Cinquenta Tons de Tristeza

24 Sem perseguições de carro.


Notas iniciais
Ei gente! Voltei! E trouxe aqui mais um capítulo fofo. Não está muito grande, mas quarta posto um maior. É que eu estou ajudando uma amiga a fazer sua festa de quinze anos. Estou tendo muitos trabalhos na escola. E estou tendo que ensaiar para uma peça para a Feira dos Estados. Espero que entendam. Boa leitura.

Christian entra no quarto com uma cara nada amigável e eu finjo que não o vejo.

– Eu senti saudades. – Diz Lian.

– Para de ser assim Lian. Eu ainda vou dançar em cima do seu caixão. Você morre antes de mim. – Eu digo brincando.

– Claro. Inclusive, eu vou morrer em uma perseguição de carros. Por que eu me meteria em uma perseguição de carros. – Ele diz de forma irônica e eu rio.

– Mas é claro que você faria isso. Você não tem noção do perigo. Esse é o problema, você não pensa só faz, e ai quando você vê a merda já está feita. E ainda fica envolvendo o Tom nisso Lian. – Eu dou a bronca que eu levaria em Lian.

– E sou eu que levei um tiro né? – Lian diz e eu o olho assustada. Eu levei um tiro?

– Eu? O meu braço? – Eu digo me lembrando do curativo.

– Lia não liga pra isso. O risco já se passou. Você perdeu muito sangue, mas já está tudo bem agora. – Ele diz e eu assinto com a cabeça.

– Eu gostaria de um momento a sós com você se estiver tudo bem. – Diz Christian, e eu acabo assentindo ainda em choque. Um tiro? Primeiro a Dali, e agora atirar em mim?

– Bom, eu já vou até mais. – Diz Grace que me dá um beijo na testa e sai. Ana, Teddy e Lian se despedem de mim e saem também. Agora vem uma briga....

Christian sai de perto da porta aonde ele estava até agora, puxa uma cadeira e a coloca embaixo da cama.

– Você tem ides da gravidade dos acontecimentos de hoje por causa de seus atos? – Ele pergunta enquanto passa a mão direita no cabelo.

– Parte deles sim. – Eu digo de nariz em pé.

– E o que exatamente não sabe? – Ele pergunta.

– O que aconteceu depois de Tom ir para o lago. – Eu digo, até por que eu não me lembro, mas quero saber.

– Resumindo. O carro de Tomas capotou, o carro dos dois homens que estavam atrás de vocês afogou no lago. Você levou um tiro, e perdeu muito sangue, e a transfusão foi um tanto complicada, você tem um tipo sanguíneo difícil de encontrar outro compatível. E o homem que estava no banco do passageiro morreu. – Ele diz.

Perdi muito sangue... Alguém compatível comigo.... E o homem do banco do passageiro morreu... Mas e o motorista? E o filho da puta que matou a Dani?

E o motorista? – Eu pergunto.

– Quando a polícia chegou só havia um homem sentado no banco do passageiro.

– Está bem. É só isso? – Eu pergunto.

– Quando se é adolescente você não pensa muito nas consequências. Eu já fui adolescente, e já me arrependi de não ter pensado. Você deveria pensar, pelo menos um pouco. – Ele diz e sai do quarto enquanto eu tento entender o significado de suas palavras.

Eu pensei nas consequências, não pensei? Merda! Agora que estou aqui, com um curativo de um tiro, sendo ameaçada, e estou pensando se eu pensei.... A cada dia eu penso mais que vou acabar em um manicômio.

Dou um suspiro longo e alto. E as palavras se repetem em minha cabeça. Você deveria pensar, pelo menos um pouco. Talvez eu não tenha pensado na consequência, mas.... Suspiro novamente, não tem mais, eu deveria ter pensado, pela mamãe que agora está preocupada.

Sei que ela não me gosta de ter longe dela e faz isso para a minha proteção e eu simplesmente saio. Isso é como desprezar o que ela está fazendo por mim, e de certa forma desprezar também os Greys que me deixaram ficar lá com eles.

E o Nik. Por que eu falei aquilo para ele? Sinto meus olhos marejarem e me arrependo de tudo que eu fiz hoje. Apenas erros, um atrás do outro. Talvez eu nem deveria ter saído da cama... E com esse pensamento sinto meus olhos marejados irem se fechando e acabo dormindo para fugir da realidade.

********

Acordo ao ouvir leves batidinhas na porta.

– Entra. – Eu digo baixinho, mas tenho certeza que a pessoa ouviu pois a porta é aberta em seguida revelando uma Grace bastante sorridente.

– Olá, como você está? – Ela pergunta.

– Melhor. Quando eu vou receber alta? – Eu pergunto coçando os olhos.

– Já recebeu, mas terá que ficar de repouso. – Ela diz. – Se quiser se trocar Lian trouxe aquela mala com roupas para você. Até mais. – Ela diz após apontar para uma mala azul sobre uma mesinha branca e sai do quarto.

Me levanto e vou até a mala. Abro e vejo que realmente foi Lian que trouxe para mim, pois as roupas estão todas enroladas de qualquer jeito e aqui só tem calça jeans, tênis, duas camisetas, uma camisa e a minha Necessárie.

Vou até o banheiro e faço a minha higiene pessoal e em seguida vou até o quarto, coloco uma calça jeans preta apertada, uma camisa branca de manga comprida, e all stars preto. Faço um coque em meu cabelo, pego a bolsa e saio do quarto.

Será que alguém veio me buscar ou eu vou ter que pegar um táxi? Saio do hospital e vejo Tom com um curativo na sobrancelha esquerda, óculos escuros, uma camisa preta, e calça preta. Tom nunca mudou, desde que eu o conheci.

– Como você está? – Ele pergunta.

– Levei um tiro, e você? – Pergunto dando de ombros.

– Ótimo, ainda bem que todos os acidentes no nosso carro foram para você. E esse machucado aqui foi depois de te tirar do carro. Bati a cabeça entrando na ambulância. – Ele diz debochando de mim.

– Você fala assim por que não tem uma cicatriz feia. – Eu digo e mostro a língua para ele.

– São marcas de guerras. Todos nós enfrentamos algo pelo menos uma vez na vida. Você está viva, se orgulhe delas, não tenha vergonha. – Ele diz, só que desta vez sério.

– E você por acaso ter marcas de guerra? – Pergunto curiosa.

– Muitas. Um dia te mostro algumas delas. – Ele diz. Tom é um tanto reservado, até eu que não sei nadar já entrei na piscina em um dos encontros de família que tem lá em casa. Mas Tom nunca. Fico imaginando se ele já se relacionou com alguém...

– Tom, você tem uma namorada? – Eu pergunto para Tom.

– Não. E você sabe disso.

– Mas eu pensei que talvez você tivesse arranjado uma.... Não sei.... – Eu digo e dou de ombros. Tom abre a porta do carro para eu entrar e dá a volta e se senta no banco do motorista.

– Dessa vez sem perseguições. – Eu digo com os dedos cruzados e Tom dá uma risadinha.

Notas finais
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