Cinzas da Guerra: As Mudanças de um Shinobi
5 Capítulo 05: Batalha Solitária: O Konshin Betsuri
Notas iniciais
Capítulo 05: Batalha Solitária: O Konshin Betsuri
Em Konoha, logo após Naruto sair rumando Kumo, duas pessoas conversam seriamente em um escritório.
– Hiashi: Então foi isso que aconteceu? – Soltou um pequeno sorriso, deixando a outra pessoa surpresa. Era raro que isso acontecesse – Será perfeito! Bom trabalho Yuharu, pode se retirar.
– Yuharu: Até mais Hiashi-sama – Falou já saindo da sala.
Tudo estava caminhando perfeitamente... Todas as peças estavam se encaixando no quebra-cabeça feito por Hiashi. Ficou um tempo pensando e logo se pôs a escrever em um pergaminho. Anotou uma grande mensagem e carimbou-a para depois selar com um fuuinjutsu de chakra. Chamou um Hyuuga de sua extrema confiança e mandou-o enviar a mensagem para a pessoa destinada.
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Após entrar no clã Hyuuga, Hinata caminha lentamente até seu quarto. Estava triste pelo loiro ter partido logo após se acertarem. “E que acerto” Pensou Hinata corando forte e rindo, já em seu quarto. Não queria ficar muito tempo ali, evitaria ao máximo topar com seu pai. Ela não sentia medo, confiava totalmente nas palavras de Naruto e sabia que seu pai jamais iria provocar o herói e mais poderoso shinobi do mundo. Mas alguma coisa estava estranha, ela com certeza! Hiashi não era o tipo de pessoa que aceitaria ser humilhado tão facilmente. Ela dobraria suas atenções para qualquer tipo de atitude estranha vinda de Hiashi.
Decidiu então ir treinar. Já trajava suas roupas típicas, então faltavam apenas seus acessórios ninjas, que pegou logo em seguida, arrumando-se adequadamente para as atividades shinobi. Já sabia onde e o que iria treinar nos próximos dias. Seu controle de chakra estava perfeito, e seu taijutsu também, mas ainda não conseguia executar alguns golpes com perfeição e iria passar esse tempo treinando-os.
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Naruto seguia seu caminho para Kumo. Estava no Modo Bijuu 2, e com uma rapidez sobre-humana, onde raros shinobis no mundo conseguiriam ver até mesmo o vulto da sua passagem. Lembrou-se então dos bijuus e fechou os olhos para contatá-los:
– Naruto: Yo... – Naruto calou-se ao ver a cômica cena – Vejo que estão se divertindo – gargalhou até faltar o ar.
Os bijuus estavam deitados em fileira, em ordem pelo número de caldas. Haviam deitado todos de bruços e colocavam a calda dentro do rio que ali tinha e cada um levantava suas caldas, um após o outro para jogarem água sobre todos. Batiam com força as caudas no rio e depois subiam as mesmas também com força fazendo com o que chovesse como numa tempestade sobre eles, mas sob a luz forte do sol. Estavam tomando um tomando um banho na praia particular deles.
– Shukaku: Yo Naruto, isso é divertido. Eu nunca havia tomado banho antes – Falava com um sorriso, o que era estranho para um bijuu. Ele estava realmente feliz.
– Kokuou: Naruto, isso é muito bom. Se eu soubesse que podia fazer isso eu teria feito as pazes com Han na primeira oportunidade – Falou o bijuu de cinco caudas também muito feliz.
– Son: Sim, isso está muito bom – Son falava com um sorriso também, mas logo mudou sua feição para séria – Mas temos que conversar pirralho. Você já deve imaginar o que vai acontecer quando selar Gyuuki também, não é?
– Naruto: Sim, eu sei, por isso vim aqui falar com vocês. Quero saber se vocês estão de acordo com isso, porque eu não vejo necessidade de selar todos vocês agora. Vocês tem certeza que querem se transformar no Juubi perfeito? Se fizerem essa transformação não podem mais voltar ao que são agora, não sem os poderes do Rikudou que já faleceu – Naruto estava preocupado com o bem estar dos bijuus. Eles eram seus amigos.
– Saiken: Obrigado por se preocupar conosco Naruto. Nós vemos que você é diferente de todos os outros humanos que tivemos contato. Não se preocupe. Nós éramos, antigamente, um só corpo e uma só mente, assim como mostramos a você durante a guerra. Nossa missão é voltar a ser somente um e criar o novo Rikudou para continuar a missão que o antigo não conseguiu concluir.
Naruto já sabia disso, mas ainda tinha coisas que não sabia. Bastava apenas ter o Juubi selado em si para ser o Rikudou? Não que fosse fácil ter o Juubi selado em si, mas o poder do Rikudou estava além da compreensão de qualquer um que já tenha existido após o Grande Sennin, pai dos shinobis.
– Naruto: Mas só selando vocês eu me tornarei o novo Rikudou? – Naruto colocou toda sua dúvida e receio na pergunta.
– Son: Não! Você deverá receber o treinamento o Shinju (N/A: Como ainda não sabemos o verdadeiro nome do Juubi, o chamarei de Shinju, que é o nome da Árvore Sagrada que lhe deu forma) passará a você. O antigo Rikudou não sabia muitos jutsus, ele sabia apenas jutsus bem simples, mas tinha o controle de chakra perfeito e quando digo perfeito era que ele podia usar os jutsus sem precisar de selos. Ele inventou os selos para que os outros humanos pudessem utilizar jutsus. Não fique curioso demais, apenas siga os passos que estamos lhe dizendo que no tempo certo suas dúvidas serão sanadas – Son falou calmamente e olhando para Naruto com respeito e admiração. Os bijuus tinham certeza que aquele era o citado pelo Rikudou na conversa que tiveram a centenas de anos atrás.
Naruto despediu-se dos bijuus, que continuaram a banhar no rio e saiu de sua mente. Concentrou mais chakra e aumentou a velocidade. Shinobis normais demorariam cerca de três dias direto, sem parar, ou cinco se parassem para descansar, correndo por terra todo o trajeto. Caso fossem de navio demorariam cerca de seis dias. Já Naruto calculou chegar em apenas oito horas, correndo sobre o mar para cortar caminho. Como saiu de Konoha cerca de nove horas da manhã, planejava chegar em torno das cinco horas da tarde. Ele viajava extremamente rápido, mas não se esforçava, pois queria realizar o jutsu assim que chegasse a Kumo, para que descansasse durante a noite e já saísse pela manhã em busca de alguma Uchiha viva.
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O dia se passava tranquilamente em Konoha. Tsunade dava missões e revisava papéis numa calmaria que chegava a ser estranha. Lembrava-se de Naruto, o garoto problema, arteiro e escandaloso, mas com um coração de ouro. Com apenas doze anos foi capaz de ensinar uma lição para uma mulher vivida, que já estava em seus cinquenta anos e ainda por cima, uma Sannin Lendária de Konoha, com poderes no mesmo nível do Hokage. Lembrava-se de como o garoto superou cada dificuldade da vida em busca de reconhecimento e segurança para seus amigos, trilhando o caminho mais difícil para qualquer um, mas o correto, buscando fazer as coisas do modo que achava certo sem se importar com quem entrasse em seu caminho. Admirava-o e o considerava como um filho, agora teria que transar com o garoto que viu evoluir tanto em tão pouco tempo.
Naruto era com certeza um dos jovens mais bonitos de Konoha e Tsunade via que seu sentimento materno não poderia impedi-la de se excitar ao imaginar ir para a cama com o rapaz. Ela não era mãe verdadeira dele e não havia nada de errado ela se deitar com ele, ainda mais sendo jovem. Tentava convencer a si mesmo que era loucura ficar imaginando como seria o sexo com o garoto sendo que representava uma figura materna para o mesmo. Seu corpo e mentes travavam uma batalha: a mente dizia que era errado e que só faria aquilo para ajudar o garoto a evoluir ainda mais, mas o corpo queria deliciar-se nos braços malhados do jovem herói. Percebia que quanto mais pensava nisso, mais “pregava” o loiro em seus pensamentos, lembrando-se do olhar penetrante das safiras azuis sempre repletas de determinação.
Assustou-se ao imaginar estar gostando do rapaz de uma forma diferente. Se seu corpo respondia aos instintos sexuais ao pensar no loiro, ela estava perdida! Mas era o que tudo indicava. Ela seria jovem novamente e poderia claro, relacionar-se com o loiro de olhos azuis. Jogou os papéis que segurava na mesa e retirou os óculos, massageando as têmporas. Estava tão confusa com seus pensamentos que percebeu que seu trabalho não renderia nada e resolveu andar um pouco para esfriar sua cabeça.
Estava cansada daquela vida e já havia decidido: Assim que Naruto retornasse da sua jornada iria indica-lo para Hokage e aproveitar sua juventude, o que não pôde fazer antes por causa de suas perdas e traumas.
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Já eram quatro e quarenta e três da tarde. Naruto avistava os portões e alguns prédios de Kumo, já que os mesmos eram construídos em algumas montanhas. Diminuiu o ritmo para que não assustasse os guardas ao chegar e os mesmos já o viram de longe e ficaram em frente ao portão. Eram dois guardas aparentemente de nível Jounnin.
– Guarda 1: Boa tarde senhor, vejo que é um shinobi. Qual o seu nome e que deseja em Kumogakure? – Depois da grande guerra houve mudanças drásticas em todo o mundo shinobi. Antes disso, em hipótese alguma algum shinobi estranho seria recebido com essa educação. Naruto sentia-se orgulhoso por ter participado dessa mudança do mundo.
– Naruto: Boa tarde também. Sou Uzumaki Naruto e desejo falar com Killer Bee e A – Os guardas ficaram totalmente surpresos, abrindo bem os olhos. Lógico que já tinham informações de como era Naruto e que era jovem, mas não sabiam que era praticamente uma criança. Como podia um rapaz tão novo ser tão poderoso a ponto de poder derrotar qualquer um dos kages, segundos os próprios kages disseram.
– Guarda 2: Na-Naruto-sama, por favor, entre. Irei leva-lo até o Raikage, me acompanhe – O guarda estava visivelmente impressionado e esbanjava alegria por conhecer o grande herói responsável pela instabilidade do mundo.
Andaram pela vila escutando burburindos e sob os olhares admirados dos aldeões que reconheciam Naruto. As ruas que passavam começavam a lotar e as pessoas a amontoarem-se perto de Naruto. Ele não gostava de ter tanta atenção assim. Era o herói e havia salvado o mundo, sabia disso, mas isso não havia lhe subido à cabeça. Ele continuava o mesmo jovem simples de antes, tendo mudado apenas o seu comportamento por ter ficado mais inteligente e maduro.
Cumprimentava a todos enquanto andava e o guarda que lhe acompanhava estufava o peito, mostrando para os colegas shinobis que estava acompanhando o grande Naruto-sama.
Por terem chamado a atenção do povo, demoraram mais do que o previsto para chegar a sala do Raikage. O guarda o levou até Mabui, a secretária de A. A linda moça já conhecia Naruto e ambos se cumprimentaram. Mabui o levou até a sala do Raikage, anunciando a vinda do rapaz. Ao entrar Naruto cumprimentou-o.
– Naruto: Boa tarde A, como vão as coisas por aqui? – Naruto estava tranquilo sob a presença do Raikage. O mesmo normalmente tinha uma presença que intimidava, mas com Naruto ele estava bem à vontade.
– A: Boa tarde Naruto. Fico feliz pela sua visita, mas porque não nos avisou antes, pois poderíamos preparar um grande jantar para recebe-lo – A tinha bastante respeito por Naruto desde que o enfrentou quando queria impedi-lo de ir à guerra e teve sua velocidade ultrapassada pelo loiro, sem utilizar tele transporte como Minato.
– Naruto: Desculpe não ter avisado minha vinda, mas é uma coisa urgente e peço para que chame o Bee para conversarmos – A viu pela expressão de Naruto que o assunto era extremamente sério e pediu para Mabui chamar Killer Bee. Cerca de dez minutos depois Bee chegou à sala.
– Killer Bee: Yo, Naruto, como vão as coisas? Vejo que mudou de expressão, acho que a guerra foi muita emoção♪ — Bee chegou fazendo rimas, feliz por ver de novo seu irmão jinchuuriki.
– Naruto: Yo Bee, eu estou diferente e desculpe te chamar de repente. Trago um assunto urgente, toque meu pulso imediatamente!♪ — Bee primeiramente anotou a rima de Naruto em seu caderno e Naruto mesmo estando sério riu do seu amigo. Não havia mudado nada quanto a tratar assuntos sérios.
Bee tocou o pulso de Naruto, como sempre faziam para conversarem e entraram em uma conversa os dois jinchuurikis e todos os bijuus. Os bijuus selados em Naruto deixaram que Kurama explicasse tudo para Gyuuki e Bee e assim ele o fez. Kurama explicou calmamente para seu irmão bijuu e Bee, deixando Bee assustado e apreensivo. Ele não queria perder seu grande amigo,
– Bee: Naruto, isso é mesmo necessário? Tenho uma grande amizade com o Gyuuki – Bee procurava entender os motivos de Naruto para isso e estava visivelmente transtornado com a possibilidade de perder seu companheiro.
Naruto ia se pronunciar, mas Gyuuki tomou a palavra:
– Gyuuki: Desculpe Bee, mas é realmente necessário. Não podemos explicar todos os motivos, mas o Rikudou nos deixou a missão de nos reunirmos novamente como éramos antigamente, no mesmo corpo, quando achássemos o homem que o Rikudou nos indicou e esse homem é o Naruto – Gyuuki falou sério, vendo Bee olhar o olhar tristemente. Bee após a explicação entendia que era necessário que fosse feito aquilo, mas mesmo assim a tristeza de não poder mais irritar o seu companheiro com suas rimas sem graça não parecia diminuir.
– Bee: Tudo bem Gyuuki, eu realmente entendo. Só quero que saiba que eu realmente te amo meu amigo e jamais vou esquecer-me de você – Bee estava antes em cima da cabeça de Gyuuki, mas no momento que falou estava mais abaixo, em cima do focinho do bijuu, encarando-o nos olhos e percebeu que Gyuuki também estava triste.
– Gyuuki: Eu também Bee. Antes de conhecer você eu não acreditava na amizade entre humanos e nós, bijuus. Depois que o Rikudou nos deixou, os humanos usaram suas habilidades shinobis que aprenderam para buscar a guerra, contrariando os ensinamentos do Rikudou e nos viam apenas como fontes de poder para guerrear. No início tentávamos convencê-los de que o caminho que seguiam era errado, mas por fim acabamos ficando neutros à situação. Se a própria raça humana não se entende, imagine o que nós conseguiríamos entender. Aos poucos nossos irmãos foram sendo capturados e passando de mão em mão como se fossem objetos e acabamos criando ódio por essa raça de animais que mais parecia irracional. Jamais confiamos em nenhum jinchuuriki, pois sempre éramos tratados como animais que não tinham sentimentos e não pensavam, e sempre que tínhamos uma oportunidade nos rebelávamos e destruíamos tudo ao redor para descontar a raiva que sentíamos. Com o tempo ficamos conhecidos como demônios com cauda, ou seja, bijuus. E eu posso afirmar que quando você se tornou meu hospedeiro, eu mal via a hora de escapar e destruir tudo ao redor, tomando seu corpo. Mas com o tempo fui observando que você era diferente. Por mais que fosse insultado, espancado e sendo tachado de lixo pela sociedade, não largava seu sorriso e seu sonho idiota de ser um rapper. Fiquei feliz por descobrir que a humanidade não estava perdida, fiquei feliz por saber que o sonho do Rikudou não estava apagado. Criamos a nossa amizade e aprendi a gostar de você e até de suas rimas idiotas, pois são idiotamente engraçadas. Foi bom conviver com você, parceiro, amigo – Gyuuki falava chorando, junto de Bee que olhava diretamente em seus olhos – Adeus Bee.
– Bee: Adeus Gyuuki – Bee chorava e então saíram da conexão de mentes.
A, que apenas via os dois parados com os punhos em contato, viu que Bee soltava lágrimas, mesmo com a face fechada e séria. Levantou-se da cadeira apressadamente e chegou perto de Bee, tocando-o no ombro e perguntando desesperadamente o que estava havendo. Mas logo Bee abriu os olhos tristemente, mas determinado a fazer o que deveria ser feito. Sua amizade com Gyuuki seria eterna e deveria, por ele, seguir sua vida como antes.
– Bee: Irmão, precisamos conversar agora com você! – Bee limpou as lágrimas e caminhou para frente da mesa do Raikage, com Naruto sentando do lado em outra cadeira. A voltou e sentou-se na sua cadeira.
– A: Que tal começarem me explicando o que houve nessa conversa de vocês. Você começou a chorar do nada e eu fiquei preocupado – Por mais que fizesse sua pose de durão, o Raikage se preocupava com seu irmão de criação.
– Naruto: Precisamos que escute com atenção, Raikage – Ao ouvir Naruto chamando-o de Raikage e não pelo nome, A ajeitou-se na cadeira, pois dali não viria nada que o fizesse ficar feliz.
Naruto pôs-se a explicar, com a ajuda de Bee, toda a situação para o Raikage. A escondia a surpresa por baixo de uma face séria e fria. Ao terminar a explicação de tudo, Naruto perguntou se ele estava de acordo.
– A: Naruto, eu confio em você. Eu sei que jamais faria algo para machucar qualquer pessoa inocente, independente de qual seja seu objetivo – Naruto ficou surpreso. Por mais que soubesse que o Raikage o respeitasse e admirasse sua força, não pensou que seria tão simples. Não que fosse fácil explicar ao Raikage a situação, mas ele era muito cabeça dura quando queria – Se Bee está de acordo então eu também estou. Eu como Raikage lhe autorizo a selar o Gyuuki em si mesmo, contanto que não arrisque a vida de Bee.
Sem perder tempo, Naruto afirmou que tinha uma técnica de retirar um bijuu sem efeitos colaterais ao hospedeiro, a não ser desgaste físico. Então pediu para o Raikage providenciar uma equipe de médicos de sua total confiança para acompanhá-los até uma área mais afastada na vila, para que o povo não visse o bijuu. Depois do acontecido o povo não mais temia os bijuus. Eles agora eram lembrados, assim como os shinobis que lutaram na guerra, como heróis. Todos viram como Kurama ajudou Naruto e o mesmo lutou bravamente para salvar o restante dos irmãos de Kurama. Naruto era um exemplo de shinobi tanto em habilidades como em caráter e ninguém ali contestaria uma decisão de Naruto. Se ele confiava nos bijuus, todos confiariam.
Como já era noite, cerca de umas oito horas, Naruto procurou por uma área que estivesse iluminada pela luz da lua e logo encontrou o local ideal.
– Naruto: Médicos prontos? – Os três médicos afirmaram – Bee, você está pronto? – Bee também afirmou – Não se preocupe, não haverá riscos para você. Eu só pedi a equipe de médicos para o caso de você desmaiar de cansaço.
Bee ficou em pé diante de Naruto e o Raikage e os ninjas médicos tomaram uma distancia de duzentos metros a pedido de Naruto e o mesmo começou a realizar uma grande sequencia de selos que não conseguia ser acompanhada por nenhum dos presentes na cena.
– Naruto: Toorii no Kaiin (Quebra do Selo do Portão do Templo) – Ao colocar a palma da mão aberta na barriga de Bee, as inscrições do selo foram dispersas como chakra, desfazendo o selo. Uma grande quantidade de chakra em tom rosa começou a sair da barriga de Bee, que começou a gritar escandalosamente, sentindo dores. Os médicos e A fizeram menção de se aproximar.
– Naruto: FIQUEM LONGE! – Naruto gritou da distancia que estava e eles pararam no mesmo instante em que o Gyuuki tomava forma já fora do corpo de Bee. Assim como Naruto previu, Bee desmaiou devido ao grande cansaço físico – Agora podem vir. Ele não corre risco de vida, mas indico que o coloquem sob observação no hospital e o deem medicamentos que ajudem a recuperar o chakra. Peço que fique somente um dos médicos e A, pois ainda vou selar o Gyuuki em mim e depois dar forma ao Shinju – Os mesmos assentiram e dois médicos levaram Bee para o hospital.
– Naruto: Prontos? – Perguntou olhando para A e o médico. Eles assentiram – Pronto Gyuuki? – O mesmo também assentiu – Bijuu Rouheki (Prisão de Demônios Com Cauda) – Disse Naruto após executar uma grande quantia de selos. Assim como na guerra, quando selou os outros bijuus, Naruto expeliu uma grande quantia de chakra e bateu no chão com as duas mãos e tudo foi tomado por uma forte luz, que ofuscou a visão dos dois que observaram. Após dez segundos a luz foi diminuindo, revelando Naruto de joelhos e com as duas mãos no chão, ofegando pesadamente. Um shinobi comum não sobreviveria se selasse um bijuu em si mesmo. Além da grande quantia de chakra que é necessária para selá-lo, o esforço físico que o hospedeiro faz para alojar o bijuu é enorme e Naruto só conseguia fazer isso por ser Uzumaki e ter uma reserva de chakra estrondosamente grande, até para os padrões de ninjas Uzumakis. Levantou-se com um pouco de dificuldade, enquanto A e o médico chegavam perto.
– Médico: Você está bem? – Pergunto a Naruto já com chakra nas mãos e pousando-as no peito do loiro, que não respondeu – É incrível que esteja bem depois de emanar tanto chakra e selar um bijuu em si mesmo. É realmente espetacular – Virou-se para A, que aguarda uma resposta do estado de Naruto – Ele só está um pouco cansado, foi apenas um grande gasto de chakra e esforço físico, não é necessário leva-lo ao hospital – Concluiu o médico deixando A mais calmo.
– A: Obrigado. Vamos Naruto – Falou A já se virando para ir embora. Não achou que Naruto iria querer terminar o processo ainda naquela hora. Ele já havia se esforçado demais.
– Naruto: Não! Eu tenho que terminar tudo hoje e descansar durante a noite para partir logo pela manhã – Naruto que estava sentado no chão, levantou-se e caminhou novamente para longe – Por favor, vão para o mais longe possível. Esse selamento será muito maior que todos os que já viram – Naruto não sabia como fazer o selamento. Ainda iria perguntar para os bijuus, mas de uma coisa ele tinha certeza, seria uma coisa que jamais iria ver ou fazer novamente. Lembrava-se de quando viu o Juubi imperfeito que Obito criou na guerra. Se aquela criatura não estava completa, faltando ainda os dois bijuus mais fortes, e mesmo assim era tão poderosa, imagina como seria o Juubi perfeito e completo. Naruto ficou imaginando como seria a forma original do Juubi vendo o médico e A já longes o suficiente para a segurança deles.
Fechou os olhos e entrou em sua mente. Chegando lá viu que todos os bijuus estavam reunidos na clareira da floresta que agora havia dentro dos portões do selo.
– Naruto: Quem irá me ensinar como funciona o jutsu? – Naruto perguntou e Kurama passou a explicar-lhe os detalhes do jutsu. Naruto não precisava se despedir de seus amigos bijuus que ficaram com ele nesse pouco tempo e nem de Kurama que esteve com ele durante toda a sua vida. Os bijuus iriam se fundir literalmente e suas memórias ficariam junto com ele, separador pela vida de cada um, ou seja, o Shinju saberá que foi separado em nove partes e que foi unido novamente – Mais alguma coisa? – Perguntou Naruto quando Kurama terminou de explicar e o mesmo negou, mas advertiu:
– Kurama: Naruto, tenha cuidado. Esse jutsu foi feito para ser usado sem ter os bijuus selados em si. Pode ser perigoso nos unir enquanto estamos selados em você, então, fique preparado para qualquer problema – Kurama estava preocupado com Naruto. Aquele jutsu poderia ser perigoso caso houvesse imprevistos.
– Naruto: Não se preocupe Kurama. Não dará nada errado e eu estou preparado para fazer algo rápido no caso de alguma não dar certo – Naruto estava sério e determinado. Naquele momento Kurama sentiu uma confiança dentro de si que só Naruto poderia passa-lo.
Naruto fechou os olhos e saiu de sua mente, os abrindo novamente para olhar ao redor e analisar se tudo estava certo. Tinha espaço o suficiente para concluir o jutsu, espaço esse que era de cerca de trezentos metros de circunferência. Pediu ao Raikage que se afastasse mais, mantendo uma distancia de um quilômetro, pois o jutsu tinha proporções maiores do que havia imaginado.
Fez o selo de bode e franziu o cenho, esforçando-se para exalar uma quantia descomunal de chakra, deixando o ar rarefeito. O Raikage sentia dificuldade para respirar e o médico já se encontrava de joelhos, com as mãos no chão. Os dois compartilhavam os mesmos pensamentos: A diferença do nível deles para o de Naruto era com comparar um gennin para um jounnin.
Naruto já ofegava quando conseguiu o chakra necessário para o primeiro passo do selamento. Fez uma sequencia de selos com extrema rapidez, mas que ainda demorou cerca de quarenta segundos para terminar e bateu as duas palmas abertas no chão – Kyukoufuuin no Kekkai (Barreira de Selamento das Nove Pontas) – Novamente um enorme clarão se fez, mas durante pouco tempo. Após dois segundos tudo voltou ao normal e Naruto, o médico e A puderam ver várias escrituras criptografadas no chão. Elas pareciam um pouco com o selo que Naruto tinha na barriga, mas ocupava cerca de cento e oitenta metros de circunferência e nos extremos, haviam alguns espaços não preenchidos, com os kanjis para “um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito e nove” no centro. Os espaços não preenchidos ficavam um ao lado do outro em sequencia crescente e ao redor do grande selo que estava no chão, ou seja, o espaço número um tinha do lado esquerdo o espaço número nove e do lado direito o espaço número dois. Naruto estava um pouco cansado e ofegava levemente. Caminhou devagar até o espaço número um e dispersou um pouco do chakra de Shukaku. Andou até o número dois e dispersou o chakra de Matatabi. No número três o chakra de Isobu e assim por diante. Ao terminar de colocar o chakra de Kurama no nono espaço, voltou para o centro do selo, que também tinha um espaço em branco com o kanji “receptor”. Agora viria o segundo passo.
Naruto novamente começou a dispersar chakra da mesma forma que antes, mas com mais dificuldade por já estar cansando. Bateu as mãos no chão assim como antes, mas agora sem precisar de selos – Kekkai no Chakra: Shishi Fuuinjutsu (Barreira de Chakra: Selamento de Bestas) – Os chakras acumulados em cada espaço em branco se juntaram em somente um espaço em branco, bem na frente de Naruto. Agora todo o restante da circunferência estava cheia de selos criptografados. Os únicos espaços que não tinham selos era o espaço em branco em que Naruto estava, o que continha o kanji “receptor” e o espaço em sua frente, a dois metros de distancia e do mesmo tamanho, que tinha o kanji “receptível”. Naruto tinha o seu joelho direito no chão e o braço esquerdo apoiado sobre o joelho esquerdo. Estava bastante cansado, mas ainda faltava o terceiro e último passo.
Levantou-se novamente fitando o chakra acumulado em sua frente, que parecia com o chakra que ele havia capturado à força de Kurama antes da grande guerra, mas era maior, negro e mais denso, quase igual a uma bijuu dama. Flutuava dentro do espaço em branco. Naruto concentrou chakra em seu dedo indicador e tocou levemente a bola de chakra e puxou, trazendo uma linha de chakra até o selo em sua barriga e soltou, deixando firme uma linha de chakra que conectava a bola de chakra ao selo de Naruto. Devagar, afastou-se da bola de chakra, caminhando de costas até entrar em seu espaço em branco. Agora viria a parte mais difícil. A primeira etapa era para criar um espaço onde deveria colocar o chakra de cada bijuu para ficar separado do próprio chrakra, pois não teria como selar os bijuus corretamente dentro de si. O segundo passo foi juntar o chakra dos bijuus fora da mente dele. A esfera de chakra à sua frente já não era o chakra dos nove bijuus juntos e sim uma parcela de chakra do Shinju. A terceira e próxima etapa consistia em Naruto absorver a esfera de chakra por seu selo. A esfera sugaria todos os bijuus para dentro dela, criando assim a forma perfeita do Juubi, o Shinju.
Naruto agora fez o selo do tigre, fechou os olhos fortemente, franziu o cenho e rangeu os dentes, concentrando ainda mais chakra do que nas outras vezes. A quantidade absurda de chakra agora fez o Raikage perder o ar completamente e o ninja médico ficar tonto, quase desmaiando, o que não aconteceu porque o Raikage ajudou-o a ficar acordado, apertando o braço do mesmo para que sentisse dor. Aquela falta de ar durou trinta segundos, sendo o tempo em que Naruto ficou concentrando o chakra. A olhou para Naruto e viu o mesmo de joelhos, com muito sangue escorrendo do nariz pelo esforço e ia correr para ajuda-lo, mas viu o mesmo fazendo selos com as mãos. Não conseguia acompanhar a velocidade, mas nunca havia visto tantos selos para o mesmo jutsu. Passando um minuto e meio fazendo selos, Naruto enfim bateu as mãos no chão e executou o jutsu – Konshin Betsuri no Jutsu: Chakra no Fuuin (Técnica do Destacamento da Alma: Selamento de Chakra) – A esfera de chakra foi aos poucos sendo sugada pela linha e sendo passada a Naruto. Ao terminar de transferir o chakra, os selos no chão se comprimiram dentro do espaço em branco em que Naruto estava de joelhos com as mãos no chão e então subiram em forma de escrituras pelas suas pernas, movendo-se em espiral até formarem um selo do mesmo tamanho que já existia e substituí-lo. O selo era diferente do que já estava em Naruto. Este possuía nove pontas, enquanto o anterior possuía oito e no meio do redemoinho, que se encontrava no centro do selo, surgiu uma única tomoe (N/A: Para quem não sabe, tomoe é a famosa “vírgula” que tem no sharingan, só que o mesmo possui as três no estágio completo).
O selo começou a queimar na barriga de Naruto, forçando-o a fazer uma careta de dor e tirar uma das mãos do chão e pôr sobre a barriga na tentativa de alivia-la, mas só aumentava ainda mais e parou de uma vez. Ao sentir que a dor parou Naruto desfaleceu sobre o chão, caindo de cara com a terra. A, que naquele momento já havia estabilizado sua respiração junto com o ninja médico, assustou-se ao ver Naruto caindo e não sentindo mais o chakra dele. Imaginou que Naruto estivesse morrendo por ter usado tanto chakra.
Moveu-se em direção ao loiro, mas no segundo passo parou ao vê-lo gritar e se contorcer no chão. O Raikage estava muito distante de Naruto, mas ainda sim ouvia os gritos agonizantes de dor.
Naruto nunca havia sentido tanta dor antes. Sentia seus ossos vibrando e seus músculos se contraindo como se estivesse tendo câimbras por todo o corpo. Ele mal conseguia respirar. Antes de perceber foi coberto por um manto de chakra negro e denso. O chão abaixo de si começou a trincar tamanha a pressão de chakra e toda a região começou a tremer. Os tremores eram gigantescos, fazendo com o que o chão trincado começasse a abrir enormes fendas.
O Raikage observava aquela cena abismado. O chão estava se abrindo completamente e se aquilo durasse mais tempo toda a região iria ser engolida por aquele enorme buraco que se criava ao redor do loiro. O chão continuava a tremer e Naruto começou a flutuar, ainda sentindo uma dor que o fez pensar que talvez a morte seria melhor.
Novamente, a dor parou de uma vez, junto com o terremoto e o manto de chakra negro desapareceu. Naruto estava exausto e não conseguia nem abrir os olhos. Assim que o manto de chakra cessou, ele caiu de costas para o chão, desmaiado. O ninja médico e A correram na direção de Naruto, enquanto o mesmo tentava abrir os olhos.
Naruto abriu os olhos fazendo com um enorme sacrifício e logo se encontrava num ambiente completamente na cor cinza. Não havia mais nada, nem chão, nem céu, apenas o cinza. Escutou uma voz atrás de si:
– ?: É um prazer enfim conhece-lo, Nidaime Rikudou.
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