Cinzas da Guerra: As Mudanças de um Shinobi
23 Capítulo 23: Reencontro
Notas iniciais
Capítulo 23 – Reencontro
– Shinju: Tudo começa com a separação de Izanagi e Izanami, no começo dos tempos. Você disse que já conhecia a história de Izanami e Izanagi, mas irei contar-lhe novamente para que possa acompanhar o que quero realmente lhe dizer. – O loiro, ansioso para finalmente descobrir o que tanto havia por trás daquele mistério, apenas confirmou. – No início o Céu e a Terra não estavam separados, e o Yin e o Yang não estavam divididos. Os princípios masculino e feminino criaram então uma massa como um ovo, que tinha limites vagamente definidos e continha embriões. Finalmente, o ovo foi trazido à vida, e a parte mais pura e mais clara tornou-se o Céu, enquanto que a parte mais densa e pesada se tornou a Terra, que foi comparada com um peixe flutuando na superfície da água. Uma misteriosa forma de um broto de caniço transformou-se, de repente, no deus Kuni-toko-tachi, o “eterno suporte terreno das coisas majestosas”. Depois dele, seguiu-se o nascimento de outros deuses. Izanagi e Izanami permaneceram na Ponte Flutuante do Céu e olharam para o abismo. Eles se perguntaram se haveria um país muito abaixo da grande Ponte Flutuante. Eles estavam determinados a descobrir. Para isso, eles utilizaram uma lança cravejada de jóias e descobriram o oceano. Erguendo um pouco a lança, um pouco de água pingou, coagulando e criando a ilha de Onogoro. As duas divindades desceram à ilha e decidiram se casar, apesar de serem irmãos. A primeira criança nasceu deformada, e os outros deuses disseram que isso se deu porque Izanami falou antes de seu marido na cerimônia de casamento. O casal realizou outra cerimônia, e Izanami deu a luz a oito lindas crianças, que se tornaram as ilhas do Japão. A deusa também gerou as montanhas, as árvores, os vales, os rios, as cachoeiras. O casal resolveu criar alguém para ser o Senhor do Universo, e então geraram a deusa do sol Amaterasu. Ela foi conhecida como “a grande divindade que ilumina o céu”, e era tão linda que seus pais decidiram enviá-la para as Escadas do Céu para lançar para sempre seu glorioso raio de sol sobre a Terra. Seu próximo filho foi o deus da lua, Tsukiyomi. Seu brilho prateado não era tão belo como o resplendor dourado de sua irmã, a deusa do sol, mas ele foi considerado digno de ser seu consorte. E, em seguida, Izanagi e Izanami geraram Susanoo, “o homem impetuoso”. Izanami também deu à luz ao deus do fogo, Kagutsuchi. O nascimento da criança a deixou doente, causando sua morte. Izanagi ajoelhou-se no chão, chorando e lamentando-se amargamente, mas seu sofrimento de nada adiantou. O deus então resolveu descer ao Reino de Yomi, o mundo inferior. Ao encontrar Izanami, a deusa lhe disse: “Meu senhor e marido, por que tua vinda é tão tarde? Eu já comi da comida de Yomi. Irei agora descansar. Peço-te que não me olhes”. Movido pela curiosidade, recusou-se a cumprir o desejo de Izanami. Era escuro no Reino de Yomi, então ele secretamente pegou seu pente dentado, quebrou-lhe uma parte e o acendeu. A visão que teve foi terrível. Uma vez bela, sua amada esposa agora havia se transformado em uma criatura medonha. Oito variedades dos deuses do trovão repousavam sobre ela. O Trovão do Fogo, da Terra e da Montanha vibraram suas grandes vozes. Revoltado, Izanagi disse: “Eu vim para uma terra horrível e poluída”. Sua esposa retrucou: “Por que não fizeste o que eu mandei? Agora estou envergonhada”. Izanami estava tão irritada com seu marido por ignorar o seu desejo que ela enviou as Oito Mulheres de Yomi para persegui-lo. Izanagi desembainhou sua espada e fugiu para as regiões escuras do submundo. Enquanto corria, o deus atirou seu capacete ao chão, que imediatamente se transformou em um cacho de uvas. Quando as Mulheres de Yomi o viram, comeram as frutas. Izanami viu o que acontecera e decidiu ela mesma perseguir Izanagi. Mas a essa altura, Izanagi já havia alcançado a Passagem de Yomi. Ali ele pôs uma pedra, mas finalmente encontrou-se cara a cara com Izanami. Izanagi declarou o divórcio, ao passo que Izanami lhe disse: “Meu querido marido, se assim o dizes, eu matarei as pessoas em um dia”. Izanagi prontamente retrucou que ele iria fazer nascer em um dia não menos do que mil e quinhentas pessoas. Izanagi escapou do Reino de Yomi, tendo realizado diversos rituais de purificação em seguida, dos quais diversas divindades nasceram.
Ao término do relato, Shinju finalmente tirou os olhos que observaram suas nervosas mãos e olhou para Naruto. O loiro estava abismado. Sim, eleja sabia da história por trás do inicio dos tempos, mas aquela história continha detalhes diferentes. Izanami havia ameaçado Izanagi, afirmando matar pessoas um dia. Receber ameaças de um Deus era nada mais do que assombroso.
– Naruto: Mas... Espera! Agora que estamos falando sobre os Deuses, porque nunca houve relatos de aparições ou algo similar, levando em consideração as batalhas com vidas perdidas e injustas como houve comigo? Ou eles algum dia agiram às escondidas? – Haviam inúmeras perguntas sem respostas na cabeça do rapaz.
– Shinju: Esse é o ponto onde eu queria chegar. – A bijuu respirou fundo. – Lembra-se de qual era a função de Meishu quando eu ainda tinha minhas raízes fincadas em forma de árvore?
– Naruto: Sim, sim! Ele ficava a vigiar os arredores do planeta para avisar-lhe de qualquer acontecimento mais grave e... – Estancou sua voz e esbugalhou os olhos. Olhou novamente para Shinju e a mesma olhava novamente para suas mãos, que tremiam nervosas. – Você! Pelos Deuses! É você! – O rapaz não escondia a surpresa, chegando a gargalhar e parar de uma hora para outra. – É você a mensageira dos Deuses! – Vociferou, mostrando sua enorme irritação para com ela. Era isso que a bijuu temia, por isso estava nervosa. – Vocês, seus desgraçados! Sentados em mesas banhadas a ouro, com abundancia em alimentos e paz, montados em nuvens aos limpos céus, longe das batalhas e das mortes. Passaram inúmeros anos sem se importar com as gigantescas batalhas que existiram aqui na terra, sem motivos e injustas para com shinobis e civis que nada podiam fazer a não ser obedecer às ordens egoístas dos líderes escrotos que não hesitaram em mandá-los para batalhas brutas no lugar de resolverem seus problemas de uma maneira mais justa para os mais pobres. – Naruto gritava com Shinju. Ela estava assustada e se encolhia cada vez mais, abraçando as pernas, enquanto o loiro avançava, incontrolável. – Não sente vergonha? Você não sente nojo de si mesma? – Ele perguntou para ela, enquanto tocava seus cabelos. Ele alimentava um olhar psicótico, que destruía a bijuu por dentro. Seu peito doía ao ver aquele olhar, e a estraçalhava ainda mais ao vê-lo para si.
– Shinju: E-eu sou apenas uma serva! Eu não pude fazer nada enquanto dividida em nove bijuus, que também estavam selados. – Ela chorava, tentando argumentar.
– Naruto: NÃO IMPORTA! Deuses são Deuses e uma simples barreira e selos não devem impedi-los! – O rapaz estava inconformado. Não que agora ele ligasse para as inúteis vidas e inúteis shinobis e civis corrompidos pelo mundo nojento que havia se formado. Porém tinha consciência que o mundo havia se tornado tudo aquilo com o tempo, pelas batalhas e inúmeros acontecimentos acumulados ao longo da história. Se os Deuses tivessem impedido apenas a primeira batalha, interrompendo o ciclo de ódio, tudo aquilo havia parado ou pelo menos diminuído e o mundo estaria melhor. Mas não! Eles preferiram ficar sentados, enquanto seu servo aqui na terra não podia fazer nada também. Olhou para Shinju no chão, completamente indefesa, exatamente como uma garotinha ficaria. Aquela cena novamente o assombrava. Ruiu por dentro, pois mesmo estando irritado, Shinju realmente não levava culpa. De qualquer forma, não era momento de pedir desculpas, e não o faria. – Continue! Continue a história! – Falou mais baixo, mas friamente.
– Shinju: A-agora que já sabe como tudo começou, irei lhe explicar como será o treinamento. Como você não possui o Rinnegan e não sabemos a extensão do seu poder, não podemos ter detalhes sobre poderes ou habilidades. Desta forma visaremos um treinamento para o controle perfeito do chakra. – Shinju era muito inteligente, e sua experiência era fundamental para aquilo. Não havia visto ou tido nada que detalhasse um pouco dos poderes de Naruto, mas apenas por notar o quão monstruoso era o chakra do rapaz, de maneira que nem mesmo o controlava, calculou que seria melhor começarem pelo controle de chakra. Falou com a voz embargada, recompondo-se e ao final já estava sentada novamente como de início. Ela não entendia a si mesma, pois mesmo sendo apenas uma garota comum, carregava nas costas o fardo de todo o planeta, juntamente com o Rikudou. Não adiantava pensar ou tentar se controlar, pois dependendo do comportamento de Naruto para consigo, tudo vinha a ruir ou criar flores dentro dela.
– Naruto: E como faremos esse treinamento? – Perguntou ainda emburrado, mas esforçando-se para tratar melhor Shinju.
– Shinju: É praticamente o mesmo treinamento que as garotas fizeram com Meishu, porém mais intenso. Você já ouviu falar em sistema secundário de chakra?
– Naruto: O quê? Mas que loucura é essa? – Naruto deu uma risada ao escutar aquele absurdo, mas ficou sério novamente ao notar o também sério olhar de Shinju. – Está falando sério?
– Shinju: Muito. Os Uzumakis eram mais fortes que as outras nações shinobis não por terem seu corpo mais apto para absorver danos, por possuírem mais chakra ou jutsus de selamento avançados e sim por terem conhecimentos muito mais avançados sobre o corpo de um shinobi do que as outras nações shinobis. – Naruto ainda estava com a atenção total voltada para Shinju, que continuou. – Os Uzumakis tem uma carga de chakra muito maior do que qualquer outro shinobi, mas mesmo assim, em alguns casos raríssimos, o Uzumaki consegue despertar o sistema secundário de chakra, que o deixa com uma carga de chakra três ou quatro vezes maior. Felizmente você, Naruto-kun, faz parte desses casos raríssimos. Acredito que já tenha despertado, mas não está desenvolvido totalmente. Com o início do treinamento eu verificarei tudo. – Concluiu a bijuu sorrindo meigamente para o loiro, que também sorria surpreso por poder ficar ainda mais poderoso. Até ele reconhecia que estava ultrapassando todos os limites shinobis existentes.
– Naruto: Yoshi! E quando começaremos esse treinamento? – Perguntou empolgado.
– Shinju: Você está indo para Uzushio, certo? – O loiro confirmou com a cabeça. — Como o treinamento levará tempo, e você não tem um local como base, seria ideal que estivesse já em um local com segurança e base estável. – A bijuu falava ainda dócil, tentando tirar todo o estresse que o jovem loiro havia passado agora a pouco.
– Naruto: Tudo bem, Shinju-chan. Voltarei quando chegarmos a Uzushio. – Levantou-se e virou as costas. Shinju baixou os olhos tristemente, pois esperava que Naruto lhe dissesse algo pelo comportamento de antes, mas se surpreendeu. O jovem Uzumaki havia levantado-a, segurando carinhosamente em seu queixo e firmou suas safiras nos olhos cor de mel de Shinju, que estava corada. – Desculpe-me por meu comportamento. Sei que você não tem nada a ver com a idiotice desses malditos Deuses, pois sempre foi simpática para com os mais fracos. Tentarei não fazer isso novamente com você. – Naruto beijou-lhe a testa com carinho. Shinju sentiu seus sentidos oscilarem por pouco, enquanto sentia o toque quente e dócil do loiro em seu queixo, e logo após o beijo molhado em sua testa. Corou fortemente.
Naruto afastou-se e olhou nos olhos de Shinju. Riu divertido ao vê-la corada. Despediu-se e saiu de sua mente. Abriu os olhos e observou o céu noturno nublado, já em cima de Meishu, seguindo viagem. Sentou-se, já se preparando para os pulos em cima de si, mas nada aconteceu. Olhou direito e notou estar na cabeça de Meishu. Hinata, Madoka e Tsunade estavam mais abaixo, nas costas do dragão, dormindo emboladas, com pernas enroladas em braços e tudo em uma cena hilária. Naruto gargalhou, e só então Meishu notou que ele havia acordado.
– Meishu: O senhor está bem, Rikudou-sama? – Fez sua voz ecoar pelo céu nublado.
– Naruto: Ahh – Espreguiçava-se. – Estou sim. Há quanto tempo estamos em viagem?
– Meishu: Cerca de cinco horas. Chegaremos a Uzushio em mais ou menos quatro dias, pois não tenho capacidade de forçar mais do que faço no momento devido aos ferimentos. – Falou de maneira respeitosa, como se pedisse desculpas.
– Naruto: Tudo bem. – Suspirou. – Bom trabalho. – Falou passando a mão na nuca.
O loiro pôs-se a andar rumo às garotas, que dormiam profundamente. Deveriam estar muito cansadas. Aproximou-se vagarosamente e jogou-se em cima daquele bolo de lindas meninas. Madoka dormia feito uma pedra, como sempre, e nem notou. Hinata tinha o sono frágil e foi a primeira a se manifestar.
– Hinata: Naruto-kun! – Abraçou-o fortemente. – Tudo bem? – Perguntou com seu dócil sorriso.
– Naruto: Hai! E vocês?
– Tsunade: Também! – A loira acordava no momento da pergunta do loiro. Estava toda descabelada e com os olhos inchados. Naruto riu, arrumando os cabelos dela. – Já começou seu treinamento?
– Naruto: Ainda não. Apenas escutei uma história estranha de Shinju. Nem adianta! – Riu alegremente para elas. – Não irei contar agora! – Riu novamente pelo biquinho que elas fizeram. Naruto abaixou-se um pouco e chegou ao ouvido de Madoka. Cutucou-a nas costelas e falou algo no ouvido dela. A Uchiha levantou afoita, gritando enquanto lambia os lábios.
– Madoka: SE EU QUERO UMA DP? – Naruto gargalhou novamente, enquanto Tsunade explodia o rosto, completamente vermelha. Hinata ficou com cara de curiosa, sem saber o que significava.
– Hinata: O que é isso? – Puxou a manga da camisa de Naruto. O loiro riu maliciosamente, aproximando-se do ouvido de Hinata e explicando para ela. – EHHHHHH? – Corou fortemente e virou o rosto, tremendo. Desta vez todos riram. O momento era ótimo, descontraído e feliz. Mas o loiro teve que interromper.
– Naruto: Acordei Madoka-chan para explicar novamente algo a vocês. – Esperou que elas se recompusessem para continuar. – Irei iniciar meu treinamento com Shinju-chan e isso irá demorar bastante tempo. Ela não me disse ainda, mas eu calculo que será em torno de três anos. Eu passarei a maior parte do treinamento no meu subconsciente e por isso não estabeleceremos base em Uzushio. Um local procurando por todas as nações shinobis não é indicado para mantermos uma base. Por isso iremos para lá e depois da reunião dos kages nós iremos embora para a Vila da Névoa. – Concluiu meio acanhado, como se já se preparasse para broncas, mas não agora.
As garotas ficaram caladas, analisando o que foi falado. Naruto tinha razão em tudo, menos em ir para Kiri, pois todos o procuravam como nukenin rank SS. Mesmo assim aquilo era estranh. Naruto não era de cometer falhas tão idiotas. Com certeza havia algo por trás.
– Madoka: Desculpe Naruto-kun, mas não estou entendendo. Porque Kirigakure? – E veio o tão temido momento. O loiro suava frio.
– Naruto: B-bom... É que... – Ria sem graça, coçando o pescoço.
– Hinata: Uzumaki Naruto-kun! Eu lhe conheço muito bem, e espero que não seja o que estou pensando! – Hinata franziu o cenho. Havia entendido o que Naruto queria falar. Uma mulher ciumenta era realmente capaz de tudo.
– Naruto: É isso mesmo, Hina-chan! – Suspirou derrotado. – Planejo seduzir a Mizukage para ficarmos seguros em Kiri. Lá a poligamia é permitida e irei casar-me com ela para ser o Senhor Feudal da Água, posto que pertence a Terumi Mei, como Mizukage. Como não terei meu poder de Rikudou rapidamente, não é seguro ficarmos sem proteção, coisa que teremos de sobra por lá. – O rapaz resolveu desembuchar tudo de uma vez e explicar-se logo em seguida para as lindas garotas que o encaravam furiosas.
– Tsunade: Mas que raios de solução é essa? – Olhava-o com os olhos cerrados.
– Madoka: Não já chega de belas mulheres em sua cama? – Cutucou-o no peito, com a outra mão na cintura.
– Hinata: NÃO ACEITO! – Gritou furiosa, com os braços cruzados e fazendo bico.
– Naruto: Eu também não queria fazer isso “Mentira! Mei-chan é uma delícia!”, mas é necessário. Tenho certeza que se sofrermos um grande ataque de alguma nação shinobi, nós não conseguiríamos nos defender! – Falava convincente, e com razão. O ciúme das outras garotas não as deixava entender a situação em que estavam.
– Madoka: Mas nós não levamos Konoha ao chão porque não quisemos! – Argumentou cheia de si, mas viu Naruto negar com a cabeça.
– Naruto: Errado! Nós fizemos um ataque surpresa e com um bom plano. Essa foi a razão de termos conseguido concluir nossos planos. Alguma de vocês viu Kakashi, Gai ou Ino durante o ataque? – Perguntou calmamente. As garotas se entreolharam e negaram com a cabeça. – Entenderam? Se nós demorássemos mais um pouco em Konoha, iríamos ser derrotados. Não importa o quanto estivessem fortes ou em boas condições físicas, vocês terem treinando absurdos, pois estávamos atacando a vila shinobi mais forte e é completamente irracional que três shinobis nível kage e um bijuu derrotassem uma vila completa de shinobis fortes e habilidosos como Konoha. – Respirou fundo. – Eu passarei três anos sem poder entrar em batalha para não interromper o treinamento, e durante esses três anos não poderemos ficar no Monte Myoboku ou Uzushio. Nossa única solução é formar aliança com alguma grande vila, e a única saída é Kiri. E mesmo assim é um tiro no escuro, pois não sei se Mei-chan ainda quer algo comigo. – Concluiu seu raciocínio de peito estufado, completamente certo de que havia resolvido aquele problema. E havia, mas agora encontrava outro.
– Hinata: Mei-chan...? Ainda...? – Vociferou as palavras, lembrando-se do charme que Mei jogava para o lindo loiro de olhos azuis, como a mesma se referia ao Uzumaki nos tempos da guerra. Hinata se mordia de ciúmes quando ouvia aquilo e isso quando não tinha nenhum relacionamento com o rapaz. E agora? Que já havia até engravidado dele. – Desde quando a chama de CHAN? – Gritou a última parte, mirando um tapa no rosto dele. Teve de recuar ao ver a face horripilante que Naruto lhe mandava. Seus olhos trocavam de cor rapidamente, não permitindo ver qual forma tomava, notando-se apenas que trocava as safiras azuis para orbes brancas, que se destacavam na escuridão da noite.
– Naruto: Termine o que começou e será a última coisa que fará na vida. – Falou friamente, com uma voz sombria como a de um demônio.
Hinata deu dois passos para trás, enquanto seus olhos albinos tremulavam e marejavam. Seu coração deu um salto ao escutar aquilo, despedaçando-se completamente. Podia ouvir aquilo de qualquer pessoa que não se importaria. Não mais. Mas Naruto não era qualquer um. Ele era sua alma, sua felicidade, seu tudo. Colocou as mãos na boca, ameaçando choro e apoiou-se em Tsunade, que prontamente lhe socorreu, notando o que estava acontecendo. Hinata abraçou-a, buscando consolo. Qualquer um notava que a garota estava ruindo por dentro. Aquele era seu ponto mais fraco: o amor incondicional e obsessivo por Naruto.
Tsunade e Madoka ouviram aquilo, mas não eram tão sensíveis aos sentimentos. Não tanto quanto Hinata. Não que não tivessem levado um susto pelo comportamento do rapaz, mas conseguiram notar algo errado naquele momento.
– Tsunade: Acalme-se Naruto-kun! Respire fundo e controle-se. – Falava meigamente para o rapaz.
– Madoka: Tenha paciência, Naruto-kun. – Chegou perto do rapaz e puxou-o para um beijo quente e safado, como ela gostava. Naruto devolveu na mesma intensidade, apertando-a contra si. Os músculos dele estavam rígidos, tensos, como se ele estivesse pronto para qualquer ataque, porém foi relaxando aos poucos, conforme o beijo tornava-se mais apaixonado e menos intenso. Madoka havia feito sua parte.
A jovem Uchiha afastou-se dele, aproximando-se das outras duas garotas. Tomou Hinata para seus braços, para que Tsunade pudesse fazer algo. Naruto estava meio atordoado, como se batalhasse dentro de si mesmo, com as mãos na cabeça. A loira aproximou-se vagarosamente e tomou a cabeça do rapaz e trouxe-a para seu peito, sentando-se no chão com ele em seu colo. Seu corpo tremia e suava frio, enquanto ele segurava as mãos na cabeça. De uma hora para outra seu chakra expandiu-se por toda a área. Foi de uma maneira tão intensa, que Meishu, por instantes, não conseguiu bater suas asas. Mas foi apenas por pouco tempo, e depois disso encolheu-se novamente. O jovem Uzumaki agora dormia tranquilamente, com os músculos relaxados. Dormia feito uma criança.
– Tsunade: Mas o que está acontecendo com você, meu amor? – Sussurrou ao ouvido dele, apertando-o contra si. Ajeitou os cabelos mais compridos do rapaz, que agora o faziam a cópia perfeita do Yondaime, a não ser sua estatura mais alta e as marcas nas bochechas. Respirou fundo e chamou as garotas para perto de si.
Hinata estava profundamente abalada pelas palavras de Naruto. Ela era tão dependente do rapaz, que nem mesmo notou que ele estava completamente descontrolado. Ninguém poderia julgá-la, pois todos sabiam como ela o amava desde que havia adquirido sua consciência, ainda criança.
– Tsunade: Acalme-se Hinata! Naruto-kun estava fora de si por causa de seu doujutsu. Não sei porque, mas esse doujutsu é ainda mais forte que ele. – Falou a segunda parte olhando para o rapaz em seu colo. Hinata parou de chorar aos poucos, recuperando seu controle emocional.
– Hinata: C-como assim? – Falou incrédula. Não é que tinha dúvidas sobre o que tinha visto, mas sabia que Tsunade não tinha motivos para inventar algo de tal magnitude. – Escutar aquilo de Naruto-kun, e ainda mais daquela forma... Foi horrível! – Ameaçou chorar novamente, mas Madoka a encarou firmemente.
– Madoka: Você acredita mesmo que Naruto-kun falaria aquilo daquela maneira? Se eu fosse outra pessoa, começaria a duvidar desse amor que você sente por ele. – Madoka deu um choque em Hinata. O segundo da noite. Era a primeira vez que levava bronca da Uchiha, que ainda mantinha o olhar firme para a Hyuuga. – Tenho certeza de que se ele se lembrar do que falou irá pedir desculpas a você. Confie! – Abriu um sorriso tranqüilizador para Hinata.
– Hinata: Eu sei, eu sei! É que... Mesmo assim doeu muito. – Deixou as últimas lágrimas caírem e abaixou a cabeça. Passou as mãos pelo rosto e levantou-o novamente com um sorrido majestoso. – Desculpem por meu momento de fraqueza. – Respirou fundo, enquanto todas relaxavam mais um pouco. – Mas cobraremos uma explicação de Naruto-kun e Shinju-chan.
– Madoka: Mas com toda certeza! – Riu e fez o sinal de positivo com o polegar. Hinata e Tsunade riram da garota Uchiha, que de Uchiha tinha somente a linhagem.
Dentro da mente de Naruto estava Shinju estirada ao chão, de braços abertos e ofegando em demasia. Havia salvado a todos por pouco, aplicando quase todo seu chakra em milésimos de segundos para suprir o absurdo chakra que Naruto começaria a exalar. Havia descoberto que o jovem Uzumaki não podia sofrer fortes emoções, pois perderia o controle de seu doujutsu.
No momento em que Hinata ameaçou tapeá-lo, ele não se irritou, mas sentiu uma pontada no peito. Hinata era muito dócil e tranqüila, e para chegar ao ponto de tapeá-lo, completamente irritada, com certeza havia passado dos limites. Aquele sentimento em seu peito abriu espaço para que o doujutus dele tentasse despertar completamente, o que não aconteceu pelo fato de Shinju ter conseguido bloquear rapidamente, antes que ficasse forte demais para até mesmo ela conseguir fazer algo.
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Em Uzushio, Sasuke e Sakura viviam um momento perfeito em suas vidas. Saiam do quarto apenas para comerem, pois o banheiro era dentro do quarto também. Estavam suados e ofegantes, depois de mais uma transa alucinante. Tudo era mágico. Sasuke finalmente conseguiu tirar toda a aflição que sentia em seu peito, enquanto estava longe da mulher que deveria guiar seu coração, e Sakura finalmente havia conseguido sua maior ambição: o amor de Sasuke.
– Sakura: Está ficando cada vez melhor. – Sorria para ele, circulando o dedo sob o peito nu do Uchiha.
– Sasuke: Você está cada vez melhor! – Falou com uma voz cansada, e logo bocejou. – Estou exausto! – Riu para ela, virando-se de lado e encarando os olhos esmeraldas da rosada. Sakura riu de volta para ele.
O Uchiha puxou-a para si, abraçando-a e colocando o queixo na cabeça dela. Sentia-se feliz e quase completo. Faltava apenas concluir seus planos ao lado de Madara e finalmente ver-se livre de vinganças e tramas para seguir com sua vida junto da linda garota que cochilava em seus braços. Bocejou novamente, mas teve que cortar seu momento mágico para voltar sua atenção a quem entrava pela barreira de Uzushio naquele momento.
Levantou-se em um pulo, assustando Sakura, e vestiu seus trajes clássicos sob o olhar da garota, e só então se explicou.
– Sasuke: Madara passou agora a pouco pela barreira. Ele só vem aqui quando existe algo urgente, então acho bom que você se vista. – O Uchiha havia adotado novamente seu comportamento frio. Sakura vestiu uma das roupas que eles haviam achado no quarto de roupas. Era um vestido verde lodo cheio de bordados brancos e um laço na altura dos seios. Era visivelmente antigo.
Desceram para o primeiro andar e aguardaram a chegada de Madara na frente da bela casa que estavam habitando durante todo aquele tempo. Observaram de longe o Uchiha correr em alta velocidade e em instantes parar em sua frente.
– Madara: Mas vejam só... Você deve estar muito feliz, não, Sasuke-kun? – Gargalhou sozinho, enquanto Sakura escondia-se atrás de Sasuke. Estava assustada por estar na presença do pivô de toda a destruição da quarta grande guerra.
– Sasuke: Não enrole, Madara! Diga logo o que veio fazer aqui! – Falou friamente o Uchiha mais novo.
– Madara: Tudo bem... – Levantou as mãos para o alto, como se estivesse se rendendo. – Parece que não se lembra da reunião dos Kages, então vim aqui para buscá-lo. Estamos indo para o país do Ferro e aguardaremos a reunião por lá. Estaremos prontos para qualquer erro dele, para que possamos concertar qualquer antes de tudo ir por água abaixo. – Fincou seus olhos nos sharingans ativos de Sasuke, encarando-o.
– Sasuke: Certo! É realmente a melhor coisa a se fazer. Não acho indicado confiar em Hiashi para fazer tudo corretamente. Além do mais, não sabemos se Hiashi e ele irão seguir com o plano. Você os conhece bem. – Sasuke não precisava argumentar tanto, pois a decisão já havia sido dada por Madara, porém queria a todo custo sair de Uzushio e não podia argumentar nada com Sakura para poder manter seu orgulho Uchiha intacto. Aquela era a saída que Sasuke tanto havia pedido.
– Madara: Então está certo! Já está pronto? – Sasuke confirmou e os três shinobis puseram-se a correr em direção a barreira. Sakura havia ficado calada. Não era hora para se meter nos problemas de Sasuke.
Aproximavam-se do local de entrada pelo selo, que era indicado apenas por uma minúscula pedra. Quando se passava desta pedra, o genjutsu era ativado, tanto para quem está dentro, quanto para quem está fora. Ao se passar pela pedra, cria-se uma ilusão de mais ou menos dois quilômetros, que esconde a barreira, fazendo com que quem passe por ali, caso não seja especialista em genjutsu e não o note, nem perceba a barreira e continue seguindo seu caminho em meio a floresta ilusória até passar pela vila. Se por acaso o gentjutsu for notado e quebrado, a gigantesca barreira espelhada, composta de chakra Sennin moldado no Hyouton, é exibida. Ela cobre toda a Uzushio, como a casca de um ovo cobre o seu conteúdo. Só existem duas maneiras de se quebrarem o genjutsu e a barreira: O Rinnegan ou os conhecimentos de jutsus de selamento extremamente avançados, que morreram junto dos anciões Uzumakis.
Madara ativou seu Rinnegan e usando o Shinra Tensei, quebrou o genjutsu e a barreira de uma só vez, exibindo a área exterior do selo. Os três shinobis pararam bruscamente ao notar as presenças na saída do selo. Até mesmo Madara se assustou, enquanto Sasuke segurava seu sua tensão trás da face fria. Sakura tremeu, e mais ainda ao escutar a tão conhecia voz, só que completamente modificada pelo ódio.
– Naruto: Que coisa feia! Os tão honrados Uchihas invadindo terras dos Uzuamakis? – Falou do alto da cabeça de Meishu, ao lado das três garotas. Pulou de lá e caiu a cinco metros dos três shinobis. Encarou todos, um por um, e pôs suas safiras em Sasuke. – Esta é a bela reuniãozinha dos descendentes do Rikudou. – Falou friamente, enquanto expandia seu chakra, preparando-se para a batalha.
Sakura logo se ajoelhou, sem forças para se manter de pé. Sasuke ficou em pé com muito esforço, e Madara sorriu alegremente. Teria novamente um grande adversário que o faria se divertir bastante.
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