Cinquenta Tons de Tristeza
34 Anoiteça.
Notas iniciais
Christian coloca o carro na garagem subterrânea e ao invés de esperar ele vir abrir a porta para mim eu desço do carro e fecho a porta atrás de mim.
Ele anda até os elevadores e aperta o botão de chamada e ficamos parados esperando o mesmo.
– Então o que você faz aqui? – Eu pergunto e movo as pernas de um lado para o outro passando o peso do corpo.
– Hoje tenho algumas videoconferências e tenho que ir ao setor de comunicação para ver como as coisas andam por lá. – Ele diz e eu concordo. O elevador chega e eu entro primeiro. Tem uma mulher dentro do mesmo e ela está com uma saia-lápis e eu olho as suas pernas e vou subindo pelo seu corpo, quando nossos olhos se encontram ela sorri para mim de forma amigável e eu devolvo o sorriso.
– Bom dia. – Ela diz.
– Bom dia. – Eu a cumprimento de volta.
– Bom dia Sr. Grey. – Ela diz formalmente quando olha por cima do meu ombro.
– Bom dia. – Ele responde e se vira para a porta.
Sorrio novamente para ela e começo a me encarar no espelho do elevador. Estou realmente começando a me achar parecida com Christian, talvez sejam os olhos, ou o nariz, não sei, mas a cada dia me sinto um pouco mais próxima a eles, só não sei se gosto disso ou não.
O elevador para e se abre e a mulher sai do mesmo, olho disfarçadamente para o seu traseiro enquanto ela anda e espero o elevador fechar e voltar a subir.
********
Enfim paramos no andar d e Christian e ele sai do elevador e eu vou atrás dele. Vejo várias mulheres loiras e franzo o cenho. Que isso, fetiche?
O sigo e vejo que algumas delas olham para mim com os olhos arregalados e outras fingem que não me viram.
– Bom dia Sr. Grey. – Uma loira que acho ser a mais velha de todas diz.
– Bom dia Andrea. – Ele responde e entra na sala. – Andrea. – Ele chama antes de se sentar e eu entro na sala e sento-me em um sofá branco.
– Sr. Grey. – Diz Andrea entrando na sala e olhando um pouco para mim.
– Andrea essa é Lia, Lia Andrea. – Ele diz e trocamos um pequeno aperto de mão.
– Senhor, uma revista de fofocas colocou algumas fotos... – Ela começa, mas é interrompida.
– Dê um jeito de tirar aquilo, e se não tirarem os processem, coloquem a revista a falência. – Ele diz e ela arregala os olhos e balança a cabeça. – É só. – Ele diz e ela sai.
– Porque é grosseiro? – Pergunto olhando a sala.
– Não sou grosseiro, apenas direto. – Ele dia, se senta na cadeira e começa a digitar em seu notebook. Me levanto e ando até uma estante com vários livros. Passo o dedo por cima deles e puxo um. “ O Mundo de Sofia” Me sento no sofá e começo a lê-lo.
“ Sofia Amundsen voltava da escola para casa. Percorrera a primeira parte do caminho em companhia de Jorunn, sua colega de classe. Tinham conversado sobre robôs. Jorunn considerava... “
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Leio o livro, e apesar de não acha-lo muito interessante continuo lendo, pois nesse momento é a melhor coisa que tenho a fazer.
– Vamos almoçar? — Christian me pergunta e eu franzo a testa.
– Mas já? – Eu pergunto.
– Sim, minha mãe nos chamou para almoçar com ela. – Ele diz e eu concordo.
Guardo o livro em minha bolsa e então me lembro de que ele não é meu, o retiro bolsa.
– Pode ficar com ele para você, vi que estava bastante interessada nele. – Diz Christian e eu concordo.
********
Chegamos ao restaurante e eu desço do carro. Andamos até uma mesa em que Grace estava e ela levanta assim que me vê.
– Olá. – Ela diz e me dá um pequeno abraço que eu retribuo.
– Oi. – Eu digo e me separo dela.
– Christian. – Ela diz e a pega em seus braços apertando-o e eu observo a cena e pressiono os lábios juntos.
O almoço começa a correr normalmente até que vejo uma moto grande parrando na rua e começo a prestar atenção na mesma. Uma mulher desce e um homem, acho ele um tanto familiar e começo a prestar atenção neles. Assim que ele tira o capacete arregalo os olhos e meus lábios se abrem. É Nik. Aquele maldito! E com uma vadia cabeçuda!
Seus olhos se encontram com os meus e eu rapidamente normalizo a minha expressão e mantenho o olhar até que ele descia pois é puxado pela mulher e eu tomo mais um gole do meu suco.
Ele vai ver.... Eu vou contar tudo para o Tom, e ai quero ver o que ele vai dizer. Deixa esse Nik...
Passo o resto do almoço prestando bastante atenção no que Grace e Christian dizem ou pelo menos tento prestar pois sei que Nik está olhando para mim, sinto o seu olhar sobre mim.
Sinto uma pressão na barriga e sei que devo ir no banheiro, pois quando era criança já tive alguns problemas na bexiga.
– Com licença. – Eu digo e me levanto.
Vou ao banheiro, faço o que tenho que fazer, lavo as mãos e me olho no espelho. Quando estou saindo Nik entra no meu caminho e para em frente a porta impedindo que eu passe.
– Volte para casa. – Ele diz e eu franzo a testa.
– Eu estou tentando me infiltrar Lia, vá para casa, não deixe que anoiteça fora de casa. – Ele diz olhando em meus olhos e sai do banheiro. Franzo o cenho e tento raciocinar o que ouvi.
Como assim ele está tentando se infiltrar? E porque eu tenho que ir para casa antes de anoitecer. E quem era aquela mulher? Decido tirar tudo a limpo com Nik e saio do banheiro, mas quando olho em direção à mesa em que ele estava ela já está vazia, e a moto não está mais no estacionamento.
Volto para a mesa e me sento.
– Vai querer sobremesa? – Christian me pergunta e eu nego.
– Sendo assim nós já vamos mamãe.- Ele diz e despede dela com um beijo em sua bochecha.
– Até mais querida. – Ela diz e me abraça novamente.
– Até mais. – Eu digo e ela vai até o seu carro e vemos o carro dela ir embora.
********
Estou sentada no sofá lendo o livro quando Christian bate o punho na mesa e eu me assusto levantando os olhos para o mesmo.
– Está bem, coloque-os na sala 02. – Ele diz nervoso.
– Eu tenho uma reunião, é rápida. Quer ir ou ficar aqui? – Ele pergunta. Nas reuniões da empresa da mamãe quase sempre tinha briga, se Christian já está nervoso assim... Eu não perco isso por nada.
– Eu vou. – Eu digo e me coloco de pé.
– Está bem vamos. – Ele diz sai da sala e eu o sigo.
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A reunião começou a quinze minutos e eu posso dizer que faltam poucos minutos para a bomba estourar. Estou em um sofá próximo a mesa sentada com Andrea, e nós observamos enquanto a Sra. Lincoln tenta fazer com que os seus salões de beleza voltem a fazer parte dos empreendimentos Grey, e os outros colocam os pontos positivos e negativos disso.
Vejo a mulher que sujou meu vestido me olhar com diversão e eu reviro os olhos. Que vadia!
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A reunião termina e todos eles estão saindo da sala. Christian está olhando alguns papéis e Andrea acompanhando as pessoas presentes na reunião. Vejo que Elena está mais atrás de todos, e na hora de sai ela fecha a porta e se vira. Christian sobe o olhar para a mesma e ela me encara.
– Então é verdade. Pai... E filha. – Ela diz apontando para nós dois. – A idiota da Ana deve estar acabada. – Ela diz e começa a rir.
– Elena saia agora ou serei obrigado a chamar os seguranças. – Christian diz sério.
– Não precisa, eu já estou indo. – Ela diz e sai da sala.
Olho para Christian com a sobrancelha arqueada. Ai tem, e não é pouca coisa não.
– Vamos? – Ele pergunta e eu me levanto. Olho para o céu atrás de mim e me lembro das palavras de Nik, mas logo as expulso de minha cabeça. É só entrar no carro, e depois em casa nada pode acontecer.
Saímos da sala, entramos no elevador e descemos na garagem, ela está quase vazia, começamos a andar pelo estacionamento e paro no espaço entre um carro e outro. Christian vem abrir a porta dele para mim, mas sou surpreendida quando a porta do carro que está atrás de mim se abre e meu corpo é jogado para frente, Christian tenta me segurar, mas é impedido por três homens que o seguram por trás. Pego o celular e ligo pela emergência para Tom, e coloco no viva-voz. Quando ele atende alguém puxa o meu cabelo e começa a me arrastar fazendo com que eu ande.
– E não é que foi fácil te pegar. – Ouço aquela voz e congelo. É ele, ele matou a Dalila. Esse é o último pensamento que eu tenho antes e sentir algo ser pressionado em meu rosto, cheiro forte de álcool e mais nada. Nada além de escuridão.
LEIAM AS NOTAS FINAIS. LEIAM AS NOTAS FINAIS. LEIAM AS NOTAS FINAIS.
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