Cinquenta Tons de Desejo
1 Capítulo 1: Seu Olhar
Notas iniciais
CHRISTIAN
Eu observava todos dançando na festa. Era mais um das muitas que minha mãe promovia ao longo do ano, e essa, como quase todas era em benefício da caridade. Nunca conheci alguém mais altruísta que ela, e provável que eu nunca vá conhecer durante minha vida.
Elliot, meu irmão, dança com a nova garota com quem anda trepando, Serine ou Katherine... ou qualquer outra droga de nome que acabe com “ine”. Todos na família tem certa expectativa nesse seu novo romance, pois já dura duas semanas, o que para ele é um recorde. A última, pelo que me recordo, durou três dias, isso se contarmos a transa de despedida que tiveram em seu escritório.
Meus pais, assim como vários outros casais que notam que seus filhos já não são mais crianças, querem netos. Mia é nova demais pra isso, acho que já me consideram um caso perdido, o único que sobra para dar netos a eles é meu irmão mais novo.
Minha mãe como anfitriã do evento fala com algumas pessoas, e com a distância que estou me impede de ouvir, e mesmo se estive perto, aposto com eu não estaria interessado no assunto. Mia, a pessoa da família que mais parece estar se divertindo, dança junto ao nosso pai.
Eu como sempre, estou desacompanhado. Estou sentando em uma das muitas mesas a espera que algo interessante aconteça, como talvez eu me encantar por alguma mulher da festa e tirá-la para dançar. Algo que em todos esses anos nunca aconteceu. As manchetes nessas merdas de jornais sensacionalistas amanhã serão as que sempre colocam. Sempre que eu apareço sozinho em eventos como esse.
Christian Grey, o dos maiores magnatas de Nova York e um dos homens mais ricos do país, aparece mais uma vez sozinho em um evento. Será que o jovem bilionário ainda está à procura da mulher certa, ou algum dia vai admitir que joga no outro time?
Ah, se eles soubessem. Meu status de relacionamento pode dizer que estou solteiro, mas, como poucos sabem, eu nunca estou sozinho. Estou longe de ser um monge, e apesar do que esses jornalista filhos da puta insinuam, já devo ter feito sexo com mais mulheres do que eles podem contar. Mas diferentes deles, sempre fui o tipo de pessoa discreta, que prefere guardar as coisas para mim, sejam elas pessoais ou não.
— Melhor tomar cuidado. —Ouço uma voz doce dizer atrás de mim.
Minha vontade é de virar e perguntar: “Porra, tomar cuidado com o quê?”. Porém ao me virar, encontro o rosto mais inocente que já vi me encarando. Seus grandes olhos azuis me fitam com interesse, mas não o interesse que a maioria desses abutres tem no meu dinheiro. Ela parece estar apenas interessada em meus pensamentos. Olha-me como se eu fosse um enigma que ela tem que desvendar.
— Cuidado, — Pergunto, de forma polida — com o quê, exatamente?
Ela sorri. Um sorriso sincero que chega até os olhos. Um sorriso que não retribuo. Mas ela não se abala e o matem mesmo assim, o que me deixa um pouco irritado.
— Cuidado com a porta — continua — da próxima vez que ela abrir e o vento sobrar, sua carranca vai ficar no seu rosto para sempre. Nós não iríamos querer isso, — ela ergue uma das sobrancelhas — certo?
Fitei a mulher sem nome, mas com o sorriso mais lindo da festa. Estava surpreso como alguém tão lindo quando ela, não estivesse dançando. Seja lá quem for o par dela nessa noite, era um completo imbecil por deixá-la sozinha. Eu não conhecia o cara, ma já estava certo que não era merecedor de sua presença.
— O que você tem a ver com isso?
Novamente, ela não se abalou com meu mau humor, seu sorriso agora beirava a algo provocante, e com os lábios vermelhos os deixavam ainda mais maliciosos.
— Essa é uma festa. — Explicou. — Merece champanhe, dança e exuberância. — Ela apontou para minha testa. — Sua testa franzida numa carranca, não combina.
— Deve ser por que a maioria dos esnobes aqui não pode mover a testa, esticada por anos de botox.
Com um olhar irônico, percorri a multidão imaculadamente arrumada. Nem um fio de cabelo estava fora do lugar, tudo estava onde deveria está, na mais perfeita ordem. Ela acompanhou meu olhar, e para minha surpresa o sorriso dela aumentou, coisa que até então, eu achava impossível. As bochechas dela não doíam? Manter um sorriso amplo daquela maneira por tanto tempo, não deveria ser um trabalho fácil.
— Você provavelmente está certo, mas deveria tentar ser agradável.
Ergui as sobrancelhas — Por quê?
— Porque a equipe de segurança está rondando o local, talvez até de paisana. Eles não gostam de tipos bruscos que ficam parados, apenas observando. — Ela se aproximou um pouco mais, como se fosse dizer algo proibido, uma coisa que somente eu e ela deveríamos ter conhecimento; sussurrou: — Vão pensar que você é um ladrão.
Minha vontade é de começar a rir. É bem provável que ela seja uma das poucas pessoas nessa cidade que não saiba quem eu sou. Ao mesmo tempo que é instigante, é assustador saber que ela não se intimida sobre minha presença.
Mordendo o lábio, ela me olhou dos pés a cabeça lentamente. Aproveito a oportunidade para admirá-la também. Está mais do que perfeita com um vestido vermelho vivo, de uma alça que vai até quase de encontro ao chão, realçando sua pele morena. Suas sobrancelhas são espessas e escuras dando destaque ao seus olhos esverdeados, que são moldados por grandes cílios.
Quando seu olhar encontrou o meu, pude sentir um calor. Minha vontade era apenas jogá-la em cima da mesa, tirar o belíssimo vestido e poder fazê-la se contorcer de prazer enquanto grita meu nome por entre os dentes.
— Pensando bem, melhor não. Dificilmente alguém lhe confundiria com um ladrão.
Eu olho para ela, na esperança de intimidá-la. Ela esta deliberadamente me desafiando. Fico em duvida se é sua atitude, a maneira como age em minha presença, ou o fato de achá-la atraente que está deixando-me irritando. Apesar do olhar e das palavras atrevidas, ela tem um olhar ingênuo e inocente. É o tipo de garota feita para caras como eu ficarem bem longe se tiverem juízo.
— Você não deveria estar dançando? — Pergunto de modo brusco.
— Você não deveria estar sorrindo? — Responde gentilmente.
Minha boca se curvou ligeiramente, e ela levantou o punho em vitória. Gosto de sua petulância, e gostaria de saber quanto tempo ela duraria.
— Eu sabia que você era capaz de sorrir. Não é tão difícil uma vez que tenta.
Sua boca precisa de treinamento. Eu a imagino de joelhos na minha frente, enquanto fodo com a sua boca. Ela morde a boca novamente, o batom vermelho acentua seus lábios, a sensualidade deles subitamente mexendo com meu pau.
Por que diabos isso é tão excitante?
— Uma língua como a sua pode colocá-la em problemas. — Principalmente se você fosse minha, adiciono mentalmente.
Ela sorri para mim. — Eu adoro problemas.
Ótimo. Para sua sorte, e claro, para minha. Eu era um problema. E dos grandes.
ANASTÁSIA
Katherine podia ser minha melhor amiga desde que me mudei para os Nova York, contudo, às vezes tendia a ser insuportável. Apesar dos meus vários nãos a sua proposta de sair e vir a essa festa, ela não parou de insistir até ouvir a resposta que tanto queria.
Era para que eu encontrasse seu irmão aqui, que segundo ela estava louco há muito tempo para sair comigo, um sentimento que não era nem um pouco mútuo. Lucca é uma pessoa ótima, mas não sinto nenhuma atração por ele, apesar de seu belo físico, lindos cabelos loiros e olhos que tendia sempre sorrir, ele nunca me chamou muita atenção.
Para meu azar, ou sorte, ainda estava em dúvida entre os dois. Lucca não pode vir, me deixando sozinha na festa. A única parte boa nisso tudo era que eu não tinha gastado nem um centavo no lindo vestido vermelho que eu estava usando, Katharine acabou por me emprestá-lo.
Enquanto todos dançavam e pareciam se divertir, eu estava sozinha sentada em um canto, esperando minha deixa para poder ir embora.
Foi quando eu o avistei.
Ele parecia deslocado, mas ao mesmo tempo se encaixava perfeitamente ao lugar e as pessoas. Sua carranca era visível, e ele não fazia a menor questão de esconder isso. Era claro pra mim que ele não queria estar ali.
Mesmo de longe, quase que excluído, ele exalava um magnetismo de poder e não tirava cara de mandão. Estava tão concentrado em observar as pessoas ao redor, as estudando e analisando, que não reparou a minha aproximação, se dando conta de minha presença apenas depois de eu lhe ter dirigido à palavra.
A nossa pequena conversa de “apresentação” não tinha sido muito agradável. Porém estava longe de ser considerada tediante. Estava sendo o ponto alto da minha noite, e posso apostar minhas fichas que a dele também.
— Você quer dançar? — Perguntei ao estranho.
— Você está me convidando para dançar? — Sua testa estava franzida de um jeito quase cômico. Parecia que eu lhe tinha dito que a lua é na verdade um ovo gigante, ou que a terra é oca e grandes dinossauros pré-históricos vivem dentro dela.
— Sim. Mas caso negue, eu vou entender perfeitamente — provoco — alguns homens de fato não nasceram para isso.
Ele me lança um de seus sorrisos, e pelo pouco de tempo que estávamos juntos, já conseguia entender que eram raros. E saber que dois deles tinham sido para mim, em menos de uma noite, fazia com que borboletas, ou algo parecido, voassem livremente pela minha barriga.
Como um sorriso poderia me deixar tão insegura, tão hesitante, tão excitada?
Ele pega minha mão sem dizer nada. Puxando-me para a pista de dança, seu rosto mantém uma expressão indecifrável, aposto que levou anos para se especializar, e quando olha para o espelho, e tem de encarar seu reflexo olhando para ele de novo, tem dúvidas sobre o que de fato está sentindo. Ele parece perdido em si mesmo.
Assim que chegamos à música acaba, mas logo What A Wonderful World começa a tocar. A voz de Louis Amstrong ressoa pelo grande salão.
Uma de suas mãos vai de encontro as minhas costas, e apesar do pedaço de pano que separa minha pele da sua, ainda consigo sentir o calor quente e atrativo da palma de sua mão. Durante a dança ele manteve os paços fluídos e naturais, seu jeito meio dominador evidente durante todo o tempo.
Ele usa um smoking preto. Pelo modo que o tecido se adequava a sua fisionomia, posso dizer que foi feito sobe medida para ele. Seus olhos de um azuis vivo, são ardentes e obscuros, eles me hipnotizam e me penetram, ele não desvia o olhar nem por um só segundo. E eu também não.
Algumas pessoas pararam o que estavam fazendo para nos encarar. Não sabia bem o motivo, os olhos de muitos estavam atentos a nós e a cada passo que nós dávamos. Era excitante e ao mesmo tempo assustador ter tantos olhares voltados somente para nós dois.
— Qual o seu nome? — Sussurrou perto do meu ouvido enquanto dávamos voltas e mais voltas pela enorme pista de dança.
— Hum. Agora nomes se tornaram importantes?
Não pude deixar de rir quando sua famosa carranca voltou. O sujeito era impaciente.
— Que tal deixarmos assim? — Sugeri. — Sem nomes, sem expectativas. Apenas uma dança e uma boa lembrança.
— Tudo bem. — assentiu levemente. Apesar de nós dois sabermos muito bem que ele não iria desistir tão fácil, e que se não fosse por mim, iria descobrir por outra pessoa.
A música infelizmente chegou ao fim. E eu me afastei aos poucos, eu não queria ir embora, mas já era tarde e amanhã será segunda-feira, o que significa que devo ir embora, não posso me dar ao luxo de faltar mais um dia sequer ao trabalho. Ser demitida não está em meus planos, isso sem contar que sem me emprego, eu não poderia pagar as contas do hospital onde minha mãe está internada.
— Você já vai? — Por um segundo juro que posso ouvir um leve tom de decepção. — A festa nem chegou à metade. Daqui a pouco teremos o leilão.
Afastando-me, digo por cima dos ombros:
— É como diz o ditado: tudo que é bom, dura pouco. Mas caso nós nos encontramos de novo, te prometo mais uma dança.
Rindo, saio antes que ele possa me impedir.
Notas finais
Beijos e até. :)
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