Cinzas da Guerra: As Mudanças de um Shinobi
39 Capítulo 39: A Arte da Guerra
Notas iniciais
Capítulo 39: A Arte da Guerra
↨ Pouco Mais de Seis Anos Atrás. Kumogakure no Sato.
– Chihiro: De novo? – Perguntou para a mulher de cabelos brancos amarrados em coques. Ela acabara de sair do banheiro e aparentava estar exausta. – Acho que por trás dessa fama de séria tem uma garotinha bem brincalhona... – Brincou a secretária auxiliar de Mabui, mantendo um sorriso malicioso nos lábios.
– Mabui: Vá se catar! – Falou irritada. Era outro ponto que estava diferente nela, e a própria reconhecia. Já se faziam duas semanas que os enjoos haviam ficado rotineiros. O humor sempre alterava drasticamente, fazendo-a chorar por nada e irritar-se pelo mesmo motivo.
Chihiro: Tem certeza que não está grávida? – Perguntou mais uma vez. Já havia questionado inúmeras vezes sobre isso, mas a moça sempre negava. Não poderia ser isso, poderia? Ela quase nunca tinha tempo para namorar, e quando o tinha com certeza não o fazia. Mabui era bem jovem, possuindo seus dezenove anos, linda e inteligente. Com certeza alguém já deveria ter se interessado e deitado com ela. Mas mesmo assim era raro vê-la em algum lugar que não fosse o escritório Kage.
– Mabui: Não diga asneiras! – Ainda irritada, respondeu grosseira. Porém aquilo era realmente estranho. A única relação que havia tido além do seu antigo namorado, o qual terminou há dois anos atrás, foi com Naruto há cerca de um mês e alguns dias. Era hora de pôr um fim nisso e descobrir o que diabos era aquilo que lhe incomodava tanto. – Estou saindo... Estou exausta. Amanhã venho mais cedo para compensar.
– Chihiro: Tudo bem. Sem problemas! – Falou tranquilamente. – Mabui-chan! – Chamou ao ver a mulher abrir a porta para sair. Mabui a olhou e ela sorriu carinhosa. – Cuide-se! – Mabui sorriu sincera e se retirou.
Ainda era cedo, cerca de três da tarde, uma boa hora para se encontrar com a colega do corpo médico e fazer essa consulta que poderia virar sua vida um inferno ou paraíso dependendo do resultado. Era sempre bom ter amigos em todas as áreas, e desta vez Mabui sentiu-se imensamente feliz por não ter de protocolar exames nenhum e manter a descrição quanto aquilo.
– Mayumi: Parabéns! Você está grávida de um mês e meio, Mabui-chan! – Mabui petrificou. As mãos de sua amiga ainda estavam em seu ventre analisando o estado. – Embora esse bebê pareça já ser um Chuunin em nível de chakra... – Balbuciou mais para si mesma, achando estranho e ao mesmo tempo incrível. – Quem é o pai? Vamos, vamos... Estou curiosa... – A mulher parecia mais feliz e eufórica que a própria mãe.
Mabui escutava aquilo por um ouvido e saia pelo outro. O coração a ponto de sair pela boca tamanha irritação, felicidade, tristeza... Nem ela mesma sabia o que sentir. Ora, Ter um filho era maravilho, principalmente com um grande homem feito Naruto. Para completar era o homem de que ela gostava. Porém ela mesma sabia que Naruto amava a namorada e só havia transado com ele dias atrás pelo fato do mesmo ser facilmente manipulado e ela ter usado seu charme, o que provavelmente faria até mesmo um santo pular essa cerca. Ele jamais aceitaria um relacionamento com ela e ela sabia muito bem que poderia destruir o relacionamento dele caso levasse a informação até ele. O que deveria fazer? Não era como se pudesse criar o filho longe do pai e pior ainda se escondesse isso dele. O melhor que pôde pensar no momento era em deixar o tempo passar e esfriar a cabeça para esclarecer as ideias. Isso mesmo! Por enquanto ficaria quieta e esperaria sua cabeça se colocar no lugar e decidir o que fazer.
– Mabui: Obrigada, Mayumi-chan. – Sorriu feliz e levou as mãos ao ventre, acariciando a barriga e deixando algumas pequenas lágrimas escaparem. – Primeiro tenho que falar com o pai dele para firmarmos um relacionamento. Depois venho conversar melhor com você. – Mentiu. Não poderia dizer para a amiga que o bebê era filho do grande Uzumaki Naruto, pois apesar da amiga ser confiável, uma notícia dessas era bem difícil de manter para si mesma.
Retirou-se do hospital já com as recomendações da amiga e alguns remédios já encaminhados para ajudá-la a nutrir a gravidez e cuidar do corpo para que pudesse ser o mais saudável possível. Chegou em casa e simplesmente jogou-se na cama, abraçando a si mesma e chorando profundamente. Primeiro um choro de felicidade. Um filho! Pelo amor de Deus! Teria um lindo filho com o homem que amava. Como queria que a criança fosse igualzinha à Naruto. Com aquele sorriso majestoso e inocente, radiante quase mais que o sol. Aquele caráter tão brilhante quanto os olhos azuis. Após alguns momentos curtindo os próprios sonhos de uma vida ao lado do rapaz finalmente lembrou-se de todos os problemas que a impediam de realiza-los.
Naruto namorava Hinata, a herdeira do Clã Hyuuga, o mais importante de Konoha e provavelmente do mundo, já que não existiam mais Uchihas e Senjus. Poucos tinham tanta tradição quando ele. Como poderia disputar com aquela bela, tímida e doce garota? Sim! Por mais que quisesse ficar com Naruto, sabia perfeitamente que o que mais combinava com ele era a Hyuuga. Eram perfeitos um para o outro.
Mas então outro pensamento se abateu dentro dela: O filho era de Naruto e a médica já havia notado que o chakra do bebê era surreal para o tamanho dele. Isso era herança genética Uzumaki que vinha de Naruto. Levantou-se com uma gigantesca pressa e vasculhou seus documentos em busca do amaldiçoado livro. Após minutos e uma gigantesca bagunça em sua prateleira de livros, pergaminhos e bilhetes, finalmente achou o Bingo Book. Para completar sua enxurrada de surpresas, com ironia, claro, Uzumaki Naruto era o mais caro de todos os procurados, já que a mais nova versão havia sido espalhada após a guerra, quando o jovem loiro consagrou-se o maior herói e também shinobi mais poderoso. Qual seria o valor do filho de Uzumaki Naruto? Pensou Mabui entrando em desespero.
A jovem balançou a cabeça para os lados e tentou enterrar esse pensamento. Poderia até mesmo ter um ataque de pânico se continuasse pensando naquilo. Tirou rapidamente a roupa e entrou para o banheiro para tentar relaxar abaixo do chuveiro. Deveria realmente deixar o tempo passar e se recuperar daquele dia de choques e surpresas para então tomar uma decisão definitiva.
Alguns dias se passaram e Mabui continuou a esconder que estava grávida e que o filho era do Uzumaki. Não havia como revelar estar grávida e não saber quem era o pai, já que revelando quem era, poderia causar uma gigantesca confusão em todo o mundo e atrapalharia a vida dela e de Naruto. Sabia que estava sendo irresponsável e que deveria ter ido à Konoha conversar com o rapaz, mas simplesmente não tinha coragem.
No caminho para o escritório, Mabui andava normalmente, estranhando a algazarra que estava tomando de conta das bancas de jornais em todo lugar que passava. Resolveu ignorar. Talvez fosse apenas um caso de grande repercussão civil, uma vez que não havia visto sequer um shinobi nas ruas naquele dia. Parando para pensar, era realmente estranho que ainda não tivesse topado ou simplesmente visto shinobi qualquer nas ruas ou sobre as casas, pulando de um lado para o outro. Havia algo errado, e muito. Apressou o passo e logo chegou à entrada do prédio. Olhou para cima e viu a gigantesca movimentação shinobi na sala do Raikage. Subiu apressadamente e bateu à porta da sala de Kira A. Escutou a voz grossa lhe autorizar e entrou. Viu cerca de quinze shinobis em pé diante de Kira A.
– Mabui: O que está havendo, Raikage-sama? – Perguntou curiosa e temendo que fosse algo muito sério.
– Kira A: Que espécie de secretária é essa que ainda não sabe que Uzumaki Naruto está preso? – A voz veio fria, firme, mas também bastante nervosa. Mabui ficou pálida e sua mente nublou por um instante. Não conseguiu pensar em nada e apenas acordou quando o Raikage falou novamente. – Ele será julgado em quinze dias... – Escorou-se na cadeira e respirou fundo. Estava exausto logo a essa hora da manhã. Receber a notícia de que aquele rapaz tão jovem e brilhante, de caráter incontestável, havia sido preso era um absurdo. Kira A era um homem difícil de se socializar, mas Naruto havia ganhado sua amizade e respeito no dia em que provou ser melhor que Minato, superando a velocidade do Yondaime Hokage e também de sua armadura de Raio.
– Mabui: Q-Quais são as acusações. – Recuperou um pouco a cor e controle mental, mas ainda estava ruindo por dentro.
– Kira A: Homicídio da Godaime Hokage Senju Tsunade, omissão de cadáver da mesma, homicídio também do senhor feudal do fogo, sequestro e tentativa de assassinado contra a namorada Hyuuga Hinata e tentativa de assassinato contra o líder do clã Hyuuga, Hyuuga Hiashi, que por acaso é o pai da namorada dele. – Disse calmamente, mas extremamente irritado por dentro. Como diabos Konoha poderia acusar Naruto de uma barbaridade daquelas?
Mabui esfriou o coração. Não havia a possibilidade de Naruto ter feito algo assim. Matado Senju Tsunade, a quem tinha como figura mais próxima de mãe. A garota também sabia que ele amava a namorada Hyuuga Hinata, a doce menina. Era realmente um extremo absurdo que tivessem prendendo o rapaz por aqueles crimes logo após o mesmo ter salvo o mundo inteiro. Ridículo!
Porém isso ajudou Mabui a tomar a decisão. Era claro que Naruto seria inocentado nesse julgamento, pois não havia como ele ser preso definitivamente por crimes que não havia cometido. E quando isso ocorresse, ela revelaria para ele que estava grávida dele. Seria uma bomba para o rapaz, mas ele tinha que assumir suas responsabilidades, apesar de Mabui ter sido a irresponsável e não ter tomado os devidos cuidados antes de sua pequena aventura egoísta com ele. Mabui aproveitou que os shinobis já haviam saído da sala do Raikage e articulou seu pequeno plano.
– Mabui: Um evento deste porte, como o julgamento do Naruto, fará com que todo o mundo civil e militar esteja de olho nisso. O senhor, juntamente com os outros Kages, irão para Konoha assistir ao julgamento? – Perguntou um pouco nervosa.
– Kira A: Estamos marcando uma pequena reunião para esclarecermos isso. Mesmo se os outros não forem, eu pretendo ir. Esse rapaz já fez muito por nós e devemos prestar o devido respeito a ele no lugar de Konoha, que parece ter esquecido que aquele rapaz já os salvou por três vezes, contando com quando seu pai selou a Kyuubi nele... – Parecia um pequeno desabafo e Mabui quis, por um momento, sorrir disso. Era difícil ver o Raikage abandonar sua capa de arrogância e brutalidade. – Deseja algo? – Perguntou vendo a garota ansiosa e um pouco nervosa.
– Mabui: E-Eu gostaria de participar da comitiva, se o senhor permitir. – Estava bastante nervosa e as palavras quase se atropelaram.
– Kira A: Não me diga que esse bebê é do Naruto? – Mabui petrificou e avermelhou na mesma hora. Como aquele homem sabia? – Estou brincando... – Tentou sorrir, mas não conseguiu. Definitivamente ele estava bastante abalado por Naruto estar sendo acusado daquelas barbáries. – Mas simplesmente achou que poderia esconder de mim estar grávida? Ainda mais com esse bebê monstrinho cheio de chakra? – Escorou as mãos por cima da mesa e encarou profundamente Mabui. – Se eu não soubesse o quão idiota e fiel Naruto é, teria certeza de que ele é o pai dessa criança... Mas aquele idiota só vê aquela Hyuuga e duvido muito que ele tenha conseguido sair com você de alguma forma... Nem mesmo o mais galã dessa vila conseguiu tirar você desse escritório! – Falou divertido e viu Mabui praticamente soltar sua alma pela boca. Estava completamente vermelha e trêmula.
– Mabui: N-Não faça brincadeiras de mal gosto, Raikage-sama! – Tentou transparecer seu nervosismo por quase ter sido descoberta colocando sua fala raivosa. Saiu rapidamente da sala e fechou a porta atrás de si. Pôs as duas mãos no peito e tentou se acalmar um pouco. O coração batia freneticamente e sua visão estava um pouco turva. Respirou fundo algumas vezes e então pôde pensar com mais clareza.
Por Kami-sama! Havia engravidado de Uzumaki Naruto de maneira imprudente e totalmente imatura. Havia escondido até agora do mesmo e todo o resto, embora agora Mayumi e o Raikage soubessem. Levando em consideração a forma como o Raikage descobriu, outros shinobis também poderiam ter descoberto ou ao menos desconfiado. Seu segredo corria perigo extremo. Aproveitaria realmente a viagem do Raikage para o julgamento de Naruto e contaria logo a ele quando o mesmo fosse inocentado. Não havia como Uzumaki Naruto ser culpado de todos aqueles crimes hediondos.
Passaram-se nove dias. Estavam reunidos no portão, já que a viagem deveria ser feita com dias que antecedessem pelo fato da distância, Kira A e o time que faria a sua segurança: Samui, Karui, Omoi e Darui. Já haviam passados dez minutos da hora combinada, seis em ponto da manhã, fazendo todos ficarem perplexos com o fato do Raikage ainda estar tranquilo mesmo com o fato de Mabui estar atrasada.
– Samui: Esta demora não é normal para Mabui. Ela é sempre tão responsável e pontual. – Comentou a loira para o time que estava um pouco mais afastado de Kira A.
– Omoi: Será que aconteceu algo? – Perguntou ele com a mão no queixo, apoiando o cotovelo com a outra. Karui trincou os dentes e uma veia surgiu em sua testa. – Será que ela não morreu afogada? Ontem choveu bastante e o quarto dela é todo fechado... – Ele falou realmente concentrado na situação.
– Karui: Seu idiota! – Deu um soco potente na cabeça dele, extremamente nervosa. Como diabos aquele cara conseguia ser tão imbecil? – Ela está toda estranha a mais ou menos um mês. Parece até que está apaixonada... – A expressão que a garota fazia era de que o mundo estaria prestes a acabar.
– Samui: Não seja ridícula! – A seriedade da loira foi abandonada em troca de um sorriso de deboche. – Mais fácil Uzumaki Naruto ser preso do que ela estar apaixonada... – Mabui jamais havia sido vista sequer tendo uma conversa chavecante ou dando moral para algum shinobi ou civil. Ela era focada e não dava chances para o coração se aventurar.
– Kira A: Parem de falar da vida dos outros! – Disse sério, mas tranquilo. Era impressionante ele ainda não ter derrubado nada com raiva ou ter começado a viagem sem a secretária. Aliás, por que Mabui iria para aquela viagem? Questionava-se o time de guarda, mas jamais iriam perguntar para o Raikage. – Ela chegou! – Ele até o momento estava de costas, mas resolveu virar-se para ver a garota chegando.
– Mabui: Desculpem pelo atraso! – Disse ofegante. Estava um pouco pálida, com olheiras e visivelmente exausta. – Podemos ir agora...
– Karui: Você está doente? – Perguntou de cara. Mabui corou levemente e olhou para a garota com um sorriso fraco.
– Mabui: Eu estou bem. Apenas não dormi bem essa noite. – O que não deixava de ser verdade. A gravidez atingira quase dois meses e os enjoos estava ficando mais frequentes, assim como vontades alucinantes de comer coisas estranhas. Como não poderia comprar nada durante a madrugada, teve que se contentar em cozinhar coisas mais estranhas ainda para tentar suprimir seus desejos.
– Kira A: Vamos indo! – Apressou-se e iniciou a corrida para o porto. Se apenas ele e o time de guarda estivessem na viagem, com certeza iriam correndo por cima da água ou até mesmo desviar por terra, mas ele se preocupava bastante com Mabui. Ela era uma ótima moça e profissional. Ele percebia que ela estava visivelmente esgotada seja lá por que fosse, mas abriria uma exceção esta vez e tentaria cuidar um pouco dela, mesmo que indiretamente.
Correram em alta velocidade, e por isso tiveram que fazer algumas pausas não planejadas no caminho, já que Mabui não suportava correr mais de cinco horas seguidas ou virar a noite em viagem. Em apenas um dia e parte da noite chegaram no porto, levando mais três dias para chegar em terra, no porto do país do fogo. Partindo dali a viagem já estava quase concluída e no final do quinto dia de viagem já estavam em Konoha. Foram cumprimentados na entrada e levados ao escritório Hokage, onde Shizune, como Hokage interino, estava cuidando das recepções.
– Shizune: Bem-vindos! – Falou com um sorriso. – Não fossem as circunstâncias eu lhes receberia com extrema felicidade. – O sorriso murchou um pouco com a lembrança dos últimos acontecimentos. – Killer Bee-san não veio? – Notou a falta do ex-jinchuuriki amigo do Naruto.
– Kira A: Obrigado, Shizune-san. Bee está em uma longa missão. Tenho certeza que se pudesse ele estaria aqui. – Respondeu calmamente, mas mantendo a seriedade. Sua vontade era esmagar Shizune numa parede até ela responder o porquê de Naruto estar passando por tudo aquilo. Porém deveria manter sua postura, afinal, mesmo não sendo definitivo, Shizune era a Hokage no momento. – Temos algum local reservado? – Perguntou ainda sério.
– Shizune: Claro! – Saiu detrás de sua mesa e direcionou-se para a porta. – Já está tarde. Eu mesmo os levo até lá e depois vou para casa. – Falou cordialmente.
Todos saíram pelo prédio e Shizune os levou ao prédio onde os outros já haviam chegado e estavam acomodados. Devido a toda essa movimentação, grande parte do shinobis de Konoha estavam de prontidão por perto do prédio para evitar qualquer movimentação estranha. Acomodaram-se e novamente, para variar, Mabui não teve uma boa noite de sono.
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– Daymio: Boa tarde. Estamos aqui hoje para julgar pelos crimes de alta traição, assassinato, sequestro e tentativa de assassinato. O acusado é Uzumaki Naruto, Gennin de Konoha. – Kamuro falou seriamente, escondendo a felicidade que o abalava por dentro. – Tragam o réu!
Uma pequena porta, do outro lado da porta por onde o Daymio entrou, se abriu. Primeiro saíram dois guardas do Daymio, com armaduras. Eles saíram puxando cada um uma corrente grossa e logo após apareceu Naruto, com uma corrente amarrada a braceletes em cada mão. Tudo estava em silêncio. Os amigos de Naruto perderam a voz ao vê-lo da forma em que estava. Eles imaginaram um Naruto totalmente diferente do que estavam vendo ali.
O coração de Mabui deu um pulo em seu peito, ameaçando sair pela boca. Vê-lo assim lhe trazia uma felicidade amargurada. Felicidade pelo simples fato de estar vendo o rapaz enquanto estava profundamente mais ligada a ele por de estar grávida dele. A amargura era por vê-lo em uma situação tão triste e revoltante. Apesar disso, a cena que viu ao ver o olhar dele para a plateia foi assustadora. Aquele sorriso demonstrado não transmitia o brilho radiante do sol juntamente com a inocência e ingenuidade que ele possuía. Parecia que nem mesmo era o Naruto que ela tanto gostava.
O jovem Uzumaki sorria, mostrando todos os dentes. Não era um sorriso de felicidade ou tristeza. Aquele era um sorriso de escárnio e desprezo, o que surpreendeu a todos. Os shinobis presentes procuraram algo que denunciasse que ali não era Naruto, mas chegaram na conclusão que era Naruto ali mesmo. A forma de andar, seu chakra, alguns cestos enquanto se movimenta. Não havia dúvidas.
– Daymio: Sente-se, Uzumaki Naruto. Reconhece que está sendo acusado de matar o Daymio do Fogo, a Godaime Hokage Senju Tsunade, tentar matar o líder do clã Hyuuga, Hyuuga Hiashi e sequestrar e tentar matar a herdeira do clã Hyuuga, Hyuuga Hinata?
– Naruto: Sim, eu reconheço. – A voz era a mesma de sempre, porém, parecia divertida.
– Daymio: Muito bem. – Respirou fundo e continuou. – O acusador pode começar. – Todos estavam calados. O silêncio parecia uma lâmina nos pescoços de quem queria Naruto fora dali, pois chegava a intimidar.
– Acusador: Chamaremos a primeira testemunha: Hyuuga Hiashi. – Hiashi entrou pomposo pelo mesmo local que o Daymio havia entrado. Estava com a roupa formal de líder do clã Hyuuga. Cumprimentou o Daymio e o acusador, e sentou-se na cadeira de testemunha que havia do lado do juiz, mas mais baixa. – Relate o que viu ou ouviu no assassinato da Hokage e tentativa de assassinato contra si.
– Hiashi: Eu havia enviado uma carta para a Hokage, solicitando uma conversa em particular, na floresta, onde o Uzumaki costumava treinar. Estava conversando com a Hokage quando o vi aparecer de uma vez atrás dela e empalando-a entre as costelas na altura do coração com uma adaga. – Hiashi fingiu irritação. – Ela caiu no mesmo instante ao chão e eu o soquei, para tentar ajuda-la, porém, como todos sabem, o Uzumaki é muito poderoso e aplicou-me um Rasengan no peito e eu bati em algumas árvores e desmaiei. Mas antes de desmaiar eu pude vê-lo pegar o corpo de Tsunade e sair pulando por entre as árvores. – Hiashi terminou seu relato mostrando uma irritação e olhando para o Uzumaki acusador.
– Acusador: Daymio-sama. Foi realizada uma investigação sobre o caso e os vestígios do chakra do Uzumaki foram encontrados no local do crime e seguindo o rastro do chakra encontramos o local onde a Hokage havia sido enterrada por ele. Além de que o jutsu Rasengan, criado pelo Yondaime Hokage, pai do Uzumaki, só pode ser usado pelo mesmo e Sarutobi Konohamaru, que estava em uma missão no País do Urso naquele dia. Por favor, observe os relatórios da missão do Sarutobi e também das investigações.
– Daymio: Os relatórios confirmam o que Hyuuga Hiashi falou. – Kamuro havia lido todo o relatório apenas de fachada. Ele já sabia de tudo aquilo. – Pode prosseguir. – Ele falou ao acusador que confirmou, virando-se novamente para Hiashi.
– Acusador: Agradecemos o depoimento, Hyuuga Hiashi. Pode se retirar. – Hiashi levantou-se em silencio e saiu pela mesma porta que entrou. Todos ainda permaneciam em silêncio. – Chamamos agora para o depoimento, Hyuuga Hinata.
Todos ficaram boquiabertos. Hinata estava ali? E porque iria depor como acusação? Todos estavam muito confusos. Hinata amava Naruto, porque iria acusa-lo do sequestro? Estava claro que não havia sido ele. Os pensamentos viajavam a mil e Madoka sentiu uma vontade tremenda de enforcar Hinata. Apesar de tudo, não poderiam falar nada ainda, esperariam até sua vez de argumentar. Hinata entrou da mesma forma de Hiashi, com a vestimenta formal de herdeira do clã Hyuuga e sentou-se no mesmo local em que Hiashi havia sentado antes, no assento de testemunha.
– Acusador: Hyuuga Hinata, por favor, relate o que houve desde o seu sequestro até ser achada pelo Daymio.
– Hinata: A Hokage havia me enviado em uma missão no País do Chá, com mais dois Hyuugas. Estava no cair da noite, umas seis horas da tarde, quando nós paramos para montar acampamento e passar a noite. Eu era líder da missão e pedi para os outros dois buscarem comida e água, enquanto eu montaria as barracas. Passou-me muito tempo e já eram quase seis e meia, os meus companheiros ainda não haviam chegado. Escutei um barulho e ativei meu Byakugan, podendo perceber Naruto-kun chegando perto do acampamento. Eu fiquei alegre por vê-lo ali, mas logo vi também ele arrastando os dois Hyuugas pelos pés, puxando-os. Desesperei-me e tentei pergunta-lo sobre o que estava acontecendo, mas ele não me deu chances e desmaiou-me com um golpe na nuca. – Hinata chorava tanto que chegava a soluçar. – Quando acordei, estava em um grande salão, com oito grandes lâmpadas no teto. Os dois Hyuugas estavam amarrados ao meu lado, só que no chão. Eu estava amarrada em uma cadeira, com mãos nos encostos e pés nos pés da cadeira. Naruto-kun espancou-me até eu desmaiar novamente. – Todos estavam chocados com as palavras da Hyuuga. Não é como se ela fosse mentir, pois todos sabiam de como a garota era, porém, Naruto, que nunca fez mal a nenhum de seus amigos, ter espancado a garota que amava era uma coisa totalmente inacreditável. – Acordei novamente ouvindo uma conversa que estava tendo com o Daymio-sama. Eu não conseguia ouvir nada corretamente, ainda estava atordoada e sentia muita dor. Após um tempo de conversa deles, apenas vi Naruto-kun cair no chão com selos brilhando no peito dele e Daymio-sama me socorreu. – Hinata estava em um choro angustiante, que fez todos que a conheciam ficar tristes também.
– Madoka: ISSO É MENTIRA! – A garota gritou de onde estava ao lado dos outros amigos de Naruto. – Naruto-kun a amava e jamais faria isso com ela! Assim como também amava a Hokage! – Ela chorava. Conhecia muito bem Naruto para aceitar tudo aquilo com tranquilidade. – Não sei o que está havendo aqui neste julgamento, mas quem conhece Naruto-kun sabe que jamais ele faria uma coisa dessas!
A intervenção da Uchiha chamou a atenção de todos e assustou a quem não a conhecia. Não que não tivessem falado da mulher que Uzumaki Naruto tratava como namorada igual Hinata, mas a grande maioria jamais havia a visto e tampouco sonhavam a qual família ela pertencia. Mabui olhou para a garota que sentia provavelmente o mesmo que ela: Revolta. O depoimento de Hiashi jamais poderia convencer os amigos e quem realmente conhecia Naruto. Até mesmo porque todos que participavam da vida íntima de Naruto sabiam que Hiashi jamais gostou do rapaz. Mas o depoimento de Hinata esfriou os corações de muitos. Havia algo de errado. Não era possível que Naruto chegaria a tanto.
– Daymio: E quem é você para interromper esse julgamento com tanta insolência? – Ele perguntou irritado.
– Madoka: Eu sou Uchiha Madoka! – A garota estufou o peito para falar aquilo. Novamente a confusão se instalou. Quem estava perto de Madoka arregalou os olhos em sua direção. Era inacreditável que houvesse outro Uchiha vivo além de Sasuke. Mabui sentiu a vista ficar turva e o coração apertar. Então era ela a tão falada Madoka?
– Daymio: OH... Uchiha? Faça-me o favor! Não existem mais Uchihas viv... – Parou a frase pela metade ao olhar para a garota e ver o temido Sharingan ativo. Kamuro calou-se, perdido em seus pensamentos. Rapidamente formou um plano. Se ela era realmente uma Uchiha, ele sabia muito bem o que fazer com ela. – Prendam-na agora! – Falou para os ANBU que ficavam ao seu lado. Eram oito no total.
– Madoka: O quê? – A garota surpreendeu-se por estar sendo presa sem fazer nada. – Porque estou sendo presa?
– Daymio: Uchiha Sasuke é um nukenin nível S, e você é a única mulher com quem ele pode recriar o clã Uchiha com sangue puro. Não daremos essa chance a ele. – Falou friamente.
Mabui sentiu o clima mudar em todo o salão. Tinha a respiração ofegante apesar de estar sentada e calada todo o tempo. Um aperto no peito lhe fazia tremer e respirar com dificuldade. Tudo ali indicava um final trágico e Naruto parecia não se importar de onde estava. A garota viu um homem aproximar-me da Uchiha e ela se acalmar para logo após ser levada pelos guardas.
– Daymio: Continue! – Falou olhando para o acusador.
– Acusador: Chamaremos agor... – Foi interrompido.
– Naruto: AHHHHHHHHHH! Eu já cansei disso! – Levantou-se de sua cadeira, surpreendendo a todos. – Terminem logo com isso! Eu sou o culpado por todos os crimes. Eu os matei. Eu fiz tudo o que eles falaram. Sabe por quê? – Naruto virou-se para a plateia e olhou diretamente para seus amigos. – Porque eu odeio a todos vocês! Desde pequeno, apenas criança, que todos vocês me repudiam e me humilham. Eu era tratado como lixo e escória e jurei a mim mesmo me tornar Hokage para provar o contrário. Para provar que eu era mais forte que vocês e não o lixo que vocês pensavam. Eu assumo todos os meus crimes. Depois de ficar forte e derrotar Pain, todos vieram me venerar, apenas porque me tornei forte. Como não me tornariam Hokage agora, eu resolvi adiantar as coisas tirando alguns lixos do caminho. – Ele gargalhou, mas logo voltou a seriedade. – Vocês são os verdadeiros lixos. Vocês são a verdadeira escória! Isso servirá para cortar meus laços, assim como Sasuke fez, e agora estou livre para matar qualquer um de vocês na hora que eu sair desta cadeia. – O olhar assassino para todos eles era assustador. Os amigos de Naruto, incluindo Sakura, estavam tremendo de medo.
– Daymio: Como todos estão vendo... O réu assume o crime. Uzumaki Naruto está condenado a pena de morte após dois anos de reclusão!
Primeiro o silêncio total. Dez segundos depois o salão explodiu. Praticamente todos que estavam ali levantaram para apoiar a decisão. Naruto era amado por todos, mas as provas indicavam que ele havia realmente cometido tais crimes, e ainda por cima agora assumia tudo. Houve xingamentos e pragas para ele, que se mantinha neutro com tudo.
Sakura e Shizune que ainda estavam em transe das palavras de Naruto, ouviram o mesmo confessar que havia matado a Hokage. Aquele era Naruto, não havia truques. Uma raiva imensurável tomou conta de todos, mas as duas garotas não apenas tinham raiva. Elas agora odiavam Naruto com todas as forças.
– Daymio: Levem-no para a Torre Shukumi. – O Daymio foi ovacionado. Todos ali presentes conheciam a fama da Torre Shukumi. Era uma prisão para Shinobis Rank S, que ficava no Norte do País do Fogo. Somente os mais poderosos nukenins eram confinados ali e era totalmente impossível fugir do local.
Naruto saiu novamente escoltado e Madoka, que ainda não havia sido levada dali por causa da confusão, estava afundada em prantos, escandalosamente. A menina se mexia e tentava se soltar para ir até onde Naruto estava, mas os ANBUS já haviam prendido a garota com cordas seladoras de chakra. Ela só podia chorar naquele momento.
A ideia dos Kages foi por água abaixo. Naruto havia confessado o crime e não havia argumentos contra aquilo. Gaara e Mei ainda estavam com um pé atrás em toda aquela história, já Oonoki e A odiavam Naruto de coração. Foi impossível achar provas concretas que inocentassem Naruto, então haviam planejado dar o voto de confiança de suas aldeias, como forma de acordo para soltarem Naruto, porém agora não havia mais essa possibilidade.
Todos se retiraram dali xingando Naruto e espalhando o acontecido. Rapidamente a notícia se espalhou em todo o mundo shinobi e a mídia começou a afundar ainda mais a imagem de Naruto em todo lugar. O amor e devoto que antes existia abria lugar para ódio e nojo. Haviam confiando em Naruto, o idolatrando e tudo que o rapaz queria era o posto de Hokage para vingar-se do seu povo.
Dava para contar nos dedos as pessoas que ainda acreditavam que a história era uma armação, mas não compartilhavam suas opiniões com a raivosa população. Apenas mantinham para si mesmo todo o sofrimento que possuíam. Madoka foi levada para a prisão de Konoha e jogada de qualquer maneira lá. Ainda não haviam a acusado oficialmente, mas nada mais importava para ela, uma vez que Naruto já não poderia estar presente.
Mabui estava em uma espécie de outra dimensão. Tudo que via era um vulto enquanto tinha os olhos arregalados e a boca levemente entreaberta. Não conseguia pensar corretamente. Iniciava um raciocínio, mas tudo parava nas palavras de Naruto diante de todos e ali morria, não conseguindo chegar a lugar algum. Sentia o Raikage borbulhar ao seu lado mas não se importou até o momento em que o mesmo levantou bruscamente fazendo sua aura ressoar próxima a todos. Estava tremendamente irado.
– Kira A: Vamos embora! – Falou com a voz trêmula tamanha a raiva do momento. Queria pôr Konoha a baixo enquanto não conseguisse quebrar o pescoço de Naruto, mas infelizmente não poderia fazer isso, e, embora fosse demorar, Naruto morreria. – Levantou-se e saiu caminhando apressadamente, fazendo seus passos tremerem o chão.
Todos ali estavam surpresos, e com a exceção de Gaara, que já conhecia Naruto desde os tempos de Gennin, todos turbinaram um sentimento opressor para o rapaz. Os crimes eram hediondos e as provas eram incontestáveis. Praticamente todos no júri eram shinobis, e conseguiam discernir que o chakra pertencia ao Naruto, assim como a forma de agir e pequenos cestos característicos dele. E isso era o mais assustador. Definitivamente ali era Naruto assumindo a responsabilidade pelos crimes cujas provas eram incontestáveis.
Kira A virou toda a amizade e reconhecimento por Naruto para ódio. Além de ter confiado erroneamente no rapaz, ele havia roubado a coisa mais importante de Killer Bee: Hachibi. Ele podia não demonstrar, mas tinha carinho pelo irmão e por Mabui, dentre outros, e saber que aquilo destroçaria Bee provavelmente pelo resto da vida o fazia querer matar Naruto ali, com as próprias mãos, porém não poderia fazer isso e destruir toda a aliança que havia sido formada durante a guerra.
Mabui levantou-se um pouco após o Raikage se retirar e saiu do local a passos lentos e com uma mão no coração. Então era essa a verdadeira essência de Naruto? As lágrimas começaram a cair quando finalmente a moça permitiu que seu cérebro raciocinasse corretamente e entendesse a gravidade do acontecido. Naruto agora teria sua imagem voltada totalmente para a desgraça e ela estava grávida dele. O perigo que ela e aquela criança corriam eram tremendos. O primeiro motivo seria simplesmente ele ser filho de Naruto. Lógico que era uma criança inocente, mas também seria tremendamente poderosa e por tal, visada como arma para qualquer organização criminosa que ainda existisse pelo mundo. Fora isso, o simples fato de o próprio Raikage passar a agora odiar a Naruto, como visivelmente demonstrava por sua aura e por Mabui o conhecer bem, a fazia saber também que ele poderia representar perigo mesmo que psicológico para a criança, já que mesmo em seu ventre ela já herdada os atributos de Naruto. E se nascesse parecida com ele? Seria horrível! Limpou as lágrimas que ainda restavam em seu rosto ao ver o Raikage andando rapidamente pela rua principal de Konoha que iria dar nos portões da vila, logo atrás vinha o time de guarda.
A viagem de volta foi em total silêncio para todos. Não houveram as pausas que tiveram na ida para Konoha e o ritmo era intenso. O Raikage definitivamente queria chegar o quanto antes em Kumo. Mabui estava a ponto de desmaiar de cansaço, cambaleando em meio aos pulos nas árvores, mas ninguém estava se importando com isso. Eles não eram egoístas, mas talvez tivessem cada um seu pensamento do recente acontecido. Ela não poderia culpa-los por isso. Como a viagem foi apressada, diminuiu um dia, levando quatro para voltarem. A notícia já havia chegado e Kumo estava um caos com a população shinobi e principalmente a civil. Jornais, revistas e meios de comunicação divulgavam notícias e relatórios de toda a vida de Naruto até o momento em que ele foi preso, e isso mastigava o coração de Mabui. Ele era o culpado, então porque ela não conseguia odiá-lo como muitos o faziam? Isso era óbvio até mesmo para ela, que tentava arrancar do coração aquele sentimento por um homem criminoso e que morreria em breve, com certeza sem saber da existência do filho. Ah, claro, o filho. Esse seria o motivo de ela não conseguir matar Naruto nem mesmo em seus pensamentos. Sabia, como shinobi, que seu filho teria gigantescas chances de herdar as características ninjas e físicas de Naruto pelo fato da linhagem Uzumaki, e isso a assustava.
– Mabui: Bom dia, Raikage-sama. – Cumprimentou gentilmente ao entrar na sala de Kira A, na manhã após a viagem. Notou que Killer Bee estava sentado de frente para Kira A, o que era anormal, já que ele vivia anotando seus raps de pé e rodando de um lado para o outro.
– Kira A: Bom dia. – Respondeu secamente, porém sem trata-la com desrespeito. – Estão aqui os relatórios da missão do Bee. – Entregou um bolo de papeis para ela, que se retirou, mas a curiosidade bateu mais alto e ela ficou perto da porta para ouvir o que tratavam. Não era seu costume fazer isso, mas dadas as circunstâncias daquela conversa, aquilo poderia decidir seu futuro de alguma maneira.
– Bee: Isso está errado! O Naruto jamais faria isso... – A voz parecia um pouco chorosa. – Como você pode acreditar nisso?
– Kira A: Eu vi com meus próprios olhos, assim como todos que assistiam. Ele assumiu os crimes e não havia truques. Bee... Ele merece morrer e ter tudo sobre seu nome apagado. Se aquele garoto assumisse o poder sobre Konoha o mundo viraria um caos com o poder dele para destruir o que quisesse... – Tinha a voz arrastada e triste, tentando explicar e consolar Bee ao mesmo tempo.
– Bee: E o que você quer que eu faça? Eu já não tenho mais o Hachi-chan... – A voz era baixa e triste apenas de se ouvir. Parecia ter falado a si mesmo. – Me dói saber que abri mão dele confiando em uma pessoa que não devia e que com certeza está fazendo ele sofrer indo por caminhos que ele não gostava...
– Kira A: E você quer deixar isso quieto? – Aproveitando da fragilidade emocional do irmão, Kira A tentava convencê-lo a tomar alguma atitude contra Naruto.
– Bee: Como assim deixar quieto? Eu não tenho interesse em vingança, eu apenas quero meu amigo de volta! – Começava a se alterar e sua voz ficava mais rígida e firme. Estava dando certo para o Raikage.
– Kira A: Não é vingança, Bee! É Justiça! Não é justo que ele seja morto nas mãos de Konoha quando fez tão mal para nós também! – Bateu a mão na mesa, fazendo Bee se concentrar apenas nele. – Não podemos deixar os outros fazerem o que nós devemos fazer. Vamos mata-lo quando ele estiver sendo transferido para Konoha no final dos dois anos de detenção... – Mabui não escutou a conclusão daquilo, pois seus instintos maternos a faziam querer ir para o outro lado do mundo, mantendo assim a segurança de seu filho. Não haviam mais dúvidas. Todo aquele ódio direcionado a Naruto poderia vir para seu filho de alguma forma. Teria que ir embora.
Voou ainda em pânico para sua casa e arrumou rapidamente uma bolsa shinobi de viagem. Colocou mantimentos para alguns dias e algumas mudas de roupas. Iria sair do País do Trovão o mais rápido possível e se esconder em alguma pequena vila. Iria para o País do Chá, que fazia fronteira com o país do Fogo, mas do outro lado do mar.
E assim foi feito. Mabui sumiu de Kumo no mesmo dia. O Raikage apenas percebeu a ausência definitiva da mulher no outro dia, já que como secretária dele, ela poderia ficar por horas fora do escritório resolvendo pendencias, mas de forma alguma deixaria de comparecer no primeiro horário da manhã. Ordenou alguns ANBUS que a procurassem por toda a vila e duas horas depois os oito shinobis estavam de volta.
– ANBU: Ela não está na vila, Raikage-sama. – Falou ajoelhado e respeitosamente. Kira A levantou-se de sua mesa e virou as costas, olhando para a janela que havia em sua sala. – Os guardas dos portões afirmaram que a viram saindo ontem por volta das onze da manhã com uma bolsa shinobi para viagem longa. Como era sua secretária, não a interromperam ou questionaram. – Estava correto o ANBU. Assim como em Konoha, a secretária ou secretário do Kage possuía certos benefícios e um deles era ir e vir por qualquer lugar da vila sem ser interrompido, pois poderia estar cumprindo suas funções para o Kage. Kira A deixou sua irritação transbordar pelo corpo e já tendo quase certeza de que a sua pequena brincadeira dias antes era verdade. Mabui estava grávida, e o bebê era, com quase certeza, de Uzumaki Naruto. Eram coincidências demais, e apenas não chegou a aquela conclusão antes por achar um absurdo que Naruto tenha conseguido sair com Mabui, uma vez que a garota era osso duro de roer, tratando-se de tirá-la dos afazeres ou de casa. Com toda certeza o imbecil do Naruto jamais conseguiria chamar a atenção dela. E o motivo ainda maior era o romance entre o loiro e a Hyuuga. Ele era fiel demais para pular a cerca. Pois é! Mas o Raikage havia errado monstruosamente ao pensar isso.
– Kira A: Formem onze times de três shinobis e mandem uma equipe para cada país: País da Neve, País do Pântano, País das Fontes Termais, País da Terra, País da Cachoeira, País dos Campos de Arroz, Antigo País do Redemoinho, País da Onda, País da Água e País do Fogo. Não quero que nenhuma equipe volte sem ter notícias de Shiina Mabui. Quero relatórios a cada três dias e se por acaso não tiverem pistas nos países citados, espalhem-se pelos próximos países até não sobrar nada... Tomem cuidado para que duas esquipes não ocupem o mesmo país se ainda tiverem outros a serem investigados. – A voz era firme e imponente. Kira A sentiu que todos eles já haviam sumido e virou-se novamente para sua mesa e sentou. – Se eu não tenho mais bijuus, vou criar outro monstro como arma... – Falou friamente para si mesmo.
↨ Nove Meses Depois.
Todo aquele tempo sem notícias concretas. Os relatórios indicavam pistas e rotas, mas nada haviam achado até agora depois de vasculhar o mundo quase todo. Mabui não tinha muitas qualidades como shinobi no quesito força, mas era esperta e escorregadia quanto a se esconder e falsificar suas pistas. Felizmente os últimos relatórios da equipe oito estavam ficando cada vez mais objetivos. O cerco estava fechando e Mabui, muito mais lenta agora, estava dentro dele.
– ANBU: Raikage-sama! Eles a encontraram! – Kira A tirou os olhos do relatório enviado dois dias atrás e levantou-se bruscamente de sua cadeira, arregalando os olhos. – Chegarão aqui em dez dias.
– Kira A: Porque toda essa demora? A viagem da Ilha Taro até aqui dura no máximo cinco dias! – Mabui havia os feito de idiotas durante todo aquele tempo, dançando por estre os países e os fazendo andarem em círculos, porém nos últimos três meses ela estava extremamente lenta com sua movimentação, e no último quase sem movimentos. Isso batia com a data de nascimento da criança, e por tal, o motivo da mesma não conseguir fugir. Escapar de bons ANBUS velozes quando se tem um bebê para proteger não é bem uma coisa fácil.
– ANBU: Ela foi encontrada na Ilha Nagi, do outro lado do País do Mar. Isso aumenta em dois dias a viagem e contando os cuidados para com a criança resultaremos em dez dias. – Kira A sentou-se me em sua cadeira e pensou. O ANBU não estava errado. Era necessário ter os cuidados com a criança.
– Kira A: Enviem a mensagem informado que já estou ciente e que tomem as devidas providencias para a saúde de Mabui e da criança. – Falou calmo e o ninja saiu rapidamente.
Não era intensão dele prejudicar a Mabui, até por que como citado antes, gostava da moça. Sabia que ela tinha caráter e sabia também o motivo da mesma ter fugido, mas não havia alternativa. Uma criança como filha de Naruto deveria ter treinamentos intensos e pagando pelos pecados do pai, seria o novo bijuu de Kumogakure. Isso se herdasse as características do pai, claro.
↨
– Nami: Bem-vinda de volta, Mabui-chan! – Falou alegremente a garota de quinze anos com um bebê de dois meses no colo. – Minato-kun está com saudades! – Falou olhando para o lindo bebê que segurava. Ele mexia os braços agitados em direção a sua mãe. Parecia extremamente feliz em vê-la.
– Mabui: A feira hoje estava uma bagunça... – Tomou o bebê nos braços e esfregou a bochecha rosada contra a sua, tremendo em vontades de apertá-lo e mordê-lo tamanha fofura daqueles agitados e brilhantes olhinhos azuis.
Não havia sido fácil. Tinha rodado o mundo todo fugindo dos ANBUS de Kumo. Desviava pistas, criava falsas e espalhava notícias mentirosas por onde passava a fim de despistá-los. Cinco meses atrás havia passado pela Ilha Nagi, onde havia encontrado uma família humilde de vendedores de verduras. A mãe de Nami cuidava da organização da pequena plantação, enquanto o pai vivia no mundo vendendo os produtos colhidos. Mabui conseguiu entrar na intimidade da família alegando ter sido expulsa de casa por seu pai, que ficou revoltado ao descobrir que a moça havia engravidado e o pai da criança havia desaparecido. Não queria, mas era necessário mentir para que pudesse ter chances de ser acolhida. Não conseguiria trabalhar normalmente estando grávida e muito menos pagar aluguel e cuidar de si mesma naquele período tão complicado. Aquela família a acolheu, cuidou dela nos momentos críticos e ofereceu-lhe um pequeno emprego de vendedora das verduras na feira local. Tinha muito carinho por eles.
Havia passado apenas um mês no local e se viu obrigada a fugir repentinamente quando a equipe ANBU conseguiu pistas dela no local. Driblou os ANBU, fazendo-os ir na direção contrária da qual ela havia tomado direção. Porém, quando o período de gestação havia chegado ao final, não havia outro lugar para ir a não ser novamente para a Ilha Nagi, pedir ajuda a seus amigos, que novamente a acolheram carinhosamente.
Havia tido um parto complicado e por pouco não deixou seu filho solto ao mundo, mas tudo havia dado certo no final. Tinha feito a melhor escolha de sua vida ao fugir de Kumo temendo seu filho sair parecido fisicamente com Naruto, pois a criança era praticamente uma xerox do tão odiado herói de guerra. Possuía os olhos tremendamente azuis, cabelos loiros e rebeldes como o sol, e, para completar, os bigodes felinos que o dito cujo possuía. Era pura sorte que estivesse ali nos confins do mundo shinobi, onde ninguém sabia as características físicas de Naruto, pois do contrário não havia argumentos para negar a paternidade vinda do rapaz.
Como jamais voltaria a ver Naruto e a amargura ainda apertava seu coração, não viu alternativa a não ser dar mais lembranças de Naruto ao garoto. Havia escolhido o nome Minato para corresponder ao restante de honra que Naruto tinha e também para que o garoto pudesse dar segmento para aquele tão honrado nome e legado. Aquela criança era tudo que havia restado do Yondaime Hokage e Uzumaki Naruto. O neto de Namikaze Minato e filho de Uzumaki Naruto, Uzumaki Minato. Mas é lógico que ninguém sabia do verdadeiro sobrenome da criança.
Já se faziam três meses que estava na Ilha Nagi. Estava na hora de, infelizmente, ir embora novamente. Era muito tempo para ficar parada e suas estratégias de despiste dos ANBUS já estavam escassas. Não demorariam a encontrá-la se continuasse relaxada daquela maneira. Havia conseguido juntar um pouco de dinheiro com seu trabalho, já que não cobravam dela nenhuma taxa de mantimentos ou aluguel, fazendo com que o pouco que ela ganhasse não fosse gasto com nada a não ser alguns produtos básicos para o bebê e para ela.
– Nami: Está com fome? – Perguntou calmamente a garota, indo para cozinha enquanto via Mabui entrar em seu pequeno, mas confortável quarto.
– Mabui: Um pouco... – Falou um pouco mais alto, de dentro do quarto. – Vou tomar um banho e saio para jantar...
– Nami: Haaaaaaaaaaaaaaai! – Animada como sempre, Nami gritou divertida.
Mabui entrou no humilde quartinho e pôs Minato na cama. O pequeno bebê era tão parecido com Naruto que às vezes chegava a assustar a sua bela mãe. Embora não possuísse consciência, a criança era agitada e hora ou outra dava ataques de birra e colapsos de risos bobos apenas de olhar sua mãe. Tinha um olhar profundo e brilhante. Mabui não podia negar imensas saudades de Naruto ao vê-lo.
– Mabui: Tão lindo! – Disse com as bochechas coradas e um sorriso orgulhoso de seu bebê. Deu uma carinhosa mordida nas bochechas vermelhinhas do loirinho e logo após esfregou a sua bochecha onde havia mordido. Queria apenas apertá-lo contra si até virar um só. Ria ao pensar em tal coisa, mas era quase impossível resistir à vontade de colar no garotinho o dia todo. Amor era uma coisa que jamais iria faltar dela para ele. – Fica quietinho que a mamãe vai tomar banho! – Despiu-se e pôs uma toalha nos ombros, entrando para o banheiro do quarto e deixando o garotinho brincando com alguns objetos em cima da cama.
Sentiu a água morna descer por seu corpo e seus músculos relaxarem. Sabia que estava sendo imprudente em não sair dali o mais rápido possível, mas imaginar a correria que seria com aquele bebê lhe fazia ignorar seus avisos instintivos e suas vontades. Não faria mal passar mais uns dois dias, uma vez que sabia exatamente como Kumo se movia e como haviam feito nas buscas por ela. Havia distribuído novas pistas que consistiam em boatos criados que logo se espalhavam na boca do povo e acabavam por cair na rede dos ANBUS que a perseguiam. Lógico que não havia total credibilidade para eles, mas um simples cidadão não havia porque mentir quanto a ver uma jovem com as mesmas características da procurada em viagem com alguma caravana ou embarcação. Seria coincidência demais para ser ignorado.
– ANBU: Shiina Mabui-san? – Uma voz grossa porém calma se fez presente dentro do banheiro. Felizmente o mesmo era dividido por um boxer que o impedia de ver detalhes do belo corpo da mulher. O vidro naturalmente embaçava a visão e o calor da água condensava ainda mais a imagem, embora fosse possível saber o tamanho dos seios, por exemplo. Mabui gelou e sentiu um calafrio lhe percorrer dos pés à cabeça. Sua mente ficou em branco e o ANBU prosseguiu. – Temo que sim. Estou sob ordem do Yondaime Raikage-sama. Estamos aqui para escolta-la de volta para Kumogakure.
– Mabui: E se eu recusar? – Já mais calma, procurava uma forma de sair daquela situação, embora soubesse que estava definitivamente enrascada. Havia sido imprudente e de certa forma ingênua ao não notar as mudanças do estilo da busca e também não ter percebido a movimentação de chakra do agente. Pagaria o preço agora.
– ANBU: Você não está em condições de recusar... – O ANBU se retirou do banheiro para dar liberdade para a moça sair do banho e se vestir. Embora Mabui estivesse bastante nervosa e irremediavelmente transtornada, sabia que seria inútil ir contra o ANBU. Suas habilidades eram voltadas para serviços de inteligência e não de combate. Embora seu nível fosse Jounnin médio, não poderia lutar contra qualquer ANBU, e mesmo que estivesse disposta a isso, não poderia arriscar a segurança de seu filho.
– Mabui: Porque um Nukenin como eu está sendo tratado tão bem? – Já sabia da meia resposta, mas adoraria encontrar mais fragmentos da verdade e por fim entender a sua real situação.
– ANBU: O Raikage-sama não lhe deseja mal algum, tampouco para seu filho. – O ANBU estava sentando na cama e movimentava um brinquedo que era seguido pelos pequenos braços e olhos azuis de Minato. – Apenas queremos que volte para Kumo e explique o porquê de suas ações. Temos um código de honra e jamais iríamos ferir uma criança e muito menos matar a mãe e deixa-lo sem ninguém. Ao menos que você queira reagir, o que eu acredito que não acontecerá.
Mabui analisou um pouco aquela situação. Ela era ciente de que Kira A tinha carinho por ela antes, mas imaginava que ele pudesse estar irado com o que ela havia feito e pudesse desejar sua morte. Aparentemente não era isso que ele tinha em mente. Olhou adiante e percebeu também que aquele ANBU não tinha más intensões para com ela, uma vez que até mesmo sorria para a criança feliz que brincava na cama.
– Mabui: Fizeram alguma coisa com Nami-chan? – Perguntou de súbito, lembrando-se da bela garota.
– ANBU: Tenho mais dois colegas nos esperando lá fora. A garota nem mesmo sabe que estamos aqui. – Falou tranquilamente. – Pode se despedir dela, mas não demore. Estaremos aguardando. – Sumiu em fumaça.
Mabui respirou fundo e sentou-se na cama vendo o garoto olhar curioso para a fumaça que havia tomado de conta ao seu redor. Riu carinhosa para ele e passou o polegar na bochecha rosada, vendo o loirinho virar o rosto e tentar morder seu dedo. Riu ainda mais e não impediu as lágrimas de descerem naquele momento. Havia batalhado tanto para fugir e no fim não havia conseguido. Apenas Kami poderia saber agora as intensões do Raikage para seu filho, uma vez que era extremamente anormal alguém ser perseguida por nove meses e no fim ser descoberta daquela maneira incrivelmente calma e cheia de regalias.
Colocou uma roupa shinobi que ainda restava em suas coisas e arrumou também a seu filho. Pôs suas poucas coisas em uma mochila para viagem e selou alguns objetos em pergaminhos. Despedir-se de Nami foi a parte mais difícil, uma vez que a animada e dócil garota era tão apegada a ela e a Minato.
– Mabui: Eu venho lhe visitar depois, Nami-chan. – Com os olhos marejados, Mabui mentia para sustentar seus devaneios. Claro que adoraria vê-la novamente, mas sabia que seria praticamente impossível. Já estavam na porta da residência e Nami limpava as lágrimas.
– Nami: Eu vou esperar por esse dia, Mabui-chan! – Um último sorriso contagiante formou-se na boca da garota e Mabui virou-se de uma vez, dando as costas para a residência e para a adorável família que havia lhe acolhido tão bem. Teriam espaço em seu coração por toda a eternidade.
– Mabui: Como me encontraram? – Perguntou andando mais à frente dos três ANBUS.
– ANBU: Acredito que sua falha foi não notar que o cerco estava fechando aos poucos. Procuramos você a exatos nove meses. Você por acaso imaginou que existiam onze times de três agentes buscando por você durante todo esse tempo? – Perguntou com um sorriso escondido por trás da máscara. Viu Mabui olhar surpresa para trás e virar-se novamente.
A viagem se deu normal e confortável para Mabui e seu querido filho. Parecia até mesmo que estavam escoltando uma pessoa da alta classe social tamanho os cuidados tomados para a segurança e comodidade dela. Não poderia estar mais grata a Kami por estarem sendo compreensivos e não rudes com ela. Os dez dias se passaram e logo estava diante da imponente porta da sala do Raikage.
– ANBU: Shiina Mabui e seu filho estão entregues a sua custódia, Raikage-sama. – Kira A virou-se da janela para frente e pôde então rever o rosto sério e um pouco mais maduro de Mabui. Embora o tempo não tivesse sido longo desde sua fuga, a experiência daqueles momentos lhe conferiram uma aparência mais madura e forte. Talvez o sentimento de proteção à sua cria lhe ajudasse com isso.
– Kira A: Muito bom trabalho! Podem se retirar! – Disse calmamente e sentou-se em sua mesa, indicando para Mabui sentar-se logo adiante. Os ANBUS colocaram os poucos pertences de Mabui em um lado da sala e saíram. A garota sentou-se na cadeira de frente para o Raikage com seu filho enrolado em um pano. A criança parecia dormir confortavelmente nos braços de sua mãe. – Perguntas?
– Mabui: Muitas. – Declarou de imediato. – O que pretende comigo e com meu filho? Porque tanta insistência de uma busca por uma shinobi de nível Jounnin médio?
– Kira A: Além de nukenin, você era minha secretária. Não poderia permitir que você saísse pelo mundo portanto tantas informações importantes sobre nossa vila. – Colocou uma mão sobre a mesa e olhou para criança, vendo Mabui puxá-la mais para si, buscando segurança. – Permita-me vê-lo. Já ficou claro que se eu quisesse mal para um dos dois a situação seria completamente diferente. – E era verdade. O Raikage claramente não desejava mal para ela e seu filho. Mesmo assim, um pouco receosa, entregou o pequeno bebê para Kira A. O homem puxou um pouco o pano do rosto da criança de forma que as luzes da janela o atingissem o rosto, fazendo o mesmo acordar e abrir as pequenas safiras para encarar aquele homem estranho e meio bruto. O choro logo veio alarmante e fez o Raikage gargalhar profundamente. – Tem o mesmo rosto idiota do pai! – Ainda gargalhando, fez Mabui sorrir levemente também. – Eu sinceramente imaginei que seria necessário fazer algum exame para confirmar a paternidade, mas por Kami, é como se tivessem melado Naruto de tinta e o colado em um papel. É uma xerox! – Ainda rindo, devolveu o bebê para sua mãe, vendo o mesmo se acalmar no mesmo instante ao sentir o toque sensível e carinhoso.
– Mabui: Ainda não respondeu o principal... – Olhou calma para o Raikage e viu o mesmo suspirar. A conversa começaria a ficar complexa partindo dali.
– Kira A: Você sabe que sempre gostei de você, Mabui. Mas infelizmente meu objetivo não era somente ter você de volta para nossa vila. – Mabui arregalou um pouco os olhos e antes que pudesse emitir algum som o Raikage continuou. – Permita-me concluir. – Viu Mabui olhar novamente para o filho e marejar os olhos. Kira A não podia negar que aquela cena o machucava um pouco. Ver uma mãe temer por seu filho sempre atingia o mais forte dos homens. – Essa criança será um shinobi de Kumo. Receberá um treinamento intenso e será tão ou mais forte quanto o pai. Esse será o preço dos pecados praticados por ele, já que o mesmo não pode pagá-los apenas com a morte. Não privarei você de um contato íntimo com ele. Poderão viver uma vida normal, mas com a diferença de que ele sofrerá bastante com treinamentos extremamente pesados. Ele se transformará na nova arma de Kumogakure. – Disse tudo de uma vez e Mabui apertou o filho contra si. Ela não era ignorante e já imaginava algo do gênero, e com toda sinceridade, esperava algo muito pior. – Fica a seu critério revelar ou não a identidade do pai ou até mesmo contar-lhe a história do mesmo. É apenas isso que desejo para esta criança. E, a propósito, você está livre de serviços shinobis, porém receberá o salário de secretária tal qual antes recebia. Quero seu foco total na criação deste garoto. Esta também é sua chance de pagar seus erros para com a vila. Entenda isso... – Concluiu com um olhar calmo e acolhedor. Mabui suspirou e meneou a cabeça afirmativamente. As propostas eram tentadoras e o ponto negativo era apenas o filho sofrer bastante em sua formação shinobi, porém até mesmo isso pareceria com seu pai, uma vez que o mesmo sofreu bastante para alcançar o título de shinobi mais forte do mundo.
E assim foi feito. Mabui teve liberdade suficiente para uma vida normal a exceção da extrema vigilância fora de usa residência, que por incrível que pareça, havia sido mantida no mesmo estado de antes. Nada havia mudado ou sumido. O combinado era Minato iniciar seus treinamentos quando fizesse três anos, idade em que já começa a entender ordens e ter vontades também, embora não focadas em ficar mais forte. Mabui cuidou de seu bebê e ignorou completamente que seu pai ainda estivesse vivo, afinal, não demoraria para não estar mais. Pensar nisso apenas a fazia sofrer e prever o sofrimento do filho. Porém a água virou vinho em uma manhã qualquer, ao menos era o que pensava Mabui, sem imaginar a tragédia, entre aspas, que iria acabar com o conforto que sua vida levava.
– Mabui: Mas o que é isso? – Perguntou irritada ao ver o Raikage entrado abruptamente em sua residência e jogar um jornal em sua cara.
– Kira A: Leia! – Praticamente gritou tamanha irritação. Fazia muito tempo desde que Mabui o havia visto tão irritado.
A mulher abriu o jornal e suas vistas ficaram turvas. Sentou-se no sofá de sua sala e agradeceu por ele estar ali, pois do contrário ela iria ao chão. Sentiu seu corpo esfriar e andou muito próximo de desmaiar. Respirou por alguns minutos e novamente pôs os olhos no jornal. Tinha a respiração descompassada, os olhos trêmulos e a boca entreaberta. Não poderia ser real o que estava estampado na capa.
Naruto havia conseguido fugir da Torre Shukumi, uma coisa impossível até então, e além disso havia ido a Konoha e praticamente destruído parte da vila. Ele definitivamente estava provando ser tudo o que haviam o acusado e acabando de vez com qualquer dúvida que pudesse existir nos corações como o de Mabui, por exemplo, que alimentava uma fina linha de esperança de que o jovem pudesse ser inocente daquelas horrendas acusações. Havia errado completamente. O velho Naruto que a havia conquistado com seu jeito espalhafatoso e brilhante havia sumido.
– Kira A: Mudanças de plano! – Declarou bravamente e pegou bruscamente no pulso de Mabui, arrastando a mulher para o quarto da mesma. Mabui sentiu o pulso praticamente deslocar e nem com seus gritos de dor e desespero o Raikage voltou a si. Kira A jogou a mulher dentro do quarto e ela caiu bruscamente por sobre a cama, acordando a criança que dormia sobre ela. – Pegue seu filho e junte algumas coisas. Você irá novamente mudar de casa.
– Mabui: O que pensa que está fazendo? – Urrou para ele, sentindo uma extrema necessidade de proteger seu filho. Porém a única coisa que viu a seguir foi um borrão e logo após sentiu o rosto arder intensamente por vítima de um tapa com as costas da gigante mão do Raikage.
– Kira A: Ainda não percebeu que não estou no meu melhor dia? – Arregalou os olhos de maneira que causasse medo na garota e ela não viu alternativa a não ser obedecer a ordem dada.
Saíram os três, Raikage, Mabui e Minato, após uma hora de organização. O Raikage desfilou pela vila por dez minutos e logo chegaram ao prédio Kage. Porém ao contrário do que Mabui imaginava, Kira A desceu os andares em direção ao calabouço. Nesse instante ela congelou enquanto finalmente notava as intensões dele.
– Kira A: Não posso correr o risco dele descobrir que teve um filho com você. Você ficará presa aqui com seu filho até ele adquirir idade para o treinamento. Talvez ele consiga derrotar o pai com os devidos treinamentos e ensinamentos que pretendo lhe aplicar. – Dois guardas arrastaram Mabui para dentro de uma cela e logo tudo ficou escuro.
O tempo passou e Mabui se viu em uma situação desesperadora, apesar de estar sendo bem tratada naquela prisão. Estava sendo bem alimentada e não faltava nada a ela como ser humano ou como mulher. O mesmo para os acessórios de seu filho, como roupas novas que acompanhavam seu crescimento, e também, brinquedos. Nem mesmo parecia ser uma prisão. Porém logo chegou o terrível dia em que o garoto completaria três anos e o mesmo foi arrancado de seus braços para iniciar o terrível treinamento. Ele passava todo o dia fora, e quando finalmente voltava, sempre estava desacordado e com hematomas. Felizmente era bem acompanhado em todos os quesitos. Embora fosse criado como uma arma, nas intensões do Raikage, era tratado como uma joia. Mabui cuidou de ensinar ao filho o passado de seu pai e seu avô Yondaime Hokage. A criança amava muito sua mãe e entendia completamente o que era explicado. Embora as histórias sobre o grande Uzumaki Naruto lhe fizessem feliz e orgulhoso de seu pai, Mabui procurou esconder ao máximo que ele havia sido um traidor no final e que estava por aí tentando dominar o mundo, fazendo com que ele imaginasse que seu pai tivesse fugido e não soubesse de sua existência. Mabui poderia ser sincera sobre isso com o garoto, pois o mesmo sempre se mostrou demasiadamente esperto e entendedor, deixando-a segura de que poderia confiar a ele certos assuntos que poderiam ser complexos para as demais crianças. Aparentemente ele havia puxado a ela no quesito inteligência.
– Mabui: Parabéns, filhote! – Disse com os olhos marejados, enquanto esfregava sua bochecha na da criança.
– Minato: Obrigado, mamãe! – Com as bochechas coradas, o garoto tinha as pernas cruzadas em torno da mãe e os pequenos braços abraçavam o pescoço dela.
– Kira A: Parabéns ao moleque! – Apareceu por fora da cela que mais parecia um quarto de luxo a não ser pelas grades. Trazia um gigantesco bolo com o retrato de Minato desenhado à mão. Mabui sorriu com aquele desenho extremamente mal feito.
– Mabui: Mas que negócio é esse? – Apontou para o bolo com um bico. – Isso deveria ser o meu filho?
– Kira A: Fui eu que desenhei! – Disse irritado. – Bem... Diversões à parte, vim trazer também o presente. – Cruzou os braços e Minato sorriu de orelha à orelha, esperando ansiosamente. Porém o sorriso foi murchando igualmente o de sua mãe conforme o Raikage permanecia imóvel. – A partir de hoje vocês não terão mais contato um com o outro. – Segurou Minato sobre os ombros e passou para fora da cela, fechando-a logo após. O garoto estava atordoado e nem demonstrava reação.
– Mabui: O QUE ESTÁ FAZENDO? – Bradou socando as grades de forma desesperada para ter seu filho de volta sob suas asas.
– Kira A: Isso faz parte do treinamento. Ele deve ter os laços quebrados para então ser o que eu preciso. – Mentiu em parte, uma vez que Mabui ainda pensava que seu filho seria um shinobi arma, o que não estava há muito tempo nos planos do Raikage. Minato fazia hoje o aniversário de cinco anos e a esta altura Naruto já havia dominado Kirigakure. Os planos já eram outros há muito tempo, mas a garota não poderia saber e da mesma forma Minato. Ele seria uma isca e estava na hora de Mabui ficar desesperada para fugir dali e buscar ajuda. E para quem ela iria implorar? Kira A soltou um sorriso com o canto dos lábios enquanto saia dali escutando os berros desesperados de Mabui e o choro da criança em seus ombros.
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– Mabui: Foi isso que aconteceu desde então... – Terminava seu relato. Estava sentada em uma confortável poltrona na mansão do Imperador. Diante de si, em um confortável sofá, estavam Naruto e Hinata. O loiro mantinha um olhar direcionado para Mabui, mas sem foco algum. Hinata permanecia calada e sem expressão. Mei, Tsunade e Madoka estavam espalhadas pelas outras confortáveis poltronas da imensa sala da mansão.
Naruto estava sério, mas perplexo por dentro. Apenas imaginar que havia outro filho, um mais velho aliás, solto no mundo e sofrendo de alguma forma o deixava irado e havia demorado muito para se recompor desde a cena no escritório.
Madoka estava perplexa com aquela situação. Naruto havia traído Hinata quando ela não conhecia nenhum dos dois. Dava pra ver o quanto Hinata estava magoada e irritada simplesmente de olhar aquele olhar neutro dela. Hinata era uma garota que suportava muita coisa. Já havia aguentado muito da vida e também das burradas de Naruto, principalmente após o mesmo se tornar o herói. Primeiramente o fato de Naruto ter que traí-la logo após firmarem seu namoro. Depois disso, além de ser traída, teve que aturar os aborrecimentos de ter a Uchiha junto daquela relação. Depois disso a maratona de acontecimentos horrendos na vida dos dois. Logo após, Mei entrara ali. A olhos negros sabia muito que aquilo era o ápice e que Hinata já havia aguentado muito mais do que estava preparada. Era a gota d’água. Felizmente os dois ainda não haviam começado uma discussão sobre isso e a Uchiha temia pelo que viria a seguir. Sua conclusão era de que ignorar aquele acontecimento seria o melhor. Naruto era livre dela quando esteve com Mabui. A dificuldade era que Mabui havia engravidado. Madoka mordeu os lábios ao imaginar isso. Porém resolveu ignorar totalmente a situação. Era melhor ver no que daria a discussão de Hinata e Naruto para depois tomar uma decisão. Até porque não tinha muito o que exigir levando em consideração que nem mesmo deveria estar com Naruto se tivesse agido de maneira moralmente correta. Retirou-se da sala para deixá-los mais à vontade.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Se Madoka julgava não ter moral suficiente para se envolver na clara discussão entre Hinata e Naruto, que ainda estava por vir, ela muito Tsunade. Na verdade o sentimento como mãe prevalecia naquele momento. Ela queria, na verdade, poder sentar do lado de Naruto e puxá-lo para seus braços e deixa-lo descarregar as lágrimas que com certeza ele segurava bravamente. Lógico que jamais apoiaria ou passaria a mão na cabeça dele naquele momento, mas sabia que o jovem havia feito aquilo antes por algum motivo fútil. Era claro, até mesmo para Hinata, que ele não tinha outra intensão a não ser um pouco de prazer e que também havia sido influenciado pelo charme da linda moça. Ora, ele ainda possuía toda a sua ingenuidade naqueles tempos, juntamente com seu coração mole. A história que Mabui havia lhes contado ali com certeza ajudava a fixar a ideia de que ela não tinha a intensão de atrapalhar o relacionamento dos dois. Era realmente uma fatalidade que aquilo tivesse acontecido. Mas de qualquer forma havia. Viu Madoka se retirar e resolveu sair também. Ela era a última que deveria berrar com Naruto naquele momento complicado. Hinata era a verdadeira vítima de tudo e deveria enfrentar aquele momento com a força que sempre teve.
Mei estava surpresa. Nada mais, nada menos. Sabia que havia um trunfo para atrair Naruto até Kumo, mas jamais imaginou que pudesse ser algo daquela escala. Ela realmente gostava de Naruto, mas não era amor como as outras. Ela gostava do jeito gentil dele ser e como conseguia se transformar de um ponto a outro em apenas um piscar de olhos. Sua parte daquele plano era apenas ajudar seu pai a inserir um pouco de bom senso e juízo na cabeça daquele rapaz. Ele não seria machucado e não corria risco de vida, então estava tudo bem em compactuar com aquilo e ajudar a trazer o brilho bondoso que sempre o habitava antes. Acompanhou as outas duas e deixou Naruto, Mabui e Hinata a sós.
– Naruto: Como ele é? – Perguntou com um sorriso no cantos dos lábios. Hinata olhou com o canto dos olhos para ele apertou os pulsos. – Quero dizer...
– Mabui: Igual a você! – Tirou os olhos das próprias mãos e encarou as orbes azuladas à sua frente. Deu um sorriso angustiado. – Ele é um garoto alegre, empenhado e idiota igual a você durante aquela guerra. – Não pôde deixar de sorrir ao ver a face emburrada dele. Naruto fechou os olhos e suspirou. Os dois sentiam claramente a forma como Hinata oscilava seu chakra sem nem mesmo perceber. Ela era uma bomba relógio. Naruto recostou-se no sofá e suspirou novamente. Abriu os olhos e fitou uma nervosa Mabui.
– Naruto: Eu lhe agradeço por ter sido forte e o ter protegido. Agradeço também por ter me considerado a ponto de ter dado o nome do meu pai a ele. Estou realmente feliz por isso. – Curvou-se para a frente, pegando as mãos trêmulas de Mabui e segurando carinhosamente. – Eu não posso assumi-la como mulher, mas quero meu filho do meu lado. Irei buscá-lo em segurança e trazê-lo para cá. – Mabui olhou para as mãos de Naruto envolta às suas e fechou os olhos. Seria difícil manter contato com ele e seu filho sem esquecer o amor que sentiu por ele. Mas não poderia fazer nada quanto a isso. – Temos um quarto pronto para você. Por favor, fique à vontade.
– Mabui: Obrigada, Naruto! – Levantou-se e curvou-se para ele. – Eu sabia que poderia contar com você para salvá-lo! – Os olhos novamente marejaram e ela resolveu levantar-se logo e seguir seu caminho.
– Naruto: Podemos começar... – Levantou-se e sentou no outro sofá de frente para Hinata. A olhos perolados abriu os olhos e Naruto sentiu como se uma senbon perfurasse seu coração bem lentamente. Como era doloroso ver toda aquela mágoa e tristeza nos lindos olhos de sua esposa.
– Hinata: Eu não posso mais suportar! Todos temos limites, Naruto! E eu já estou no meu! Eu desisto...
↨ País da Terra. Esconderijo de Uchiha Madara.
Aqueles quatro anos haviam rendido bem. Depois de tanto viajar pelo mundo, finalmente havia concluído seu treinamento. Como havia sido difícil dominar aquele maldito Modo Sennin perfeito tal qual o de Hashirama. Voltou às pressas para o esconderijo ao receber de seus informantes a mais nova bomba em forma de notícia. Finalmente a guerra estava chegando e o exército de Iwa estava se preparando para partir pela manhã rumo a Kumo. O mundo novamente se juntaria para enfrentar um poderoso inimigo, mas não cabia mais a ele entrar nessa batalha. Pelo menos não no início dela. Para ele seria mais interessante esperar que um dos dois ganhasse para então poder enfrentar o lado vencedor que claramente estaria mais fraco. Chegou ao laboratório e pôde ver Orochimaru ainda examinando o corpo de Hagoromo. Ele havia sido muito útil, mas a partir de agora poderia ser uma pedra no sapato. Deveria ser eliminado.
– Orochimaru: Oh... Madara? – Sorriu sadicamente para o Uchiha que acabara de entrar. – Como foi o seu tour?
– Madara: Magnífico! O Modo Sennin das Águias é tão bom quanto o de Hashirama... – Sorriu para Orochimaru. – Bom trabalho ao longo de todo esse tempo... Eu deveria lhe agradecer de maneira digna.
– Orochimaru: Não se preocupe com isso... Apenas me traga Uzumaki Naruto. Pode ser até mesmo morto... – Passou por Madara enquanto rumava a saída do laboratório.
– Madara: Eu insisto! – Sorriu sadicamente e fez um conjunto de selos. Correntes saíram de seu Rinnegan e se agarraram a Orochimaru. O Sannin gritou quando as mesmas forma preenchidas por Katon e começaram a queimá-lo.
– Orochimaru: Seu desgraçado! – Bradou irritado e desesperado pela dor. – Maldito! Eu jamais deveria ter confiado em suas palavras! – Falou com dificuldade devido ao seu estado carbonizado.
– Madara: Um verdadeiro príncipe tem que saber mexer seus peões. Eu sei bem quando sacrificar uma peça importante... – Disse para as cinzas presas pelas correntes, puxando-as novamente para seu Rinnegan.
– Sasuke: Bom trabalho! Isso me poupa bastante tempo e esforço! – Gargalhou também na entrada do laboratório. Madara gelou por completo. Como diabos não havia percebido a chegada de Sasuke? Espera! Porque não conseguia senti-lo mesmo diante dele? Sasuke não emanava chakra algum e nem mesmo o Rinnegan conseguia identificar. Era como um espantalho sem nada por dentro. Madara encarou os dois Rinnegans de Sasuke. Ambos possuíam as três linhas do Rinnegan entrelaçadas com três tomoe cada. (N/A: Igual ao que ele possui no mangá, mas aqui é em ambos os olhos).
– Madara: O que está pensando? – Falou temendo o que aquele poderoso Sasuke poderia fazer. Ele jamais esperou que Sasuke pudesse pegá-lo de surpresa. Lógico que sempre esteve preparado para traições de um dos dois, mas foi pego totalmente desprevenido naquele momento. Não era mais tão fácil enfrentar Sasuke. – O quê? – Quase gritou ao notar Sasuke aparecer de repente atrás dele. – Você teleportou? – Não segurou um som agonizando quando Sasuke perfurou sua garganta com um Chidori formado em sua mão direita. Com a esquerda ele pegou no longo cabelo de Madara e separou a cabeça do corpo.
– Sasuke: Elemento Escuridão: Morte Espiritual. – Apertou com força a cabeça de Madara e viu a mesma ser consumida por uma sombra que a corroeu aos poucos. Madara nunca mais poderia ser invocado por Edo Tensei. Não poderia também frequentar, seja lá qual for o caminho dos mortos depois da vida, céu ou inferno, pois sua alma havia sido totalmente destruída com extrema facilidade. Aquele era o poder do Deus Uchiha. – Agora pode vir, Naruto! – Jogou o corpo de Madara ao chão e viu o mesmo ser desfeito do Edo Tensei.
↨ Kumogakure. Sala do Raikage.
– Shikamaru: Não há como ganhar de Naruto na base da força ou montando estratégias. Aquele não é um poder de um humano. Pelo que me consta nos relatórios ele possuiu mais chakra que o próprio Juubi, Rinnegan, Mangekyou Sharingan, um tal de... Byakugan no Fan, que é a evolução do Byakugan. Possui também Hiraishin, Kotoamatsukami, Kamui... Como diabos um cara desses pode ser humano? – Falou para si mesmo. – E com certeza há muito mais por trás disso. Naruto mostrou apenas o que ele sabia que podíamos saber. – Massageou as têmporas e olhou novamente a maquete diante de si. Como diabos Naruto conseguia ser tão mais problemático agora do que quando criança? – A tática é muito simples: Montar pequenos times de cinco ou sete pessoas, combinando habilidades, e manda-las enfrenta-lo aos poucos. Pelo que sabemos o único ponto fraco desse monstro é que ele cansa rápido quando usa suas habilidades.
– Jiraya: Espera! – Interrompeu a explicação. Estavam na sala juntamente com Gaara, Kira A, Oonoki, Shisui e Kakashi. – Você quer que mandemos inúmeros shinobis para a morte?
– Shikamaru: Você tem outra ideia? – Olhou seriamente para Jiraya. – Eu sei que isso é um absurdo, mas não há outra forma de pará-lo. Temos que fazê-lo matar, matar e matar até que ele canse. Posso terminar? – Jiraya assentiu tristemente. Era tudo verdade. O único ponto fraco e Naruto era que se cansava rápido. Como diabos poderia ser tão poderoso? Essa pergunta era feita de cinco em cinco minutos na cabeça de todos os presentes. – Segundo a Mizukage, Hinata, Madoka e Tsunade poderiam vencer, com extrema facilidade, qualquer um de vocês. Com base nisso pretendo atingir o emocional delas. Shisui lutará contra Madoka. Ela é mais poderosa, mas com toda certeza hesitará em acabar com você. Lógico que haverá suporte para um eventual erro de cálculo. Hinata não tem laços com nenhum aqui, então, com base em suas habilidades, colocarei todos os Hyuugas que sobreviveram ao massacre para lutar contra ela. São no total trinta e dois os felizardos que tiveram sorte de estarem em missões naquele dia. Além de terem uma gigantesca sede de vingança contra ela, sabem os pontos fracos de um corpo Hyuuga. Para Tsunade não será necessário ninguém. – Novamente Jiraya bateu a mão na mesa.
– Jiraya: Como assim ninguém?! Você sabe muito bem que Tsunade é poderosa o suficiente para destruir vários shinobis rapidamente...
– Shikamaru: Jiraya-sama, por favor, não me interrompa novamente. – Encarou profundamente a Jiraya. – Passei os últimos quatro anos filtrando todas as possibilidades e estou aqui apresentando minhas melhores ideias. É lógico que os senhores podem discordar, mas apenas depois que eu concluir. – Olhou para todos e os mesmos consentiram. – Tsunade tem como foco o auxílio médico. Ela não lutará. Ela ficará sob guarda de Naruto todo o tempo. – Olhou fixamente para Jiraya. – Tenho certeza absoluta de que essa será a decisão de Naruto, pois eu faria o mesmo no lugar dele. Quem mais poderia garantir a integridade física dele e das outras, senão Tsunade? Ele já é poderoso. Possui ainda Hinata, Madoka, e até então, também Mei. Ele não precisa de mais soldados desumanamente poderosos. Ele precisa é de uma médica magnificamente habilidosa e poderosa. – Não podiam negar a lógica do gênio Nara. – Então a batalha será assim: Shisui contra Madoka, Hyuugas contra Hinata, e o restante da força principal para tentar destruir ou, com sorte, vencê-lo definitivamente. Poderemos contar com os ninjas de Kiri para pegá-los pelas costas. Mei já nos confirmou que tem o controle sobre as forças shinobis de lá e que elas o obedecem fielmente. Ele com certeza não espera ser traído por seus ninjas. A força de elite de Konoha invadirá Kumo e tomará o controle da vila. Nossos principais shinobis estão escalados para a função e por isso não precisaremos destacar um exército para isso. Kiri no momento não terá nenhum shinobi, já que Mei também nos garantiu que influenciará Naruto a trazer também os Gennin, já que são poderosos como Chuunin das outras vilas. O Raikage-sama, Jiraya-sama e o Hokage-sama, juntamente com a Mizukage-sama, esperarão pela parte principal do plano. Ficarão no salão onde contém o selo juntamente com Minato. O garoto estará inconsciente e eu mandarei um sinal quando for a hora de deixar o chakra dele livre. Nesse momento Naruto virá direto para o palácio e vocês cuidam de prendê-lo nos selos. – Respirou fundo e olhou novamente para todos. – Esse foi o melhor plano que consegui formular, mas infelizmente não está impassível de falhas ou imprevistos. Estamos de acordo? – Olhou para todos, e como esperado, não viu confirmações. Estavam todos afundados em seus próprios pensamentos e em suas perdas. – Lembrando que teremos uma ajudinha de nossos amigos mortos-vivos. – Olhou adiante e um dos caixões se destacava em seu olhar. – Tenho certeza que Uzumaki Kushina nos ajudará bastante...
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