horas depois, estão de volta ao centro Pokémon de Ecruteak. Francisca estava em tratamento por conta do ferimento em seu peito. Enquanto Ashley apresentava o Shion aos outros Pokémon.

— Ele é tão fofinho! – Rouge estava encantada com o novo companheiro.

— Bem-vindo a nossa família! – cumprimentava Rochelle.

André se aproximou do carneiro, de modo a ter uma conversa “franca” com ele:

— Bem vindo novato! É bom ter um novo macho ingressando ao nosso time! Mas que fique claro que eu estou aqui antes de você! Então tenha em mente que eu sou o macho alfa do time! Entendeu?

— Er... entendido... – o carneiro aceita meio relutante.

— Certo! Espero que nos entendamos bem! – disse o Butterfree mais amigável.

Mas tufos de lã caem da pelagem de Shion.

— Shion, o que houve, sua lã está caindo? – disse Ashley apreensiva.

Parte da lã caia do corpo de Shion, especialmente a parte do tórax. Seu corpo se alonga um pouco e sua pelagem fica rosada. Ele evoluiu para um Flaaffly.

— Nossa! Mal entrou e já evoliu?! – Rochelle estava admirada.

— Vixe! Parece que seus dias de macho alfa estão contados! – Caninana debocha de André.

É que eu estava perto de evoluir! – disse o encabulado elétrico – e parece que posso ficar só sobre duas patas.

Ashley ficou feliz pela evolução. A família está ficando maior. Mas ela precisa ainda se entender com a Francisca.

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Glossário

Folhas Mágicas — Magical Leaf

Punhalada Venenosa — Poison Jab

Choque do Trovão — Thundershock

Surfar — Surf

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Shion

Espécie — Mareep/Flaaffy

Lv 16

Macho

Encontrado na Rota 42

Natureza Destemida (Hardy)

Altamente persistente

Notas finais
Bem, dessa vez realmente houve desentendimento entre Ashley e um de seus Pokémon. Um conflito desses pode fortalecer ou enfraquecer uma amizade. Mas uma coisa boa que aconteceu nesse capítulo foi o ingresso do fofíssimo Shion ao time. Vamos ver como as coisas vão andar daqui para frente. E no jogo, mal o capturei e ele evoluiu na primeira batalha que participou. E levei um susto porque um Qwilfish deixo o HP da Francisca no vermelho. Obrigada pela leitura!