Notas iniciais
Oi, desculpa pela demora mas aqui estou com um novo capitulo, e muito especial. Bem, decidi inserir o ponto de vista do Matteo na fic pois sei que estão curiosas/os para decifrar seus pensamentos e segredos. Decidi contar a fic desde o começo novamente, com as cenas mais importantes, mas agora na visão de Matteo. Este especial vai ser dividido em 3 partes e os capítulos serão consideravelmente grandes. Boa Leitura..

Desço do meu conversível preto e entro na casa de jogos animado. Hoje quero faturar muita grana. Entrei, atraindo os olhares cobiçosos de muitas mulheres, o que para mim é normal, e passo por muitas mesas, para então ver uma que me interessa. E lá estava Miguel Valente, um babaca de quem eu de vez em quando extorquia grana por meio de jogos de pôquer que ele quase sempre perdia, sentando em frente à uma mesa circular, ao lado de vários outros homens. As palavras lhe saiam enroladas, o copo de bebida estava sempre cheio e sentada em seu colo encontrava-se uma atraente loira com roupas curtas e apertadas, passando as mãos por seu corpo. A tal mulher virou o rosto e olhou para mim embasbacada, e pisco para ela. Sorrio. Isso sempre acontecia comigo. Por alguma razão todas as mulheres ficavam aos meus pés, coisa que eu adorava, mas que no entanto poderia ser muito irritante as vezes.
Eis que então eu apareço em sua frente, desafiando-o a uma partida de pôquer. Quem perdesse, teria que pagar uma grande quantia em dinheiro, e estava mais que obvio que quem iria ganhar era eu, como sempre.
— Eu não tenho dinheiro. — diz, com palavras enroladas um tanto quanto difíceis de comprender. Sinto vontade de vomitar ao sentir o bafo de álcool vindo em minha cara. Bufo e me preparo para ir embora. Se ele não tem dinheiro terei de arrumar outro trouxa para enganar. Me levanto, mas algo que Miguel diz a seguir detém minha vontade de ir embora. — Mas tenho uma filha. E se eu perder, ela é toda sua! — Sorri maliciosamente. Estou completamente pasmo com o que eu que acabo de ouvir. Certamente Valente nem sabe direito que neste momento oferece sua própia filha a mim como moeda de troca, como se a tal garota fosse apenas um objeto insignificante da qual ele quisesse se livrar. Entretanto, tenho sim um interesse na menina, ela pode me ser útil. Faz muito tempo que eu não tenho uma submissa com quem realizar minhas fantasias sexuais e me sentir no comando. Talvez essa garota seja uma candidata.
— Sua filha é bela? — pergunto, interessado e dando-lhe um sorriso falso.
— Sim! Tão bela quanto a mãe. E não digo isso por ser o pai dela... — Responde Miguel, todo orgulhoso. Sua expressão patética e seu cheiro de álcool me dão nauseas.
Então, a partida começa. Eu deixei bem claro para Miguel que aquela seria a única partida, sua única chance. Obviamente eu venci e estampei um sorriso irônico no rosto ao ver a expressão de desgosto do ordinario. Indignado, começou a gritar pedindo uma nova chance, dizendo que Luna, sua filha era seu maior tesouro, tesouro que não queria perder, e mais um monte de baboseira. mas eu deixei bem claro novamente que aquela fora sua única chance. Me levantei e aproximei meu rosto do dele, sentindo novamente o bafo de álcool vindo daquele escroto. Dei um sorrisinho ao ver ele tremer de medo de mim.
— Vou buscá-la amanhã à tarde, Miguel! Deixe-a pronta para mim! — Digo, dando um meio-sorriso, e um rápido beijo na loira gostosa e me retiro do bar. Durante todo o caminho de volta para meu hotel não paro de pensar em como seria a tal Luna, e fico excitado apenas de imaginar o que poderei fazer com ela.

Na tarde seguinte chego na casa de Miguel na hora combinada. Pronto e entusiasmado por buscar minha recompensa. Sinto cada vez mais curiosidade em saber como é a tal Luna. Somente espero que não seja uma criança mimada, ou então corto o pescoço de Miguel por tentar me enganar. Trouxe comigo dois homens de minha inteira confiança, afinal Valente pode dar uma de espertinho e querer fugir. Eu não gosto de matar pessoas, mas se preciso for farei cabeças rolarem aqui hoje. Termino de fumar meu cigarro, então arrombo a porta da frente da residencia, rindo com o altissimo estrondo que ela faz ao colidir com o chão. Avisto o imbecil sentado no sofa e me sento ao lado dele.

— Boa tarde, Miguel. — Digo, calmo. — Vim buscar o que me pertence. — Sorrio.

— Luna nunca vai ser sua. — Miguel me enfrenta, tentando parecer corajoso, mas posso ver o medo que ele sente de longe.

— Deixe de ser patético. Me entregue a garota, Miguel. Vai ser melhor para todos. — Digo, apontando uma arma para a cabeça dele.

— Papai, o que houve? — Uma voz suave e doce adentra em meus ouvidos e me viro para ver quem é. Um largo sorriso estampa meu rosto ao ver a bela morena de pele branca, olhos verdes, e boca vermelha. Deuses! A tal Luna é mais gostosa do que eu pensava, fico excitado apenas de olha-la. Poderia fazer tantas loucuras com ela. E farei. Ou não me chamo Matteo Balsano. Desço os olhares para suas coxas e me imagino mordendo-as enquanto ela geme loucamente. O desejo que estou sentindo por esta garota é completamente insano. Mas, primeiro terei de conquistar sua confiança, o que parece ser difícil no momento, ela estando muito assustada. Posso decifrar o medo e a confusão que Luna sente por seus olhos. A pergunta preocupada que ela fez ao pai quando entrou ainda ecoa em meus ouvidos. Ela espera uma resposta ansiosa, mas nada seu pai respondeu Deve estar morrendo de vergonha de contar para a filhinha que a vendeu sem mais nem menos. — Papai! Diga-me o que há! — insistiu e então, vendo que o idiota não abriria a maldita boca e que teria de ser eu a explicar tudo para ela levantei-me, e apenas nesse momento ela pareceu me notar.

— Creio que terei que explicar. — suspirei, sorrindo de lado. — Seu pai perdeu uma aposta, querida! E o prêmio, era você! — Explico de uma vez, sem rodeios.

Luna me encara , e por um momento, sinto-a ficar hipnotizada por mim e comemoro internamente, mas a jovem logo se recompõe, chocada com o que acabava de ouvir.

— Eu? — arregalou os olhos em surpresa.

— Sim, você. E eu vim buscar meu prêmio! —

— Não! Não pode ser! Papai! — ela começou a chorar, desesperada e eu simplesmente revirei os olhos. Pronto, o draminha iria começar.

— Eu sinto muito, minha pérola! — foi tudo que o babaca do Miguel conseguiu falar.

— Não! Como você pôde, papai?! — ela gritava entre lágrimas.

Por um momento sinto pena da jovem morena ao ver a dor refletida em seus olhos claros. Apesar de tudo Luna é inocente, e não merecia passar por tudo isso nem ter o pai babaca que ela tem. No entanto nada posso fazer. Luna vai ter de entender que agora pertence a mim, e a mais ninguém.

— Se despeça dele, doce menina! Nós temos que ir! — Eu disse, em tom autoritário. Estava cansado desse drama todo.

— Não vou me despedir! Eu não vou! — gritou, me encarando com raiva e fazendo menção de sair porta afora, mas um de meus homens a segura, impedindo-a de se mover.

— ME SOLTA, DESGRAÇADO! — Esbraveja Luna, esperneando e chorando, mas de nada adianta. Por alguma razão, ve-la desse jeito desperta mais ainda meu desejo por ela.

— Ou você vai, ou ele morre. — Esbravejo, agora completamente furioso. Toda a pena que sentia por ela segundos antes se esvaiu. Quem essa garota insolente pensava que era para me enfrentar? Merece umas boas palmadas, penso. Sinalizo para o segundo homem de minha confiança, o qual volta a apontar uma arma para o pai de Luna, que assistia a tudo imóvel, feito uma estatua.. — Você decide, meu doce! — Sorrio irônico ao chama-la por um apelido carinhoso que criei agora.

— Vá, querida! Você pertence a ele agora. — Miguel murmurou, e isso a fez chorar mais. Não conseguia acreditar que aquilo era mesmo verdade.

— Adeus! — falou Luna, com o coração apertado e chorando fortemente. — Espero não voltar a ve-lo nunca mais na minha vida. — Despejou as palavras, com raiva daquele homem que se dizia seu pai, mas que havia estragado sua vida. Aquilo surpreendeu-me. Pensava que a raiva dela estaria direcionada a mim, e não a Miguel.

Passei os braços por seus ombros, sentindo-a estremecer com meu toque e sorri vitorioso para Miguel, antes de levá-la para fora e entrar no carro. Luna encolheu-se no banco, parecia ter medo de ficar perto de mim, o que achei um tanto engraçado, afinal eu não um bicho papão ou um monstro do Lago Ness.

— E minhas coisas? — Sussurrou a pergunta de cabeça baixa, não se atrevendo a olhar-me nos olhos, o que me irritou. Bufei, mas logo levantei seu queixo, a obrigando a olhar-me. Ver aquele rostinho frágil me delira. Sinto vontade de morder essas bochechas e essa boca, mas não posso fazer isso. Ao menos não agora. Uma coisa é inegável. Luna é linda. Nunca me senti assim tão atraído por alguma mulher assim, a primeira vista, e olha que ela é apenas uma adolescente. Por um minuto perco-me naqueles olhos verdes claros e sinto vontade de acariciar seu rosto, para mostrar que tudo ficara bem, mas me recomponho rapidamente. Ela nunca poder saber o quanto me afeta, e o quanto sinto vontade de a por em meus braços e dar-lhe apenas carinhos.

— Não se preocupe com suas coisas, compraremos tudo novo lá em Veneza — murmurei. — A propósito, me chamo Matteo Balsano, mas pode me chamar de Matt. Ou como prefiro, senhor. — Disse, dando meu melhor sorriso sedutor para ela, que cora.

Ja faz quase uma semana que Luna esta morando aqui comigo, e a convivencia entre a gente ta no mínimo pacifica. Quase não nos falamos um com o outro, e quando falamos é pouca coisa. Obviamente ela ainda sente imensas saudades do pai e de sua casa, demora um tempo para se acostumar por completo. Eu a trato o mais bem possível, para ela se sinta a vontade e tenha confiança em mim. Lhe comprei novas roupas e deixei com que ela pusesse mechas californianas no cabelo, o que lhe caiu muito bem. Quando ela pergunta mais sobre mim geralmente desconverso, pois ainda não estou pronto para lhe revelar meus segredos, e acho que nunca estarei. Toda a vez que a vejo tenho de me controlar para não agarra-la e leva-la para a sala de jogos depois de fazer sexo com ela normalmente. Mas, por mais que eu a deseje loucamente e a queira como minha submissa, sei que ainda não chegou a hora certa para lhe apresentar o meu estilo de vida, e talvez nunca chegue. Tenho a impressão de que ela vai me odiar ainda mais quando eu lhe mostrar o que pretendo fazer. Faz dois dias que não nos vemos, porque por algum motivo Luna não saiu do quarto, nem mesmo para refeições. Sei que preciso me aproximar dela e reverter essa situação o quanto antes, então tenho a ideia de convida-la para ver um filme. Bato na porta do quarto dela, e espero ela abrir.

— Oi. — Murmuro, após ela abrir a porta e não posso evitar correr os olhos pelo corpo gostoso dela ao ve-la apenas de robe e lingerie. Deuses. Desse jeito vai ser difícil de me controlar, penso enquanto sinto minha ereção por cima da calça. Me impressiona como toda puta vez que vejo Luna fico excitado. O que essa garota fez comigo? Nunca me senti assim antes. Olho para a expressão envergonhada no rosto dela e subitamente fico envergonhado também — Desculpa, eu não... — Perco as palavras ao olhar para Luna.

— Tu-tudo bem. — Gagueja, sem saber ao certo onde enfiar a cara. Sorrio de lado ao perceber que eu pareço a afetar tanto quanto me afeta a mim. Pigarreia. — O que quer? — Diz, direta.

— Eu... — Pigarreio e me xingo mentalmente por perder as palavras mais uma vez. Nunca fui assim tão bobo em frente a uma mulher. Então a olho nos olhos mais uma vez. — Gostaria de saber se quer assistir algum filme comigo. Quer? — Respiro fundo.

— Ah claro. Deixe-me só terminar de me vestir.

Assinto e me retiro, para deixa-la se arrumar. Fico feliz que ela tenha aceitado minha proposta, afinal gosto de passar um tempo com ela. Acha que podemos ser amigos, por mais que eu queira bem mais que isso. Rio ao pensar que Luna certamente vai odiar o filme que eu escolhi, e eu claro fiz tudo propositalmente, para me divertir um pouco com ela.

Ando pelo extenso corredor, resolvendo esperar Luna aqui, pois do jeito que ela é vai acabar se perdendo. Enquanto espero acabo me lembrando de Ámbar, minha submissa antes de Luna. Ela era boa. Me obedecia fielmente e conseguia me dar prazer enquanto eu lhe dava prazer a ela, no entanto com Ámbar eu nunca senti a necessidade de ficar próximo dela e criar um laço a mais além do de Submissa e Dominador. Em fato, nunca senti essa necessidade com nenhuma de minhas submissas, apenas com Luna me sinto dessa forma. Essa garota mexeu comigo de uma maneira de que eu nem sei expressar. Me viro para buscar Luna, um tanto quanto preocupado pela sua demora, mas dou de cara com a cara dela enfiada em meu peito. Esse simples contato me faz estremecer.

— Perdida novamente, Menina Avoadinha? — Gargalho e a encaro fixamente, chamando-a pelo apelido que eu criei e ela detesta, mas que no entanto combina-lhe muito bem.

— Idiota. Sabe o quanto odeio ser chamada assim. — revira os olhos e morde seu labio inferior, o que me deixa completamente louco. Perco a respiração por alguns míseros segundos, mas logo me recomponho. — Você poderia estar me esperando, não?

— Desculpa. Vamos.

Ela me segue pelo corredor calada e viramos à direita, encontrando dois seguranças parados ao lado de uma porta. Sei que ela detesta ter seguranças espalhados pela casa, no entanto é preciso. Abro a porta e entramos na aconchegante sala de televisão, Luna senta-se no sofá, em frente à TV. Eu coloco o cd no aparelho de DVD e me sento ao meu lado, mas bem afastado de Luna, para o bem de minha sanidade e meu controle.

— Que filme você escolheu?

— Eles existem. Já assistiu? — Ela nega. — Então, cinco amigos vão passar o final de semana em uma cabana nos remotos bosques do Texas, para eles seria um final de semana cheio de festas e aventuras. Mas tudo muda quando o que parecia só diversão se torna um terror ao serem perseguidos pelo feroz e lendário Pé Grande.

— Aí Matteo, eu tenho medo. — Luna olha-me horrorizada enquanto abafo uma risada que quer sair.. Eu simplesmente tenho pavor de filmes de terror.

— Fica calma, ok? É só um filme, nada aconteceu de verdade e nem vai acontecer. — pisco e chego mais perto dela. — Qualquer coisa, pode me abraçar. — Falo, para a confortar, mas na realidade nem sei o que farei se Luna realmente me abraçar.

Luna me encara por um tempo e balanço a cabeça positivamente, sorrio e dou play no filme.

O filme começou bem tranquilo, de fato para mim não tem nada demais. Em fato, esse filme é um de meus favoritos, mas sei que Luna é muito medrosa e eu levou susto com uma coisa muito boba, muito boba mesmo. A cara dela é tão patética e engraçada, que rio sem me segurar.

— Tranquila. — sussurro e passo o braço por seus ombros.

Sinto-a ficar tensa com meu toque, eu também estou, mas disfarço bem. Tenho a sensação de que Luna nunca fui sequer tocada por um homem, quanto mais ficar sozinha numa sala íntimos como estamos agora. E, de certa forma essa inocência e fragilidade dela que me faz deseja-la ainda mais. Notando seu desconforto tiro a mão de detrás dela e volto a prestar atenção no filme. Então, começa a passar uma cena um tanto engraçada, mas Luna fica horrorizada com a forma que o rapaz finge estar transando com uma garota. Dou risada. Gosto de ver as expressões de horror de Luna, acho que presto mais atenção nisso do que no filme em si.

Quando volto minha atenção para a televisão, a cena do porco passa pela televisão e obviamente assusta Luna Solta uma exclamação de surpresa e raiva, e gargalho mais uma vez. Perdi a conta de quantas vezes eu ri desde que o filme começou.

— Caramba Matteo, se eu não dormir o culpado será você! — Luna, diz, emburrada e irritada, o que mais uma vez me faz rir.

O filme chega ao final e Luna não esconde sua expressão de terror. Assustou-se mesmo. Eu não me aguento, e rio de novo. Ao ver que Luna ficou mesmo traumatizada com o filme me preocupo. Então, para a confortar, a envolvo em meus braços, abraçando-a carinhosamente e beijo sua cabeça. Uma sensação ótima de calmaria toma conta de mim ao ter Luna aconchegada a mim. Poderia ficar assim para sempre.

Luna fica estática, deve estar surpresa com meu gesto. Na realidade eu também estou. Nunca me aproximei assim tanto dela e tampouco sou de dar carinhos e abraços. Acho que tudo o que passei nessa vida me fez ficar frio, sem sentimentos. Mas, por algum motivo que eu agora desconheço, parece que Luna consegue transpassar a barreira que eu mesmo criei. Sinto necessidade de a confortar, a proteger, de estar perto dela. E isso para mim é muito estranho.

Retribui o abraço e começa a chorar. Eu entendo o que se passa com ela. A menos de uma semana atrás Luna tinha uma casa, um pai que poderia não ser muito presente, mas mesmo assim era seu pai. Poderia ter melhores amigos, uma rotina. Enfim, uma vida. E tudo foi tirado dela assim, tão de repente. Eu passei por algo parecido a uns anos atrás. No entanto, no meu caso meus pais foram cruelmente assassinados e tirados de mim sem que eu ao menos percebesse como, ou por que. Parece que eu e Luna temos mais em comum do que eu imaginava. Me afasto, segurando seu rosto entre minhas mãos e seco suas lágrimas com os polegares. Parte-me o coração ver Luna chorar e sofrer desse jeito.

— Ei, o que aconteceu? — indago, a olhando nos olhos. Mais uma vez percebo o quão linda Luna é, mesmo estando triste.

— Tudo. — Luna coloca as mãos sobre as minhas, e eu estremeço. — Minha mãe me abandonou quando eu tinha cinco anos de idade, agora meu pai me colocou em uma maldita aposta e perdeu. Eu não conheço ninguém aqui, eu não tenho ninguém!

— Não diga isso, você tem a mim. — acaricio seu rosto, suavemente e sem medo. — Eu sou seu amigo. — Sorrio, tentando lhe passar confiança

— Eu mal o conheço, como posso ter alguma consideração por você? Você me conta muito pouco sobre você. — murmura, olhando no fundo de meus olhos. — Eu nem sei se posso confiar em você de verdade. — Suspiro ao constatar que ela tem um pouco de razão. Eu nunca me abri com ela, ou melhor, com ninguém. Acho muito difícil expressar minhas dores e meus sentimentos para os outros. No que depender de mim meus segredos ficarão sempre guardados comigo. Talvez eu os conte para Luna, mas somente quando estiver pronto para tal coisa.

— Apenas... confie. — sussurro e passo o polegar por meu lábio inferior. Mais uma vez sinto uma enorme vontade de a beijar. Preciso sentir o sabor de sua boca contra a minha, ou então irei enlouquecer. Então, sem medo nenhum, me inclino e a beijo, a pegando de surpresa. O gosto e a sensação da boca de Luna contra a minha é muito bom. Mordo o labio inferior dela com vontade, como sempre quis fazer desde a primeira vez que eu a vi. Mas, para mim não é o suficiente, quero saborear seu gosto por completo, ter um beijo decente. Estou prestes a pedir passagem com a lingua quando Luna me empurra bruscamente, olha para mim horrorizada e vira um forte tapa em meu rosto. Arregalo os olhos em surpresa pelo que ela fez e sinto uma furia tomar conta de mim. Passo pelo local em que ela me bateu, que ficou vermelho e dolorido.

— Como você ousa? — pergunta incrédula, levanta-se e sai correndo apressada. Eu sei muito bem que eu fui um tolo, e que não deveria de a ter a beijado. Foi mais forte que eu. Mas, isso não lhe da nenhum direito de me bater. Ah, mas ela vai se ver comigo!

— Luna, espera!

Corro atrás dela apressado, no entanto vejo ela fechar a porta de seu quarto num estrondo ao longe. Bufo, irritado. Eu vou falar com ela, quer ela queira ou não.

— Senhor Balsano, talvez seja melhor deixá-la um pouco sozinha! — Amanda diz, ao me ver passar correndo pela cozinha como um raio.. — Falar com ela agora, só piorará a situação, seja ela qual for.

— Amanda, volte aos seus afazeres e deixe-me! — Respondo rispidamente para minha empregada, pois estou muito irritado.

Chego e começo a bater fortemente na porta do quarto, mas eu apenas escuto silêncio. Bufo. Ah, mas essa garota deve estar querendo me provocar. Sou capaz de arrombar a porta se ela não a abrir nos próximos segundos.

— Luna, não me faça quebrar essa merda! — Rosno, minha paciencia mais que esgotada a esse ponto.

— Vá para o inferno, Balsano! — grita de dentro do cômodo. — Me deixe em paz, eu quero ficar sozinha!

Suspiro. Talvez seja melhor deixa-la mesmo. Afinal, ambos estávamos de cabeça quente e ter uma briga agora apenas pioraria a situação. Talvez pela manha pudéssemos esclarecer tudo isso estando mais calmos. Eu sabia que era culpado por ter cedido aos meus desejos e a ter beijado sem mais nem menos, ainda mais num momento de pura fragilidade, e que de certa forma eu mereci sim o tapa que levei. Respirando fundo, saio dali e me tranco em meu corredor, pegando uma garrafa de uísque que tenho na estante e a arremessando contra a parede, vendo os pedacinhos de vidro caírem ao chão, enquanto grito para liberar minha raiva.

— PORQUE MEXE TANTO COMIGO LUNA? PORQUE? — Grito, enquanto arremesso qualquer coisa que encontro contra a parede, sem me importar com nada. Nesse momento estou chorando de raiva. Eu odeio chorar, mas neste momento isto é inevitável. Afinal, meus sentimentos tem de ser liberados de alguma maneira. — MERDA! — Grito.

O toque do meu celular interrompe meu acesso de loucura. Pego no aparelho e atendo, vendo que é Pedro, um dos meus amigos. Pode ser algo importante.

— Fala logo o quer. — Digo, extravasando um pouco de minha raiva nele.

Pedro ri da minha cara, me fazendo ficar com ainda mais raiva.

— Oi pra você também. — Mais risos. — Seguinte, alguém veio atrás da tua garota, a Luna. O rapaz passou por toda Veneza com uma foto dela perguntando se sabiam onde ela estava.

Aquilo me alarmou. Alguém estava procurando Luna. Alguém sabia que ela estava em Veneza. Eu nem sequer fazia a menor ideia de quem poderia ser. Talvez o idiota do Miguel tivesse mandado alguém vir atrás da filha. Ou talvez fosse alguém que nem tinha nada a ver com o Valente. Mesmo assim era extremamente perigoso. Ninguém poderia descobrir o paradeiro de Luna, ou eu correria risco de perde-la.

— E quem seria esse rapaz? — Quis saber.

— Mandei uma foto do sujeito por e-mail. — Pedro disse. — Agora preciso ir. — Desligou a chamada.

Intrigado e curioso, rapidamente loguei na minha conta de e-mail. Engoli a seco quando vi a foto de Pedro havia tirado do rapaz. Aquele era Simón. O desgraçado do meu irmão que arruinou a minha vida e tentou me matar diversas vezes. Mas, o que ele queria com Luna, e mais importante, como o maldito a conhecia?

Eu não consegui dormir nada naquela noite. Meus pensamentos estavam a mil. Primeiro, era Luna, que mexia comigo de uma forma que nenhuma outra mulher havia mexido antes, e eu estava muito confuso em relação ao que realmente estava sentindo. Segundo, vinha o beijo, que mesmo sendo curto eu havia adorado. Depois, o tapa atrevido dela, que por sinal o local ainda ela havia me agredido ainda ardia. Queria mesmo era lhe dar um castigo. Dos bons. E por ultimo, tinha Simón. Pensei que ele nunca mais fosse reaparecer em minha vida, no entanto o desgraçado deu sinal de vida. Mas, o que me intriga é que ele procura por Luna. Preciso interroga-la o quanto antes sobre esse assunto. De canto de olho, vejo Luna sentar-se na mesa de café, mas não desvio o olhar de meu tablet, por mais que as noticias contidas nele sejam entediantes.

— Após o café, eu quero que se arrume. Nós vamos até minha empresa e depois quero te levar a um lugar. — Ordeno, em tom frio e seco. Nem sequer dirijo meu olhar a ela.

— Eu não vou a lugar algum com você! — Luna exclama, bebendo um pouco de suco e mordendo sua torrada. Suspiro. Luna sabe mesmo como testar minha paciencia. Estou controlando minha vontade de levantar e lhe dar umas palmadas. ergo meu olhar e a encaro, firme. Deixo claro que quem manda aqui sou eu.

— Eu não perguntei se você vai ou não. Você vai e ponto, esteja pronta às nove! — Digo, desviando meu olhar do dela, levanto e vou para meu escritório, trancando-me lá dentro. Imprimo a foto de Simón para mostrar para Luna daqui a pouco.

— Ai, Luna. Se eu te desse o castigo que merece. — Sussurro para mim mesmo.

Depois de uns minutos vou na cozinha e vejo Luna conversando com Amanda e a ajudando. Peço discretamente para que a empregada saia. Vejo que Luna fica desconfortável ao ficar na minha presença depois de ontem, eu também estou, mas essa conversa tem que acontecer. E vai ser agora!

— Antes que você diga qualquer coisa para me agredir, eu queria te pedir desculpas pelo meu comportamento de ontem. — suspiro, envergonhado e coloco as mãos no bolso. Nunca fui bom em pedir desculpas a ninguém. — Não era minha intenção fazer aquilo e muito menos te tratar mal.

— Ok, tudo bem. Era só isso? — Luna responde, seca.

— E sobre hoje... Desculpa novamente, não quis falar com você daquela forma, mas acontecerem algumas coisas no trabalho e acabei descontando em você. — digo uma meia-verdade, encolhendo os ombros. Realmente estou com problemas na empresa, e nem quando estiver louco que direi que meu outro problema é justamente ela, e que me afeta mais do que deveria. — Mas eu também estava um pouco puto com você, pelo tapa que me deu.

— Foi um tapa muito merecido, só pra você saber! E quero te dar outro agora mesmo, pelo seu comportamento de mais cedo! — Responde, e eu me surpreendo com a ousadia de Luna em me enfrentar. De certa forma, admiro isso nela.

— Eu mereço, eu sei. Mas não faça isso, por favor, você não sabe a vontade que sinto de te dar umas palmadas. — Confidencio sem querer, e vejo-a arregalar os olhos, em surpresa e um tanto horrorizada. Me xingo mentalmente. Sou um idiota mesmo. — Ignora o que eu acabei de falar. Bom, você não precisa me acompanhar até a empresa, se não quer. Não vou te obrigar a fazer nada. — Acrescento, certo de que isso vai faze-la mudar de ideia e querer me acompanhar.

— Ótimo, porque agora eu quero ir! Não suporto ficar trancafiada aqui dentro.

Rio ao ver que eu estava certo. Ela sobre para tomar banho e eu solto um longe suspiro.