Cinzas da Guerra: As Mudanças de um Shinobi
49 Capítulo 49: As Mudanças de um Shinobi - Parte 2
Notas iniciais
Capítulo 49: As Mudanças de um Shinobi – Parte 2
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Os impactos eram como estalos no ar. Uma rajada de vento razoavelmente forte rugia a cada golpe defendido com os antebraços ou pernas, junto de um gemido de dor ou ofego de força e cansaço. Havia apenas três regras: Nada de jutsus, utilização de, no máximo, três bunshins e perderia aquele que tocasse no chão. Minato treinava contra Yumi e Ushio, ambos a cerca de vinte metros do chão, devendo criar bunshin para que lhes jogassem frequentemente para cima e não caíssem. Kakashi havia pensado nesse tipo de treinamento para que as crianças desenvolvessem raciocínio rápido e melhor uso dos bunshins.
Enquanto os três trocavam golpes de taijutsu no ar, Yui e Nike lutavam no chão. Kenichi, o caçula, filho de Mei, tentava dominar as principais técnicas de seus doujutsus, aplicando os golpes contra uma vasta área repleta de árvores.
Hinata e Tsunade olhavam, perto de Kenichi, o desempenho das crianças. Kakashi e Jiraya estavam mais próximos de Minato, Yumi e Ushio, gritando dicas e corrigindo falhas dos garotos.
Hinata jamais se sentiu confortável com a presença dos shinobis de Konoha. Um simples olhar para qualquer um e as lembranças de Naruto vinha em sua mente. Os momentos felizes, as decepções, o corpo frio... Ela passou os braços envolta do corpo, sentindo os olhos arderem. Segurou firme a vontade de chorar e olhou para Jiraya.
Não sabia dizer direito o que sentia por ele. Naruto sempre o considerou muito, mesmo depois de ter pensado banir a técnica do Edo Tensei sobre seu mestre. Jiraya foi o mais próximo que teve de um pai, quem lhe ensinou as lições mais importantes de sua infância e adolescência, tendo participação na formação de seus ideais e caráter. Naruto simplesmente o amava, mesmo tendo sido traído por ele.
Jiraya não era muito de falar desde que os fugitivos de Konoha começaram a viver com as esposas e filhos de Naruto. Podia-se ver a amargura e culpa no olhar sempre baixo dele. Hinata guardava um gigantesco rancor em seu peito, e culpava Jiraya, Mei e Kakashi, principalmente. Não que Konohamaru, Ino, Tenten e Shikamaru não tivessem participação, mas Mei era a esposa de Naruto, enquanto Kakashi e Jiraya haviam sido mestres e conselheiros dele.
Uma lágrima solitária conseguiu descer e Hinata virou-se para sair do local, com os lábios começando a tremer. Só Kami sabia como havia sido forte todo aquele tempo, e se não fossem seus filhos, com certeza já teria ido em busca de Naruto, onde quer que ele estivesse.
Andou vagarosamente para dentro da floresta, desviando do caminho que levava para a residência. Andou, pensativa, por cerca de vinte minutos. Há muito já havia passado da casa e se engrenhado no meio da mata. Via diversas espécies de animais que Naruto havia levado para aquele lugar, tentando deixa-lo o mais natural possível. Parecia mesmo uma floresta qualquer, repleta de árvores que em certo ponto fechavam a luz que vinha de cima, prezando uma escuridão que, naquele momento, machucava ainda mais o coração da garota de olhos perolados.
Escutou, alarmada, um ruído mais à frente. Ativou o Byakugan e arfou ao notar quem e o que aquela pessoa fazia naquele lugar. Desativou o doujutsu e andou vagarosamente. Haviam quatro gigantescas árvores, de troncos grossos e galhas pesadas que pousavam o chão, fazendo uma coberta para a pequena cabaninha de madeira e palha no meio da escuridão. Mas uma fraca luz vazava pela pequena janela. A luz oscilava, mais forte, mais fraca. Tratava-se de uma vela ou lareira, com certeza.
Hinata respirou fundo e tentou conter a emoção do momento. Usou o amor que ainda possuía para combater a fúria e indignação. Engrossou os passos, pisando com firmeza, e entrou na cabana, chutando a porta com tudo.
Abriu a boca para urrar em fúria, mas estancou ao ver a cena. As pernas tremeram e ela quase desabou, mas segurou-se na fraca madeira que deveria ser a parede da minúscula cabana.
Mei, dez quilos mais magra que antes da morte de Naruto, estava deitada numa pequena cama. O colchão era gasto e roído. Havia uma lareira acesa do outro lado, e de frente para a entrada da cabana, um altar tradicional japonês com uma foto de Naruto ao centro. Hinata virou-se novamente para o rosto anormalmente pálido e magro da mulher, sentindo raiva, nojo e... Pena.
Hinata lutava contra seu próprio coração. Sentia uma raiva e mágoa indescritível por Mei. Ela traiu seu marido, entregando-o como um porco ao abate para os inimigos. Havia morrido também, junto de Madoka, conseguindo, por um sacrifício enorme, voltado à vida. Era demais para uma pessoa qualquer perdoar. Mas, por Kami, Hinata era boa demais para odiar uma pessoa que definhava dia após dia numa culpa catastrófica sem limites. Sim, porque não era necessário que Tsunade, Hinata ou até mesmo os filhos de Naruto lhe esfregassem na cara o que ela havia feito. Ela o fazia por si só.
Mei jamais havia iniciado uma conversa com Tsunade ou Hinata, e falava o básico com as crianças ou com os ninjas de Konoha. Até mesmo seu filho tinha mais contato íntimo com Hinata, Tsunade, Hanabi e Mabui do que com ela. Ela mesmo tratava de cravar a culpa e a mágoa em seu peito, sem a necessidade de Hinata o fazê-lo. E ainda assim, sempre que tinha a chance, Hinata a olhava com todo o nojo e repulsa que sua essência calma e dócil a forçou a juntar.
Os olhos verdes opacos olharam para as pérolas. Mei ameaçou soltar um sorriso amarelo, mas se conteve. Ela vestia um vestido amarelo claro que ia até os pés, sustentado por alcinhas finas. Abraçava uma das capas que Naruto usava para trabalhar. Ainda havia o cheiro dele. Bem mais fraco, claro, mas o suficiente para fazê-la ter horas de um prazer masoquista, onde mesmo aproveitando, sofria ainda mais.
Hinata pensava se não era o suficiente por hora. Faria bem a ela mesma sustentar tanta raiva e repulsa por Mei? Será que Naruto ficaria feliz com isso? Ela não sabia. Ou ao menos queria não pensar muito nisso. No fundo de seu ser, ela sabia que Mei sofria tanto ou mais que ela mesma. Era visível a carga de dor que os olhos verdes e o corpo surrado carregava.
E a garota de olhos perolados tinha medo de pensar nisso e chegar à conclusão de que Mei deveria ser perdoada. Onde diabos, então, ela iria sustentar suas emoções? Fora a raiva por Mei que lhe dera forças, junto do amor a seus filhos, de se manter firme.
Ela havia dito uma vez que o mundo dela era Naruto, que sem ele ela nada seria. E, pelos Deuses, era tudo muito verdade! Mesmo que tivesse amor de sobra para seus filhos, faltava uma grande parte de felicidade em seu ser.
– Hi-Hinata... – Mei sussurrou, com a voz embargada e fraca. Já eram cerca de quatro horas da tarde, e provavelmente a ruiva não havia comido nada naquele dia, já que não havia visto ela durante o almoço. Hinata entrou devagar na cabana, ajoelhando-se de frente para o altar dedicado ao amado marido. Mei virou-se de lado na cama, com dificuldade. Hinata olhou com o canto dos olhos. Mei iria desmaiar a qualquer instante. Podia ver a respiração fraca e os tremores leves no corpo fraco da Uzumaki. – E-eu... Eu já pedi desculpas tantas vezes que quase não conheço mais essas palavras... – Ela falou fracamente e abraçou o próprio corpo, deixando mais lágrimas caírem. – Eu sinto tanta culpa que não sei mais por quanto tempo conseguirei viver assim... – Hinata não deixou perceber, mas sentiu como se estivesse sendo rasgada por dentro. Não é que Mei não merecesse seu desprezo, mas devia-se reconhecer que aquela mulher morreria a qualquer hora de tanto desgosto e mágoa de suas próprias ações. Hinata já havia escutado o relato completo de Jiraya mais de duas vezes. Já conversara com Tsunade, que aceitara de melhor modo as atitudes deles. E Hinata entendia. Não concordava, claro, mas entendia. Eles agiram mal, pelas costas de Naruto. Mas foi por um bom motivo... não é? Hinata não queria admitir, mas sabia que ela mesma gostaria de ver o velho Naruto novamente. Não que Naruto as tratasse diferente dos outros, com frieza e usando seus cálculos para alcançar um objetivo. Não. Definitivamente não. Naruto era amável, carinhoso e atencioso. Mas era muito injusto que ele fosse julgado como assassino brutal e frio, comandante mão de ferro e traidor de sua nação.
Hinata mordeu o lábio inferior, irritada e trêmula, quase se entregando ao choro novamente.
– Eu queria que você... Ao menos dissesse que entende, Hinata. – Mei continuou. A voz ficou mais forte, mas ainda embargada e trêmula. – Eu desejo seu perdão, mas sei que não sou digna. Ao menos diga que entenda... Eu... – O choro se intensificou e Hinata virou o rosto totalmente para ela. As duas, com lágrimas nos olhos, se encararam por um ou dois minutos, trocando suas dores. – Eu estou tão fraca que não sei mais até quando vou conseguir sentir minhas dores... E quando elas cessarem, tenha certeza, não poderei sentir mais nada. Talvez a morte possa não se sentir gentil o suficiente para chegar primeiro... – Hinata entendeu ao que ela se referia. Morrer não era o pior que lhe poderia acontecer. A loucura estava tão próxima que Mei podia senti-la arfar na parte de trás de seu pescoço.
E Hinata pôde, enfim, guardar o rancor e mágoa, juntamente com a ira, dentro de si. Quando havia se tornado aquele tipo de ser humano? Tudo bem, Mei e Jiraya, acima dos outros, eram culpados. Mas... Olhar para Mei daquela maneira fez com que Hinata participasse da fragmentação ridícula, a mutilação emocional que aquela mulher, antes forte e corajosa, sofria lentamente. Era como se a própria Hinata, a cada olhar com repulsa e nojo, lhe arrancasse um dos membros de maneira brutal.
Tudo bem, já havia matado inúmeros shinobis, civis e, talvez, até mesmo inocentes. Mas aquilo era diferente do que estava participando agora. Hinata mal pôde torturar fisicamente seu pai, que lhe havia forçado um aborto, ação que desencadeou um efeito dominó para que viesse desabrochar sua nova personalidade. Não tinha porque Hinata ajudar tanto no sofrimento de Mei. O perdão ainda estava longe de seus pensamentos, mas concordar que fazer Mei sofrer lhe faria melhor já não era mais tão plausível.
Hinata se levantou devagar e sentou do lado de Mei, na cama. A ruiva temeu que fosse ser agredida, afastando-se o mais rapidamente que seu corpo pôde, para o lado. Hinata sorriu com o canto dos lábios, amargurando o fato de assustar uma pessoa pelo simples fato de se aproximar. Devo ter descido muito, pensou.
– Escute, Mei... – Hinata começou, falando de maneira dócil. Pegou uma das mãos de Mei e prendeu em meio as suas com carinho. – Confesso que jamais poderei perdoá-la por participar de um plano tão baixo. Sei que não trato os ninjas de Konoha da mesma maneira, mas entenda que uma coisa são antigos amigos traí-lo, outra é a esposa em que ele tanto confiou. – O olhar penetrante dos olhos perolados invadiu com força o de Mei, fazendo-a marejar novamente. – Mas não quero participar do que talvez possa acontecer caso você continue definhando assim. Não desejamos vingança nem mesmo para Sasuke, quanto mais para você. – Hinata respirou fundo, sentindo suas forças içadas pela ira caindo lentamente. Sem os sentimentos negativos para Mei, sobrava uma parte oca, uma parte solitária e sofrida dentro de si. A parte onde nem mesmo o amor por seus filhos conseguia curar ou preencher. – Podemos tentar nos acertar... Não sei... Será difícil, mas não acho que Naruto-kun ficaria feliz em ver como estamos agora. – Mei olhou para Hinata, abismada.
Mas apesar do esforço de Hinata, o problema não era apenas a aceitação do perdão pela parte dela ou não. Ultrapassava essas barreiras. Mei sentia-se infeliz consigo mesma. Claro que ter o olhar forte de Hinata contra si lhe feria ainda mais, porém a solução para seu mal estar não dependia apenas do perdão de Hinata.
– E-eu... Agradeço, Hina... Do fundo do coração. – Ela tocou o peito com a mão livre, tendo em vista que a outra Hinata segurava com carinho. – Tenho fora das costas um peso enorme por ouvir isso de você. Mas me sinto triste comigo mesma. Não sei se consigo superar. – Ela novamente começou a choramingar.
Hinata pensou em se levantar e ir embora, mas sua mente estalou, como se recebesse chibatadas de dor e alegria ao mesmo tempo.
– Você não é uma ninja? – Perguntou com os olhos molhados, mas voz divertida. – Naruto-kun sempre disse que ninjas tem aguentar firme! Quem seríamos nós – Apontou para Mei e para si. – Se fraquejássemos agora? Com que direito poderíamos dizer que fomos esposas de Uzumaki Naruto e somos mães dos filhos dele? Como poderemos ter moral para ensinarmos as lições para nossos filhotes cabeça-oca? – Mei não pôde esconder a surpresa. Primeiro ela travou, não conseguindo pensar em nada. Depois os olhos baixaram e o choro começou mais forte, fazendo-a tremer e Hinata ficar confusa entre abraça-la ou apenas falar algo. Apesar de ter meio que perdoado, Hinata não se sentia à vontade para contato tão íntimo. Ainda doía saber que Mei tinha feito parte daquilo, mas tinha que ser forte. Naruto, o ainda ingênuo e, aos olhos de Hinata, perfeito Naruto, perdoaria a falha de Mei ao ver tanto sofrimento. Ela devia fazer o mesmo.
Hinata curvou-se, vencendo o espaço entre as duas, e abraçou Mei. Se possível, sentiu-se pior ainda ao notar o quão magro estava o corpo antes voluptuoso da bela ruiva. Os ossos eram de uma solidez quase pontiaguda ao coração de Hinata.
– Vamos superar o que aconteceu. – Hinata disse. – Nós duas, juntas. Vamos fazer jus ao nome Uzumaki do nosso clã.
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– Está pronto, Ameno-sama? – A voz macia e feminina soou até os ouvidos de Naruto. Estavam num espaço aberto bem distante do palácio dos deuses. Já havia se passado uma semana desde que Naruto havia despertado do sono que, segundo Izanagi, foi o tempo necessário para que pudesse renascer como Ameno. O grande Ameno estava vestido apenas com uma calça preta, descalço e sem camisa, para ficar mais à vontade no treinamento. Diante dele estava Tsukuyomi. A bela mulher usava uma calça também negra e uma blusa curta, pouco acima do umbigo e bem justa, ressaltando os volumosos seios que hora ou outra tiravam a atenção de Naruto. Os cabelos perolados estavam amarrados em um rabo de cavalo e ela empunhava uma katana dor de prata e de cabo totalmente dourado, feito de ouro.
Naruto tinha em mãos uma espada de um metro e trinta centímetros de cumprimento e que pesava algo em torno de trina e cinco quilos, com forma de losango e afinando-se em direção aos brilhosos gumes. Possuía a proteção do cabo com duas pontas afiadas para os lados, o que possibilitava o usuário utilizar-se delas em algum momento de batalha em que estivesse mais próximo do adversário. O cabo era grosso, encaixando-se perfeitamente na grande mão de Naruto, e brilhava levemente em tom prateado quando o Ameno lhe tocava. Izanagi dissera que apenas Naruto, o grande Ameno, poderia empunhar a espada Shikami, A Espada Deusa.
Era a primeira vez que Naruto iria combater Tsukuyomi a sério. Ela havia ficado com a missão de treiná-lo o combate com espadas, afinal Naruto nunca havia gostado muito de usá-las. Infelizmente, para ele, seria necessário, uma vez que não poderia mais se defender ou atacar com técnicas baseadas em chakra. Era força física e corte com espadas, apenas.
– Podemos começar. – Assim que os lábios se tocaram para pronunciar o último som da palavra, Tsuki já estava diante de Naruto, cravando Tsuki no Claíomh, A Espada do Luar, contra a Shikami de Naruto.
O impacto fez os dois flexionarem os joelhos, trincando o chão abaixo de si e criando uma zona de vácuo ao redor. Tsuki de um impulso com a espada, fazendo Naruto recuar uma passada. Ela girou o punho no cabo da Claíomh, segurando-a com o dedão para a parte debaixo do cabo e apoiando o braço esquerdo no chão, impulsionando a ponta da katana para o pescoço do Uzumaki. O golpe foi certeiro. O sangue explodiu com fúria do pescoço de Naruto, espirrando e molhando todo o chão ao redor. O loiro cambaleou para trás e levou uma mão para o pescoço. Ao tocar o lugar onde havia tido o enorme corte, já não havia mais nada a não ser o sangue. Já havia se restaurado; era imortal, afinal.
– Ainda vou demorar a me acostumar com isso... – Ele falou baixo. Tsuki olhou confusa e ele suspirou. – Com o fato de ser imortal e de lutar com espadas...
Naruto havia tido uma conversa mais profunda com Izanagi e Shinju. De fato ele era imortal, mas apenas perante mortais. Qualquer imortal poderia conseguir matá-lo, por mais que fosse quase impossível devido a força absurdamente superior a todos os demais. Os pontos fracos eram: coração e cabeça. Naruto poderia ser morto caso tivesse seu coração, o símbolo da emoção, perfurado, ou então tendo a cabeça decepada ou cérebro perfurado, a fonte da razão. No fim, tudo se resumia em razão e emoção.
Foram esclarecidos fatores sobre a linhagem de Naruto. O porquê dele ter saído tão parecido com Minato, praticamente uma cópia, diferenciando apenas por uma estatura um pouco mais e os “bigodes felinos”, que eram herança direta de Izanagi e Kurama, portadora da terceira essência para alcançar o poder de Ameno. Graças a isso, os filhos que tivera foram todos loiros de olhos azuis e possuíam os bigodes, assim como ele. De fato ele achou estranho por demais ter tido quatro filhos e todos eles terem nascido completamente iguais à si.
– Preciso que foque, Ameno-sama! – Tsuki avançava novamente. Naruto conseguiu esquivar para o lado esquerdo, depois se abaixou e seguiu desviando e trocando golpes com a mulher. – O senhor possui mais força, velocidade e astúcia que qualquer outro Deus, mas lhe falta perícia com espadas. – Ela dizia enquanto golpeava a Naruto. Era verdade, ele sentia isso. A velocidade que Tsuki lhe atacava era absurda, mas ele desviava, defendia ou revidava apenas por instinto. Era algo quase automático, era como se fosse sua essência.
E assim o treinamento seguiu pelo restante do dia. Naruto havia sido ferido “mortalmente” várias vezes, e golpeado algumas vezes a sua sensei particular. Ela ficou impressionada quando levou o primeiro corte do meio dos seios até o umbigo, lhe rendendo um brutal derramamento de sangue, mas se recuperou instantes após. Ela imaginava que o grande Ameno só conseguiria lhe acertar lá para o quatro ou quinto dia de treinamento. Fui tola e subestimei nosso Deus supremo, pensou no momento.
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Faltavam apenas três dias para o grupo de Izanagi e Ameno avançarem contra Izanami, no submundo. Naruto ficou bestificado ao ver a chegada dos servos de Tsukuyomi, Susano’o e Amaterasu. Os três deuses eram servos de Izanagi, e o próprio era servo de Naruto. Logo, aqueles quase quarenta mil seres imortais eram servos de Naruto. Haviam criaturas de formas diferentes, assemelhadas a animais, mas em sua maioria eram humanos. Pessoas que viveram na terra em outras eras e estavam ali para serem “limpas” e assim voltarem à terra. Se o lugar onde se limpam as almas está tão sujo, não me é estranho que a terra esteja tão podre..., Naruto analisou em sua consciência, notando o quanto tinha que trabalhar para mudar aquilo.
Ameno treinava com Tsukuyomi nesse momento. E em paralelo com isso, Shinju tratava com Izanagi em uma das saletas mais escondida do castelo.
– Ele não desconfia, tenho certeza! – A voz feminina disse, um tanto quanto nervosa. Temia que Izanagi não confiasse no que dizia.
Ele a analisou seriamente por alguns minutos. Shinju tentou fugir daquele olhar azul recheado de gumes afiados. Mas se sentia refém, como um íman, voltando a olhá-los. Estava a ponto de surtar quando ele suspirou.
– Sabe que não podemos falhar, não é? – Ele perguntou sério. Ela engoliu em seco e afirmou. – Seduza-o. – Ela arregalou os olhos.
– Como? – Ela quase riu em ironia. – Acredito que não tenhamos tempo para ideias tão absurdas.
– Ele não se deita com uma mulher há cinco anos. Por mais que em sua mente não se tenha passado tanto tempo, o corpo sente. Ele é um Deus, entidade superior. – Ele cerrou os olhos ao dizer aquilo. Sentia que ao deixar claro que Deuses eram melhores que humanos, intimidava ainda mais Shinju. – Mas ainda assim possui desejos. Há palha seca, minha linda Shinju. – Ele se levantou da cadeira e se aproximou da garota, pegando uma mecha dos lindos cabelos e cheirando. Shinju sentiu o olhar intenso dele em seus lábios e decote pequeno, mas chamativo pelo tom brilhoso. – Acenda-o! – E se levantou, indo para a saída da saleta. Mas parou ao chegar na porta, virando-se novamente. – Faça-o pegar fogo a ponto de não notar nossos planos. Deixe-o atordoado com sua pureza e faça a troca das espadas. – Ele finalmente saiu, deixando Shinju confusa a ponto de não saber se respirava de tranquilidade, corava intensamente pelo que deveria fazer, ou rugia em fúria.
Optou por rugir, jogando a mesa do lugar com brutalidade na parede, transformando-a em frangalhos. Ofegou e sentiu os olhos lacrimejarem. Ouviu o som metálico e virou-se, vendo a cópia exata da Shikami, a espada de Ameno. Ela deveria ter a confiança de Naruto em suas mãos, ainda mais do que já tinha, e trocar as espadas depois do último treino dele antes da guerra.
Com a espada falsa, quando fosse finalmente lutar contra algum dos oponentes que poderiam lhe dar alguma dificuldade, Izanami, Kagutsuchi ou o Shinigami, seria o momento onde lhe dariam o golpe que acabaria com tudo aquilo. Ele levaria o golpe final.
Shinju riu de maneira ferina e pegou a espada com força.
– Está quase acabando, Naruto-kun...
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– Maldito seja! – Sasuke bradou em fúria. Os dois Jounnins responsáveis pela monitoração das equipes de busca estavam diante dele, trêmulos de medo. – Como diabos não conseguem ao menos identificar o desgraçado que está tirando minha paciência? – Os homens balbuciaram coisas inteligíveis, irritando Sasuke ainda mais. – Fora! – Aquela pequena palavra, dita tão baixa, mas tão recheada de obscuridade, os assustou mais que os quase gritos e urros. Aquele era o pequeno aviso que tanto conheciam de seu ditador: sair em cinco segundos ou morrer. Não seria a primeira vez.
Havia retomado, há pouco mais de três meses, as buscas pelas esposas e descendentes de Naruto. Eles não incomodavam diretamente os planos de Sasuke, mas mesmo assim ele queria se ver livre deles. Para ele, eram como moscas escondidas em um quarto onde se vai dormir. Não fazem mal, não cheiram mal, não fazem barulho. Mas mesmo assim é irritante saber que estão lá.
Havia enviado um grupo de reconhecimento contendo seis ninjas. Quatro Chuunins e dois Jounnins. Porém, dez dias depois, tempo absurdamente extrapolado para envio de notícias para o Fuhrer, não houve notícias. Sasuke, então, enviou uma segunda equipe de cinco ninjas. Nada, mais uma vez. Na quinta equipe de investigação enviada, um Chuunin conseguiu voltar vivo.
– Senhor – Ele disse, ofegante e engasgando em seu próprio sangue. – É o próprio demônio! Um homem alto e magro, de cabelos negros. Estripou e matou a todos tão rápido que nem conseguimos ver. E-eu... – A voz dele começou a ficar falha. Estava morrendo. Sasuke, impaciente, deu o golpe de misericórdia.
Mirou o Mangekyou nos olhos do morto, investigando a mente dele. Era realmente como ele dizia. Um homem alto, medindo certa de dois metros e vinte, magro e de cabelos negros lisos e longos. Não conseguia ver mais que isso. As mortes foram rápidas e brutais. Sasuke logo chegou à conclusão de que o ninja vivo havia sido enviado como aviso para alguma coisa.
– Malditos Uzumaki! – Vociferou. – Mesmo quase extintos, continuam dando trabalho. – Suspirou.
Ele mesmo havia cogitado a possiblidade de ir atrás desse tal assassino que estava incomodando nas buscas dos Uzumakis. Com certeza tinha ligação com a família de Naruto. Eles deveriam estar expostos por agora, já que antes não havia tido esse problema. E tal ligação do ninja desconhecido com Naruto era praticamente certa. Os ninjas enviados para a missão de reconhecimento haviam ido pelo mesmo local, visando chegar ao mesmo local, para o mesmo objetivo.
Enfim... Sakura o havia “proibido” de sair de Konoha. Claro que Sasuke não obedeceria Sakura apenas por capricho. A amava, claro, assim como a tratava com carinho. A ela e a seus filhos. Mas Sakura não tinha autoridade perante ele. Mas os motivos dela eram convencíveis. Sasuke temia que houvesse uma revolta assim como houve quando Naruto assumiu Kiri. Não que temesse perder o poder, afinal poderia facilmente aniquilar todos os rebeldes. Mas a possibilidade de ter sua família feita de refém ou morta era totalmente inaceitável.
Ficou no escritório até tarde, sem perceber a hora até que fosse quase meia noite. Colocou sua capa de comandante e se retirou para sua casa, de maneira lenta e comum.
Ao mesmo tempo, em um dos bairros mais humildes de Konoha, uma pessoa andava com cuidado e por entre as escuridões dos becos e sombras dos postes. As habilidades ninjas eram superiores aos guardas que rodavam por ali de vigília. A capa negra deixava a identidade da pessoa totalmente escondida. Mas podia-se perceber o corpo esbelto e pequeno; feminino.
Escalou pela parede de uma casa humilde e entrou pela janela escondida no beco escuro. Pisou no chão com cuidado e logo sentiu o gume afiado de uma kunai em seu pescoço.
– Sou eu! – Falou calma, escondendo o nervosismo interno que a fez bambear as pernas.
– Sakura... – A voz grossa falou com calma e frieza. – Rápido!
– Você precisa ter mais cuidado. Sasuke está furioso e não conseguirei mantê-lo aqui em Konoha por muito tempo. Logo ele irá dar um jeito de nos deixar protegidos ou até mesmo nos levar junto. – Ela falou rápido, mas a outra pessoa conseguiu acompanhar a tudo. Não era bom irritar Sasuke, mas as mortes dos ninjas foram necessárias. Eles haviam descoberto onde a família de Naruto se abrigava.
Estalou a língua, contendo sua irritação. Malditos humanos! Eu lhe avisei, Shinju!
Teve que aniquilar a todos que saíram para averiguar aquelas redondezas. Não poderia deixar exposto o lugar onde os Uzumakis se resguardavam. Deixou que um sobrevivente fosse dar o recado apenas desviar o foco. Sasuke poderia pensar que eram eles, os Uzumaki, a estarem matando os ninjas. Nesse caso ele logo cederia aos impulsos e iria pessoalmente para lá. E nem mesmo ele, Meishu, conseguiria conter a fúria Uchiha.
– Certo! Continue me informando... – Ele falou sério e virou as costas, indo para outro cômodo. Sakura saiu pela mesma janela, colocando novamente a capa.
Correu velozmente de volta para casa. Havia se arriscado em ir passar as informações. Sasuke estava quase explodindo em fúria, afinal. Não seria bom se ele fosse pessoalmente para essa missão, e por isso ela tentava de toda forma convencê-lo a adiar o máximo que pudesse.
Avistou sua bela casa e avaliou o estado em que estava. As luzes estavam todas apagadas, assim como havia deixado. Ergueu os olhos e viu o prédio Kage com a luz da sala de Sasuke acesa. Não eram longe um do outro, afinal. Rumou, então, para sua casa, convencida de que Sasuke ainda estava trabalhando, assim como imaginou que havia acontecido.
Enganou-se, no entanto.
Quando deu o primeiro passo dentro do quarto, depois de entrar pela janela, percebeu os olhos vermelhos intensos que lhe miravam. Seu estômago virou e ela se sentiu tonta.
– Onde estava, Sakura? – A voz gélida, raramente usada para si, penetrou seus ouvidos. Ela sentiu o estômago embrulhar. – Onde estava, Sakura? – Não era mais uma pergunta.
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