Cinzas da Guerra: As Mudanças de um Shinobi
30 Capítulo 30: Fantasmas do Passado
Notas iniciais
Capítulo 30 – Fantasmas do Passado
– Mei: N-Naruto? – Falou atônita. – Eu também estava morrendo de saudades. – Falou mais séria, atrás de Naruto, deixando-o completamente surpreso. A Mei que estava sob Naruto se desfez em vapor, que queimou seriamente a pele do rapaz, deixando-o na carne viva. O loiro deu um rugido de dor, enquanto afastava-se para trás, enrijecendo o corpo, enquanto o mesmo deixava exalar um cheiro de queimado.
– Naruto: Um Futton Bunshin (Clone do Elemento Vapor? (Kekkei Genkai, juntamente com o Youton)) Interessante... – Disse com o sangue escorrendo por toda a parte frontal do corpo. Havia deixado a guarda aberta por estar confiante demais em seduzi-la. Era um tiro no escuro, e esse havia passado longe do alvo.
Apesar de ter reagido bem após o ataque, Naruto estava surpreso por não ter percebido o Bunshin e a presença da Mizukage logo atrás de si. Sentia seu corpo arder e molhar com seu próprio sangue, exibindo a malha ninja que vestia por baixo de sua camisa negra. O sangue descia de seu peito e escorria até os pés, o mesmo acontecia com as mãos, por onde também descia uma quantia razoável de sangue. Seu rosto estava banhado a sangue, destacando apenas o branco dos dentes que eram exibidos por causa do sorriso malicioso do loiro, juntamente com seus olhos azuis brilhantes direcionados ao rosto da Mizukage. Mei também estava surpresa, pois não esperava que Naruto ficasse de pé depois daquilo. Bom, era aceitável levando em conta com quem estava lutando.
– Naruto: Parece que meus sentimentos não são correspondidos. – Disse erguendo os ombros e mostrando as mãos para ela, fingindo tristeza e decepção. – Estou magoado. – Disse focando seus olhos azuis para ela, destacando-os no vermelho do sangue que dominava seu rosto. Andou vagarosamente na direção de Mei, que deixou-o encostar nela novamente. Naruto desta vez estava atento e não notou qualquer truque dela. Apesar de tudo, a situação era estranha ao ver dele, o que lhe fez ficar um pouco impaciente e de certa forma nervoso.
– Mei: Desculpe pelo que fiz a você, meu lindo loirinho. – Disse charmosa, envolvendo os braços no pescoço dele e erguendo-se levemente a fim de alcançar os lábios do rapaz, mas antes de tocá-los, sorriu maliciosa. – Seu charme não vai colar. Você é gostoso e adoraria enlouquece-lo e deixa-lo me enlouquecer em minha cama, mas não posso esquecer o criminoso que você se tornou. – Futton: Yuugeton no Jutsu (Elemento Vapor: Técnica de Liberação do Vapor) – Soprou fortemente uma grande quantia de vapor da boca, varrendo tudo à sua frente, jogando Naruto a uma grande distância, fazendo-o bater contra a parede e parar ali mesmo. O loiro ficou totalmente desfigurado, soltando muita fumaça de seu corpo, de onde exalava um forte cheiro de queimado. – Que desperdício. – Disse triste. Porém também era estranho. Apesar de todo o poder recém-adquirido e de suas armadilhas plantadas ali, tudo estava muito fácil.
– Naruto: Está realmente fácil, não é? – Disse aparecendo ao lado dela, de braços cruzados, também olhando tristemente o seu Bunshin que acabara de explodir. – Estou começando a entender o que está acontecendo aqui. – Naruto ficou sério, atento a qualquer movimento vindo de Mei. Ele estava em completa desvantagem e infelizmente não conseguiria mais sair dali. Teria que lutar, e isso seria mais difícil do que havia calculado. – Quem lhe ensinou Senjutsu? – Perguntou sério, olhando sombriamente para Mei, que ficou surpresa e ao mesmo tempo assustada pelo olhar mortal. Não era para Naruto ter descoberto tão rápido. Retomou sua postura e afastou-se um pouco dele.
– Mei: Acho que acabei subestimando o grande Rikudou-sama. – Falou divertida e com tom de deboche. Naruto se irritou por dentro, mas mantinha sua face séria por fora. – A única coisa que precisa saber é que entrou na gaiola. Agora terei que prendê-lo. – Falou levantando os olhos, com Modo Sennin dos Sapos ativado. Estava perfeito, assim como Naruto o dominava. O loiro crispou os lábios, irritado. Somente ele deveria levar o legado de seu mestre, Jiraya, adiante. Sua mente trabalhava para descobrir como ela teria acesso ao Modo Sennin, uma vez que somente ele e Jiraya haviam assinado o contrato com os sapos.
– Naruto: Quanta insolência! – Disse irritado, defendendo um soco que veio em uma velocidade surpreendente. Porém não conseguiu ver o Senjutsu que vinha por trás de si e acabou sendo atingido fortemente na nuca. Sentiu suas vistas embaçarem pelo local da pancada e se apoiou ao chão, enquanto dava alguns passos para trás. O loiro tentava entrar em contato com Shinju, para que pudessem usar o chakra Senjutsu também, mas por algum motivo não conseguia senti-la ou contatá-la. A situação era mesmo crítica e o loiro acabava de descobrir o porquê. – Então era isso que estava tramando... – Disse baixo, meio atônito. Mei sustentava um sorriso satisfeito, mas que não parecia muito verdadeiro.
– Mei: Achou mesmo que eu não teria uma forma de me defender do grande Rikudou? Mas agradeço que tenha vindo aqui sem dominar seus poderes completamente. Graças a isso sou capaz de vencê-lo agora. – Sumiu da frente de Naruto, aparecendo em suas costas. O loiro novamente defendeu um soco que viria em suas costas, segurando a mão da Mizukage. Girou o punho, torcendo levemente o braço dela e mirou um soco com chakra no estômago de Mei, porém a mesma pulou, dando um mortal para trás e chutando o rosto de Naruto com os dois pés. O loiro deu alguns passos para trás novamente.
– Naruto: Eu vi! É azul celeste! – Disse divertido. Mei corou, pondo as mãos entre as pernas, recordando-se que usava apenas uma camisola e ao movimentar suas pernas para cima, deixou exposta sua calcinha. Naruto gargalhou. Aquilo não desfazia suas preocupações, pois a situação estava realmente complicada.
O loiro tomou uma boa distância de Mei e tocou uma das paredes do quarto, tendo agora a certeza do que havia pensado. Estava realmente ferrado. Todo o quarto de Mei possuía uma poderosa barreira de Senjutsu, impedindo-o de sair e de usar seu próprio Senjutsu, até mesmo o chakra de Shinju, que era Senjutsu puro. O quarto estava repleto de chakra da natureza, demonstrando que a barreira sugava chakra externo, jogando-o para dentro do quarto. Naruto era poderoso, mas Mei também era. Já era forte antes, e agora com Senjutsu, a Mizukage atingia outra classe. Para aumentar o grau de complexidade, o loiro poderia ser atingido de qualquer lugar, pois o chakra senjutsu era manipulável da mesma forma que fez com Pain, quando o enfrentou anos atrás. O mais estranho de tudo era como ela havia aprendido aquele modo Sennin dos sapos. Jiraya estava morto, ele jamais havia passado qualquer conhecimento de senjutsu para outra pessoa. “Como diabos”, pensava o loiro. Porém pensar não o ajudaria no momento, e ele teria que dar seu próprio jeito na situação. Outra solução era usar seu doujutsu novamente, mas não poderia arriscar matar a Mizukage, pois desta forma todo seu plano iria por água abaixo. Teria de vencê-la ou convencê-la sem machuca-la seriamente. Ainda havia uma chance de convencê-la, pois não era comum uma mulher como Terumi Mei corar daquela maneira. Ainda havia esperança. Naruto sorriu de lado, com seu rosto coberto por sangue, mas já em processo de cura. Nesse momento Naruto notou que seu doujutsu já estava se manifestando, pois com Shinju “selada”, não havia como seu corpo demonstrar toda aquela habilidade de cura.
Retomou a atenção na batalha e viu Mei aproximar-se velozmente. A Mizukage mirou um braço, deixando claro que tentaria um soco, fazendo Naruto se preparar para defende-lo. Porém o que veio foi um chute, que Naruto esforçou-se para defender com o antebraço. O senjutsu deixava Mei muito mais rápida. O selo do local deixava Naruto mais vulnerável, pois não poderia usar o chakra de Shinju ou do Modo Sennin. Como estava fundido com Shinju, isso também influenciava seu próprio chakra, deixando-o comprimido. A luta não poderia demorar muito tempo, pois a medida que o chakra de Mei aumentaria por causa da barreira, o seu diminuiria cada vez mais. Após defender o chute de lado, deu uma rasteira simples em Mei, chutando-a nas costas com a outra perna, fazendo-a a mulher rolar alguns metros e bater contra uma pequena escrivaninha que havia no quarto.
Levantou-se normalmente e avançou novamente contra Naruto. A luta era intensa e concentrada, onde a troca de golpes era franca e equilibrada. Naruto acertava e levava socos com intensidade, fazendo-o ter sua batalha mais difícil até o momento. Nenhum dos dois usava ninjutsu, o que era bem lógico levando em consideração a condição em que estavam. O quarto era fechado e por mais que fosse da Mizukage, uma figura importante, e por tal bem luxuoso e grande, continuava sendo um quarto, não sendo próprio para uma batalha daquela. Qualquer jutsu usado por aqueles poderosos shinobis também afetaria a si mesmo, pois no caso de uma explosão de um RasenShuriken ou sopro de Youton ou Futton, os dois seriam afetados.
A tática a ser usada por Naruto deveria ser outra, enquanto a de Mei era apenas bater no rapaz e fazê-lo se cansar até mata-lo. Era isso que infelizmente ela teria que fazer. O loiro demonstrou um olhar mais confiante para ela, que ficou sem entender de onde ele o havia tirado, mas ficou mais esperta após isso.
– Naruto: Você evoluiu bastante. Mesmo estando em completa desvantagem, ainda sou bem mais forte que você, mas você está resistindo bem. – Puxava assunto enquanto se levantava do chão, estralando um dos ombros. Mei se levantava do outro lado, ainda com o Modo Sennin ativado.
– Mei: Obrigada. Porém quem mais evoluiu foi você. Enquanto eu era Mizukage você largou de ser um mero Gennin sem habilidades para virar o Nidaime Rikudou. Meus parabéns... Pena que seguiu o caminho errado. – Lamentou-se verdadeiramente para ele, deixando claro que estava triste de verdade. Naruto fez uma cara mais séria.
– Naruto: Essas técnicas Uzumakis são incríveis! – Disse olhando para os selamentos. Enquanto olhava, mantinha também a atenção na Mizukage, e percebeu o momento em que ela abriu os olhos surpresa e nervosa, logo antes de voltar à sua face normal, pensando não tê-lo deixado perceber. Apesar de ser Uzumaki e já ter adquirido certo conhecimento sobre os selamentos, os aplicados ali eram de alto nível e nem mesmo seu poder era capaz de quebra-los. Alguém muito forte e sábio os havia feito, e isso deixava Naruto furioso e de certa forma temeroso, pois começava a imaginar pessoas que seriam fortes o suficientes para fazê-lo e infelizmente, ou felizmente, já tinha ideia do autor daqueles majestosos selos. – Está na hora de acabar com isso! – Sussurrou. Na verdade ele havia deixado escapar seu pensamento. Teria que acabar com aquilo mais rápido possível. Teria que criar um impacto forte o suficiente para permitir que Hinata percebesse o que ocorria ali dentro e quebrar a barreira. Aparentemente ela bloqueava tudo que acontecia dentro dela, não permitindo que quem estivesse fora notasse a batalha.
Mei escutou o sussurro de Naruto e preparou-se para uma luta mais intensa, reforçando seu Modo Sennin. O loiro sumiu de suas vistas, deixando-a assustada, mas mesmo assim conseguiu defender o potente soco que viria em sua nuca. Se acertasse, seria apenas aquele golpe, pois Mei cruzou os punhos e mesmo assim foi empurrada até bater forte contra a barreira, deixando seu quarto completamente destruído. Admitia que o loiro era absurdamente poderoso, pois mesmo estando praticamente “amarrado” pelos selamentos, ainda conseguia ser mais rápido e forte que ela, que usava senjutsu no momento.
Novamente um gigantesco soco vindo de Naruto, mas esse não pôde ser evitado e acertou em cheio o rosto da Mizukage, que ficou presa à barreira, onde havia batido no golpe anterior. Naruto apertou ainda mais o pulso contra o rosto dela, fazendo-a soltar um gemido agonizando e guiando as mãos para o pulso que a forçava. A Terumi afundou suas unhas no antebraço do loiro, que ofegou, mas não largou de apertá-la, socando-a no estômago. Mei cuspiu um pouco de saliva pelo impacto, mas logo revidou com uma joelhada no estômago de Naruto, que ameaçou curvar-se, mas manteve-se de pé, soltando-a da pressão e pulando para trás. O loiro ofegava levemente, e Mei da mesma forma. Naruto analisou novamente a barreira e sentiu-a mais fraca um pouco. Estava certo em cansar a Mizukage e aumentar a intensidade da batalha. Podia ser forte de qualquer maneira, mas ele era o Nidaime Rikudou.
– Mei: Vejo que essa barreira não está fazendo muito efeito. – Disse limpando um pouco de sangue dos lábios. – Isso é tudo que tem? – Perguntou o provocando. Naruto riu pelo canto dos lábios.
– Naruto: Desista! Não sou o mesmo garotinho de antes, você sabe disso! Não irei cair em suas provocações. – Falou concentrando chakra nas mãos. – Graças a sua bela armadilha, eu não posso usar todo o meu poder. Sorte sua, ou seria... azar? – Deu um sorriso psicótico com os cabelos tapando seus olhos, que logo brilharam em uma mistura de cores preto e branco, percebeu Mei, que tremeu todo seu corpo ao sentir a aura que vinha de Naruto. – Eu não posso perder tempo com isso, desculpe! – A pressão aliviou um pouco e Mei pôde sentir uma voz um tanto quanto sensual vinda de Naruto, que levantou uma das mãos acima de sua cabeça, apertando forte o punho e abrindo rapidamente, fazendo uma rajada de chakra afastar todos os destroços de perto de si, limpando todo o quarto, jogando toda a sujeira contra os quatro lados da barreira, causando um forte impacto e enfraquecendo-a ainda mais.
Mei foi jogada, juntamente com vários móveis destroçados, contra a barreira, batendo fortemente contra ela. A batalha já não apresentava o equilíbrio de antes, e a Mizukage começara a temer sua derrota. Naruto apareceu diante dela, enquanto a mesma se levantava. Para ela, seus movimentos haviam sido tremendamente rápidos, mas facilmente superados pelos de Naruto. Levantou seu olhar, dos pés aos olhos do rapaz, e pôde ver a forma tão diferente de seus olhos. Sentiu seu corpo tremer e suar frio. Sentia sua garganta apertar e seus ossos trincarem somente pela imponência que a presença do rapaz lhe lançava. Era como estar diante do universo. Era como estar diante do próprio Deus.
– Mei: M-mas o que é você? – Sussurrou com seus olhos trêmulos. Lutava contra seu corpo, tentando superar o impacto emocional da visão que estava tendo. Naruto lhe dava medo, lhe inspirava respeito e seu chakra praticamente gritava para ela o quanto ela sofreria antes de morrer. Era desesperador.
Porém para Naruto a situação era bem diferente. Não poderia matar Mei e ainda lutava contra o tempo, procurando uma forma de convencê-la a mudar de lado, apoiando-o. Fora isso, sentia seu corpo entrar em colapso ao usar tanto poder quando era pressionado por aquela poderosa barreira. Havia algo de muito errado com aquilo tudo. Não existia shinobis fortes o suficientes para criar uma barreira tão poderosa e tão específica para ele. Não era somente força e poder que havia nela, mas muito conhecimento também. Ela se penetrava no ponto crucial do poder de Naruto: seu sistema secundário de chakra, o que permitia o uso de seu doujutsu e o chakra de Shinju, que também estava pressionada pela barreira e por isso não conseguiam entrar em contato. O fato de usar seu doujutsu sem seu sistema secundário de chakra sobrecarregava ainda mais o seu corpo, mas não havia outra saída, uma vez que estava levando desvantagem sem usá-lo. A solução seria nocautear Mei rapidamente, sem matá-la ou feri-la seriamente.
– Naruto: Eu sou Uzumaki Naruto, Nidaime Rikudou, e o homem que lutará contra todos em busca da paz verdadeira. Eu sou o conhecedor da floresta podre que este mundo sustenta. Eu sou o culpado por destruí-la quando ela já não mais existia saudável, e também o responsável por criá-la novamente. Eu sou seu salvador, Mei-chan. – Começou sua frase sério e macabro, inspirando-lhe a morte, porém a medida que falava vagarosamente, foi ficando mais tranquilo e dócil, terminando a frase olhando-a ternamente, assim pensava ele. Porém para Mei ele ainda era assustador com aqueles olhos penetrantemente aterrorizadores. Escutou a fala de Naruto e viu completa sinceridade, até porque não havia motivos para mentir numa batalha de vida ou morte, sendo que ela seria a morta, provavelmente. Assustou-se quando Naruto colocou a mão sem seu queixo, sentindo as pernas tremerem e ficando totalmente a mercê das intensões claras do rapaz. Arfou e deixou a boca entreaberta, enquanto erguia um pouco seu queixo. Naruto sorriu de lado. Havia apanhado e batalhado duro, mas finalmente conseguiria seu objetivo, porém mais um empecilho, assim pode se dizer, apareceu.
– ?: Oh... Vim ajuda-la, mas parece que estou atrapalhando... – Disse uma voz divertida e um tanto irônica. Naruto escutou a tão conhecida voz e gelou dos pés à cabeça, tremendo seus olhos mortais e virando-se para o portador da tão conhecida voz. Sentiu seu ar faltar e suas forças esvaírem.
– Naruto: V-você!? – Falou bestificado e completamente atordoado, ficando com a vista chiada por alguns segundos e levando a mão à cabeça. O baque havia sido enorme e o rapaz se perguntava como tudo aquilo poderia estar acontecendo. Porém agora entendia o porquê daquela barreira ser tão poderosa e Mei possuir senjutsu.
↨ Pouco mais de dois anos atrás, 3 dias após o julgamento de Naruto.
– Mei: Que jutsu complexo... – Dizia passando as costas da mão na testa, retirando um pouco do suor devido ao esforço. – Como Kabuto conseguia fazê-lo tão perfeitamente durante a guerra? Ele é realmente muito inteligente. – Dizia já terminando os preparativos.
– Chojuro: De fato, Mizukage-sama. Tive bastante trabalho e pesquisei bastante para conseguir encontra-lo. Mas em que esse jutsu irá ajuda-la? – Perguntou enquanto limpava a sujeira deixada por Mei.
– Mei: Desculpe, mas desta vez não posso lhe revelar qual minha real intensão. – Disse concentrada e olhando a única parte do corpo do alvo, o que havia sobrado de seu DNA. – Peço que se retire, Ao. Tenho assuntos particulares a falar com ele também.
– Chojuro: Com sua licença. – Curvou-se levemente e se retirou do local. Era apenas um cômodo mais parecido com uma dispensa, na área subterrânea do prédio Kage de Kiri.
Mei respirou fundo e preparou-se psicologicamente para o que veria ali. Concentrou chakra em suas mãos e fez os tão amaldiçoados selos. Bateu contra o chão e completou o Edo Tensei no Jutsu. O corpo do shinobi nukennin capturado e morto começou a ser reconstruído por pequenos fragmentos de papel, tomando a forma do tão conhecido e forte shinobi alvo da técnica. O já senhor abriu seus olhos e rapidamente analisou a situação. Era experiente e sábio, já notando o que acontecia.
– ?: Ora, não achei que fosse para o céu. Que lindo anjo estou vendo... – Falou divertido, mas notou que não houve resposta da Mizukage. Mudou totalmente seu perfil, ficando completamente sério e levantando-se do chão. – O que está havendo? Não me lembro de você não rir de uma piada minha.
– Mei: Veja você mesmo. – Disse entregando-lhe um jornal que acabara de pegar de cima de uma caixa que havia por perto. – Este garoto agora é praticamente invencível e luta contra os ensinamentos que você passou a vida inteira pregando, meu pai. – Falou respeitosamente a Mizukage.
O homem pegou o jornal local, e assim que pôs seus olhos negros pelo jutsu de reencarnação, sentiu uma facada em seu peito, cessando sua respiração por alguns segundos, com seus olhos trêmulos e bestificados pelo que via. Seu coração acelerou e ele não queria acreditar no que lia, porém sua filha não tinha motivos para mentir, muito menos o jornal. Seria possível tudo isso mudar enquanto ele havia morrido. Aparentemente não havia se passado muito tempo, pois Mei continuava jovem e radiante.
– ?: Quanto tempo já se faz desde que morri? – Perguntou retomando a compostura, mas ainda estava visivelmente abalado pelo que havia lido no jornal.
– Mei: Cerca de sete meses apenas... Apenas sete meses... – Respondeu levantando seu olhar, remoendo tudo que havia acontecido durante aquele tempo. Muitas e muitas coisas haviam acontecido em tão pouco tempo.
A bela Mizukage voltou seu olhar ao homem e o mesmo ainda encarava o jornal. A imagem de Naruto preso em algemas durante o julgamento o deixava perplexo. O menino tinha o coração tão bom que em alguns momentos chegava a ser irritante. O que diabos havia acontecido após sua morte? O que diabos o havia feito mudar tanto? Alguma coisa deveria estar errada, não era possível que ele mudasse tanto a ponto de cometer tais brutalidades. O que o fazia ficar mais triste e chocado era o fato do garoto ter matado sua própria “mãe”, Senju Tsunade, a Hokage. O homem amassou totalmente o jornal e o jogou no chão, irritado.
– ?: O que quer comigo? O que está planejando? – Perguntou brusco. Apesar de sua filha não ter ligação com o que havia acontecido, ele estava muito abalado psicologicamente, mesmo com sua vasta experiência de vida.
– Mei: Creio que o senhor me ajudará nos planos que tenho em mente. Primeiramente quero saber tudo sobre ele. – Disse apontando para o jornal amassado no chão, a alguns metros deles. – Também me ensinará sobre o Senjutsu e segredos do clã Uzumaki que o senhor possa a vir conhecer. – Disse um tanto autoritária. O homem ficou ainda mais irritado.
– ?: O que a faz pensar que pode me tirar do mundo dos mortos para lhe dar aula? – Perguntou virando as cosas, porém atiçando sua curiosidade para a menina que ficara atrás de si.
– Mei: Você também deve estar imaginando o quanto esta história está estranha. Caso me ajude, eu também lhe ajudarei. Como Mizukage, devo eliminar qualquer ameaça ao meu povo e tenho praticamente certeza de que o garoto não será morto como diz o jornal. Acha mesmo que um menino tão inteligente e forte será morto nestas circunstâncias? Mesmo que Konoha planeje mata-lo assim como julgado, irei dar meu jeito para que você possa conversar com ele. – Disse por fim o que viria a convencer o homem a ajudá-la.
O homem virou-se novamente para ela, demonstrando interesse no que a mesma havia falado. Seu olhar ainda era irritado, mas determinado. Estava decepcionado de triste com Naruto, mas tudo aquilo era estranho. Conhecia bem o garoto, e lendo tudo aquilo no jornal havia chegado a dois caminhos para aquele resultado: Ou o rapaz havia ficado louco, ou seus planos verdadeiros estavam por debaixo dos panos, o que não poderia ser verdade pelo fato dele ter matado sua querida Hokage. Ninguém sacrifica uma pessoa que ama para ser preso logo após. Naruto estava louco, era a única opção. Já que havia sido revivido pelo Edo Tensei, iria deixar seus conhecimentos para sua filha, aproveitando a viagem para conversar com o Uzumaki e saber o que realmente estava acontecendo.
– ?: Pois bem, eu concordo. Irei lhe ensinar o Senjutsu e tudo que sei sobre os Uzumakis. Acredito também que já deva ter montando um plano, pois impedir Konoha, a mais forte vila shinobi, não será nada fácil. – Disse ficando mais relaxado, como de costume. – A menos que...
– Mei: Exatamente! – Confirmou mesmo sem seu pai concluir. – Planejo contratar nukennins em segredo, para que possam ao menos ajuda-lo a fugir. Ele é forte, só precisa de um empurrãozinho. Faremos isso quando ele for removido da Torre Shukumi e levado para Konoha. Provavelmente nós também iremos juntos, com disfarces, é claro. – Concluiu sorridente. – Começamos o treinamento agora. O que irá precisar?
– ?: Preciso apenas de um local próximo a algum rio. Você precisará de muito tempo de treinamento, pois não possui um sistema secundário de chakra, assim como ele. – Disse caminhando para a escada que levava, provavelmente, a saída do local.
– Mei: Sistema secundário de chakra? – Perguntou curiosa.
– ?: Estamos apenas começando sua aula de Uzumakiologia. – Disse gargalhando.
↨ Agora
– Naruto: V-você!? – Falou bestificado e completamente atordoado, ficando com a vista chiada por alguns segundos e levando a mão à cabeça. O baque havia sido enorme e o rapaz se perguntava como tudo aquilo poderia estar acontecendo. Porém agora entendia o porquê daquela barreira ser tão poderosa e Mei possuir senjutsu. – Ero-Sennin... – Sussurrou para ele mesmo, afastando-se de Mei.
– Jiraya: Olá, Naruto. Acho que você não entendeu muito bem qual o caminho da paz... – Falou seriamente, olhando nos olhos trêmulos do garoto. – Estou aqui para ensiná-lo de uma vez.
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