Cinzas da Guerra: As Mudanças de um Shinobi
45 Capítulo 45: 5ª Grande Guerra - Parte 5
Notas iniciais
Capítulo 45: 5ª Grande Guerra — Parte 5
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– Temos contas a acertar, Uzumaki Hinata. – A voz grave e meio distorcida surpreendeu ainda mais a olhos perolados, mas não foi capaz de esconder o deboche ao falar seu nome. Hinata colocou-se em posição de batalha e viu sua oponente fazer o mesmo. O corpo da mulher começou a criar manchas negras por todo ele e logo o chakra triplicou de tamanho. Não sabia o que aquela garota havia feito, mas estava extremamente poderosa. A luta seria acirrada.
– Hinata: Temos muitas coisas a acertar, Uchiha Sakura. – Falou com um sorriso no canto dos lábios, devolvendo todo o sarcasmo ao citar o desprezível nome Uchiha.
Em um piscar de olhos, ambas cruzaram os antebraços e geraram um impacto, afundando na própria potência de seus golpes. As rochas voaram ao redor, e vento concentrou. Ambas mantiveram a força concentrada nos golpes, como se tentassem empurrar uma à outra. Hinata sentiu seus ossos doerem e recuou. Apesar de tudo, Sakura era dona da maior força física. Hinata a analisou.
Sakura possuía seus cabelos rosados na altura dos ombros, mas os mesmos levitavam com a energia mantida pelo corpo feminino coberto apenas por um short não muito curto e uma blusa no umbigo. A pele estava coberta de pétalas de flores negras. Os olhos verdes davam lugar a um negro total. Na nuca havia o selo amaldiçoado brilhando.
– Sakura: Sim... o selo amaldiçoado... – A rosada falou com um sorriso. – Não fosse ele eu não teria conseguido lidar com o golpe anterior. Mas tem mais! – Sakura cruzou os pulsos diante do peito e suspirou. – Byakugou. – Os selos brilharam em todo o corpo de da garota, como correntes queimando sua pele.
Sakura iria vir com tudo, sabia Hinata. A morena fechou os olhos e suspirou. Juntou chakra nos pulsos e ativou o Byakugan no Fan. Ao abri-los, Sakura já estava à sua frente, e com o Byakugan foi fácil saber que não deveria defender, mas sim desviar. Hinata abaixou-se e foi tarde para desviar da rajada de vento que acompanhava o chakra absurdo que preenchia o pulso da rosada. O vento surrou o rosto da garota como milhares de navalhas e Hinata aproveitou o impulso para pular para trás com mais velocidade. Sakura já investia novamente, mas Hinata não falharia desta vez.
– Hinata: Punho Gentil dos Leões Gêmeos. – Os pulsos criaram o jutsu conhecido de Sakura, e agora a rosada procurava uma maneira de investir com mais segurança. Sakura parou, mas Hinata investiu desta vez. A Uzumaki inclinou-se para a frente e colocou os pulsos para trás, injetando chakra para acelerar ainda mais. Praticamente voou para a direção de Sakura e a rosada deu um passo para o lado, na tentativa de desviar. O soco de Hinata passou por cima do ombro de Sakura, e a rosada sorriu. Mas, assim como a Uchiha, a Uzumaki também possuía seus truques.
O chakra manipulado pelo Byakugan no Fan explodiu do lado direito de Sakura, trazendo-a novamente para onde Hinata estava. A Uzumaki passou o braço pelas costas de Sakura, o mesmo que havia tido a trajetória errada, como se fosse abraçar a Haruno. Fixou ali o braço e guiou o outro no peito da rosada. Foi fatal. O pulso atravessou o vale entre os seios de Sakura, esmagando os ossos, órgãos e tudo no caminho. Hinata ficou surpresa pelo seu feito, arqueando as sobrancelhas, ainda sustentando o corpo da garota com seu braço nas costas.
A olhos perolados soltou o corpo de Sakura ao chão, mas afastou-se lentamente, andando de costas. Aquilo foi estranho, definitivamente. Hinata sabia que Sakura era demasiadamente poderosa para perder de uma maneira tão rápida e vergonhosa. E estava certa. A Haruno começou a brilhar no lugar onde havia ferido, e segundos após levantou-se como se nada tivesse acontecido.
– Hinata: Então o Byakugou também foi evoluído... – Falou a si mesma.
– Sakura: O Byakugou sempre foi muito poderoso, mas Sasuke-kun me deu uma boa dica... – A garota estralou os ossos do pescoço e encarou Hinata. – A recuperação instantânea é muito boa, mas perde-se uma boa chance. Se o adversário pensar que o usuário está inutilizado, relaxará, então a recuperação vem segundos após, podendo surpreendê-lo. Infelizmente você foi inteligente... – Sakura sorriu e investiu novamente.
Enquanto uma tentava acertar a outra, já que Hinata, definitivamente, não poderia levar golpes de Sakura, e não podia arriscar a troca de golpes, a morena analisava os movimentos da rosada. Sakura possuía mais força física, com um poder de destruição bem maior. Era mais lenta, mas parecia esconder diversas cartas na manga. O Byakugou lhe faria imortal enquanto estivesse ativo. Seria arriscado ir com tudo agora e não ter mais nada quando Sakura fosse realmente levar a sério. Iria no ritmo em que a Uchiha indicasse.
– Hinata: Técnica Secreta do Byakugan no Fan – Elemento Cristal: Flor de Jade. – Sakura viu a grande concentração de chakra e ficou atenta. Mas não houve jutsu ou efeito de nada. Hinata focou o Byakugan no corpo de Sakura e cerrou os olhos, como se forçasse uma explosão de chakra dentro do corpo da rosada. Mas, mais uma vez, nada aconteceu.
– Sakura: Elemento Terra: Armadura de Terra. – O braço de Sakura foi coberto por uma terra dura, como parte de uma armadura. Hinata, devido à falha de seus jutsus, ficou exposta ao golpe. O soco foi certeiro no rosto da Uzumaki. Hinata arrastou-se pelo chão até bater em uma árvore, a alguns metros de distância.
Apoiou os cotovelos no chão e, com o corpo tremendo devido às dores absurdas do único golpe, levantou. Tocou levemente o queixo e sentiu uma dor eletrizante descer até o peito. O maxilar havia trincado. Não poderia vacilar novamente.
– Sakura: Não conseguirá manipular o chakra que possuo dentro do corpo. Não é um chakra comum... É o chakra Sennin do selo amaldiçoado. – Hinata finalmente entendeu o que aconteceu com seus dois golpes anteriores.
Hinata avançou novamente, com o Punho Gentil dos Leões Gêmeos. Sakura armou-se defensivamente, mas Hinata era mais ágil. Um soco veio na altura do abdômen, outro entre os seios e um último no rosto. Sakura cambaleou para trás e Hinata continuou avançando. Foram vários golpes seguidos, que deixariam qualquer shinobi derrotado. Mas, infelizmente, Sakura possuía auto regeneração e isso complicava tudo. Hinata concluiu sua sequência de ataques de taijutsu e executou uma pequena sequência de selos.
– Hinata: Elemento Cristal: Tabuleiro. – Várias colunas grossas de cristal subiram, criando uma espécie de sala repleta de estacas. O local tornou-se uma espécie de labirinto, onde apenas se via as estacas para todos os lados. Sakura ficou um pouco atordoada com a baixa visibilidade e exposição que estava tomando. – Elemento Gelo: Geada. – Utilizou mais uma vez o jutsu que combinava tão bem com seu taijutsu.
A geada condessou o ar do local, deixando toda a região nublada e acabando ainda mais com a visibilidade do local. Sakura não conseguia mais ver, sentiu ou ouvir nada, a não ser o sussurro de um vento gélido em seu ouvido. Porém o primeiro golpe veio certeiro em sua perna. Um gemido contido escapou da garota e rapidamente ela reconstituiu o osso quebrado e a carne que lhe fora arrancado. Tentou prestar mais atenção, mas não pôde evitar o novo golpe no tórax. Caiu no chão inconsciente e com um gigantesco buraco no peito. Mas segundos após abriu os olhos, totalmente regenerada. Tudo o que indicava que havia levado um golpe era o buraco em suas roupas. A blusa já havia deixado sua pele exposta, juntamente com a parte baixa dos seios. O mesmo valia para a região da perna. No quinto golpe, Sakura conseguiu ver de onde vinha, mas a geada deixava seus movimentos mais lentos, e não pôde evitar de ser acertada no rosto. O chakra nos pulsos de Hinata queimou sua pele e ela bateu forte contra uma das colunas, fraturando também a própria coluna. Manteve os olhos abertos e ofegou até ser novamente curada.
Poderia passar horas naquele ritmo, pensou a rosada. Poderia facilmente sair da armadilha de Hinata, quebrando as colunas ou simplesmente usando um jutsu para rebater. Mas poderia também apanhar até que a morena ficasse confiante o suficiente para relaxar e abrir uma oportunidade para um golpe. Tudo que Sakura precisava era um golpe.
Após minutos naquele mesmo ritmo, Hinata, já um pouco cansada, vacilou por um instante. Ao aproximar-se de Sakura, viu a garota virar de um lado para o outro, desfocando o local onde seria o golpe. Devido a isso, Hinata atrasou-se dois segundos. Mas isso foi o suficiente.
– Sakura: Elemento Água: Avalanche, Elemento Terra: Elevação. – Para a surpresa de Hinata, Sakura efetuou dois jutsus ao mesmo tempo, executando uma sequência de selo com cada mão. A grande parede de terra surgiu à frente da menina de olhos perolados, enquanto a água vinha furiosamente por trás. A intensão era esmagar Hinata contra a terra. Mas a Uzumaki estava esperta e revidou.
– Hinata: Elemento Gelo: Iceberg. – O vento furiosamente frio congelou toda água que vinha atrás de Hinata e a Uzumaki deslizou os pés à frente, freando rapidamente antes que chegasse onde Sakura estava. A Haruno sorriu divertida e Hinata a olhou curiosa. Mas não houve tempo para perguntas. O soco pegou em cheio na cabeça em Hinata, fazendo-a cair atordoada com o rosto no chão. A garota virou-se lentamente, com uma grande dificuldade, com o rosto para cima.
Pôde ver claramente duas Sakuras. A que havia acabado de lhe acertar explodiu em fumaça, enquanto a outra sorria com sua vitória eminente.
– Sakura: Que irônico, não? Minha vitória ter vindo com um golpe tão usado por seu amado Naruto-kun... – O sorriso de vitória vindo de Sakura era apenas um borrão aos olhos de Hinata. A morena sentia uma absurda em sua cabeça. Parecia até mesmo que seu crânio apertava seu cérebro como um trator aperta uma pequena planta. Levou uma das trêmulas mãos ao local da pancada e sentiu o úmido de sangue. Um pedaço de seu crânio havia sido quebrado e triscava superficialmente parte do cérebro. A dor era gigantesca.
Sakura encheu o punho de chakra e baixou-o com velocidade contra o rosto de Hinata. Seria o último golpe.
Mas a Uzumaki não desistiria não fácil assim, e com apenas um olho, mirou o punho de Sakura, causando uma grande explosão chakra. Ambas voaram em direções opostas. Hinata caiu totalmente nocauteada ao pé de uma das colunas que ainda jaziam de pé, enquanto Sakura bateu contra duas colunas, quebrando-as, até parar na terceira. Parte do braço da Uchiha havia sido estraçalhada pela explosão, enquanto a pele estava em boa parte queimada e cheia de arranhões.
Sakura levantou após três minutos. O braço se reconstituía de uma maneira lenta. Podia-se ver os músculos e tecidos se criando como larvas. A rosada pôs-se a andar lentamente na direção de Hinata. A Uzumaki apoiou-se em um dos braços e escorou as costas na coluna de cristal, respirando com uma enorme dificuldade. A visão estava turva e o sangue descia mais rápido de sua cabeça, deixando os cabelos longos azulados totalmente empapados.
– Sakura: Parece que acabou, Hinata... – Falou com uma voz um tanto quanto... triste? Ao menos foi isso que Hinata conseguiu notar no seu estado trágico. Sakura já estava a cerca de dez metros de Hinata.
– Hinata: Eu... – A voz saia um pouco distorcida e falhava mais ainda, uma vez que o maxilar doía horrores a cada simples movimento. Eu... Me recuso – Ofegou – a perder pra você... – E um sorriso leve se formou nos lábios pálidos.
Se Sakura conseguia se reconstituir tão rapidamente dos golpes sofridos, então bastava que levasse um que erradicasse com sua existência.
– Hinata: Jutsu de Invocação: Leões Gêmeos. – Hinata apenas desfaleceu sua mão aberta ao chão, com o sangue de sua cabeça.
O Byakugan no Fan de Hinata brilhou fortemente, lhe forçando a abrir totalmente os olhos. Como uma execução holográfica, formaram-se duas gigantescas cabeças de leões, que rugiram raivosamente diante de Sakura. O jutsu era mantido pelos olhos de Hinata, que jaziam bem abertos e se ligavam aos leões como fontes de energia. Os gigantescos leões avançaram em Sakura, e não houve defesa. Passaram como uma ventania incrivelmente forte e começaram a corroer a pele da garota de cabelos róseos.
Sakura se sentia no meio de um furacão, sendo roída por todos os lados. Os ossos dos braços e pernas começaram a ser expostos, enquanto gritava estrondosamente com a dor sufocante. Sentia o fim próximo, e permitiu que uma lágrima descesse pelos olhos. No fim, foi inútil a todos que confiaram nela: Naruto, Tsunade, Sasuke...
Mas de repente tudo parou. O jutsu, a dor. Olhou novamente para sua pele e viu tudo sendo recomposto.
Guiou então sua visão para onde Hinata estava e pôde vê-lo.
Sasuke retirou o pulso do peito de Hinata e permitiu que a garota caísse imóvel a seus pés.
O Uchiha se aproximou de Sakura e abraçou a garota com carinho. Sakura, de início, imaginou que Sasuke a reprovaria por ter perdido a batalha. Mas foi pega de surpresa por seu amado.
– Sasuke: Pegue! – Ergueu uma mochila para a rosada. – Tem aqui um novo conjunto de roupas pra você. – Sakura tomou a mochila e trocou de roupas diante do olhar de Sasuke. – Vamos indo... A Uchiha também está em seus momentos finais. – E retiraram-se para onde Madoka lutava contra Shisui.
Antes que pudesse perder Hinata de vista, Sakura olhou para trás e limpou uma lágrima que desceu por seus olhos.
– Sakura: Desculpe! – Sussurrou.
Hinata ainda respirava, mas mal tinha forças para fechar os olhos, que jaziam bem abertos enquanto pequenas gotas de lágrimas se acumulavam.
No fim, havia acertado as duras palavras que disse para Naruto em sua despedida. Ele com certeza iria entender o valor dela. Mas, por Kami, não era assim que ela queria! Sua mente gritava por ele enquanto sentia o fio de vida se cortando lentamente, e nada podia fazer. Lembrou-se dos sorrisos bobos dele, para logo após lembrar de suas lindas crianças.
– Yumi: Mamãe, a Yui tá invadindo meus sonhos de novo! – Falou a menina com um bico. Logo atrás vinha a outra pequenina. Ambas tinham três anos apenas, e dormiam no quarto ao lado. Hinata tateou a estante ao lado da cama e olhou o relógio que marcava duas e meia da manhã. Concentrou chakra na ponta da unha e espetou em Naruto. O loiro gritou assustado e pulou da cama, caindo em posição de defesa já fora dela.
– Hinata: Naruto-kun, cuide disso... – Resmungou Hinata, embriagada de sono.
O loiro olhou furioso para sua esposa e depois olhou suave para suas crias.
– Naruto: O que está havendo aqui? – Perguntou com carinho, sentando no tapete do quarto e se acomodando com as almofadas dali.
– Yumi: A Yui tá invadindo meus sonhos de novo, papai! – Falou emburrada.
– Yui: A Nee-chan faz isso todos os dias! – Defendeu-se a gêmea mais nova. Naruto suspirou. Era sempre assim.
Misteriosamente aquelas minúsculas miniaturas de si mesmo haviam despertado o Sharingan e Byakugan aos dois anos e agora, com três, já possuíam o Mangekyou Sharingan. Aquilo com certeza era herança dele e de Shinju. Desde que haviam descoberto como usar o genjutsu mais simples, de manipular a mente, que usavam para invadir pensamentos uns dos outros. Ultimamente a moda era invadir os sonos alheiros para provocar a ira do outro.
– Naruto: Eu não quero saber quem foi que começou. – Falou com carinho. – São duas da manhã, minhas lindas. Papai precisa levantar cedo amanhã. Precisam parar com isso e dormirem como as boas irmãs que eu sei que são. Puxou um dos lenções que ficavam dobrados ao canto e abriu os braços para elas, que deitaram uma de cada lado dele. – Se isso acontecer novamente, irei selar as linhagens de vocês e ficarão sem doces e parquinho durante duas semanas. – Falou sonolento.
Yumi/Yui: Hai! Não faremos novamente. – Disseram em uníssono. Naruto esboçou um sorriso com o canto dos lábios e adormeceu.
Hinata olhou a toda a cena com uma alegria tão grande que seu coração quase explodiu.
E, no final de sua vida, Hinata lembrou exatamente daquela cena. Aquilo confortou um pouco seu coração, que finalmente parara de bater e dava fim à sua tortura de dores. A última imagem de Naruto veio em sua mente.
– Hinata: Desculpe... Naru...to. – E o brilho dos olhos desapareceu, juntamente com sua vida.
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Tudo estava preparado. Kira A, Kakashi, Mei e Jiraya estavam a seus postos diante do pequeno Minato. O garoto, ainda atordoado pelo jutsu que o manteve sedado, embolava a língua toda vez que tentava falar algo. Mas, apesar de tudo, sentia o imenso e furioso chakra que, cada vez mais, se aproximava.
Era um enorme salão sem móvel algum. Possuía apenas dez colunas de cada lado, e no meio um corredor que possuía um tapete cinzento com bordas douradas desde a frente até o final. No meio dele jazia Minato preso em uma cadeira, com as mãos presas e pés amarrados ao chão. Abaixo da cadeira havia um tapete circular. O garoto estava bem em cima de onde Karin havia feito os milhares de selamentos para a prisão de Naruto.
– Jiraya: Preparem-se! Três, dois, agora! – Tão logo Jiraya fechou a boca, Naruto entrou velozmente na sala. Os portões voaram para dentro e a poeira levantou sobre o local.
O loiro vasculhou a tudo com seu Mangekyou e se fixou nos olhos azuis que estavam há mais ou menos vinte metros de distância. O pequeno menino sentiu uma dormência e fechou os olhos. Quando os abriu, estava diante de Naruto, em um ambiente totalmente cinzento. Não havia chão ou céu, apenas os dois.
– Minato: V-você! – Balbuciou. – É o meu pai! – Falou com uma mistura de surpresa, alegria e ansiedade.
– Naruto: Sim! – Falou com a voz embargada. – Finalmente te encontrei, meu filho! – Abraçou o garoto de maneira forte e necessitada. Soltou-o e ajoelhou-se enquanto passava as mãos pelos cabelos loiros da criança. – É igual a mim quando entrei na academia! – Estava muito emocionado ao ver seu primeiro filho. Mas logo retomou seu raciocínio de maneira correta. Não era o momento de conversar com Minato. – Escute! Estamos no meio de uma guerra. Quero que fique quieto e obedeça a todas as minhas ordens. Depois respondo o que você quiser. Tudo bem? – Perguntou com o olhar vidrado nos olhinhos azuis.
– Minato: Tudo bem... Eu obedecerei! – Falou decidido.
Naruto piscou os olhos e voltou para a realidade. Havia conversado com seu filho por meio de um genjutsu, o que durou apenas um segundo para quem ficou de fora. Vasculhou tudo e logo notou o chakra abaixo de Minato. Reconheceu que aquilo era um acúmulo de poderosos jutsus de selamento. Aquilo com certeza o prenderia se fosse pego.
Então, o primeiro ataque logo veio em sua direção.
– Kira A: Elemento Raio: Rede Elétrica. – Vários pinos das colunas se interligaram e espalharam correntes elétricas por todo o local. Naruto ergueu umas das mãos e ricocheteou o que viria a seu encontro.
– Jiraya: Elemento Fogo: Bola de Fogo. – A bola de fogo veio rapidamente em sua direção. O garoto apenas pulou para o lado, desviando habilmente.
– Naruto: Não vão ao menos pedir desculpas por tudo isso? – Perguntou brincalhão.
– Kakashi: Pare com isso, Naruto! Já sabemos a verdade. Não há necessidade de toda essa matança... – Falou o Hatake com uma voz tranquila. Naruto apenas o olhou furiosamente e, no momento em que responderia, teve que abaixar-se rapidamente para evitar o golpe que viera de Mei. A Uzumaki havia lhe lançado um jutsu de água.
– Naruto: Você! – Vociferou com um ódio palpável. Mei sentiu uma fisgada no coração, juntamente com uma tristeza gigantesca. Mas não falhou. – Sabia de tudo desde o princípio. Traiu a mim, Hinata, Madoka e Tsunade... Como pôde? Depois de tudo que passamos, de todas as provas que você teve de que eu não havia começado nada. – Era como um desabafo do Uzumaki. Doía em Naruto saber que havia sido traído novamente. Porém, apesar de tudo, doía também em Mei por o ter traído. Não fora apenas por capricho, fora por necessidade. Sabia que o mundo poderia tomar um rumo bem melhor caso aquela instabilidade acabasse. Era algo necessário, uma troca equivalente. Era sua dignidade perante ele por milhares de vidas que poderiam sofrer baixas.
– Mei: Você não entende... – Falou ela séria, mas com a voz um pouco trêmula. – Você jamais entenderia... – A última frase não passou de um sussurro. Mas Naruto não precisava ouvir mais.
Avançou em direção à Mei. A garota ficou imóvel, acompanhando os movimentos de Naruto, mas sem conseguir se mover um centímetro sequer.
Jiraya, vendo que a filha não conseguiria se defender, jogou seus cabelos como um chicote e prendeu os pés da garota, puxando-a em direção a Minato. Naruto pisou firme no chão e seguiu por onde a garota iria. Porém, ao perceber a intensão de Jiraya, parou bruscamente aos pés do selo.
– Naruto: Eu não sou idiota! – Se sentia insultado com aquela armadilha ridícula. – Acham mesmo que eu irei cair nesse truque ridículo?
– Kakashi: Não! Não achamos. Mas... Talvez caia nesse... – Naruto virou-se para o Hatake e o viu com um pouco de sangue nas mãos. – Jutsu de Invocação. – Bateu as mãos ao chão e, de repente, o tapete não estava mais sob Minato. E nem mesmo os selamentos.
Naruto entendeu rapidamente. Os selos não estavam no chão, mas sim no tapete. Aquilo ficaria complicado. Eram quatro contra ele, podendo, talvez, fazer Minato de refém e ainda trocarem o tapete até que alguém pudesse acertá-lo. Não permitiria que isso acontecesse.
O loiro avançou na direção de Kakashi com fúria. Um dos olhos brilhava com o Rinnegan, e o outro com o Mangekyou. Encarou profundamente os olhos de Kakashi, que também erguia seu Mangekyou. O Hatake preparou um Raikiri em suas mãos, aguardando a chegada de Naruto. Mas o loiro foi surpreendido.
– Jiraya: Jutsu de Invocação: Invocação Reversa. – Trocou de lugar com Kakashi, sendo atingido em cheio por Naruto. O loiro atravessou o peito de seu mestre e sentiu Jiraya prendê-lo contra si. – Genjutsu: Prisão da Boca do Sapo. – Foi por apenas dois segundos que Naruto se viu dentro do estômago de um sapo, assim como havia visto em sua infância, quando seu mestre teve que lidar com Itachi e Kisame. Usou seu Mangekyou para escapar, mas ao sair, foi coberto pelo tapete.
O tapete redondo vibrou em seu corpo, brilhando todas as escrituras criptografadas que possuía. Naruto se ajoelhou com a sensação de ser sugado. Sentia suas forças sumindo pouco a pouco, como se tivessem lhe tomado seus pulmões.
– Kira A: Agora, Bee! – Gritou furiosamente, para a surpresa de todos os presentes.
Killer Bee pulou por uma das janelas empunhando sua Samehada. Correu velozmente na direção de Naruto, e para o horror de Jiraya, Kakashi e Mei, ergueu-a sobre o loiro, que não tinha condições de se defender.
– Jiraya: Pare com isso! Não foi assim que fizemos o acordo! – Gritou em fúria. Kakashi mal tinha condições de falar, olhando o fim próximo de seu aluno.
Mei caiu sobre as pernas, vendo um rumo totalmente diferente do que havia previsto. Se Naruto morresse ali, ela não saberia o que fazer com o peso que teria em sua consciência. As batidas do coração aceleraram e a garota ficou imóvel, temendo pela vida de seu marido.
– Bee: Você! – Vociferou, olhando nos olhos do garoto. Aquele brilho azul lhe trazia uma sensação nostálgica. Ele agarrou mais firme ao cabo da espoada e desceu-a com fúria. Mas, sem saber direito como, parou o golpe no ombro do rapaz, causando apenas um arranhão. Sentia que aquilo era errado, não sabia porquê. Olhava nos olhos de Naruto e via que havia muito mais sobre o ele do que imaginava. Sentia que aquilo não era o correto.
– Kira A: O que está esperando, seu imbecil? – Bradou em fúria ao ver a hesitação de seu irmão.
Mas, para Naruto, aquele tempo bastou. O tapete que o cobria com os selamentos explodiu em mil pedaços, jogando chakra acumulado para todos os lados. Socou a barriga de Killer Bee, jogando-o para o outro lado do salão, desacordado. Mirou Kira A e, quando o Raikage percebeu o que aconteceria, foi tarde demais.
– Naruto: Adeus! – Sussurrou no ouvido do Raikage. Fez um RasenShuriken pequeno e enfiou no peito do homem. Afastou-se e, segundos após, viu a explosão de carne e sangue cobrir boa parte do salão.
O joelho fraquejou, havia gastado força demais para escapar dos selos do tapete. Se não fosse Shinju, jamais teria conseguido. Seu corpo começara a entrar em colapso, mas não era a hora, gritou em sua consciência. Estava tão perto. Faltava tão pouco. Respirou fundo e olho para Mei, que ainda estava num estado de torpor. Ela seria a próxima.
E, com os joelhos trêmulos, dirigiu-se para Mei não tão rápido como pretendia. Era a vez dela.
Mas algo o fez parar no meio do caminho.
Seus instintos pediram para que olhasse para Jiraya, e o fez.
O velho homem jazia incrédulo, com olhos bem abertos e respiração descompassada. Encarava seus olhos azuis imóvel e sem iniciativa para falar nada. Podia ver o olhar trêmulo de seu mestre. Olhou então para Kakashi, que estava da mesma forma. Um olhar incrédulo, como se o mais absurdo dos absurdos estivesse acontecendo.
– Mei: Não – Foi um sussurro. Virou-se para ela, vendo a mulher de joelhos e coberta por lágrimas e sangue. Estava a apenas um metro de distância dela. Seus olhos perceberam algo que ainda não havia notado. O sangue em cima dela não era dela. Era seu.
– Sasuke: Xeque Mate.... – Sussurrou em seu ouvido, enquanto puxava a mão que transpassava seu peito, apertando seu coração fora do corpo. – Eu venci. – Puxou a mão com o coração do loiro e o corpo de Naruto desabou imóvel.
Sentiu o frio chegar rapidamente, e Shinju gritar desesperada em sua consciência. Mas tudo isso não tinha importância. Olhou nos fundos dos olhos de Mei, com seu Mangekyou girando de forma rápida, mas já perdendo o brilho.
A mulher engatinhou rapidamente para ele, tomando-o nos braços.
– Mei: Eu não queria isso... – Falava em prantos. – Essa não era a minha intensão. – Passava as mãos trêmulas nos cabelos dele, desesperada. O buraco no peito revelava o brilho do chão, e ela abraçou-o, enquanto sentia o sangue parar de circular.
Sentiu o corpo do garoto parar de tremer e olhou nos olhos do rapaz. Nunca havia visto aquele mar azul tão cinza, sem brilhos.
Fechou os olhos com força, tentando controlar suas emoções e seguir a última ordem do garoto. Guiou a mão para o rosto dele e fechou os dois olhos abertos, sentindo ainda mais vontade de chorar.
Naruto estava morto. E a culpa era totalmente sua.
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