Cinzas da Guerra: As Mudanças de um Shinobi
41 Capítulo 41: 5ª Grande Guerra - Parte 1
Notas iniciais
Capítulo 41: 5ª Grande Guerra — Parte 1
No quarto ainda havia o cheiro dela. Girou na cama e agarrou o travesseiro que continha dois ou três frios dos cabelos preto-azulados. Pegou a todos e segurou firmemente em suas mãos. Não havia conseguido dormir quase nada naquela terrível noite. Percebeu ter cochilado algumas vezes e acordava ainda de madrugada, onde o sol não se mostrava. Sentou-se na cama e escutou o canto dos passarinhos. Olhou mais uma vez pela janela e viu o sol nascendo pelo horizonte. Virou-se para a porta ainda aberta do quarto e lembrou-se novamente de tudo, infelizmente. Aquele quarto agora mais parecia um cemitério. Um cemitério de lembranças e emoções. Poderia também ser o cemitério de Naruto.
Mas, felizmente, ou infelizmente, havia muita coisa para fazer e não poderia ficar a curtir sua ressaca emocional. Levantou-se e pulou de Hiraishin para o quarto principal da mansão. Olhou para a cama e travou a mandíbula para não chorar novamente. Tsunade e Madoka dormiam abraçadas com Hinata. Mei estava um pouco mais afastada das três, mas com os olhos bem abertos. A ruiva se levantou da cama devagar e com cuidado para não acordar as outras. Caminhou, totalmente nua, a passos cuidadosos e lentos na direção de Naruto. O loiro, também nu, apenas esperou que a mulher chegasse até ele e o abraçasse, grudando os enormes seios em seu peito. Levou os braços até a cintura da mesma e devolveu o abraço.
– Mei: Eu sinto muito. – Levantou os olhos chorosos para o rapaz e falou com sinceridade. Passou os braços pelo pescoço de Naruto e o pegou em um beijo calmo e carinhoso. O jovem retribuiu. Mei ainda era uma de suas esposas e não deveria pagar por seus erros ou ser mal tratada por ele naquele momento. Pegou a direção do banheiro e segurou os quadris de Mei, fazendo a mesma rodear suas pernas em sua cintura. Nessa altura o jovem já estava excitado e firme com seu membro. Sentiu até vontade de rir ao imaginar que nem mesmo com seu psicológico e emocional destruídos daquela forma, ele jamais deixaria de dar prazer para alguma mulher. Entrou pela porta do banheiro e ligou o chuveiro com a água quente que logo desceu pelos corpos dos dois.
O beijo aumentou o grau de perversão e os gemidos começaram a surgir de ambos. Mei não estava interessada em prolongar aquilo, então levou sua mão ao membro duro do garoto e direcionou para sua intimidade, ainda no colo dele e com as pernas cruzadas em sua cintura. Gemeram juntos em meio ao beijo ao sentirem o contato de suas intimidades. O loiro apertou-a contra a parede e começou a estocá-la. Ele também não estava interessado em prolongar aquilo naquele momento, então logo a sensação do clímax veio e os dois puderam relaxar seus corpos por baixo da água quente.
– Mei: Ainda são seis horas da manhã. – Disse ao ouvido dele, abraçada com rapaz, que havia sentado ao chão do banheiro com a água caindo sobre eles. Não houve reposta vinda dele. Mei estava também triste por ele e Hinata. Ela estava naquele plano maluco apenas com a intensão de que o mundo não estivesse tão desestabilizado por aquele tremendo poder que ele possuía. Todos sairiam ganhando: O próprio Naruto, uma vez que poderia ter sua vida em paz ao lado de suas esposas. Hinata, Tsunade e Madoka que poderiam ter o velho e apaixonante Naruto de sorrisos radiante ao seu lado. Seus filhos, que poderiam relaxar com a paz do mundo ao lado dele. E o mundo, que poderia finalmente ter tranquilidade e estabilidade. – Vamos, Naruto. Eu farei algo pra você comer. – Pegou nas bochechas dele e o viu abrir os olhos vagarosamente. Mei sentiu uma dor tão profunda em seu peito que pensou ter recebido um Juuken. Comparar os olhos do Naruto dos tempos da guerra com o de agora era como comparar a água cristalina com lama. Os olhos azuis quase opacos emitiam uma escuridão que, para muitos poderia dar medo, mas para Mei emitia uma tristeza sem tamanho. Beijou os lábios do garoto, mas sem malícia. Queria passar um pouco de tranquilidade a ele, afinal entrariam em guerra em algumas horas.
Naruto sentia Mei tentar passar carinho e tranquilidade para ele. Mas... Ele não queria que Mei fizesse isso. A única coisa que ele queria era que pudesse se humilhar o suficiente para ter Hinata de volta em seus braços o mais rápido possível. Esse pensamento egoísta o fazia se machucar também por pensar isso sobre Mei. Afinal era ela que estava tentando o reerguer. Soltou um sorriso angustiado e abraçou novamente a cintura da mulher, se levantando com ela em seus braços.
– Naruto: Obrigado por me ajudar. Vou juntar os cacos e tentar meu melhor agora... – Respirou fundo e pôs Mei no chão, iniciando o banho de ambos.
↨ Oito Horas da Manhã, Sala do Imperador. Vila Oculta da Névoa.
Diante de Naruto, sentando em sua imponente mesa, estavam Hinata, Madoka, Tsunade, Mei, Hanabi, Mabui, Shinju, Meishu, Yumi, Yui, Nike e Ushio. As crianças não davam importância para o assunto, estando mais afastadas. Como o assunto seria meio complexo para as crianças, todas elas brincavam com uns papéis entregues pelo pai.
Como Naruto tinha pouca gente de confiança no Império, e não queria abrir mão da presença de suas esposas, Meishu havia ficado encarregado, por todos aqueles anos, de fiscalizar as pequenas aldeias do Império. Passava de meses os visitando e tomando conhecimento de como iriam os avanços do comércio e também da segurança nas fronteiras. Era o principal informante do jovem imperador.
– Naruto: Primeiro sobre a segurança interna enquanto estivermos fora. – Olhou para todos e viu os olhares sérios para si. – Hanabi será a Imperatriz enquanto eu estiver fora. Cuidará da segurança interna e também das crianças. Meishu será o único com habilidades shinobi além dela nesta vila. Acredito há possibilidades de haver ataques aproveitando que estaremos em guerra. Mas em hipótese alguma terão ninjas preparados para enfrentar um dragão com poderes no nível da Kurama. Mabui também ficará para ajudar a cuidar das crianças. – Viu Hanabi e Mabui confirmarem seriamente. Mabui não tinha saúde ou condições de enfrentar uma guerra de tamanha proporção. Ela não tinha preparo shinobi para sofrer tamanha desvantagem, ao contrário das outras. – Eu formei três grupos de ataque com Madoka, Mei e Hinata como capitãs. Avançarão em conjunto em termos de campo e espaço. Quero que todos nós cheguemos juntos ao centro de Kumo. Caso consigam aniquilar com todos os inimigos, direcionem-se a ajudar quem ainda estiver em batalha. Mas evitem misturar-se. Quero uma frente ofensiva total. Ao contrário da antiga Guerra, nós temos o poder para terminar com isso em metade de um dia. Não faremos escravos e o foco é ataque em área. Tsunade ficará sob minha guarda e irei com ela socorrer caso alguma de vocês esteja tendo dificuldades, o que eu acho difícil. – Olhou para o relatório que havia em sua mesa e prosseguiu. – Atualmente o Império dispõe de dezoito mil militares, onde mil e duzentos são Jounnin, sete mil são Chuunin e os nove mil e oitocentos restantes são Gennin. Madoka e Hinata são tão ou mais fortes que Uchiha Madara era no tempo da quarta guerra, e, como todos nós sabemos, ele derrotou os cinco Kages com extrema facilidade. Levando isso em consideração, eu dividi as forças no meio, onde metade ficará no esquadrão de Mei e a outra metade será dividia entre os esquadrões de Madoka e Hinata. Ainda assim não haverá igualdade, mas teremos mais segurança. – Deu então as principais ordens e os detalhes de sua tática. A forma como cada esquadrão se faria cumprir a vontade do mestre ficaria a critério de seu comandante. – Dúvidas?
As escolhas foram boas e os motivos das que não foram explicadas, eram lógicos. Hinata tinha seu coração na mão, mas sabia ser forte quando necessário. O estava fazendo desde a tarde trágica anterior. Havia prometido lutar por Naruto e assim o faria. Mei não fazia questão de colocar ou tirar nada dali. O importante era apenas fazer com que Naruto fosse para Kumo. Tsunade não poderia achar tática mais perfeita. Os mandamentos médicos criados por ela diziam que um ninja médico não poderia lutar, a menos que possuísse Byakugou. Ela o possuía, mas os poderes de seus colegas de cônjuge eram tamanhos que não se fazia necessário que ela lutasse. Usar Hiraishin junto com Naruto para socorrer quem estivesse em perigo era algo mais que perfeito. Madoka também estava satisfeita. Mas Naruto ficaria onde em toda a bagunça da guerra?
– Madoka: E onde o senhor Imperador onde estará no meio desta guerra? – Arqueou uma sobrancelha.
– Naruto: Eu estarei independente. – Falou simplesmente. – Os melhores guerreiros com toda certeza serão destinados a me enfrentar. Shikamaru com toda certeza está sendo o estrategista e não espero menos dele. É muito inteligente, mas é mais fácil escolher o caminho para fugir do que o perseguir. É mais fácil para nós atacarmos do que para ele defender. Aproveitem que os melhores estarão ocupados comigo e destruam seus inimigos o mais rápido que conseguirem. A tática é apenas essa. – Concluiu, finalmente, olhando para todas e vendo os rostos sérios.
O loiro levantou-se e caminhou para a frente de sua mesa. Colocou as mãos atrás das costas e passeou de um lado para o outro avaliando seus guerreiros à sua frente. Da esquerda para direita estavam posicionadas Mei, Madoka, Hinata, Tsunade, Hanabi, Mabui, e por fim, Meishu. Um sorriso amargurado se formou em seu rosto e ele deu um pequeno riso com os lábios puxados no canto dos lábios.
– Naruto: Por favor, tomem cuidado. – Não passou de um pequeno miado. Puderam sentir que naquele momento não era mais o Imperador, e sim o amado Naruto-kun. A voz trazia uma carga de stress e mágoa. Hinata sentiu seu coração apertado por ser o motivo da dor de Naruto. Não havia como ignorar o incômodo que sentia em seu interior. Mesmo sabendo que a culpa de tudo era dele, ela ainda gostaria de pedir perdão e o faria em outras circunstancias. O amor não diminuía, apenas aumentava. Aquela decepção apenas esfregou na cara dela o quanto ela dependia dele para tudo. Naruto parou diante de Mei e a abraçou. – Não seja ousada demais. De todas, você é a que deve tomar mais cuidado. Tenha sempre alguém por perto e... – A moça o interrompeu com um selinho.
– Mei: Eu sei, Naruto-kun... Você não se livrará de mim tão cedo... – Sorriu para ele, corada. Estava destruída. O coração diminuiu no peito e ela sentiu como se estivesse desmoronando. Aquele homem era tão adorável e tão preocupado. Porque teria que passar por tudo aquilo? Ela havia corado não por ficar envergonhada, mas por conter a enorme vontade de chorar diante dele. O loiro sorriu para ela e deu um beijo na testa da garota.
– Naruto: Espero que sim... – Afastou-se e chegou diante de Madoka. Abraçou-a também e sentiu a moça se enroscar em seu corpo. Sorriu. Ela era sempre assim, não perdendo uma única chance de se enrascar com ele. A garota puxou a gola dele e engoliu os lábios masculinos em um beijo lascivo e excitante. O barulho molhado chegou a incomodar até mesmo Meishu. A garota sentiu o membro de Naruto pressionar sua barriga e cessou o beijo. Seu objetivo havia sido cumprido. E comprido. – Você é a que deve ter mais cuidado. É poderosa, mas cabeça-oca. Não subestime seus oponentes e não tenha pena de usar seus poderes. – Aproximou-se do ouvido da garota e sussurrou. – Prometo a você um dia inteiro de sexo se você não se machucar.
– Madoka: SÉRIO? – Gritou estrondosamente, com os olhos esbugalhados. Viu Naruto assentir e deu um pulo em cima dele, abraçando-o com as pernas. – Você vai ter que cumprir. – Beijou vorazmente os lábios do rapaz e o mesmo se afastou a risos da mulher.
– Naruto: Hai, hai! Vou adorar cumprir essa promessa... – Falou ao ouvido da menina e lambeu o local logo após. Deixou Madoka com corações nos olhos e andou para o lado.
Hinata levantou a cabeça e afundou-se no mar azul escuro de Naruto. Mas desta vez não foi tão agradável banhar naquelas águas. Elas não eram mais quentes, macias e de um prazer quase sexual. Eram frias, rígidas e as gotas mais pareciam gumes afiados em sua pele de seda. Ela sabia que não era intensão dele. Já Naruto não viu mais as luas tão amáveis. Elas pareciam estar sendo tapadas por um sol que lhe retirava toda sua majestade. Não eram dóceis, manhosas e gostosamente relaxantes. Eram secas, desprovidas de carinho e afiadas. Suspirou. Pôs as grandes mãos no rosto da garota, de modo que as pequenas orelhas se encaixassem no meio dos dedos médios e anelares de cada mão e polegar se esfregasse com carinho nas bochechas já coradas. Hinata não poderia forçar seu corpo contra o amor que sentia pelo rapaz à sua frente. Seus olhos fecharam contra sua vontade e, Naruto, também sem conseguir se controlar, levantou-a a ponto da garota ficar na ponta dos pés e a abraçou possessivamente e carinhosamente. As palavras deveriam ficar apenas entre os dois.
– Naruto: Eu sei que não estamos bem... Mas saiba que eu não desisti de você. Eu te amo, garota! Não ouse se machucar. Eu não estou disposto a aprender seu valor durante esta Guerra. – As palavras foram baixas e apenas para ela, porém a última frase não passou de um sussurro firme e gélido aos ouvidos de Hinata. As emoções se misturavam em seu coração e seu estômago quase revirou. Suspirou ainda abraçada ao amado e se separaram. Se encaram novamente por alguns segundos e a moça apenas confirmou, séria, sem sorrisos e firme como rocha. Naruto da mesma forma. O loiro virou-se para Tsunade. – Você estará comigo. Eu garanto sua segurança e você bem sabe que não tem com o que se preocupar. – Sorriu e viu Tsunade sorrir corada. – Porém quero que esteja preparada para aceitar o que verá. – Estava sério e Tsunade sentiu o corpo praticamente ranger de tão tenso que ficou. Ela realmente não estava preparada para ver inúmeros shinobis serem massacrados. – Você verá sangue, muito sangue. Verá corpos decepados, degolados, estripados e os verá também virarem poeira. – Naruto soava assustador e um cruel psicopata naquele momento. – Seja forte e fique alerta. Nossa segurança pode vir a depender de você a qualquer segundo. – A última frase ressoou na cabeça de Tsunade por alguns segundos. Ela ficou séria de um instante para outro e os olhos brilharam em determinação. Naruto percebeu isso e passou a mão na cabeça da jovem, bagunçando um pouco os fios de ouro e a vendo ficar emburrada e com um bico. Sorriu para ela e a viu corar e cruzar os braços. Era linda por demais. Andou para o lado e ficou diante de Hanabi. Não poderia deixar de notar como havia crescido a pequena moça que havia entrado tragicamente na vida dele. Possuía agora seus dezenove anos e era uma das mulheres mais bonitas daquele país. Não pôde deixar de notar que tinha as mulheres mais lindas do Império vivendo com ele. Hinata, Tsunade, Mei, Madoka e Hanabi eram, com toda certeza, as cinco mulheres mais bonitas que já havia visto. Sorriu carinhoso e levou as duas mãos para as cabeleiras castanhas e Hanabi as acompanhou com os olhos curiosos. Naruto sorriu diabolicamente e a despenteou completamente.
– Hanabi: B-Baka! Não sabe como dá trabalho arrumar isso. É quase tão horrível quanto cuidar de Ushio, Yumi, Yui e Nike juntos! – Berrou diante de Naruto. O loiro congelou. Se aquilo fosse verdade ele passaria o resto do dia de luto por ela. Cuidar daqueles monstros era uma penitencia sem tamanho. Se Naruto imaginasse que seriam daquela forma, com toda certeza teria destinado a Hiashi, como vingança, vigiar as crianças, suas crias. Lembrou-se finalmente de Hiashi. Já havia o quê? Uns oito meses que não o havia visitado?
– Naruto: Faça seu trabalho como sempre faz, pirralha! Tome de conta do Império até que eu volte. – Passou as vistas para o lado e olhou em Meishu. – Meishu lhe fará segurança. Não tem com o que se preocupar. Apenas tenha cuidado com as crianças e... Bem... Você nem vai lembrar disso daqui a quinze minutos. – Uma gota cresceu em sua cabeça. Hanabi era uma garota esperta e traquina, mas ignorava totalmente o que não lhe interessava. Olhou para a menina e a viu com a língua para fora e um dedo no olho direito, com uma horrível careta para ele. Ele sorriu e passou para a frente de Mabui. A jovem levantou os olhos e, já marejados, reforçou o pedido da tarde anterior. – Não se preocupe. Nosso filho virá em segurança e lhe entregarei novamente. Confiem em mim! – Bradou seriamente, expondo toda sua ira por terem feito mal à sua criança.
– Mabui: Eu confio! – As lágrimas pingavam pelo queixo, mas a voz saiu firme e trovejou no coração de Naruto. Ele com certeza traria seu filho de volta.
– Meishu: Pode ir em paz, Rikudou-sama. Eu adoraria estar em Guerra junto do senhor, mas farei com honra o que me foi ordenado. Sua vila, crianças e honra estarão intactas quanto retornar ao lar. – Ajoelhou-se diante de Naruto e baixou a cabeça. O jovem meneou a cabeça afirmativamente e cravou em seu coração o quanto Meishu era honrado. Tinha mais valor que muitos humanos juntos.
– Naruto: Eu tenho certeza que sim! Você merece meus parabéns por seu trabalho ao longo desses anos. Eu não poderia ter um servo melhor. – Meishu ameaçou sorrir, mas segurou firmemente suas emoções. Naruto afastou-se um pouco e olhou adiante, vendo as crianças desenharem em algumas folhas de papel. Caminhou para elas e sentou-se ao lado. Yumi e Yui desenhavam a mansão onde moravam e nos fundos um lago tal qual como existia de verdade. O desenho possuía traços tortos e com cores estranhas. Elas, definitivamente, não desenhavam nada bem. Virou-se para o outro lado, vendo Nike desenhando o hospital de Kiri. O loiro gargalhou e marejou os olhos. Afagou os cabelos de ouro da garota e a ela sorriu para ele para logo depois voltar sua atenção ao papel. O loiro virou-se então para Ushio, um pouco mais afastado. Naruto foi obrigado a arrastar-se e erguer a cabeça para então ver o que o garoto desenhava. Tomou o papel da mão dele e amassou.
– Ushio: P-papai... – Choramingou. – Eu ainda não tinha desenhado a ruiva... – Os olhos marejados o encaravam e logo Naruto sentiu os olhares perfurarem suas costas.
– Madoka: De que ruiva esse pirralho está falando? – Uma veia dilatada na testa denunciava a irritação. As histórias sobre uma ruiva da fonte termal feminina rolavam por toda a vila. Dizia-se que a garota era majestosamente linda e digna de ser esposa do Imperador. O relato de Hinata sobre onde Naruto e Ushio haviam ido ontem também preenchia a cabeça da garota. – Dê-me esse desenho aqui... – Ergueu a mão e encarou os olhos azuis de Naruto. O loiro sorriu amarelo e levou uma mão para coçar a nuca.
– Naruto: Não dê atenção para crianças idiotas... – Fez uma carranca de raiva e encarou Ushio, que encolheu.
– Madoka: Eu não estou pedindo... – Encarou os olhos de Naruto e o loiro entregou o papel. Madoka o abriu e um sorriso sádico tomou seus lábios. Havia o desenho da fonte termal e dois corpos mal desenhados do lado de fora dos muros, ao lado de uma árvore. Os cabelos arrepiados dos desenhos entregavam que eram Naruto e Ushio. Dentro da fonte termal havia uma mulher nua com cabelos vermelhos. Os peitos maiores que a cabeça e uma fenda no meio das pernas, de onde caia uma... Cachoeira? – O que é isso caindo das pernas dela? – Perguntou para Ushio com um sorriso doce. O garoto sorriu e corou.
– Ushio: Papai me disse que quando as mulheres estão alegres nasce uma cachoeira no meio das pernas delas... – Disse alegremente, esbanjando orgulho de ter aprendido a importantíssima lição do pai. Naruto sorriu orgulhoso com uma mão no queixo e afirmando com um menear de cabeça.
– Madoka: Nós não temos aqui crianças idiotas... Nós temos é um pai idiota! – Vociferou para Naruto. – Vamos logo pra essa Guerra antes que eu mate o Imperador e dê a vitória de graça! – Virou as costas e desceu as para a praça em frente. Naruto afastou-se da porta e deu passagem para Mei e Tsunade, que ao passarem lhe encararam com carrancas de desaprovação. Hinata virou o rosto para o lado e deu lugar à insignificância do garoto para ela naquele momento. Mabui passou meneando a cabeça negativamente e com um olhar reprovador. Hanabi deu dois tapas no ombro dele e sorriu, levantando o polegar afirmativamente. O loiro, por fim, olhou novamente para as crianças e desceu também. Meishu vinha logo atrás.
No enorme espaço que havia na praça em frente ao prédio do Imperador, as tropas esperavam juntas e em formação. Ainda não haviam se dividido nos pelotões que Hinata, Madoka e Mei iriam comandar. Naruto passou novamente à frente das garotas, que estavam Imponentes e organizadas de maneira militar. Hanabi estava um pouco mais à frente e Mabui observava de longe.
– Naruto: Hoje, senhores, estaremos dando início à ascensão do Império Akatsuki. – Todos ouviam atentamente. – Temos pela frente uma grande batalha, mas temos também o poder para mudar o mundo e torna-lo espelho do que tem sido Kiri nos últimos quatro anos. Nossa qualidade de vila superou qualquer estimativa antes feita por qualquer um. Temos o melhor ensino civil e militar. Nossa economia é de longe a de maior qualidade e nossos alimentos, cultivamos por nós mesmos, são os de maior qualidade. Nossos hospitais têm qualidade tanto para as pessoas com maior poder aquisitivo quanto para os de menor. Todos temos direitos iguais e sem distinção alguma. – Encarou a todos mais uma vez. – É o meu desejo compartilhar a nossa paz, alimento, saúde e qualidade de vida com todo o mundo. Estamos indo para a guerra não por mim, não por vocês. Não por nós. Estamos indo à essa guerra pelo mundo e pelo povo! – Bradou fortemente e foi ovacionado pelas tropas militares, que ergueram espadas, kunais, machados e tantas outras armas militarem em sinal de afirmação e apoio do Imperador.
↨ Quatro dias após. Kumogakure no Sato.
– Chunnin: R-Raikage-sama! – Gritou desesperado e visivelmente atordoado. Kira A já estava de pé e podia-se ver algumas gotas de suor descendendo por sua testa. – Os ninjas sensoriais avaliam a chegada do exército inimigo para em quatro horas. Shikamaru-sama solicita sua presença no salão principal.
– Kira A: Você por acaso acha que sou idiota? – Bradou irritado e também visivelmente atordoado. – Como não sentir essa monstruosidade de chakra? – Sussurrou a última frase, olhando para as próprias mãos. Suava frio e tremia levemente.
O chakra de Naruto era frio. Mesmo estando há centenas de quilômetros, ele sussurrava o quão aterrorizante era seu dono, e como iria fazê-los sofrer antes da morte. O Raikage olhou adiante e viu o pequeno Minato sedado e envolto a uma pequena barreira. Aquele chakra frio vindo de Naruto o fez lembrar do dia em que Minato o fez ir para o hospital e lá permanecer por duas semanas, com apenas um soco no rosto, depois de ter a honra de sua mãe ofendida. Naquele dia, pensava o Raikage ter visto algo branco nos olhos do garoto, mas que nunca mais se revelou. Talvez porque nunca mais o haviam o provocado daquela maneira. Chegou ao salão onde estava Shikamaru e as principais peças daquela guerra. Os Edo Tensei ainda dentro dos caixões.
– Shikamaru: Bem-vindo Raikage-sama. – Falou cordialmente, mas totalmente focado nos caixões.
– Kira A: Poderia agora nos explicar o porquê desses Edo Tensei ainda não terem sido invocados? – Estava nervoso e irritado.
Shikamaru o olhou profundamente e constatou que ele também estava sendo afetado pelo chakra vindo de Naruto. Era um absurdo que pudessem senti-lo com toda aquela distância. Os ninjas sensoriais tudo bem, mas até mesmo quem era péssimo em detecção?
– Shikamaru: O senhor realmente acha que Uzumaki Kushina, Pimenta Sanguinária, iria esperar sentada enquanto seu filho marcha para nos destruir? – Arqueou uma sobrancelha e pareceu zombar de Kira A. Porém o Raikage estava muito ocupado com sua preparação psicológica para dar uma resposta apropriada ao Nara. – É bem óbvio que ela iria sair em disparada na primeira oportunidade que tivesse de ver seu filho já grande. – Respirou fundo e olhou para Shisui. – Por favor...
Shisui executou o jutsu Edo Tensei e finalmente despertou a ruiva. Kushina pareceu por um momento atordoada e só então percebeu o que estava havendo. Saiu do caixão e avaliou a todos que estavam do lado de fora. Sentiu o sombrio e assustador chakra que se aproximava a lentamente e tremeu, mesmo não podendo sentir os efeitos fisicamente. Não seria necessário. Aquilo era brutal, cruel e monstruosamente poderoso. Parecia intimidar a própria morte.
– Kushina: O que está acontecendo aqui? – A face séria e os olhos fixos em todos deixavam claro o quão incomodada ela estava com a situação. Tentou se mover, mas percebeu não estar mais no controle de seu próprio corpo. Shisui aproximou-se em sua frente e, com o Mangekyou Sharingan, forçou seu cérebro a absorver as informações sobre Naruto, a guerra, e os planos içados contra ele.
– Shikamaru: Desculpe, Kushina-san, mas por acaso pode avaliar a quem pertence esse chakra? – Perguntou com uma profunda tristeza pela mulher à sua frente.
Os olhos fecharam. O coração, mesmo morto, sangrou. Shisui liberou o corpo da mulher e ela caiu ao chão em prantos. Os gritos agonizantes de uma mãe devastada ecoaram pelo salão enquanto todos pareciam entrar em um luto por Uzumaki Naruto. Ela também sabia. Kushina sabia que havia perdido seu filho para o ódio e os véus da escuridão. O chakra usado por Minato no selamento havia voltado para suas memórias com a imagem de seu lindo filho com os olhos brilhantes de alegria e determinação para sua busca pela paz. Mas nas informações de Shisui já não podia mais ver seu querido filho.
– Kakashi: Eu sinto muito, Kushina-sama. E-eu... Falhei mais uma vez... – A última frase foi baixa e como uma facada em seu próprio coração. Kakashi olhava a mão amaldiçoada que uma vez perfurou o coração de Rin, e as lágrimas caíam rápidas por seus olhos.
– Kushina: Devolvam! – Sussurrou com soluços de choro. – Devolvam meu filho! – Gritou com toda sua força. A culpa era deles, não era? Não era deles a culpa por Naruto ter sofrido tanto e ter se transformado em um... Monstro? – Eu não quero nada com esta maldita guerra. Eu não vou lutar contra meu filho porque vocês foram incompetentes e não souberam investigar a verdade. Eu não vou participar de uma segunda morte do meu filho. Será que já não basta já terem estragado a vida do meu menino?
– Jiraya: Kushina... Nós estamos aqui para consertarmos nossos erros. Nós o queremos de volta tanto quanto vo – Um tapa o fez calar a boca.
– Kushina: É você o culpado! – A voz carregada de raiva e decepção vez Jiraya baixar os olhos e recuar um passo.
– Shikamaru: Kushina-san, eu sei que você está desolada, pois também estamos. Nós queremos o Naruto de volta, mas temos que força-lo a isso. Por favor, tente conversar com ele. Apenas você ou o Yondaime-sama terão força para convencê-lo. Ajude-nos a salvar milhares de shinobis que morrerão nesta guerra. – A tristeza vinda daquelas palavras não poderia ser ignorada. Kushina se recusaria a lutar contra seu filho, mas a oportunidade de vê-lo e tentar, novamente, guia-lo para a paz e segurança não poderia ignorada.
– Kushina: Eu odeio vocês! Eu odeio Konoha! – Falou encarando Jiraya e Kakashi. Levantou-se e acalmou seu coração de mãe. – Eu amo meu filho e vou falar com ele. Mas não por vocês, ingratos!
– Shisui: Nós sabemos de nossos erros e sentimos muito. Por favor, nos ajude a trazer o Naruto de volta. – Curvou-se respeitosamente diante de Kushina e a mulher que morreu aos vinte anos, bem jovem, reconheceu a humildade e a sinceridade. Talvez nem todos tivessem participado daquela vergonha. A Uzumaki respirou fundo e chegou diante do caixão onde Minato adormecia.
– Kushina: Podem acordá-lo também? – Olhou para Shikamaru, que sustentava a bandana de Konoha, e parecia estar no comando das estratégias. O Nara meneou a cabeça afirmativamente e Shisui compreendeu. Ativou o jutsu em Minato e, antes que ele pudesse expressar qualquer reação, mostrou tudo a ele em um Genjutsu.
Minato permaneceu em silencio e com a face fria, mesmo já estando a par de tudo que havia acontecido: de Naruto ter sido acusado e preso, de Hiashi ter matado o que seria seu primeiro filho. Enfim... Tudo que havia ocorrido desde que Naruto foi falsamente acusado. O loiro aproximou-se da esposa e a abraçou.
– Minato: Sinto muito que tenha que passar por isso. – Sussurrou ao ouvido da esposa e sentiu-a tremer em seus braços.
– Kushina: Minato... Eu o quero de volta! – Olhou nos olhos do marido e o viu marejar os olhos. – Eu quero de volta aquele sorriso... – A voz trêmula e os lábios tortos indicavam a força exercida para não cair novamente em prantos. Minato sentiu uma dor angustiada em seu peito e olhou para os outros caixões. Uchiha Itachi, Sarutobi Hiruzen, Hyuuga Neji e a Akatsuki Konan jaziam imóveis.
– Minato: Eu sei de seu desempenho em estratégias e montagem de planos. Mas com todo o poder que Naruto possui, seria realmente inteligente usar apenas essas invocações? – Segurava Kushina num abraço carinhoso e olhou seriamente para Shikamaru.
– Shikamaru: Eu sei que é difícil para um pai aceitar alguns fatos. Mas, por favor, entenda que não estamos mais tratando de batalhas contra um ser humano. Reveja as informações que lhe passamos e calcule o poder do seu filho. Seria o quê? Cinco ou dez vezes mais forte que Uchiha Madara? – Um sorriso irônico se formou nos lábios do gênio Nara. – Eu poderia invocar todos os shinobis nível Kage que já existiram nesse mundo, e mesmo assim não seria suficiente. Ele pode suga-los com o Kamui, selá-los com o Rinnegan, mudar suas mentes com o Kotoamatsukami... A única alternativa que temos é tentar puxar o lado emocional e fazê-lo perder tempo e energia. Volto a repetir a todos os senhores: O único ponto fraco de Naruto é o poder que seu corpo não suporta. Não há como vencê-lo em batalhas. Nem mesmo se colocássemos todo o exército contra ele. O objetivo não é outro, senão fazê-lo se cansar. – Perfurou a todos um olhar penetrante. Gaara, Kurotsuchi, Kakashi, Jiraya, Minato, Kushina, Shisui e Kira A se faziam presentes. – Yondaime-sama e Kushina-san, a intensão não é força-los a lutar contra seu filho. Longe de mim cometer tal atrocidade, até mesmo porque, como disse agora a pouco, seria inútil. Apenas quero que vocês ajam como os bons pais que sei que são e tentem colocar algum juízo na cabeça de seu filho.
– Minato: Eu poderia conversar a sós com Kushina?
– Shikamaru: Fiquem a vontade. Mas peço que não saiam do prédio. – Minato confirmou e saiu juntamente com Kushina.
O Nara viu todos se sentarem nas cadeiras antes postas a todos e voltou os olhos para as informações trazidas por Kurotsuchi, a Yondaime Tsuchikage, Gaara e Kira A. Iwa possuía quinze mil shinobis atualmente, sendo mil e cem Jounnins, seis mil Chuunin e sete mil e novecentos Gennin. Mil e trezentos dos Gennin haviam ficado na vila para assegurar que a mesma não sofresse ataques de organizações ou pequenas nações, resultando no total de treze mil e setecentos shinobis fornecidos pelo País da Terra.
No país do Vento a situação era similar: Treze mil e cem militares, sendo oitocentos Jounnins, cinco mil e seiscentos Chuunins e seis mil e setecentos Gennin. Haviam ficado em Suna mil shinobis para as mesmas funções que os de Iwa exerceriam. O total de shinobis fornecido pelo País do Vento era de doze mil e cem.
Konoha, como esperado, era a mais preparada em termos de força shinobi: vinte mil e quinhentos shinobis era a força total. Deles, dois mil e trezentos eram Jounnin, oito mil e setecentos Chuunins e dez mil e quinhentos Gennin. Dois mil Gennins haviam ficado como força militar de defesa, resultando em dezoito mil e quinhentos shinobis fornecidos.
Kumo contaria com sua força total de dezesseis mil e duzentos militares. Mil e quatrocentos Jounnins, sete mil Chuunins e sete mil e oitocentos Gennins. Somando ainda as forças de Kiri, que segundo Mei era de dezoito mil, teriam no total sessenta e dois mil e trezentos militares para combater Naruto, Hinata, Tsunade, Madoka e o tal dragão Meishu. Fora ainda Kurotsuchi e Gaara, que auxiliariam caso fosse necessário, e os Edo Tensei. Será mesmo que Naruto poderia representar uma grande ameaça mesmo com tanta força militar, ou estavam o superestimando?
Shisui: Vou ativar o Edo Tensei nos outros. – Avisou, pois já estava a executar os selos. Assim como em Minato, os explicou tudo antes mesmo que pudessem expressar alguma reação, fazendo o silencio novamente pairar sobre todos.
– Hiruzen: Konoha realmente nunca aprende... – Murmurou triste, cruzando os braços. – Madara sempre foi instável a mudanças. Desde sempre ele esteve sobre a linha entre o amor e o ódio, mas esse garoto... Naruto. Como vocês conseguem cometer tantos erros parecidos e com tamanha escala? – Um sermão vindo do Kage mais experiente de todos era, no mínimo, vergonhoso para todos aqueles shinobis do alto escalão.
↨ No andar de cima do prédio Kage de Kumo.
– Kushina: Minato... Como eles puderam? – Minato e Kushina já estavam há cerca de meia hora a sós. O Yondaime apenas escutava sua esposa chorar angustiada enquanto demonstrava sua mágoa contra Konoha. Minato também repudiava que tivessem deixado a situação chegar onde estava. Mas reconhecia a mudança de Naruto como culpa do próprio rapaz.
– Minato: Kushina, eu sei que Konoha falhou com nosso filho. Mas não podemos aceitar as atitudes dele. – Pôs a mão nas bochechas coradas da esposa e beijou a testa com carinho.
– Kushina: Eu sei, eu sei... Mas... E-Eu sinto que não poderei mais vê-lo com aquele sorriso brilhante. Minato, eu sou a mãe dele. Eu sinto! – E novamente o choro veio. Ela doloroso sentir aquele chakra se aproximando e junto dele toda a raiva, ódio e mágoa que ele carregava. – Eu sei que as atitudes dele são repudiáveis, mas ele é meu filho! Eu não posso simplesmente perdoar Konoha.
– Minato: Vamos conversar com ele. Não podemos cobrar nada, já que o deixamos sozinho toda a vida. Vamos tentar falar com ele e ver por nós mesmos as mudanças que ele foi forçado a ter.
↨
Os quatro dias de viagem foram cansativos e irritantes. Teria que ir lentamente com aquela massa toda de shinobis, pois de nada adiantaria chegar somente ele e as esposas à frente. E era impossível até mesmo para ele pular com o Hiraishin ou leva-los com o Kamui devido a quantidade. Felizmente já podia enxergar as muralhas de Kumo e sentia também o chakra do exército montado para a defesa. Ordenou que parassem e os pelotões foram divididos imediatamente. Não havia necessidade de discursos, pois tudo já estava devidamente planejado desde a saída. Olhou para o céu e, pela posição do sol, calculou ser cerca de onze horas da manhã. Seria perfeito começar a batalha nesse exato momento, pois ao contrário dos inimigos, já estavam preparados para lutar e haviam se alimentado devidamente. O exército inimigo, felizmente, não teria tempo para isso. Ponto a mais para o Império Akatsuki.
– Mei: Tudo está preparado, Naruto-kun. Os pelotões estão divididos e a espera das ordens. – Naruto fechou os olhos por um instante.
Um, trinta, noventa, duzentos e oitenta, quinhentos e setenta. Haviam no total cem grupos de oito shinobis espalhados, adiantados dos demais, pela floresta. Estavam cientes da presença do Imperador e com toda certeza também estavam cientes de que eram percebidos. Naruto sorriu com o canto dos lábios. Não podia acusa-los de o estarem subestimando. Afinal, quem poderia imaginar tais poderes? Guiou as duas mãos e as juntou em frente ao peito, ainda com os olhos fechados. Afastou-as a dez centímetros uma da outra e as espalmou com um pouco de força.
– Naruto: Que comece a guerra! – Falou baixo. As presenças dos oitocentos shinobis adiantados sumiu imediatamente, ao mesmo momento em que uma fumaça vermelha cobriu a floresta adiante.
No escritório central, Shikamaru absorveu aquele impacto. O mapa a sua frente, muito mais elaborado que o da quarta guerra, o permitia monitorar as forças como se tivesse uma visão de cima de todo o campo de batalha. Na extrema esquerda já era visível o chakra de Naruto em cinza. Hinata, Madoka e Tsunade representavam em roxo e os shinobis “inimigos” se apresentavam em vermelho. Mei, Gaara, Kira A, Kakashi, Shisui, Kurotsuchi, Jiraya, Minato, Kushina, Konan, Itachi, Hashirama e Hiruzen eram representados por branco. Minato, filho de Naruto, era dourado, e os ninjas da aliança eram azuis.
O Nara levou as mãos à cabeça e fechou os olhos. Os oitocentos ninjas adiantados sumiram em um piscar de olhos, ao mesmo tempo e sem nenhum relatório. Apenas sumiram. Que Kami os ajudasse nesta guerra, pois do contrário, iriam ser aniquilados.
– Shikamaru: Recuem o restante. Desfaçam a formação dianteira de ataque e adiantem as invocações. Quero que todo o esquadrão de invocação aja quando eu ordenar. – Falou seriamente para o Yamanaka que possuía um capacete ao seu lado. – Contate Ino e a autorize o início do ataque pelo portão principal de Kiri. – O ninja assentiu e repassou as ordens.
↨
Era muito conveniente não precisar executar selos para jutsus, possuir Byakugan e Sharingan. Apenas uma avaliada com o Byakugan, a mira do Sharingan em conjunto e também um jutsu extremamente forte de Fuuton, e a mágica estava feita. O ar presente nos pulmões dos shinobis esquentaram a ponto de derreter seus corpos em segundos, fazendo-os evaporar em milésimos de segundos e se misturarem ao vento da floresta. A cor vermelha do sangue se misturava com as folhas e logo se espalhava pelo mundo. Que lindo!
Naruto admirava sua obra de arte enquanto os pelotões se dividiam e avançavam para a batalha. Notou, pela percepção de chakra, que Shikamaru havia recuado alguns ninjas, os fazendo ficarem atrás de outro pelotão. Observou seus esquadrões aproximarem-se da batalha e sorriu novamente. Parecia que seria mais fácil do que pensava.
Os shinobis de Kiri, liderados por Hinata, Mei e Madoka finalmente chegavam ao primeiro pelotão de defesa da aliança. Porém Naruto arregalou os olhos ao verem os mesmos jogarem as bandanas Akatsuki ao chão e pularem para detrás do pelotão de defesa da aliança.
– Naruto: Malditos! – Sussurrou, possesso de raiva e atordoado. – Malditos! – Urrou, fazendo Tsunade afastar-se um pouco detrás de si. Quando havia falhado? Havia prestado tanta atenção em supostas traições e conspirações. Onde havia falhado? O suor descia de sua testa e os olhos vibravam em ira e surpresa. O jogo havia virado. Não seria tão fácil como havia calculado. Levantou seus olhos novamente para avaliar a situação de Hinata, Madoka e Mei. Hinata oscilava o chakra, tão surpresa e atordoada quanto ele, mas manteve-se em uma distância segura. Não demorou muito para os ataques virem de maneira voraz contra a garota. Ela recuou com alguns pulos e manteve uma distância segura. Naruto virou-se para Madoka. A morena olhava para ele e, notando que o rapaz usava o Byakugan no Fan, perguntou-lhe como deveria prosseguir, apenas com o movimento dos lábios.
– Naruto: Recue se ver que está perigoso, mas você é mais forte, vá destruindo todos aos poucos. – Pensou, e Madoka de longe assentiu. A técnica dos Yamanaka era realmente interessante e bem útil. Como um bom Rikudou, Naruto tratou de aprender as técnicas mais importantes de todos os clãs, uma vez que poderia dominar a tudo.
Virou-se então para Mei.
E, pela primeira vez naquela guerra, seu coração foi dilacerado.
O ar faltou e os músculos perderam a força. Naruto ajoelhou e pôs as mãos ao chão, arquejando em busca de ar. A visão ficou turva e ele não conseguiu raciocinar por alguns segundos. A visão de Mei usando um hitaiate da Aliança e dirigindo-se para as profundezas de Kumo o perfurou no fundo da alma. Até quando seria perseguido por aquelas decepções? Olhou então novamente para o exército de Kiri e gargalhou. Limpou uma única lágrima solitária que descia por seu rosto e rangeu os dentes, furioso. Sakura, Sasuke, Kakashi, Jiraya... E agora Mei. A soma de membros que considerava da sua sagrada família, a traí-lo, começava a aumentar. Não que sentisse alguma coisa por Sakura e Sasuke agora, além de repugnância, mas lembrar como havia sofrido ainda o abalava. Da mesma forma que estava abalado agora. Bem... Faria com Mei como fez em relação à Hinata: Sofreria depois da guerra e com o sangue dela manchando suas mãos.
Estava ficando comum ser destroçado pela vida, ou era somente uma impressão? Os olhos brilharam em fúria. Bem... Seria a última vez que seria traído, pensou. O sorriso de Mei apareceu em sua mente e tudo fez sentido. Fora enganado por ela como um imbecil. Não havia evoluído tanto, em comparação ao Naruto idiota de Konoha, pensando por agora. Caiu feito um imbecil e idiota na armadilha. Com toda certeza o exército inimigo inteiro agora sabia de seus pontos fracos e suas táticas, juntamente com algumas de suas habilidades.
Mas as engrenagens de sua mente pararam por um instante e o desespero cobriu seu peito. Suas lindas crianças estavam sob a segurança apenas de Meishu em Kiri. Por Kami! Eles sabiam que a vila possuía Meishu como guarda e claro que também sabiam das fraquezas do mesmo. Ativou o Rinnegan e pôde respirar melhor. Não havia mais nada com o que se preocupar. Se passassem por Meishu, o que seria difícil, teriam algo muito pior para enfrentar. Porém o consumo de chakra seria enorme agora que o Rinnegan não poderia ser desativado. Parou de pensar em seu luto emocional e direcionou sua fúria para o próximo ataque.
– Shikamaru: Esquadrão de invocação! Agora! – O Yamanaka presente na sala repassou a ordem. No mapa de Shikamaru, centenas de invocações tomaram forma.
Ratos, abelhas, tigres, leões, vespas, cachorros, gatos, jacarés, crocodilos... Diversas e milhares de espécies de invocações tomaram forma como uma espécie de barreira diante dos shinobis da aliança. Naruto, de longe, sorriu com o canto dos lábios. Agradecia por ter mantido segredo de algumas de suas habilidades. Queria também surpreender a suas amadas no campo de guerra. Mei não sabia da metade de suas habilidades.
Naruto pareceu de repente à frente de Hinata e Madoka, que haviam se aproximado por estarem em extrema desvantagem. O loiro cruzou os braços diante do peito e sorriu imponente. O shinobi líder do esquadrão ordenou o ataque, mas as invocações sequer ousaram mexer-se. O loiro suspirou e uma explosão gigantesca de fumaça tomou forma atrás de si.
Shinju surgiu em sua forma completa e original, três vezes maior que Kurama era. As invocações curvaram-se diante dela e passaram para o lado de Naruto. Os ninjas, bestificados e atordoados, não conseguiam entender nada.
– Naruto: Eu sou o Rikudou, e como tal, líder das forças da natureza do mundo shinobi. Vocês realmente acharam que os queridos animais que vivem da natureza iriam me enfrentar? – Levantou uma das mãos e apontou adiante de si, para a aliança. – Ataquem! – Shinju desapareceu e voltou para a consciência de Naruto. Ela era pura demais para ter sangue em suas mãos. Não havia necessidade dela participar diretamente da batalha. Até porque ela era uma segunda mente e fonte de inteligência dentro de Naruto.
As invocações avançaram contra seus contratantes e iniciaram, enfim, a verdadeira batalha. Corpos voavam ao longe, outros eram esmagados. O caos estava plantado finalmente.
– Shikamaru: Espalhem-se! Ataques em área são a especialidade deles. Fiquem separados e ataquem em conjunto, não deixando tempo para contra ataques! – Como sempre, o Yamanaka repassava as ordens.
Naruto percebeu que os ninjas se espalharam diante de si e começaram uma gigante chuva de jutsus na direção de dele, Hinata, Madoka e Tsunade. Katon, Doton, Suiton, Raiton e Fuuton eram lançados de maneira exagerada e sem nenhuma ordenação. Alguns esbarravam nos outros e explodiam. Alguns esbarravam no Kaiten de Hinata, outros no Susano’o de Madoka e Naruto apenas os via passar por si em seu Kamui. Percebeu que ali não havia nenhum jutsu de Kekkei Genkai ou Kekkei Touta. Quem diria que a aliança estava disposta a abrir mão dos mais fracos na linha de frente?
Hinata e Madoka foram, vagarosamente, se separando de Naruto e depois de si mesmas. O loiro olhou para Tsunade a mesma assentiu. Afastou-se um pouco e escondeu-se sob algumas árvores. Não é como se Tsunade fosse morrer facilmente. Apesar de ser mais fraca, para batalhas, do que Madoka e Hinata, ainda era extremamente poderosa. Poderia manter-se bem contando que não fosse atacada por centenas de shinobis ao mesmo tempo. Sentiu uma presença ao seu lado e sorriu. Não estava completamente sozinha.
Naruto percebeu que os esquadrões de Kiri, que Hinata e Madoka comandavam, desviaram para as duas, respectivamente. Provavelmente tinham o maior conhecimento sobre as habilidades delas. À sua frente formavam-se várias equipes de cinco shinobis. Algo em torno de dois mil shinobis espalhados pela floresta, mas todos com contato visual para ele.
Analisou e percebeu que usar jutsus nesse momento seria burrice. Deveria proteger o chakra que possuía e evitar gastos desnecessários. Planejava destruir tudo rapidamente com suas habilidades de ataque em área, mas com seus poderes revelados, com toda certeza esses grupos visavam ou morrer em troca do desgaste dele, ou fazê-lo se desgastar mais ainda enfrentando os pequenos grupos um por um. Ele já esperava algo assim de Shikamaru. Bem, não iria adiantar nada ficar ali pensando a mesma coisa. Respirou fundo e ativou o Byakugan no Fan, mantendo o Rinnegan a todo tempo, mas sem poder usar nenhuma habilidade além da que já estava usando.
Um segundo e a primeira equipe já lavava o chão com sangue. Três segundos e mais duas equipes. Os shinobis mais ao longe arregalaram os olhos e ficaram tensos. As equipes continuaram a morrer em segundos e nem os que morriam ou os que olhavam atônitos conseguiam ver quem os matava. Ao fim de apenas um minuto, o verde da grama era coberto pelo rio de sangue dos duzentos e cinquenta cadáveres estraçalhados ao chão. Naruto finalmente parou diante das outras equipes que ainda estavam atordoadas.
Em seus dedos indicador e médio das duas mãos haviam lâminas de dez centímetros formadas de chakra puro, sem elemento. A técnica em si era parecida com a que o Sandaime Raikage utilizou na Quarta Grande Guerra. O chakra puro condensado de maneira tão perfeita que era capaz de cortar até mesmo as bactérias do ar. Tão mortal quanto a foice da morte.
E, mais uma vez, a chuva de sangue recomeçou.
Shikamaru analisava o banho de sangue olhando em seu mapa completamente atônito e surpreso. Esperava, claro, uma investida completa vinda de Naruto. Mas jamais imaginou que as invocações deveriam obedecê-lo como Rikudou. Seus planos teriam que ser adiantados, infelizmente.
– Shikamaru: Autorize Ino a usar o jutsu. – Sussurrou, porém o Yamanaka presente assentiu. – Shisui. – Chamou sério e o Uchiha virou-se para ele. – Está na hora. – Olhou nos olhos do shinobi e viu os olhos transformarem-se do negro característico ao vermelho sangue do Mangekyou.
– Shisui: Mesmo com tantas informações e números de vantagem ele ainda conseguiu nos surpreender. – Fez um selo e liberou os movimentos de todos os Edo Tensei. – Como combinamos, não os controlaremos. Estão livres para fazerem como solicitamos. Pedimos apenas que evitem lutas. Será inútil. Se quiserem nos ajudar a nos desculpar com Naruto, primeiro nos ajudem a abrir os olhos dele. – Falou humildemente e curvou-se para Hiruzen, Itachi, Konan e Neji. – Já sabem o que fazer.
↨
Já se faziam vinte minutos que andavam tranquilamente por Kiri. Até agora não haviam visto nenhum shinobi, e, como estavam cobertos por capas e andando normalmente, as pessoas caminhavam por eles também tranquilas. O ataque já havia sido autorizado e a equipe especial de Konoha andava calmamente para o imponente prédio que pôde ser visto desde a entrada da vila.
Yamanaka Ino, Akimichi Chouji, Inuzuka Kiba, Aburame Shino, Rock Lee, Maito Gai, Mitsashi Tenten, Sai e Sarutobi Konohamaru representavam a equipe elite de Konoha. Todos possuíam o nível Jounnin e habilidades que os faziam únicos. Desde que Shikamaru havia elaborado todo o plano de defesa e ataque da Aliança que todos haviam treinado somente para aquela missão. Inteiros quatro anos sem sair para nenhuma missão e dedicando todo o tempo para conseguir vencer um poder similar ao da Kyuubi, o mitológico dragão Meishu.
– Ino: Shino, está autorizado! – Falou seriamente a kunoichi após receber a ordem do Yamanaka da central. Shino afirmou e sangrou o dedo.
– Shino: Kuchiyose no Jutsu. – Um caixão emergiu da terra e manteve-se de pé. – Edo Tensei no Jutsu.
Um chakra assustador se formou e a tampa do caixão se abriu lentamente. De dentro dele, o mais poderoso Hokage saiu calmamente. Senju Hashirama olhou para todos e respirou fundo.
– Hashirama: Vamos acabar logo com isso! Estou cansado de ter que resolver problemas depois de quase cem anos morto.
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Hinata mais desviava que atacava. Mas nenhum ataque era errado. Fez mais um Kaiten para repelir uma rajada de jutsus e antes de parar de girar, lançou kunais de Hyouton para todas as direções. Mais algumas dezenas caíram mortos, feridos ou impossibilitados de continuar a batalha.
Mirou seu Byakugan no Fan para os shinobis que a atacaram e todos inflaram até explodir. Uma chuva de sangue cobriu a região e mais uma chuva de ataques veio sobre ela. Usou suas habilidades para restringir o chakra contido nos jutsus e todos se desfizeram antes de chegar a ela.
Hinata: Elemento Gelo: Geada. – Uma densa neblina cobriu todos em um raio de cem metros de circunferência. O gelo condensado grudava nas vestes e armas dos shinobis de forma tão forte que os restringia os movimentos, os deixando mais lentos e com a visão limitada. Tudo que podiam ver era o sangue quente respingar sobre si e logo a escuridão sobre seus olhos.
Hinata, como Hyuuga, possuía um excelente taijutsu. O elemento Gelo funcionava em perfeita sincronia com sua velocidade e estilo Hyuuga. A maioria dos jutsus de gelo funcionava não como ataque direto, mas sim como forma de restrição de movimentos, e desta forma facilitando ainda mais que o alvo fosse aniquilado. Dançava em meio a Geada, já coberta por sangue, quando uma voz a fez, ironicamente, congelar.
– Neji: Muita coisa mudou, Hinata-sama. – Hinata perdeu a concentração e a neblina se dissipou. Pôde ver Neji a encarar com os braços cruzados e sentiu os olhos arderem.
Os longos cabelos castanhos espalhavam-se no vento fraco que corria. A testa, sem a bandana de Konoha, deixava exposto o selo da Bouke. Os olhos albinos não podiam ser percebidos. Apenas o negro podia ser visto. Um filme se passou na cabeça da Hyuuga e ela sentiu as pernas tremerem.
– Hinata: E-Eu... – Balbuciou, mas logo colocou a cabeça no lugar. Seu querido primo havia morrido. Aquele jutsu desgraçado não iria abalá-la. Em uma velocidade absurda, guiou-se à frente de Neji e o espalmou com um Juuken. O Hyuuga voou vários metros e saiu rolando no chão até parar. Hinata ofegava não por cansaço, mas por surpresa e abalo emocional. Neji levantou vagarosamente e exibiu o peito desfigurado. Com toda certeza teria morrido caso estivesse vivo.
– Neji: Fico feliz que tenha ficado tão forte. Mas por acaso já avaliou o que pagou em troca? – Falou frio. Apesar de ter tomado um golpe tão forte e estar tão abalado quanto ela, emitia a mesma aura de antes de sua morte. – Esta não é você! Eu sei que sofreu. Eu sofro por saber disso. – Avaliou a palidez anormal de Hinata em contraste com seus olhos furiosos e aproximou-se vagarosamente. Ela parecia ouvir. – Por favor, deixe-me ajuda-la. – Chegou perto o suficiente para tocar com cuidado o braço erguido da garota. Hinata olhou nos olhos do primo e sentiu o que antes sentia ao vê-lo: uma aura paterna, como se ele fosse a figura de um irmão mais velho ou até mesmo um pai. – Você não precisa aguentar tudo sozinha. Você não está sozinha. Eu estou aqui por você! – Envolveu os braços pelos ombros dela e a segurou em um abraço.
Hinata estava estática. Não queria ceder de forma alguma, mas olhar para Neji a trazia uma inegável nostalgia dos tempos em que sua maior preocupação era se tornar forte para ter o reconhecimento de Naruto e de seu pai. Ouvir as palavras de Neji naquele momento a fez lembrar de Naruto e, suas feridas que ainda não haviam se fechado, sangraram novamente. Ela estava destroçada pela briga com Naruto. Era covardia que Neji aparecesse ali para tentar ajuda-la. Por Kami, não tinha como não ceder e os olhos soltaram as lágrimas que caíram grossas. O Byakugan no Fan regrediu para as pérolas manchadas pelo negro da dor e ela puxou as roupas de Neji de uma maneira sôfrega e chorou. Chorou e um gemido de angustia escapou enquanto as pernas tremiam. Neji afagou seus cabelos e sorriu tristemente.
– Neji: Está tudo bem. Está tudo bem! – Abriu os olhos e olhou adiante. Três Hyuugas corriam velozmente em direção aos dois, e sem impedimentos ou receios, golpearam a frágil e desconcentrada Hinata com Juukens extremamente potentes em suas costas. Hinata apertou as costelas de Neji pelo susto e impacto, tossindo sangue no peito do rapaz. Ela levantou os olhos trêmulos e embaçados para o primo. Sentia sua visão ficar turva e a inconsciência a tomando nos braços. – Está tudo bem, Hinata-sama. Acabaremos com o reinado do Naruto. – Sussurrou ao ouvido garota, segurando o peso leve que vinha dela enquanto a garota fechava os olhos.
↨
Madoka sorria fervorosamente. Como era bom possuir o sangue Uchiha nesses momentos. O Mangekyou vibrava a cada corpo que caía diante dele. O Rinnegan parecia ferver a cada defesa executada com o Shinra Tensei.
– Madoka: Amenoukihashi. – Disse em alto e bom som. A barreia formou-se em vinte metros quadrados, pegando quinze shinobis que tomaram-se por desespero ao notar que não conseguiriam sair. A barreira fechou-se tão rapidamente quanto surgiu e ao dissipar-se, apenas o pó foi varrido pelo ar. Não houve tempo para os outros assimilarem. – Elemento Ferro: Possessão do Sangue. – O sangue dos shinobis mortos, movido pelo ferro que o compõe, controlado por Madoka, moveu-se como água e prendeu-se aos pés de alguns shinobis, subindo por todo o corpo do alvo e entrando por todos os orifícios que o corpo possuí: orelhas, poros, olhos, boca... Quando os shinobis alvos finalmente pararam de gritar e todo o sangue os penetrou, os corpos explodiram devido a agitação do sangue invasor, que se agitou com o chakra e os explodiu pelos ares. Os pedaços voaram para todo lado e logo em seguida o sangue de antes, junto com o pertencente aos shinobis mortos, procuraram por novas vítimas.
– Shisui: Está divertido, não é? – A voz trovejou aos ouvidos de Madoka, que parou estática. Virou-se vagarosamente para suas costas e notou o homem parado e a fitando seriamente. Madoka engoliu a seco. – Quanto tempo, Madoka-chan. Será que ainda lembra de mim? Melhor, será que ainda lembra algo que lhe ensinei? – O tom foi acusativo e penetrou a alma de Madoka como uma kunai banhada em chakra.
A imagem do homem que considerou como pai diante de si, e com todo aquele ar de reprovação nos olhos a irritava ao mesmo tempo que magoava. Irritava por estar claramente a acusando de estar matando vários shinobis e, segundo ele, Shisui, estar do lado contrário naquela guerra. A magoava pelo simples fato de ainda amá-lo da mesma forma de antes. Naruto havia conversado com ela sobre Shisui aparecer na batalha. Ela sabia que não conseguiria mata-lo e tampouco Naruto pediu isso. O loiro apenas sorriu para ela e falou que caso fosse preciso lutar contra Shisui, que ela o desmaiasse o mais rápido possível para evitar sofrimento para ambos. E era isso que ela faria.
– Madoka: Shisui-nii-san. – Falou com a voz embargada. Vê-lo depois de tampo tempo a fez lembrar de sua vida ao lado dele. Ele sempre se esforçou para fazer certas vontades dela e sempre foi muito carinhoso e atencioso. Era completamente devota a ele. Depois de Naruto, é claro. – Eu não quero lutar contra você. Por favor, recue. – Pediu com a voz carinhosa. Estava atenta aos movimentos dos outros inimigos, mas todos mantiveram uma distância considerável a ponto de nem mesmo escutarem a conversa.
– Itachi: Isso será impossível. – A voz fria saiu dos lábios do Uchiha e penetrou os ouvidos de Madoka, a dois centímetros de distância da fonte. Madoka gelou por completo. Como não havia percebido os movimentos atrás de si? Será que havia ficado tão atordoada a ponto de baixar a guarda com tamanha imprudência?
Desviou habilmente do golpe que vinha em sua nuca inclinando-se para frente. O movimento veio rápido, e Madoka foi obrigada a cair meio desequilibrada para o lado de Shisui. O Mangekyou vibrou e ela sentiu os movimentos vindo de Itachi, novamente. O Uchiha jogou algumas shurikens à queima roupa.
– Itachi: Shuriken Kage Bunshin. – As seis shurikens se multiplicavam e transformaram-se em dezoito. Madoka puxou uma kunai e desviou de quinze, sendo perfurada levemente pelas outras três. Foi tudo rápido demais. O deslize dela diante de Shisui custou mais caro do que imaginava. Uma shuriken havia perfurado seu antebraço, a outra o ombro e a terceira havia fincado um pouco acima do seio direito. Não era nada fatal, mas a dor incomodava e restringia um pouco seus movimentos. Ainda na mesma passada que usou para defender-se das shurikens, sentiu novamente o aviso do Mangekyou. Virou-se para olhar as costas, mas petrificou por completo.
– Shisui: Elemento Água: Técnica do Vortex Gigante. – O jutsu veio também à queima roupa, mas Madoka demorou a corresponder a situação não por isso, mas por seu coração ter falhado uma batida ao notar que Shisui havia atacado com vontade e visando realmente machuca-la. Os olhos arderam e um Shinra Tensei bloqueou o ataque. A garota, pressionada pelo jutsu de Shisui, recusou dois passos rapidamente.
– Itachi: Elemento Fogo: Bola de Fogo. – O famoso jutsu dos Uchiha veio pelo outro lado. Madoka pulou, atordoada pelos rápidos ataques e também pelo abalo emocional. – Acabou, garota. – Madoka virou-se para as costas, mas não houve tempo. Novamente os olhos arderam e as lágrimas, desta vez, caíram. A tristeza lhe abateu mais forte ainda ao lembrar-se de que não poderia cobrar a promessa de sexo por um dia inteiro que Naruto lhe havia prometido caso ela não se machucasse.
– Madoka: V-Você realmente quis... – Ela sussurrou nos braços de Shisui.
– Shisui: Eu não quis, meu anjo. – Sussurrou também. Madoka pôde notar o tom gentil e amável. Sentiu gotas pingarem em seu ombro e levantou os olhos cansados para Shisui. Viu o mesmo chorar silenciosamente. Gemeu de dor ao sentir a kunai ser retirada de seu quadril. Sentiu o sangue molhar suas roupas e fechou os olhos, percebendo a sonolência lhe buscar. – Eu sinto muito, Madoka-chan, mas não posso permitir... – A voz era fraca e embargada. Seja lá o que Shisui estivesse fazendo com ela, ele realmente não estava feliz com isso. – Eu te amo, criança. – Sussurrou ao vê-la abandonar a consciência.
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A montanha de corpos já estava feita. Naruto já havia matado algo em torno de três mil shinobis. A velocidade era absurda e os golpes sem erros e fatais. Não havia necessidade de jutsus por enquanto. Eles eram fracos como espantalhos. Um golpe com as laminas e estava feito. As invocações, diminuídas pelos ataques de defesa, mas em bom número ainda, tremiam o chão à sua frente, dividindo as atenções. O ritmo estava sendo mais lento do que previsto. Porém tinha que admitir que mesmo com total desvantagem pelo abandono de seu exército, ainda estava bastante fácil. E isso o preocupava.
Usou o Byakugan e explodiu mais alguns ninjas à sua frente, banhando os colegas de sangue e logo depois os matando também. Estava a todo vapor e sequer havia suado ainda. Sentiu uma presença aparecer em um segundo atrás de si. Era familiar, com certeza algum colega de Konoha. Virou-se rapidamente e o sorriso que armou foi completamente destruído.
– Kushina: Filho... – Sussurrou. A roupa clássica encharcada na altura dos seios indicava que chorava há muito tempo. Os olhos de Naruto ficaram trêmulos e a boca entreabriu. Ele deu, inconscientemente, um passo para trás. – Me desculpe! Eu não deveria tê-lo deixado sozinho naquele ninho de cobras. – A facada no peito do Uzumaki foi certeira. Naruto focou a imagem de sua mãe com os braços abertos, chorando, e com um sorriso contrastando em seus lábios. – Venha! Permita-me o papel de mãe ao menos uma vez.
E, pela segunda vez naquela guerra, seu coração foi dilacerado.
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