Cinzas da Guerra: As Mudanças de um Shinobi
19 Capítulo 19: Um Filme de Terror
Notas iniciais
Capítulo 19 – Um Filme de Terror
Já haviam se passado três dias desde que Naruto tinha novamente desmaiado. Estava sendo difícil para Hinata driblar Tsunade. Como Hokage ela deveria estar presente na vila, porém as duas morenas insistiam que ela não podia ir e não contavam os motivos. Tudo era muito confuso na visão da Senju.
Nos dois dias que se passaram, as morenas sumiam durante boa parte da tarde, e não revelavam para onde iam. Elas tinham de ir ver como Hanabi estava. Não podiam simplesmente deixa-la nas mãos do Oogama Sennin e não se importar. Tsunade ficava sozinha na pequena casa durante esse tempo. Hoje, no terceiro dia, novamente as garotas sumiram.
A tentação começava novamente a corroê-la por dentro. Não havia ido ainda ver seu loiro preferido. Não que as garotas a proibissem, mas era estranho olhá-lo novamente depois de ter visto o rosto contente dele enquanto a matava. Acreditava em Hinata, mas ainda assim era muito difícil. Ver a pessoa que se ama fazer uma coisa daquelas era fatal para o coração. No caso de Tsunade, literalmente.
Após horas de passos de um lado para o outro do lado de fora do bendito quarto do rapaz, a jovem Senju decidiu por vez encarar aquela dificuldade. Era a Hokage e não iria ruir somente com aquilo. Vagarosamente abriu a porta, que grunhiu para fazê-la ficar ainda mais nervosa. Sabia que o loiro estava apagado, mas o coração insistia em lembra-la que talvez ele pudesse acordar a qualquer momento.
O quarto era bem simples. A porta dava a visão direta do guarda-roupa. Do lado esquerdo, encostado à junção das paredes da esquerda e do fundo, estava a cama. Tsunade passou seus olhos nervosos ao longo do corpo coberto por um pano. A coberta ia até o peito do rapaz, que mantinha um pano úmido em sua testa. Quanta imprudência de Hinata e Madoka em deixarem o rapaz, que provavelmente estava com febre, sozinho.
Olhou o rosto magro do garoto e imaginou o que diabos havia acontecido com ele. As meninas haviam mudado tanto, mesmo ainda tendo suas pequenas briguinhas divertidas durante o dia e o garoto não mais expressava uma aparência alegre, mesmo dormindo. Andou vagarosamente rumo à cama e sentou-se de lado, olhando para o rosto do Uzumaki. Será que Naruto a acharia bonita agora que estava jovem? Ela havia ficado com suas dúvidas infantis junto com a idade. Tentava entender o que a havia feito interessar-se pelo garoto. Era muito mais velha e vivida, com mais experiência. Havia praticamente o visto crescer e acabou gostando do menino radiante de Konoha.
Porém tinha medo. Medo de que ele descobrisse e a repudiasse, achando-a nojenta. Ela era como uma mãe para ele. Ainda havia Hinata e Madoka. Aquela era a pior parte. Suas emoções estavam à flor da pele e não fazia ideia de que ação tomaria daquele momento em diante. Lembrou-se de que teria, ao menos uma vez, uma noite de prazer, pelo menos para ela, com seu amado garoto. Corou. O rosto do rapaz estava magro e pálido, mas não deixava de ser belo, para ela. Resolveu ser mais ousada e ceder um pouco ao pedido de seu corpo. Levou a mão trêmula até o peitoral do rapaz e sentiu, junto dos ossos do garoto, um calor gostoso e excitante. Era tão confortável apenas ter as mãos em contato com ele. Corou novamente, imaginando contatos pervertidos com o rapaz. Era impossível não tê-los. Repreendia-se mentalmente por pensar aquilo naquelas circunstâncias, mas não conseguia evitar.
Não aguentaria até o momento em que ele acordasse. Ela queria sentir mais daquele toque, mesmo não sendo por vontade dele. Levantou-se trêmula e passou uma perna do lado da cintura do rapaz, sentando-se por sobre ele. Ela vestia uma roupa de Hinata, confortável para ficar em casa. Era uma saia que ia até o meio das coxas, e pôde sentir o membro flácido de Naruto, que estava nu. Corou fortemente. Será que aquele era o limite da perversão? Lembrou-se que Naruto era o “pervertido do parque” e que era discípulo de ninguém mais ninguém menos que Jiraya. O rapaz já tinha duas belas mulheres e ela queria fazer parte do harém do próprio “filho”. O que diabos estava prestes a fazer? Não sabia. Não sabia o que estava fazendo, mas já não conseguia mais resistir. Junto com a idade, também vieram os hormônios e a garota Senju estava pegando fogo.
Passou as mãos pelo peitoral do garoto e arfou. Não que agora fosse tão sexy e sedutor quanto antes, mas ainda o amava e aquilo significava muito. Em seu momento de loucura ero, teve uma ideia e relutou em sua consciência para não fazê-lo. Porém nessas alturas não era o cérebro que mandava e talvez nem mesmo o coração. Era o corpo que pedia escandalosamente por aquele toque. Ela já não aguentava mais. Curvou-se lentamente sobre o rapaz, em direção aos lábios. Os seus já latejavam de ansiedade e a respiração era forte. Sua experiência de vida naquele momento não servia de nada, pois era como se tivesse vivido somente o pouco tempo que sua aparência indicava. Abriu os lábios para engolir os de Naruto, mas então seu sonho erótico ruiu. Um barulho indicou a porta da pequena casa abrindo.
– Madoka: Tadaima! – Falou entediada. Era horrível ter de ir ao templo somente para dar algumas pancadas em Hanabi e ver com o Oogama Sennin estava com a moça. Hinata vinha logo atrás, também aparentando tédio.
Tsunade desesperou-se. O que Hinata e Madoka fariam se ao menos desconfiassem do que ela andava fazendo? Estaria em grandes problemas. Pensou em alguma solução, pois já não dava mais para sair do quarto devido a casa ser pequena. A única opção era o tal argumento que ela tanto odiava. Ajeitou-se ao lado da cama e pegou o pano que tinha na testa de Naruto.
– Tsunade: Estou no quarto do Naruto-kun. – Falou não muito alto, mas audível para quem estava fora. As garotas estranharam. Tsunade não havia entrado ou perguntado por Naruto até aquele momento e de repente chegam e a encontram lá. Madoka não viu nada estranho, mas Hinata, que já convivia com a Hokage antes, já imaginava o que estava acontecendo.
– Madoka: Oh... O que está fazendo aqui? Pensei que não queria ver Naruto-kun até que ele acordasse. – A jovem tinha apenas uma dúvida sem maldade. Hinata estava da porta, olhando a situação.
– Tsunade: Eu achei imprudência de vocês terem saído e deixado ele sozinho aqui, então vim ver como ele estava. – Ela falou acusadora, brigando com as moças e mostrando o pano na mão. – Já estou saindo. – Colocou carinhosamente o pano na testa de Naruto e saiu.
Madoka deitou ao lado de Naruto e ficou, como sempre, tirando casquinhas do rapaz. Hinata estava pensativa, e quanto mais pensava, mais fechava a expressão. A jovem Hyuuga havia percebido a mudança de comportamento de Tsunade desde que toda a história do DNA Senju deveria ser adquirido por Naruto por meio de relações sexuais. Uma mulher enciumada é capaz de tudo. (N/A: Tudo mesmo) Não havia provas para suas especulações, mas tudo indicava que estava certa e ela temia por isso.
Hinata levantou sua cabeça e olhou para a cama onde Naruto estava. Franziu o cenho. Madoka estava sentada em cima da barriga de Naruto e levantava as pálpebras do jovem, com o sharingan ativo.
– Hinata: Mas o que está fazendo? – Correu para lá e tirou-a de cima dele, irritada.
– Madoka: Você realmente não quer saber o que aconteceu com ele naquela cadeia? Ele não quis me contar, mas eu quero saber. Não irei perguntar, pois se ele mentiu para mim, é sinal de que foi algo bem grave. – A Uchiha estava confusa de suas emoções. Não sabia se estava irritada ou triste. Provavelmente os dois. – Eu quero saber até que ponto Konoha foi. – Falou encarando seriamente Hinata.
A Hyuuga atiçou sua curiosidade também, mas seria loucura invadir a mente de seu amado. E se Naruto descobrisse depois? Se ele não quis contar, então invadir a mente dele para descobrir seria uma tremenda loucura. Apesar dessa linha de raciocínio, ela também estava curiosa.
– Hinata: Está louca? O que acha que ele fará quando descobrir que fizemos uma coisa dessas?
– Madoka: Então já supõe que iremos fazer? – Perguntou com um sorriso cínico. Hinata corou. Ela falou como se realmente fossem fazer.
– Hinata: Eu também quero saber. Só tenho medo da reação dele quando descobrir. – Ela estava pensativa. Não gostava de contrariar seu amado, mas aquilo a corroía por dentro a cada dia. Naruto escondia tudo o que havia passado com ele na cadeia. Ela não fazia diferente, mas agora tinha a chance de saber. – Faça!
– Madoka: O que acha de mostramos também para Tsunade? Seria bem melhor ela ver do que Naruto talvez mentir para ela, tentando encobrir alguma coisa. – Hinata mostrou-se pensativa novamente.
– Hinata: Vamos torcer para ficarmos vivas quando ele acordar. – A moça, já cansada das ideias malucas de Madoka, concordou. Tsunade não sabia de nada que havia acontecido e aquilo era muito injusto. Hinata ficou ainda mais esperta com aquilo. Tsunade se envolvia cada vez mais com Naruto e não era de uma maneira materna.
Andou pela pequena casa e bateu na porta do quarto que pertencia a Tsunade. A Senju estava deitada em sua cama, pensando no que havia acabado de fazer com um rapaz desacordado. Havia chegado ao fundo do poço, mas não se arrependia. Levou um pequeno susto com a batida na porta e prontamente levantou-se para atender.
– Tsunade: Hinata? Aconteceu algo? – Ela temia pela Hyuuga ter percebido algo. Depois de tudo, ela ainda possuía o Byakugan.
– Hinata: Ainda não. – Tsunade ficou curiosa. – Vamos investigar a mente de Naruto-kun para vermos o que aconteceu recentemente. Eu e Madoka-chan pensamos que seria bom você ver antes que ele lhe explique.
A Senju notou que não importa que assunto fosse, seria barra pesada. A expressão preocupada de Hinata denunciava mais ou menos o que viria. Meio receosa Tsunade aceitou. Ambas voltaram para o quarto. Madoka estava sentada no chão, encostada à cama e como poucas vezes Hinata a havia visto: pensativa.
– Madoka: Estou me preparando mentalmente. Não acho que veremos coisas legais. – Ela deu um sorriso fraco, respondendo a pergunta que Hinata faria. – Devem fazer o mesmo.
Hinata confirmou com a cabeça e Tsunade ficou ainda mais preocupada. Mas o que diabos tanto escondiam dela?
Madoka ajeitou Naruto sentado, encostado à cabeceira da cama. As duas morenas se olharam e confirmaram apenas com os olhares. Sentaram-se à cama, as três de frente para Naruto.
– Madoka: Tsukuyomi. – Mirou seus olhos nos olhos de Hinata e depois em Tsunade. As duas se conectaram com a mente dela e então se virou para Naruto. Respirou fundo, abriu uma das pálpebras do rapaz e ativou o genjutsu.
– Shinju: O que estão fazendo aqui? – A bijuu suprema as puxou para dentro da consciência de Naruto, em meio ao fogo infernal. Estava visivelmente irritada e falou friamente. – Por acaso estão ficando loucas? Estarão em sérios problemas quando o Rikudou souber sobre isso!
– Madoka: Shinju!? – A Uchiha cometeu uma grave falha. Não havia se lembrando da bijuu que habitava a consciência de Naruto. Agora era tarde. Não havia mais volta, pois certamente Shinju contaria para Naruto. As garotas ficaram tão atordoadas que nem ao menos notaram o ambiente em que estavam. – Nós precisamos saber. Sei que ele não quer nos contar para nos poupar de alguma coisa que lhe aconteceu, mas nós não queremos saber. Nós precisamos saber.
Shinju conhecia muito bem as duas mulheres. Como era seu dever proteger o Rikudou, sempre esteve de olho em tudo que o rodeava e sabia que as duas mulheres o amavam com todo o seu ser. A bijuu sabia de tudo até Naruto ter sido selada pelo tenrou. Os olhos das garotas brilhavam, como se dependessem daquilo e Shinju oscilou por um momento. Hinata percebeu.
– Hinata: Você sabe muito bem que apenas desejamos bem a Naruto-kun. Precisamos saber por tudo que ele passou para podermos ajuda-lo a superar. Você é a melhor testemunha da mudança de comportamento dele e sei que não concorda com isso. – Hinata acertou o ponto vital. Shinju realmente não concordava com as atitudes brutas e frias de Naruto. Porém ela não podia apenas força-lo a mudar sua forma de pensar e agir. Imaginou que essa fosse a intensão de Hinata e viu sua chance. No final da fala de Hinata, ela perdeu as esperanças.
– Shinju: Nem você conseguirá mudar Naruto-kun. Eu realmente não concordo com as atitudes dele, mas entendo seus motivos e seus desejos. Eu pensei por um momento em expulsar todas vocês daqui, mas resolvi ajuda-las. Parece que vocês não entenderam o que está acontecendo com ele. Eu esperava mais das mulheres que o amam. Não tente muda-lo, pois não vai conseguir. Pode ir! A passagem está livre! Entendam a dor e o sofrimento que ele passou e saibam por vocês mesmas. – Shinju não estava mais irritada. Ela agora parecia estar decepcionada com as garotas. Ela esperava que Naruto fosse entendido melhor sem a necessidade de tudo aquilo. Que vergonha. Ela virou as costas para as garotas e liberou a mente de Naruto. As três mulheres, que não falaram entre si desde que entraram na mente do rapaz, iniciaram novamente a investigação.
Por mais que o jutsu a permitisse fazer o que quisesse, como estar nas memórias junto das outras duas mulheres, Madoka preferiu não fazer nada e assistir a tudo como um filme, na mesma visão de Naruto. Os sentimentos do rapaz eram compartilhados com as moças. Era como se estivessem passando pelo mesmo que ele passou.
Tudo começava no exato momento em que Naruto acordou na casa de Tsunade. As três logo reconheceram de quando e o que se tratava. O jovem se levantou normalmente e então tudo começou a desabar. Primeiramente sentiram o aperto no coração do rapaz ou saber que Hinata havia sido sequestrada. O desespero em acha-la rapidamente o fez gastar todas as forças sem medir as consequências e o resultado foi arriscar sua segurança para ter um pouco do poder de Shinju sem se preparar de antemão.
A cada passo que viam Naruto dar durante sua busca, sentiam o coração do mesmo se apertar mais e mais, chegando a doer a cada aspiração. Viram Naruto chegar ao local onde Hinata estava e invadir tudo sem nenhum plano ou preparo por pura agonia em ver a garota bem. A pequena batalha contra os Hyuugas e Matsumis, sem se preocupar previamente com o exército de shinobis que possivelmente viria para impedi-lo. Incrivelmente ali havia medo. Mas não era o medo racional da batalha contra um exército. O medo era por Hinata estar machucada. Viram o momento em que o jovem reconheceu o filho do senhor feudal do fogo, que agora assumia o seu lugar de direito após a morte do pai.
Naruto confiou no senhor feudal e aceitou ser selado, desmaiando no exato momento por não ter chakra e estar demasiadamente desgastado. Somente aquelas poucas cenas fizeram Hinata, Madoka e Tsunade ficarem estáticas e boquiabertas. Elas não imaginavam que as dificuldades haviam começado tão cedo. A Senju presenciou o pouco diálogo que houve com Kamuro e entendeu um pouco. Naruto estava sendo acusado de matar o senhor feudal do fogo. Que absurdo! Porém ele falou que confiava em seus amigos e na Hokage. Hinata e Madoka apertavam os punhos, começando a entender o que Shinju havia falado.
A memória de Naruto foi para o momento em que ele acorda amarrado e sendo molhado por um balde de água gelada. A discussão entre Naruto e Hiashi, a confiança que ele colocava em seus amigos... Tudo aquilo fazia Hinata e Madoka se emocionarem. Elas sentiam ainda mais raiva e a cada palavra ou ação de Hiashi e Naruto, elas o entediam mais. Tsunade estava pasma com a revelação do plano engenhoso de Hiashi. Então agora tudo começava a fazer sentido naquela loucura toda. Naruto havia se consagrado um vilão em Konoha e seus amigos nem sequer haviam questionado o fato de tudo aquilo ser estranho. Também se sentiu irritada por saber que ninguém quis investigar corretamente o caso, pelo menos para tentar manter as esperanças no jovem herói.
O coração de Naruto chorava lágrimas de puro sangue e arrependimentos. Estava arrependido de ter dado tudo de si para um povo que sequer estranhava aquela situação. Tudo bem que eram provas muito concretas, mas também era muito estranha aquela mudança de um dia para o outro do rapaz que fazia de tudo para proteger Konoha. A conclusão era de que jamais haviam o considerado um verdadeiro herói e ainda o temiam por ser um jinchuuriki.
Enfim chegou o momento em que Hiashi revelou que Hinata havia perdido o filho dos dois. No momento em que o Hyuuga deu a entender que a garota estava grávida, puderam sentir o coração do rapaz se transformar em fogos de artifício de tanta felicidade, mas tudo passou rapidamente. A dor, como se alguém estivesse pisando em seu coração, era dilacerante. De uma imensa clareira quente e agradável, passou-se para a mais pura escuridão cheia de ventos gélidos que pareciam soprar a morte. Naruto começou a exalar seu chakra sem se importar com o tenrou em seu corpo, o que resultou em seu corpo praticamente carbonizado devido a força do selo. Sentiram todo o ódio no peito do rapaz, e viram, compartilhando o mesmo medo de Hiashi, Naruto ser completamente sombrio e demoníaco em sua ameaça. Estava cravado! Não haveria ninguém no planeta que pudesse salvar Hiashi das mãos de Naruto. Ele havia prometido, e Uzumaki Naruto jamais deixa uma promessa pendente.
Tsunade mais uma vez ficou bestificada. Era uma situação completamente assombradora para os jovens ali, uma vez que sabia o quanto eram carentes pela falta de uma família. Ela olhou para Hinata e viu a expressão da garota. Os dois não mereciam nada daquilo. Eram jovens exemplares e serviriam de modelo para a próxima geração. O quão injusto aquele mundo poderia ser? Viu também a expressão de ódio no olhar do loiro, junto com a ameaça feita por ele. Arfou ao ver a cena.
As jovens sentiam toda a tristeza do devastado coração de Naruto. Madoka e Hinata tinham os olhos marejados, mas ainda se mantinham firmes para ver o que mais aconteceria. Tsunade mantinha um olhar sem foco, ainda impressionada com a força dos acontecimentos desde sua morte. O que mais havia acontecido? Quanto mais os veria sofrer?
Novamente a mente de Naruto apagou. Os dias restantes para o julgamento se passaram de maneira sofrível. Um cachorro de rua vivia bem melhor que o pobre rapaz naquela cadeia, jogado ao chão banhado em seu próprio sangue. Hinata e Madoka choravam vendo aquela humilhação. Tsunade ainda matinha sua mente séria. O jovem chorava praticamente todo o dia. Não havia mais palavras ou explicações distinguíveis para o que se passava no coração de Naruto. Tristeza, ódio, remorso, rancor, raiva... Existia tudo de ruim compactado no peito do rapaz.
Passaram novamente alguns dias e novamente Hiashi entra na cela para avisar Naruto de sua pena de prisão. O jovem esperava uma notícia positiva, mas novamente foi traído por suas esperanças. Não entendia como ainda podia sentir algo, afinal seu peito já estava dilacerado por tanta traição e armações. Sentia-se fraco e à beira da morte, mas no momento em que Hiashi novamente falou de Hinata, sua mente acordou. Uma fúria assombrosa se apossou dele ao ouvir de Hiashi de Hinata se casaria com Kamuro. Levantou-se novamente e todo o medo de Hiashi foi sentido também pelas garotas. Naruto parecia diabólico e sua aura era praticamente a morte em si.
Hinata presenciou duas coisas que jamais imaginou. Hiashi sendo irônico e com piadinhas foi uma surpresa enorme. Ele estava louco mesmo. A oura, mesmo já tendo visto atitudes brutas e psicopatas de Naruto, foi olhar aquela cena. Ela ficava triste ao ver tamanha mudança do rapaz, mas agora entendia o porquê. Ela havia sofrido muito na cadeia, mas vê-lo sofrer era ainda mais doloroso.
– Shinju: Acabou! Não permitirei que vejam mais nada! O que quiserem saber mais perguntem a ele! – A bijuu terminou com o show de horrores que as jovens viam com tanto pesar. Ela não permitira que vissem a situação dentro da cadeia, até porque era o pior de tudo. Deixaria para o próprio Naruto decidir se mostraria ou não. – Apenas com isso já devem ser capazes de entendê-lo completamente.
– Hinata: Apenas com isso... – Ela repetiu incrédula. Se tudo aquilo era apenas, então viria algo muito pior. Aumentou o choro. – Ainda havia algo pior? – Levantou o olhar para Shinju, que não falou mais nada. Hinata caiu de joelhos, em prantos.
– Shinju: Por favor, vão! – Ela falou também triste. Não era agradável para ninguém ali ficar remoendo tudo que havia acontecido. Na verdade, não era por se meter ou apenas uma curiosidade que as garotas haviam feito aquilo. Até porque era uma falta de respeito com Naruto. Elas queriam saber mais sobre o motivo de tanta mudança no jovem. Não eram hipócritas, sabiam que haviam mudado muito, mas Naruto era de longe o mais diferente. E por esse exato motivo Shinju permitiu que vissem. Elas acompanhavam Naruto naquela loucura toda e era justo que no mínimo estivessem entendendo o que acontecia.
Já fora da mente de Naruto, as três ficaram no mesmo de lugar de antes. Hinata e Madoka choravam intensamente. Seu loiro querido havia sofrido tanto e muito mais onde não puderam ver. Pensamentos iam e vinham, e em certo momento chegaram a imaginar se foi aquela dor que Sasuke sentiu ao descobrir tudo que Konoha fez a Itachi, mesmo que o herói tivesse concordado. Mais ainda. Ele fez com orgulho. Porém a situação de Naruto era ainda pior. Ele havia sido traído por nada. Itachi deu sua honra para salvar Konoha da guerra interna, que abriria portas para outras guerras, já Naruto foi traído apenas por capricho de Hiashi e falta de confiança dos cidadãos que veneravam, falsamente, o herói.
Tsunade também estava perdida. Ela não chorava. O impacto de tudo aquilo não permitia. Por mais que tudo tivesse sido explicado pelos diálogos de Naruto e Hiashi, ainda era complicado assimilar e organizar tudo aquilo. Primeiramente Naruto, seu filho, havia matado a Hokage e depois o Senhor Feudal do Fogo. Foi preso e assumiu toda a culpa no julgamento, o que não expressão nenhum sentimento de que havia algo estranho. Era tão lógico que havia algo errado. A Senju cerrou os punhos. Konoha havia realmente traído Naruto, e junto com ele, também ela.
Havia um enorme impasse. Ela como Hokage, deveria defender a todo custo sua vila. Do outro lado, a vila que tanto deve proteger havia traído seu “filho”. Para uma mãe aquilo era demais e o lado pessoal e profissional beiravam uma guerra. Esperaria seus pensamentos se acalmarem junto com as informações recebidas para escolher seu lado.
Como num estalo, as três olharam para o rapaz. Ainda encostado na cabeceira da cama, com os cabelos, agora mais longos, cobrindo parcialmente seu rosto. Hinata aproximou-se e abraçou-o, colocando sua cabeça entre seus seios. Apertou-o com uma das mãos e com a outra ficou a cariciar os cabelos do mesmo.
Tsunade levantou-se em silêncio e saiu do quarto. Maodoka estranhou a situação, mas Hinata, que já havia notado, entendeu perfeitamente. A Senju se culpava por ter falhado em não observar os planos de Hiashi e por uma sequencia de acontecimentos, o resultado foi o tamanho sofrimento de Naruto. Entrou em seu quarto e então desabou. Escorregou de costas para a porta e então pôde chorar em silêncio. Era o funeral do garoto cabeça-oca e hiperativo. Ali era o fim do tão alegre e bondoso Naruto. Quantas vezes o viu entrar feito louco em sua sala gritando e a chamando de baa-chan. Ela demonstrava irritação por estar em um ambiente sério, mas por dentro gargalhava de felicidade, vendo o lindo garotinho alegre e com um futuro brilhante à sua espera. Era realmente como estar vendo Jiraya e Minato em uma só pessoa. O caráter gênio de Minato em ascensão sendo escondido pelo lado idiota de Jiraya, mas ambos faziam uma fusão perfeita no que seria o melhor Hokage que Konoha veria. Veria. Agora não mais. Ela não havia visto nenhuma das brutalidades cometidas por Naruto desde o momento que se soltou dos selos na cadeia, mas viu como o rapaz demonstrava uma aura maligna e completamente brutal ao quase matar Hiashi. Não era mais o garotinho baka e alegre. Aquele era o gênio que usaria de todo seu enorme poder para alcançar seus objetivos, não importando o que esteja no caminho. Tsunade havia lido corretamente os gestos do rapaz.
Já era finalzinho de tarde e o clima havia ficado um pouco pesado. Não entre elas, mas cada uma estava pensando quieta em seu canto. Madoka e Hinata ajeitaram-se para dormir mais cedo, vestindo roupinhas leves para ficarem mais confortáveis. Deitaram como sempre, juntas de Naruto. Cada noite era uma batalha das duas para quem ficava mais grudada no rapaz. Mas não hoje. Hoje ambas sabiam da necessidade de cada uma de ficarem perto dele e ambas se enrolaram no rapaz, sem brigas, sem brincadeiras e, hoje, somente hoje, sem sorrisos.
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