Cinquenta Tons de Tristeza
19 Ela não é como Ella.
Notas iniciais
Pov. Ana
Estou sentada segurando a mão de Christian por baixo da mesa. O garçom passa pela mesa e eu pego mais um copo de vinho.
Christian me lança um olhar de repreensão e eu apenas bato os cílios inocentemente para ele. Christian passa a mão pela minha coxa por baixo da mesa e eu consigo me segurar para ninguém perceber.
Estou ansiosa para ir para casa. Essas fantasias que escolhemos juntos pode ser algo muito divertido para se usar mais tarde. Bom se usar não, mas retirar a fantasia de Christian de uma forma selvagem.... Sinto as minhas bochechas se avermelharem um pouco por conta desse pensamento.
– Quer ir embora? – Christian pergunta olhando dentro de meus olhos de uma forma profunda e cheia de desejo.
– Sim. – Digo e o olho com intensidade.
Depois de nos despedirmos de toda a família Teddy pede para ir dormir na casa de Kelly e Phoebe já tinha combinado com Ava de ir passar a noite com ela, então fomos sozinhos para casa.
**********
Acordo e sinto Christian em volta de min, minha cabeça está encostada em seu peito e ele está praticamente em cima de min. Meus cinquenta Tons! Sorrio pelo modo que até dormindo ele é super-protetor.
Tento me desvencilhar dele sem acorda-lo, mas é em vão.
– Tentando fugir Senhora Grey? – Christian pergunta enquanto se ajeita na cama de modo que eu acabo ficando por cima dele.
– Não. – Eu digo e olho em volta. O quarto está uma bagunça! As cadeiras que ficam próxima a cama estão caídas, o criado-mudo de Christian está fora de lugar, as nossas roupas estão espalhadas pelo quarto, tem um abajur no chão e a mesinha de canto está quebrada. – Senhor Grey, fez uma bagunça terrível ontem à noite. – Eu digo em tom de reprovação.
– Gail pode arrumar. – Ele diz naturalmente.
– Não, é muito vergonhoso Christian. Ela não pode arrumar isso. – Eu digo decidida.
– Então você pretende limpar essa bagunça? – Ele pergunta risonho.
– Não, o senhor vai limpar, e eu vou ficar de olho. – Eu digo e levanto da cama correndo. Quando vejo que Christian está prestes a vir atrás de min começo a rir e fujo para o banheiro.
– Não deveria ter fugido Ana. – Ele diz ameaçadoramente, mas tem um pouco de humor em sua voz. Tranco a porta do banheiro enquanto seguro a risada. Ele ficara louco! Vejo ele tentar abrir a porta e não conseguir, não aguento e solto uma gargalhada.
– Senhora Grey, está rindo do sofrimento de um homem honesto e necessitado? – Ele diz agora fazendo charminho.
– Não é tão honesto assim. – Eu digo e volto a rir. Fugir dele é realmente divertido.
– E por que não sou tão honesto? – Ele pergunta, e tenho certeza que está sorrindo do outro lado da porta.
– Por que você não limpou a bagunça que fez ontem. E queria colocar Gail para limpar. – Eu digo.
– Eu não fiz a bagunça sozinho, então acho que você deveria vir me ajudar. – Ele se defende.
– Não, eu acho que um pouco de trabalho caseiro fará muito bem a você. – Eu digo enquanto destranco a porta.
– E se eu disser que gostaria de tomar um banho antes de arrumar a NOSSA bagunça. – Ele diz dando ênfase ao “Nossa”.
– Então é só você entrar. – Eu digo e corro para o box.
Antes que eu tenha tempo de ligar o chuveiro Christian entra no banheiro e vem até min correndo.
**********
Depois de tomarmos banho e café da manhã fomos arrumar o quarto. Fazemos uma pausa para o almoço e depois voltamos para a arrumação.
Christian é terrível! Fica me desconcentrando a todo momento. Ele não arruma e também não me deixa arrumar essa bagunça. Por fim conseguimos terminar de arrumar o quarto as quatro e meia da tarde.
– Deveríamos ter pedido para Gail limpar e termos cochilado a tarde inteira. – Ele diz e me coloca dentro de seus braços.
– Não. Vamos colocar um casaco, temos que buscar a Lia, e agora que a chuva parou, mas nunca se sabe. – Eu digo e ele concorda comigo.
– Christina, ela não é como Ella, a garota sabe se defender. – Eu digo e ele se senta na cama.
– O que quer dizer com isso Ana? – Ele pergunta passando as mãos no cabelo.
– Eu sei que você a liga a Ella Christian. Não tente mentir para min, nem tente ouviu? – Eu pergunto e ele assente.
– Ela vai morar aqui com nós por algum tempo, mas ela vai ser uma moradora, e não uma prisioneira. – Eu digo e passo a mão nas costas dele. – Você vai ter que dar liberdade a ela. – Eu digo.
– Mas ela está vindo para ficar segura, então não deve sair. – Ele diz impassível.
– Eline me disse que quando ela quiser sair ela vai ligar para aquele rapaz que estava dançando com ela ontem, ela disse o nome dele.... Nik, e ele sabe como protege-la. – Eu digo para Christian.
– Você viu o jeito que ele beijou a Lia? Ele é o maior perigo para ela. – Diz Christian.
Reviro os olhos e vou em direção ao meu Closet para pegar o meu casaco.
**********
Estacionamos o carro em frente a grande casa toda em tons marrons, objetos de madeira, vidro e muitos espelhos. O céu está nublado e isso faz a casa parecer mal assombrada, pelo menos na minha opinião.
Descemos do carro e Christian vem até min, subimos os três degraus em frente a porta de madeira e Christian toca a campainha.
– Boa tarde. Vocês são? – Pergunta um homem alto de cabelos pretos e olhos azuis que aparenta ter a idade de Christian.
– Christian Grey e minha esposa Anastácia Grey. – Christian diz para Tomas.
– Ah sim, eu sou Tomas. Entrem. – Ele diz e abre a porta. – Por favor me acompanhem, sinto muito dizer isso, mas eu acho que a Lia está um tanto atrasada. Ela só saiu daquele quarto meio-dia e veio aqui para fora brincar ou sei lá o que com os primos dela, mas a chuva atrapalhou e eles estão indo jogar, ou no meio de um jogo, não tenho certeza. Vocês se incomodam de esperar ela terminar, ou querem que eu a chame? – Ele diz enquanto andamos por um corredor com vários quadros que me dão arrepios.
– Não, não nos importamos de esperar. – Diz Christian.
Andamos até o final do corredor e saímos por uma porta de vidro. Vejo uma piscina não muito longe e um campo de futebol não muito a frente.
Há uma mesa grande com vários adultos sentados conversando e uma roda de adolescentes próxima ao campo.
Olho para a mesa e vejo que diferente dos outros adolescentes Lia está sentada a mesa com bebê no colo e está dando uma papinha para ele e tirando fotos da sujeira que o garotinho de aproximadamente dois anos faz.
– Eline, eles chegaram. – Diz Tomas.
Eline vem até nós e sorri para min. Não sei por que, mas não tenho nada contra ela, pois acredito que ela não queira nada com Christian.
– Eu vou olhar se a Lia já fez as malas direito. – Tomas diz e Eline o olha, e eu vejo que essa troca de olhares dele foi meio longa na minha opinião. Acho um tanto estranho pois Eline estava namorando com um tal de Hugo. Mas esse olhar, eu sei que tem algo ai.
– Claro. – Ela diz e toca levemente o braço dele. É a minha confirmação.
– Vocês querem se sentar. – Ela pergunta educadamente e nós aceitamos.
– Lia, eles chegaram. – Ela chama a menina que não tinha sequer percebido a nossa chegada.
– Ai, é que eu ia jogar.... – Ela diz apontando para os outros adolescentes que estão se separando.
– Não tem problema, podemos esperar. – Eu digo e ela sorri para min.
– Obrigada. – Ela diz e senta o garotinho na mesa.
– Lia, vem! – Grita um garoto loiro do campo para ela.
– Vocês já vão começar ou vão enrolar. – Ela grita de volta.
– Tá, não vou te chamar mais não. – Ele diz e ela volta a brincar com o garotinho a sua frente.
Christian começa uma conversa sobre negócios e esporte com alguns homens que estavam sentados à mesa enquanto eu tenho uma breve conversa sobre roupas com Eline, e então começo a reparar que o jogo realmente não começou.
– Boa tarde. – Diz um garoto que eu me lembro de ter cumprimentado ontem na festa.
– Boa tarde. – Eu e todos respondemos de forma educada. Ele se senta ao lado de Lia e começa a falar com ela.
Uma garota alta com o rosto longo chega por trás de Lia e puxa o cabelo dela com força, fazendo com que a cabeça dela caia para trás e ela dá um grito.
– O jogo já vai começar. – Diz a garota de forma sínica.
Lia se levanta da mesa com o bebê e vejo que está com uma regata preta e um short curto preto. E tem um casaco de pele marrom por cima que vai até a metade das coxa na parte da frente e só vai até o final das costas na parte de trás. Lia entrega o garotinho a Eline e vai correndo em direção ao campo.
– Dani. – Eline diz e a garota que puxou o cabelo de Lia olha para ela. – Você está perturbando Lia desde ontem. Hoje você entrou no quarto dela e ela não estava sozinha, e agora você deu esse puxão de cabelo nela. Hoje você vai sair daqui sangrando, e eu não vou deixar ninguém te ajudar. A Lia vai te machucar. – Ela diz e volta a olhar para o bebê.
A garota vira as costas e corre em direção ao campo. Percebo que eles vão jogar queimada, Lia está em um time que tem um garoto grande e loiro, na minha opinião ele parece uma montanha. E a garota alta está no time adversário.
O jogo corre normalmente até que os únicos que não foram queimados do time da Lia é a própria Lia, e o garoto-montanha. E do time adversários a tal da Dani também não foi queimada, mas ela é a única que restou.
Os garotos que foram queimado do time de Dani jogam a bola para ela e Lia corre e dá um pulo pegando a bola e jogando em Dani que segura a bola e joga em Lia com tanta força que a bola voa em seu peito e ela cai para trás, mas sem soltar a bola. O garoto-montanha a ajuda a levantar e ela joga a bola para uma garota loira que foi queimada do time dela e a garota joga a bola para Lia que agarra a bola e a joga no rosto de Dani que cai no chão. E então ouço Dani gritar algo que não entendo e Lia indo para cima dela e o garoto-montanha a segurando e a trazendo em direção a mesa.
O garoto a coloca sentada sobre a mesa de costas para nós e vejo que as costas dela está suja de lama.
– Não acredita no que ela disse Lia. – O garoto diz e olha para ela por um tempo e então continua. – Você viu como o nariz dela está sangrando? Aposto que você quebrou e não tem cirurgia que conserte aquilo. E a gengiva dela está sangrando talvez algum dente caia. – Ele diz tentando anima-la.
– É, mas meu peito e as minhas costas estão doendo. – Ela diz.
– Vai tomar banho, você está suja. A dor tenho certeza que um dia passa. – Diz Felpe se aproximando da mesa e debochando de Lia.
– Com licença. – Ela diz e entra na casa. E Tomas que estava saindo a olha desconfiado.
– O que aconteceu? – Ele pergunta a Eline.
– A Dani, jogou a bola no peito da Lia com força fazendo com que ela caísse de costas no chão. A Lia jogou a bola no rosto dela e ganhou o jogo. – Ela diz com orgulho, e depois sua expressão muda para preocupação. – Eu não deveria ter deixado ela crescer perto de você Tom, ela se tornou uma extremista como você. – Ela diz e ajuda o garotinho a fica em pé em cima da mesa, então o garotinho vem andando até min.
E eu sorrio para o pequeno, e o pego no colo.
– Oi. – Eu digo para o pequeno.
– Tem colate? – Ele pergunta.
– O que? – Eu pergunto para Eline.
– Ele quer chocolate. Aqui. – Ela diz e me passa um bombom por baixo da mesa.
– Esse? – Eu pergunto para o bebê.
– A colate. – Ele diz e pega o bombom da minha mão.
– Estou pronta. – Diz Lia que está com os cabelos molhados de lado, uma regata preta, calça jeans e chinelos de borracha com um grande sapo em cima de enfeite. Como ela não está com maquiagem alguma e o seu cabelo está ao natural ela está ainda mais parecida com Christian.
– Eu posso falar com você antes que você vá? – Pergunta um homem da voz rouca loiro que está encostado na porta atrás dela, ele veste roupas com cores neutras e a olha atentamente.
– Claro. – Ela diz e anda até ele. Dez minutos depois ela vem até a mesa.
– Nós já podemos ir. – Ela diz.
– Então vamos. – Diz Christian se levantando.
Reparo que ela se despede muito vagamente dos parentes ali presentes e com alguns ela nem fala.
– Ainda bem que você já vai. – Diz Dani com uma bolsa de gelo em frente ao rosto. Lia pega a bolsa de gelo da mão dela e vejo que o rosto da garota está extremamente inchado, então Lia tira uma foto e joga o gelo no chão.
– Tchau mamãe. – Ela diz e abraça a mãe.
Lian vem andando até ela e abre os braços e ela o olho e revira os olhos.
– Vou te ver na escola, precisa se despedir não Lian. – Ela diz e ele a puxa e lhe dá um abraço de urso.
Vamos andando para frente da casa e encontramos Tom perto da porta com as malas de Lia, ele e Christian colocam três malas gigantescas no porta-malas e Lia se vira para Tom.
– Tchau, vou sentir falta das esgrimas de madrugada. – Ela diz e ele a abraça.
– Juízo criança. – Ele diz e beija a testa dela.
Um cachorro chorando e desesperado vem correndo em direção a Lia. Vejo que os olhos dela se enchem de lágrimas assim que ela vê o pequeno cachorro. Ela se abaixa e pega o cachorro.
– Ei calma, não chora Lully. – Ela diz e abraça o cachorro ao corpo dela e ele chora ainda mais.
– Ei, o Tom vai cuidar de você. – Ela diz e vejo que está com o coração na mão. Olho para Christina e vejo que ele assiste a cena e está emocionado. Não com lágrima, mas posso dizer que o fato do cachorro estar chorando por que a garota está indo embora é algo que o impressiona.
– Você quer levar? – Ele pergunta me surpreendendo.
– O que? – Lia pergunta confusa.
– O cachorro, você pode leva-lo. – Ele diz e o rosto dela se parte ao meio com o sorriso.
– Sério? – Ela pergunta, olhando para min e para Christian.
– Claro. Ele tem nome? – Eu pergunto.
– É Lully. – Ela diz e se levanta com o cachorro no colo.
– Então, vamos? – Pergunta Christian.
– Vamos. – Ela diz.
Christian abre a porta traseira e ela entra com o cachorro no colo. Então ele abre a porta para min, eu entro e dá a volta e sai da casa indo em direção ao litoral de Seattle.
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